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Naçao Valente, em 30.05.17

 

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Na sua coluna semanal, Bilhar Grande, no Record, Alberto do Rosário, comentador de tendência leonina, escreve sobre o sonho concretizado de Bruno de Carvalho, de ser presidente do Sporting. Depois de descrever as razões do seu fracasso, do ponto de vista desportivo, conclui que chegou a hora de obrigar o presidente a pensar. Ora o pensamento estruturado é uma característica do ser humano, desenvolvido ao longo de milénios, e que levou Descartes a concluir que se o homem pensa é porque existe.


O pensamento sendo também um acto colectivo é sobretudo um acto individual. Assim sendo, que me perdoe Alberto do Rosário, ninguém pode ser obrigado a pensar se não o quiser ou não o souber fazer  Com efeito, Bruno de Carvalho, por palavras e actos praticados, parece não querer, ou não saber pensar. As suas acções são muitas vezes repentinas, sem ponderação, e sem medir consequências. Por ordem cronológica, recordo as acusações feitas à equipa de futebol, de forma recorrente, desde os três a zero de Guimarães aos três a um do Rio Ave. Recordo a acusação sem provas a presidentes seus antecessores. Recordo, mais recentemente, a decisão de fazer regressar jogadores emprestados ao Vitória de Setúbal, depois de um resultado desfavorável com este clube. Recordo, a cereja em cima do bolo, o seu último Facebook . Este tipo de exemplos podem ser multiplicados, se abrirmos o baú de declarações e medidas deprimentes, ao longo do seu mandato.


A forma de agir repentista e instintiva de Bruno de Carvalho, não o beneficia, e prejudica a instituição que dirige. Que vantagens tirou a colectividade desta forma de agir antes de pensar? Acrescenta Rosário que o presidente pode estar por um fio, e portanto ,antes que caia, tem que começar a pensar, nem que seja obrigado. Bem, das duas uma, ou é ser pensante e pensa, ou não é ser pensante e não pensa. Se pensasse já teria percebido, por exemplo, que não pode ser o novo Pinto da Costa do Sporting, como parecia ser o seu sonho e por três ordens de razões: primeiro porque a época gloriosa do Sporting é anterior à sua chegada; segundo porque ao contrário de Pinto da Costa ainda não ganhou nada, terceiro porque os sportinguistas não são dados a seguir caudilhos. E quem o diz não sou eu, mas um dos seus apoiantes indefectíveis, também com coluna no Record, que se chama Daniel de Oliveira.

 

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Na mesma linha de Alberto do Rosário, Daniel de Oliveira conclui que faz falta uma chuva de humildade em Alvalade onde não há presidentes ou treinadores insubstituíveis. Depois da saída de Vicente Moura parece que alguma coisa começa a tremer nos alicerces do brunismo. E se ainda há uma tentativa de ir tapando brechas, pedindo modéstia, reflexão e moderação, talvez mais cedo que tarde os sustentáculos da aventura brunista comecem a cair na realidade. Bruno de Carvalho teve quatro anos para aprender a pensar, mas talvez isso não seja a principal característica da sua natureza.

 

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publicado às 14:30

Morder a mão que dá o comer

Naçao Valente, em 19.05.17

 

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Bruno Azevedo de Carvalho não para de me surpreender. Já me tinha habituado às suas diatribes contra os que o criticavam; antigos presidentes, sócios contestatários, a nível interno, ou adversários a nível externo. São inúmeras as guerras que comprou e não pagou; com funcionários do clube, com agentes desportivos, com instituições. Da sua trincheira nas redes sociais partiram os ataques mais virulentos. Todos pasmamos com a descabelada crítica pública no Facebook, à equipa que acabara de perder um jogo em Guimarães. O mais preocupante é que este comportamento tornou-se recorrente, com reflexos negativos na moralização do balneário, e nos resultados, como aconteceu durante esta época. Mas o conteúdo da última comunicação nem lembra ao diabo.


Quando há dias surgiu a notícia que ia deixar de comunicar pelo Facebook, estive tentado a acreditar, embora com reservas, dada a personalidade narcisista do presidente. Como justificação apresenta a interferência na sua vida pessoal. Mas quem mistura a sua privacidade com a actividade da colectividade não é o próprio Bruno?

 

Ao ler, porém, o extenso comunicado justificativo perdi todas as ilusões. Não há ali qualquer intenção de moderar o verbo, antes pelo contrário. O que lá está é mais do mesmo, um sacudir a água do capote das responsabilidades. Com excepção da sua pessoa nada escapa ao crivo da sua crítica. A novidade é que desta vez nem os seus colaboradores directos e os seus acólitos escapam à sua verborreia. A culpa estende-se aos técnicos, às modalidades e pasme-se, aos próprios adeptos que ousam apoiar os “meninos” que recusam crescer. O homem contra o mundo. O curioso é que não vi ainda nenhuma manifestação de repúdio por parte dos 86 por cento que lhe deram a reeleição. A surpresa estende-se, portanto, à apatia de quem o sustenta no poder.


Ultrapassada a reeleição, Bruno de Carvalho parece fazer jus ao ditado que diz que “morde a mão que lhe dá de comer”. Fazendo inversão do ónus do poder, não compreende ou não quer compreender, que a soberania do clube a que preside, pertence aos seus associados, e que o lugar que ocupa é transitório. Considera, cada vez mais, o Sporting como uma coutada sua. Veja-se o infeliz mudança da gala de aniversário para coincidir com o seu casamento, o que não deixa de ser um acto de abuso de poder. Noutras circunstâncias já vi ilustres sportinguistas iniciar um processo de destituição de um presidente. Por onde andarão?

 

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publicado às 15:00

Eminências pardas

Naçao Valente, em 16.05.17

 

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Costuma designar-se como eminência  quem “manobra atrás da cortina”. A expressão foi atribuída ao frade conselheiro do cardeal Richelieu, pela influência, que na sombra exercia sobre ele. Em certo sentido, o Cardeal pelo poder que detinha na governação, durante o reinado do rei Luís XIII, também pode encaixar-se na designação.


Eminências pardas sempre existiram e sempre continuarão a existir quer na política, quer em outras áreas. O Sporting, para o bem ou para o mal, parece também ter a sua Eminência. E tudo indica que se chama Ricciardi. Só não vê quem não quer que este consócio exerce uma grande influência na vida do clube, mexendo os cordelinhos, nos bastidores, onde seguramente se encontra mais resguardado das contigências da ribalta. Se algo correr mal está não é da sua responsabilidade.


É provável que por detrás da propalada reestruturação financeira de Bruno de Carvalho, esteja a mão escondida de Ricciardi. Atrevo-me a dizer até, com as devidas reservas, que sem ele a elogiada reestruturação não teria sido possível. O papel de 'Eminência' que já exercia na banca, nunca se expondo, garantiu a Bruno de Carvalho colher os louros da dita “salvação do Sporting”, assumindo os riscos que Ricciardi não assume.


Na minha leitura destes quatro anos de mandato, a direcção exerceu, em certa medida, a função de testa de ferro do verdadeiro poder. Bruno de Carvalho, não passará, nesta perspectiva, de um empregado, com larga autonomia na gestão do futebol. Função que que se encaixa bem no seu perfil e na sua ambição de criança: de adepto a presidente que nunca soube ser,  conseguindo visibilidade mediática e garantindo a sua subsistência. Por outras vias, o viscondato, ou "croquetes" na gíria popular, continua.


De quando em vez, Ricciardi aparece à luz do dia para pôr ordem no “barraco”, como aconteceu recentemente ao interferir no “caso” Jorge Jesus ou um pouco antes no apoio à recandidatura de Bruno de Carvalho. E estou convicto que a contratação de Jesus e a sua manutenção a alto custo, teve e têm o beneplácito de “Sua Eminência”.


Até agora o presidente aparenta ter o apoio do homem da finança “que mexe os cordelinhos”. Mas se a política desportiva se mantiver, como tem estado, sem um rumo coerente e se os desaires se acumularem, não me admiraria que o poder oculto tirasse o tapete a Bruno de Carvalho. Por isso, a sua sobrevivência está dependente como pão para a boca, de títulos já. E se não os conseguir só se pode queixar de si próprio. Não lhe faltaram oportunidades perdidas. Escolheu mal os seus mosqueteiros. À competência preferiu “yes-men”. As últimas opções mostram algum desespero.

 

Que margem de manobra lhe resta?

 

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publicado às 11:00

"25 de Abril no futebol, já !"

Naçao Valente, em 26.04.17

 

Há quarenta e três anos um golpe militar derrubou o regime ditatorial e abriu as portas para a instauração de uma democracia parlamentar. Processo difícil e complexo, que acabou com a vitória definitiva da liberdade ,sobre os que queriam impor uma nova ditadura com outros contornos ideológicos.

 

Este processo de democratização ainda não chegou porém ao mundo do futebol. As suas estruturas desportivas continuaram cristalizadas e à margem do que aconteceu na sociedade. Quer a nível das instituições que superintendem o futebol profissional, quer ao nível do governo dos clubes, as mudanças foram poucas e superficiais. Por norma os dirigentes continuaram a perpetuar-se no poder, mantendo-o como um feudo imune à evolução que se deu à sua volta.

 

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Quarenta e três anos depois existe no sub-mundo do futebol esta realidade. Um presidente que tomado o poder, criou uma rede de influências que lhe permitiram a perpetuação no lugar. E apesar da imitação de democracia que transmite para o exterior, a verdade é que o senhor Pinto da Costa , tem sido o dono absoluto do Futebol clube do Porto. Um outro presidente ,vindo das catacumbas do oportunismo, ocupou a presidência do SLB, onde foi construindo a sua teia de interesses, com o intuito de se eternizar na sua presidência. Passados quinze anos tem o objectivo, praticamente, conseguido. O Sporting Clube de Portugal está nesta altura refém da mesma estratégia oportunista. O senhor Bruno de Carvalho chegou à presidência com o mesmo projecto dos seus homólogos: ser presidente ad eternum.


De certo que há diferenças entre estas três personagens. Diferenças geracionais, diferenças de personalidade. Mas todos têm uma coisa em comum, servirem-se dos clubes, em vez de os servirem. Para isso, todos e quaisquer meios justificam os fins. Uns podem ser mais diplomáticos, outros mais polidos, quiçá mais hipócritas, outros mais sanguíneos, contudo são na sua essência, portadores de projectos de poder pessoal que não casa com a democracia.


Quarenta e três anos depois se é verdade que a sociedade, sendo imperfeita, evoluiu, o mesmo não se passou no mundo do futebol. Arrisco dizer que está pior. A luta pela hegemonia não respeita regras, vale tudo. A rivalidade transfere-se dos relvados para a comunicação social e desta para a rua. Espécie de tropas pretorianas digladiam-se e matam-se. Os generais nos seus labirintos, cada um à sua maneira, vão pondo mais lenha na fogueira. Os poderes institucionais continuam impávidos. Até quando?


O futebol precisa de um vinte e cinco de Abril. As leis que permitem a perpetuação eterna do dirigismo oportunista têm de ser mudadas. Porque raio os políticos estão sujeitos e bem, a mandatos limitados, e porque razão isso não acontece no sub-mundo do futebol? Sem regras verdadeiramente democráticas não há democracia no desporto. Disse, John Emerich Edward Dalberg-Acton, que todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe completamente. E aqui é preciso clarificar que não existe apenas a corrupção clássica, mas aquela que permite a alguém, tornar-se dono do que não lhe pertence.

 

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publicado às 04:06

Não matem o futebol !

Naçao Valente, em 22.04.17

 

Em dia de derby quatro palavras apenas: não matem o futebol. Apesar das peripécias próprias do calor do jogo que este decorra com correcção e lealdade, dentro de uma sã rivalidade. Que os adeptos vibrem com o espectáculo e apreciem os artistas. Torcendo para que a vitória pertença ao meu clube, que vença o melhor no contexto do jogo jogado.

 

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Disse o velho senador do futebol, Manuel José, que hoje não existe rivalidade mas ódio. De facto vivemos tempo de retrocesso civilizacional nas nossas sociedades. A solidariedade foi substituída pela xenofobia, e pelo despertar de demónios que julgávamos extintos. O futebol não está imune a esta reversão de valores.


Como tenho escrito, e não sou o único, os actuais dirigentes desportivos têm contribuído para o crescimento desta situação. Com a sua atitude fundamentalista, estão a transformar os clubes em guetos de cariz religioso. As suas prédicas constantes apelam à “guerra santa”, à cruzada contra os "infiéis". É certo que forem eleitos pelos adeptos e com base nisso requerem total  impunidade. Também muitos ditadores o foram com consequências trágicas para a humanidade.

 

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O problema é que as massas anónimas são presas fáceis da demagogia e do populismo em períodos de grande descontentamento e desespero. É assim que “vales azevedos” chegam impantes ao poder. O mais grave é que as massas não aprendem nada com a história. O clima de ódio instalado entre clubes, está a matar o futebol. Acordem enquanto é tempo!

 

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publicado às 15:00

Bom senso e bom gosto

Naçao Valente, em 21.04.17

Que as claques são escolas de maus costumes, todos sabemos. Que as claques servem de guardas pretorianas ao serviço de jogos de poder, é uma evidência. Que as claques promovem o ódio, é inegável. Que as claques não sejam exemplos de bom senso, pela sua natureza, compreende-se. Agora que sejam os dirigentes os focos principais dos comportamentos condenáveis é de lamentar.

 

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O presidente Bruno de Carvalho, declarou durante a campanha eleitoral para a Direcção do Sporting, que ia ser mais comedido. Palavras sem significado como se comprova pelas suas últimas afirmações. Enquanto o presidente fez o trabalho que lhe compete e se remeteu ao silêncio senti-me bastante aliviado e até pensei, é desta que o homem toma senso. Sol de pouca dura. Não consegue fujir à sua natureza. E assim que abre a boca sai disparate. Utilizar, por exemplo, a pedofilia, uma prática criminosa grave, e associada a indivíduos com perturbações mentais, como termo de comparação com a chamada “cartilha” não revela apenas falta de bom senso, mostra muito mau gosto. O que é mais preocupante é que o uso destas formulações é recorrente. Lembram-se termos como “belfodil” ou “as duas nádegas”., para se questionar se isto não estará relacionado com traumas de âmbito sexual.


Pouco me interessa que o cidadão Bruno de Carvalho, use ou abuse deste tipo de expressões, o que me envergonha é que o presidente do clube de que sou adepto há mais de sessenta anos, o faça na sua qualidade de dirigente máximo. Talvez seja urgente fazer formação intensiva de "bom senso e de bom gosto", para este e outros presidentes, com a certeza, porém, que só aprende quem está receptivo à aprendizagem.


PS: A pressão da opinião pública, expressa na comunicação social a propósito da irracionalidade das claques, demonstrada na ausência de humanismo (falta de respeito pela vida humana) levou alguns dirigentes a fazerem uma espécie de “mea culpa”. O presidente do meu clube também o fez, cavalgando a mesma onda. Merecem elogios, mas não sei porquê, parece-me hipocrisia.

 

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publicado às 17:22

Cartilha Paternal

Naçao Valente, em 13.04.17

 

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Em 1876 o pedagogo João de Deus publicou a Cartilha Maternal, como método de ensino para aprender o “aeiou”. Bem recebida pelos professores, acabou por ser adoptada pelo governo para o ensino público.

 

Mais de cem anos depois , outro “pedagogo” chamado Carlos Janela, inventou a notória Cartilha Paternal, não para ensinar analfabetos reais, mas sim para ensinar o bem ou o mal dizer a analfabetos funcionais. Na realidade, está mais próxima de um catecismo do que a cartilha verdadeira de João de Deus. É dirigida a “tele-evangelistas" com o intuito de catequizarem os seus fiéis seguidores. Embora seja especificamente dirigida a catecúmenos do clube da “Luz” é , no entanto, um tratado de escuridão. Em vez de iluminar, de abrir os espíritos, tem como função mantê-los pouco reactivos.


Mas esta cartilha é um pouco como a pescada, antes de ser já o era. Está na cara que esta forma de manter o “rebanho” unido e controlado é uma prática que já tem barbas, quase tão velha como a presença de “evangelistas” nos programas televisivos, que se têm vindo a multiplicar como cogumelos, invadindo as nossas casas diariamente. E não se pense que são exclusivo do clube que equipa de encarnado, pois é transversal a todos os “grandes” que têm assento garantido no horário nobre das tê-vês. Quem não se lembra de ver Bruno de Carvalho perorar sobre os 'vouchers' do rival de Lisboa, descendo ao nível dos “evangelistas” adversários. Quem não se lembra, mais recentemente, de ver o mesmo Bruno, numa entrevista, assessorado por três "pastorinhos" e um "capelão", a debitar uma cartilha preparada, entre todos. E não será a divulgação da cartilha benfiquista, no Porto canal, um remake anunciado, da Cartilha Paternal do Norte?


Portanto, cartilhas há para todos os gostos e em várias versões. Enquanto para uns são trabalho de “clero” contratado, para outros são função do próprio “criador”. O objectivo é sempre o mesmo, manter presente a autoridade do “pai”. Não vejo, porém, nas cartilhas, qualquer crime de lesa-pátria. Disponibilizar informação é legítimo. Cabe a quem a utiliza ser “papagaio” ou ter distanciamento crítico. Na mesma linha é função de cada “igreja” manter unidos os seus membros. Acho mais escandaloso fazer disto um caso mediático, a fim de gerar mais e mais horas de debate com o passar dos dias. E penso que acontece em benefício da comunicação social e das suas audiências, mas não nasce de geração espontânea, é fomentada e alimentada pelo mau dirigismo que tomou conta dos clubes. E mesmo que me puxem as orelhas por meter nisto o presidente do meu clube, faço-o por imperativo de consciência.

 

Com efeito, se o tempo não perdoa e o “cartilheiro”do Norte , não tem o mesmo sangue na guelra, mas ainda mexe cordelinhos, e se o menos velho do Sul seguiu o mesmo guião a ponto de um comentador leonino ter dito “que aprendia muito depressa”, já o mais novo nunca conseguiu fazer a diferença para melhor. Revelou-se mais do mesmo, seguindo a velha cartilha com mais impetuosidade. O que receio é que o campeonato real do pontapé na bola, das estratégias, das tácticas, dos artistas, do espectáculo, seja cada vez mais substituído pelo jogo de faz de contas da comunicação social. Costuma dizer-se "com o mal dos outros, posso eu bem". O que deixo para reflexão é se é esta cartilha que os adeptos sportinguistas querem para o nosso Clube.

 

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publicado às 11:30

Liberdades, mordaças e trapaças

Naçao Valente, em 11.04.17

 

O senhor tenente-Coronel, na reserva, Vasco Lourenço, um militar de Abril ligado à instauração da democracia, e que prezo, mas uma espécie de cristão-novo, convertido ao brunismo, tem vindo a escrever no jornal Record textos laudatórios sobre o presidente Bruno de Carvalho. Defende o senhor tenente-coronel, a propósito de levantamento de novo processo disciplinar ao presidente do Sporting, que lhe está a ser coarctada a sua liberdade de expressão. Discordo, com todo o respeito, da sua posição.

 

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O senhor tenente-coronel, sabe, ou se não sabe interrogo-me sobre a sua coerência, que não existe liberdade absoluta, incluindo a liberdade de expressão. Esta é sempre relativa e condicionada, até pela consciência de cada um. Apresento alguns exemplos de áreas onde existe condicionamento na livre expressão. No ensino, um professor se chamar burro a um aluno, mesmo com razão, sujeita-se a apanhar processo disciplinar; na justiça existem normas que não permitem aos intervenientes pronunciar-se sobre processos; no sector militar, onde o senhor tenente-coronel exerceu altas responsabilidades, existem matérias sigilosas sobre as quais existe proibição sançonatória. Outros exemplos poderia referir, mas estes são mais do que suficientes para concluir que em determinadas funções existem condicionantes devidamente regulamentadas, ou seja não vivemos no reino do cada qual dizer o que lhe dá real gana.

 

Invocar a Constituição portuguesa, em lei geral, ignorando as leis sectoriais, para justificar a verborreia do presidente, a quem se converteu, revela alguma ignorância, se não for mesmo má fé. Bruno de Carvalho não tem nenhuma mordaça. Está, enquanto cidadão, na posse de todos os seus direitos constitucionais. Pode falar livremente de política, de cultura, de economia, de finanças, de desporto. Não pode é, enquanto presidente de uma instituição desportiva, inserida numa estrutura própria, desrespeitar as normas em vigor, justas ou injustas, certas ou erradas. Ele e todos aqueles que actuam no âmbito dessas instâncias. Até podemos admitir que certas normas precisam de ser revistas, mas sejam elas quais forem imporão sempre restrições e sanções.


O senhor tenente-coronel tem com certeza guerras importantes para travar. A bem do seu prestígio e da sua coerência não tem necessidade de se meter em guerras de alecrim e manjerona. Pior, não tem que defender um estatuto especial para o um homem que apoia, colocando-o acima dos regulamentos existentes. Isso sim é um acto de privilégio que fere a própria liberdade de expressão. Não lhe fica bem defender o indefensável. E não fora a imagem de idoneidade que tenho do senhor tenente-coronel, seria tentado a pensar que obedece a uma cartilha encomendada.

 

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publicado às 11:06

A Inaudita Guerra da Segunda Circular

Naçao Valente, em 08.04.17

 

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O escritor Mário Carvalho escreveu uma história intitulada a "A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho", onde um grupo de berberes do século XII, montados nos seus cavalos, invadiam a dita avenida, depois da musa da história enlear dois fios de tempos distintos. Quando o exército português chega ao local, desvanece-se o passado, e este fica sem saber o que faz ali. Com a habitual qualidade literária é , em certo sentido, uma narrativa do absurdo. Esta narrativa veio-me à memória a propósito do clima de guerrilha quase diária que se estabeleceu entre os dois clubes da Segunda Circular. São muitas as semelhanças, começando pela sua absurdidade e terminando na sua inutilidade.


É certo que a rivalidade entre os dois clubes já vem de longe, do tempo em que a Segunda Circular ainda nem era uma miragem. É certo que sempre houve episódios de guerrilha, muitas vezes por motivo de contratações, mas sempre pontuais e transitórios. A natural rivalidade concentrava-se, sobretudo, como deve ser, dentro das quatro linhas. Esta guerra arcaica do século XXI, com palco na comunicação social, transformou-se na principal razão de existir da vida dos dois clubes. São queixas, queixinhas, insinuações, insultos, golpes baixos. Vale tudo. Mobilizam-se os adeptos para uma espécie de cruzada contra os infiéis, inimigos figadais que é preciso destruir. É a repescagem do que de pior têm as religiões. O ódio, a intolerância, o fundamentalismo.

 

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A explicação para esta guerra contínua, inútil e degradante, encontramo-la na qualidade das lideranças. Quer de um lado, quer de outro, do rio de alcatrão que os divide ,estão dirigentes de baixa qualidade. De facto, o dirigismo desportivo nunca esteve tão no fundo como actualmente. Os generais que ocupam a presidência dos dois centenários clubes, não passam de sargentos de má qualidade, arvorados em oficiais de estrelas de latão. Sem a devida formação cívica, formados à pressa na escola das claques ou na tarimba  de pequenos clubes, são presidentes sem classe, sem preparação e algumas vezes sem carácter. Fazem da guerra um modo de vida, um objectivo permanente, procurando, por essa via, manter as 'tropas' unidas. É uma perigosa união assente na irracionalidade das massas, apelando aos seus instintos mais primários. A violência gratuita ,já visível a olho nu, é o caminho desta deriva guerreira.


Os presidentes/caudilhos nascem ,vivem e alimentam-se da guerra. Precisam dela para subsistir, como de pão para a boca. Têm os 'soldados' presos ao seu magnetismo. E mesmo quando o ataque atinge as raias do ridículo, como aquando das últimas queixinhas do general do lado Norte ,todos o seguem cegamente. Em abono da verdade, situações idênticas também acontecem do lado Sul. Destas guerras inauditas ninguém tirará qualquer proveito palpável. Nem o desporto, nem o futebol. Perdem todos. Perdem principalmente as duas grandes instituições arrastadas para este lamaçal por aventureiros oportunistas.

 

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publicado às 05:31

"Vão bardamerda mais o fascista"

Naçao Valente, em 07.03.17

 

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A história, hoje pouco conhecida, por quem não acompanhou os tempos revolucionários de 1975, conta-se em poucas palavras. O Almirante Pinheiro de Azevedo que tinha sido nomeado primeiro-ministro, pela facção mais moderada dos militares, para substituir Vasco Gonçalves, viu a sua residência oficial cercada por uma manifestação de trabalhadores da construção civil. Com a força que receberam da extrema-esquerda aproveitaram para contestar o primeiro-ministro, que os procurou desmobilizar, falando-lhe da varanda do palácio de S. Bento. Por mais explicações que desse, Pinheiro de Azevedo, apenas recebia epítetos de fascista. A dada altura,perdeu a paciência e em desespero,respondeu aos insultos, e disse a frase que ficou para a história: “Vão bardamerda mais o fascista”.


A expressão, inserida somente naquele contexto de revolucionarismo extremo, e levada à letra, significa que o Almirante Pinheiro de Azevedo mandou bardamerda apenas aqueles manifestantes, incluindo-se a si próprio quando afirmou "vão…mais o fascista". Ora de acordo com os slogans dos trabalhadores presentes, e o fascista era o próprio primeiro-ministro.

 

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Bruno Azevedo de Carvalho, recuperou a histórica frase do seu tio-avô, distorceu-a e aplicou-a num contexto completamente diferente e por isso desenquadrada do evento a que presidia. Tinha acabado de vencer, com grande margem, as eleições para os órgãos do Sporting. Não estava rodeado por gente hostil, mas por um grupo de de devotos em êxtase.  Deu à expressão um novo significado aplicando-a a todos aqueles que não são sportinguistas. Pelas minhas contas em Portugal serão, grosso modo, cerca de sete milhões, que são de outros clubes ou que não apoiam clube nenhum. No resto do mundo, são biliões incluindo os que nem sabem da existência do Sporting e muito menos de este outro Azevedo (de Carvalho). Não digam que o homem não é ambicioso. Não digam que não ganha nada, nem bate recordes. Para já, e numa única frase, conseguiu “bardamerdar” todo o mundo, com exclusão dos sportinguistas. E digam lá que não merece estar no livro dos recordes, pela falta de nível, pela malcriadez, pela falta de classe.


Hoje sinto-me feliz e privilegiado por ter nascido sportinguista. Se assim não fosse, também estaria na lista malcheirosa deste ungido do destino, deste ser que se dá ao desplante de criar um mundo, o seu, de povo eleito e de considerar todos os outros como gentios sem alma.


Não sei se o seu tio-avô, designado como almirante sem medo, nas lutas políticas do período revolucionário, se reveria neste sobrinho-neto, que nem na vitória sabe ser digno, já que humildade é palavra que de certo desconhece. E não sei se gostaria de ver a sua figura de combatente da liberdade, envolvida numa eleição de uma qualquer colectividade, por mais importante que seja.


Diz o ditado “que cada um é para o que nasce”. Este homem, Azevedo de Carvalho, nasceu para viver no mundo de “bardamerdices”. É pena que envolva nisso a centenária instituição Sporting Clube de Portugal. É pena que e criticável que os sportinguistas se deixem envolver neste lamaçal e gostem. É pena que se revejam nesta deriva de mau gosto e aplaudam. Está tudo louco? Vem aí mais do mesmo.

 

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publicado às 11:00

Eleições no Sporting. Que democracia ?

Naçao Valente, em 01.03.17

 

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O sistema eleitoral existente nalgumas grandes colectividades é passível de uma séria reflexão. Dir-me-ão que este não é o momento mais oportuno, por haver eleições no Sporting Clube de Portugal. Com todo o respeito por essas eventuais opiniões, parece-me, pelo contrário, e pela mesma razão, que é um momento adequado.


Numa breve explicação genérica, recordo que o sistema liberal, teve o seu arranque na Europa com a Revolução Francesa. E o que despoletou, para além de outras causas, os acontecimentos que deram inicio à revolução, foi a questão do voto nos Estados Gerais. O voto neste órgão da monarquia era por grupo social. Deste modo, o Terceiro Estado (povo) representando mais de noventa por cento da população, tinha um voto, e os outros grupos minoritários , Clero e Nobreza dois votos. Esta situação, levou o Terceiro Estado a separar-se, e a constituir a sua própria Assembleia. Passou mais de um século até chegarmos ao voto universal, independentemente  de sexo, religião, instrução, estatuto social e apenas limitado pela “menoridade”.


O Sporting vai no dia 4 a votos para a sua Direcção. De acordo com os Estatutos, há uma desigualdade na distribuição do voto pelos eleitores. Há quem tenha direito a colocar na urna vários votos e quem só possa colocar um. Podem dizer-me que a situação é legal. Não digo que não. Mas o facto de ser legal, não significa que seja democrática. A forma de eleger dirigentes no Sporting e noutros grandes clubes, não corresponde à assunção de uma democracia plena. É um sistema de voto privilegiado, e salvaguardadas todas as diferenças, como acontecia, na sociedade, antes das revoluções liberais.


A democracia nos clubes não acompanhou a evolução da democracia nas sociedades. Embora o sistema, um homem um voto, se aplique na grande maioria das colectividades, sobretudo nas mais pequenas, nalgumas, nas quais se inclui o Sporting, esse desiderato democrático continua ausente. Entram presidentes, saem presidentes, o sistema subsiste. Perdoem-me a classificação mas este sistema é uma aberração. Não há qualquer explicação que o justifique. Por que razão um sócio mais velho tem mais direitos que um mais novo?


No caso concreto das eleições a decorrer, não sei quem poderá ou não beneficiar deste sistema. Seja quem for, é sempre uma distorção de uma eleição verdadeiramente democrática. Possivelmente, esta reflexão não será acompanhada por muitos sócios e nem chegará ao conhecimento das altas instâncias decisórias. No entanto, algumas vezes, basta uma pequena fagulha para incendiar a pradaria. Oxalá esta abordagem sirva para lançar o debate de um problema de elementar justiça na igualdade entre cidadãos.


Outra questão que merece ser revista é a da localização das Assembleia(s) de voto. Se num clube de âmbito local se justifica que exista apenas um Assembleia, na sede, nos clubes de dimensão nacional, esse facto prejudica os eleitores afastados da sede nacional. Sem abordar razões de ordem técnica, interrogo-me porque razão não se colocam mesas de voto, pelo menos nas capitais de distrito, onde os grandes clubes têm núcleos organizados? Querer é poder. Isso daria aos associados residentes em locais distantes, a possibilidade de votar, acabando com a diferença, entre sócios de primeira e de segunda, tal como no voto privilegiado.

 

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publicado às 14:00

Debate entre candidatos: brechas na muralha

Naçao Valente, em 25.02.17

 

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A análise de qualquer aspecto da realidade é subjectiva. Está condicionada pela selecção dos factos, pela sua interpretação e pela subjectividade do analista, em função do seu posicionamento político e ideológico. Este caso concreto, o debate entre Pedro Madeira Rodrigues (lista A) e Bruno de Carvalho (lista B) insere-se na formulação enunciada. Por isso, as apreciações sobre o debate, estão subordinadas pelo juízo pré-determinado, que cada qual tem dos intervenientes. Não escondendo a minha predilecção por Madeira Rodrigues, procurarei, no entanto, usar a imparcialidade na avaliação da prestação dos candidatos, com a certeza que não conseguirei ser neutro.

 

Em sentido lato, a primeira leitura que faço do debate, é que os opositores eram portadores de um guião que pretendiam cumprir. Madeira Rodrigues, partindo de uma posição de desvantagem, pelo facto de ser menos conhecido no universo sportinguista, e por estar do lado de fora da fortaleza, ocupada pelo seu adversário, teve de utilizar uma estratégia de ataque constante, procurando centrar a sua investida nas zonas mais fracas da muralha. Daí que se concentrasse na questão do futebol profissional, o tema mais apetitoso para o adepto, e dele procurasse tirar vantagens, para enfraquecer Bruno de Carvalho. Focou os maus resultados desportivos, as contratações erradas, a equipa técnica tremendamente cara. Esta estratégia, colocou Bruno de Carvalho à defesa, procurando limitar os danos. Além disso, usou algumas armas inovadores, como a coordenação para o futebol. Espera-se agora a apresentação do seu treinador.


No guião de Bruno de Carvalho estava, à partida,  a defesa de uma posição privilegiada, sem arriscar, sem pôr um pé em falso. A ideia foi fazer-se de peixe morto para se poder manter à tona. Contrariando a sua própria natureza belicista, conteve a agressividade, escudou-se atrás da sua muralha, que o intruso queria ocupar. Refugiou-se na obra feita, na solidez do edifício, na construção de novas ameias. Acentuou o recurso a apoios mediáticos, muitos deles com ligações ao repudiado passado, com especial enfoque para Ricciardi, uma espécie de Rasputine do Sporting, cuja presença perpassou pelo debate. Salientou o pavilhão, a salvação da bancarrota, números e mais números, gráficos e mais gráficos, na minha opinião de reduzida eficácia.


Para cumprir o seu guião, o ainda presidente foi instruído para se focar nos aspectos positivos, para manter uma imagem de urbanidade, chegando a afirmar, que num próximo mandato se irá resguardar mais, leia-se ter uma actuação mais discreta, sem voltas olímpicas por exemplo. Nesta área, Madeira Rodrigues, porque não tem as mesmas armas, e porque é candidato fora da muralha, limitou-se a questionar os dados apresentados, não podendo, em concreto ir muito mais além. Apesar disso, ainda conseguiu causar algum embaraço com o assunto pavilhão, alegando que estará pago com o dinheiro da Doyen. Quanto aos investidores, Madeira Rodrigues, não pode concretizar, enquanto candidato, o que só a um presidente compete. Pode-se discordar do seu projecto ou da concretização de algumas propostas, porque elas existem.Para bom entendedor..


Em conclusão, os dois contendores foram cumprindo os guiões previamente estabelecidos. Pelo facto, foi um debate morno, com algumas picardias, pouco significativas. Pedro Madeira Rodrigues fez o que tinha que fazer e penso que conseguiu alguns ganhos. Manteve o adversário à defesa e abriu algumas brechas. Para aqueles que consideram a fortaleza inexpugnável, é talvez altura de começarem a ter alguma modéstia. Foi o único que teve a coragem de desafiar o poder instalado, depois de constatar que mais ninguém avançava, surpreendeu-me e surpreendeu os observadores. O seu principal problema é a escassez de tempo, mas creio que está a mostrar que tem uma nova visão para o clube,  fibra, competência e condições para assumir a sua presidência. Assim queiram os associados.

 

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publicado às 11:30

Liderar ou não liderar, eis a questão

Naçao Valente, em 16.02.17

 

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“O homem é naturalmente um animal político
Aristóteles


Política "a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo"
Nicolau Maquiavel, O Príncipe


“O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente
John Emerich Edward Dalberg-Acton


Ponto Prévio: A política como forma de exercício do poder é transversal a todas as áreas da sociedade. As lideranças estão presentes desde a mais alta magistratura até aos mais pequenos poderes. É assim pertinente trazer o assunto das lideranças ao debate, em período de eleições clubistas.


As chefias estão instaladas em todas as instâncias da sociedade. É através delas que se organiza uma cadeia de responsabilidades, que permitem estabelecer uma ordem, fundamental, que está suportada por regras e normas. No entanto, é preciso estabelecer uma destrinça entre chefiar e liderar. Exercer a chefia não significa que se saiba liderar. Como princípio, a chefia escuda-se no poder exercido de forma autoritária: “mando porque porque posso, mando porque tenho esse poder”. Ao invés a liderança orienta. Tem a consciência que o poder deve ser partilhado e a responsabilidade assumida em equipa.


O mundo do futebol, em termos organizativos, é um microcosmo que adapta a estrutura social. Nos clubes, o presidente, autoridade máxima, insere-se e dirige um órgão executivo, que se coordena com uma Assembleia Geral e um Conselho Fiscal. Hoje, há muitos clubes que replicam a democracia representativa, constituindo os seus órgãos através de eleições. Contudo, o exercício democrático é ainda muito imperfeito, começando pelo discutível sistema eleitoral, só por si susceptível de uma análise específica. No entanto, a situação minimiza-se quando em vez de um chefe, existe um líder.


O líder sabe à partida que que só pode prometer aquilo que tem a certeza que pode cumprir. Na política como no futebol. Não inventa para ganhar eleições apresentando, por exemplo na luta clubística, investidores que não existem, nem nunca existirão. O chefe mente, sabe que mente, e sabe que as pessoas preferem a mentira bem construída ou a meia verdade, a uma visão pragmática da realidade. Mais, o chefe mente e continua a mentir, mesmo depois de eleito, porque sabe manipular as diversas variantes da sua acção .O chefe sabe que há quem goste de ser enganado, porque é mais fácil viver na ilusão.


Outro aspecto onde o líder se destaca do chefe é na assunção das responsabilidades. Enquanto o primeiro assume os seus êxitos e os seus falhanços, o segundo sacode,sempre que pode, a água do capote. No caso concreto do futebol se as coisas correm bem , se os resultados são positivos, o mérito é seu, mas se os resultados são maus a culpa é dos outros. É capaz de criticar, e em situações extremas insultar, atletas e colaboradores. Em vez de incentivar atrapalha, complica, em vez de confiar, fiscaliza. O líder usa o plural na assunção do seu poder, diz nós em vez de eu, diz vai lá em vez de vai lá.


O líder, por natureza e formação, entende que o seu poder é limitado no contexto da actividade em que se insere. Com realismo, percebe que não pode moldar a realidade à sua imagem. Tem a consciência que existem estruturas complexas e imperfeitas, mas muito difíceis de mudar. Actua, racionalmente, dentro de uma lógica realista, dando passos pequenos mas seguros. O chefe montado no seu autoritarismo congénito, avança como D. Quixote, contra tudo e contra todos, inventa inimigos, decreta batalhas, e com vitórias de Pirro acaba sempre derrotado. Pior, acaba por complicar os caminhos para a vitória.


Como reflexão final ficam as seguintes questões: Ao longo da História temos ou não sido brindados com líderes e castigados por chefes? Temos, ou não, tido grandes estadistas que das cinzas construíram esperança, e chefes que emergindo de algum caos transitório geraram tragédias? Ainda hoje isso está, ou não, presente no nosso quotidiano? Sementes de ódio que alimentam massas sem memória, até do passado recente, estão, ou não, disponíveis para apoiarem falsos profetas? A culpa é, ou não, nossa, cidadãos, que continuamos a confundir o trigo com o joio? E que por essa fraqueza humana, sacrificamos, ou não, líderes e incensamos, ou não, os chefes.

 

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publicado às 12:00

Memória e gratidão: Liedson

Naçao Valente, em 11.02.17

 

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O futebol é hoje uma indústria que move e se move por milhões. O futebol romântico de amor à camisola é uma faceta do passado. Apenas persiste na Liga dos últimos e mais concretamente nos jogos de solteiros e casados. Ser artistas na arte do pontapé é sinónimo de sucesso imediato. Apenas amam um clube, o do cifrão, apenas adoram uma cor, a do dinheiro.
 
Outra coisa são os adeptos do chamado desporto rei. Não agem com a razão mas com o coração. Não procuram nas arenas, racionalidade mas emoção. Vibram exultam ou choram com o espectáculo. Amam os seus ídolos, tanto ou mais que a si mesmos. Uma vitória é mais excitante que um prozac. Uma derrota é mais deprimente que um desgosto de amor. É esta a magia do futebol, é esta a sua beleza.
 
Na vertigem do cheiro do metal sonante que inebria os gladiadores dos tempos modernos, ainda há quem consiga aliar à justa remuneração do seu trabalho, um pouco de dignidade moral, um pouco de fidelidade ao clube que o acolhe, aos adeptos que o idolatram. Há poucos, infelizmente, mas há. Liedson é um profissional da bola que se encaixa nesse perfil. Jogador acima da média chegou ao Sporting, discreto e desconhecido. Cedo mostrou elevada qualidade, alto profissionalismo. Com um ou outro arrufo natural, foi ficando e completou ao serviço do clube quase oito anos ininterruptos. Saiu para acabar a carreira no seu país. Saiu mostrando não só o seu valor técnico, mas uma faceta profundamente humana: a emoção. E por isso não será mais um atleta efémero, será o Atleta, de corpo e alma. 

 

P.S.: Regressado a Portugal para fazer uma "perninha" no rival do norte, Liedson ainda contribuiu, directamente, para tirar o campeonato ao nosso principal rival. Fraca consolação, mas deu-me gozo. 
 

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publicado às 12:00

Evolução na continuidade

Naçao Valente, em 10.02.17

 

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Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar, esteve na tribuna do velho estádio de Alvalade a assistir a um jogo de futebol. Tendo sido anunciado o seu nome recebeu uma estrondosa ovação. Era presidente João Rocha. Pouco depois, Marcelo foi deposto por um golpe militar. Não era homem de rupturas e apesar de tomar algumas medidas de cariz social, não tinha condições para fazer a transição para a democracia. Assumiu o seu mandato como evolução na continuidade , isto é, uma mudança sem ruptura com o passado. Missão impossível como se veio a verificar.


Quando Bruno de Carvalho venceu José Couceiro, um candidato com perfil para ser um bom presidente, assumiu-se como o homem da ruptura com o passado. Daí a sanha persecutória a anteriores Direcções, mas sem qualquer resultado palpável. O que interessava era passar a imagem de refundação do Sporting , liberto dos seus fantasmas, e finalmente conquistado pelas massas populares. Presidentes foram vilipendiados e insultados, denominados croquetes, para congregar, através dos impulsos emocionais, a massa adepta. Ao invés o Presidente revolucionário era incensado até ao absurdo. Num estilo basista senta-se no banco de suplentes, invectiva os adeptos, colhe os aplausos, dá voltas ao estádio, em suma atira os foguetes e apanha as canas. Numa coisa é especialista e teve sucesso: na aplicação do populismo.

 

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A realidade foi sendo escondida atrás do manto das aparências. O presidente nunca foi mais do que um testa de ferro dos interesses financeiros da Banca, muito em especial de JM Ricciardi (um croquete), interessada em garantir os seus empréstimos e receber os respectivos juros. A muito propagada tese da bancarrota também é muito contestável, pois não podiam os credores deixar cair o Sporting fosse quem fosse o Presidente. Portanto, a ruptura com o passado nunca passou de uma falácia. É preciso recordar, para que tem memória curta, que foi com o apoio das elites que Bruno chegou à Presidência. O que são Sampaio ou Barroso, na terminologia brunista, senão “croquetes”? Mas a aliança entre Bruno e as elites ainda está mais evidente nesta eleição. Basta ver a designada comissão de honra, uma espécie de albergue espanhol, onde pontuam, Dias Ferreira, Jorge Coelho (ex-ministro) Subtil de Sousa, Sousa Sintra entre muitos outros. Querem melhor evolução na continuidade?


Se me perguntarem se Pedro Madeira Rodrigues (PMR) é o candidato que esperava para se opor ao situacionismo, digo que não, com toda a frontalidade. Esperava que aparecesse uma figura mais carismática que conseguisse unir toda a oposição, e que criasse inquietação no universo brunista. Essa figura, por razões que a razão desconhece, não surgiu. Temos PMR, que teve a coragem e a ousadia de se disponibilizar para enfrentar o brunismo. Apresentou um programa eleitoral, tem uma equipa, tem currículo profissional, sportinguismo acima de qualquer suspeita. Nem sempre é politicamente correcto, como na decisão de dispensar o treinador, mas mostrou determinação. Vai à luta em condições muito desiguais. Enfrenta não só Bruno mas os lóbis que o apoiam e sustentam, o poder financeiro que o mantém à tona. Se nestas eleições há alguém que quer fazer ruptura com certo passado é PMR. Pode não ter capacidade demagógica para empolgar os adeptos, mas tem a honestidade e a competência de quem quer pôr o Sporting num caminho real de sustentabilidade. Merece uma oportunidade. Tanto mais que a gestão de Bruno, apesar do foguetório, falhou em muitos aspectos, visíveis e ocultos.

 

P.S. Não posso deixar de considerar as declarações de baixo nível do senhor(?) Subtil de Sousa como vergonhosas. Como pode atacar PMR, chamando-lhe Jota me me, pelas suas opções políticas. O que é que isso tem a ver com a sua candidatura. E Sousa Sintra de que se salienta no seu currículo o despedimento de Robson, que autoridade moral tem para atacar sem fundamento PMR, pessoa que seguramente nem conhece. Diz-me com quem andas...

 

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publicado às 03:45

"Obviamente demito-o"

Naçao Valente, em 03.02.17

 

 

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Em 1958, Salazar, para dar a ideia de uma imagem de democraticidade, marcou eleições presidenciais. O general Humberto Delgado resolveu concorrer contra o candidato do Regime. Tendo-lhe sido perguntado o que fazia com Salazar se fosse eleito respondeu: “obviamente demito-o”. Esta afirmação conseguiu congregar à sua volta toda a oposição, incluído o candidato comunista que desistiu em seu favor. Mas ao pronunciar tal frase, obrigou Salazar a assumir por palavras veladas e acções que nunca poderia ganhar as eleições, mesmo que as ganhasse. O enorme apoio popular à sua candidatura foi prontamente reprimido. Nas mesas de voto apenas havia boletins de voto do candidato oficial. Delgado teve de distribuir as dele de forma clandestina. A ousadia, a frontalidade pelo bem do país, acabou por lhe custar a vida.


Sem pretender fazer comparações com as actuais eleições no Sporting, que tudo leva a crer decorrerão de acordo com as regras democráticas, encontro algumas similitudes. A frase “obviamente demito-o” pode aplicar-se a Pedro Madeira Rodrigues (PMR) quando afirmou que demitiria o treinador, uma espécie de alter ego do presidente. Adeptos de Bruno, sempre fiéis ou convertidos, têm utilizado essa decisão, para atacarem Madeira Rodrigues. Mesmo compreendendo o contexto em que foi pronunciada, também considero que não foi politicamente correcta. E embora se aceite como princípio, não me parece que sirva para ganhar votos. Antes pelo contrário. Vai funcionar como um espinho cravado na sua candidatura.


A frontalidade de PMR em demitir o treinador Jorge Jesus (JJ), o assalariado mais bem pago de sempre no clube, que tomou o partido de um candidato, revela coragem, mas é pertinente saber como o pretende fazer, sem utilizar verbas do clube. Madeira Rodrigues tem dado a entender que JJ , ao apoiar publicamente o presidente, se demitirá no caso de este perder as eleições. Pelo que conheço do treinador, para utilizar uma formulação histórica,”pesetero”, este não prescindirá de um centavo a que tem , contratualmente, direito. 'Limpinho, limpinho'. Mas o maior responsável pela situação chama-se Bruno de Carvalho. Como pode um presidente que termina o seu mandato, em 2017, assinar um contrato com um treinador, seja ele quem for, para um período temporal que ultrapassa em vários anos a sua presidência? E mesmo que houvesse a certeza absoluta que ia continuar na presidência, não seria do mais elementar bom senso, não fazer contratos com indemnizações tão elevadas? Sabendo da precariedade das equipas técnicas, esse acto imprudente pode sair caro ao Sporting, mesmo com a actual Direcção. E os acusadores de PMR, não percebem que , neste aspecto, têm telhados de vidro?


De facto, nas criticas que nestas páginas são feitas a Madeira Rodrigues, pelos apoiantes da outra candidatura, apenas tenho visto atitudes de “bota abaixo”. O candidato que ousou apresentar-se como alternativa, só tem defeitos, nem uma única virtude. Como se fosse crime de lesa-pátria alguém candidatar-se contra um ungido dos céus, coisa que Bruno não é. Convém recordar que Bruno de Carvalho. com o beneplácito e apoio da presidência da Assembleia Geral , a dupla maravilha Barroso/Sampaio, não fez outra coisa que não fosse conspirar contra a presidência de Godinho Lopes, que caiu pelo golpismo, em função dos maus resultados desportivos, e não tanto pela má gestão financeira. Convém lembrar que Bruno sempre teve tiques de ditador, que conflictuou com tudo e com todos, que teve atitudes eticamente reprováveis, que rasgou contratos com atitudes de chico espertismo, que usou, nas suas funções institucionais, linguagem abaixo de carroceiro,(sem ofensa) que se apresenta como o refundador e salvador de uma instituição centenária.


Em suma, e para além do obviamente demito-o, como significado de princípios e valores, o que é substantivo é que durante os últimos quatro anos, não tivemos um presidente no Sporting. Tivemos um chefe de claque, que de vez em quando, se senta na cadeira da presidência. Por isso, o balanço geral, apesar de algumas medidas mais positivas, não é brilhante. Uma situação económica e financeira baseada numa engenharia de curto prazo, uma situação desportiva sem rumo, errática, sem estratégia consistente e sempre dependente dos humores do presidente .Se isto não é suficiente para mudar de Direcção, não sei o que será.

 

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publicado às 12:30

O Sporting está mais isolado

Naçao Valente, em 27.01.17

 

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Assisti à última entrevista de Pedro Madeira Rodrigues (PMR) à CMTV. Quer o jornalista moderador, João Ferreira, quer o jornalista comentador, José Manuel Freitas (JMF), não lhe facilitaram a vida. Já Paulo Futre esteve apenas para compor o ramalhete. Com uma ou outra hesitação, PMR, passou no teste sem deslumbrar.

 

José Manuel Freitas, numa apreciação à prestação do candidato, considerou que este precisava de ter mais “sal”. Se interpreto bem a sua formulação, referia-se a este produto como tempero e não como alimento pernicioso para a saúde. De facto, sou levado a concordar que Madeira Rodrigues precisa de ter um discurso mais empolgante. Mas por outro lado, dá para perceber, que a arte da retórica não é um dos seus melhores atributos. Contudo, tem um discurso calmo, ponderado e coerente. Pensa no que diz antes de dizer o que pensa. A boa retórica quase sempre é gémea da demagogia, e os demagogos sabem que os potenciais alvos, são facilmente convencidos pela arte do engano pelas promessas vãs. Podem ter competência para ganhar eleições, mas isso não significa que sejam bons governantes.


PMR, tanto quanto sei, tem formação na área da gestão, onde tem feito a sua carreira com elevada competência. Não terá no seu ADN, características naturais de bom orador. Pergunto: é esta uma condição "sine qua non", para exercer com proficiência a Presidência de um grande clube como o Sporting? O que é que nós queremos à frente do nosso clube? Um “fala-barato”? O presidente de uma instituição com o prestígio do Sporting, tem de ser uma personalidade que cultive a temperança, o bom senso, a coerência no pensamento e na acção, a capacidade diplomática, a inteligência racional emocional. O que os últimos anos nos mostraram foi o contrário de tudo isto. Os resultados estão à vista.


Na sua apreciação positiva, JMF considerou como pontos fortes do entrevistado a intenção de estabelecer um bom relacionamento com outras instituições, incluindo os empresários do futebol. Depois da destruição feita por esta Direcção, que desprestigiou o Sporting em várias áreas, esta não será uma tarefa fácil. O Sporting não será um clube vencedor, isolado e perdido no seu labirinto. Tem de manter ou estabelecer pontes com todas as instâncias que estão associadas ao desporto, sem prescindir da firmeza, na defesa dos interesses do clube. Como diz PMR o Sporting tem que ter influência nessas instâncias, visando melhorar o seu funcionamento, para a construção de uma actividade desportiva mais transparente.


Contudo, e apesar de ter feito alguns progressos na vertente comunicativa, o candidato PMR tem de construir uma mensagem mais acutilante. Tem de se focar em aspectos muito específicos, e que impliquem uma mudança de processos e atitudes. Tem de completar a sua equipa, valorizá-la e coloca-la no campo de “batalha”. Ninguém vence isolado. As forças que defronta são sagazes e têm o campo todo minado. Já deu para perceber que PMR se move por princípios e não por promessas irrealizáveis. Que actuará com base em atitudes racionais e não emocionais. Que quer servir o Sporting e não se servir dele. Mas não se deve deixar de cair na tentação de afirmar que consigo os títulos vão cair do céu. O futebol é uma actividade muito imprevisível. Deve prometer que vai criar as condições para que isso aconteça. Com rigor, com determinação, sem ziguezagues precipitados. Que aprenda com as boas práticas e não com os erros que estão dentro de casa.


PS: PMR é ainda o único candidato. No entanto, não podemos esquecer que, em teoria, outras candidaturas podem aparecer até ao dia 2 de Fevereiro.

 

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publicado às 11:00

"Não sou um yes man tonto"

Naçao Valente, em 19.01.17

 

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Estava a fazer zapping pelos canais televisivos quando caí num programa sobre a aludida crise do Sporting. Não costumo frequentar esse tipo de programas, cada vez mais deprimentes, mas enchi-me de coragem e fui ficando. O painel era constituído pelo doutor Barroso, pelo Zé Eduardo do catering, de tal modo apoiantes de Bruno que mais parecem heterónimos, pelo Dani, comentador residente e por Pedro Rodrigues, para mim um desconhecido.

 

O José Alberto Carvalho moderava mas pouco. Dani batia na tecla da época mal preparada, Pedro Rodrigues procurava fazer o contraditório aos “yes men”, acentuando as causas profundas sobre a situação, mas não conseguia desenvolver um raciocínio, nem acabar uma ideia, porque de imediato era interrompido pelo doutor Barroso, que açambarcava o debate para passar a sua mensagem de brunista convicto.


No meio da sua habitual verborreia saiu-lhe esta frase: “eu não sou um yes man tonto...”. Ouvi bem? Não é 'yes man tonto'? Tonto não sei. Mas yes man é seguramente. O doutor Barroso que me faz lembrar a conhecida personagem chamado “emplastro” pela atracção que tem por câmaras (apenas neste aspecto, que fique claro) tornou-se figura pública, não pela sua profissão, na qual será proficiente, como muitos outros, mas como "paineleiro" de verbo fácil e chalaça brejeira à pala do sportinguismo. E foi aí que o presidente Bruno o foi buscar para a sua lista. Por gratidão pela escolha o doutor Barroso assumiu uma devoção quase religiosa pelo Presidente.


Neste debate ouvi-o reconhecer, que enfim, a época está a correr mal, os resultados desportivos são maus, que possivelmente não ganharemos nada, mas que devemos dar outra oportunidade ao Bruno. Se depois de novo mandato as coisas não estiverem bem, ele próprio dirá ao Presidente: “ó Bruno é melhor não continuares”.


Quando o doutor Barroso era presidente da Assembleia Geral, onde devia mostrar isenção, fez guerra contínua à direcção em funções. De manhã vestia a pele de Presidente e à noite transmutava-se em comentador . Aí zurzia nos maus resultados, nos treinadores, nos jogadores e claro no Presidente. E sempre apadrinhou o golpe que levou à sua demissão. Nessa altura tudo estava mal, agora está tudo bem e é preciso continuar. Mas este homem não se enxerga? Será que alguém  o leva a sério?


Na minha opinião pessoal, vale o que vale, e ao contrário do doutor Barroso, entendo que Bruno de Carvalho não merece um novo mandato. Entre uma ou outra medida positiva, está um mar de más decisões e de polémicas atitudes. Tem sido um Presidente arrogante, autoritário, conflituoso, revanchista, chico-esperto, imponderado. Tem mostrado pouco conhecimento do mundo do futebol, tem agido por impulsos irracionais. Recebeu um complexo desportivo moderno, Estádio e Academia prestigiada no mundo, dos seus antecessores, e desrespeitou-os. É  como um elefante que entra numa loja de porcelanas mas só parte as da sua casa. Se for eleito é por falta de alternativas consistentes, ou porque os eleitores, não conseguem ou não querem ver para além da espuma da realidade.

 

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publicado às 15:25

O princípio de Peter

Naçao Valente, em 17.01.17

 

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Na Idade Média, Galileu, para não ser condenado, disse perante um tribunal da Igreja Católica o contrário do que vinha defendendo sobre o movimento da Terra no Sistema Solar. Enquanto prestava testemunho, abjurando das suas ideias, disse em surdina para quem o ouviu “e no entanto ela se move”.


O que aconteceu com os dois capitães da equipa do Sporting, depois da discussão no balneário após o jogo com o Chaves, foi uma cena triste. Ver Adrien e William, dois grandes profissionais, aparecer com cara de enterro a debitar um breve discurso preparado, mostra o estado a que chegou o nosso Sporting. Compreendo perfeitamente a situação dos atletas, empregados do clube, e que como tal, a pedido, tentaram deitar água na fervura para apaziguar um caso que prejudica o bom nome do Sporting. É certo que ao fazerem o esclarecimento, acabam também por salvar a pele do presidente que terá , mais uma vez, praticado um acto irreflectido e indigno de um presidente de uma grande instituição.


Não tenho fontes fidedignas nem 'infidedignas' sobre o que em concreto se passou, Mas sou levado a acreditar em pessoas que merecem credibilidade. Se a atitude do presidente Carvalho foi aquela que é relatada, desabrida e insultuosa, o que não me admira, porque já é recorrente, ainda não aprendeu nada com os erros que tem cometido.Mas há uma justificação: quando os resultados são favoráveis assume-os dando voltas olímpicas; quando são desfavoráveis sacode a água do capote e chuta a responsabilidade para os outros.Ora aí está, nunca comete erros. A utilização dos jogadores com o intuito de darem uma versão soft do que aconteceu para a opinião pública, a ser fomentada pela Direcção, revela também uma situação de indignidade.


O nosso presidente nunca saiu da pele de um chefe de claque. Continua a actuar a esse nível. Como comandante de pessoas usa a estratégia de atacar as suas próprias tropas. Em vez de unir desune. Em vez de moralizar desmoraliza. Actua por impulsos emocionais e não com racionalidade. Por este caminho perdeu muitas batalhas e vai perder muitas mais. No fundo, quem as perde é a colectividade que dirige. O que é preciso mais para perceber que não tem perfil , nem competência, para as funções que desempenha.

 

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publicado às 12:00

A brigada do reumático

Naçao Valente, em 14.01.17

 

Convém fazer um ponto prévio. Qualquer pessoa é livre de se assumir como apoiante de candidaturas à presidência do Sporting. É uma assunção de livre arbítrio. Nem podia ser de outra forma. Era o que mais faltava.


Vem esta clarificação a propósito da badalada comissão de honra da candidatura de Bruno Miguel de Azevedo Gaspar de Carvalho. Até à apresentação do candidato Pedro Madeira Rodrigues, a candidatura do actual presidente mantinha-se em banho maria. Estou convicto que tinham esperança que não aparecesse opositor e que a reeleição seria um passeio apoteótico. Infere-se que o facto de ter aparecido um candidato fez tocar todas as campainhas do lado do situacionismo, na feliz expressão de Leão Zargo. Logo a candidatura da evolução na continuidade, saiu da bruma e assumiu-se com todo o seu potencial.

 

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A apresentação de uma comissão de honra faz-me lembrar, salvaguardadas as devidas distâncias de contexto e de circunstância, uma situação que aconteceu em 1974 quando os generais Spínola e Costa Gomes se afastaram de Marcelo Caetano. Surgiu então um grupo de altas patentes militares que foram prestar vassalagem ao Presidente do Conselho. Esse grupo de fiéis ficou na época conhecido como “a brigada do reumático”.


As primeiras cinquenta sombras da imagem presidencial, vieram à luz do dia logo após o anúncio da sua candidatura. E a sombra foi alastrando para obscurecer qualquer luz da oposição. Olhando para as sombras não se percebe qual o critério para a sua constituição, de tal modo que já alguém lhe chamou, uma espécie de albergue espanhol. Há ali de tudo: brunistas convictos do milagre financeiro; contestatários reconvertidos à situação; putativos candidatos em pirueta arriscada, comentadores engajados e comprometidos. Lembro-me dessa eminência parda, José Maria Ricciardi, abono de vida do Presidente, de Dias Ferreira rendido à truculência presidencial, de Vasco Lourenço crítico amnésico, e do “yes men”doutor Barroso ,entre outros.


Há quem diga que este beija-mão foi ,nalguns casos, assumido por voluntarismo obrigatório. Uns porque gostam, alguns porque têm que gostar, outros porque sim. Seja como for, todos se aliam ao propalado carro vencedor. Se vão ou não receber louros logo se verá.


Com mais ou menos artritismo, físico ou mental, o facto é que o situacionismo tem que ir a jogo, com pelo menos um candidato (veremos se aparecem mais) e denota algum nervosismo. Como só gosto de fazer prognósticos depois do jogo, espero pelas propostas que surgirem e pela sua consistência. Depois os votantes decidirão, bem ou mal. E nessa decisão, boa ou má, estará o futuro do Sporting.

 

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publicado às 04:46

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