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José de Alvalade às voltas no túmulo.

 

“Isto que se passa no Sporting, passa-se há quase 112 anos. Grupinhos e manipulação constante, quase desde que nascemos. Por debaixo de uma pequena pedrinha estão lá dezenas de lacraus, sempre foi assim.”

 

Por imperativo de um sentimento que nos unifica ao Clube idealizado pela dissidência de Holtreman Roquette e irmãos Gavazzo, todo o Sportinguista será umbilicalmente epígono, herdeiro e legatário de uma promissória nota de grandeza da qual, em momento algum, se poderá dissociar. Porventura nascido para além de um conflito de interesses entre a coexistência como agremiação cerimonial de alta sociedade ou instituição desportiva intencionalmente eclética, o Sporting não é nem nunca poderá ser tido como um Clube adiado e solitário, desalinhado com a sua própria razão de ser.

 

Quando se assume, ou se aceita, que o Sporting é embrionalmente desunido e fomentado em intrigas, pressupõe-se o Sporting como uma instituição ingovernável, assombrada, entregue a uma espécie de sociedade secreta obscura, exclusivamente intencionada em proveitos superficiais como pessoais. Aceitar, promover ou vincular tal tese, é assumir o Sporting como um Clube fragmentado, fútil, desprovido de lógica existencial – e por invariável consequência, condenado ao abismo. Infelizmente, vincular esta espécie de teoria do caos na cabeça dos nossos Adeptos, tem sido ao longo da nossa história um mal necessário, mas conveniente a diversas Direcções. O Mestrado (e não legado) de Jorge Gonçalves no Sporting serviu de exemplo.

 

A presidência de Jorge Gonçalves gerou em alguns adeptos do Sporting (essencialmente aqueles nascidos em redor da Geração da Revolução dos Cravos em diante), uma espécie de crença no contra-poder como fórmula de combate a fantasmas criados pelo próprio Gonçalves. Impôs um ingénuo raciocínio popular à manobragem e orientação de uma instituição apavorada em não vencer Títulos – são mesmo os Títulos no Futebol que invariavelmente trazem a união e a concórdia – permitindo que tal eco intriguista perdurasse para sempre. O mesmo eco intriguista do qual o actual Presidente Bruno de Carvalho se alimenta.

 

A vingança de Filipe Lá Féria? 

 

“Ninguém tem noção do que é não conseguir sair de casa para ir ao café ou passear com a filha ao jardim. Vivo sequestrado há cinco anos. Já fui a peças de teatro em que mudaram os textos para me chamarem atrasado mental (…) Eu não tenho liberdade! A cada passo que dou sou censurado.”

 

Este natural e compreensível lamento de Bruno de Carvalho, fundamenta-se tão apenas no errado patamar pessoal com que o próprio geriu ingenuamente a sua imagem, não como Presidente do Sporting, mas como Personalidade Pública. Não se trata apenas de uma consequência em função da agitação que provocou no Status Quo do Futebol em Portugal. Bruno de Carvalho paga o preço de expor fotos de família em redes sociais. Paga o preço de um casamento à vista de todos na Capela dos Jerónimos. Paga o preço da sua recente amizade com Tallon. E paga essencialmente o preço de um homem que se julga divindade, sustentado numa estrutura emocional imatura – Bruno de Carvalho fez da sua presidência um autêntico Reality Show, e o preço a pagar é este. Como qualquer Zé-Maria, não estava realmente preparado para as coisas simples e óbvias da vida.

 

Mais cedo ou mais tarde, tantos desacertos tornar-se-iam visíveis aos olhos do Clube. O improcedente comportamento de Bruno de Carvalho, demonstrado tanto pelo abandono da Assembleia Geral como na consequente conferência de imprensa de 2ª feira, prova o quão facilmente este pessoal e exíguo mote presidencialista se incompatibiliza com as reais necessidades de uma liderança forte. Bruno de Carvalho, ao demonstrar esta sua vulnerabilidade perante uma minoria de associados – tal como ao escudar-se na inabilidade de Marta Soares –, comprova que o Sporting afinal não está, em estrutura, verdadeiramente sólido. Pedir legitimação por sufrágios superiores a 75% não é apenas ser irresponsável – é demonstrar toda a fragilidade emocional e estrutural num conjunto de palavras mal ponderadas. Cabe a um Presidente esta espécie de arrufo de Diva? Numa fase crítica do Campeonato Nacional? Ninguém poupa o Sporting disto?

 

Bruno de Carvalho não retira dividendos alguns em promolgar deliberações semelhantes à Lei Patriótica de Bush – numa clara afronta aos direitos instituidos pela livre-expressão do Cidadão –, tal como qualquer crítica proveniente de espaços públicos não poderão afectar medidas de governação presidencial dentro de um Clube. Prevendo que qualquer oposição valorize a sua existência como voz activa e defensora do Sporting – ao invés de se colidir contra o Pavilhão João Rocha com um Boeing 747  – Bruno de Carvalho poderia optar por reunir em privado com tais entidades, ouvir o que estes têm a dizer, demonstrando deste modo toda a clareza e dimensão que se pretende. Existem diversas situações que, por si só, podem impôr uma saída de Bruno de Carvalho do Sporting – talvez a constestação dos associados seja uma gota no meio de um oceano.

 

Se Bruno de Carvalho decidir abdicar...

 

Existe uma situação muito séria a decorrer no Sporting, para a qual gostaria de alertar os leitores, e sobre a qual apreciaria explicações de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira – a orientação do cash-flow gerado pela SAD está a ser aplicado inversamente ao deliberado pelo enquadramento basilar do plano de renegociação de dívida. Quem está a colocar dinheiro no Sporting, sob que formato financeiro e com que contra-partidas? Foram celebrados acordos comerciais que ultrapassam, em vencimento cronológico, qualquer mandato presidencial a quatro anos – que margem de actuação terá quem suceder a esta Direcção? Se esses acordos longitudinais permitem formalizar uma estimativa de verba a receber em Cash-Advance a curto prazo, qual o projecto desta Direcção para os próximos anos?

 

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publicado às 11:00

 

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Existe um traço distinto na minha personalidade, felizmente intangível ao longo dos anos, que se prende com a intolerância em desejar mal a alguém. Talvez nesse tão generoso humanismo, resida então a minha inflexibilidade em acompanhar do princípio ao fim jogos alheios ao Sporting, designadamente aqueles onde FC.Porto e SL.Benfica disputam com o meu Clube qualquer título – é que esbanjar 90 minutos do meu tempo na ânsia de ver um Rival sofrer um golo, para além de considerar como voyeurismo patético, provoca-me uma espécie de ansiedade mordaz que convém evitar na minha idade.

 

Como qualquer outra perversão conexa ao Adepto de Futebol, todo a Competição se torna extraordinariamente interessante e competitiva quando os nossos Rivais perdem pontos. Anteontem, o único Rival que neste momento me preocupa, perdeu 2. Aí, com algum requinte de malvadez, assumo testemunhar em detalhe toda a cronologia da desgraça, tenha ela 90, 100 ou 120 minutos. E como num qualquer revivalismo de jovialidade perante a refeição que se adivinha deleitosa, nada como começar pela sobremesa – como quem diz, pelas flash-interview pós-jogo, onde a Penitência e a Desculpabilização formulam a receita secreta de qualquer reality show ou divã psiquiátrico que se preze.

 

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No meio desta esquizofrenia onde qualquer Conceição, Coentrão ou Abanão destroem bancos de suplentes ou bancadas, existem episódios no mundo do Futebol que nos têm de fazer sorrir. Sorrir de felicidade, naturalmente, onde o ódio, a estupidez ou a sobranceira não ocupem lugar. Só assim podemos desfrutar do que qualquer vitória nos dá – porque não assumir que foi tão bom ganhar a Taça da Liga, quanto promover o platónico guarda-redes Jhonatan a Figura do Ano? Só assim, o Sporting pode vencer hoje o Vitória de Guimarães.

 

Daqui por 90 minutos, espero que o Sporting esteja em 1º lugar no Campeonato – no momento em que escrevo já se canta um “hino” que particularmente me soa a marcha fúnebre. Depois, com base no resultado desta noite, todos adivinhamos o resto – surgem os habituais desafios à coragem e à frontalidade por parte daqueles que sugerem comparências em Assembleias Gerais. Por mim, e em primeiro lugar, o Sporting que ganhe hoje. Depois, se decidir arriscar alguma sanidade mental, prefiro confrontar o actual Presidente numa campanha a votos, do que interceder assuntos da vida do Clube fora do âmbito da ordem de trabalhos de uma Assembleia. Há assuntos que não se discutem em campo inclinado, nem tão pouco contextualizados num decorrer de Campeonato.

 

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publicado às 03:53

 

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O que seria do nosso Campeonato se, subitamente, S.Braga, V.Guimarães e Belenenses criassem condições económicas e estruturais favoráveis à disputa de títulos nacionais? Aceitariam os 3 Grandes a centralização dos Direitos Televisivos na Liga de Clubes, e por consequência, uma justa e proporcional distribuição de receitas a todos os emblemas do primeiro escalão? Concordaria o Adepto pagar um valor mínimo de €30 por bilhete por um Sporting vs Moreirense que valesse a pena – se a qualidade da equipa do distrito de Braga lhe conferisse, por exemplo, uma Odd de 40% em Alvalade?

 

A certeza de uma coisa impõe-se sobre a garantia de outra. Fique o Leitor descansado, pois de certeza que os exemplos acima descritos nunca irão suceder – tão garantido quanto o nosso Campeonato de Futebol continuar a ser nas próximas décadas, para além de um marasmo competitivo, um dos menos atractivos paleolíticos circenses do Mundo. Quando se criaram as Sociedades Anónimas Desportivas em Portugal (SAD, doravante), seria suposto acionar o motor que impulsionasse o Futebol nacional. Seria suposto, no mínimo, uma mudança de mentalidade estrutural. A montanha pariu – como demonstram os seguintes exemplos – um filme de comédia. Escolha entre os seguintes, o melhor exemplo.

 

Nem o Marquês do Pombal teria mão nisto…

 

Nos primeiros meses de existência, o V.Setúbal geriu a SAD através de uma Comissão de Gestão… sem Presidente. Filipe Vieira liderava um emblema ribatejano cuja SAD não tinha sequer eleito um Conselho de Administração. Vale e Azevedo prometia saneamento financeiro enquanto delapidava património e aumentava o Passivo (algo surreal!). N’Os Beleneses, foi necessária a intervenção de um “Dragão de Ouro” para evitar a dissolução de um Clube já de rastos, a troco da maioria da SAD. O Estoril-Praia deambulou a sua SAD entre os interesses de José Veiga, da Traffic… e um falido organizador-mor de uma competição de Ténis – nem a pobre bancada do Coimbra da Mota escapa a esta fatalidade.

 

Se aos nível de Clubes o cenário revelava-se alucinante, nas instituições políticas e federativas dançava-se o Fandango. Em 1999, Gilberto Madaíl e José Sócrates traziam para Portugal uma competição tão incomportável para com a nossa economia (mais de €400 Milhões de prejuízo), quanto útil para as pretensões promocionais dos próprios – o Euro 2004. Num golpe de teatro, colocou-se Carlos Cruz como testa-de-ferro de uma Comissão de Organização (não fosse a coisa correr mal para o Engenheiro com aspirações) e aldrabaram-se todos os estudos que apontavam como insustentável a realização do evento (algo que viria a ser confirmado pelo próprio apresentador, anos mais tarde). Tudo, com a conivência de Lennart Johansson.

 

Portugal: o melhor cliente do FMI

 

A realização do evento desportivo de 2004 e consequente construção dos estádios, custou tanto o desequilíbrio financeiro dos nossos principais Clubes, como do próprio País. Aparentemente, ninguém previa que o assinalável desenvolvimento económico decorrente de 1970 a 1990 (a grosso modo, com uma Taxa de Crescimento Real do PIB na ordem dos 7% ao ano), caísse para um pobre TCR médio de 0,56%, ao longo da década de 2000. Para além do desemprego, os portugueses perderiam poder de compra. No Sporting, o Passivo que rondaria os €30 Milhões pré-SAD, ultrapassaria os €160 Milhões consolidados*, por influência compreensível de todo o imobiliário construído.

 

O Sporting tinha criado mais Património, mas infelizmente viria a sofrer uma significativa quebra de receitas resultantes tanto pela construção do seu novo Estádio como por consequência dos tempos – menos 20 mil lugares sentados no Alvalade XXI e incapacidade dos adeptos em acompanhar uma obrigatória inflação de bilheteira, que nunca viria a ser implementada. Aquela que seria no futuro a maior fonte de receitas em território nacional – royalties sobre transmissões televisivas – representava ainda um mero delírio.

 

* em rastreio, o Passivo Consolidado do Grupo Sporting, em 2007, era de €200 Milhões. Em 2008, de €244 Milhões. Em 2011, sobe para €360 Milhões. Em 2017, ultrapassaria os €490 Milhões consolidados – só a SAD terá, actualmente, um Passivo de cerca de €430 Milhões.

 

Ser Visionário em terra de Cegos. 

 

No Sporting, o Passivo Corrente inibia o investimento no Futebol. Estávamos em 1999, período onde o regulamento da Comissão de Mercado Mobiliário constrangia uma instrumentalização de aquisição de dívida através uma aplicação bastante comum noutros mercados – os Reverse Convertible Notes, semelhantes ao que conhecemos como VMOC. Então, o plano B: numa manobra inédita em Portugal, o sistema bancário entraria num Clube  – o Sporting – através de um protocolo semelhante ao de Investidor (ao contrário do posicionamento de Credor já comum em todos os outros clubes).

 

O Banco Comercial Português compraria toda a dívida do Sporting, a ser paga em 10 anos, desenvolvendo uma bolsa orçamental tanto para investimento aplicado ao Futebol como ao financiamento imobiliário (cerca de €12 Milhões/ano, na altura). Existiam igualmente conversações com diversos investidores directos, caso da Coca-Cola (que viria a roer a corda), Centralcer e Telecel, protocolo que no conjunto, traria em retorno metade do investimento no novo estádio.

 

A privatização da Sporting SAD

 

Finalmente, o detalhe que provavelmente maior impacto teria provocado no futuro do Sporting. Contra qualquer expectativa gerada pelo low-profile do Presidente – uma visão desportiva conciliatória entre gestão sustentada, Treinadores de baixo-custo (Jozic, Inácio e mesmo Boloni que seria recomendado pelo próprio Roquette) e conciliação de Atletas da formação com pontuais contratações de renome –, são criadas as condições ideais para o Sporting abrir a sua participação a um grande investidor.

 

Pela acção de dois associados sportinguistas (cuja sua particular identidade não se revela fundamental por agora), proporcionou-se um jantar na Quinta da Marinha onde Roquette conheceu as diversas personalidade idóneas e capazes de 1) reestruturar a hierarquia desportiva do Futebol leonino, 2) internacionalizar da Marca Sporting, 3) relacionar a SAD com uma diversificação de negócios em Inglaterra e 4) promover a imagem do Clube num hemisfério mais afastado, afim de serem criados protocolos comerciais com instituições ligadas a sectores do Turismo e Aviação. Tudo isto obrigaria a um Franchising da SAD do Sporting – exactamente o que o Leitor poderá estar a pensar. Questiono: a quem incomodaria a presença no Capital Social do Sporting os nomes de pessoas e instituições como Peter Lim, Peter Kenyon, Singapore Airlines, Adidas, Lloyds Bank Commercial, Blackstone HF, por exemplo?

 

Às ambições dos "todo-poderosos" Luís Duque e Godinho Lopes.

 

Ps. As razões que nos levam a lamentar pelo que ficou pelo caminho, são as mesmas pelas quais, como sportinguistas, devemos valorizar a própria história do Clube. Se existe uma razão pela qual sempre se adiou Clube, essa razão sempre esteve dentro do próprio Clube. Nunca existirá Clube Grande, sem Grandes pessoas. Pela extensão do texto, que lamento não poder sintetizar afim deste perder alguma clarividência, será o mesmo concluído numa 3ª parte.

 

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publicado às 03:20

 

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Boas intenções…

 

Num período compreendido entre 1996 e 2004, a UEFA, o Estado e a Banca mobilizaram-se no sentido de apoiarem as instituições desportivas portuguesas a trilhar um caminho de progresso e modernização. Esta nossa indústria dispunha da oportunidade de se elevar estruturalmente e financeiramente, tanto pela implementação das Sociedades Anónimas Desportivas, como pelo apoio público à criação de novas e melhores infra-estruturas, tendo em vista o Europeu de 2004. Previa-se o nosso Futebol colocado na vanguarda, orientado de modo sustentado pelos mais diversos meios administrativos e competitivos, tão proeminentes quanto competentes.

 

As SAD representariam o abandono definitivo do emocional e totalitarista mecenato presidencial, sucedendo-se a abertura do Capital Social aos Sócios e Investidores. Numa gestão profissionalmente focada na diversificação de investimento, os Clubes não estariam agora mais dependentes dos famigerados contratos publicitários e televisivos afim de orçamentarem as épocas desportivas. Em alargada visão económica global, tais medidas inovavam processos de receitas, desde a criação e valorização de activos imobiliários, ao surgimento de departamentos especializados na relação fundamental entre Investimento, sucesso desportivo e consequente Retorno de Investimento. 

 

A grosso modo, o Roupeiro permaneceria como Roupeiro, mas tudo o resto mudaria. O Presidente seria um Director Executivo de gestão, o Tesoureiro um Director Financeiro, os Futebolistas seriam tidos como o principal imobilizado das Sociedades, para além dos estádios e demais infra-estruturas. Os Adeptos tornar-se-iam Clientes, transfigurando o seu papel de meros pagadores de quotas a compradores de Acções e consumidores de produtos e serviços gerados pelo Clube. Aqui, quanto maior o número de simpatizantes, invariavelmente a dimensão do impulso económico gerado.

 

…esbarram nas coisas simples da vida.

 

Decorridos 2 anos após a criação da primeira Sociedade Desportiva em Portugal (a do Sporting), brotavam iniciais sinais de incompatibilidade para com um dos fundamentais princípios das SAD – os Adeptos só representam uma força económica no Clube quando mobilizados em massa, algo que em Portugal apenas ocorre (hoje, como no passado) em consonância com resultados desportivos. Os portugueses não têm o mesmo sentido de associativismo que os ingleses, os alemães, nem mesmo os espanhóis. Nem tão pouco dispõem do seu poder de compra. Poucos aceitaram a inflação da bilheteira. Poucos consumiram os serviços disponibilizados pelo Clube na área da Saúde, Seguros, Viagens e Créditos financeiros ou demais iniciativas. Com acordos de Main-Sponsor que rendiam qualquer coisa como €1 Milhão/Ano ou €600 mil/Ano em Equipment-Sponsor, as opções de financiamento dos Clubes eram diminutas: ou a Olivedesportos, ou a Banca. Sem Banca, sobrava a venda de Atletas.

 

Estávamos no terceiro ano de existência da nossa SAD. Enquanto personagens como Octávio Machado, Carlos Manuel ou José Couceiro procuravam um refúgio existencial nesta nova face da indústria – Santana Lopes, o homem que nunca fez nada de bom nem nada de mau, finalmente procurara um sentido para a vida longe do Sporting –, já os crónicos amotinamentos populares condenavam o caminho traçado pela visão de José Roquette (que longe do domínio público, seria co-responsável pela criação da SAD do FC.Porto). Os Adeptos, como sempre instrumentalizados pela visão em túnel, permitiam que um 4º lugar no campeonato lhes ensaiasse a cegueira sobre o óbvio – o caminho traçado levaria, invariavelmente, o Sporting a Campeão Nacional. E logo no ano seguinte.

 

Havia uma Direcção séria e focada, essencialmente, no Sporting. Havia uma estratégia a médio-longo prazo para cumprir. Haviam pessoas no corpo técnico com experiência de Futebol (e não de simuladores virtuais como hoje). E havia, pasme-se, uma equipa competitiva e financeiramente sustentável com as possibilidades do Clube. Isto tudo, num Sporting que cumpria com pesados acordos com as Finanças e Segurança Social, sem hipotecar verbas futuras. Os créditos de Bilheteira eram do Sporting. Os créditos de Garantia Bancária eram do Sporting. Os créditos de Passes de Atletas eram do Sporting. José Roquette foi lúcido, e acima de tudo paciente. Gastava cerca de €8 Milhões/época em contratações, e nada mais.

 

Uma primeira observação. 

 

Se observarmos, com alguma frieza, o conteúdo do segundo e terceiro parágrafo do texto e sem os condicionarmos à data a que os mesmos se referem, poderemos de algum modo entender uma parte do vazio que impera no Futebol em Portugal – medidas visionárias que nos colocariam na senda da Europa, orgulhosamente profissionalizados, numa competição interna devidamente regulada e competitiva para lá dos 3 Clubes de sempre, resultaram 20 anos mais tarde, à data de hoje... nesta decadência de valores e princípios desportivos a que todos assistimos.

 

Esta primeira parte do texto visa, essencialmente, uma necessária confrontação entre o que  vontade desejou, mas a intenção nunca fez. Tudo está errado numa competição onde se fala das maiores assistências ou dos maiores lucros, perante bancadas que ainda racham pelo meio. O que nos leva a concluir que em Portugal tudo é aparência, até alguma coisa tremer. A segunda parte deste texto poderá explicar, entre outras questões:

 

– como Gilberto Madaíl e José Socrates hipotecaram o futuro do nosso Futebol, em 1999? 

– o misterioso e inédito modo de Roquette financiar o Sporting campeão.

– quem esteve para adquirir a Sporting SAD em 2002?

– porque razão Luís Filipe Vieira e Godinho Lopes são intocáveis em Portugal?

– porque razão os Adeptos procuram o conforto do Totalitarismo Presidencial?

– porque razão é impossível um Presidente fazer do Sporting um crónico campeão?

– como pode o Sporting tornar-se, em 10 anos, o Clube português mais poderoso?

 

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publicado às 10:30

 

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Existe no Sporting uma sina em tudo semelhante a qualquer étimo da famosa Lei de Murphy – na aparência de ventos que correm favoráveis, há sempre um sopro que leva a que tudo corra mal. Vêm à memória exemplos como em 2005 em Alvalade, perante o CSKA. Como em 2012, no Jamor, perante a Académica. Como em 2016, em Madrid perante o Real. Como nos jogos em que se perde o 1º lugar por se falharem golos à boca da baliza. Como nos jogos em que joga bem e se perde. Como no jogo de ontem, contra aquela que alguns afirmam ser a pior equipa do SLBenfica dos últimos 10 anos, contra a nossa melhor equipa dos últimos 10 anos. Ontem, a culpa não foi do Benfica. Foi nossa.

 

Na escolha de uma qualquer justificação aceitável, toda a circunstância levaria a evitarmos o faccioso exercício de profetizar desgraças por um mero empate à 18ª Jornada. O problema é que, em boa verdade, a partida de ontem valia muito mais dos que os 3 pontos em disputa. Com o rival a atravessar uma crise de identidade a diversos níveis – no que toca ao futebol que pratica como aos diversos casos de suspeição de corrupção que recaem sobre a instituição – esta seria uma oportunidade dourada para marcar uma posição forte perante todo o cenário competitivo português, mais do que apenas aos directos rivais. Infelizmente, são este tipo de jogos em que, não obstante de boas exibições que aqui e além se fazem, o Sporting manifesta a sua constante imaturidade competitiva. 

 

O enorme esforço financeiro que se tem feito no incremento na qualidade da nossa principal equipa de Futebol, assim como os revanchismos agrestes a qualquer conciliação necessária no Futebol Português – que nos levam a defender determinadas posições de um modo mais isolado do que aquele que seria expectável a um grande Clube como o nosso – não se compadecem com o não conseguir vencer este tipo de jogos perante adversários directos na sua pior fase. Para os adeptos do clube da Luz, celebrou-se como uma vitória. O FC Porto distanciou-se. E ainda se afirma que o resultado foi pior para o SL Benfica do que para nós? Então de que vale lutar pela validação de Títulos Nacionais na secretaria, se afinal ninguém se preocupa com os dois pontos perdidos para o actual 1º classificado? Isto demonstra uma total ausência de cultura de vitória no nosso Clube, porque aparentemente para este Sporting a obsessão continua a chamar-se Benfica.

 

Por muito que nos custe em aceitar, o Sporting não tem ainda a mentalidade vencedora exigida nos momentos cruciais. E não a terá tão cedo, enquanto persistir no topo da hierarquia este sentimento de sobrelevada grandiosidade e soberba tão comum aos tolos e aos maravilhados. Será culpa dos atletas? Obviamente que não. Para quê exercícios de fanfarronice como um Presidente a liderar triunfante uma parada de adeptos como quem se prepara para assaltar o território inimigo, e afinal sai de rabo-alçado da Luz? Não devia este estar junto da equipa na concentração, pelo menos? Jorge Jesus, uma espécie de Vinnie Jones das conferências de imprensa pós-jogo, é o exemplo óbvio de quem vive num universo paralelo. Desta vez, não foi aos “oitchenta e ocho”, mas andou lá perto, como de costume… e ainda se lamenta do Rui Patrício não ter tido trabalho?

 

Há muito campeonato pela frente. Nesta janela de mercado poderão ser já encontradas soluções para alguns pontos mais débeis do nosso plantel. Mas que não se procure no simples gastar de dinheiro o colmatar daquela que é a mais grave lacuna que nos assiste – a ausência de uma mentalidade mais coerente, humilde e assertiva. Algo que em lado nenhum se vende.

 

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publicado às 11:00

Terra de gente doida...

Drake Wilson, em 14.12.17

 

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Uma palavra.

 

Antes de abordar a preocupação que sinto pelo Futebol no geral ou pela demência dos discursos do Presidente do Sporting em particular, – e porque resistem coisas mais importantes do que as duas referidas, como a dignidade a exemplo – irei utilizar este meio para manifestar uma palavra de apreço e de consideração a alguém que merece. Existe no seio da família verde-e-branca uma pequena facção pretensiosamente dependente dos honorários do Clube, que tem procurado ao longo da semana denegrir a imagem de dois sportinguistas cuja excelência da sua obra em diferentes espectros, causa incómodo à corrente de solidariedade que a referida facção pretende que se crie em redor de si própria.

 

Entre o que foi tornado público e o que ainda permanece em privado, existe uma espécie de repulsa por parte desta facção de divas, tanto em relação ao nosso estimável Rui Gomes e à sua obra de pluralidade – a dedicação como gere o Camarote Leonino – como em relação ao meu prezado amigo Dr. Soares Oliveira e à sua obra de talento – a responsabilidade pelo redimensionamento internacional da instituição para a qual trabalha. Ambos têm a sua vida, ambos são sportinguistas, e felizmente não dependem do Sporting para nada. O ingerenciamento desta facção em relação a ambos, prende-se por ambos deterem o que a própria facção nunca terá. Rigor, princípios, disciplina, integridade e seriedade. Para além da excelência da sua obra ser visível, mesmo que debaixo de uma opinião diferente dos demais. Talvez este Futebol não esteja à vossa altura. Mas isso serão os Adeptos a decidir, e nunca a facção.

 

Futebol português = Porno-chachada.

 

Em Inglaterra nos anos 80, o comportamento dos adeptos de Futebol seria uma coisa de fugir, com desagradáveis consequências visíveis por toda a Europa. Até ao dia em que a senhora Tatcher se fartou de selvajaria. A “Dama de Ferro” interveio com uma série de medidas, algumas bastante polémicas e outras provavelmente desenquadradas com a realidade, mas hoje consideradas fundamentais para o alicerçamento daquela que é tida como a mais bem desenvolvida competição de Futebol ao nível dos clubes – a Premier League. Medidas fundamentais que trouxeram paz, organização, profissionalização, publicidade, globalização e dinheiro para todos. Não há melhor exemplo do que este, mas parece que em Portugal ninguém o vê.

 

Em terras lusitanas, é notório o afastamento de Adeptos nas bancadas desde os anos 80, levando estádios como o Alvalade XXI a perder cerca de 20 mil lugares (Luz perdeu 12 mil e Dragão 5 mil). Redimensionaram-se estádios em prol de maior segurança e comodidade, de facto, mas nunca se constatou o óbvio – muita gente perdeu o interesse em acompanhar uma competição progressivamente nociva à própria integridade física como intelectual. A Primeira Liga portuguesa precisa, a exemplo do que sucedeu em Inglaterra, de uma intervenção do Governo. Apenas este detém os meios para pôr cobro a um manicómio onde coabitam Árbitros, Liga, Sistemas, Directores de Comunicação, Mails e Presidentes. Não há pior exemplo do que este, mas parece que ninguém vê.

 

No Sporting dispensamos porno-chachadas.

 

No sentido inverso de um mandato presidencial que aproxime o Sporting aos melhores agentes desta indústria – atrair mais patrocinadores e parceiros, por exemplo –, Bruno de Carvalho teima em comportar-se compulsivamente como uma espécie de Justiceiro Social que de tão repetitivo, invariavelmente torna a sua causa vulgar. Existem aspectos positivos à sua responsabilidade, como reavivar sportinguismo aos Adeptos, a construção de um Pavilhão ou uma equipa de Futebol competitiva. Outros, de questionável utilidade – Fruta Conquerors? Traffic? Panamá? São Tomé e Principe? Existe muito mais ainda a fazer pelo Sporting. É impossível encarnar dois papéis na perfeição: ou se comporta como um fanático desenquadrado com as prioridades, ou se faz um homem e se dedica a causas maiores. Isto de fazer discursos de união a múmias, sabe-me a pouco.

 

A Direcção de Bruno de Carvalho, não obstante de alguns feitos, não tem dimensão para o futuro do Sporting. Trata-se de uma liderança frágil que insiste em apelar à união e solidariedade dos Adeptos, revelando a sua fatídica incapacidade em tornar o Sporting imune às próprias cartadas. É uma Direcção previsível que reage como uma folha de papel em conformidade com os ventos do Norte, sem capacidade de agir de modo eficaz quando solicitada – a exemplo, o modo surreal e vulgar como se expôs o caso “Dossier Eusébio”. É inclusivamente difícil reconhecer a idoneidade ao cargo, quando o expoente máximo de representação do nosso Clube – este Presidente – reage com esquizofrenia a qualquer cachecol ou por exemplo, quando coloca o Director de Comunicação como moço de recados para lançar ameaças ao colunista (?) Claudio Ramos. O próximo passo é ordenar à Juve Leo a execução astral da Maya?

 

Nuno Saraiva, nem a propósito, é outro caso de recursos mal aproveitados pelo Clube. Profissional editorial habituado a artigos de natureza socio-política cor-de-salmão, é um caso claro de competência questionável. Portador de uma agenda telefónica repleta de fontes influentes da nossa praça política (que dissabores judiciais lhe trouxe no passado!), deveria utilizar tais meios para mais do que preparar discursos para o Presidente ou eleger as virtudes do mesmo via Facebook. Que tal estreitar relações com os principais jornais portugueses e estabelecer terrenos neutros ou regalias que evitem a nossa exposição mediática terceiro-mundista? Se não sabe fazer melhor do que guiões teatrais, demita-se.

 

Em conclusão.

 

O Futebol português perde a sua credibilidade quando se coloca na mão de um agente desportivo a apresentação e gestão de provas de corrupção (activa ou tentada) na praça pública, assunto sério que deveria ser exclusivamente tratado pela Administração Pública, Ministério Público e Tribunais, naturalmente. Os Presidentes de clubes portugueses demonstram incapacidade em liderar reformas estruturais, quando são ultrapassados pela intenção de um jornalista (Rui Santos) em promover pelos próprios meios uma petição junto da Assembleia da República, afim de serem introduzidas novas tecnologias. Os clubes em Portugal correm sérios riscos de perder parte significativa das suas receitas clássicas (bilheteira, sponsors) e por consequência as extraordinárias (transferências de atletas), em virtude deste lamaçal.

 

A acção concertada na praça pública da coligação Sporting-FCPorto esconde algo mais do que a clarificação do Futebol português – é intencional na descredibilização do SLBenfica a todos os níveis, nomeadamente nas suas relações comerciais. Ambos sabem o que anda Luís Filipe Vieira a fazer na China, e o que foi ele lá vender. Mas o que as Direcções de Sporting e FCPorto desconhecem, é a consequência de um êxodo da alemã Adidas ou da operadora Fly Emirates do equipamento encarnado. No dia em que estes saírem de Portugal, todos os contratos de Sponsorship serão revistos por baixo nas suas negociações, com as poucas Marcas globais que por cá ficarem. Quem ganha com isso?

 

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publicado às 09:15

 

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“Os Homens não são maus por natureza;

atractivo interesse os falsifica,

A utilidade ao mal, e ao bem o instinto

Guia estes frágeis entes.” 

 

A vida ensina, mais cedo ou mais tarde, a mesma lição a todos nós: existe uma diferença entre as pessoas extraordinárias, e as pessoas que cometem o erro de se considerarem extraordinárias em tudo o que fazem. Quem revê a própria existência na exclusividade de um estatuto extraordinário, revela amiúde dificuldade em gerir, com despretensão, quase tudo o que se apresenta fora da zona de conforto desse próprio estatuto. Revela dificuldade em lidar com as coisas simples da vida, pela própria falta de preparação para as... coisas simples da vida. Depois vitimizam-se, adoptando o “Nós, contra o Mundo”, perante claras dificuldades em se relacionarem com o meio. Ou com intenção de esconder algo que não interessa mostrar. E esta conversa do “Nós contra o Mundo”, tal como o “Nós, contra os Nossos”, começa a tomar conta do nosso Sporting, aos poucos, através de pessoas que por alguma razão esotérica se consideram extraordinárias. Na minha opinião, pessoas extraordinariamente ingénuas, ou irresponsavelmente ignorantes.

 

É com os principais culpados que se criam alianças?

 

“Nós, contra o Mundo”, foi uma mensagem que serviu os interesses do Futebol Clube do Porto durante largos anos, assentando deliberadamente numa causa: levantar fumo longe de onde o fogo deflagrava, colocando longe dos olhares o verdadeiro domínio federativo da instituição nortenha sobre Futebol português. Em Lisboa, Sporting e Benfica lutavam entre si pelos despojos, demorando quase 40 anos a perceber que gastaram todos os meios técnicos, administrativos ou financeiros em função de muito pouco. Não há clube no mundo que resista a isto durante 40 anos. Como é óbvio, o principal prejudicado foi o Sporting. Este estado das coisas gerou uma espécie de metástase de desconfiança entre os nossos adeptos, virando-nos contra a nossa própria gente, e contra os nossos melhores. Até António Dias da Cunha, a primeira personalidade desportiva a expor esta verdade inconveniente que outros dissabores lhe trouxe, foi desconsiderado como foi pelos sportinguistas.

 

A culpa é do Camarote Leonino 

 

O Futebol português está como está, por uma razão muito simples – o “Nós, contra o Mundo” em versão azul-e-branca fez escola. Os dirigentes perceberam que através desta mensagem perpetuam a sua estadia no poder, absolvendo-se da justiça popular por palavras fáceis e ressonantes. Os adeptos transformam-se em milícias vigilantes, deixando de debater o Clube para acusar instituições de maior ou menor relevância, acreditando que só assim se ganha. No Sporting actual, os profissionais de pedradas no charco que por lá coabitam – Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva – vivem disso mesmo. Na eminência da tentativa e erro em conquistar títulos para o Futebol, Bruno de Carvalho contratou um jornalista de agenda política para agitar as águas, confundir os adeptos, gerar milícias. Muito, para muito pouco. No fundo, um tarefeiro cuja utilidade se revela primordial para o tipo de presidência que se pretende. A fórmula é simples: o Clube é uma vítima, o Presidente é um mártir, a culpa é dos Croquetes. Dos Vouchers. Do Baldé. Da A’Bola. Da Liga. Da Federação. Do Cláudio Ramos. Da Maya. Ou do Camarote Leonino. Até Pinto da Costa, no meio da sua flatulência verbal, revelava maior elaboração: a culpa era sempre da centralização do poder do Império, em Lisboa.

 

Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva transformam o trivial em tema, mas revelam dificuldade em trazer à discussão algo mais do que o óbvio. Colocam-se como advogados do Sporting para defender causas da Rua da Betesga. Conseguem transformar as suas tomadas de posição institucionais em algo verdadeiramente atípico ao cargo que ocupam, sem entenderem a ressonância perjurativa que isso invoca na marca Sporting. E precisam do Sporting, pasme-se, para terem um ordenado que justifique tudo isto que em boa verdade, me sabe a pouco. Quem sou eu? Simplesmente alguém que paga quotas para ser do Sporting, e não o inverso.

 

Ao Presidente.

 

Nunca pense em resumir o “Sporting A” a 20 anos antes da sua presidência, ou o “Sporting B” à sua presidência. O “Sporting A” não se resume a “Godinhos” nem o Sporting B se resume a si. O nosso Clube sobreviveu à prostituição federativa que existiu durante quase 40 anos, porque detinha a melhor Finança e a melhor intelectualidade da nossa praça. Tínhamos gente com categoria e capacidade, que soube proporcionar um rumo ao Clube sempre que as dificuldades surgiam. Sabe como Roquette pagou a penhora à instituição Segurança Social? Estes sabiam como sair sempre por cima, prestigiando o Clube. Como sabe, esta reestruturação financeira sem avalistas que temos, deve-se exclusivamente às relações comerciais, relações pessoais e suporte imobiliário desenvolvidas ao longo destas gerações presidenciais que você encontrou quando chegou a Alvalade, e não a qualquer rasgo de genialidade seu, ou a qualquer promessa fictícia de ordem financeira que nos tenha oferecido em plena campanha. Faça o seu trabalho, faça-o bem. É a única coisa que lhe pedimos em troca.

 

Ao Director de Comunicação

 

A 18 de Maio de 2016, no Diário de Notícias, você escreveu um artigo de opinião intitulado “Pessimismo”, de carácter óbvio, mas interessante. No qual foi dito por si, e passo a transcrever: “O mundo está perigoso. Por via democrática, isto é, através do voto popular, temos assistido nos últimos tempos à ascensão de personagens políticas de perfil tenebroso. Nas Filipinas, por exemplo, o novo presidente eleito é um populista de meter medo, como todos os populistas (…) Os povos europeus (…) sentem-se desiludidos e descrentes com o presente que o destino lhes reservou (…) e os políticos desbarataram todo o seu capital de credibilidade com promessas vãs de amanhãs que cantam e contradições absolutas entre aquilo que se diz e aquilo que se faz. Este caldo é terreno fértil para os demagogos e os inimigos da liberdade e da civilização. (…) Não tenhamos ilusões, o sucessivo défice de participação eleitoral é sintoma de um país entorpecido e alheado à espera de um qualquer D. Sebastião vindo da bruma. Sabemos, pelas lições da história, que não há nada pior para as democracias do que o sebastianismo messiânico. E de duas, uma: ou acordamos todos ou, um dia destes, entramos num pesadelo sem saída. Não é pessimismo, é realismo.” 

 

Como sabemos que sabe escrever, aguardamos que saiba ler. O Camarote Leonino é pelo Sporting. A menos que se considere um qualquer Rodrigo Duterte ou Jean-Jacques Rousseau, dispensamos a sua comoção para com esta nossa lealdade ao Clube. Aqui, no Camarote Leonino, o que nos move é uma opinião pelo ponto de vista de adepto, não um decreto jornalístico. Eu particularmente, defendo a irradiação de toda e qualquer actividade proporcionada por Directores de Comunicação dentro dos clubes. Porque até hoje, não trouxeram nada de útil. Mas esta é a minha opinião.

 

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publicado às 09:33

 

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A vida é uma coisa muito simples. E previsível até. Qualquer irmão mais velho, Pai, Mãe, instituição de prestígio ou m qualquer meio de comunicação virtual sem autor judicial ou intelectualmente responsável – vulgo páginas de comunicação não-oficiais –, acolhe aqui e além o comum alinhamento proteccionista daqueles que, cobardemente, não se revelam à altura do palco onde se inserem. É com algum desapontamento mas sem admiração, que observo a contínua dificuldade de Bruno de Carvalho em mostrar-se, quando solicitado, senhor e responsável da descrição e sagacidade que um papel presidencial deveria exigir. É impossível esconder a falta de vocação, quando nem o palco sabemos pisar.

 

Entre ser inquilino de um cargo do qual se julga senhorio – trata-se de um Presidente eleito por votação e não por consanguinidade – ou agir com laivos de Primeira-Dama, Bruno de Carvalho aparenta gerir de modo meândrico e desalinhado algumas solicitações que se lhe apresentam, nomeadamente quando transforma em ataque pessoal toda e qualquer questão que se levante sobre a gestão da instituição que dirige. Ou então, permitiu que os seus assessores de comunicação transformassem o Sporting num partido político, apenas sendo legítimo aos sócios questionar o rumo do Clube quando… o Clube descer de divisão? 

 

Reconhecendo que não domina a iniciativa da inovação nem o intelecto do negócio, Bruno de Carvalho recorre à sagacidade da última palavra como manual de sobrevivência. Ele – ou quem de direito – não explica aos Sportinguistas um surgimento de €84 Milhões de passivo num período compreendido em 365 dias, ou porque se financiou de emergência a SAD em €50 Milhões no ano de 2017, com um vencimento a curto prazo. Não explica porque existem prémios em atraso por pagar aos nossos atletas. Como a vida é uma coisa simples, a uma simples conclusão eu chego: um dia quando entender ou quando for obrigado, Bruno de Carvalho sairá de cena. Passará a pasta a alguém, e esse alguém que responda por ele. Nomeadamente o quão caro sairá no futuro ao Clube e à SAD, o que se fez nestes dois últimos anos.

 

Ao proceder a uma exoneração de sócios considerados por si inconvenientes, Bruno de Carvalho numa espécie de aviso ameaçador, remete ao silêncio e desinteresse vozes que detêm acesso a informação útil ao debate da nação verde-e-branca. Qualquer indivíduo com o mínimo de decência, não lhe interessa este tipo de conflito cerimonial em praça pública. Aos adeptos, cujo particular interesse pelo Clube muitas vezes se precipita numa mera tabela classificativa, pouco espaço reservam nas suas vidas para questionar este constante estado de guerrilha no qual a figura presidencial se rodeia, afim de encobrir o óbvio. E que óbvio é esse? Afastou-se toda e qualquer matéria intelectual dos corredores. Algo bastante conveniente, que terá sido pedido em 2013 por alguém, a este Presidente. 

 

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publicado às 12:51

Estranhos hábitos, pensamentos pequenos

Drake Wilson, em 05.06.17

 

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Seguramente que não me tornei sportinguista apenas pelo facto do meu Sporting ser um Clube constantemente vencedor, ou porque a conquista A, B ou C me tenha impressionado na juventude – acredito que ninguém se torna do Sporting apenas porque este ganha, ou por qualquer promessa paternalista de que o Sporting ganhará sempre. Ser do Sporting ultrapassa a conexa lógica de fé das vitórias. Nós, mesmo que por vezes sem grandes motivações, somos sempre do Sporting, e com orgulho. Eu, seguramente sou. Nunca escondi a camisola verde-e-branca na gaveta porque não ganhávamos, nem precisei que alguém me ensinasse a ter orgulho no meu Clube. Não obstante de Vencer ser a nossa razão de existir – e não simplesmente Ganhar –, uma das razões pelas quais o Sporting é diferente, entende-se no próprio existencialismo dos seus adeptos. Ao contrário do que sucede noutros Clubes, nós nunca nos limitamos a existir apenas quando ganhamos.

 

Porque não descobri o meu sportinguismo numa qualquer esquina da vida, desconfio daqueles que só são felizes quando o Sporting "Ganha". Porque Ganhar, não é o mesmo que Vencer. Quando num Clube se soberbam exibições (Champions, Santiago Barnabéu), se desprezam competições (Taça da Liga de Futebol) para celebrar à conveniência (Taça Challenge, ou Campeonato de Andebol), algo nos diz que este não está ainda toldado para ser Vencedor. À conveniência, a memória é sempre inconveniente. 

 

“Ganhar”, tanto tem de poderoso, como de ingénuo. “Ganhar”, resolve a dívida emocional que se enfrenta quando outrora se perde – daí sentirmos que “tudo fica bem” quando ganhamos. Mas a lógica estrutural que existe em torno desta palavra não garante a idiossincrasia necessária ao alcance ou durabilidade do… Vencer. “Ganhar”, é uma palavra perigosa, porque maravilha as massas em torno de uma crença momentânea. É uma espécie de levitação modorra, que não resolve problemas estruturais de raras vitórias, que facilitam o perder tudo logo de seguida. Sobrevalorizar o "Ganhar, desconhecendo o verdadeiro significado de "Vencer", prejudica o Sporting, porque não existe lógica que assegure que num Clube como o nosso, o ganhar seja sequencial. Eu, como todos, também quero ganhar. Mas quero, igualmente, continuar desconfiado por mais um tempo desta palavra. Sou do Sporting há anos suficientes para perceber como funcionam as coisas na nossa casa.

 

Teste o travão, para assegurar que ele funciona.

 

Todas as genialidades esbarram nos vícios da Vida. Parece-me que só ao fim de quatro anos este Presidente inferiu o engano quando prometeu vitórias constantes e breves. É verdade que se geraram recursos como nunca outrora se geraram, mas igualmente se gastaram recursos como nunca outrora se gastaram. No final, ou seja hoje, mesmo com alguns títulos conquistados, não podemos assegurar que se criou uma estrutura suporte para manter o “Ganhar”, pelo menos, de modo constante. Reconhecer erros de Gestão, não assegura que se detenha suficiente critério ou sagacidade para que, do mesmo modo, se delineie um rumo correcto. Talvez seja suposto esperarmos mais uns anos para todos percebermos se este é o rumo certo.

 

A RTP, Pessoas, e a Marca Sporting

 

Se colocarmos devidamente esta questão na balança, percebemos que poucas instituições portuguesas se revelaram – ao longo da história – gratas ao Sporting pelo natural substanciamento desportivo do nosso Clube à nação – o que confirma a infeliz tendência para que no Sporting as conquistas sejam invariavelmente vistas de um modo incómodo por diversas personalidade com maior ou menor influência. Perdemos recentemente, por diferentes motivos, duas personalidades de topo na nossa estrutura leonina no que às Modalidades respeitava (e não apenas), cujo reconhecido know-how ou influência poderiam ser consideradas de vital importância para o desenvolvimento e imagem exterior do Clube. Alguém de reconhecida capacidade ocupou sequer os respectivos lugares?

 

Que se desconfie da tendência espontânea em delapidar ou perder património humano ou material, sem que uma estratégia de reposição de valores seja adoptada. Que nunca se confie na expansão isolada da marca “Sporting” por Portugal ou por este mundo fora, seja sob formato de cidadania ou de pseudo-pedagogia desportiva nas escolas espalhadas pelo planeta, geradas de modo autónomo pelo Clube. Cuidado com os pretensiosos amigos. Com os novos amigos. Até com os ex-amigos.

 

O Sporting, fruto da inexistência de um organograma estrutural profissionalizado na SAD para este fim, tem dificuldade em seduzir as mais importantes instituições, marcas ou parceiros de maior influência que gravitam em torno da indústria desportiva. Se existe algum departamento técnico-estratégico no nosso Clube que observe tendências globais ou elabore percursos operacionais no que à marca Sporting concerne (à excepção do computador do Jornalista Saraiva), este trabalho não está de todo em funcionamento. Se existem, estes que me desculpem, mas são tão incompetentes quanto quem gere os convenientes conteúdos desportivos da RTP. Observa-se um Sporting efectivamente limitado na sua propensão empresarial, o que gera uma observável menor influência nos media, como o próprio desenvolvimento da instituição.

 

O Sporting está demasiado por “sua conta e risco”, porque mesmo o poder de decisão não está totalmente esclarecido – “este ano sou eu que decido” não é, geralmente, uma boa colheita. Enquanto não se gerarem parcerias mais sólidas, ou se criar uma nomenclatura de personalidades capazes, idóneas, experiente e influentes ao serviço do Sporting, o resultado será sempre uma menor visibilidade para o Clube. Ou a vontade em mudar de canal mais depressa.

 

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publicado às 11:00

 

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Um dos maiores exercícios de provincianismo que conheço, traduz-se no embaraçante acto protagonizado por adultos responsáveis em sobreelevar um feito corrente em feito transcendente. Ou uma conotação solidária com eventos aos quais o único sentimento oferecido, foi o de desprezo. Agora que todos amamos Andebol e celebramos uma espécie de Liga Europa (conquistada o ano transacto pelo ABC de Braga) como se de uma Liga dos Campeões EHF se tratasse, fica a díade psiconeurose de que neste Clube tudo serve para embalar os adeptos. Bruno de Carvalho, que na sua 2ª presença oficial (!) feita a esta equipa ao longo de toda uma temporada, lá compareceu na festa que nem uma Piñata mexicana.

 

Os meus Parabéns a esta equipa de excelente brio e qualidade liderada por Hugo Canela, que não obstante desta conquista relativamente ao alcance, merece ser devidamente considerada. Bruno de Carvalho, que urge nestas ocasiões como uma espécie de Joker num jogo de Poker – carta de irrelevante utilidade, em eventos de menor dimensão – torna-se conhecido pelos atletas como o “emplastro”.

 

Confesso que por vezes sou assolado por uma espécie de rancor pelo tipo que não apenas destrói tudo à distância de um dedo (agora de modo mais privado, por SMS), como nada constrói para o futuro do meu Clube. Ganhar competições em Modalidades amadoras sem concorrência não me deixa particularmente esperançado, nomeadamente quando se percebe que em palcos de maior nomeada, poucos são os feitos de registo. É que, particularmente, não tenho feitio para jantar sobremesas, principalmente quando servidas por um tipo que se diz "ecléctico" à conveniência.

 

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publicado às 11:30

Nero estaria orgulhoso

Drake Wilson, em 19.05.17

 

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“…E depois de uma profunda análise, creio que chegou a hora de abandonar o Facebook (…) Amo-te Sporting, e nada nem ninguém irá mudar isso e com este Amor nem a morte nos separará”.

 

Depois de proceder à leitura integral de um dos mais esquizofrénicos textos que me lembro, algumas dúvidas me restam: Bruno de Carvalho nada mais terá para dar ao Sporting do que uma doentia obsessão – questiono porém, da verdadeira razão desta psiconeurose existir, para além dos seus efeitos contraproducentes para o Clube, a curto prazo. No final da época passada, em muitos de nós ficou um sentimento de esperança – bem diferente da desconfiança no futuro que agora nos assiste. Um dia, Bruno de Carvalho será treinador-jogador, num estádio de Alvalade vazio.

 

A culpa é mesmo dos jornais desportivos?

 

Ser sportinguista, nunca se afigurou um fácil sentimento coexistencial entre a lógica e a razão. Pode ser irracional suportar tanto azar ou incompetência, mas aqui estamos nós para gostar do Clube como sempre! Mas a verdade é que, se procedermos a uma dicotomia entre o corpo e a alma do nosso Sporting, reconhecemos claramente um enclave com diversos anos de existência, já por nós debatido – fantasmas a mais, crises existenciais, teorias conspirativas, interesses bancários, claques que interferem na diaspora, bastidores, etc. Particularmente, não conheço maior saco de gatos do que isto. Sei, isso sim, que é impossível um Clube, Pessoa ou Instituição vencer na vida com tantos problemas por resolver, para além dos que se inventam diariamente.

 

Algo que o Festival da Eurovisão nos ensinou

 

Vejo no Sporting uma espécie de Conde (ou Imperador) ressabiado na presidência, onde qualquer súbdito nunca é bom o suficiente para a dimensão dos seus devaneios – uma espécie de Imperador Nero, na magistral obra Quo Vadis, de 1951. Quer o Sol, quer a Lua, e quer tudo para hoje, tal como o próprio considerava que num ano (o ano da sua chegada) o Sporting recuperava financeira e desportivamente! Para Bruno de Carvalho não existe limite na Humanidade – quer mais do que o “humanamente possível”. Arriscaria mesmo que Bruno de Carvalho ainda não compreendeu que o nível de sucesso que se pretende no Clube depende sim, de muitos outros factores que não apenas um ordenado pago aos seus funcionários. Um desses factores é, como bem sabemos, a sanidade. Outro, é a auto-consciência. Outro, é a paciência. Outro, é aquele que eu chamo com algum humor, “factor Luísa Sobral”* – trata-se da Estrutura que pode e deve existir por trás de uma pessoa ou de uma instituição, afim de a apoiar num objectivo comum concreto. O problema é que para Carvalho nada disto faz sentido. As “Luísas Sobrais” deste mundo estão todas abaixo, ou por debaixo... Para bom entendedor.

 

* Para os que não estão a par, Luísa Sobral foi a compositora do tema "Amar pelos Dois", interpretado pelo irmão Salvador Sobral no Eurofestival da Canção, cujo sucesso se deveu não apenas ao dom vocal de Salvador, como naturalmente a todo o apoio concedido pela irmã na produção e composição da referida canção.

 

Porquê aquela SMS depois do jogo Sporting-Inter Movistar, Presidente?

 

Existem determinadas ambiguidades na vida pessoal de Bruno de Carvalho que, por uma questão de respeitabilidade, decoro e protecção à sua integridade, não devem ser tornadas públicas ou mesmo debatidas através de um Blog ou rede social. Tal como existem questões do nosso Clube que nunca poderiam ficar tão expostas quanto Bruno de Carvalho tornou visível ao longo deste famigerado mandato presidencial. A última missiva que Bruno de Carvalho escreveu através do Facebook, não será a mais grave difusão recente de verborreia. Existe uma sms, difundida após a recente derrota da nossa equipa de Futsal perante o Inter Movistar e dirigida a todos os atletas do Clube – e provavelmente a Dirigentes – na qual Bruno de Carvalho acabrunha não apenas o plantel às ordens de Nuno Dias, como todas as restantes Modalidades! Segundo o texto, o Atletas andam a brincar com o esforço do próprio Presidente. Isto, estimado leitor, é apenas o princípio.

 

Segundo o teor da referida mensagem, a derrota na Final envergonha 1) o "Sporting", 2) o "Presidente" e 3) restantes "Atletas das diversas Modalidades", colocando mais uma vez "o próprio Sporting à mercê do julgamento da Comunicação Social"… Isto é normal? Admira-me sinceramente Nuno Dias não ter colocado (ainda) o lugar à disposição. Já Vicente Moura, não me admira rigorosamente nada.

 

Roma a arder, Nero a recitar poemas, Bruno no Panteão.

 

No Panteão Celestial dos ex ou futuros Presidentes do Sporting, todos serão recordados um dia pelo resultado da sua contribuição ao Clube, ou por alguma medida de maior impacto registada ao longo do mandato. Roquette, que para mim representa parte do que o Sporting actualmente precisa, será recordado – entre melhores ou piores causas – pelo abandono da primitiva gestão de um clube de Futebol face a criação da primeira SAD desportiva em Portugal. Algo que João Rocha, de algum modo, tinha idealizado anos antes. Já Bruno de Carvalho, ao fechar a sua conta no Facebook, será apontado como o primeiro homem moderno a enterrar-se a si como à sua verborreia, qual Deus vivo, num sarcófago virtual. Uma carga dramática de tal dimensão, que nem o próprio Nero se lembraria.

 

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publicado às 11:00

Deus é do Sporting.

Drake Wilson, em 06.03.17

 

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“Qual a coisa mais importante para o Homem? Se a maior necessidade do Homem fosse o dinheiro, Deus ter-nos-ia enviado um Ministro da Economia. Se fosse a protecção, Deus teria enviado um Chefe de Polícia. Se fosse um emprego melhor, Deus teria enviado um Ministro do Trabalho. Se fosse a Saúde, Deus teria enviado um Médico. No entanto, por Ele entender que o mais importante é a própria relação do Homem com Deus, enviou-nos o Salvador Divino…”

 


A febre de Sábado à noite – Como no Sporting as coisas geralmente começam

 

Em inequívoca manifestação de intenções por parte dos associados, Bruno de Carvalho foi com quase 90% dos votos, reeleito este Sábado como Presidente do Sporting. Uma esmagadora vitória sobre a outra candidatura, que deixou a nú dois factos de análise: Carvalho tem do seu lado a larga maioria dos adeptos, e estes, emocionalmente ligados à sua mensagem, quase que por unanimidade rejeitam qualquer contestação à sua obra. Um invulgar estado de graça, diria, que não requer grande ciência para ser explicado: em 4 anos debateu-se tudo menos Sporting. Nomeações, Árbitros, Vouchers, Doyen, Benfica, etc… tudo isto gerou a desgastante ilusão de que tudo o que corre mal em Alvalade advém de um alheio que intenciona sempre em prejuízo do Clube. Enquanto os adeptos recebem estas pistas e procuram pelo infame sabotador, gera-se uma onda de solidariedade ao Presidente. Assistimos a isto no final da época passada, como se assistiu agora, quando Bruno de Carvalho se dirigiu ao palanque no alto de uma tribuna improvisada, após o resultado eleitoral. Viva o Sporting, porque a culpa nunca é nossa.


Hoje, é notório que o adepto sportinguista vive em torno de um estado psicótico de perseguição – já não se discute Sporting, discute-se sim o “Inimigo da Semana”. Qualquer voz discordante que se imponha ou candidato que surja, logo é considerado como anti-Sporting. Anti-estabilidade. Anti-Bruno de Carvalho. Assim, se dúvidas existirem, elas que se dissipem: neste Sábado, não existiram eleições. Existiu sim uma solene manifestação de apoio ao actual Presidente por parte dos adeptos. Isto revela o vazio no qual o Clube se encontra – esta mobilização dos adeptos em torno do escrutínio eleitoral deveu-se, essencialmente, a uma dívida de gratidão que estes sentem para com um homem, e não para com o Clube. Assim, não terei pejo em afirmar que Bruno de Carvalho vai estar muitos anos no Sporting, provavelmente mais do que o próprio João Rocha. A efígie de Bruno de Carvalho tornou-se já indissociável do nosso Sporting Clube de Portugal, em definitivo, para a maioria dos adeptos. Carvalho é hoje, uma espécie de Deus.

 

A azia de Domingo à noite – Como no Sporting as coisas geralmente acabam.

 

Apesar da minha contribuição para o Sporting ser feita de bom grado, tanto pelos anos de associado como pelo Camarote que detenho no Estádio, não consigo sentir empatia por este nosso “estado da nação”. Trata-se de uma prosaica distância entre o gostar do Sporting, e o gostar deste Sporting em particular. Confesso que, entre a qualidade dos croquetes disponibilizados pelo Catering de José Eduardo ou o trovar de uma versão contrafeita de Sinatra antes de cada partida, o resultado do jogo com o Guimarães torna-se um mal menor nesta noite de Domingo. Já tudo isto para mim é um frete. Chego a casa, “puxo” a programação para trás e assisto à conferência de imprensa de Jorge Jesus. Fala o iletrado sobre o meu Sporting, um tipo que ganha 7 Milhões para falar do passado, da falta de estrutura, do FC Porto e do SL Benfica. Ok, chega de Futebol. A minha família é mais importante do que isto.

 

É por isso que me choca a falta de honestidade intelectual dos adeptos. A nossa vida tem sido constantemente a mesma, onde se termina um Sábado em apoteose e um Domingo em tristeza. São 20, 30, 40 anos disto. Os mesmos adeptos que legitimam a vitalidade do Sporting pela tremenda mobilização ao voto, não comparecem nas Assembleias Gerais, não têm opinião quando esta seria importante, nem distinguem um Resultado Líquido de um Rendimento Operacional. Os adeptos andam embebedados com a mesma conversa de sempre, como se entre conversa e acção não existisse diferença. Diz Bruno de Carvalho, mais uma vez, que os adversários até tremem… Provavelmente tremem com o Dom de um homem que só reconhece o âmago da derrota em cada pelouro no qual se senta. Seja no banco de suplentes da equipa de Futebol, ou no banco de qualquer empresa de construção.

 

Eu sou filho de alguém importante. De Deus, por exemplo.

 

Não gostaria de terminar este texto sem relembrar uma das inúmeras demonstrações de pedantismo por parte de Bruno de Carvalho, nomeadamente a alusão constante da obra do seu Tio-Avô. "Colando-se" frequentemente à sombra de José Pinheiro de Azevedo (que por sua vez ficou na sombra de António Ramalho Eanes – foi para mim um dos maiores portugueses de todos os tempos – nas eleições de 76), a Bruno de Carvalho fica-lhe mal tamanha paridade. Carvalho não tem nem obra nem mundo para este efeito. Se fosse inteligente, o Presidente do Sporting poderia referir alguém mais próximo, como por exemplo o meu estimado Vítor Rabaça Gaspar, seu primo. Vitor Gaspar, que foi um dos homens mais inteligentes que passou por algum Governo da nossa República, um dia disse acerca de Bruno de Carvalho, ao semanário Sol: "Nós eramos muito amigos, mas quando ele ficava de trombas ninguém lhe podia dizer nada. Já não me dou com esse indivíduo, desde os tempos da faculdade que ficou com a mania que é o maior e eu não gosto de gente arrogante (...) a mim é que ele não me oferecesse o cachimbo de água marroquino e os charutos cubanos como costuma fazer às pessoas que recebe em casa dele."

 

Com algum humor, descobri que tenho algo em comum com Bruno de Carvalho: os charutos. Estes, juntamente com um Courvoisier, são uma bela maneira de passar o tempo enquanto a bola rola no relvado. Fica a sugestão ao Presidente, para o dia em que decidir abandonar o banco onde se senta. De suplentes, diga-se, para bom entendedor.

 

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publicado às 10:00

Como falir o Sporting em poucos anos

Drake Wilson, em 27.02.17

 

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Análise Financeira por Bruno de Carvalho. A razão pela qual a RTP negou o Serviço Público...

 

 

Este é o verdadeiro projecto em curso no Sporting

 

Um documento-audio recentemente tornado público através das redes sociais, onde José Maria Ricciardi e Sikander Sattar – quais agentes administrativos da nossa SAD – refutam intenções de privatização/aquisição do Capital Social da SAD do Sporting, merece a devida reflexão por parte de todos os adeptos, em menor ou maior grau de familiaridade com a real situação económica do Clube. Trata-se de um dos maiores tabús leoninos – perder a maioria do Capital Social do Sporting para uma entidade privada. Um tema que conheço, sob o qual tenho já “assobiado” de soslaio em diversos textos pelo Camarote. Um dia estimado leitor, este será um tema obrigatório. Seja enquanto continuarmos nas mentiras presidencialistas que não revelam a verdade, seja quando acontecer a bancarrota voluntária/involuntária do Sporting, ou no dia em que estes dois senhores tomarem conta do nosso Clube – que ninguém duvide que existem pessoas a aguardar pelo momento certo para entrarem no Sporting. Bruno de Carvalho ainda não percebeu. E mesmo que tenha percebido, sabe que não tem arcaboiço para os dois anteriormente referidos. A “Restruturação” foi a pior coisa que poderia ter acontecido ao Sporting. Em Abril de 2016 mencionei algo a respeito. Ficámos à mercê.

 

O que valem as pessoas.

 

O Sporting está virtualmente erguido, mas estruturalmente de rastos. A minha modesta contribuição como redactor no Camarote, fundamentada com insistência em assuntos de ordem económica, intenciona o direito como sportinguista – de convicção e carácter – que me assiste, em alertar para o que se anda a passar de facto no Clube. Algumas reacções sensíveis à discussão destes temas, que aqui e além se foram manifestando embora engolidas pelo tempo, demonstram que infelizmente estamos pouco preparados para entender a verdade sobre algo inadiável. Para tal, muito contribui esta mentira que nos vendem todos os dias relativamente à “consagrada” salvação do Clube.

 

Conheço e acompanhei com consonante proximidade a ascensão de Sattar até à cerca de 10 anos. Um homem cuja remansada presença não revela a ubiquidade que detém em diversos quadrantes da nossa sociedade – a superior inquietação deste senhor foi desde sempre o poder da comunicação social, e per si, o desmantelamento ao abrigo da lei do que será a desresponsabilização de um "mero" auditor numa falência de milhões. Multiplique-se Sattar por 5, e obtemos a génese dos “donos disto tudo”, nesta nossa Nação tanto portuguesa, como sportinguista. Tudo isto começa quando o vazio se torna em heroísmo, ou quando o apedeuta se revê no mais talentoso dos seres.

 

Ontem mentira, hoje verdade. Amanhã ninguém se lembra.

 

Um exemplo em como a pouca-vergonha está instalada. O recente debate presidencial foi um lamentável exemplo do vazio no qual o nosso Clube se encontra, no que respeita a uma matéria humana crítica e conhecedora, capaz de impedir que o Sporting tenha os seus dias contados. Ignorando que outros detenham igual acesso ao conhecimento das reais contas do Clube como o próprio, Bruno de Carvalho teve a ousadia de – através da apresentação de prints feitos a mando ou pelo próprio – mentir em relação a números:

 

– “Redução do Passivo em 88 Milhões”, desconhecendo que o mesmo foi transformado em Valores Convertíveis e transportado para uma diferente secção do Relatório & Contas.

 

– “Melhoria dos Capitais Próprios em 90 Milhões”, quando na realidade se trata de uma consequência directa da medida acima descrita.

 

– “Resultados sempre acima de 3 Milhões…”, o que por redundante lapso, apenas acontece em 2015 (2014 foi positivo mas apenas nos €368 Mil, e não €3 Milhões), com um 2016 a terminar nos €31 Milhões negativos…

 

– “Resultados da SAD sempre positivos 2 anos”, assumindo posteriormente a versão correcta, sem se aperceber.

 

– “Direitos de TV em 2012 de €12,500 Milhões, 2013 de €11,5 Milhões, 2014 cerca de €15,300 Milhões, 2015 de €20,5 Milhões, 2016 de €26,218…”, extrapolando os números sob sua gestão – em 2015 foram €17,353 e 2016 foram €24,809 Milhões.

 

– “Passámos os patrocínios e publicidade de €9,5 Milhões para €12 Milhões”, quando na realidade o Sporting baixou de €10,181 Milhões de 2015 para €9,921 Milhões em 2016.

 

Que nos tenha passado ao lado por mero desconhecimento, considera-se aceitável. Mas vergonhoso foi, quando em pleno directo com 1h30 de debate, Bruno de Carvalho omite a brutal ascensão dos seus custos operacionais em Junho de 2016, através de um gráfico onde a linha dos custos se submete visualmente à referência dos proveitos, empolando a verbalização dos ganhos, encobrindo a mais do que duplicação de custos com imparidades de 2016 (€80,110 Milhões) em relação a 2014 (€31,081 Milhões). Se o leitor tiver interesse em fazer estas contas, facilmente percebe que Markovic, Elias e Meli são dispensados para evitar a apresentação de Custos com Pessoal em Junho de 2017, na ordem dos… €62,950 Milhões/estimativa, tendo como base os valores apresentados no último trimestre.

 

Existem Óscares para gestão financeira em Portugal?

 

Estamos a falar de um valor em ordenados que supera em 400% o Orçamento Anual desejado para o Futebol – temos de entender que só com Ofertas Públicas de Subscrição e Cash-Advance o Sporting pode ombrear com orçamentos de SL Benfica e FC Porto – por enquanto esta é a realidade que temos de aceitar, a bem ou a mal. Estamos a falar que só em vencimentos da estrutura do Futebol, os Rendimentos Operacionais são absorvidos em quase 93%. Qualquer aluno de Ensino Secundário, com razoável conhecimento de Matemática, sabe que isto é o mais aproximado a uma tragédia – fazer contas a transacções de atletas para desculpar esta alarvidade, é o caminho que Ricciardi e Sattar desejam que os adeptos façam.

 

Uma palavra para Pedro Madeira Rodrigues

 

Pedro Madeira Rodrigues, independentemente da apreciação que cada um de nós faça ao talento para o cargo a que se candidata, merece o respeito de todos os sportinguistas. Para lá de um homem calmo ou acutilante, diplomático ou acusador, está um ser humano que tem uma família e uma carreira, e que em prejuízo destes, tomou a decisão que tomou – arriscar por aquilo que acredita. Em 2 meses, Madeira Rodrigues estruturou uma equipa e uma campanha, viajou e reuniu. Seguramente que nem tudo lhe correu bem, mas de certeza que neste período, fez mais trabalho institucional que Bruno de Carvalho em 4 anos. E tudo isto, sempre de sorriso e olhar amigo, não por benefício pessoal, mas pelo Sporting.

 

Se ganhar, merece o apoio de todos. Se não vencer, todos lhe devemos uma palavra de amizade por aquilo que ofereceu, de livre vontade.

 

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publicado às 10:00

Maiores erros de Bruno de Carvalho, Pt1

Drake Wilson, em 10.02.17

 

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#1 - Autodomínio emocional perante adversidade

 

Ao actual Presidente, são-lhe reconhecidos diversos comportamentos contraproducentes no que respeita ao domínio emocional, tanto externo como interno, de acordo com o que a sua posição de líder máximo do Clube/SAD lhe exige. Assistem-lhe actos de virilidade, que tendo como origem momentos menos positivos da performance competitiva da equipa, nunca produzem melhorias posteriores – pelo contrário, os maus resultados prolongam-se. Algo que o iliba como alvo de maior contestação por parte dos adeptos – que se revêm igualmente na sua frustração – embora paradoxal, tendo em conta que só o sucesso dos atletas permite a uma liderança o reconhecimento do seu sucesso, no médio e longo prazo.

 

#2 - Criação de Lobby’s

 

Sabemos que em Portugal, ser presidente de um Clube de Futebol de grande dimensão, permite ao detentor de tal cargo demasiada notoriedade e créditos desfasados dos reais interesses à integridade e consciência que se exige no desempenho do cargo – o que, por muito que nos custe, lhe atribui por intermédio da emocionalidade dos adeptos, tanta ou mais respeitabilidade do que a um alto representante do Governo. Se o Sporting pretende estar na linha da frente no que respeita a combater o “Sistema” ou impor a “Verdade” no Desporto, não pode jamais apelar a sportinguistas que gozem de privilégios estatutários de cargos públicos, que movam influências deliberadas a favor do Clube. Se hoje oferecemos um almoço a Lobby’s, amanhã será o Sporting a refeição.

 

#3 - Comunicação como líder

 

Bruno de Carvalho conhece bem a audiência para quem comunica. Sendo do Sporting, e conotando-se ao sofrimento dos adeptos do Sporting, conhece bem o que qualquer sportinguista quer e deseja perifericamente ouvir. Deste modo, desmobiliza a atenção do Adepto pelas reais questões que lhes deveriam imputar à consciencialização e meditação. Notórios são os frequentes argumentos em defesa desta presidência, essencialmente sustentados por comparações ao passado falhado (imensos), e não focados nas acções tomadas ao logo desta administração com resultados para o futuro (escassos ou nenhuns). Um pouco como no fenómeno político actual pela Europa, onde se assiste a uma tal sobreelevação da extrema-direita em virtude de um suposto fracasso da Democracia, aproveitando o desconhecimento da população pouco informada e consciente do que é uma real ditadura.

 

#4 - Diversificação de responsabilidade

 

Existe no Sporting um elevado número de directores, assessores e colaboradores que se revelam, aqui e além, pouco eficazes no sucesso da tarefa do seu cargo – ora por clara incompetência, ora por uma tal ausência de sentido de responsabilidade. Uma sofrível miscigenação de tarefas – o que é, para que serve e do que beneficia o Sporting com Augusto Inácio a Director de Futebol (não administrou nada), Augusto Inácio a Director Internacional (nenhuma intervenção reconhecida), Octávio Machado a Director de Futebol (zero interferência no planeamento), Nuno Saraiva a Director de Comunicação (sem dignidade deontológica), Carlos Vieira a Director Financeiro (que negócios realizou para o Sporting?) Miguel Albuquerque a Director de Secção (suspenso 16 meses), para citar alguns exemplos. Se nalguns casos a incompetência é o mote, devemos igualmente reconhecer que todos foram mobilizados em função de uma estratégia de “barulho” que Bruno de Carvalho pretendeu desde o principio. O que nos demonstra que a diversificação de funções neste Sporting, para além de um mito de simples peças de Xadrez, serve prioritariamente para defender a público a posição do Presidente – geralmente sempre contra o Benfica – em prejuízo da sua aplicação às necessidades do próprio Clube.

 

#5 - Só os investidores conhecem a situação real

 

Utiliza-se, de modo frívolo e virtuoso, a existencial colação entre numerológicos resultados financeiros presentes nos documentos disponibilizados pela CMVM. Não se pode exigir mais ao comum adepto – este tem a sua vida, e a sua vida (felizmente) não depende de Relatórios & Contas. Convém o adepto saber que todas as auditorias feitas às contas de uma SAD têm como base uma amostragem das mesmas, não podendo no seu todo ser consideradas como fidedignas. De acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade (que no caso das SAD cotadas se sobrepõem ao Plano Oficial de Contabilidade nacional), apenas os auditores devidamente creditados pelos investidores podem atribuir uma certificação legal providenciada por parecer. Quando alguém surgir numa caixa de comentários do Camarote Leonino, afirmando de que dispõe de provas inequívocas em como o Sporting está bem financeiramente, é porque faz uso de mentira gratuita.

 

#6 - Visão de Futuro

 

Tenho procurado alertar de modo responsável para este modelo de gestão extremamente perigoso no qual o Sporting está a navegar. O futuro do Sporting não está circunscrito a esta Direcção, mas esta circunscreveu-se nos últimos 2 anos aos próximos 5 anos, quando se iniciarem as verdadeiras amortizações deste consulado. Bruno de Carvalho, neste momento, deixou o Sporting estrangulado, não se prevendo alguma autonomia às próximas 10 gerações de presidentes. A reestruturação financeira do Sporting deveu-se exclusivamente ao envolvimento, como credor de uma entidade bancária com interesse em pagamento de juros ad eternum – existiam apoios externos alternativos que poderiam ter contribuído muito mais para o Clube, que nunca interessaram que se tornassem públicos.

 

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publicado às 03:43

As coisas simples da vida

Drake Wilson, em 06.02.17

 

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Coisas que não se esquecem

 

Inglaterra, Dezembro de 1987. O tímido Sol londrino tardava em raiar, depois de uma noite em branco na qual as horas desfilavam por entre o diagnóstico de papéis e relatórios. Aquele seria o dia mais importante da minha vida profissional até então – se algo falhasse… bem, não podia falhar mesmo. Felizmente que naquele dia de chuva intensa tudo acabaria por correr bem, não apenas em Londres como também em Lisboa – o Sporting nessa noite derrotava o Benfica por 3-0 em pleno Estádio da Luz, num jogo a contar para o troféu Supertaça. Apraz-me recordar a camisola do Sporting que me acompanhava na mala de viagem (superstição suponho), assim como o telefonema do meu irmão a dar notícia do acontecimento. Paulinho Cascavel, que tinha sido contratado ao Guimarães, marcou um dos referidos tentos. Burkinshaw era o nosso treinador, e João Amado de Freitas o Presidente – injustamente um dos mais “underrated” Presidentes do Sporting. Outros tempos, velhos problemas, outras conversas.

 

Naquele período, o sistema financeiro em Inglaterra estava num saco de gatos, em contraste com a prosperidade especulativa do início desse ano, um pouco por todo o Mundo – interessante que ao inverso, no Sporting a contenção estava na ordem do dia. As exportações atingiam níveis como nunca, o consumo estava em alta. Em Londres, todo o milionário abria um restaurante de luxo, e até o “jovial” Richard Branson lançava uma marca de preservativos(!). No início do último trimestre porém, uma macro depressão global – com origem no conhecido problema da bolha especulativa que ninguém se preocupou – provocaria o descalabro na Bolsa de Londres (e outras Internacionais), com o mercado de Capitais a entrar num autêntico frenesim. Em consequência, negócios em ruína, preços a cair, com o Governo a impor uma super inflação para suster a crise, sem efeito. Obviamente, um período fértil para as divisas de Oriente e Médio Oriente surgirem. Curiosamente, foi este o início de grandes investimentos na indústria do futebol em terras de Sua-Majestade por parte de investidores não-britânicos. Outras conversas.

 

Pequenas coisas da vida, simples, que nos marcam

 

Voltando ao dito dia de Dezembro. Naquela noite, para celebrar (por dois motivos, recorde-se), fui jantar a um dos mais hipster-restaurant do momento, cuja propriedade estava dividida entre o empresário Nigel Martin e um inarrável famoso Chef de cozinha e ferrenho adepto de um clube de Manchester – naquele momento, até os Chef’s de cozinha eram quase milionários. Em virtude do comum interesse pelo desporto-rei, acabei por oferecer ao Chef o referido jersey do Sporting, recebido de modo muito apreciado pelo excêntrico profissional. Ficámos amigos. Uns anos mais tarde (25 mais propriamente), em Manchester, assistimos os dois a uma das maiores efemérides desportivas internacionais do Sporting – o leitor deve lembrar-se qual. Ele trazia a dita camisola vestida, por fair-play à nossa amizade. Um acto que me surpreendeu, que muito apreciei. Uma camisola que me “deu” sorte, uma vez mais. Pequenas coisas da vida.

 

Coisas do costume

 

A vida é uma coisa simples, acessível. Sempre desconfiei daqueles que muito teorizam sobre o que sabem, sobre o que alcançaram por mérito próprio, sem que daí consigam explicar o óbvio dos seus infortúnios. Acredito que quem usa e abusa da voz para explicar com cientologia coisas triviais, nada mais deseja do que promover intencionalmente a inércia e apatia de quem escuta. O discurso, baseado no inimigo invisível ou num infame sistema, afim de promover a desresponsabilização por ausência de competência, nada mais serve do que para enganar as pessoas que ficam convencidas, viram costas, acreditando que está tudo bem. E nem sempre está, como se regista nesta época. Para mim, olhando para o quadro geral, uma das mais frustrantes de sempre.

 

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho são os dois, num imaculado conjunto, o maior biscate que poderia ter acontecido ao Sporting. O treinador mais uma vez se revela meretriz de Pinto da Costa e do FC Porto, para geral indiferença de quem já pouco se importa. Um abraço a Casillas e uma palmada a Palhinha é o simbolismo de um frete de quem anda a ganhar milhões e não consegue provar que sabe mais de “bola” do que um Vitor Pereira, Vilas-Boas ou Nuno Espírito Santo. Tem de haver uma explicação simples para isto, tal como para um índice de aproveitamento de 55% no Campeonato – que a alguns pouco preocupa, pois está ainda distante dos 36% de 2013. É disto que o Sporting tem de viver?

 

E depois, é nas pequenas coisas simples se vê a diferença. André ou Castaignos, como Barcos ou Teo. No convento de Alvalade, qualquer alma perdida tem salvação. Depois, lá surgem os Tiquinhos Soares desta vida. Dono de fisionomia singular de um qualquer mercenário sul-americano, sem pescoço, ombros largos e de olhar assustado sempre que a bola está na mira, a confirmar que o Sporting tem mesmo um fetiche – é o único Clube no mundo que tem sempre duas pré-épocas na mesma temporada. A primeira, recheada de ingredientes e ilusões, serve para entreter a soberba. A segunda, serve sempre para preparar o futuro. Fica uma equipa de retalhos, impreparada, mas cheia de futuro... O problema, é que com o biscate do costume, nem vale a pena falar de futuro, pois o presente é o que se vê.

 

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publicado às 11:00

O sportinguista tem medo de ter sucesso

Drake Wilson, em 27.01.17

 

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*Recentemente, o meu estimado colega Ricardo Leão escreveu um artigo onde destacou uma frase do célebre filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Original, de facto, e nem a propósito...

 

Desconheço se a maioria dos leitores partilham da minha opinião, mas amiúde dou por mim a pensar que nós, adeptos do Sporting, somos provavelmente os adeptos de Futebol mais complicados deste planeta. Talvez por responsabilidade da génese de Alvalade ou pelos moldes como desenvolvemos a nossa militância clubística perante expectativas e fracassos constantes. Talvez mesmo pela incessante imprescindibilidade de identificar responsáveis por crises auto-infligidas, em que a culpa é sempre “daqueles que por cá passaram”. Por vezes, personificamos dilemas semelhantes à ambição de Infante Dom Henrique como da obra non-sense de Friedrich Nietzsche – ora somos progressistas e inovadores ao nível do Quinto Império, ora colapsamos tragicamente agarrados a um cavalo, pela demência dos diversos dogmas que acreditamos serem reais. Infelizmente, tanto a glória dos feitos do Infante fazem parte de um passado, como a obra do filósofo alemão inflige a demência do autor a quem a tenta compreender. Um, realizou e alguém por ele relatou. O outro, relatou como realidade aquilo que nunca foi realizável, nem muito menos real – triste sina de quem alguma vez tentou compreender Nietzsche.

 

O Sporting já vive cheio de dogmas. De doutrinas. De prescrições. O passado glorioso da década de 50 é um dogma. Os Campeonatos de Portugal são um dogma. A formação e o seu real aproveitamento é um dogma. A equipa B é um dogma. Comparar Sporting com Barcelona é um dogma. Treinador “7 Milhões” é um dogma. As cadeiras e o relvado do Estádio são um dogma. A recuperação financeira é um dogma. José Eduardo é um dogma. Dogmas para dar e vender, que tanto entretenimento como mediocridade nos confunde e nos embebeda. O Sporting transformou-se no Clube da discórdia porque religiosamente deixámos que o Dogma se alimentasse ao longo destes anos, perante o inebriamento da palavra do papagaio no poleiro que sabe o que diz, mas não sabe como fazer. Toda esta classe de dirigismo a que o Sporting se tem entregue ao longo das últimas duas décadas, surgiu envergando um manto de grandeza. A verdade, é que com eles ou sem eles, o Sporting continua exactamente igual – perante a falência de um trajecto delineado, percebe-se que afinal não existia consistência alguma, ou projecto algum. Existiam um conjunto de ideias – uma série de Dogmas e problemas de puberdade mal resolvidos – e nada mais. Parafraseando aquele que eu gostaria de um dia ver à frente dos destinos do meu Clube, estes dirigentes foram e são “um nojo de A a Z”.

 

Waterloo, e a teoria de como o Sporting nunca aprende.

 

Perdoa-se Elias. Faz-se um cortejo no aeroporto a Markovic. Despreza-se a formação. Louva-se a Jesus. Uma pré-época do mais amador que poderia haver. Tudo isto ao som da balada de André, com o adorno orgásmico da poesia de Carvalho e a prosa desatinada de Saraiva. Renovam-se os lugares anuais. Eleva-se a esperança. Épico, como o desembarque na Normadia. Afinal, nada mais do que uma espécie de Napoleão em Waterloo, em que tudo apontava para a tragédia mesmo antes de esta acontecer. Não funcionou? Ok, vamos desfazer e voltar a fazer, exactamente ao contrário. Rua Elias, rua Markovic, bem-vinda rapaziada da formação que tanta felicidade proporcionou a quem de vós usufruiu. Pode ser que assim funcione… Em Setembro de 2016, lá dizia eu algumas coisas a este respeito. A resposta foi esta: “…o projecto actual pode não ser ao gosto do Drake Wilson, mas os sportinguistas o que querem é vitórias. É difícil construir um projecto melhor que este.” Afinal, estimado leitor, o que nos trouxe este projecto?

 

Ninguém percebe porque corre tudo mal no Sporting?

 

Tudo corre mal porque o Sporting tem sido gerido por um tal feudo de amigalhaços solidários entre si, alimentados pela esperança de uma massa adepta que não tem culpa de ter escolhido ser sportinguista. Estes feudais, colocam os dogmas em cima da mesa para que o debate entre adeptos se circunscreva em torno de assuntos para os quais não existe resposta, ou assuntos que simplesmente não têm qualquer tipo de interesse. Os adeptos não entendem, mas ficam felizes porque aparenta que “quem de direito diz que é bom”. Não se discute o futuro do Clube, mas discute-se o passado. Ninguém percebe. Somos fantásticos na formação onde coleccionamos títulos, mas poucos são aproveitados para o plantel sénior, exceptuando quando uma época corre mal. Ninguém percebe. Não se discute uma liderança actual, porque simplesmente as anteriores eram piores. Ninguém percebe. A reestruturação financeira é óptima, mas nada mais reduziu do que encargos de tesouraria imediatos. Ninguém percebe. Em Março de 2016 existiam cerca de €134 Milhões em financiamentos a curto e longo prazo, com reservas  acumuladas de €194 Milhões negativos. Ninguém percebe. Constrói-se um pavilhão, com um Director de Encargos que faz parte da Comissão de Honra da actual presidência. Ninguém percebe. Em 2008, o Passivo situava-se nos €150 Milhões, em 2016 apresentou-se a descoberto não-consolidado nos €390 Milhões. Ninguém percebe. 

 

O problema, estimado leitor, não é Bruno de Carvalho. É tudo isto, que ninguém muda. O actual presidente inclusivé.

 

A disciplina do Dogma

 

Tal como em diversas disciplinas da nossa sociedade e da própria vida, é a servidão de um adepto por um Dogma que torna irrealizável qualquer possibilidade de vanguarda. O indivíduo que vive envolvido dogmaticamente com o que acredita, apenas discute o que é periférico. Inibe toda a sua capacidade intelectual e torna-se refém do obsoleto fora-de-prazo. A vanguarda está presente diariamente na vida de todos nós, e é inversamente proporcional à capacidade de um ser humano comum em se adaptar a circunstâncias e progredir – por esse motivo, e por ser esta tão bem explorada por quem a desenvolve, a vanguarda se torna, de facto, cara. Porque para além de depender da genialidade de quem a materializa, é inclusivamente rara.

 

As minhas confidências com o estimado leitor, terminam com algo que defendo há alguns anos: para colocar o Sporting no mapa, o Sporting tem de chamar a si não apenas aqueles que têm desenhado o mapa do Futebol nos últimos anos, como aqueles que têm dado provas na sua vida profissional por este mundo fora, e que são tão sportinguistas quanto nós. Acabar com a esta clandestinidade promovida por actores incompetentes, rasgar o papel de “ser tão grandes quanto os maiores da Europa” e definir uma estratégia autónoma de redimensionamento, afim de promover a discussão contínua de títulos num prazo dos próximos 10 anos, não ano a ano. Se tivermos de perder a maioria do Capital Social, e como tal, sermos geridos por Administradores competentes umbilicalmente ligados ao desenvolvimento e sucesso da marca Sporting, por mim seria já.

 

Portugal foi uma grande nação no passado. Hoje, divaga no podium do País mais pobre da Europa. Temos de acabar definitivamente com este tal encorajamento de vitória por encomenda e grandiosidade do passado, senão um dia, sem percebermos, o Sporting também acaba.

 

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publicado às 14:00

O Sporting é um presente envenenado

Drake Wilson, em 20.01.17

 

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No dia que se apresentou como candidato oficial à presidência do Sporting, Bruno de Carvalho trouxe consigo a entusiasmante sensação de novo sangue e novas ideias, onde se elogiava no debate o seu conhecimento aprofundado sobre o estado do Clube. O jovem candidato, de discurso objectivo e argumentos fechados (os pontos de acusação à anterior gestão eram evidentes e factuais), em tudo beneficiou do questionável status operativo de Godinho Lopes: desportivamente e financeiramente, embora não estando necessariamente à deriva, o Sporting resumia-se a uma estratégia já esgotada. Restava apenas o último bastião do engenheiro Godinho Lopes – a reestruturação financeira do Clube, prestes a desenhar-se por aqueles que mais tarde a concluiriam.

 

“Mãe, tive um 20 a Matemática…”

 

Este tema da “reestruturação financeira” do qual o universo sportinguista acredita ter conhecimento, é para além de vago, sobejamente discutível. Dissimula um rol de ligações sigilosas e quase clandestinas do qual o Clube viveu entre 1984 e 2015, onde todos os Presidentes (sem excepção) desfrutaram ou fizeram parte. A imoralidade do acto constata-se quando, tanto os conhecedores do processo de revitalização do Clube como os maiores ou menores accionistas dos principais credores do Sporting, assumem e aceitam que saíram a perder, de uma forma ou de outra. O leitor, que a título de exemplo detém uma participação nas entidades bancárias através de qualquer aplicação de capital investido, simplesmente desespera pela remuneração do mesmo enquanto o BCP transforma em activo mais de 50 milhões de dívida que o Sporting tem para com esta entidade. Ao proceder deste modo, a Banca nacional beneficia do descalabro do panorama económico português, ávido de se entregar ao capital privado estrangeiro para própria salvação. Agradeceu o Dr. Carlos Costa e o Banco de Portugal, assim como a própria Comissão de salvação nacional (a TROIKA). E agradecem todos os ingleses que validaram o Brexit, que simplesmente se recusam continuar a apoiar o regabofe que existiu durante mais de 40 anos no sector bancário dos países economicamente mais frágeis e sujeitos a uma “gestão de lobby” dos seus próprios governantes.

 

A Saber…

 

– A Banca prejudicou o Sporting quando decidiu transformar uma dívida incobrável em activo próprio. Qual manual “Como Transformar Passivo Em Activo Em 5 Minutos”, usou tal engenho para se mostrar às Agências de Ratings mundiais, afim de melhorar a sua cotação de “Lixo” para “Um-Pouco-Mais-Do-Que-Lixo”.

 

– Para alguns, as aparências são fundamentais. Estas medidas revelaram-se de fútil utilidade à Banca no que objectivava uma demonstração de “recuperação” ao investidor internacional. Porém, útil à Direcção do Sporting: vociferou-se uma “recuperação” financeira do Clube aos seus associados, e quase todos engoliram.

 

– Em 2013, Bruno de Carvalho prejudicou o Sporting para beneficiar a sua estratégia falida de “investidores”, quando obrigou a Banca a fazer o papel de “russo”, exigindo não as verbas acordadas entre estes e o Clube afim de garantir solvabilidade do nosso emblema até ao fim da época, mas o suficiente para pagar ordenados elevados e investir em atletas na época seguinte, tal como se dizia capaz pelos próprios meios. O resultado, é este: 3 treinadores no Futebol, pouco acerto em contratações e o plantel que temos.

 

– O Sporting vai proceder a um aumento de Capital tendo em vista uma futura “Operação-Harmónio”; os Sócios que estejam atentos.

 

– Pedro Madeira Rodrigues – ou qualquer outro candidato que entretanto surja – não poderá usufruir destas acrobacias que tanto ajudaram à criação de um mito. 2013 era o momento para alguém cair na lama e alguém brilhar. Hoje, o Sporting para além de estar penhorado, está de mão atadas o que respeita à sua independência financeira.

 

– Os leitores devem evitar procedimentos, argumentos e debates heróicos ao compararem períodos homólogos de trimestres, semestres ou anuais de Relatório & Contas do Sporting. Devem utilizar sim ferramentas ao dispor de Economistas (ex: o índice de Sharpe) úteis para combater a demagogia perante plateias. O Rácio de Solvabilidade do Sporting é miserável, depende de uma economia que não a sua. Se o Sr. Carlos Vieira estiver disposto a rebater esta realidade na nossa caixa de comentários (e não como os habituais comentadores/economistas de vão-de-escada que surgem munidos dialéctica de jornal desportivo), será bem-vindo.

 

“Mãe, tenho um Curso de Gestão de Empresas…”

 

Um dos maiores problemas no nosso País é a Dissonância Cognitiva que existe entre o querer e o poder. É a profissionalização do Lobby nas instituições que deveriam servir as causas e não os seus próprios executivos. É a dificuldade em ler contratos e respeitar cláusulas. É a dificuldade em executar dentro dos parâmetros, sem excepções. É a dificuldade em planificar e estruturar. É o acreditar que somos os melhores do mundo a desenrascar, acreditando tal como o Sapateiro que também é Político nas horas vagas, que percebemos de tudo um pouco. Este é igualmente um dos problemas que sempre existiu no Sporting, e continua insistentemente a existir.

 

Bruno de Carvalho, para além de não ter resolvido os problemas estruturais do Sporting neste mandato, delapida continuamente a sua capacidade autónoma de decisão como Presidente, associando-se exclusivamente a um caminho pessoal e intransmissível do qual o Sporting penou no passado, hoje personificado pelo próprio e pelo treinador. Para a dimensão do nosso Clube, convenhamos que depositar a fé em apenas 2 interpretes é manifestamente pouco – num Sporting de vídeo-jogo até poderia resultar, mas nunca na instituição real. Pode o leitor esclarecer-me como se controla num video-jogo apenas metade de uma equipa a agradecer aos adeptos no final do último jogo, com um presidente perdido ao lado destes? O “modelo-Carvalho” está esgotado, porque pura e simplesmente falhou. Para quê fazer disto um drama? Se somos do Sporting, só não podemos é continuar a tolerar mentiras. Seja a este, seja ao próximo, seja a qual presidente for.

 

“Mãe, afinal estava a sonhar…”

 

O Clube está num estado tóxico, embrionado numa utopia de emoção e demagogia, do qual nenhum de nós se orgulha. Os mais racionais já não sabem o que sentem ou o que pensam acerca deste momento. Os energúmenos pedem aos pobres jogadores que “joguem à bola” tanto quanto o “desliga essa m…” para os operadores de órgãos de comunicação. O Clube está em Black-Out, mas procede ao levantamento do mesmo, afim de publicar romances pelo Facebook. Bruno de Carvalho gesticula para César. Octávio olha e sorri. Até o Saraiva já fuma cigarro electrónico. Um Clube moderno portanto, à imagem de Homero e da sua Odisseia. 

 

A manutenção do perfil organizacional e estrutural do Sporting a médio-longo prazo depende não apenas do seu comportamento como actor económico na próxima década, mas de um definitivo amadurecimento desta “criança-que-existe-em-nós”. O estado de graça das presidências no Clube estão a durar cada vez menos, porque é tudo “mais-do-mesmo”, é tudo uma mentira que nem de organizada se define. Como se atrai investidores, se nem homens de excelência o Sporting atrai para o ajudar? O Sporting tem de abolir estes regimes presidencialistas de “salvação” e permitir ao invés que se desenvolvam comissões administrativas por excelência, nomeadas por capacidade comprovada nos sectores dos quais o Sporting precisa. 

 

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publicado às 11:00

Quando tudo começa a tornar-se errado...

Drake Wilson, em 05.01.17

 

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"Quem, tendo ao seu cuidado, à sua guarda, sob a responsabilidade da sua direcção ou educação, ou a trabalhar ao seu serviço, pessoa menor ou particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez, e lhe infligir maus tratos físicos ou psíquicos ou a tratar cruelmente, é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos..."

Artigo 152 do Código Penal Português

 

Poderia aproveitar este espaço, para aprofundar razões pelas quais a partida de ontem não nos correu do modo como todos gostaríamos. Temos o direito de fazer pelo uso da nossa voz, tanto pelo dever que nos assiste como pela obrigação de correspondermos à liberdade intelectual que detemos.

 

Mas o Futebol está a tornar-se um "lugar" cada pior. Dentro e fora das quatro linhas. Cada acção praticada por intervenientes afectos ao desporto, com a responsabilidade inerente da exposição mediática que lhes assiste, provoca em cada indivíduo uma reacção. Uma reacção que varia, de acordo com a capacidade cognitiva e intelectual de cada um. Quem assistiu à partida de ontem em Setúbal pela televisão, e aguardou até ao desfecho da transmissão para observar reacções dos intervenientes directos ao jogo, foi brindado não apenas pela ausência de declarações de responsáveis da nossa equipa, como pela imagem que a gravura acima colocada nos demonstra: um adulto, presume-se que figura paternal ou responsável da criança, que perante o choro de tristeza da mesma pelo resultado porventura injusto que assistiu ao seu Clube afecto, a brindou com uma agressão por demais visível.

 

Podemos virar costas ao que os nossos olhos observam. Mas virar a cara a tudo isto é ser conivente com o rumo que a sociedade civil, também por influência do desporto, está a tomar. Tem culpa o prevaricador, como porventura, todo o meio que o influencia. São problemas de sempre? Sim, sem dúvida. Que tendem a nunca mudar, principalmente quando são os meios de entretenimento a promover a violência.

 

Sejam Árbitros, Presidentes, Treinadores, ou simplesmente Pais. Porque quem sofre, no final, é sempre o adepto.

 

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publicado às 10:50

 

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«Para nós é claro que o Sporting Clube de Portugal tem de ser gerido com muito rigor, exigência e eficiência. Os recursos disponíveis têm que ser optimizados, têm que ser reorganizados, com objectivos e responsabilidades claramente definidas e consequente responsabilização pelo que não há lugar a “jobs for the boys”.

Bruno de Carvalho, dias antes da sua eleição, em 2013.

 

Apenas 24 horas após anunciada a recandidatura à presidência do Sporting Clube de Portugal, é tornada pública uma lista com os 138 integrantes da Comissão de Honra de apoio a Bruno de Carvalho. Um processo de inegável celeridade face à pública reflexão de recandidatura por parte do actual Presidente, ou algo que na realidade nos diz que, esta candidatura, já estaria de facto a ser preparada há bastante tempo. Não 1 mês, não 1 ano, mas desde 2013.

 

Se analisarmos cronologicamente os diversos “actos presidenciais” desde Março de 2013, constata-se com relativa facilidade que este processo de angariação de apoios teve início 3 meses após as eleições, data na qual se celebra o primeiro acordo oficial do mandato: a parceria com a Fundação Aragão Pinto, que conforme anunciado em tal período, visava “reforçar uma ligação afim de gerar ganhos mútuos, partilha de Know-How, recursos humanos e técnicos”. Uma instituição de cariz social, da qual Bruno de Carvalho continua ligado aos órgãos sociais como Presidente do Conselho Executivo, figurando Ricardo Aragão Pinto como Presidente do Conselho Fiscal. Ricardo Aragão Pinto é um dos nomes, entre os mais de 130, a apoiar publicamente Bruno de Carvalho.

 

Esta Comissão de Honra, como um interessante elenco de personalidades de diversos quadrantes, alberga desde humoristas a deputados, a desempregados de longa duração e juízes. Algumas figuras do conhecimento público, das quais grande parte – ano após ano – continuam a gravitar em redor do Clube, ora apoiando este e aquele, da qual a sua presença pouco peca por surpreendente. Noutros casos, personalidades pouco conhecidas do universo geral sportinguista, nomeadamente do adepto pouco mais interessado do que o imaculado momento em que a bola penetra uma baliza. Em bom rigor, é quando o bola bate na trave e sai que a preocupação aumenta.

 

Com algum humor, que o comum adepto de Futebol não se preocupe: esta Comissão de Honra, em quase nada, tem a ver com Futebol. Parafraseando Rafael Bordalo Pinheiro, tudo isto não é mais do que o revivalismo de um período em que a Política em Portugal, decadente e tendenciosa, se considerava pelo genial ilustrador como a “Grande Porca”.

 

“Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se – e que a política é como uma “grande porca”. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta.”

 

Clube de Amigos

 

Nesta Comissão de Honra distinguem-se elementos de reconhecidas qualidades. Vasco Rato por exemplo, Maçon (tal como Agusto Baganha ou Miguel Relvas) e homem das relações internacionais de Passos Coelho, é tido como um autêntico “elefante numa loja de porcelanas”. Conseguiu ao fim de 3 meses na presidência da Fundação Luso-Americana aquilo que nunca havia sido alcançado: litígios com diversos funcionários da instituição. Considerado como um Docente “desadequado e mal preparado” aquando nos anos 80 leccionava na Lusíada, esteve envolvido na polémica fundação da Tecnoforma: uma empresa que visava a formação de funcionários municipais para funções em aeródromos que não existiam, e nada faria prever que existissem. Ainda hoje nos lembramos da sua célebre frase “se não forem descobertas armas de destruição maciça no Iraque, darei a volta ao Rossio todo nú”.

 

Mas de virilidade e impetuosidade se faz hoje curso em Alvalade. José Matos Rosa esteve em 2015 envolvido numa sessão de pancadaria em plena arruada em Espinho, onde desempenhava funções como Director de Campanha pelo PSD. Um estilo em todo semelhante ao de Fernando Ruas, condenado em 2009 aquando cumpria o seu 3º mandato como Presidente na Associação Municipal de Municípios, pelo crime de incitamento de agressões físicas a elementos de… uma Associação com preocupações ambientais, a Vigilantes da Natureza. Violência física à parte, passamos para actos de violência verbal. Por diversas vezes conotado com actos lesa-pátria e pouco interessado na diplomacia, Mário “Não-deixo-cair-um-amigo” David, ex-eurodeputado PSD e amigo de Durão Barroso, exortou em 2009 Saramago a abandonar o País e renunciar à cidadania portuguesa. Pior, foi a sua traição a Guterres, quando se decidiu pelo apoio-relâmpago a Kristalina Georgieva na candidatura-lobby a Secretário Geral da ONU.

 

Em alerta laranja, muito se poderia dizer sobre Miguel Relvas. Porém, interessante a sua ligação a Francisco Febrero, com o qual integrou a estrutura accionista da Pivot SGPS, uma sociedade criada para a aquisição do bando EFISA (um Banco de Investimento do BPN). Relvas, homem de pouca sorte, acabaria chamado ao parlamento para explicar a ligação ao EFISA, depois de noticiado que o Governo do qual fez parte em 2013, injectou 90 Milhões no banco para o capitalizar antes da venda, que ocorreu por 38 Milhões. Ainda no que respeita ao Governo, em 2012 Paulo Morais (ex-PSD e professor universitário), considerou o actual parlamento como uma “grande central de negócios”, dando mesmo o exemplo dos interesses de Miguel Frasquilho, que estaria “inocentemente” a acompanhar o Programa de Assistência Financeira da Troika a Portugal, enquanto mantinha ligação ao BES. Frasquilho que não teve igualmente sorte em 2016, quando viu pela segunda vez o Tribunal de Contas reprovar uma série de medidas pouco claras que este tomou como presidente da AICEP – entre outras, a aquisição de seguros de saúde privados a funcionários e familiares desta agência estatal, num contrato que terá custado aos cofres públicos a soma de €534 Milhares.

 

Melchior Moreira, antigo deputado do PSD, licenciado em Educação Física e ex-professor do Ensino Básico, conseguiu aos 45 anos e após 9 anos de actividade política, uma pensão vitalícia. Em 2009, foi acusado por um grupo de trabalhadores da ERTPNP numa carta redigida pelos mesmos, de uso indevido de dinheiros públicos, onde se lia que “usufrui de regalias e mordomias, nomeadamente gasóleo para toda a família”.

 

Uma reflexão

 

Não valerá o precioso tempo do leitor, uma dissecação total dos elementos que compõem esta Comissão de Honra à candidatura de Bruno de Carvalho. Toda a informação em parte dos casos está disponível e de fácil acesso a qualquer um de nós. Supondo que se tratem todos de sportinguistas, caberá ao adepto comum a reflexão que bem entender.

 

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publicado às 12:10

O Sporting que eu sempre sonhei

Drake Wilson, em 29.12.16

 

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 Meados de Abril, em 2000, com o Dr. José Roquette

 

 

Quem sabe, um dia.

 

No dia em que ocasionalmente conheci o Dr. Roquette (no dia em que a foto acima foi tirada, em Abril de 2000), entre outros assuntos de natureza profissional, falámos muito sobre o nosso Clube. Preocupações de ambos acerca do presente e futuro eram demais evidentes, mas com a certeza de que só com um caminho racional e sustentado, coisas boas aconteceriam. Teria de se gastar dinheiro sim, e esse dinheiro teria de vir de algum lado seguramente – nada de Banca. Ficou a promessa de que nos voltaríamos a rever, se nesse ano o Sporting se sagrasse campeão. Nesse dia, o Sporting vence na Madeira, e 15 dias depois vence o campeonato. A palavra do Presidente manteve-se, e 10 dias mais tarde são-lhe exclusivamente apresentados pessoalmente, 5 profissionais de primeira categoria em diversos sectores, do meu conhecimento e confiança, cumprindo igualmente a promessa que eu tinha feito. Um português, quatro estrangeiros, e nenhum deles era suspeito – ali estavam os pulmões do maior projecto desportivo em Portugal, com profissionais de extraordinário gabarito, assim como a garantia de um futuro independente.

 

Mas no realismo de uns, sobrava a ansiedade e muita inveja de bastidores, de nomes que um dia terei o prazer de escrever sobre eles, quando tal for oportuno. Estes, infelizmente, dominavam uma ala no Clube e sabotaram a independência do Presidente, contando com o apoio de elementos organizados. Assim, tal os adeptos quiseram e Roquette saíu do Sporting. Os parceiros questionaram a integridade dos que por lá ficaram, furtando-se a designar vínculos com a demagogia. Perdeu o Sporting seguramente. 16 anos mais tarde, chegamos a esta conclusão: dos 5 parceiros colocados à disposição do projecto, um deles lidera actualmente destinos de um clube rival na sua internacionalização. Outro, apoiou a direcção desportiva no Chelsea de Abramovich na sua génese, até se incompatibilizar com Mourinho (Mourinho saiu, ele ficou, porque em Inglaterra a estrutura é uma coisa séria). Outro, viria a investir num clube em Espanha, anos mais tarde. O Sporting, esse, continua adiado, sem se entender que mais valem 5 anos a tentar do que 40 anos a chorar.

 

O Presidente que eu gostava.

 

Se me fosse questionado que Presidente gostaria de ver no meu Sporting, teria alguma dificuldade em responder. Mas seguramente, um ideal de independência orgânica assente em matrizes corporativas, mais do que emotivas. Um pouco de John Maynard Keynes, um pouco de Joseph Schumpeter. Talvez um pouco de João Rocha, com um pouco de José Roquette. Se funcionaria, não sei. Mas acredito que funcionaria. Se me perguntassem como gostaria que fosse o Sporting, como Clube, a minha resposta seria sempre a mesma: aquilo que ele é. As instituições sobrevivem sempre às pessoas, independentemente do que as pessoas considerem como sendo o melhor para as instituições. Sendo que o Clube existe desde a sua fundação, caberá a cada um daqueles que acredite fazer a diferença, expor o que considere fundamental incrementar com o seu conhecimento e sensibilidade. O Clube sai sempre a ganhar quando a excelência é colocada ao serviço dos seus destinos.

 

Schumpeter e Keynes foram os dois economistas que mais admirei. Se Schumpeter fosse, um dia, presidente do Sporting, diria que um dos maiores problemas do Clube debate-se com o Monopólio existente na planície competitiva portuguesa. Para ele, seria a falta de criação de um percurso financeiramente autónomo que não mais do mesmo nos últimos 40 anos – a principal razão pela qual o Sporting, pela falta de métodos, ficou ultrapassado pela concorrência. Já Keynes, no mesmo cargo, diria que perante a incerteza do futuro, teria o Sporting de gerar correlações com todos os agentes desportivos e financeiros à sua disposição na indústria (e mesmo fora dela, diria eu), afim de proteger a sua durabilidade como emblema competitivo a longo prazo, evitando a disfuncional perda de capacidade competitiva alheia à sua vontade. Ambos teriam razão. Schumpeter, inovador como Rinus Michels, o criador do Futebol Total. Keynes, como Cruyff, o expoente que materializaria tal conceito.

 

Entre a placidez de uma maternidade e a insanidade de um hospício, Alvalade (às vezes) é assim.

 

Continuaremos a adiar o Sporting, enquanto a discussão eleitoral estiver apenas e só centralizada no “esqueleto” da serpente, e não na sua adaptabilidade ao meio. Esteve Bruno de Carvalho, a bem da instituição que lidera, alguma vez adaptado ao mundo do Futebol como ele é? Estará algum dia Pedro Madeira Rodrigues apto ao mesmo desafio? Definitivamente que não. Provavelmente nunca nenhum de nós estará. Porque parece que ninguém ainda entendeu que do modo como continuamos a discutir e a entender o futebol, todas as teorias/projectos se esgotarão, mais cedo ou mais tarde, nas quatro linhas de jogo, onde quem determina o destino nunca são os presidentes. Porquê? Porque ninguém tem capacidade nem coragem de fazer um projecto em condições, enquanto todos ralharem sem razão.

 

Caberá a um Presidente digno desse nome, a criação de uma atmosfera fértil em soluções humanas, corporativas e económicas, que privilegiem a materialização de algo que se consiga efectivamente debater. Senão, andaremos todos a discutir nada mais do que promessas, como tem sido apanágio ao longo destes 40 anos. Se um candidato tivesse, algum dia, coragem de admitir a verdade – que o Sporting não tem ainda andamento para ganhar títulos maiores em Futebol – e cujo interesse da sua candidatura nada mais é do que trazer para o Clube as pessoas, parcerias e instituições que tornem o emblema mais poderoso, esse candidato teria o meu voto. É honesto associarmos apenas à gentileza de um sorriso a certeza de futuras conquistas? Se a intenção é desenhar condições para que os Sócios acabem invariavelmente desiludidos, então que se continue assim.

 

Com humor, para finalizar. Vamos lá Sporting!

 

Cândido como sempre, ao bom Futre faltaria um pouco mais de instrução na ternura da sua mensagem. Antes de partir em direcção ao Oriente, em formato Lonely Planet e de Go Pro em punho em busca de Pokemons, o Sporting e os sportinguistas têm de conciliar primeiro passado, presente e futuro – juntar aqueles que fantasiam como Sousa Cintra com os que materializam como João Rocha. Acutilantes como Henrique Medina Carreira como congregadores como Alexandre Soares dos Santos. Tem de se unir na mesma mesa, aqueles que pensam como José Roquette como os que sonham como Bruno de Carvalho. Porque todos são sportinguistas, e todos podem, ao seu jeito e ao serviço do Sporting, contribuir com algo que nos torne mais fortes.

 

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publicado às 10:45

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