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Novelas (tv, facebook e vídeos)

Naçao Valente, em 30.09.17

 

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Vem aí mais um clássico Sporting-Porto. Este, para além da rivalidade natural, apresenta duas novidades: a aliança estratégica entre os dois rivais do norte e do sul, para “tramar” o outro rival de Lisboa, e, a continuar assim, a luta entre ambos pela conquista do campeonato nacional. Nunca vi nessas alianças duais qualquer vantagem, e por isso vai ser curioso ver como ela vai evoluir. Espero que a disputa se restrinja às quatro linhas e que vença o melhor, dentro do jogo, e que seja o Sporting.

 

Fora do jogo está o presidente Bruno de Carvalho, com mais um castigo do Conselho de Disciplina. De acordo com um quadro apresentado pelo jornalista Rui Santos, o Presidente ocupa o primeiro lugar com 360 dias, logo seguido do seu pajem, senhor Saraiva. Quase um ano de suspensão, sem nenhuma necessidade e sem nenhum proveito, é obra. Podemos até dizer que temos um Presidente em part-time, embora pago a tempo inteiro. E o mais curioso é que se o ridículo matasse, o Sporting já estaria sem presidente. Desde a inenarrável entrevista ao canal Sporting BdC, até à divulgação de vídeos da vida privada nos écrans do estádio, passando pelo Facebook ,o Presidente não perde uma oportunidade para se ridicularizar a si e ao clube centenário que representa. Só falta que nos próximos capítulos apareçam as primeiras ecografias.

 

Podemos discordar dos regulamentos federativos, mas não podemos, enquanto estiverem em vigor, desrespeitá-los. Quem se põe a jeito, não pode depois armar-se em menino mimado e vítima do sistema. A bazófia e a bravata não levam a lado nenhum. O Sporting Clube de Portugal terá êxito desportivo quando for melhor. Como prova a realidade não é com alianças e verborreia agressiva que se ganham títulos. A situação do nosso adversário do sul é prova disso. Se não houver qualidade, de nada serve um ou outro empurrãozinho.

 

É mais que tempo de o Presidente presidir. Para dar espectáculo temos gente mais bem preparada!

 

Nota de roda pé: Disse-me um gestor bancário que acompanha as finanças dos “grandes” que os vencimentos subiram muito, assim como  a dívida do Sporting, cerca de 81 milhões de euros nas últimas duas épocas. Com as devidas reservas, a assim ser, para onde vamos?

 

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publicado às 05:53

O erro capital de Bruno (Sou o que sou)

Naçao Valente, em 08.09.17

 

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Há algum tempo, escrevi neste espaço, que a época futebolística estava a correr bem. Esse período coincidiu com o silêncio (estranho) de Bruno de Carvalho. Se havia ou não relação directa é impossível comprovar, mas se fosse como fosse, criou-me algumas expectativas positivas sobre as atitudes do Presidente. Lamento dizê-lo, mas essas expectativas foram apenas fogo fátuo. Mais cedo que tarde, o Presidente-espectáculo, regressou em todo o seu esplendor.


Utilizando a Sporting TV como uma coutada pessoal , e como um odre que foi enchendo, despejou todas as suas diatribes de uma só vez. Falou e falou bem, como um rei absoluto, para os súbditos fiéis e acríticos. O mesmo discurso vago e vazio de conteúdo e (digo-o com tristeza) ridículo na forma.


EU sou o que sou”, como se a assunção da autocracia, do desrespeito, da presunção, fossem virtudes. Os seus acólitos batem palmas. “EU salvei o Sporting”. Um mito. "O William DEVE-ME a carreira”. Outro mito. Este homem julga viver no Olimpo, vedado aos comuns mortais, mas quem conhece um pouco a mitologia clássica sabe que os deuses tinham defeitos, tal como os homens, e que não os desconheciam. Contudo, BRUNO está muito acima. Nunca erra, nunca mente, foi criado sem pecado original. Veio para salvar o Sporting e todo o futebol. E reconheço que há quem acredite nisto. Veio para moralizar, mas não tem mostrado ponta de moral. Quando muito, pretendia ocupar o espaço que outros, subtilmente, ocupam.


Até agora apenas se salvou a si próprio. O Sporting com mais de cem anos, não precisa, nem nunca precisou de salvadores. Precisa e precisou de homens comuns, com virtudes e defeitos, e que trouxeram o clube, com mais ou menos dificuldades, até aos nossos dias. O Sporting não estava nem nunca esteve para acabar, como afirmam os seus defensores acérrimos.


Depois do que escrevi, decerto que sou insuspeito se disser que Bruno até começou bem. Concretizou a inevitável reestruturação financeira. Mesmo que tivesse sido eleito José Couceiro teria que a fazer. Ajustou, por imposição dos credores, mas ajustou , as despesas à realidade. De motu próprio, ou bem aconselhado, traçou uma estratégia desportiva assente numa progressiva e consistente aproximação aos adversários directos, com a contratação de técnicos competentes e acessíveis aos meios existentes. Essa política, aplicada ao futebol, estava a dar frutos. Um segundo lugar no campeonato e uma taça de Portugal, comprovam-no. Estou convencido que se não tivesse sido interrompida outros títulos teriam sido conquistados.


Num ápice, deitou todo o bom trabalho para o lixo. Numa mudança de rumo abrupta, contratou o técnico mais caro a trabalhar em Portugal, e comprou activos de duvidosa qualidade. Na linha de quem age por impulsos emocionais, convenceu-se que com o novo treinador os títulos estavam garantidos. Usando um pouco de racionalidade e analisando a razão porque os ganhou, no clube de onde veio, não teria dado esse passo. E este, na minha opinião, foi o grande erro capital de Bruno de Carvalho, por ser como é.


Agora continua numa fase de fuga para a frente, de tudo ou nada. Mostra incapacidade de aprender com os erros. Cinco anos depois recusa adequar-se à realidade. Vive num mundo que apenas existe na sua imaginação. Quer estar acima das leis, boas ou más, que regem a indústria do futebol. Com os seus 18 mil votos em três milhões de sportinguistas considera-se intocável. Com a fidelidade incondicional dos que continuam a arranjar argumentos para o defender, mesmo quando não tem razão, mantém a cruzada contra moinhos de vento. E no meio deste reino de loucura está a instituição centenária chamada Sporting Clube de Portugal. Seguramente não irá acabar, mas corre sérios riscos.

 

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publicado às 11:00

Exemplos (também) vêm de cima

Naçao Valente, em 27.08.17

 

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Achei interessante escrever aqui uma breves linhas sobre uma notícia que li na imprensa escrita e que me parece merecer alguma reflexão, no fim de mais um dia.Trata-se da mensagem colocada no Twitter,pelo Sporting, para os seus rivais directos, saudando-os pela sua participação na Liga dos Campeões, e desejando que todas as equipas participantes representem com êxito o desporto nacional.


Considerei o acto digno de referência, porque além de pouco usual, aparece como um exemplo de um são relacionamento entre colectividades rivais, e sobretudo porque vem de cima. Por outro lado, surge um pouco ao arrepio do fundamentalismo, presente em muitos adeptos, que confundem a natural rivalidade desportiva com guerra de vida ou de morte. Neste sentido, congratulam-se com os desaires dos adversários a nível internacional, mesmo quando não colidem com os nossos interesses competitivos. No papel de adepto confesso já ter passado por essa fase, mas hoje, em função do conhecimento da relativização das coisas, já não penso assim.


O conceito de rival em inimigo a abater tem sido muitas vezes alimentado pelos poderes instalados nas colectividades. O corte de relações, por dá cá aquela palha, surge muitas vezes, como forma de ultrapassar debilidades internas e é uma fonte de apelo ao ódio. É uma atitude contrária ao espírito desportivo e a sua total deturpação. Por isso, a posição tomada, neste caso, pelo Sporting, merece-me grandes elogios. Espero que não seja apenas um fogacho, mas uma prática a seguir. O desporto agradece.

 

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publicado às 04:09

Entradas de leão...

Naçao Valente, em 25.08.17

 

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Aí está mais uma época futebolística. Mais uma época na qual os adeptos depositam a esperança de, no final, passar pela emoção de comemorar o “título”. No que diz respeito ao nosso Sporting, começou bem. Diria até que teve verdadeiras entradas de leão. Espero e desejo que, como na época anterior, não tenha saídas de sendeiro, como diz o ditado. E para que isso aconteça é preciso que mais que as técnicas e as tácticas em cada jogo, haja moderação e inteligência da parte de quem dirige, isto é, que não se critique quando se deve incentivar, que se fale para dentro e não para fora, como tem sido habitual nos últimos tempos. Em suma, que “não se parta a palha a coices”, logo ao primeiro desaire. A crítica emocional, o disparate ridículo, admite-se ao adepto comum, desde que feito no recesso do seu lar, no café, ou até nas redes sociais. A quem tem responsabilidades exige-se bom senso.

 

Sem querer ter a estultícia de dar lições de análise futebolística, parece-me, pelo que observei até agora, que temos uma equipa mais equilibrada e até mais dinâmica. Os reforços, de uma forma genérica, e sem entrar em apreciações individuais, acrescentaram mais-valia. Contudo, ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas. Além disso, nunca devemos esquecer que não jogamos sozinhos. Os nossos adversários directos também têm o seu valor. O campeonato é longo e sujeito a muitos imponderáveis: lesões, castigos, erros de arbitragem, entre outros factores objectivos e subjectivos. O futebol joga-se principalmente dentro das quatro linhas, mas também fora delas.

 

Os nossos dirigentes têm que saber ter uma postura institucional que lhes tem faltado. Têm que despir o fato do adepto comum, e reagir de forma racional nas suas atitudes, pautando o seu comportamento pela sensatez. Uma equipa começa no topo da hierarquia e acaba no mais modesto funcionário. Todos a remar para o mesmo lado. Não há êxito sem união, sem trabalho, sem modéstia. Dizer antes da partida que já ganhámos, como o ouvi do presidente, com alguma arrogância é um mau começo. Arrasar um elemento da equipa, jogador, treinador, por exemplo, quando algo corre mal pode ser (erradamente) atitude de treinador de bancada, mas nunca pode ser função de quem desempenha qualquer papel directivo. E já vi muito disso no passado próximo.

 

Se queremos ter saídas de leão temos que ter a humildade de aprender com os erros. Falar quando necessário usando a palavra com parcimónia. A palavra mal usada tem efeito boomerang. Concentrarmo-nos mais no nosso objectivo e menos no que se passa na casa dos outros. Para ser campeão não chegam desejos e muito menos bazófia. As lições do passado recente devem servir para mudarmos o que está errado. E parafraseando um deputado da velha República “só os burros não mudam”. Apesar da minha posição crítica em relação à Direcção, quero acreditar que temos dirigentes inteligentes. Para bem do Sporting.

 

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publicado às 11:00

Penso logo existo

Naçao Valente, em 30.05.17

 

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Na sua coluna semanal, Bilhar Grande, no Record, Alberto do Rosário, comentador de tendência leonina, escreve sobre o sonho concretizado de Bruno de Carvalho, de ser presidente do Sporting. Depois de descrever as razões do seu fracasso, do ponto de vista desportivo, conclui que chegou a hora de obrigar o presidente a pensar. Ora o pensamento estruturado é uma característica do ser humano, desenvolvido ao longo de milénios, e que levou Descartes a concluir que se o homem pensa é porque existe.


O pensamento sendo também um acto colectivo é sobretudo um acto individual. Assim sendo, que me perdoe Alberto do Rosário, ninguém pode ser obrigado a pensar se não o quiser ou não o souber fazer  Com efeito, Bruno de Carvalho, por palavras e actos praticados, parece não querer, ou não saber pensar. As suas acções são muitas vezes repentinas, sem ponderação, e sem medir consequências. Por ordem cronológica, recordo as acusações feitas à equipa de futebol, de forma recorrente, desde os três a zero de Guimarães aos três a um do Rio Ave. Recordo a acusação sem provas a presidentes seus antecessores. Recordo, mais recentemente, a decisão de fazer regressar jogadores emprestados ao Vitória de Setúbal, depois de um resultado desfavorável com este clube. Recordo, a cereja em cima do bolo, o seu último Facebook . Este tipo de exemplos podem ser multiplicados, se abrirmos o baú de declarações e medidas deprimentes, ao longo do seu mandato.


A forma de agir repentista e instintiva de Bruno de Carvalho, não o beneficia, e prejudica a instituição que dirige. Que vantagens tirou a colectividade desta forma de agir antes de pensar? Acrescenta Rosário que o presidente pode estar por um fio, e portanto ,antes que caia, tem que começar a pensar, nem que seja obrigado. Bem, das duas uma, ou é ser pensante e pensa, ou não é ser pensante e não pensa. Se pensasse já teria percebido, por exemplo, que não pode ser o novo Pinto da Costa do Sporting, como parecia ser o seu sonho e por três ordens de razões: primeiro porque a época gloriosa do Sporting é anterior à sua chegada; segundo porque ao contrário de Pinto da Costa ainda não ganhou nada, terceiro porque os sportinguistas não são dados a seguir caudilhos. E quem o diz não sou eu, mas um dos seus apoiantes indefectíveis, também com coluna no Record, que se chama Daniel de Oliveira.

 

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Na mesma linha de Alberto do Rosário, Daniel de Oliveira conclui que faz falta uma chuva de humildade em Alvalade onde não há presidentes ou treinadores insubstituíveis. Depois da saída de Vicente Moura parece que alguma coisa começa a tremer nos alicerces do brunismo. E se ainda há uma tentativa de ir tapando brechas, pedindo modéstia, reflexão e moderação, talvez mais cedo que tarde os sustentáculos da aventura brunista comecem a cair na realidade. Bruno de Carvalho teve quatro anos para aprender a pensar, mas talvez isso não seja a principal característica da sua natureza.

 

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publicado às 14:30

Morder a mão que dá o comer

Naçao Valente, em 19.05.17

 

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Bruno Azevedo de Carvalho não para de me surpreender. Já me tinha habituado às suas diatribes contra os que o criticavam; antigos presidentes, sócios contestatários, a nível interno, ou adversários a nível externo. São inúmeras as guerras que comprou e não pagou; com funcionários do clube, com agentes desportivos, com instituições. Da sua trincheira nas redes sociais partiram os ataques mais virulentos. Todos pasmamos com a descabelada crítica pública no Facebook, à equipa que acabara de perder um jogo em Guimarães. O mais preocupante é que este comportamento tornou-se recorrente, com reflexos negativos na moralização do balneário, e nos resultados, como aconteceu durante esta época. Mas o conteúdo da última comunicação nem lembra ao diabo.


Quando há dias surgiu a notícia que ia deixar de comunicar pelo Facebook, estive tentado a acreditar, embora com reservas, dada a personalidade narcisista do presidente. Como justificação apresenta a interferência na sua vida pessoal. Mas quem mistura a sua privacidade com a actividade da colectividade não é o próprio Bruno?

 

Ao ler, porém, o extenso comunicado justificativo perdi todas as ilusões. Não há ali qualquer intenção de moderar o verbo, antes pelo contrário. O que lá está é mais do mesmo, um sacudir a água do capote das responsabilidades. Com excepção da sua pessoa nada escapa ao crivo da sua crítica. A novidade é que desta vez nem os seus colaboradores directos e os seus acólitos escapam à sua verborreia. A culpa estende-se aos técnicos, às modalidades e pasme-se, aos próprios adeptos que ousam apoiar os “meninos” que recusam crescer. O homem contra o mundo. O curioso é que não vi ainda nenhuma manifestação de repúdio por parte dos 86 por cento que lhe deram a reeleição. A surpresa estende-se, portanto, à apatia de quem o sustenta no poder.


Ultrapassada a reeleição, Bruno de Carvalho parece fazer jus ao ditado que diz que “morde a mão que lhe dá de comer”. Fazendo inversão do ónus do poder, não compreende ou não quer compreender, que a soberania do clube a que preside, pertence aos seus associados, e que o lugar que ocupa é transitório. Considera, cada vez mais, o Sporting como uma coutada sua. Veja-se o infeliz mudança da gala de aniversário para coincidir com o seu casamento, o que não deixa de ser um acto de abuso de poder. Noutras circunstâncias já vi ilustres sportinguistas iniciar um processo de destituição de um presidente. Por onde andarão?

 

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publicado às 15:00

Eminências pardas

Naçao Valente, em 16.05.17

 

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Costuma designar-se como eminência  quem “manobra atrás da cortina”. A expressão foi atribuída ao frade conselheiro do cardeal Richelieu, pela influência, que na sombra exercia sobre ele. Em certo sentido, o Cardeal pelo poder que detinha na governação, durante o reinado do rei Luís XIII, também pode encaixar-se na designação.


Eminências pardas sempre existiram e sempre continuarão a existir quer na política, quer em outras áreas. O Sporting, para o bem ou para o mal, parece também ter a sua Eminência. E tudo indica que se chama Ricciardi. Só não vê quem não quer que este consócio exerce uma grande influência na vida do clube, mexendo os cordelinhos, nos bastidores, onde seguramente se encontra mais resguardado das contigências da ribalta. Se algo correr mal está não é da sua responsabilidade.


É provável que por detrás da propalada reestruturação financeira de Bruno de Carvalho, esteja a mão escondida de Ricciardi. Atrevo-me a dizer até, com as devidas reservas, que sem ele a elogiada reestruturação não teria sido possível. O papel de 'Eminência' que já exercia na banca, nunca se expondo, garantiu a Bruno de Carvalho colher os louros da dita “salvação do Sporting”, assumindo os riscos que Ricciardi não assume.


Na minha leitura destes quatro anos de mandato, a direcção exerceu, em certa medida, a função de testa de ferro do verdadeiro poder. Bruno de Carvalho, não passará, nesta perspectiva, de um empregado, com larga autonomia na gestão do futebol. Função que que se encaixa bem no seu perfil e na sua ambição de criança: de adepto a presidente que nunca soube ser,  conseguindo visibilidade mediática e garantindo a sua subsistência. Por outras vias, o viscondato, ou "croquetes" na gíria popular, continua.


De quando em vez, Ricciardi aparece à luz do dia para pôr ordem no “barraco”, como aconteceu recentemente ao interferir no “caso” Jorge Jesus ou um pouco antes no apoio à recandidatura de Bruno de Carvalho. E estou convicto que a contratação de Jesus e a sua manutenção a alto custo, teve e têm o beneplácito de “Sua Eminência”.


Até agora o presidente aparenta ter o apoio do homem da finança “que mexe os cordelinhos”. Mas se a política desportiva se mantiver, como tem estado, sem um rumo coerente e se os desaires se acumularem, não me admiraria que o poder oculto tirasse o tapete a Bruno de Carvalho. Por isso, a sua sobrevivência está dependente como pão para a boca, de títulos já. E se não os conseguir só se pode queixar de si próprio. Não lhe faltaram oportunidades perdidas. Escolheu mal os seus mosqueteiros. À competência preferiu “yes-men”. As últimas opções mostram algum desespero.

 

Que margem de manobra lhe resta?

 

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publicado às 11:00

"25 de Abril no futebol, já !"

Naçao Valente, em 26.04.17

 

Há quarenta e três anos um golpe militar derrubou o regime ditatorial e abriu as portas para a instauração de uma democracia parlamentar. Processo difícil e complexo, que acabou com a vitória definitiva da liberdade ,sobre os que queriam impor uma nova ditadura com outros contornos ideológicos.

 

Este processo de democratização ainda não chegou porém ao mundo do futebol. As suas estruturas desportivas continuaram cristalizadas e à margem do que aconteceu na sociedade. Quer a nível das instituições que superintendem o futebol profissional, quer ao nível do governo dos clubes, as mudanças foram poucas e superficiais. Por norma os dirigentes continuaram a perpetuar-se no poder, mantendo-o como um feudo imune à evolução que se deu à sua volta.

 

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Quarenta e três anos depois existe no sub-mundo do futebol esta realidade. Um presidente que tomado o poder, criou uma rede de influências que lhe permitiram a perpetuação no lugar. E apesar da imitação de democracia que transmite para o exterior, a verdade é que o senhor Pinto da Costa , tem sido o dono absoluto do Futebol clube do Porto. Um outro presidente ,vindo das catacumbas do oportunismo, ocupou a presidência do SLB, onde foi construindo a sua teia de interesses, com o intuito de se eternizar na sua presidência. Passados quinze anos tem o objectivo, praticamente, conseguido. O Sporting Clube de Portugal está nesta altura refém da mesma estratégia oportunista. O senhor Bruno de Carvalho chegou à presidência com o mesmo projecto dos seus homólogos: ser presidente ad eternum.


De certo que há diferenças entre estas três personagens. Diferenças geracionais, diferenças de personalidade. Mas todos têm uma coisa em comum, servirem-se dos clubes, em vez de os servirem. Para isso, todos e quaisquer meios justificam os fins. Uns podem ser mais diplomáticos, outros mais polidos, quiçá mais hipócritas, outros mais sanguíneos, contudo são na sua essência, portadores de projectos de poder pessoal que não casa com a democracia.


Quarenta e três anos depois se é verdade que a sociedade, sendo imperfeita, evoluiu, o mesmo não se passou no mundo do futebol. Arrisco dizer que está pior. A luta pela hegemonia não respeita regras, vale tudo. A rivalidade transfere-se dos relvados para a comunicação social e desta para a rua. Espécie de tropas pretorianas digladiam-se e matam-se. Os generais nos seus labirintos, cada um à sua maneira, vão pondo mais lenha na fogueira. Os poderes institucionais continuam impávidos. Até quando?


O futebol precisa de um vinte e cinco de Abril. As leis que permitem a perpetuação eterna do dirigismo oportunista têm de ser mudadas. Porque raio os políticos estão sujeitos e bem, a mandatos limitados, e porque razão isso não acontece no sub-mundo do futebol? Sem regras verdadeiramente democráticas não há democracia no desporto. Disse, John Emerich Edward Dalberg-Acton, que todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe completamente. E aqui é preciso clarificar que não existe apenas a corrupção clássica, mas aquela que permite a alguém, tornar-se dono do que não lhe pertence.

 

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publicado às 04:06

Não matem o futebol !

Naçao Valente, em 22.04.17

 

Em dia de derby quatro palavras apenas: não matem o futebol. Apesar das peripécias próprias do calor do jogo que este decorra com correcção e lealdade, dentro de uma sã rivalidade. Que os adeptos vibrem com o espectáculo e apreciem os artistas. Torcendo para que a vitória pertença ao meu clube, que vença o melhor no contexto do jogo jogado.

 

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Disse o velho senador do futebol, Manuel José, que hoje não existe rivalidade mas ódio. De facto vivemos tempo de retrocesso civilizacional nas nossas sociedades. A solidariedade foi substituída pela xenofobia, e pelo despertar de demónios que julgávamos extintos. O futebol não está imune a esta reversão de valores.


Como tenho escrito, e não sou o único, os actuais dirigentes desportivos têm contribuído para o crescimento desta situação. Com a sua atitude fundamentalista, estão a transformar os clubes em guetos de cariz religioso. As suas prédicas constantes apelam à “guerra santa”, à cruzada contra os "infiéis". É certo que forem eleitos pelos adeptos e com base nisso requerem total  impunidade. Também muitos ditadores o foram com consequências trágicas para a humanidade.

 

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O problema é que as massas anónimas são presas fáceis da demagogia e do populismo em períodos de grande descontentamento e desespero. É assim que “vales azevedos” chegam impantes ao poder. O mais grave é que as massas não aprendem nada com a história. O clima de ódio instalado entre clubes, está a matar o futebol. Acordem enquanto é tempo!

 

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publicado às 15:00

Bom senso e bom gosto

Naçao Valente, em 21.04.17

Que as claques são escolas de maus costumes, todos sabemos. Que as claques servem de guardas pretorianas ao serviço de jogos de poder, é uma evidência. Que as claques promovem o ódio, é inegável. Que as claques não sejam exemplos de bom senso, pela sua natureza, compreende-se. Agora que sejam os dirigentes os focos principais dos comportamentos condenáveis é de lamentar.

 

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O presidente Bruno de Carvalho, declarou durante a campanha eleitoral para a Direcção do Sporting, que ia ser mais comedido. Palavras sem significado como se comprova pelas suas últimas afirmações. Enquanto o presidente fez o trabalho que lhe compete e se remeteu ao silêncio senti-me bastante aliviado e até pensei, é desta que o homem toma senso. Sol de pouca dura. Não consegue fujir à sua natureza. E assim que abre a boca sai disparate. Utilizar, por exemplo, a pedofilia, uma prática criminosa grave, e associada a indivíduos com perturbações mentais, como termo de comparação com a chamada “cartilha” não revela apenas falta de bom senso, mostra muito mau gosto. O que é mais preocupante é que o uso destas formulações é recorrente. Lembram-se termos como “belfodil” ou “as duas nádegas”., para se questionar se isto não estará relacionado com traumas de âmbito sexual.


Pouco me interessa que o cidadão Bruno de Carvalho, use ou abuse deste tipo de expressões, o que me envergonha é que o presidente do clube de que sou adepto há mais de sessenta anos, o faça na sua qualidade de dirigente máximo. Talvez seja urgente fazer formação intensiva de "bom senso e de bom gosto", para este e outros presidentes, com a certeza, porém, que só aprende quem está receptivo à aprendizagem.


PS: A pressão da opinião pública, expressa na comunicação social a propósito da irracionalidade das claques, demonstrada na ausência de humanismo (falta de respeito pela vida humana) levou alguns dirigentes a fazerem uma espécie de “mea culpa”. O presidente do meu clube também o fez, cavalgando a mesma onda. Merecem elogios, mas não sei porquê, parece-me hipocrisia.

 

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publicado às 17:22

Cartilha Paternal

Naçao Valente, em 13.04.17

 

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Em 1876 o pedagogo João de Deus publicou a Cartilha Maternal, como método de ensino para aprender o “aeiou”. Bem recebida pelos professores, acabou por ser adoptada pelo governo para o ensino público.

 

Mais de cem anos depois , outro “pedagogo” chamado Carlos Janela, inventou a notória Cartilha Paternal, não para ensinar analfabetos reais, mas sim para ensinar o bem ou o mal dizer a analfabetos funcionais. Na realidade, está mais próxima de um catecismo do que a cartilha verdadeira de João de Deus. É dirigida a “tele-evangelistas" com o intuito de catequizarem os seus fiéis seguidores. Embora seja especificamente dirigida a catecúmenos do clube da “Luz” é , no entanto, um tratado de escuridão. Em vez de iluminar, de abrir os espíritos, tem como função mantê-los pouco reactivos.


Mas esta cartilha é um pouco como a pescada, antes de ser já o era. Está na cara que esta forma de manter o “rebanho” unido e controlado é uma prática que já tem barbas, quase tão velha como a presença de “evangelistas” nos programas televisivos, que se têm vindo a multiplicar como cogumelos, invadindo as nossas casas diariamente. E não se pense que são exclusivo do clube que equipa de encarnado, pois é transversal a todos os “grandes” que têm assento garantido no horário nobre das tê-vês. Quem não se lembra de ver Bruno de Carvalho perorar sobre os 'vouchers' do rival de Lisboa, descendo ao nível dos “evangelistas” adversários. Quem não se lembra, mais recentemente, de ver o mesmo Bruno, numa entrevista, assessorado por três "pastorinhos" e um "capelão", a debitar uma cartilha preparada, entre todos. E não será a divulgação da cartilha benfiquista, no Porto canal, um remake anunciado, da Cartilha Paternal do Norte?


Portanto, cartilhas há para todos os gostos e em várias versões. Enquanto para uns são trabalho de “clero” contratado, para outros são função do próprio “criador”. O objectivo é sempre o mesmo, manter presente a autoridade do “pai”. Não vejo, porém, nas cartilhas, qualquer crime de lesa-pátria. Disponibilizar informação é legítimo. Cabe a quem a utiliza ser “papagaio” ou ter distanciamento crítico. Na mesma linha é função de cada “igreja” manter unidos os seus membros. Acho mais escandaloso fazer disto um caso mediático, a fim de gerar mais e mais horas de debate com o passar dos dias. E penso que acontece em benefício da comunicação social e das suas audiências, mas não nasce de geração espontânea, é fomentada e alimentada pelo mau dirigismo que tomou conta dos clubes. E mesmo que me puxem as orelhas por meter nisto o presidente do meu clube, faço-o por imperativo de consciência.

 

Com efeito, se o tempo não perdoa e o “cartilheiro”do Norte , não tem o mesmo sangue na guelra, mas ainda mexe cordelinhos, e se o menos velho do Sul seguiu o mesmo guião a ponto de um comentador leonino ter dito “que aprendia muito depressa”, já o mais novo nunca conseguiu fazer a diferença para melhor. Revelou-se mais do mesmo, seguindo a velha cartilha com mais impetuosidade. O que receio é que o campeonato real do pontapé na bola, das estratégias, das tácticas, dos artistas, do espectáculo, seja cada vez mais substituído pelo jogo de faz de contas da comunicação social. Costuma dizer-se "com o mal dos outros, posso eu bem". O que deixo para reflexão é se é esta cartilha que os adeptos sportinguistas querem para o nosso Clube.

 

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publicado às 11:30

Liberdades, mordaças e trapaças

Naçao Valente, em 11.04.17

 

O senhor tenente-Coronel, na reserva, Vasco Lourenço, um militar de Abril ligado à instauração da democracia, e que prezo, mas uma espécie de cristão-novo, convertido ao brunismo, tem vindo a escrever no jornal Record textos laudatórios sobre o presidente Bruno de Carvalho. Defende o senhor tenente-coronel, a propósito de levantamento de novo processo disciplinar ao presidente do Sporting, que lhe está a ser coarctada a sua liberdade de expressão. Discordo, com todo o respeito, da sua posição.

 

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O senhor tenente-coronel, sabe, ou se não sabe interrogo-me sobre a sua coerência, que não existe liberdade absoluta, incluindo a liberdade de expressão. Esta é sempre relativa e condicionada, até pela consciência de cada um. Apresento alguns exemplos de áreas onde existe condicionamento na livre expressão. No ensino, um professor se chamar burro a um aluno, mesmo com razão, sujeita-se a apanhar processo disciplinar; na justiça existem normas que não permitem aos intervenientes pronunciar-se sobre processos; no sector militar, onde o senhor tenente-coronel exerceu altas responsabilidades, existem matérias sigilosas sobre as quais existe proibição sançonatória. Outros exemplos poderia referir, mas estes são mais do que suficientes para concluir que em determinadas funções existem condicionantes devidamente regulamentadas, ou seja não vivemos no reino do cada qual dizer o que lhe dá real gana.

 

Invocar a Constituição portuguesa, em lei geral, ignorando as leis sectoriais, para justificar a verborreia do presidente, a quem se converteu, revela alguma ignorância, se não for mesmo má fé. Bruno de Carvalho não tem nenhuma mordaça. Está, enquanto cidadão, na posse de todos os seus direitos constitucionais. Pode falar livremente de política, de cultura, de economia, de finanças, de desporto. Não pode é, enquanto presidente de uma instituição desportiva, inserida numa estrutura própria, desrespeitar as normas em vigor, justas ou injustas, certas ou erradas. Ele e todos aqueles que actuam no âmbito dessas instâncias. Até podemos admitir que certas normas precisam de ser revistas, mas sejam elas quais forem imporão sempre restrições e sanções.


O senhor tenente-coronel tem com certeza guerras importantes para travar. A bem do seu prestígio e da sua coerência não tem necessidade de se meter em guerras de alecrim e manjerona. Pior, não tem que defender um estatuto especial para o um homem que apoia, colocando-o acima dos regulamentos existentes. Isso sim é um acto de privilégio que fere a própria liberdade de expressão. Não lhe fica bem defender o indefensável. E não fora a imagem de idoneidade que tenho do senhor tenente-coronel, seria tentado a pensar que obedece a uma cartilha encomendada.

 

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publicado às 11:06

A Inaudita Guerra da Segunda Circular

Naçao Valente, em 08.04.17

 

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O escritor Mário Carvalho escreveu uma história intitulada a "A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho", onde um grupo de berberes do século XII, montados nos seus cavalos, invadiam a dita avenida, depois da musa da história enlear dois fios de tempos distintos. Quando o exército português chega ao local, desvanece-se o passado, e este fica sem saber o que faz ali. Com a habitual qualidade literária é , em certo sentido, uma narrativa do absurdo. Esta narrativa veio-me à memória a propósito do clima de guerrilha quase diária que se estabeleceu entre os dois clubes da Segunda Circular. São muitas as semelhanças, começando pela sua absurdidade e terminando na sua inutilidade.


É certo que a rivalidade entre os dois clubes já vem de longe, do tempo em que a Segunda Circular ainda nem era uma miragem. É certo que sempre houve episódios de guerrilha, muitas vezes por motivo de contratações, mas sempre pontuais e transitórios. A natural rivalidade concentrava-se, sobretudo, como deve ser, dentro das quatro linhas. Esta guerra arcaica do século XXI, com palco na comunicação social, transformou-se na principal razão de existir da vida dos dois clubes. São queixas, queixinhas, insinuações, insultos, golpes baixos. Vale tudo. Mobilizam-se os adeptos para uma espécie de cruzada contra os infiéis, inimigos figadais que é preciso destruir. É a repescagem do que de pior têm as religiões. O ódio, a intolerância, o fundamentalismo.

 

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A explicação para esta guerra contínua, inútil e degradante, encontramo-la na qualidade das lideranças. Quer de um lado, quer de outro, do rio de alcatrão que os divide ,estão dirigentes de baixa qualidade. De facto, o dirigismo desportivo nunca esteve tão no fundo como actualmente. Os generais que ocupam a presidência dos dois centenários clubes, não passam de sargentos de má qualidade, arvorados em oficiais de estrelas de latão. Sem a devida formação cívica, formados à pressa na escola das claques ou na tarimba  de pequenos clubes, são presidentes sem classe, sem preparação e algumas vezes sem carácter. Fazem da guerra um modo de vida, um objectivo permanente, procurando, por essa via, manter as 'tropas' unidas. É uma perigosa união assente na irracionalidade das massas, apelando aos seus instintos mais primários. A violência gratuita ,já visível a olho nu, é o caminho desta deriva guerreira.


Os presidentes/caudilhos nascem ,vivem e alimentam-se da guerra. Precisam dela para subsistir, como de pão para a boca. Têm os 'soldados' presos ao seu magnetismo. E mesmo quando o ataque atinge as raias do ridículo, como aquando das últimas queixinhas do general do lado Norte ,todos o seguem cegamente. Em abono da verdade, situações idênticas também acontecem do lado Sul. Destas guerras inauditas ninguém tirará qualquer proveito palpável. Nem o desporto, nem o futebol. Perdem todos. Perdem principalmente as duas grandes instituições arrastadas para este lamaçal por aventureiros oportunistas.

 

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publicado às 05:31

"Vão bardamerda mais o fascista"

Naçao Valente, em 07.03.17

 

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A história, hoje pouco conhecida, por quem não acompanhou os tempos revolucionários de 1975, conta-se em poucas palavras. O Almirante Pinheiro de Azevedo que tinha sido nomeado primeiro-ministro, pela facção mais moderada dos militares, para substituir Vasco Gonçalves, viu a sua residência oficial cercada por uma manifestação de trabalhadores da construção civil. Com a força que receberam da extrema-esquerda aproveitaram para contestar o primeiro-ministro, que os procurou desmobilizar, falando-lhe da varanda do palácio de S. Bento. Por mais explicações que desse, Pinheiro de Azevedo, apenas recebia epítetos de fascista. A dada altura,perdeu a paciência e em desespero,respondeu aos insultos, e disse a frase que ficou para a história: “Vão bardamerda mais o fascista”.


A expressão, inserida somente naquele contexto de revolucionarismo extremo, e levada à letra, significa que o Almirante Pinheiro de Azevedo mandou bardamerda apenas aqueles manifestantes, incluindo-se a si próprio quando afirmou "vão…mais o fascista". Ora de acordo com os slogans dos trabalhadores presentes, e o fascista era o próprio primeiro-ministro.

 

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Bruno Azevedo de Carvalho, recuperou a histórica frase do seu tio-avô, distorceu-a e aplicou-a num contexto completamente diferente e por isso desenquadrada do evento a que presidia. Tinha acabado de vencer, com grande margem, as eleições para os órgãos do Sporting. Não estava rodeado por gente hostil, mas por um grupo de de devotos em êxtase.  Deu à expressão um novo significado aplicando-a a todos aqueles que não são sportinguistas. Pelas minhas contas em Portugal serão, grosso modo, cerca de sete milhões, que são de outros clubes ou que não apoiam clube nenhum. No resto do mundo, são biliões incluindo os que nem sabem da existência do Sporting e muito menos de este outro Azevedo (de Carvalho). Não digam que o homem não é ambicioso. Não digam que não ganha nada, nem bate recordes. Para já, e numa única frase, conseguiu “bardamerdar” todo o mundo, com exclusão dos sportinguistas. E digam lá que não merece estar no livro dos recordes, pela falta de nível, pela malcriadez, pela falta de classe.


Hoje sinto-me feliz e privilegiado por ter nascido sportinguista. Se assim não fosse, também estaria na lista malcheirosa deste ungido do destino, deste ser que se dá ao desplante de criar um mundo, o seu, de povo eleito e de considerar todos os outros como gentios sem alma.


Não sei se o seu tio-avô, designado como almirante sem medo, nas lutas políticas do período revolucionário, se reveria neste sobrinho-neto, que nem na vitória sabe ser digno, já que humildade é palavra que de certo desconhece. E não sei se gostaria de ver a sua figura de combatente da liberdade, envolvida numa eleição de uma qualquer colectividade, por mais importante que seja.


Diz o ditado “que cada um é para o que nasce”. Este homem, Azevedo de Carvalho, nasceu para viver no mundo de “bardamerdices”. É pena que envolva nisso a centenária instituição Sporting Clube de Portugal. É pena que e criticável que os sportinguistas se deixem envolver neste lamaçal e gostem. É pena que se revejam nesta deriva de mau gosto e aplaudam. Está tudo louco? Vem aí mais do mesmo.

 

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publicado às 11:00

Eleições no Sporting. Que democracia ?

Naçao Valente, em 01.03.17

 

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O sistema eleitoral existente nalgumas grandes colectividades é passível de uma séria reflexão. Dir-me-ão que este não é o momento mais oportuno, por haver eleições no Sporting Clube de Portugal. Com todo o respeito por essas eventuais opiniões, parece-me, pelo contrário, e pela mesma razão, que é um momento adequado.


Numa breve explicação genérica, recordo que o sistema liberal, teve o seu arranque na Europa com a Revolução Francesa. E o que despoletou, para além de outras causas, os acontecimentos que deram inicio à revolução, foi a questão do voto nos Estados Gerais. O voto neste órgão da monarquia era por grupo social. Deste modo, o Terceiro Estado (povo) representando mais de noventa por cento da população, tinha um voto, e os outros grupos minoritários , Clero e Nobreza dois votos. Esta situação, levou o Terceiro Estado a separar-se, e a constituir a sua própria Assembleia. Passou mais de um século até chegarmos ao voto universal, independentemente  de sexo, religião, instrução, estatuto social e apenas limitado pela “menoridade”.


O Sporting vai no dia 4 a votos para a sua Direcção. De acordo com os Estatutos, há uma desigualdade na distribuição do voto pelos eleitores. Há quem tenha direito a colocar na urna vários votos e quem só possa colocar um. Podem dizer-me que a situação é legal. Não digo que não. Mas o facto de ser legal, não significa que seja democrática. A forma de eleger dirigentes no Sporting e noutros grandes clubes, não corresponde à assunção de uma democracia plena. É um sistema de voto privilegiado, e salvaguardadas todas as diferenças, como acontecia, na sociedade, antes das revoluções liberais.


A democracia nos clubes não acompanhou a evolução da democracia nas sociedades. Embora o sistema, um homem um voto, se aplique na grande maioria das colectividades, sobretudo nas mais pequenas, nalgumas, nas quais se inclui o Sporting, esse desiderato democrático continua ausente. Entram presidentes, saem presidentes, o sistema subsiste. Perdoem-me a classificação mas este sistema é uma aberração. Não há qualquer explicação que o justifique. Por que razão um sócio mais velho tem mais direitos que um mais novo?


No caso concreto das eleições a decorrer, não sei quem poderá ou não beneficiar deste sistema. Seja quem for, é sempre uma distorção de uma eleição verdadeiramente democrática. Possivelmente, esta reflexão não será acompanhada por muitos sócios e nem chegará ao conhecimento das altas instâncias decisórias. No entanto, algumas vezes, basta uma pequena fagulha para incendiar a pradaria. Oxalá esta abordagem sirva para lançar o debate de um problema de elementar justiça na igualdade entre cidadãos.


Outra questão que merece ser revista é a da localização das Assembleia(s) de voto. Se num clube de âmbito local se justifica que exista apenas um Assembleia, na sede, nos clubes de dimensão nacional, esse facto prejudica os eleitores afastados da sede nacional. Sem abordar razões de ordem técnica, interrogo-me porque razão não se colocam mesas de voto, pelo menos nas capitais de distrito, onde os grandes clubes têm núcleos organizados? Querer é poder. Isso daria aos associados residentes em locais distantes, a possibilidade de votar, acabando com a diferença, entre sócios de primeira e de segunda, tal como no voto privilegiado.

 

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publicado às 14:00

Debate entre candidatos: brechas na muralha

Naçao Valente, em 25.02.17

 

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A análise de qualquer aspecto da realidade é subjectiva. Está condicionada pela selecção dos factos, pela sua interpretação e pela subjectividade do analista, em função do seu posicionamento político e ideológico. Este caso concreto, o debate entre Pedro Madeira Rodrigues (lista A) e Bruno de Carvalho (lista B) insere-se na formulação enunciada. Por isso, as apreciações sobre o debate, estão subordinadas pelo juízo pré-determinado, que cada qual tem dos intervenientes. Não escondendo a minha predilecção por Madeira Rodrigues, procurarei, no entanto, usar a imparcialidade na avaliação da prestação dos candidatos, com a certeza que não conseguirei ser neutro.

 

Em sentido lato, a primeira leitura que faço do debate, é que os opositores eram portadores de um guião que pretendiam cumprir. Madeira Rodrigues, partindo de uma posição de desvantagem, pelo facto de ser menos conhecido no universo sportinguista, e por estar do lado de fora da fortaleza, ocupada pelo seu adversário, teve de utilizar uma estratégia de ataque constante, procurando centrar a sua investida nas zonas mais fracas da muralha. Daí que se concentrasse na questão do futebol profissional, o tema mais apetitoso para o adepto, e dele procurasse tirar vantagens, para enfraquecer Bruno de Carvalho. Focou os maus resultados desportivos, as contratações erradas, a equipa técnica tremendamente cara. Esta estratégia, colocou Bruno de Carvalho à defesa, procurando limitar os danos. Além disso, usou algumas armas inovadores, como a coordenação para o futebol. Espera-se agora a apresentação do seu treinador.


No guião de Bruno de Carvalho estava, à partida,  a defesa de uma posição privilegiada, sem arriscar, sem pôr um pé em falso. A ideia foi fazer-se de peixe morto para se poder manter à tona. Contrariando a sua própria natureza belicista, conteve a agressividade, escudou-se atrás da sua muralha, que o intruso queria ocupar. Refugiou-se na obra feita, na solidez do edifício, na construção de novas ameias. Acentuou o recurso a apoios mediáticos, muitos deles com ligações ao repudiado passado, com especial enfoque para Ricciardi, uma espécie de Rasputine do Sporting, cuja presença perpassou pelo debate. Salientou o pavilhão, a salvação da bancarrota, números e mais números, gráficos e mais gráficos, na minha opinião de reduzida eficácia.


Para cumprir o seu guião, o ainda presidente foi instruído para se focar nos aspectos positivos, para manter uma imagem de urbanidade, chegando a afirmar, que num próximo mandato se irá resguardar mais, leia-se ter uma actuação mais discreta, sem voltas olímpicas por exemplo. Nesta área, Madeira Rodrigues, porque não tem as mesmas armas, e porque é candidato fora da muralha, limitou-se a questionar os dados apresentados, não podendo, em concreto ir muito mais além. Apesar disso, ainda conseguiu causar algum embaraço com o assunto pavilhão, alegando que estará pago com o dinheiro da Doyen. Quanto aos investidores, Madeira Rodrigues, não pode concretizar, enquanto candidato, o que só a um presidente compete. Pode-se discordar do seu projecto ou da concretização de algumas propostas, porque elas existem.Para bom entendedor..


Em conclusão, os dois contendores foram cumprindo os guiões previamente estabelecidos. Pelo facto, foi um debate morno, com algumas picardias, pouco significativas. Pedro Madeira Rodrigues fez o que tinha que fazer e penso que conseguiu alguns ganhos. Manteve o adversário à defesa e abriu algumas brechas. Para aqueles que consideram a fortaleza inexpugnável, é talvez altura de começarem a ter alguma modéstia. Foi o único que teve a coragem de desafiar o poder instalado, depois de constatar que mais ninguém avançava, surpreendeu-me e surpreendeu os observadores. O seu principal problema é a escassez de tempo, mas creio que está a mostrar que tem uma nova visão para o clube,  fibra, competência e condições para assumir a sua presidência. Assim queiram os associados.

 

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publicado às 11:30

Liderar ou não liderar, eis a questão

Naçao Valente, em 16.02.17

 

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“O homem é naturalmente um animal político
Aristóteles


Política "a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo"
Nicolau Maquiavel, O Príncipe


“O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente
John Emerich Edward Dalberg-Acton


Ponto Prévio: A política como forma de exercício do poder é transversal a todas as áreas da sociedade. As lideranças estão presentes desde a mais alta magistratura até aos mais pequenos poderes. É assim pertinente trazer o assunto das lideranças ao debate, em período de eleições clubistas.


As chefias estão instaladas em todas as instâncias da sociedade. É através delas que se organiza uma cadeia de responsabilidades, que permitem estabelecer uma ordem, fundamental, que está suportada por regras e normas. No entanto, é preciso estabelecer uma destrinça entre chefiar e liderar. Exercer a chefia não significa que se saiba liderar. Como princípio, a chefia escuda-se no poder exercido de forma autoritária: “mando porque porque posso, mando porque tenho esse poder”. Ao invés a liderança orienta. Tem a consciência que o poder deve ser partilhado e a responsabilidade assumida em equipa.


O mundo do futebol, em termos organizativos, é um microcosmo que adapta a estrutura social. Nos clubes, o presidente, autoridade máxima, insere-se e dirige um órgão executivo, que se coordena com uma Assembleia Geral e um Conselho Fiscal. Hoje, há muitos clubes que replicam a democracia representativa, constituindo os seus órgãos através de eleições. Contudo, o exercício democrático é ainda muito imperfeito, começando pelo discutível sistema eleitoral, só por si susceptível de uma análise específica. No entanto, a situação minimiza-se quando em vez de um chefe, existe um líder.


O líder sabe à partida que que só pode prometer aquilo que tem a certeza que pode cumprir. Na política como no futebol. Não inventa para ganhar eleições apresentando, por exemplo na luta clubística, investidores que não existem, nem nunca existirão. O chefe mente, sabe que mente, e sabe que as pessoas preferem a mentira bem construída ou a meia verdade, a uma visão pragmática da realidade. Mais, o chefe mente e continua a mentir, mesmo depois de eleito, porque sabe manipular as diversas variantes da sua acção .O chefe sabe que há quem goste de ser enganado, porque é mais fácil viver na ilusão.


Outro aspecto onde o líder se destaca do chefe é na assunção das responsabilidades. Enquanto o primeiro assume os seus êxitos e os seus falhanços, o segundo sacode,sempre que pode, a água do capote. No caso concreto do futebol se as coisas correm bem , se os resultados são positivos, o mérito é seu, mas se os resultados são maus a culpa é dos outros. É capaz de criticar, e em situações extremas insultar, atletas e colaboradores. Em vez de incentivar atrapalha, complica, em vez de confiar, fiscaliza. O líder usa o plural na assunção do seu poder, diz nós em vez de eu, diz vai lá em vez de vai lá.


O líder, por natureza e formação, entende que o seu poder é limitado no contexto da actividade em que se insere. Com realismo, percebe que não pode moldar a realidade à sua imagem. Tem a consciência que existem estruturas complexas e imperfeitas, mas muito difíceis de mudar. Actua, racionalmente, dentro de uma lógica realista, dando passos pequenos mas seguros. O chefe montado no seu autoritarismo congénito, avança como D. Quixote, contra tudo e contra todos, inventa inimigos, decreta batalhas, e com vitórias de Pirro acaba sempre derrotado. Pior, acaba por complicar os caminhos para a vitória.


Como reflexão final ficam as seguintes questões: Ao longo da História temos ou não sido brindados com líderes e castigados por chefes? Temos, ou não, tido grandes estadistas que das cinzas construíram esperança, e chefes que emergindo de algum caos transitório geraram tragédias? Ainda hoje isso está, ou não, presente no nosso quotidiano? Sementes de ódio que alimentam massas sem memória, até do passado recente, estão, ou não, disponíveis para apoiarem falsos profetas? A culpa é, ou não, nossa, cidadãos, que continuamos a confundir o trigo com o joio? E que por essa fraqueza humana, sacrificamos, ou não, líderes e incensamos, ou não, os chefes.

 

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publicado às 12:00

Memória e gratidão: Liedson

Naçao Valente, em 11.02.17

 

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O futebol é hoje uma indústria que move e se move por milhões. O futebol romântico de amor à camisola é uma faceta do passado. Apenas persiste na Liga dos últimos e mais concretamente nos jogos de solteiros e casados. Ser artistas na arte do pontapé é sinónimo de sucesso imediato. Apenas amam um clube, o do cifrão, apenas adoram uma cor, a do dinheiro.
 
Outra coisa são os adeptos do chamado desporto rei. Não agem com a razão mas com o coração. Não procuram nas arenas, racionalidade mas emoção. Vibram exultam ou choram com o espectáculo. Amam os seus ídolos, tanto ou mais que a si mesmos. Uma vitória é mais excitante que um prozac. Uma derrota é mais deprimente que um desgosto de amor. É esta a magia do futebol, é esta a sua beleza.
 
Na vertigem do cheiro do metal sonante que inebria os gladiadores dos tempos modernos, ainda há quem consiga aliar à justa remuneração do seu trabalho, um pouco de dignidade moral, um pouco de fidelidade ao clube que o acolhe, aos adeptos que o idolatram. Há poucos, infelizmente, mas há. Liedson é um profissional da bola que se encaixa nesse perfil. Jogador acima da média chegou ao Sporting, discreto e desconhecido. Cedo mostrou elevada qualidade, alto profissionalismo. Com um ou outro arrufo natural, foi ficando e completou ao serviço do clube quase oito anos ininterruptos. Saiu para acabar a carreira no seu país. Saiu mostrando não só o seu valor técnico, mas uma faceta profundamente humana: a emoção. E por isso não será mais um atleta efémero, será o Atleta, de corpo e alma. 

 

P.S.: Regressado a Portugal para fazer uma "perninha" no rival do norte, Liedson ainda contribuiu, directamente, para tirar o campeonato ao nosso principal rival. Fraca consolação, mas deu-me gozo. 
 

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publicado às 12:00

Evolução na continuidade

Naçao Valente, em 10.02.17

 

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Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar, esteve na tribuna do velho estádio de Alvalade a assistir a um jogo de futebol. Tendo sido anunciado o seu nome recebeu uma estrondosa ovação. Era presidente João Rocha. Pouco depois, Marcelo foi deposto por um golpe militar. Não era homem de rupturas e apesar de tomar algumas medidas de cariz social, não tinha condições para fazer a transição para a democracia. Assumiu o seu mandato como evolução na continuidade , isto é, uma mudança sem ruptura com o passado. Missão impossível como se veio a verificar.


Quando Bruno de Carvalho venceu José Couceiro, um candidato com perfil para ser um bom presidente, assumiu-se como o homem da ruptura com o passado. Daí a sanha persecutória a anteriores Direcções, mas sem qualquer resultado palpável. O que interessava era passar a imagem de refundação do Sporting , liberto dos seus fantasmas, e finalmente conquistado pelas massas populares. Presidentes foram vilipendiados e insultados, denominados croquetes, para congregar, através dos impulsos emocionais, a massa adepta. Ao invés o Presidente revolucionário era incensado até ao absurdo. Num estilo basista senta-se no banco de suplentes, invectiva os adeptos, colhe os aplausos, dá voltas ao estádio, em suma atira os foguetes e apanha as canas. Numa coisa é especialista e teve sucesso: na aplicação do populismo.

 

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A realidade foi sendo escondida atrás do manto das aparências. O presidente nunca foi mais do que um testa de ferro dos interesses financeiros da Banca, muito em especial de JM Ricciardi (um croquete), interessada em garantir os seus empréstimos e receber os respectivos juros. A muito propagada tese da bancarrota também é muito contestável, pois não podiam os credores deixar cair o Sporting fosse quem fosse o Presidente. Portanto, a ruptura com o passado nunca passou de uma falácia. É preciso recordar, para que tem memória curta, que foi com o apoio das elites que Bruno chegou à Presidência. O que são Sampaio ou Barroso, na terminologia brunista, senão “croquetes”? Mas a aliança entre Bruno e as elites ainda está mais evidente nesta eleição. Basta ver a designada comissão de honra, uma espécie de albergue espanhol, onde pontuam, Dias Ferreira, Jorge Coelho (ex-ministro) Subtil de Sousa, Sousa Sintra entre muitos outros. Querem melhor evolução na continuidade?


Se me perguntarem se Pedro Madeira Rodrigues (PMR) é o candidato que esperava para se opor ao situacionismo, digo que não, com toda a frontalidade. Esperava que aparecesse uma figura mais carismática que conseguisse unir toda a oposição, e que criasse inquietação no universo brunista. Essa figura, por razões que a razão desconhece, não surgiu. Temos PMR, que teve a coragem e a ousadia de se disponibilizar para enfrentar o brunismo. Apresentou um programa eleitoral, tem uma equipa, tem currículo profissional, sportinguismo acima de qualquer suspeita. Nem sempre é politicamente correcto, como na decisão de dispensar o treinador, mas mostrou determinação. Vai à luta em condições muito desiguais. Enfrenta não só Bruno mas os lóbis que o apoiam e sustentam, o poder financeiro que o mantém à tona. Se nestas eleições há alguém que quer fazer ruptura com certo passado é PMR. Pode não ter capacidade demagógica para empolgar os adeptos, mas tem a honestidade e a competência de quem quer pôr o Sporting num caminho real de sustentabilidade. Merece uma oportunidade. Tanto mais que a gestão de Bruno, apesar do foguetório, falhou em muitos aspectos, visíveis e ocultos.

 

P.S. Não posso deixar de considerar as declarações de baixo nível do senhor(?) Subtil de Sousa como vergonhosas. Como pode atacar PMR, chamando-lhe Jota me me, pelas suas opções políticas. O que é que isso tem a ver com a sua candidatura. E Sousa Sintra de que se salienta no seu currículo o despedimento de Robson, que autoridade moral tem para atacar sem fundamento PMR, pessoa que seguramente nem conhece. Diz-me com quem andas...

 

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publicado às 03:45

"Obviamente demito-o"

Naçao Valente, em 03.02.17

 

 

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Em 1958, Salazar, para dar a ideia de uma imagem de democraticidade, marcou eleições presidenciais. O general Humberto Delgado resolveu concorrer contra o candidato do Regime. Tendo-lhe sido perguntado o que fazia com Salazar se fosse eleito respondeu: “obviamente demito-o”. Esta afirmação conseguiu congregar à sua volta toda a oposição, incluído o candidato comunista que desistiu em seu favor. Mas ao pronunciar tal frase, obrigou Salazar a assumir por palavras veladas e acções que nunca poderia ganhar as eleições, mesmo que as ganhasse. O enorme apoio popular à sua candidatura foi prontamente reprimido. Nas mesas de voto apenas havia boletins de voto do candidato oficial. Delgado teve de distribuir as dele de forma clandestina. A ousadia, a frontalidade pelo bem do país, acabou por lhe custar a vida.


Sem pretender fazer comparações com as actuais eleições no Sporting, que tudo leva a crer decorrerão de acordo com as regras democráticas, encontro algumas similitudes. A frase “obviamente demito-o” pode aplicar-se a Pedro Madeira Rodrigues (PMR) quando afirmou que demitiria o treinador, uma espécie de alter ego do presidente. Adeptos de Bruno, sempre fiéis ou convertidos, têm utilizado essa decisão, para atacarem Madeira Rodrigues. Mesmo compreendendo o contexto em que foi pronunciada, também considero que não foi politicamente correcta. E embora se aceite como princípio, não me parece que sirva para ganhar votos. Antes pelo contrário. Vai funcionar como um espinho cravado na sua candidatura.


A frontalidade de PMR em demitir o treinador Jorge Jesus (JJ), o assalariado mais bem pago de sempre no clube, que tomou o partido de um candidato, revela coragem, mas é pertinente saber como o pretende fazer, sem utilizar verbas do clube. Madeira Rodrigues tem dado a entender que JJ , ao apoiar publicamente o presidente, se demitirá no caso de este perder as eleições. Pelo que conheço do treinador, para utilizar uma formulação histórica,”pesetero”, este não prescindirá de um centavo a que tem , contratualmente, direito. 'Limpinho, limpinho'. Mas o maior responsável pela situação chama-se Bruno de Carvalho. Como pode um presidente que termina o seu mandato, em 2017, assinar um contrato com um treinador, seja ele quem for, para um período temporal que ultrapassa em vários anos a sua presidência? E mesmo que houvesse a certeza absoluta que ia continuar na presidência, não seria do mais elementar bom senso, não fazer contratos com indemnizações tão elevadas? Sabendo da precariedade das equipas técnicas, esse acto imprudente pode sair caro ao Sporting, mesmo com a actual Direcção. E os acusadores de PMR, não percebem que , neste aspecto, têm telhados de vidro?


De facto, nas criticas que nestas páginas são feitas a Madeira Rodrigues, pelos apoiantes da outra candidatura, apenas tenho visto atitudes de “bota abaixo”. O candidato que ousou apresentar-se como alternativa, só tem defeitos, nem uma única virtude. Como se fosse crime de lesa-pátria alguém candidatar-se contra um ungido dos céus, coisa que Bruno não é. Convém recordar que Bruno de Carvalho. com o beneplácito e apoio da presidência da Assembleia Geral , a dupla maravilha Barroso/Sampaio, não fez outra coisa que não fosse conspirar contra a presidência de Godinho Lopes, que caiu pelo golpismo, em função dos maus resultados desportivos, e não tanto pela má gestão financeira. Convém lembrar que Bruno sempre teve tiques de ditador, que conflictuou com tudo e com todos, que teve atitudes eticamente reprováveis, que rasgou contratos com atitudes de chico espertismo, que usou, nas suas funções institucionais, linguagem abaixo de carroceiro,(sem ofensa) que se apresenta como o refundador e salvador de uma instituição centenária.


Em suma, e para além do obviamente demito-o, como significado de princípios e valores, o que é substantivo é que durante os últimos quatro anos, não tivemos um presidente no Sporting. Tivemos um chefe de claque, que de vez em quando, se senta na cadeira da presidência. Por isso, o balanço geral, apesar de algumas medidas mais positivas, não é brilhante. Uma situação económica e financeira baseada numa engenharia de curto prazo, uma situação desportiva sem rumo, errática, sem estratégia consistente e sempre dependente dos humores do presidente .Se isto não é suficiente para mudar de Direcção, não sei o que será.

 

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publicado às 12:30

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