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Maiores erros de Bruno de Carvalho, Pt1

Drake Wilson, em 10.02.17

 

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#1 - Autodomínio emocional perante adversidade

 

Ao actual Presidente, são-lhe reconhecidos diversos comportamentos contraproducentes no que respeita ao domínio emocional, tanto externo como interno, de acordo com o que a sua posição de líder máximo do Clube/SAD lhe exige. Assistem-lhe actos de virilidade, que tendo como origem momentos menos positivos da performance competitiva da equipa, nunca produzem melhorias posteriores – pelo contrário, os maus resultados prolongam-se. Algo que o iliba como alvo de maior contestação por parte dos adeptos – que se revêm igualmente na sua frustração – embora paradoxal, tendo em conta que só o sucesso dos atletas permite a uma liderança o reconhecimento do seu sucesso, no médio e longo prazo.

 

#2 - Criação de Lobby’s

 

Sabemos que em Portugal, ser presidente de um Clube de Futebol de grande dimensão, permite ao detentor de tal cargo demasiada notoriedade e créditos desfasados dos reais interesses à integridade e consciência que se exige no desempenho do cargo – o que, por muito que nos custe, lhe atribui por intermédio da emocionalidade dos adeptos, tanta ou mais respeitabilidade do que a um alto representante do Governo. Se o Sporting pretende estar na linha da frente no que respeita a combater o “Sistema” ou impor a “Verdade” no Desporto, não pode jamais apelar a sportinguistas que gozem de privilégios estatutários de cargos públicos, que movam influências deliberadas a favor do Clube. Se hoje oferecemos um almoço a Lobby’s, amanhã será o Sporting a refeição.

 

#3 - Comunicação como líder

 

Bruno de Carvalho conhece bem a audiência para quem comunica. Sendo do Sporting, e conotando-se ao sofrimento dos adeptos do Sporting, conhece bem o que qualquer sportinguista quer e deseja perifericamente ouvir. Deste modo, desmobiliza a atenção do Adepto pelas reais questões que lhes deveriam imputar à consciencialização e meditação. Notórios são os frequentes argumentos em defesa desta presidência, essencialmente sustentados por comparações ao passado falhado (imensos), e não focados nas acções tomadas ao logo desta administração com resultados para o futuro (escassos ou nenhuns). Um pouco como no fenómeno político actual pela Europa, onde se assiste a uma tal sobreelevação da extrema-direita em virtude de um suposto fracasso da Democracia, aproveitando o desconhecimento da população pouco informada e consciente do que é uma real ditadura.

 

#4 - Diversificação de responsabilidade

 

Existe no Sporting um elevado número de directores, assessores e colaboradores que se revelam, aqui e além, pouco eficazes no sucesso da tarefa do seu cargo – ora por clara incompetência, ora por uma tal ausência de sentido de responsabilidade. Uma sofrível miscigenação de tarefas – o que é, para que serve e do que beneficia o Sporting com Augusto Inácio a Director de Futebol (não administrou nada), Augusto Inácio a Director Internacional (nenhuma intervenção reconhecida), Octávio Machado a Director de Futebol (zero interferência no planeamento), Nuno Saraiva a Director de Comunicação (sem dignidade deontológica), Carlos Vieira a Director Financeiro (que negócios realizou para o Sporting?) Miguel Albuquerque a Director de Secção (suspenso 16 meses), para citar alguns exemplos. Se nalguns casos a incompetência é o mote, devemos igualmente reconhecer que todos foram mobilizados em função de uma estratégia de “barulho” que Bruno de Carvalho pretendeu desde o principio. O que nos demonstra que a diversificação de funções neste Sporting, para além de um mito de simples peças de Xadrez, serve prioritariamente para defender a público a posição do Presidente – geralmente sempre contra o Benfica – em prejuízo da sua aplicação às necessidades do próprio Clube.

 

#5 - Só os investidores conhecem a situação real

 

Utiliza-se, de modo frívolo e virtuoso, a existencial colação entre numerológicos resultados financeiros presentes nos documentos disponibilizados pela CMVM. Não se pode exigir mais ao comum adepto – este tem a sua vida, e a sua vida (felizmente) não depende de Relatórios & Contas. Convém o adepto saber que todas as auditorias feitas às contas de uma SAD têm como base uma amostragem das mesmas, não podendo no seu todo ser consideradas como fidedignas. De acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade (que no caso das SAD cotadas se sobrepõem ao Plano Oficial de Contabilidade nacional), apenas os auditores devidamente creditados pelos investidores podem atribuir uma certificação legal providenciada por parecer. Quando alguém surgir numa caixa de comentários do Camarote Leonino, afirmando de que dispõe de provas inequívocas em como o Sporting está bem financeiramente, é porque faz uso de mentira gratuita.

 

#6 - Visão de Futuro

 

Tenho procurado alertar de modo responsável para este modelo de gestão extremamente perigoso no qual o Sporting está a navegar. O futuro do Sporting não está circunscrito a esta Direcção, mas esta circunscreveu-se nos últimos 2 anos aos próximos 5 anos, quando se iniciarem as verdadeiras amortizações deste consulado. Bruno de Carvalho, neste momento, deixou o Sporting estrangulado, não se prevendo alguma autonomia às próximas 10 gerações de presidentes. A reestruturação financeira do Sporting deveu-se exclusivamente ao envolvimento, como credor de uma entidade bancária com interesse em pagamento de juros ad eternum – existiam apoios externos alternativos que poderiam ter contribuído muito mais para o Clube, que nunca interessaram que se tornassem públicos.

 

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publicado às 03:43

As coisas simples da vida

Drake Wilson, em 06.02.17

 

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Coisas que não se esquecem

 

Inglaterra, Dezembro de 1987. O tímido Sol londrino tardava em raiar, depois de uma noite em branco na qual as horas desfilavam por entre o diagnóstico de papéis e relatórios. Aquele seria o dia mais importante da minha vida profissional até então – se algo falhasse… bem, não podia falhar mesmo. Felizmente que naquele dia de chuva intensa tudo acabaria por correr bem, não apenas em Londres como também em Lisboa – o Sporting nessa noite derrotava o Benfica por 3-0 em pleno Estádio da Luz, num jogo a contar para o troféu Supertaça. Apraz-me recordar a camisola do Sporting que me acompanhava na mala de viagem (superstição suponho), assim como o telefonema do meu irmão a dar notícia do acontecimento. Paulinho Cascavel, que tinha sido contratado ao Guimarães, marcou um dos referidos tentos. Burkinshaw era o nosso treinador, e João Amado de Freitas o Presidente – injustamente um dos mais “underrated” Presidentes do Sporting. Outros tempos, velhos problemas, outras conversas.

 

Naquele período, o sistema financeiro em Inglaterra estava num saco de gatos, em contraste com a prosperidade especulativa do início desse ano, um pouco por todo o Mundo – interessante que ao inverso, no Sporting a contenção estava na ordem do dia. As exportações atingiam níveis como nunca, o consumo estava em alta. Em Londres, todo o milionário abria um restaurante de luxo, e até o “jovial” Richard Branson lançava uma marca de preservativos(!). No início do último trimestre porém, uma macro depressão global – com origem no conhecido problema da bolha especulativa que ninguém se preocupou – provocaria o descalabro na Bolsa de Londres (e outras Internacionais), com o mercado de Capitais a entrar num autêntico frenesim. Em consequência, negócios em ruína, preços a cair, com o Governo a impor uma super inflação para suster a crise, sem efeito. Obviamente, um período fértil para as divisas de Oriente e Médio Oriente surgirem. Curiosamente, foi este o início de grandes investimentos na indústria do futebol em terras de Sua-Majestade por parte de investidores não-britânicos. Outras conversas.

 

Pequenas coisas da vida, simples, que nos marcam

 

Voltando ao dito dia de Dezembro. Naquela noite, para celebrar (por dois motivos, recorde-se), fui jantar a um dos mais hipster-restaurant do momento, cuja propriedade estava dividida entre o empresário Nigel Martin e um inarrável famoso Chef de cozinha e ferrenho adepto de um clube de Manchester – naquele momento, até os Chef’s de cozinha eram quase milionários. Em virtude do comum interesse pelo desporto-rei, acabei por oferecer ao Chef o referido jersey do Sporting, recebido de modo muito apreciado pelo excêntrico profissional. Ficámos amigos. Uns anos mais tarde (25 mais propriamente), em Manchester, assistimos os dois a uma das maiores efemérides desportivas internacionais do Sporting – o leitor deve lembrar-se qual. Ele trazia a dita camisola vestida, por fair-play à nossa amizade. Um acto que me surpreendeu, que muito apreciei. Uma camisola que me “deu” sorte, uma vez mais. Pequenas coisas da vida.

 

Coisas do costume

 

A vida é uma coisa simples, acessível. Sempre desconfiei daqueles que muito teorizam sobre o que sabem, sobre o que alcançaram por mérito próprio, sem que daí consigam explicar o óbvio dos seus infortúnios. Acredito que quem usa e abusa da voz para explicar com cientologia coisas triviais, nada mais deseja do que promover intencionalmente a inércia e apatia de quem escuta. O discurso, baseado no inimigo invisível ou num infame sistema, afim de promover a desresponsabilização por ausência de competência, nada mais serve do que para enganar as pessoas que ficam convencidas, viram costas, acreditando que está tudo bem. E nem sempre está, como se regista nesta época. Para mim, olhando para o quadro geral, uma das mais frustrantes de sempre.

 

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho são os dois, num imaculado conjunto, o maior biscate que poderia ter acontecido ao Sporting. O treinador mais uma vez se revela meretriz de Pinto da Costa e do FC Porto, para geral indiferença de quem já pouco se importa. Um abraço a Casillas e uma palmada a Palhinha é o simbolismo de um frete de quem anda a ganhar milhões e não consegue provar que sabe mais de “bola” do que um Vitor Pereira, Vilas-Boas ou Nuno Espírito Santo. Tem de haver uma explicação simples para isto, tal como para um índice de aproveitamento de 55% no Campeonato – que a alguns pouco preocupa, pois está ainda distante dos 36% de 2013. É disto que o Sporting tem de viver?

 

E depois, é nas pequenas coisas simples se vê a diferença. André ou Castaignos, como Barcos ou Teo. No convento de Alvalade, qualquer alma perdida tem salvação. Depois, lá surgem os Tiquinhos Soares desta vida. Dono de fisionomia singular de um qualquer mercenário sul-americano, sem pescoço, ombros largos e de olhar assustado sempre que a bola está na mira, a confirmar que o Sporting tem mesmo um fetiche – é o único Clube no mundo que tem sempre duas pré-épocas na mesma temporada. A primeira, recheada de ingredientes e ilusões, serve para entreter a soberba. A segunda, serve sempre para preparar o futuro. Fica uma equipa de retalhos, impreparada, mas cheia de futuro... O problema, é que com o biscate do costume, nem vale a pena falar de futuro, pois o presente é o que se vê.

 

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publicado às 11:00

O sportinguista tem medo de ter sucesso

Drake Wilson, em 27.01.17

 

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*Recentemente, o meu estimado colega Ricardo Leão escreveu um artigo onde destacou uma frase do célebre filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Original, de facto, e nem a propósito...

 

Desconheço se a maioria dos leitores partilham da minha opinião, mas amiúde dou por mim a pensar que nós, adeptos do Sporting, somos provavelmente os adeptos de Futebol mais complicados deste planeta. Talvez por responsabilidade da génese de Alvalade ou pelos moldes como desenvolvemos a nossa militância clubística perante expectativas e fracassos constantes. Talvez mesmo pela incessante imprescindibilidade de identificar responsáveis por crises auto-infligidas, em que a culpa é sempre “daqueles que por cá passaram”. Por vezes, personificamos dilemas semelhantes à ambição de Infante Dom Henrique como da obra non-sense de Friedrich Nietzsche – ora somos progressistas e inovadores ao nível do Quinto Império, ora colapsamos tragicamente agarrados a um cavalo, pela demência dos diversos dogmas que acreditamos serem reais. Infelizmente, tanto a glória dos feitos do Infante fazem parte de um passado, como a obra do filósofo alemão inflige a demência do autor a quem a tenta compreender. Um, realizou e alguém por ele relatou. O outro, relatou como realidade aquilo que nunca foi realizável, nem muito menos real – triste sina de quem alguma vez tentou compreender Nietzsche.

 

O Sporting já vive cheio de dogmas. De doutrinas. De prescrições. O passado glorioso da década de 50 é um dogma. Os Campeonatos de Portugal são um dogma. A formação e o seu real aproveitamento é um dogma. A equipa B é um dogma. Comparar Sporting com Barcelona é um dogma. Treinador “7 Milhões” é um dogma. As cadeiras e o relvado do Estádio são um dogma. A recuperação financeira é um dogma. José Eduardo é um dogma. Dogmas para dar e vender, que tanto entretenimento como mediocridade nos confunde e nos embebeda. O Sporting transformou-se no Clube da discórdia porque religiosamente deixámos que o Dogma se alimentasse ao longo destes anos, perante o inebriamento da palavra do papagaio no poleiro que sabe o que diz, mas não sabe como fazer. Toda esta classe de dirigismo a que o Sporting se tem entregue ao longo das últimas duas décadas, surgiu envergando um manto de grandeza. A verdade, é que com eles ou sem eles, o Sporting continua exactamente igual – perante a falência de um trajecto delineado, percebe-se que afinal não existia consistência alguma, ou projecto algum. Existiam um conjunto de ideias – uma série de Dogmas e problemas de puberdade mal resolvidos – e nada mais. Parafraseando aquele que eu gostaria de um dia ver à frente dos destinos do meu Clube, estes dirigentes foram e são “um nojo de A a Z”.

 

Waterloo, e a teoria de como o Sporting nunca aprende.

 

Perdoa-se Elias. Faz-se um cortejo no aeroporto a Markovic. Despreza-se a formação. Louva-se a Jesus. Uma pré-época do mais amador que poderia haver. Tudo isto ao som da balada de André, com o adorno orgásmico da poesia de Carvalho e a prosa desatinada de Saraiva. Renovam-se os lugares anuais. Eleva-se a esperança. Épico, como o desembarque na Normadia. Afinal, nada mais do que uma espécie de Napoleão em Waterloo, em que tudo apontava para a tragédia mesmo antes de esta acontecer. Não funcionou? Ok, vamos desfazer e voltar a fazer, exactamente ao contrário. Rua Elias, rua Markovic, bem-vinda rapaziada da formação que tanta felicidade proporcionou a quem de vós usufruiu. Pode ser que assim funcione… Em Setembro de 2016, lá dizia eu algumas coisas a este respeito. A resposta foi esta: “…o projecto actual pode não ser ao gosto do Drake Wilson, mas os sportinguistas o que querem é vitórias. É difícil construir um projecto melhor que este.” Afinal, estimado leitor, o que nos trouxe este projecto?

 

Ninguém percebe porque corre tudo mal no Sporting?

 

Tudo corre mal porque o Sporting tem sido gerido por um tal feudo de amigalhaços solidários entre si, alimentados pela esperança de uma massa adepta que não tem culpa de ter escolhido ser sportinguista. Estes feudais, colocam os dogmas em cima da mesa para que o debate entre adeptos se circunscreva em torno de assuntos para os quais não existe resposta, ou assuntos que simplesmente não têm qualquer tipo de interesse. Os adeptos não entendem, mas ficam felizes porque aparenta que “quem de direito diz que é bom”. Não se discute o futuro do Clube, mas discute-se o passado. Ninguém percebe. Somos fantásticos na formação onde coleccionamos títulos, mas poucos são aproveitados para o plantel sénior, exceptuando quando uma época corre mal. Ninguém percebe. Não se discute uma liderança actual, porque simplesmente as anteriores eram piores. Ninguém percebe. A reestruturação financeira é óptima, mas nada mais reduziu do que encargos de tesouraria imediatos. Ninguém percebe. Em Março de 2016 existiam cerca de €134 Milhões em financiamentos a curto e longo prazo, com reservas  acumuladas de €194 Milhões negativos. Ninguém percebe. Constrói-se um pavilhão, com um Director de Encargos que faz parte da Comissão de Honra da actual presidência. Ninguém percebe. Em 2008, o Passivo situava-se nos €150 Milhões, em 2016 apresentou-se a descoberto não-consolidado nos €390 Milhões. Ninguém percebe. 

 

O problema, estimado leitor, não é Bruno de Carvalho. É tudo isto, que ninguém muda. O actual presidente inclusivé.

 

A disciplina do Dogma

 

Tal como em diversas disciplinas da nossa sociedade e da própria vida, é a servidão de um adepto por um Dogma que torna irrealizável qualquer possibilidade de vanguarda. O indivíduo que vive envolvido dogmaticamente com o que acredita, apenas discute o que é periférico. Inibe toda a sua capacidade intelectual e torna-se refém do obsoleto fora-de-prazo. A vanguarda está presente diariamente na vida de todos nós, e é inversamente proporcional à capacidade de um ser humano comum em se adaptar a circunstâncias e progredir – por esse motivo, e por ser esta tão bem explorada por quem a desenvolve, a vanguarda se torna, de facto, cara. Porque para além de depender da genialidade de quem a materializa, é inclusivamente rara.

 

As minhas confidências com o estimado leitor, terminam com algo que defendo há alguns anos: para colocar o Sporting no mapa, o Sporting tem de chamar a si não apenas aqueles que têm desenhado o mapa do Futebol nos últimos anos, como aqueles que têm dado provas na sua vida profissional por este mundo fora, e que são tão sportinguistas quanto nós. Acabar com a esta clandestinidade promovida por actores incompetentes, rasgar o papel de “ser tão grandes quanto os maiores da Europa” e definir uma estratégia autónoma de redimensionamento, afim de promover a discussão contínua de títulos num prazo dos próximos 10 anos, não ano a ano. Se tivermos de perder a maioria do Capital Social, e como tal, sermos geridos por Administradores competentes umbilicalmente ligados ao desenvolvimento e sucesso da marca Sporting, por mim seria já.

 

Portugal foi uma grande nação no passado. Hoje, divaga no podium do País mais pobre da Europa. Temos de acabar definitivamente com este tal encorajamento de vitória por encomenda e grandiosidade do passado, senão um dia, sem percebermos, o Sporting também acaba.

 

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publicado às 14:00

O Sporting é um presente envenenado

Drake Wilson, em 20.01.17

 

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No dia que se apresentou como candidato oficial à presidência do Sporting, Bruno de Carvalho trouxe consigo a entusiasmante sensação de novo sangue e novas ideias, onde se elogiava no debate o seu conhecimento aprofundado sobre o estado do Clube. O jovem candidato, de discurso objectivo e argumentos fechados (os pontos de acusação à anterior gestão eram evidentes e factuais), em tudo beneficiou do questionável status operativo de Godinho Lopes: desportivamente e financeiramente, embora não estando necessariamente à deriva, o Sporting resumia-se a uma estratégia já esgotada. Restava apenas o último bastião do engenheiro Godinho Lopes – a reestruturação financeira do Clube, prestes a desenhar-se por aqueles que mais tarde a concluiriam.

 

“Mãe, tive um 20 a Matemática…”

 

Este tema da “reestruturação financeira” do qual o universo sportinguista acredita ter conhecimento, é para além de vago, sobejamente discutível. Dissimula um rol de ligações sigilosas e quase clandestinas do qual o Clube viveu entre 1984 e 2015, onde todos os Presidentes (sem excepção) desfrutaram ou fizeram parte. A imoralidade do acto constata-se quando, tanto os conhecedores do processo de revitalização do Clube como os maiores ou menores accionistas dos principais credores do Sporting, assumem e aceitam que saíram a perder, de uma forma ou de outra. O leitor, que a título de exemplo detém uma participação nas entidades bancárias através de qualquer aplicação de capital investido, simplesmente desespera pela remuneração do mesmo enquanto o BCP transforma em activo mais de 50 milhões de dívida que o Sporting tem para com esta entidade. Ao proceder deste modo, a Banca nacional beneficia do descalabro do panorama económico português, ávido de se entregar ao capital privado estrangeiro para própria salvação. Agradeceu o Dr. Carlos Costa e o Banco de Portugal, assim como a própria Comissão de salvação nacional (a TROIKA). E agradecem todos os ingleses que validaram o Brexit, que simplesmente se recusam continuar a apoiar o regabofe que existiu durante mais de 40 anos no sector bancário dos países economicamente mais frágeis e sujeitos a uma “gestão de lobby” dos seus próprios governantes.

 

A Saber…

 

– A Banca prejudicou o Sporting quando decidiu transformar uma dívida incobrável em activo próprio. Qual manual “Como Transformar Passivo Em Activo Em 5 Minutos”, usou tal engenho para se mostrar às Agências de Ratings mundiais, afim de melhorar a sua cotação de “Lixo” para “Um-Pouco-Mais-Do-Que-Lixo”.

 

– Para alguns, as aparências são fundamentais. Estas medidas revelaram-se de fútil utilidade à Banca no que objectivava uma demonstração de “recuperação” ao investidor internacional. Porém, útil à Direcção do Sporting: vociferou-se uma “recuperação” financeira do Clube aos seus associados, e quase todos engoliram.

 

– Em 2013, Bruno de Carvalho prejudicou o Sporting para beneficiar a sua estratégia falida de “investidores”, quando obrigou a Banca a fazer o papel de “russo”, exigindo não as verbas acordadas entre estes e o Clube afim de garantir solvabilidade do nosso emblema até ao fim da época, mas o suficiente para pagar ordenados elevados e investir em atletas na época seguinte, tal como se dizia capaz pelos próprios meios. O resultado, é este: 3 treinadores no Futebol, pouco acerto em contratações e o plantel que temos.

 

– O Sporting vai proceder a um aumento de Capital tendo em vista uma futura “Operação-Harmónio”; os Sócios que estejam atentos.

 

– Pedro Madeira Rodrigues – ou qualquer outro candidato que entretanto surja – não poderá usufruir destas acrobacias que tanto ajudaram à criação de um mito. 2013 era o momento para alguém cair na lama e alguém brilhar. Hoje, o Sporting para além de estar penhorado, está de mão atadas o que respeita à sua independência financeira.

 

– Os leitores devem evitar procedimentos, argumentos e debates heróicos ao compararem períodos homólogos de trimestres, semestres ou anuais de Relatório & Contas do Sporting. Devem utilizar sim ferramentas ao dispor de Economistas (ex: o índice de Sharpe) úteis para combater a demagogia perante plateias. O Rácio de Solvabilidade do Sporting é miserável, depende de uma economia que não a sua. Se o Sr. Carlos Vieira estiver disposto a rebater esta realidade na nossa caixa de comentários (e não como os habituais comentadores/economistas de vão-de-escada que surgem munidos dialéctica de jornal desportivo), será bem-vindo.

 

“Mãe, tenho um Curso de Gestão de Empresas…”

 

Um dos maiores problemas no nosso País é a Dissonância Cognitiva que existe entre o querer e o poder. É a profissionalização do Lobby nas instituições que deveriam servir as causas e não os seus próprios executivos. É a dificuldade em ler contratos e respeitar cláusulas. É a dificuldade em executar dentro dos parâmetros, sem excepções. É a dificuldade em planificar e estruturar. É o acreditar que somos os melhores do mundo a desenrascar, acreditando tal como o Sapateiro que também é Político nas horas vagas, que percebemos de tudo um pouco. Este é igualmente um dos problemas que sempre existiu no Sporting, e continua insistentemente a existir.

 

Bruno de Carvalho, para além de não ter resolvido os problemas estruturais do Sporting neste mandato, delapida continuamente a sua capacidade autónoma de decisão como Presidente, associando-se exclusivamente a um caminho pessoal e intransmissível do qual o Sporting penou no passado, hoje personificado pelo próprio e pelo treinador. Para a dimensão do nosso Clube, convenhamos que depositar a fé em apenas 2 interpretes é manifestamente pouco – num Sporting de vídeo-jogo até poderia resultar, mas nunca na instituição real. Pode o leitor esclarecer-me como se controla num video-jogo apenas metade de uma equipa a agradecer aos adeptos no final do último jogo, com um presidente perdido ao lado destes? O “modelo-Carvalho” está esgotado, porque pura e simplesmente falhou. Para quê fazer disto um drama? Se somos do Sporting, só não podemos é continuar a tolerar mentiras. Seja a este, seja ao próximo, seja a qual presidente for.

 

“Mãe, afinal estava a sonhar…”

 

O Clube está num estado tóxico, embrionado numa utopia de emoção e demagogia, do qual nenhum de nós se orgulha. Os mais racionais já não sabem o que sentem ou o que pensam acerca deste momento. Os energúmenos pedem aos pobres jogadores que “joguem à bola” tanto quanto o “desliga essa m…” para os operadores de órgãos de comunicação. O Clube está em Black-Out, mas procede ao levantamento do mesmo, afim de publicar romances pelo Facebook. Bruno de Carvalho gesticula para César. Octávio olha e sorri. Até o Saraiva já fuma cigarro electrónico. Um Clube moderno portanto, à imagem de Homero e da sua Odisseia. 

 

A manutenção do perfil organizacional e estrutural do Sporting a médio-longo prazo depende não apenas do seu comportamento como actor económico na próxima década, mas de um definitivo amadurecimento desta “criança-que-existe-em-nós”. O estado de graça das presidências no Clube estão a durar cada vez menos, porque é tudo “mais-do-mesmo”, é tudo uma mentira que nem de organizada se define. Como se atrai investidores, se nem homens de excelência o Sporting atrai para o ajudar? O Sporting tem de abolir estes regimes presidencialistas de “salvação” e permitir ao invés que se desenvolvam comissões administrativas por excelência, nomeadas por capacidade comprovada nos sectores dos quais o Sporting precisa. 

 

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publicado às 11:00

Quando tudo começa a tornar-se errado...

Drake Wilson, em 05.01.17

 

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"Quem, tendo ao seu cuidado, à sua guarda, sob a responsabilidade da sua direcção ou educação, ou a trabalhar ao seu serviço, pessoa menor ou particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez, e lhe infligir maus tratos físicos ou psíquicos ou a tratar cruelmente, é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos..."

Artigo 152 do Código Penal Português

 

Poderia aproveitar este espaço, para aprofundar razões pelas quais a partida de ontem não nos correu do modo como todos gostaríamos. Temos o direito de fazer pelo uso da nossa voz, tanto pelo dever que nos assiste como pela obrigação de correspondermos à liberdade intelectual que detemos.

 

Mas o Futebol está a tornar-se um "lugar" cada pior. Dentro e fora das quatro linhas. Cada acção praticada por intervenientes afectos ao desporto, com a responsabilidade inerente da exposição mediática que lhes assiste, provoca em cada indivíduo uma reacção. Uma reacção que varia, de acordo com a capacidade cognitiva e intelectual de cada um. Quem assistiu à partida de ontem em Setúbal pela televisão, e aguardou até ao desfecho da transmissão para observar reacções dos intervenientes directos ao jogo, foi brindado não apenas pela ausência de declarações de responsáveis da nossa equipa, como pela imagem que a gravura acima colocada nos demonstra: um adulto, presume-se que figura paternal ou responsável da criança, que perante o choro de tristeza da mesma pelo resultado porventura injusto que assistiu ao seu Clube afecto, a brindou com uma agressão por demais visível.

 

Podemos virar costas ao que os nossos olhos observam. Mas virar a cara a tudo isto é ser conivente com o rumo que a sociedade civil, também por influência do desporto, está a tomar. Tem culpa o prevaricador, como porventura, todo o meio que o influencia. São problemas de sempre? Sim, sem dúvida. Que tendem a nunca mudar, principalmente quando são os meios de entretenimento a promover a violência.

 

Sejam Árbitros, Presidentes, Treinadores, ou simplesmente Pais. Porque quem sofre, no final, é sempre o adepto.

 

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publicado às 10:50

 

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«Para nós é claro que o Sporting Clube de Portugal tem de ser gerido com muito rigor, exigência e eficiência. Os recursos disponíveis têm que ser optimizados, têm que ser reorganizados, com objectivos e responsabilidades claramente definidas e consequente responsabilização pelo que não há lugar a “jobs for the boys”.

Bruno de Carvalho, dias antes da sua eleição, em 2013.

 

Apenas 24 horas após anunciada a recandidatura à presidência do Sporting Clube de Portugal, é tornada pública uma lista com os 138 integrantes da Comissão de Honra de apoio a Bruno de Carvalho. Um processo de inegável celeridade face à pública reflexão de recandidatura por parte do actual Presidente, ou algo que na realidade nos diz que, esta candidatura, já estaria de facto a ser preparada há bastante tempo. Não 1 mês, não 1 ano, mas desde 2013.

 

Se analisarmos cronologicamente os diversos “actos presidenciais” desde Março de 2013, constata-se com relativa facilidade que este processo de angariação de apoios teve início 3 meses após as eleições, data na qual se celebra o primeiro acordo oficial do mandato: a parceria com a Fundação Aragão Pinto, que conforme anunciado em tal período, visava “reforçar uma ligação afim de gerar ganhos mútuos, partilha de Know-How, recursos humanos e técnicos”. Uma instituição de cariz social, da qual Bruno de Carvalho continua ligado aos órgãos sociais como Presidente do Conselho Executivo, figurando Ricardo Aragão Pinto como Presidente do Conselho Fiscal. Ricardo Aragão Pinto é um dos nomes, entre os mais de 130, a apoiar publicamente Bruno de Carvalho.

 

Esta Comissão de Honra, como um interessante elenco de personalidades de diversos quadrantes, alberga desde humoristas a deputados, a desempregados de longa duração e juízes. Algumas figuras do conhecimento público, das quais grande parte – ano após ano – continuam a gravitar em redor do Clube, ora apoiando este e aquele, da qual a sua presença pouco peca por surpreendente. Noutros casos, personalidades pouco conhecidas do universo geral sportinguista, nomeadamente do adepto pouco mais interessado do que o imaculado momento em que a bola penetra uma baliza. Em bom rigor, é quando o bola bate na trave e sai que a preocupação aumenta.

 

Com algum humor, que o comum adepto de Futebol não se preocupe: esta Comissão de Honra, em quase nada, tem a ver com Futebol. Parafraseando Rafael Bordalo Pinheiro, tudo isto não é mais do que o revivalismo de um período em que a Política em Portugal, decadente e tendenciosa, se considerava pelo genial ilustrador como a “Grande Porca”.

 

“Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se – e que a política é como uma “grande porca”. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta.”

 

Clube de Amigos

 

Nesta Comissão de Honra distinguem-se elementos de reconhecidas qualidades. Vasco Rato por exemplo, Maçon (tal como Agusto Baganha ou Miguel Relvas) e homem das relações internacionais de Passos Coelho, é tido como um autêntico “elefante numa loja de porcelanas”. Conseguiu ao fim de 3 meses na presidência da Fundação Luso-Americana aquilo que nunca havia sido alcançado: litígios com diversos funcionários da instituição. Considerado como um Docente “desadequado e mal preparado” aquando nos anos 80 leccionava na Lusíada, esteve envolvido na polémica fundação da Tecnoforma: uma empresa que visava a formação de funcionários municipais para funções em aeródromos que não existiam, e nada faria prever que existissem. Ainda hoje nos lembramos da sua célebre frase “se não forem descobertas armas de destruição maciça no Iraque, darei a volta ao Rossio todo nú”.

 

Mas de virilidade e impetuosidade se faz hoje curso em Alvalade. José Matos Rosa esteve em 2015 envolvido numa sessão de pancadaria em plena arruada em Espinho, onde desempenhava funções como Director de Campanha pelo PSD. Um estilo em todo semelhante ao de Fernando Ruas, condenado em 2009 aquando cumpria o seu 3º mandato como Presidente na Associação Municipal de Municípios, pelo crime de incitamento de agressões físicas a elementos de… uma Associação com preocupações ambientais, a Vigilantes da Natureza. Violência física à parte, passamos para actos de violência verbal. Por diversas vezes conotado com actos lesa-pátria e pouco interessado na diplomacia, Mário “Não-deixo-cair-um-amigo” David, ex-eurodeputado PSD e amigo de Durão Barroso, exortou em 2009 Saramago a abandonar o País e renunciar à cidadania portuguesa. Pior, foi a sua traição a Guterres, quando se decidiu pelo apoio-relâmpago a Kristalina Georgieva na candidatura-lobby a Secretário Geral da ONU.

 

Em alerta laranja, muito se poderia dizer sobre Miguel Relvas. Porém, interessante a sua ligação a Francisco Febrero, com o qual integrou a estrutura accionista da Pivot SGPS, uma sociedade criada para a aquisição do bando EFISA (um Banco de Investimento do BPN). Relvas, homem de pouca sorte, acabaria chamado ao parlamento para explicar a ligação ao EFISA, depois de noticiado que o Governo do qual fez parte em 2013, injectou 90 Milhões no banco para o capitalizar antes da venda, que ocorreu por 38 Milhões. Ainda no que respeita ao Governo, em 2012 Paulo Morais (ex-PSD e professor universitário), considerou o actual parlamento como uma “grande central de negócios”, dando mesmo o exemplo dos interesses de Miguel Frasquilho, que estaria “inocentemente” a acompanhar o Programa de Assistência Financeira da Troika a Portugal, enquanto mantinha ligação ao BES. Frasquilho que não teve igualmente sorte em 2016, quando viu pela segunda vez o Tribunal de Contas reprovar uma série de medidas pouco claras que este tomou como presidente da AICEP – entre outras, a aquisição de seguros de saúde privados a funcionários e familiares desta agência estatal, num contrato que terá custado aos cofres públicos a soma de €534 Milhares.

 

Melchior Moreira, antigo deputado do PSD, licenciado em Educação Física e ex-professor do Ensino Básico, conseguiu aos 45 anos e após 9 anos de actividade política, uma pensão vitalícia. Em 2009, foi acusado por um grupo de trabalhadores da ERTPNP numa carta redigida pelos mesmos, de uso indevido de dinheiros públicos, onde se lia que “usufrui de regalias e mordomias, nomeadamente gasóleo para toda a família”.

 

Uma reflexão

 

Não valerá o precioso tempo do leitor, uma dissecação total dos elementos que compõem esta Comissão de Honra à candidatura de Bruno de Carvalho. Toda a informação em parte dos casos está disponível e de fácil acesso a qualquer um de nós. Supondo que se tratem todos de sportinguistas, caberá ao adepto comum a reflexão que bem entender.

 

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publicado às 12:10

O Sporting que eu sempre sonhei

Drake Wilson, em 29.12.16

 

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 Meados de Abril, em 2000, com o Dr. José Roquette

 

 

Quem sabe, um dia.

 

No dia em que ocasionalmente conheci o Dr. Roquette (no dia em que a foto acima foi tirada, em Abril de 2000), entre outros assuntos de natureza profissional, falámos muito sobre o nosso Clube. Preocupações de ambos acerca do presente e futuro eram demais evidentes, mas com a certeza de que só com um caminho racional e sustentado, coisas boas aconteceriam. Teria de se gastar dinheiro sim, e esse dinheiro teria de vir de algum lado seguramente – nada de Banca. Ficou a promessa de que nos voltaríamos a rever, se nesse ano o Sporting se sagrasse campeão. Nesse dia, o Sporting vence na Madeira, e 15 dias depois vence o campeonato. A palavra do Presidente manteve-se, e 10 dias mais tarde são-lhe exclusivamente apresentados pessoalmente, 5 profissionais de primeira categoria em diversos sectores, do meu conhecimento e confiança, cumprindo igualmente a promessa que eu tinha feito. Um português, quatro estrangeiros, e nenhum deles era suspeito – ali estavam os pulmões do maior projecto desportivo em Portugal, com profissionais de extraordinário gabarito, assim como a garantia de um futuro independente.

 

Mas no realismo de uns, sobrava a ansiedade e muita inveja de bastidores, de nomes que um dia terei o prazer de escrever sobre eles, quando tal for oportuno. Estes, infelizmente, dominavam uma ala no Clube e sabotaram a independência do Presidente, contando com o apoio de elementos organizados. Assim, tal os adeptos quiseram e Roquette saíu do Sporting. Os parceiros questionaram a integridade dos que por lá ficaram, furtando-se a designar vínculos com a demagogia. Perdeu o Sporting seguramente. 16 anos mais tarde, chegamos a esta conclusão: dos 5 parceiros colocados à disposição do projecto, um deles lidera actualmente destinos de um clube rival na sua internacionalização. Outro, apoiou a direcção desportiva no Chelsea de Abramovich na sua génese, até se incompatibilizar com Mourinho (Mourinho saiu, ele ficou, porque em Inglaterra a estrutura é uma coisa séria). Outro, viria a investir num clube em Espanha, anos mais tarde. O Sporting, esse, continua adiado, sem se entender que mais valem 5 anos a tentar do que 40 anos a chorar.

 

O Presidente que eu gostava.

 

Se me fosse questionado que Presidente gostaria de ver no meu Sporting, teria alguma dificuldade em responder. Mas seguramente, um ideal de independência orgânica assente em matrizes corporativas, mais do que emotivas. Um pouco de John Maynard Keynes, um pouco de Joseph Schumpeter. Talvez um pouco de João Rocha, com um pouco de José Roquette. Se funcionaria, não sei. Mas acredito que funcionaria. Se me perguntassem como gostaria que fosse o Sporting, como Clube, a minha resposta seria sempre a mesma: aquilo que ele é. As instituições sobrevivem sempre às pessoas, independentemente do que as pessoas considerem como sendo o melhor para as instituições. Sendo que o Clube existe desde a sua fundação, caberá a cada um daqueles que acredite fazer a diferença, expor o que considere fundamental incrementar com o seu conhecimento e sensibilidade. O Clube sai sempre a ganhar quando a excelência é colocada ao serviço dos seus destinos.

 

Schumpeter e Keynes foram os dois economistas que mais admirei. Se Schumpeter fosse, um dia, presidente do Sporting, diria que um dos maiores problemas do Clube debate-se com o Monopólio existente na planície competitiva portuguesa. Para ele, seria a falta de criação de um percurso financeiramente autónomo que não mais do mesmo nos últimos 40 anos – a principal razão pela qual o Sporting, pela falta de métodos, ficou ultrapassado pela concorrência. Já Keynes, no mesmo cargo, diria que perante a incerteza do futuro, teria o Sporting de gerar correlações com todos os agentes desportivos e financeiros à sua disposição na indústria (e mesmo fora dela, diria eu), afim de proteger a sua durabilidade como emblema competitivo a longo prazo, evitando a disfuncional perda de capacidade competitiva alheia à sua vontade. Ambos teriam razão. Schumpeter, inovador como Rinus Michels, o criador do Futebol Total. Keynes, como Cruyff, o expoente que materializaria tal conceito.

 

Entre a placidez de uma maternidade e a insanidade de um hospício, Alvalade (às vezes) é assim.

 

Continuaremos a adiar o Sporting, enquanto a discussão eleitoral estiver apenas e só centralizada no “esqueleto” da serpente, e não na sua adaptabilidade ao meio. Esteve Bruno de Carvalho, a bem da instituição que lidera, alguma vez adaptado ao mundo do Futebol como ele é? Estará algum dia Pedro Madeira Rodrigues apto ao mesmo desafio? Definitivamente que não. Provavelmente nunca nenhum de nós estará. Porque parece que ninguém ainda entendeu que do modo como continuamos a discutir e a entender o futebol, todas as teorias/projectos se esgotarão, mais cedo ou mais tarde, nas quatro linhas de jogo, onde quem determina o destino nunca são os presidentes. Porquê? Porque ninguém tem capacidade nem coragem de fazer um projecto em condições, enquanto todos ralharem sem razão.

 

Caberá a um Presidente digno desse nome, a criação de uma atmosfera fértil em soluções humanas, corporativas e económicas, que privilegiem a materialização de algo que se consiga efectivamente debater. Senão, andaremos todos a discutir nada mais do que promessas, como tem sido apanágio ao longo destes 40 anos. Se um candidato tivesse, algum dia, coragem de admitir a verdade – que o Sporting não tem ainda andamento para ganhar títulos maiores em Futebol – e cujo interesse da sua candidatura nada mais é do que trazer para o Clube as pessoas, parcerias e instituições que tornem o emblema mais poderoso, esse candidato teria o meu voto. É honesto associarmos apenas à gentileza de um sorriso a certeza de futuras conquistas? Se a intenção é desenhar condições para que os Sócios acabem invariavelmente desiludidos, então que se continue assim.

 

Com humor, para finalizar. Vamos lá Sporting!

 

Cândido como sempre, ao bom Futre faltaria um pouco mais de instrução na ternura da sua mensagem. Antes de partir em direcção ao Oriente, em formato Lonely Planet e de Go Pro em punho em busca de Pokemons, o Sporting e os sportinguistas têm de conciliar primeiro passado, presente e futuro – juntar aqueles que fantasiam como Sousa Cintra com os que materializam como João Rocha. Acutilantes como Henrique Medina Carreira como congregadores como Alexandre Soares dos Santos. Tem de se unir na mesma mesa, aqueles que pensam como José Roquette como os que sonham como Bruno de Carvalho. Porque todos são sportinguistas, e todos podem, ao seu jeito e ao serviço do Sporting, contribuir com algo que nos torne mais fortes.

 

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publicado às 10:45

A Traffic e o Sporting - Parte III

Drake Wilson, em 22.12.16

 

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Conforme pretenderam explanar os artigos I e II desta série, é traduzido no excesso de endividamento do Sporting o aparecimento de cenários de perca de autonomia e sustentação do mesmo. Aconteceu com o Estádio, com a Academia, e continua a acontecer com os ordenados e contratações. Assim, continuará o Sporting a procurar em soluções externas a possibilidade de manter os melhores índices competitivos – geralmente comprometedoras a médio-longo prazo, seja por intermédio de um Empréstimo Obrigacionista, seja numa operação VMOC, seja através de um Fundo de Investimento. Ou seja com o apoio da Traffic.

 

As empresas operadoras como a Doyen ou a Traffic, que na realidade representam Fundos de Investimento Colectivo, surgiram no mercado porque cedo perceberam, não obstante dos Clubes quererem vencer, que estes continuam a ser muito ingénuos com o dinheiro. Perante o difícil discernimento entre a Lógica e a Razão que impera nos Clubes, por onde durante anos se desprezou o rigor e o profissionalismo, estas novas empresas apareceram dotadas de soluções que visavam criar nos mesmos uma imagem latente de aumento de competitividade a quem com eles procedesse a parcerias – “nós temos o know-how e os atletas, vocês só precisam de competir no primeiro escalão”.

 

A Doyen, por exemplo, funciona como uma instituição de crédito simples. O Clube quer comprar mas não dispõe de verba imediata para o efeito. A Doyen então financia toda a operação e entrega o atleta (fazendo parte do seu port-folium ou não), sob o compromisso deste ser adquirido totalmente pelo Clube no espaço de 1/2 anos pela verba X, ou vendido em 3/4 anos, sendo ressarcida de uma percentagem Y acordada entre as partes. Sofrem as condições um agravamento anual (Z), quanto mais o Clube adiar a venda. No fim, quase todos pagam XYZ – Bruno de Carvalho embirrou que queria pagar Y. A Doyen pode, se reúnidas as condições para tal, apoiar ao desenvolvimento competitivo de um Clube, ao bom estilo Jorge Mendes – o Clube mantém-se “autónomo” nas decisões, mas passará a trabalhar exclusivamente com o apoio deste operador, na base do jogador relativamente consagrado, não arriscando muito no que respeita a fazer maus negócios.

 

A Traffic opera de modo mais complexo. Co-financiada maioritariamente a partir dos EUA (Doyen com Europa e Ásia), reformulou a sua génese pelas obrigações legais impostas pela FIFA. Trabalha exclusivamente pelo port-folium de atletas, geralmente de formação até aos 24 anos, procurando uma vertente transitária de compra/venda mais frequente que a Doyen. Criou clubes-viveiros e desenvolveu protocolos com os emblemas mais frágeis, economicamente, do campeonato brasileiro, numa estratégia que nem sempre correu bem – foram mais os Flops do que os Craques a serem cedidos. Aliás, foi a reduzida capacidade económica dos clubes brasileiros (conseguem subsidiar ordenados elevados pagos por sponsors mas não têm liquidez para contratar), que motivou a vinda para a Europa da Traffic – apostando no Estoril Praia, na altura na Liga de Honra.

 

Assim como a Doyen, a Traffic é suportada por um cartel de investidores, cuja aplicação do Capital pressupõe um reembolso a médio prazo bastante atractivo. No caso da Traffic, não existe exposição dos investidores, pois o fluxo de dinheiro segue below-the-line, evitando cargas fiscais. Para tal, segmenta uma parte do Capital para investir na formação de novos atletas e nas suas academias com sistemas especializados de desenvolvimento de jovens jogadores (sistemas 10 anos inferiores aos do Sporting). A outra parte, segue para diversas companhias, situadas em locais tão díspares como Amesterdão, Miami e Colômbia. A Cedro SA., com sede na Colômbia, foi adquirida em 89 mas mantida com um Código de Actividade relacionado com... Produção de Actividades Agrículas.

 

Curioso foi, os nossos “amigos” Fruta Conquerors (parceria em Novembro deste ano), situados na Guyana, terem operado sob a mesma designação de actividade que a Cedro SA. durante largos anos, mesmo após um Investidor não revelado ter dotado parte das plantações de bananas da empresa com terrenos propícios à pratica de jogos de Futebol. De volta à Colômbia, esta companhia encontra-se actual sob investigação. Fica ao interesse do leitor debruçar-se particularmente sob este tema – não vá, por mero acaso, encontrar alguma mercearia no Cazaquistão. Se é que me entende. 

 

O casamento Traffic-Sporting

 

Para compreender as directrizes deste negócio entre o Sporting e a Traffic, é necessário identificar uma matriz respeitante aos últimos 10 anos, contemplando medidas aplicadas até aos dias de hoje pelo referido operador. Com o Manchester United em 2009, foi estabelecido um protocolo com o Desportivo Brasil (pertencente à Traffic) que visava promover o intercâmbio de atletas e elementos técnicos, algo que nunca surtiu efeito concreto. Um ano antes, o ponta de lança Henrique foi negociado por €8 Milhões + €2 Milhões em bonificações com o Barcelona, revelando-se um Flop...

 

Em 2010, é lançada uma OPA sobre a Estoril Praia SAD, adquirindo 74% do seu Capital Social. Na ocasião a disputar a Liga de Honra, seriam colocados em Portugal os melhores atletas da academia do referido Desportivo Brasil, algo que nunca foi cumprido, embora ficasse reconhecida a influência desta parceria na subida de divisão do emblema do Estoril, assim como a sua classificação na 1ª Divisão, na temporada seguinte. 5 anos mais tarde a participação é colocada à venda, num negócio que nunca se chegaria a concretizar – João Lagos foi aconselhado “por alguém” a não avançar. Consequentemente Tiago Ribeiro, o presidente indigitado pela Traffic, deixa de exercer funções.

 

No que respeita ao Sporting, não será de todo impossível que esta parceria envolva, numa fase inicial, a entrada de novos elementos no organograma do futebol profissional do Clube, destacados pelo operador, nomeadamente para funções semelhantes a de um Director Desportivo. Se tal acontecer, ficamos então com a certeza que passará o operador brasileiro a deter relações privilegiadas no que respeita a futuras entradas e saídas de atletas. Estes entrarão num formato semelhante a um empréstimo, ou pagos custos designados de “mediação” a um terceiro agente – um representante legal do atleta. Uma parceria desta natureza não pressupõe, à partida, a entrada de jogadores consagrados, mas sim atletas considerados promissores (até aos 24 anos). Bruno César foi exceção.

 

Em suma

 

Esta aproximação à Traffic revela, de acordo com o comunicado oficial do Sporting, uma teórica intenção do Clube em ser apoiado na sua internacionalização – algo que eu tenho vindo a defender deveras, mas não coadjuvado com a Traffic, seguramente. Uma decepção, tendo em conta que este trabalho bem poderia ser desenvolvido de forma independente, sem termos de partilhar interesses com um operador que ficará a ganhar mais com esta parceria, do que o próprio Sporting. Ou então, este comunicado vale o que vale, que é o que me parece.

 

Se o caso for semelhante ao sucedido com o gigante inglês em 2009, então teremos uma colónia de férias no Brasil, sem efeitos práticos no incremento de qualidade a favor do Sporting. Os melhores jogadores da Traffic há muito que já estão prometidos a outros emblemas. Se algum dia eles existirem. Em know-how, nada nos podem ensinar.

 

No que respeita ao intercâmbio de jogadores, o caso não poderá ser mais deprimente. Na realidade, o Sporting precisa de ir ao mercado em Janeiro, como sabemos. Dinheiro, não há. Então, é possível que para manter o cash-flow positivo, o Sporting tenha de realizar dinheiro numa venda, mas garantir entradas de 2/3 atletas sem custos latentes. Como sabemos (aliás, como o Barcelona bem o sabe), até hoje os grandes negócios da Traffic apenas foram vantajosos tanto para a própria como para os Jogadores – e ruinosos para os Clubes. E mesmo os atletas agenciados por este operador que mais se destacaram em Portugal, por algum motivo pouco claro, nunca tiveram a possibilidade de se afirmar como titulares nos respectivos clubes – Carlos Eduardo quase que foi excepção.

 

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A Traffic e o Sporting - Parte II

Drake Wilson, em 21.12.16

 

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No primeiro texto, foi criado o exemplo que reflecte dois modelos de gestão distintos, designados como “Clube A” e “Clube B”. Tal recriação fundamenta a génese de toda a relação que existe entre as empresas como a Traffic e os clubes de Futebol. No fundo, um jogo de necessidades/interesses que visam salvaguardar sempre a posição da empresa que intervém, mas raramente dos clubes que são convidados à intervenção – apenas a ausência de soluções e capacidades ou a aproximação ao abismo nos podem justificar um acordo com uma entidade parasitária, longe dos valores que se pretendem para com o nosso Clube. Um pouco como qualquer um de nós, sujeitos a dificuldades financeiras e sem soluções, tenhamos de recorrer a um agiota.

 

Não obstante de poderem existir, neste mundo ou noutro, agiotas de bom coração.

 

Em qual dos clube o “adepto comum” investiria?

 

Não existem dúvidas em relação a esta questão. O “adepto comum”, revolucionário nas bancadas mas passivo no discernimento, vive para o momento. Para este, a paciência é como um castigo que lesa a própria honra. Agita-se como um Ogre, expressa-se como uma vovuzela, e no final quando perde, revolta-se como uma criança. Um retrato-hipérbole que nos diz porém, qual adolescente perante o seu primeiro grande Amor, que o “adepto comum” não quer saber do dia de amanhã, quanto mais dos próximos 20 anos. A resposta então seria, obviamente, o Clube A.

 

“Clube A” e “Clube B” são, na realidade, o mesmo Clube – representam apenas diferentes modelos no que respeita ao modo como o seu Capital (Dinheiro) é gerido. No exemplo “A”, é claramente observável uma ausência de estratégia a médio/longo prazo, na medida em que a sustentabilidade deste, cede perante a ansiedade de mostrar resultados imediatos. Recorrendo então a uma linguagem mais vulgar, utiliza-se todo o poder de fogo (leia-se Financiamentos) para disparar em todos os sentidos (leia-se gastar mais do que se deve), na ânsia de se acertar em algo (leia-se ganhar algum título). Escusado será dizer que, escrita nas entrelinhas, está uma espécie de Lei de Murphy: se alguma coisa corre mal… corre mesmo tudo mal. Quando as munições acabam (Dinheiro) e percebemos que todos os alvos permanecem intactos, o que fazer? Pegar nas pedras da calçada e tentar? Pior do que não conquistar títulos, é não criar, com todo o investimento disponível, uma equipa vencedora. É gastar o dinheiro todo e não ver resultados práticos.

 

Poderá agora o leitor levantar – e bem – a questão das Modalidades, cujo investimento tem surtido nalguns casos, os efeitos desejados. Sim, é um facto. Futsal, Andebol, Ténis de Mesa, Futebol Feminino… Mas, do mesmo modo que como um mero exemplo, existem homens cuja fidelidade ao casamento é baseado na conveniência ou hipocrisia, esperemos que estas Modalidades não o sejam de igual modo susceptíveis apenas aos interesses da projecção individual. Afim de serem evitados destinos como o Basketball Feminino. Este nosso Sporting é Eclético sim, até ao dia que sejam necessários 5 Milhões para pagar ordenados das vedetas da equipa de futebol. É necessário ser cínico para reconhecer o contrário, até porque tal cenário já se avistou mais distante.

 

A primeira conclusão do “Pongolle” do Camarote Leonino

 

Os Adeptos do Sporting elegeram um Presidente nervoso no “gatilho”. Acharam-lhe piada, deram-lhe um “salvo conduto”. Perderam inclusivamente a coragem de o questionar nas Assembleias Gerais. Quase como um amor platónico ao nível de um José Sócrates e uma Judite de Sousa. Agora que os resultados não são os melhores, eis que surgem os primeiros focos de contestação. Agora que a Barbie e o Ken perceberam que construíram uma equipa de 28 que apenas valem 8, querem ir às compras. Não há dinheiro? Não há problema… A Traffic ajuda.

 

É a Nike?? É a Qatar Airlines?? Não… é a Traffic.

 

A Traffic Sports como a conhecemos, foi fundada em meados da década de 80 por José Hawilla, um ex-jornalista com passagens pelas operadoras Globo e Record, tendo como origem uma pequena empresa de comunicação e publicidade denominada simplesmente “Traffic” – registada em São Paulo na década de 70. Foram as influentes relações e conhecimentos criados no mundo do Futebol a partir da anterior carreira, que permitiram a Hawilla a expansão do seu investimento – da gestão de pontos publicitários nos transportes públicos à venda de publicidade em estádios de futebol, foi um pequeno passo.

 

A evolução da Traffic Sports ocorreu na década de 2000, através do envolvimento de um  Fundo de Investimento texano – a HMTF – liderados na ocasião por Thomas Hicks e Charles Tate. Angariadores por excelência de Capital em diversas áreas de investimento que não o desporto, perceberam que o mercado não-regulado do Futebol era uma espécie de galinha dos ovos de ouro. Pela lógica, a escolha no maior país exportador de Jogadores no mundo pela empresa norte-americana foi óbvia. Deu-se assim uma espécie de fusão entre estas duas entidades, criando-se paralelamente o fundo de investimento sombra denominado Cedro SA. 

 

Até 2015, a Traffic Sports era considerada a maior empresa de Marketing Desportivo no Brasil. Moveu diversas influências junto de diversos operadores desportivos, como promoveu e colaborou na organização de diversos eventos relacionados com o Futebol. Foi precisamente em 2015 que tal poderio ficou abalado pela descoberta de um esquema fraudulento que envolveu entidades como a própria FIFA. Quase todos os acusados se declaram culpados, inclusivamente o próprio José Hawilla. Da HMTF, já não existia rasto. Obviamente.

 

No próximo e último texto desta série, vamos entender, entre diversos aspectos, como se irá desenvolver verdadeiramente a parceria do Sporting com a Traffic, assim como são os modus-operandis dos investimentos no mundo de Futebol. Todas as possíveis vantagens e desvantagens serão explicadas. Tão interessante será o leitor entender qual a relação desta parceria, assim como uma outra pouco pública, com a entidade Fruta Conquerors... – curiosamente, com ligação ao Cedro SA. 

 

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publicado às 16:00

A Traffic e o Sporting - Parte I

Drake Wilson, em 20.12.16

 

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Para que o leitor compreenda a existência de empresas de gestão e marketing desportivo como a Traffic, é necessário que aceite uma verdade inconveniente: a gestão desportiva do Futebol em Portugal em termos de Clubes, como parte integrante da indústria da qual está inserida, é altamente incompetente e amadora na sua maioria.

 

Ser incompetente nesta indústria, ao contrário da nossa análise mais primária, não se trata de ganhar ou perder títulos – embora para os adeptos, esta seja o ponto da equação mais importante. A incompetência desta Indústria revela-se, quando se assiste à queda dos padrões competitivos de qualquer emblema desportivo, após um período mais fértil de conquistas e sucessos alcançados. Uma incompetência que não surge necessariamente em gestões posteriores ao período de maior reconhecimento, mas na própria embrionagem do culto de vencer que se desenvolveu enquanto se ganhavam títulos e tudo “corria bem”.

 

Empresas como a Traffic existem porque a ganância existe. E tal como imortalizado numa reconhecida obra cinematográfica de 1987 pelo soberbo Oliver Stone, “a ganância é boa”…

 

Vamos exemplificar como tudo isto começa

 

O Clube A e o Clube B são duas instituições centenárias exactamente com o mesmo ADN, com várias histórias de sucesso reconhecidas no plano da formação de atletas, altamente sujeitos à pressão de conquistar títulos. Ambos atravessam um período financeiramente conturbado (Dívidas), com diversas dificuldades de tesouraria, no que concerne ao investir em novos atletas, fruto tanto do baixo índice económico da população do país, como da inoperância dos seus gestores em desenvolver novas medidas de encaixe de capital extraordinário – não conseguem criar financiamento do Clube sem vender os melhores atletas nem evitar consequentemente a perca qualidade no plantel. Procurando contornar tais dificuldades, decidem-se por uma oferta pública de financiamento exclusiva aos seus Adeptos – vendem parte do seu Capital Social através de acções, afim de capitalizarem a sua capacidade de investimento. O Clube A oferece em retorno ao Investidor (Adeptos), com a maturidade de 1 ano, todo o dinheiro aplicado mais 5% em interesses (juros). O Clube B, por sua vez, oferece 7% de interesses + 3% de TI (inflação temporal do dinheiro) + o dinheiro investido, mas num prazo de 20 anos.

 

Como funciona o Clube A

 

A informação do prospecto de investimento disponível a todos os investidores (Adeptos) é clara: no Clube A, o financiamento servirá essencialmente para criar condições imediatas de elevação competitiva:

 

#1 - É criado mais um endividamento através da conversão de parte da sua dívida aos Credores imediatos (Banca) a troco de parte do Capital Social, com prazo de maturidade alargado, afim de resolver a asfixia de tesouraria corrente.

 

#2 - Abandona-se o conservadorismo financeiro e adquirem-se nomes sonantes para Técnico Principal e Plantel tanto no mercado nacional como internacional, configurando assim um cenário de elevada expectativa a toda a planície investidora (Adeptos).

 

#3 - Aumenta-se o tecto salarial de todas as modalidades, mesmo naquelas que não têm capacidade de autonomia, prevendo que a aquisição de profissionais reconhecidos para as mesmas possam dotar o Clube de uma capacidade competitiva imediata, com resultados imediatos, mesmo que estes não conheçam a cultura e realidade do emblema.

 

#4 - São criadas parcerias com diversas entidades em países sub-desenvolvidos, afim de promover  intercâmbios intelectuais e/ou futuros negócios.

 

Como funciona o Clube B

 

Com uma informação de prospecto menos atractiva no que respeita ao imediatismo e ao curto prazo, são apresentadas políticas mais sustentadas:

 

#1 - Amortização directa de Dívida (que asfixia a curto prazo a tesouraria) sem perca de Capital Social, afim de criar uma zona de conforto imediata entre o Clube e o principal Credor (Banca), assim promovendo a negociação de pagamento de restante dívida com alargamento a curto/médio prazo.

 

#2 - Criação de infra-estruturas state-of-the-art para um desenvolvimento mais eficaz de novos atletas da formação, assegurando para melhor acompanhamento dos mesmos, a contratação dos melhores profissionais médicos, técnicos e pedagógicos do sector.

 

#3 - Convite a diversos profissionais competentes e conhecedores do mercado económico-financeiro, afim de o Clube gerar a médio prazo retornos autónomos e independentes, promovendo através da diversificação de investimentos, futuros meios de financiamento que não imponham venda de activos (Jogadores) fundamentais, com meros propósitos de aliviar a pressão dos Diversos Credores (Impostos/Banca/Agentes).

 

#4 - Incremento de qualidade no Plantel através da promoção realista de retorno do atleta formado no Clube, assim como numa aquisição focada no atleta nacional de qualidade, com destaque corrente em clubes portugueses. (*)

 

A primeira conclusão

 

Deixo um desafio ao leitor. Se chegou até aqui, volte a ler o 1º, 2º e 3º parágrafo, e com toda a sua maior honestidade intelectual, identifique qual o Clube com maior propensão a ter de recorrer, mais cedo ou mais tarde, a uma empresa como a Traffic – uma entidade que opera essencialmente onde não existem projectos profissionalizados e competentes.

 

Certezas, talvez na parte 2 deste texto.

 

(*) Em 2013 Rafa era nosso por 300 mil euros, numa das mais incompetentes negociações do nosso anterior “especialista” em Relações Internacionais assim como do actual Presidente.

 

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publicado às 16:31

 

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O Sporting está a perder o poder na tribuna.

 

É relativamente fácil, para um agente económico, construir um império proveniente de qualquer matéria negociável. Bastará que tal matéria, envolvida protocolarmente com as necessidades de quem a procure, tenha alguma base sólida de criação, desenvolvimento, produção e distribuição. Observemos, em termos geosociais, o crescimento de África e as necessidades emergentes da sua população, e compreendemos imediatamente porque os sectores da construção e das energias superaram em mais de 500% o investimento neste continente, em 2016. Pode o leitor questionar o que tem este tema de tão importante para o Sporting, que justifique continuar a ler o restante texto? Sim, seguramente. Do mesmo modo que me reservo à minha não-submissão a debates sobre a influência da anatomia humana dos jogadores do SL. Benfica nos resultados do meu Clube – enquanto andamos a discutir sobre penáltis, ninguém observa as personalidades que acompanham o presidente da instituição rival na sua tribuna, a assistir ao Dérbi desta semana passada. E foi aí que o Sporting começou o jogo a perder…

 

Continuamos com projectos de sorte ou azar.

 

Se procedermos a uma comparação proporcional à dimensão desta indústria na qual está inserido, percebemos que o Sporting é uma instituição financeiramente pequena, com intemporais dificuldades de liquidez operacional – precisa constantemente de se desfazer de activos ou de proceder a capitalizações privadas (agentes independentes, warrants e Banca), afim de se auto-sustentar ou investir na compra de mais activos, no sentido de manter/superar o seu nível competitivo face às competições nas quais está envolvido. Mantendo-se a impossibilidade de ser criado um sistema de sustentação permanente de evolução, independente aos seus próprios activos, será altamente irrealista desejarmos, algum dia, o Sporting como um grande na Europa – onde amiúde conquiste provas nas quais se envolva. Mesmo ao nível interno, o Sporting demonstra dificuldades em alcançar o posicionamento condizente com o seu estatuto.

 

Nesta política bicéfala de investimento, existem algumas medidas inteligentes: o Sporting distribuiu activos não-preponderantes por diversos emblemas não-rivais, entre atletas e técnicos (Moreirense e Setúbal, por exemplo), fortalecendo laços bilaterais e dificuldades aos directos rivais nas respectivas deslocações. Porém, através do endividamento próprio não compensou convenientemente a perca de dois activos fundamentais aos objectivos da temporada passada (caso de João Mário e Slimani), assim como à previsão de futuras necessidades de vendas ou rotatividade – o Sporting investiu em 12 atletas, medida de maior impacto aos objectivos competitivos imediatos do Clube, onde apenas 2 revelam produtividade que justifique tal custo – Bas Dost e Campbell, os melhores marcadores. Pior é, arredado das provas internacionais, a sustentação de 28 atletas dos quais apenas um restrito lote de 12/13 aparentam legitimidade aos olhos do técnico principal. 

 

Pela disfuncionalidade observada na organização e gestão na pré-época, a presente quebra de rendimento era de todo expectável, mais visível se comparada ao período homólogo de 2015/16. Revela-se deste modo debilidades da falta de um planeamento sustentável – ao contrário de anos anteriores, o Sporting não está mais forte esta época, pelo contrário. Toda esta pressão a que sujeita o nosso Sporting – contenciosos com tribunais, disputas de batalhas morais, comunicados habilidosos e presidencialismo aberto –, não permite combater esta sôfrega espiral competitiva, em cima do joelho e visando o imediato, sem planeamento nem estratégia. Tudo isto explica porque aparentemente nunca temos a sorte do nosso lado, sendo o Sporting a vítima constante do azar ou do alheio. Na realidade, o Sporting apenas continuará a ser uma vítima da sorte e do azar, enquanto mais do que desprezar o domínio pelo alheio, não se dominar a si próprio. Jorge Jesus, após a partida de Setúbal, revelou que “vim de uma realidade para outra e sei o que é preciso”. Diga…!? Isto é tão patético quanto o Presidente referir o “apoio e compreensão da FIFA e UEFA em diversas ocasiões…” e mais tarde culpar a justiça pelo “caso Doyen”. Guerra sem quartel: infantaria a mais, directrizes a menos.

 

Diz-me com quem te dás…

 

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Acredite-se em sorte ou azar, a verdade é que nada acontece por acaso. Numa semana em que se prevê a assinatura de um protocolo entre o Sporting e a Traffic, Luis Filipe Vieira enviou uma clara mensagem a todos aqueles que acompanham um pouco mais as “lides” económicas: acompanhado na tribuna do estádio da Luz por Salimo Abdula, em dia de Dérbi, para além de diversos identificáveis empresários angolanos (só dois deles “valem” em conjunto mais de $350 Milhões), Vieira revela que tem o poder e capital africano do seu lado, beneficiando deste modo o Benfica dos interesses da esfera do poder – um lobby inacreditável. Um claro golpe aos interesses do Sporting, tendo em conta a influência que estas personalidades movem, inclusivamente, no nosso país. Paralelamente à perca, ano após ano, de presenças influentes na Tribuna Presidencial de Alvalade, hoje o Sporting está a adoptar um caminho ingénuo de parcerias questionáveis. Um exemplo? Num dos meus textos passados, referi que Godinho Lopes era “intocável” em Portugal. Entre poucas virtudes, desprezou-se a influência do ex-presidente nos contactos verde-e-brancos com a nata do CPLP, antes de se procurar colocar o mesmo em tribunal… Se Bruno de Carvalho não tivesse recusado o convite de Godinho Lopes para uma reunião conjunta em 2011, juntamente com Pedro Baltazar e Abrantes Mendes, talvez hoje os ilustres convidados benfiquistas exercessem algum (bastante) apoio ao nosso Clube. Talvez Bruno de Carvalho acredite em tarefas presidenciais mais influentes junto ao relvado, sentado e ladeado dos suplentes, na sombra "protectora" de Jorge Jesus.

 

Este protocolo com a Traffic – que bem observado poderá até significar um passo atrás na independência proprietária de activos do Sporting, no que respeita a passes de jogadores –, poderá do mesmo modo revelar a indigitação de um novo Director de Relações Internacionais no nosso Clube, uma medida frequentemente tomada pelo referido grupo nos protocolos que assina, quando não existe espaço para a colocação de um técnico-principal ou de um presidente. A Traffic, no que respeita às parcerias transitárias de jogadores, assume-se proprietária de 80% do passe dos atletas, o que implica meros valores de 20% para os Clubes que os negoceiam. Qualquer similaridade com o processo Doyen, é pura especulação… com ironia. De referir ainda que em 2015, o presidente da filial norte-americana do grupo foi acusado de lavagem de dinheiro e fraude fiscal.

 

À atenção do Sporting.

 

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publicado às 10:30

Quando tomar medidas drásticas...

Drake Wilson, em 10.12.16

 

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O dia em que David venceu Golias

 

Decorria o ano em que 11 estados-membros da união europeia introduziam no seu sistema financeiro uma nova unidade monetária: o Euro. Era igualmente o ano em que chegava a Portugal, aos 55 anos, um dos mais consagrados treinadores de futebol daquele período – trazia no currículo, entre diversos títulos, uma Champions League alcançada 2 anos antes ao serviço do Real Madrid. Uma reputada presença no nosso campeonato, embora de efémero estado de graça. Austero na manobra relacional com os seus atletas e desfasado da realidade económica portuguesa – como distante da reduzida margem de manobra do futebol lusitano no que respeita a projectos sustentados vs resultados imediatos –, o treinador sucumbiu ao óbvio: não conquistou os jogadores, não conquistou resultados, nem conquistou os adeptos. Acabou mais tarde por ser despedido, sem honra nem glória.

 

Curiosamente, a maior derrota que o referido treinador teve em solo nacional, foi perante o Estrela da Amadora. Três-zero na Reboleira, numa partida em que o consagrado foi vulgarizado táticamente pelo homólogo adversário. A perder por 1-0 ao intervalo, inicia a 2ª parte com um 11 reformulado: retira um central e opta por uma espécie de Catenaccio…atacante. O então treinador do Estrela não se fez rogado: fã e apreciador da filosofia totaalvoetbal, proporcionou um recital táctico em 45 minutos, no velhinho Estádio José Gomes.

 

O titulado treinador era o alemão Jupp Heynckes. O técnico do saudoso Estrela da Amadora era Jorge Jesus, de 45 anos. Na Reboleira, naquele dia, Jesus era um homem feliz. Aquele resultado foi provavelmente, ao longo de toda a sua carreira, a melhor prestação que o técnico português alcançou perante um currículo internacional superior ao seu. O Sporting, curiosamente, acabaria nesse ano, por se sagrar campeão nacional.

 

“Coisas” que só no Sporting acontecem

 

16 anos mais tarde, toda a história se inverte. 7 de Dezembro de 2016, na Polónia, o inexperiente técnico de 39 anos Jacek Magiera defronta com o seu plantel de €30 Milhões o técnico Jorge Jesus, hoje com 62, ao leme de uma equipa valorizada em quase €200 Milhões – o Sporting. Disputa-se a última jornada da Champions League, cujo interesse à nossa equipa somente se reflecte agora na entrada para a Liga Europa, à distância de um mero empate. Curioso que 24 horas antes da partida, Jorge Jesus afirma que a “sua” equipa está 90% focada no embate a ser disputado em Varsóvia. Talvez os restantes 10% estivessem destinados ao Dérbi a realizar em breve. Curioso também que 3 dias antes, talvez “embriagado” de felicidade em Atenas pelo aluguer de um empreendimento do qual se designará Academia, Bruno de Carvalho revelava-se focado provavelmente com os mesmos 90%, mas no vestido vermelho de uma qualquer apresentadora de TV.

 

Por vezes, parece-me que no Sporting se pensa mais no vermelho do que no verde, seja à proporção de 10%, seja à proporção de 90%. A partida, essa, terminou com uma derrota miserável perante uma equipa €170 Milhões mais “barata” que a nossa. Fazendo fé em teorias que validam custos de quase €11 Milhões/mês de operacionalidade verde-e-branca no sentido de se tornar o nosso Clube competitivo, no final fica para a história um gesto que nos leva às lágrimas de comoção: a utilização do Twitter oficial do Sporting para desejar boa sorte ao adversário polaco na competição europeia que este acede. Coisas “à Sporting”. Haja dinheiro…

 

E por falar em Custos Operacionais de quase €11 Milhões/Mês…

 

Dei por mim, após o jogo terminado, a proceder a algumas contas “despretensiosas”. Aparentemente, hoje o Sporting tem o plantel de Futebol mais caro da sua história – avaliado em aproximadamente €200 Milhões, como referi. Porém, este vosso caro amigo sportinguista descobriu que se analisarmos temporalmente a época onde brilhavam nomes como Balakov, Figo, Peixe, Paulo Sousa e Juskowiac, entre outros – 1993/94 –, hoje tal aglomerado de vedetas valeria (com a respectiva influência da inflação temporal aplicada) aproximadamente €222 Milhões. Agradecendo a Sousa Cintra o despretensioso uso do livro de cheques verde-e-branco, o Sporting nesse ano “desmaia” num qualquer Casino austríaco nas competições europeias e despede um treinador que um ano mais tarde viria a sagrar-se campeão pelo FC Porto com uma percentagem de vitórias no campeonato de 85% – em 22 anos, a segunda maior taxa de vitórias no campeonato, apenas atrás dos 90% de André Vilas Boas, no mesmo clube em 2010/2011, mas tanto quanto os mesmos 85% de Rui Vitória, na época passada.

 

Percentagens de aproveitamento: quando manter o Treinador, ou quando o despedir…

 

Quando foi despedido à 11ª jornada, Bobby Robson contava com uma percentagem de aproveitamento de 72% no campeonato – 8 vitórias em 11 jogos. Se analisarmos a mesma equação aplicada ao vencedor do Campeonato Nacional desse ano (Benfica), verificamos que aos encarnados bastaram 67% de aproveitamento ao longo das 34 jornadas, para alcançarem o título. Um facto interessante, que nos revelava que nesse ano de 93/94, mantendo o referido aproveitamento de 72% do nosso Clube sob orientação do técnico britânico, o Sporting poderia mesmo ter sido campeão. Trata-se apenas de um dado estatístico, obviamente, mas algo curioso.

 

No ano 1999/2000, o Sporting é campeão com 67% de aproveitamento no campeonato, contra os 64% do 2º classificado, FC Porto. Volta o Sporting a sagrar-se campeão em 2001/2002, com 64% de aproveitamento versus os 61% de Boavista, 2º classificado. Daí em diante, apenas Benfica com 55% de aproveitamento conseguiu o título em Portugal, numa época pobre em termos desportivos, de todos os 3 rivais – Sporting com 52%, FC Porto com 50%. Aqui percebemos que só numa época de baixo rendimento simultâneo dos 3 grandes, alguém se sagra campeão com aproveitamentos inferiores a 70%.

 

Desde que o Campeonato Nacional se configurou com os 3 pontos por vitória (na época 95/96), a percentagem de aproveitamento do clube campeão (vitórias) cifra-se em média nos 74,2% de vitórias. Desde os invulgares 90% de André Vilas Boas (época 10/11), que a média destas 5 épocas está nos 79,2% – no ano passado, o Sporting atingiu os 79% (!) perante os 85% de Benfica, algo invertível se, por exemplo, o Sporting tem ganho ao Benfica em Alvalade.

 

Algumas notas sobre aproveitamento

 

#1 - Benfica vs Sevilha, Final da Liga Europa 2013/2014 – Plantel do Benfica avaliado em €242 Milhões, perante os €152 Milhões do plantel espanhol. Jorge Jesus era o treinador, o Benfica perde o jogo.

 

#2 - Légia Varsóvia vs Sporting, jornada Champions 2016/2017 – Plantel do Sporting avaliado em €191 Milhões, perante os €30 Milhões dos polacos. Jorge Jesus treinador, Sporting perde o jogo.

 

#3 - Época 2016/2017 – Aproveitamento global do Sporting, em todas as competições, situa-se nos 57%…! Aproveitamento nas 12 jornadas do campeonato, encontra-se apenas nos 66%, 13% abaixo da média dos 79% em média exigidos para se ser campeão neste nosso Portugal. Ok, façamos 81%. Não vá o Diabo tecê-las…

 

Em suma

 

€24,530 Milhões de custos trimestrais para não se perceber que alguma coisa não está a funcionar. Basta fazer contas. Ou melhorar urgentemente, se tal não for impossível...

 

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O meu problema com o futebol

Drake Wilson, em 17.11.16

 

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Na minha família nunca se ajuizou a perpetuação clubística de modo hereditário. Numa diferente esfera coube aos meus Pais, em disciplina de princípio, a cedência de valores humanistas (por parte de Mãe) e de perpetuação (por parte de Pai). Em favorecimento do legado familiar e gáudio particular, subordinei-me a crenças económicas e financeiras. Tornei-me distante, egoísta, intolerante, austero – ganhei reputação, criei riqueza para muitos, e mais do que tudo, acreditava que era feliz. Mas não era. Pai de três, foi quando um partiu que eu percebi que 6 Natais longe da família foram um castigo superior a todos os privilégios que lhes proporcionei. Por vezes estamos errados. Eu seguramente que estava, porque pensava que um dia eu estaria lá para compensar. O tempo passou sem que eu desse conta.

 

No dia em que percebi que as minhas duas filhas eram adeptas do Sport Lisboa e Benfica, fiz delas sócias do rival. Porquê? Talvez porque quis abandonar definitivamente a minha distância, egoísmo, intolerância e austeridade em relação a elas. Ou talvez porque em análise global, assim semearia a colheita que nos diz que ser do Sporting é mesmo ser diferente – tal como o lema do Camarote Leonino, “ser Sporting não se implora, não se ensina…”. Em resultado da minha generosa submissão à vontade de duas mulheres fantásticas, ganhei duas fieis amigas que me acompanham sempre que possível, ao Estádio de Alvalade. De livre e espontânea vontade, tornaram-se orgulhosas Sócias do Sporting, contribuindo, com apoio do Pai, para a construção do novo pavilhão. Hoje são praticantes no Sporting, em distintas modalidades. E de duas em duas semanas, sempre que se pode, existe num dos camarotes do Estádio de Alvalade, uma família que vibra pelo Sporting. Somos nós.

 

Este é o meu problema com o Futebol. Ao contrário do que observo por diversas vezes, ele tem de servir para unir as pessoas, mesmo que rivais. Quem se aproveita do Futebol para proveito próprio, para descarregar desgostos pessoais ou organizar guerras sem nunca plantar nada de proveitoso, a ele não pode pertence.

 

Futebol em Portugal, é matéria disfuncional

 

Duas das grandes disfunções que observo no futebol português, prendem-se com… medo. O medo das equipas pequenas em ganhar, remetendo a sua existência como emblemas a um mero “autocarro” dentro de quatro linhas ou minúscula mentalidade tacanha fora dele, pelas pessoas que os presidem. A elevada cotação do nosso campeonato ao nível europeu não traduz a real qualidade do mesmo. Em 18 equipas, apenas 6/7 garantem audiências. Em 2016, apenas duas apresentam resultados positivos. O 15º classificado da Liga Ledman Pro apresenta uma média de ocupação no seu estádio superior a 10 equipas da Liga NOS. Existem 3 jornais nacionais especializados em cobertura desportiva – e o que há para cobrir quando o campeonato pára duas semana? O Sporting não se pode admirar tanto de ser inúmeras vezes instrumentalizado nas capas de jornais. Existe algo mais miserável do que não ganhar – o pior de tudo é a miséria de um grande que continua com constante medo de perder. E esse grande é o Sporting. 

 

De nada vale mobilizar-se os sportinguistas para uma mudança, quando tanto medo nos atormenta em perder. Nós nem sempre conseguimos mudar o nosso destino, quanto mais a trajectória degradante deste comício de hipocrisia e falta de princípios que é o futebol português. E nisto, o Sporting também tem responsabilidades. Dou um pequeno exemplo. Para quê assinar um acordo de 12 anos, para proceder a cash-advance antes de este iniciar? Para quê assegurar que tal acordo servirá também para abatimento de passivo, quando parte deste está para ser utilizado no assegurar do cumprimento de despesas correntes? O medo de perder é tão grande, que até se procede a uma manobra de “title-advance”, assegurando a existência de 22 títulos. Mas sem apoio de historiadores ou personagens competentes na defesa de tal argumento, tudo não será mais do que um novo exemplo de comunicação “voucher” – jogam-se os trunfos de modo 'kamikaze', perde-se a razão como sempre. Abandona-se uma vez mais o Sporting na mira da jocosidade alheia.

 

Algumas questões para os sportinguistas analisarem...

 

1# - Cavalo de Tróia, não Bulldozer barulhento

 

É conhecimento público que tanto SL Benfica como FC Porto têm nos seus quadros simpatizantes do Sporting. Não é do meu conhecimento que no Sporting existam cargos de chefia atribuídos a adeptos a clubes rivais. Basta um pouco de imaginação ao leitor para compreender os proveitos que este cenário nos poderia dar, tanto no presente como no futuro.

 

2# - O Sporting não é nosso, nem de Portugal. É do mundo.

 

Não suporto este acordo com a Macron, por muito respeito que o operador italiano me mereça. As novas chuteiras de Ronaldo, a homenagem ao Sporting por parte de Nike… Basta um pouco de imaginação… Onde anda o director financeiro?

 

3# - Blue Chip, ou “No-Chip”…

 

Inphtech, Fruta Conquerors, Cazaquistão, Angola… nem sei sinceramente o que dizer mais sobre este assunto, para acrescentar ao que fui dizendo em anteriores textos. O Sporting tem de investir na Microsoft, na Google, na Nike, na Coca-Cola, no Berkeley Group, no Standard Life, na BP, Centrica PLC, na Índia, etc…

 

4# - Mercado Financeiro Inglês antes do Brexit

 

Colega Vieira, este é para si – HSBC Group vai iniciar investimentos no Futebol above-the-line. Mexa-se por favor.

 

5# - Benfiquistas disfarçados de Sportinguistas…!?

 

Ok Presidente, então vamos lá falar sobre isso. Em minha particular opinião, Alexandre Soares dos Santos personifica a excelência de visão, planeamento e estrutura no tecido industrial e empresarial português. É sportinguista. Os seus 81 anos não invalidam a materialização de um novo projecto, tendo na sua figura a cabeça de cartaz. Não existe oposição? Até no Lloyd’s Bank existe um sportinguista insatisfeito

 

6# - Definir um Shareholder para o Sporting

 

Vender uma participação do Sporting? Sim. Mas basear essa participação num magnata ou num ex-banqueiro angolano, está fora de questão. Numa aquisição por corporação (uma empresa líder no seu mercado adquirir uma participação activa maioritária no Sporting), o interesse da performance do Clube superioriza-se ao interesse da performance pelo lucro. Leicester campeão…

 

7# - Web Summit, ou web sumidade...

 

Não sei o que motivou mais incómodo – se o "inglês" de Nuno Gomes, se o "pequeno-Napoleão" a assistir na sombra ao tempo de antena do triunvirato vermelho, ou os 40 minutos do nosso presidente perdidos numa cimeira útil para desempregados/futuros empresários. Poderia parafrasear o Dr. Henrique Medina Carreira, acerca da utilidade do "Magalhães", ou das "Santolas sem conteúdo"... Porque perde o Presidente do Sporting tempo com estes eventos? Em última instância, o "Criador da página oficial de Twitter e de Facebook do Sporting" provavelmente teria mais conteúdos para propagar.

 

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publicado às 10:00

 

Estimado Rui Gomes, 

 

Peço-lhe indulgência por esta ousadia, que se justificará pelo mérito que o Rui tem. Celebra-se hoje o 4º aniversário do “nosso” Camarote Leonino, o que será de congratular seguramente num sentido geral, nomeadamente a todos os que por aqui comentam e escrevem. O Camarote Leonino é inquestionavelmente um local especial. Entre jurisdição de culto ou um notável bastião de sportinguismo, louvar-se-á a sua existência, como se deseja a sua eternização. 

 

Você proporcionou um espaço imperativo à consulta e debate, não apenas alcançando uma dimensão nacional como internacional, mas também uma força que nos “obriga” a estar presentes – nunca por imposição, mas por admiração! Contempla-se a disciplina, o carinho, a paixão, o vigor… e no final, dizer apenas “obrigado Rui”, parece-me pouco. Mesmo assim, gostaria de lhe endereçar a minha gratidão. Não por me permitir fazer parte do “elenco”, mas por sido uma pessoa com a sua dimensão a criar o melhor blog português. Agradeço igualmente a City, Desert, Isabel, Zargo, Nação, Ricardo e Carlinha pelo prazer proporcionado pela vossa escrita, numa nomenclatura de inteligência e percepção inigualável.

 

Permita-me estender os meus parabéns a todos os comentadores que acompanham e elevam o Camarote, em particular a Sergio Palhas, PSousa, J. Pinto, Profeta, Implacável, Roc, Pedro, Julius Coelho, Gonçalo, João Gonçalves, HY, Schmeichel, Guilherme Rosado, PSG, Zé Bastos, Oceano Vermelho, Carlos N.T., Mike1906, Nuno Ferreira, José Santos, Luis Pereira, Ricardo Rodrigues, Pedro Miguel, JAlves, José Nunes, Carlos, Pedro Gabriel, Miguel Andrade, Diogo Martins, Leila Coutinho, Robbie Fowler, Mike Portugal, Pedro51, Marcos Cruz, David Ferreira, Lion73, Eulevezinho, J., MG, MM, Mário Dias Ferreira, Bruno, João Pereira, António Santos, GreenJones, Amaf, m1950, Sofia, Ferreira Machado, José Duarte, Fernando Albuquerque, Leão 1906, Luis Vicente, CR_7, Sloct, Nicolae, Maria, Vírgilio, João Pedro, Sangueverde, Ivan Alves, AJSSB. Aos citados e “Anónimos” sem qualquer excepção – perdoem-me a ousadia de vos nomear – uma palavra de apreço e admiração pelos vossos debates tão construtivos e opiniões que nos proporcionam. Mesmo quando discordamos uns dos outros, vocês são sempre muito importantes. Um orgulho.

 

Hoje é dia de festa. Hoje é dia de agradecer.

Obrigado estimados Leitores. Obrigado estimados Colegas.

Obrigado estimado Rui.

 

Obrigado por tornarem o Camarote naquilo que ele é.

 

Um abraço deste, que sempre vos considera.

 

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publicado às 11:00

 

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Agora que toda a pressão gerada para o exterior se voltou contra o próprio Sporting, aí estamos nós a analisar a performance do primeiro ciclo vital para as aspirações imediatas do Clube. Nos últimos 10 jogos obtiveram-se 3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. Entre aqueles que recorrem ao passado em busca de estatísticas de esperança, ou os que já perceberam que este rácio de investimento/resultados não é realista, sobram o Clube e os seus adeptos. A estratégia que nos fazia acreditar que este Sporting era um colosso competitivo, pela contratação de nomes sonantes e vendas astronómicas, afinal não passa de uma tentativa pífia de encobrimento do óbvio. O problema não está em perder jogos. O problema está na pressão colocada por Bruno de Carvalho aos atletas cada vez mais solitários, cuja mente provavelmente já cedeu perante as exigências irrealistas de quem quer fazer esquecer problemas com mais de 30 anos.

 

Sempre considerei que uma das maiores causas de infortúnio do Sporting se prendia com traumas passados de projectos inacabados ou mal-sucedidos – nos últimos 30 anos, entre as boas intenções e o grotesco, todas as planificações directivas foram delineadas e estruturadas no mais frágil dos alicerces: a inquietação entre ser aquilo que fomos um dia, ser aquilo que é possível ser no presente, ou vir a ser o que se deseja na mente mais ou menos criativa de cada um de nós. E o maior problema destes 30 anos de dirigismo no Sporting, vulgo raras excepções, foi pretender-se ser passado, presente e futuro num só momento. E isso nunca será possível.

 

Para entendermos o presente, temos de aceitar algo que correu mal no passado: a direcção que mais títulos deu ao Sporting foi a mesma que deixou o pior legado para o futuro – a interrupção abrupta de um projecto que mais ninguém conseguia terminar. João Rocha teve o sonho de materializar aquele sonho imaterializável, porque nunca foi possível em Portugal (e provavelmente nunca será) consubstanciar ecletismo com sucesso desportivo na Modalidade que mais coloca e retira presidentes da cadeira do poder: o Futebol. Portugal não tem adeptos nem meios de financiamento para que apenas um emblema atinja sucesso em modelos desportivos tão abrangentes quanto aqueles que se deseja num emblema ecléctico.

 

O modo como o projecto Rocha terminou, vulnerabilizou a estrutura do Clube e partiu o Sporting em dois. E em dois o Sporting foi caminhando ao longo de 30 anos, contra-vontade de parte a parte, porque nenhuma das partes quis ceder. Os presidentes-Adeptos nunca aceitaram os projectos dos tais presidentes-Barões, nem os presidentes-Barões pretendiam o escrutínio dos presidentes-Adeptos. A falta de consenso apenas teve um período unificador, talvez a liderança mais forte que o Sporting teve na era moderna: o “roquettismo” personificava um projecto empresarial para o séc. XXI, onde Jovic e Boloni detinham uma intelectualidade técnica e um compromisso para com as nossas raízes de formação, enquanto Manolo, Damas e Bastos asseguravam a tal mística do emblema. Contratações “na mouche” de nomes como Acosta, André Cruz, João Pinto e Jardel faziam o resto. Os últimos dois campeonatos ganhos assentaram numa estratégia que tinha mais de futuro do que de presente. E era estável, sem excessivas pressões. Com dinheiro bem gasto.

 

Sempre existiram parasitas no Sporting – o nosso querido Rui Gomes de certeza que sabe a quem me refiro – mas existia igualmente muita força verdadeiramente sportinguista no Clube. Homens fortes no Sporting mantinham o Sporting activo, tornaram-no campeão, e acima de tudo resolviam com celeridade problemas quando estes surgiam. O plantel não respeitava Inácio, mas respeitava Vitorino Bastos. Acosta um dia pegou no carro e foi sozinho buscar o “refractário” Edmilson a um dos mais badalados estabelecimentos de diversão nocturna de Lisboa, numa noite que antecedia um Derby. Hoje, proíbem-se os atletas de conduzirem viaturas “encarnadas”! Dão-se raspanetes aos jogadores das Modalidades, porque foram avistados a adquirir artigos desportivos numa loja Adidas. Hoje, figuras como Albuquerque ou Saraiva, que nada de sportinguismo nos têm para ensinar ou nos orgulhar, por “ali” passeam… Achará o leitor normal que o responsável pelo Futsal tenha mencionado no seu currículum vitae a “Responsabilidade pelo projecto de criação do Twitter e Facebook Oficial do Sporting”!? Isto não é o Sporting, porque o nosso Sporting não serve para “encher chouriços”!

 

Quando as coisas correm mal, não basta pedir aos jogadores que dêem mais. Tem de haver quem os ajude. Tem de haver quem os acarinhe. Tem de haver quem lhes “puxe as orelhas”. Mas tem de ser alguém em quem estes confiem. Alguém da estrutura. Este Sporting está lotado de personagens que se defendem a si próprios, mas nunca o mérito alheio. O que podem Bruno de Carvalho ou Jorge Jesus exigir, quando não são nem nunca foram unificadores, mas sim magnânimos na sua sapiência?  Presidente e Treinador são peças de uma engrenagem? Não. São o motor e o volante. Quando o carro não pega por falta de combustível, a culpa é do fabricante. A solução? Coloca-se os jogadores subjugados a justificarem-se perante uma plateia de adeptos insatisfeitos. Deplorável.

 

Jorge Jesus, um dia disse ao ex-jogador Simões, cheio de soberba e arrogância, que a "estrutura" nada mais é do que vitórias. Pois bem que se vê que, na ausência destas, não existe mesmo estrutura profissionalizada no nosso Clube. A sua instrução é exemplificativa do amadorismo que dominava a gestão do comércio tradicional na década de 2000. Para o Sporting não serve!

 

Não podem existir modelos “presidencialistas” no Sporting – e o que mais desejo, é que Bruno de Carvalho seja o último exemplo deste “género” que na cadeira verde do poder se acomode. Bruno de Carvalho quer resolver com dinheiro problemas de 4 gerações, não com conciliação ou rodeado de pessoas competentes ou comprometidas com futuro do que com o próprio ordenado. Bruno de Carvalho, mal assessorado como tem sido seu apanágio, foi incapaz de planear e estruturar uma acusação decente ao Benfica, antecipando os timings certos para formalizar uma acusação minimamente decente no caso “vouchers”. Foi incapaz de perceber o que significou a vinda de Markovic, Elias e o “sr. 6 Milhões de Euros”. Foi incapaz de evitar a escalada de custos nestes últimos exercícios – em relação a esta matéria, será em Janeiro/Fevereiro que todos teremos uma surpresa, daquelas que geralmente “sobravam para mim” por parte de alguns leitores, quando sobre elas escrevia.

 

A minha preocupação ultrapassa o presente. O que será o Sporting depois de Carvalho e Jesus?

 

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Depressão de cultura anti-Sporting

Drake Wilson, em 20.09.16

 

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Estive em Madrid esta semana passada, a convite, onde assisti ao jogo que opôs o meu Sporting ao emblema espanhol. Viajei com a equipa, o que me fez sentir um privilegiado. Há muito tempo que não convivia com tal sensação. Alguns anos passaram desde que assisti ao último jogo no Santiago, onde sempre que lá estive procurei curiosamente por diferenças estruturais em relação aos clubes portugueses, aquelas que nos colocam num patamar inferior. E assim, desta vez, me inspirei a escrever este texto. Em Madrid, a parte 1. Já em Lisboa, a parte 2.

 

Como se define a grandiosidade de um Clube?

 

A maioria das respostas que encontramos ao questionar a grandiosidade de um clube, são vulneráveis aos dados factuais ou emocionais que cada um deseje ou pretenda remeter. Enquanto uns defendem que a grandiosidade é alcançada pelos números em títulos e consequente exposição global como marca vencedora, outros referem a grandiosidade como uma manifestação de princípios e valores como instituição, alcançados ao longo de todo um processo temporal e reconhecidos pela sua legião de adeptos. Podem as duas vertentes ser conciliáveis? Provavelmente nunca, pois a manutenção da grandiosidade baseada em títulos obriga invariavelmente um Clube a envolver-se numa tida cultura mercantilista, mais comprador do que criador, mais ordenador de “show business” e menos ligado a decisões emocionais do seu capital humano – os jogadores e adeptos. No fundo, abdica do tal processo temporal, transforma todas as suas decisões em operações, a sua riqueza em produto, remetendo o emblema ao tal imediatismo mercantilista. Torna-se assim "obrigado" a ganhar sempre, quase como um Status Quo, afim de não cair em desgraça. Ou em esquecimento.

 

Só existe um caso onde a conciliação de personalidade mercantilista/histórica de um clube é possível – em Inglaterra. E porquê? Analisemos o enorme legado colonial do país e observemos as nacionalidades dos maiores investidores em clubes da Premier League. Depois, a ligação paradigmática das suas gentes ao que o seu país representa. Por fim, o produto interno bruto per capita britânico e os valores dos contratos comerciais de "broadcasting" envolvidos fazem o resto. E aí percebemos porque tal é possível.

 

Num país como Portugal, onde o Produto Interno Bruto actual rondará os 290 Biliões de Euros, ou mesmo onde o sistema bancário definha na ânsia do apoio estatal, seria um suicídio para qualquer um dos grandes procurar a via mercantilista para sustentar a sua competitividade e crescimento. Porque na melhor das hipóteses tal duraria 6/7 anos, até o clube finalmente dissolver. Em Portugal, o primeiro emblema a cair foi na realidade o Sporting, que hoje vive das directrizes de um plano de reestruturação que não garante a absolvição. Não garante, pois todas as medidas foram tomadas para defender os credores em caso de incumprimento. O rival Benfica esteve bem próximo do mesmo fim em 2014, não tivesse a aptidão de um dos seus gestores como as boas ligações ao mercado conseguido inverter um declínio expectável. Segue-se o Futebol Clube do Porto, num dramático caminho que tanto o pode levar a reencontrar-se com a história como o levar a um lastimável fim. E esta é a verdade.

 

Grandiosidades à parte, o que torna o Sporting diferente para melhor.

 

Clubes como o Sporting – tal como em semelhança poderia referir diversos clubes britânicos – adquiriram a sua grandiosidade pelo específico posicionamento cultural no qual envolveram a sua génese de origem como a própria fundação de princípios e valores desportivos. São clubes com uma génese assente na matriz saxónica do desporto. Uma matriz que promoveu a sua imagem ao mundo, tornando-os grandes mesmo antes de décadas e décadas de títulos alcançados. Como tal, o Sporting não é um Clube ecléctico por acaso. É, porque na realidade assim se materializou pela cultura do seu fundador. Por uma razão de sua própria crença, nunca por vaidade. O Sporting tem como instituição uma imagem ao nível de um Manchester United, de um Liverpool, ou mesmo de um Celtic de Glasgow. Só que simplesmente está em Portugal e não nas ilhas Britânicas. E infelizmente, a maior parte dos adeptos do nosso Clube não têm a verdadeira noção da importância do Sporting lá fora. Pior, só mesmo aqueles que acreditam que isto é conversa – provavelmente os mesmos que têm de navegar na Internet para saber em que parte do globo se situam as Filiais do Sporting, ou que recorrem à imprensa desportiva italiana pela ânsia de um artigo sobre o filão de Alvalade – a sua formação.

 

O que torna o Sporting diferente. Para pior.

 

Infelizmente em Portugal – porque no estrangeiro ninguém lhes presta atenção ou mesmo os conhece – Jorge Jesus e Bruno de Carvalho promovem um inconveniente folclore muito próprio de quem não sabe estar em público. O irresponsável treinador que não sabe os ténues limites do que é ou não aceitável em pleno jogo de Champions, a procurar sair como herói de mais uma noite frustrante onde invariavelmente prejudicou o Sporting. Mas frustrante para mim, que lá estive. Não para ele, que acredita que em Madrid lhe irão fazer uma estátua. Eu, que estava nas bancadas, assisti à triste e ridícula figura de Jesus nos últimos minutos, que bem serviram de entretenimento aos deliciados madrilistas.

 

Confesso não ter sentido o tal terremoto que Bruno de Carvalho referiu ter sucedido na capital espanhola. Mas reconheço o enorme desprezo a que foi remetido no convívio entre direcções, onde a sua súbita fuga para um lado qualquer deixou de plantão um director com cargos presidencialistas. Lastimável. Uma falta de sentido de Estado, de quem não sabe nem consegue fazer melhor. E não será por falta de aviso de certeza.

 

Depois de Madrid, Vila do Conde. Depois de Vila do Conde, mais um discurso para menores de 12 anos à Nação Sportinguista, e para mim já chega.

 

Nunca acreditei neste projecto actual do Sporting. Irrealista, demagógico e insustentável é como o analiso. Um projecto especulativo cujo valor é claramente inferior ao que aparenta, que não tem pessoas certas nos lugares certos, ou tão menos a visão necessária para o dia de amanhã. Um sonho irrealizável de alguém que acredita numa psicótica blasfémia de grandeza, sem a entender sequer. Sem valorizar a grandeza que o Sporting já tinha antes de nascerem; o que eles desejam é ter a grandeza dos outros, talvez infelizes por terem nascido sportinguistas ao invés de benfiquistas ou portistas. Estarmos em 1º lugar, 2º ou mesmo terceiro é totalmente irrelevante. Porque por seu mérito, o Sporting não irá ser campeão. Nem neste, nem no próximo ano.

 

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publicado às 11:14

Que Crescimento? Que Grandeza?

Drake Wilson, em 08.09.16

 

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Um Anão que fala de Crescimento

 

Embora exista uma matriz universal de comunicação jornalística pela qual os profissionais “desenham” a sua actividade, todos os Países têm um formato jornalístico próprio da sua inerente cultura. Mas não podemos determinar o verdadeiro significado de jornalismo sem conhecer o criador dos exordiais géneros de comunicação – Platão. Para compreender os moldes actuais de comunicação adjudicados pelo Sporting (se tal for possível), temos de compreender Saraiva. E para compreender Saraiva, temos de compreender Platão.

 

Um Matemático e Filósofo grego, Platão foi o tal criador da primeira Academia Superior no mundo – a Academia de Platão, que consagrava o culto às mitológicas Musas de Apolo, a Divindade. Em pessoal presunção, Platão considerava-se acima de tudo um racionalista-dualista, que por entre diversas ambiguidades que só o próprio compreenderia, designava a Poesia como “um simulacro da realidade, que limita o conhecimento do homem sobre si próprio, envolvendo-o no mundo das paixões”. Critérios àparte, Platão definiu 3 géneros de interlocução comunicativa:

 

#1 - Estilo “Expositivo”, com claro objectivo de ser compreendido pelo maior número de pessoas, remetendo os leitores a identificar directamente e claramente o tema central do texto, com ou sem uso de factos concretos.

 

#2 - Estilo “Epopéia”, numa clara fusão de Ficção com Realidade. Por exemplo, um estilo adoptado por Camões na obra “Os Lusíadas”. 

 

#3 - Estilo “Mimesis”, deambulando entre a Tragédia e a Comédia.

 

Por vezes, dou por mim a adjectivar determinados comunicados emitidos pelo meu Clube como autênticas “Epopéias”. Quando a inspiração dos intervenientes está ao rubro, estas tornam-se definitivamente “Mimesis”. Mas no final do dia, não passam mesmo de “Lixo”.

 

Um Messias que nos fala de Grandeza

 

O tempo passa e deveras me convence que as instituições por vezes se instrumentalizam em mãos de pessoas “mal resolvidas”, “mal formadas” e muitas vezes “mal amadas”, que utilizam os meios à disposição para exorcizar os seus próprios males, mais do que com o propósito de libertar o males que inibem a própria instituição de crescer.

 

O povo fica em festa, de um modo mesmo extasiado, porque ter “foras-da-lei” incumbidos institucionalmente de receber um jogador no Aeroporto é uma tal demonstração de um qualquer poder ou superioridade, directamente inversos ao fosso que existe entre aqueles que vêm com uma missão temporária de ganhar dinheiro ou relançar a carreira, perante o desequilibrado binómio dos que tanto trabalham e pouco ganham.

 

A pobreza de espírito daqueles que desejaram os clubes endividados durante décadas (berravam das bancadas porque queriam mais jogadores e mais títulos e que choraram quando o Clube estava falido), hoje transforma-se claramente num holocausto canibal, em que do Clube eles próprios se alimentam. Ei-los a assumir posições de destaque sem nada darem em troca do que meras ilusões de Grandeza, quando nunca pequenos tiveram sequer o privilégio de ser. Tudo o que se executa vislumbra a auto-proclamação com laivos de propaganda, afim de convencer da sua genialidade.

 

Quero ver daqui por cinco anos como estará o fruto da árvore sul-africana, quando o planeamento estratégico em Alvalade apenas obedece aos padrões unipessoais de quem manda, e não elaborados num sentido organizacional que levará um dia o projecto a ter continuidade por outros. Sim, porque esta estratégia que assenta nas visões de Jesus ou de Carvalho – e não daquilo que o Sporting é, pode ou deve –, são exclusivamente destes e de mais ninguém. Leva-se mesmo a acreditar que qualquer opinião ou debate construtivo é uma autêntica “ofensa ao Estado”. Como será de todo natural, o Sporting antes deles não existia, que me leva a acreditar que quase 40 anos de Sócio foram mera ilusão que me saiu da carteira. 

 

Um Tribunal arbitral? Deixem de ser garotos! O meu conceito de Tribunal Arbitral dentro de um Clube resume-se a episódios que se geram “dentro de um balneário” e que ficam “dentro do balneário”, onde “meninos mimados” se tornavam Homens. Edmilson que o diga. Obrigado Amigo Manolo, Bastos, Damas, Acosta e Iordanov. Tanto fizeram, mas que tão poucos souberam. 

 

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publicado às 12:00

Uma Aurora Boreal para recordar

Drake Wilson, em 02.09.16

 

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Embora tratando-se de um sublime espectáculo de luzes e cores, a "Aurora Borealis" é na realidade apenas um evento inerente ao campo visual, próprio do espaço polar do nosso planeta. Tal visão poderia descrever, ao mesmo tempo, uma observação deste louco e delirante momento apraz ao nosso universo leonino nestes dias. Um cenário incomum, talvez um psicadélico revivalismo contumaz a eufóricos períodos de Gonçalves/Cintra, no que à memória imediata diz respeito. Com as devidas diferenças, naturalmente. Confesso que parte de mim tinha saudades deste frenesim.

 

Alvalade ao rubro

 

Entre a placidez de uma maternidade e a insanidade de um hospício, Alvalade tem destas coisas: alcançou na janela de mercado a espectacular soma de 80 Milhões de Euros em vendas perante supostas “costas voltadas” ao mercado, como também garantiu uma “mão cheia” de reforços de matriz acima da média, contra qualquer previsão mais optimista. À vista, o Sporting está de parabéns! Fica supostamente mais forte e essencialmente marca uma posição de força perante os directos competidores. 

 

Embora circunstancial, este neoliberalismo de entradas e saídas muda no espaço de um mês um paradigma mais conservador do nosso Clube. Mas talvez o Sporting precisasse mesmo de mudar. O plantel ficaria fragilizado com a saída de qualquer um dos jogadores com mais mercado e Jesus sabe o quão lacónica é a teoria de uma “selecção da Academia” vencer campeonatos – existem claramente exemplos que cimentam uma diferença entre clubes formadores e clubes vencedores. E aí, não poderíamos continuar a ser diferentes dos outros, durante muito mais tempo. Mesmo assim, para não desconsiderar o papel da formação, convém reflectir sobre uma programação conveniente e profissional da futura integração de jovens jogadores na equipa A. “Isto” de se ir ao mercado e trazer jogadores consagrados pode nem sempre ser possível, tal como esta euforia de contratações tem de ser sustentada com a mesma firmeza com que Jesus pede reforços: talvez ainda esteja para nascer alguém que consiga dizer “Não” ao treinador.

 

Havia necessidade...?

 

Numa aparente quimera – talvez crença inabalável – que tem sobrado desde que esta direcção empossou, demonstra-se assim aquilo que sempre se desejou desde o primeiro dia: colocar o Sporting a fazer igual ou melhor, tanto ou mais que os outros, mesmo que sacrificando a sua própria identidade aos braços do mesmo cariz burguês e gastador que assiste a FC Porto e SL Benfica. A verdade é que, com menos recursos, o ano passado conseguiu-se um segundo lugar no Campeonato. Na minha opinião, esta vaga de novos reforços perfila claramente uma intenção de Champions League mais do que de consumo interno. Faz sentido? Talvez sim. Mas mesmo que a intenção fosse optar por um caminho mais lento, com menos investimento imediato, o desagrado de alguém iria ser sentido em breve. E não me refiro nem aos adeptos nem a Jesus. Refiro-me à Cláusula 19.

 

A misteriosa Cláusula 19.

 

Existem hoje pessoas que circulam com relativa liberdade dentro das instalações do Clube. Essas pessoas são, na realidade, os legais representantes (ou consultores) do Agente de Empréstimo (Banca), que realizam com frequência as inspecções técnicas, financeiras e legais a toda a actividade e património da SAD. Algo que foi devidamente acordado com consentimento do Clube, que entre outras questões se vê obrigado a:

 

- Cumprir todas as leis, directivas ou regulamentos comunitários ou contratos por si celebrados.

 

- Cumprir todas as decisões judiciais, arbitrais ou administrativas nas quais o Sporting esteja/seja envolvido.

 

- Realizar tudo o que seja necessário para proteger, constituir ou tornar eficazes perante terceiros as Garantias.

 

- Desenvolver os seus melhores esforços no sentido de obter um aumento significativo das receitas relativas à actividade desportiva desenvolvida pela equipa de futebol, a qual deverá até 2022 participar na fase de grupos da Liga dos Campeões.

 

- Desenvolver os seus melhores esforços na criação de receitas adicionais, nomeadamente de Naming Rights e internacionalização da Academia.

 

Do mesmo modo, são conhecidos alguns pontos fundamentais nos quais o Sporting está:

 

- obrigado a uma maior contenção verbal e mais profissional abordagem ao exterior. 

 

- obrigado a evitar futuros contenciosos com quaisquer entidades.

 

- obrigado a realizar as vendas que justifiquem a onoração do Agente de Empréstimo em assegurar actuais e futuras permanências de activos. Após a venda, entregar 30% do valor negociado.

 

- obrigado a uma participação contínua na Champions até ano 2022. Entre 31 de Outubro (70%) e 31 de Janeiro (30%), o Sporting terá de entregar 5(!) milhões de parte do prémio de participação “Champions” (7 Milhões a partir de 2017/2018).

 

- obrigado a negociar o direito de nomeação do estádio para breve.

 

Sabendo que era intenção de Bruno de Carvalho manter mais um ano os melhores activos, a verdade é que o mercado falou, a Banca apercebeu-se, e o Sporting não podia fazer nada para impedir saídas. Porém, facto é que existia uma verba “camuflada” todo este tempo no Clube (eu próprio tive de andar a fazer contas para a descobrir), um tal de Hedging de 30 Milhões pelas verbas comerciais durante 15 anos, que iria sempre salvaguardar a liquidação de um negócio de última hora – os valores  (tranches) que sobram das vendas de Slimani e João Mário nunca ficariam disponíveis antes de Outubro.

 

Os adeptos merecem o melhor.

 

Em suma: estamos agora em 1.º lugar no campeonato, já vencemos a um dos directos competidores pelos títulos nacionais. Acabámos o período de transferências da melhor maneira, com o plantel a sair manifestamente reforçado. Uma espécie de mesa de Natal pródiga, onde até os proscritos são perdoados. Os lugares sentados até podem não ser os suficientes para tamanho agrupamento de emoções, mas com esta fartura, ninguém se importa de aplaudir em pé.

 

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publicado às 10:30

Casino Royale: A Mansão de Alvalade

Drake Wilson, em 28.08.16

 

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Um pequeno esboço aristocrata defende esta nova sólida e agressiva posição que coloca actualmente o nosso Sporting na rota dos candidatos a títulos. Tornou-se finalmente num paradigma abstracto a tal mensagem alicerçada a partir do ano de 2013, onde imperava o investimento contido e solidário para com as parcas possibilidades em se gastar mais do que o sustentável.

 

Com os dois anteriores treinadores, era reconhecida uma posição discreta no mercado, em clara obediência a projectos e estruturas delineadas pela presidência. Com a chegada de Jorge Jesus, hoje prevalece a imagem de um Sporting disposto a abrir os cordões à bolsa. Em boa verdade, o treinador reconheceu que faltava a agressividade e o profissionalismo que materializassem as ambições do Sporting. Impôs então suas ideias, mais do que se adaptou ao Clube, porém alicerçando ainda mais um “ideal uni pessoal” à nossa diáspora. Se outrora cada rosto na estrutura do Sporting teria a sua função bem definida, hoje o “Leão Bicéfalo” (70% de Treinador e 30% de Presidente) decide na plenitude do alcance dos seus dois cérebros, em “ménage” com uma questionável teoria económico-sustentável. Questionável, porque o rácio entre os negócios dos atletas que saíram e os que entraram é claramente desequilibrado em função do custo financeiro associado aos últimos – o valor do “negócio João Mário”, por exemplo, não entrará sequer no orçamento estipulado nesta janela de mercado. E custos, incluindo vencimentos. 

 

A perplexidade que provoca a contratação de nomes sonantes “High-cost” em formato “Low-cost” revela-nos que neste momento, marcar uma posição está em primeiro plano, e tudo o resto em segundo. É inquestionável a possibilidade que a vinda de tais jogadores incremente a qualidade do plantel, mas descortinam-se alguns pontos fundamentais:

 

#1 - Jesus não foi integralmente honesto quando avaliou uma existência de matéria-prima suficiente no Clube para o futuro imediato. Hoje a aposta é clara naqueles que aos poucos vão chegando.

 

#2 - Uma tal “gestão responsável entre compras e vendas” e sustentabilidade económica do Clube desde 2013, foi uma teoria que durou 2 anos. Porém, as alíneas e cláusulas que estão presentes no acordado com os credores continua a ser uma matéria assustadora a ter em conta até aos próximos 10 anos. Infelizmente neste momento, será um assunto que aparentemente menos importância tem para alguns de nós.

 

#3 - A promoção daqueles que seriam o “futuro do Clube”, que serve hoje para a elevação temporária da qualidade de outros emblemas de Norte a Sul do país, em clara teoria de distribuição de “minas antipessoais” que retirem pontos aos rivais: Geraldes esteve no empate do V. Setúbal na Luz, como por pouco o nosso Tobias Figueiredo não tirava pontos ao SL Benfica na Madeira.

 

#4 - O negócio NOS salvou literalmente a pele àqueles que, num sentido figurado, gostam de gastar o subsídio de férias (ou de desemprego) num Casino. A primeira tranche pelos vistos pagou a entrada para a nova Mansão de Alvalade.

 

Tudo isto vale o que vale, pois Futebol não é nada mais do que resultados, e neste campo o Sporting não é diferente de outros clubes. Talvez se esteja a assistir a uma nova era, que permita o nosso Sporting crescer e desenvolver-se a partir de uma recente espécie de emburguesamento proporcionado pela herança de um género de ente querido, até hoje desconhecido. Porém, convém não nos esquecermos que nada ainda se ganhou, mais do que crescer para os lados. Veremos se daqui por 10 anos temos roupa que nos sirva.

 

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publicado às 10:00

 

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* Negócio de João Mário estará prestes a ruir, o que não será necessariamente mau, se o jogador não permanecer contrariado em Alvalade, ou se esta sua permanência se revelar fundamental à conquista de títulos.

 

Março de 2015, Estados Unidos

 

A General Electric encontrava-se novamente perante o abismo, após a grande crise de 2008. O outrora poderoso grupo (que chegou a ter uma cotação de 280 Biliões de Dólares em Bolsa) avaliava-se neste momento pouco mais de 30 Biliões de USD, fruto de uma desastrosa política financeira de sobrevalorização de activos sobre os quais não detinha suporte (cash flow) suficiente para os manter. Na ocasião, uma das maiores Holdings gestoras de participações norte-americana – a JP Morgan – procurava desbloquear um cativo patrimonial de 33 Biliões de USD à GE (que detinha património imobiliário um pouco por todo o mundo avaliado em cerca de 10 de Biliões de USD). Sem sucesso.

 

Para ultrapassar o impasse, eis que surge então um novo grupo de Private Equity, que com uma “pequena” equipa de 98 gestores, 4 semanas de trabalho e um Leverage Buyout (quando se adquire a participação pela compra de dívida), delibera a cisão total dos “activos tóxicos” da GE, possibilitando o grupo industrial concentrar-se exclusivamente na sua recuperação financeira. O resultado? Aumento de 11% em Bolsa com o fecho de ano a alcançar 17,3 Biliões em lucro (contra 27 Biliões negativos do ano anterior).

 

"This type of business provides us with deep insight into the market, letting it put more capital to work.”

Uma fonte da GE, ao Wall Street Journal

 

Agosto de 2015, Lisboa

 

Proveniente de Inglaterra, chega a Alvalade uma proposta de aquisição do passe de Carrillo por valores a rondar os 50% do montante descrito pela cláusula compensatória desportiva entre o atleta e o clube. O Sporting rejeita a proposta, considerando a aposta no jogador fundamental às suas aspirações imediatas – eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. A equipa inglesa e o atleta são porém informados que a partir o 26 de Agosto – após o jogo da segunda mão com a equipa de Moscovo, haverá abertura a diálogo. O Sporting tinha eliminado recentemente SL Benfica no jogo a contar para a Supertaça, e todas as expectativas estavam elevadas para uma época de sucesso desportivo e financeiro.

 

O primeiro jogo com o CSKA corre de feição. Carrillo tem uma das melhores exibições, estando presente nos dois golos do Sporting. A astúcia de Bruno de Carvalho no adiar do negócio estava “alinhada com as estrelas”. Dias mais tarde, perante a nossa eliminação, chega-nos uma segunda proposta por valores bem mais baixos dos que apresentados anteriormente. O Sporting rejeita a proposta, oferece um novo contrato ao jogador (elevando para o dobro a cláusula de rescisão) oferecendo metade do vencimento líquido descrito na proposta do clube inglês. O resultado? A história que todos conhecemos.

 

“If it's good only appears the proposal of Leicester, that colossus of world football? When I was young I also believed in Santa Claus, but then I stopped believing."

Bruno de Carvalho, 2015

 

Uma reflexão

 

Deverá imperar alguma ponderação nesta política de sobrevalorização de activos e posição negocial de “off-business” a que a que se está a sujeitar o Sporting, afim de evitar graves riscos a médio/longo prazo pelo inflacionamento do impacto salarial. Entre o Sporting não querer vender ou os clubes não quererem comprar ao Sporting, poderá existir uma falta de razoabilidade que iniba o aparecimento de mais propostas por um jogador nosso, partindo do princípio que as maiores verbas a circular nesta industria são efectivamente as transacções entre clubes. Esta posição do Clube poderia ter feito bastante sentido há alguns anos atrás, quando emergiam os Fundos ou se contratavam “Hulk’s” por 60 Milhões. Hoje, devemos considerar a criação de relações entre clubes e Cash-Flow imediato como uma solução para os próximos 10 anos, afim de se garantir estabilidade desportiva no clube (e financeira obviamente), que a falta de soluções de receitas próprias não nos permite manter. Não se trata do Sporting ter de aceitar qualquer proposta que nos ofereçam por um activo, mas do facto de estarmos a negociar com apenas um clube que na realidade não tem capacidades financeiras para alcançar o que o Sporting pretende.

 

Outra face deste modelo de gestão é a observável dificuldade em valorizar jogadores de segunda linha para o mercado primário – à excepção dos campeões europeus – algo em que o nosso treinador terá sido bem sucedido no passado. Poderão Gelson, Matheus e Semedo valorizar tanto quanto João Mário ou William, por exemplo? Dois caminhos nos podem assistir: a opção entre esta política de marchand de obras de arte, ou o aproveitamento reconhecido das aptidões de Jorge Jesus em formar, valorizar, ganhar e vender.

 

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publicado às 13:00

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