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"Não sou um yes man tonto"

Naçao Valente, em 19.01.17

 

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Estava a fazer zapping pelos canais televisivos quando caí num programa sobre a aludida crise do Sporting. Não costumo frequentar esse tipo de programas, cada vez mais deprimentes, mas enchi-me de coragem e fui ficando. O painel era constituído pelo doutor Barroso, pelo Zé Eduardo do catering, de tal modo apoiantes de Bruno que mais parecem heterónimos, pelo Dani, comentador residente e por Pedro Rodrigues, para mim um desconhecido.

 

O José Alberto Carvalho moderava mas pouco. Dani batia na tecla da época mal preparada, Pedro Rodrigues procurava fazer o contraditório aos “yes men”, acentuando as causas profundas sobre a situação, mas não conseguia desenvolver um raciocínio, nem acabar uma ideia, porque de imediato era interrompido pelo doutor Barroso, que açambarcava o debate para passar a sua mensagem de brunista convicto.


No meio da sua habitual verborreia saiu-lhe esta frase: “eu não sou um yes man tonto...”. Ouvi bem? Não é 'yes man tonto'? Tonto não sei. Mas yes man é seguramente. O doutor Barroso que me faz lembrar a conhecida personagem chamado “emplastro” pela atracção que tem por câmaras (apenas neste aspecto, que fique claro) tornou-se figura pública, não pela sua profissão, na qual será proficiente, como muitos outros, mas como "paineleiro" de verbo fácil e chalaça brejeira à pala do sportinguismo. E foi aí que o presidente Bruno o foi buscar para a sua lista. Por gratidão pela escolha o doutor Barroso assumiu uma devoção quase religiosa pelo Presidente.


Neste debate ouvi-o reconhecer, que enfim, a época está a correr mal, os resultados desportivos são maus, que possivelmente não ganharemos nada, mas que devemos dar outra oportunidade ao Bruno. Se depois de novo mandato as coisas não estiverem bem, ele próprio dirá ao Presidente: “ó Bruno é melhor não continuares”.


Quando o doutor Barroso era presidente da Assembleia Geral, onde devia mostrar isenção, fez guerra contínua à direcção em funções. De manhã vestia a pele de Presidente e à noite transmutava-se em comentador . Aí zurzia nos maus resultados, nos treinadores, nos jogadores e claro no Presidente. E sempre apadrinhou o golpe que levou à sua demissão. Nessa altura tudo estava mal, agora está tudo bem e é preciso continuar. Mas este homem não se enxerga? Será que alguém  o leva a sério?


Na minha opinião pessoal, vale o que vale, e ao contrário do doutor Barroso, entendo que Bruno de Carvalho não merece um novo mandato. Entre uma ou outra medida positiva, está um mar de más decisões e de polémicas atitudes. Tem sido um Presidente arrogante, autoritário, conflituoso, revanchista, chico-esperto, imponderado. Tem mostrado pouco conhecimento do mundo do futebol, tem agido por impulsos irracionais. Recebeu um complexo desportivo moderno, Estádio e Academia prestigiada no mundo, dos seus antecessores, e desrespeitou-os. É  como um elefante que entra numa loja de porcelanas mas só parte as da sua casa. Se for eleito é por falta de alternativas consistentes, ou porque os eleitores, não conseguem ou não querem ver para além da espuma da realidade.

 

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publicado às 15:25

O princípio de Peter

Naçao Valente, em 17.01.17

 

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Na Idade Média, Galileu, para não ser condenado, disse perante um tribunal da Igreja Católica o contrário do que vinha defendendo sobre o movimento da Terra no Sistema Solar. Enquanto prestava testemunho, abjurando das suas ideias, disse em surdina para quem o ouviu “e no entanto ela se move”.


O que aconteceu com os dois capitães da equipa do Sporting, depois da discussão no balneário após o jogo com o Chaves, foi uma cena triste. Ver Adrien e William, dois grandes profissionais, aparecer com cara de enterro a debitar um breve discurso preparado, mostra o estado a que chegou o nosso Sporting. Compreendo perfeitamente a situação dos atletas, empregados do clube, e que como tal, a pedido, tentaram deitar água na fervura para apaziguar um caso que prejudica o bom nome do Sporting. É certo que ao fazerem o esclarecimento, acabam também por salvar a pele do presidente que terá , mais uma vez, praticado um acto irreflectido e indigno de um presidente de uma grande instituição.


Não tenho fontes fidedignas nem 'infidedignas' sobre o que em concreto se passou, Mas sou levado a acreditar em pessoas que merecem credibilidade. Se a atitude do presidente Carvalho foi aquela que é relatada, desabrida e insultuosa, o que não me admira, porque já é recorrente, ainda não aprendeu nada com os erros que tem cometido.Mas há uma justificação: quando os resultados são favoráveis assume-os dando voltas olímpicas; quando são desfavoráveis sacode a água do capote e chuta a responsabilidade para os outros.Ora aí está, nunca comete erros. A utilização dos jogadores com o intuito de darem uma versão soft do que aconteceu para a opinião pública, a ser fomentada pela Direcção, revela também uma situação de indignidade.


O nosso presidente nunca saiu da pele de um chefe de claque. Continua a actuar a esse nível. Como comandante de pessoas usa a estratégia de atacar as suas próprias tropas. Em vez de unir desune. Em vez de moralizar desmoraliza. Actua por impulsos emocionais e não com racionalidade. Por este caminho perdeu muitas batalhas e vai perder muitas mais. No fundo, quem as perde é a colectividade que dirige. O que é preciso mais para perceber que não tem perfil , nem competência, para as funções que desempenha.

 

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publicado às 12:00

A brigada do reumático

Naçao Valente, em 14.01.17

 

Convém fazer um ponto prévio. Qualquer pessoa é livre de se assumir como apoiante de candidaturas à presidência do Sporting. É uma assunção de livre arbítrio. Nem podia ser de outra forma. Era o que mais faltava.


Vem esta clarificação a propósito da badalada comissão de honra da candidatura de Bruno Miguel de Azevedo Gaspar de Carvalho. Até à apresentação do candidato Pedro Madeira Rodrigues, a candidatura do actual presidente mantinha-se em banho maria. Estou convicto que tinham esperança que não aparecesse opositor e que a reeleição seria um passeio apoteótico. Infere-se que o facto de ter aparecido um candidato fez tocar todas as campainhas do lado do situacionismo, na feliz expressão de Leão Zargo. Logo a candidatura da evolução na continuidade, saiu da bruma e assumiu-se com todo o seu potencial.

 

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A apresentação de uma comissão de honra faz-me lembrar, salvaguardadas as devidas distâncias de contexto e de circunstância, uma situação que aconteceu em 1974 quando os generais Spínola e Costa Gomes se afastaram de Marcelo Caetano. Surgiu então um grupo de altas patentes militares que foram prestar vassalagem ao Presidente do Conselho. Esse grupo de fiéis ficou na época conhecido como “a brigada do reumático”.


As primeiras cinquenta sombras da imagem presidencial, vieram à luz do dia logo após o anúncio da sua candidatura. E a sombra foi alastrando para obscurecer qualquer luz da oposição. Olhando para as sombras não se percebe qual o critério para a sua constituição, de tal modo que já alguém lhe chamou, uma espécie de albergue espanhol. Há ali de tudo: brunistas convictos do milagre financeiro; contestatários reconvertidos à situação; putativos candidatos em pirueta arriscada, comentadores engajados e comprometidos. Lembro-me dessa eminência parda, José Maria Ricciardi, abono de vida do Presidente, de Dias Ferreira rendido à truculência presidencial, de Vasco Lourenço crítico amnésico, e do “yes men”doutor Barroso ,entre outros.


Há quem diga que este beija-mão foi ,nalguns casos, assumido por voluntarismo obrigatório. Uns porque gostam, alguns porque têm que gostar, outros porque sim. Seja como for, todos se aliam ao propalado carro vencedor. Se vão ou não receber louros logo se verá.


Com mais ou menos artritismo, físico ou mental, o facto é que o situacionismo tem que ir a jogo, com pelo menos um candidato (veremos se aparecem mais) e denota algum nervosismo. Como só gosto de fazer prognósticos depois do jogo, espero pelas propostas que surgirem e pela sua consistência. Depois os votantes decidirão, bem ou mal. E nessa decisão, boa ou má, estará o futuro do Sporting.

 

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publicado às 04:46

"Joguem à bola"

Naçao Valente, em 07.01.17

 

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No tempo, quase mítico, em que vivia em Lisboa e ia ver jogos de futebol, os estádios estavam cheios de adeptos que vibravam com as peripécias do jogo. Não havia claques organizadas, nem pessoas que iam para os jogos em caixas rigorosamente vigiadas. O mundo é feito de mudança e hoje existe essa realidade. As claques que hoje animam o espectáculo com as suas coreografias, têm porém uma face preocupante: podem ser instrumentalizadas e transformar-se numa espécie de tropas de choque ao serviço de interesses que não são seguramente os do desporto. Mais, podem pôr em risco pessoas e bens como já tem acontecido. Ameaças veladas ou explícitas seja a quem for é um desvio perigoso às regras de convivência social.


Os adeptos e as claques em especial costumam usar a frase “joguem à bola” quando querem demonstrar desagrado com as exibições da equipa que apoiam. Estratégia discutível, pois normalmente têm efeitos perniciosos na recuperação do mau momento que a equipa está a atravessar. Por outro lado, a frase faz algum sentido pois a função de uma equipa dentro das quatro linhas é jogar futebol, e com mais ou menos espectáculo enfiar a bola na baliza do adversário.


Nos anos quarenta, quando o Sporting venceu vários campeonatos, era isso que fazia e bem: jogar à bola. A equipa conhecida como os cinco violinos ganhava os jogos pela sua competência, pelo seu empenho, pelo amor à camisola e porque jogavam com prazer. Em suma, ganhavam porque era melhores em vários parâmetros. Nos anos sessenta o Benfica ganhou campeonatos nacionais e taças europeias porque tinha uma equipa de grande nível. Essa equipa, onde se destacava Eusébio, foi a base da selecção nacional que brilhou no Mundial de 1966. Nos anos oitenta, o FCP projectou-se a nível interno e externo, graças aos grandes craques que a compunha. É certo que o FCP estabeleceu e controlou uma rede de estruturas com influências no futebol. Mas isso não invalida a competência das suas equipas.


Com a profissionalização do futebol como indústria, que move muito dinheiro, e em que este é sinal de conquista de títulos, pela capacidade de reunir os melhores artistas, a concorrência desportiva saudável extremou-se até se transformar numa “guerra”. Os dirigentes desportivos, cada vez mais de pior qualidade, procuram proteger-se dos maus resultados, desviando a atenção do jogo jogado para os jogos de bastidores. Por norma, os responsáveis pelas derrotas são sempre os árbitros e os seus erros. A culpa nunca é dos plantéis mal construídos, dos erros dos treinadores, da táctica, da falta de dinâmica, da falta de eficácia.


Os árbitros sempre erraram e sempre vão continuar a errar. Erravam nos anos quarenta, nos anos sessenta ou nos anos oitenta. Quando o Sporting ganhava campeonatos, ano após ano, não o fazia pela acção dos árbitros. Fazia-o porque jogava melhor futebol e/ou marcava mais golos. Sempre assim foi e sempre assim será. Focar a explicação dos resultados negativos na arbitragem e fazer disso a principal discussão do futebol é ir por um mau caminho, perigoso para o próprio futebol. Uma classe dirigente que dignifique o desporto, que não o transforme numa guerra, que não crie as condições para a violência, precisa-se. Se querem ganhar com autoridade e competência “joguem à bola” !

 

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publicado às 14:00

A solidão do poder

Naçao Valente, em 03.01.17

 

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O presidente do Sporting faz-me lembrar o Coronel Buendía, uma personagem de um livro de Gabriel Garcia Márquez, Cem Anos de Solidão. O autor diz da personagem “promoveu trinta e duas revoluções armadas e perdeu todas”.

 

Bruno de Carvalho, da sua natureza, trouxe para o Sporting, não a paz mas guerra. Não sei quantas batalhas iniciou, mas tem muitas perdidas e outras em vias de as perder. De tal modo que ofuscaram uma ou outra vitória que tenha conseguido. Salientem-se as guerras inúteis e desnecessários com o passado, as lutas absurdas com os fundos, os conflitos com sócios ou adeptos, as demandas esotéricas com adversários, a cruzada das cores, do verde contra o encarnado, a errada estratégia desportiva. Casos e mais casos, derrotas e mais derrotas. Não admira que agora apareça cansado e peça a ajuda de tudo o que vier à rede no mundo sportinguista.


O presidente e agora candidato, assumiu publicamente, numa entrevista a um jornal, uma outra personagem da literatura: D. Quixote de La Mancha. Disse ele que estava cansado de representar o papel da personagem de Cervantes, e de tanto lutar sozinho, contra os moinhos da sua imaginação. E vem pedir, ou quase exigir, a ajuda de outros sportinguistas pois está farto da tarefa quixotesca. Logo se levantou uma horda de guerreiros em seu auxílio. Pelo que consta, mais de cem e de todos os quadrantes. Nem os ditos croquetes, tão amaldiçoados deixaram de responder à chamada. E até um putativo candidato de espinha extra flexível deu um passo em frente.

 
Há, no entanto, uma personagem real que se adequa à sua atitude: chama-se Oliveira Salazar. Não que exerça o poder autocrático, porque os tempos mudaram, mas porque lhe copia alguns tiques de superioridade e alguma hipocrisia. O antigo Presidente do Conselho, numa das comemorações do 28 de Maio, disse que era hora de se retirar, mas que olhando à sua volta não encontrava alguém para continuar a sua obra . Aplausos. Bruno de Carvalho numa encenação mais subtil fez o mesmo número. O cargo que ocupa é muito desgastante, no entanto sacrifica-se pela causa. Fazer o quê, quando olha à sua volta e só vê mediocridade.


Salazar só saiu depois de cair da cadeira. Ainda o mantiveram semivivo durante algum tempo como o chefe virtual, tal como o grande agrário Diogo Relvas, do romance Barranco de Cegos de Alves Redol, que sentado numa torre, embalsamado, mantinha o respeito dos servos, cegos conduzidos por um cego. Vieram outros governantes e o país sobreviveu e está melhor, o que significa que não há insubstituíveis.


Bruno de Carvalho apresenta-se agora, como o bom da fita. Que candura! Faz-me lembrar o filme de Sérgio Leone, o Bom, o Mau e o Vilão. Sendo ele o bom, qualquer adversário tem de fazer outro papel. Madeira Rodrigues já está etiquetado. Além de ser mau, é fraco e já está derrotado. Dizem os seus homens de mão. Não parece ser essa a posição do herói. A arregimentação de tropas no exército “inimigo” indicia que está com medo? Estaremos perante um herói medroso? Que ironia! Ou teremos um general perdido no seu labirinto da solidão do poder? E se aparecer também um vilão? Ou apesar de ter o melhor armamento, a brigada ligeira e a artilharia pesada, sabe que numa guerra não há vencedores antecipados e só perde quem desiste de lutar? Entre muitos exemplos lembro-me de Aljubarrota.

 

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publicado às 16:15

Navegar à vista

Naçao Valente, em 24.12.16

 

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Bolas no poste. Tácticas erradas. Lances polémicos. Aquisições falhadas. Dinâmicas de jogo inadequadas. Balanços e balancetes. Coisas do pontapé na bola. Coisas do nosso dia a dia que movem multidões e acicatam discussões.

 

Mas hoje vou em contracliclo,contrariando a natureza do espaço.Vou concluir a minha participação, neste ano, que se despede, com uma história, que como todas as histórias, tem alguma coisa de realidade. Mas semelhanças com a realidade podem ser, ou não, mera ficção.Que me perdôe a Administração por este desvio ao padrão. Apelo ao seu espírito natalício.


Esta é a história de uma nau e do seu timoneiro, um timoneiro sem experiência de navegação, mas que quis navegar, por mares que nunca tinha navegado. Do que se sabe ,apenas pilotou uns barquitos que navegavam no mar da palha e que já estão todos em doca seca.


Quando conseguiu ocupar e dirigir a grande nau, sem experiência, sem conhecimento das regras náuticas, sem conhecimento da navegação astronómica, decidiu navegar à vista. Sem projecto, sem rumo definido, foi navegando, umas vezes empurrado por ventos favoráveis, outras à bolina,e sempre com terra à vista. A sua tripulação era nova mas generosa. Os seus pilotos jovens mas ambiciosos. Etapa a etapa, em segurança, foram levando a nau, rumo à conquista do almejado ouro. Contudo, este ainda não brilhava no horizonte. Mas com teimosia e  agarra a tripulação conseguiu adquirir alguma prata e aumentar a esperança de chegar às prometidas “Índias”.


Eis senão quando, numa reviravolta dramática, o timoneiro, se virou contra a sua tripulação, atirou borda fora o seu piloto, numa manobra de ingratidão, perante os relevantes serviços prestados, e contratou outro piloto. O novo velho piloto, homem de muita "prestança", que navegava por outros mares ao serviço de “Castela”, aceitou dirigir a nau a troco de muita prata e bom proveito. O timoneiro deu-lhe o pouco que tinha e o muito que não tinha, nem sabia se viria a ter. Refez a tripulação a seu bel-prazer e partiu com altivez gritando aos quatro ventos. Índia já. Ouro, pimenta e tudo o que houver. Agora, como há quinhentos anos. Tudo leva a crer que pouco sabe de história, porque há quinhentos anos esse objectivo foi fruto de muito labor, paciência, rigor, secretismo, planificação bem pormenorizada e melhor executada.


O timoneiro e o seu piloto, também pouco conhecedor da navegação com instrumentos náuticos, continuaram a navegar à vista. Mais, ignoraram que os mares estão cheios de obstáculos e são de per si indomáveis. Há ventos traiçoeiros, tempestades inesperadas, que até os mais bem preparados têm dificuldade em enfrentar. A viagem começou a correr mal. Nem ouro, nem pimenta, nem nada. O timoneiro não aguentou a pressão. Perdeu o norte. Gritou a todos os ventos que a culpa era dos adamastores. Desembainhou a espada e da proa à popa  atacou em todas as direcções: contra os adamastores do passado que lhe entregaram uma nau em mau estado e mereciam o degredo, contra as regras marítimas que lhe tolhiam a navegação, contra “Castelas “ , sobretudo contra “Castela” por existir e lhe disputar as conquistas. Lutas e mais lutas. Todas perdidas.Todas naufragadas.


Um fogo de santelmo tirou-lhe a pouca lucidez. Furioso, alucinado, por não dominar os elementos, o timoneiro subiu ao mastro, despiu as vestes, colocou-se na gávea e enjoado vomitou impropérios, enfrentou todos os adamastores e com a sua voz cavernosa declarou : eu não vos receio, porque sou o maior nas navegações; nunca erro nem nunca errei; vou vencer-vos, abutres, ratos de porão e mais bicharada. Venham todos. Sejam quantos forem. Os adamastores na sua rigidez de pedra, não o ouviram, nem lhe responderam. Surdos e mudos ignoraram. De tanto gritar ficou a falar sozinho, perdido no labirinto em que se meteu. Apenas as sereias o ouviam e aplaudiam, e nas suas melopeias clamavam: "salvé ó grande mestre e salvador, sem ti nem o sol se move.”


Entretanto a nau continua a navegar, cada vez mais longe das “Indias”. Já nem navega à vista. Anda à deriva. O novo velho piloto meteu-se no mar alto e está perdido. A tripulação está desorientada e descrente. Pobre nau. Os piratas do mares seguem-na a curta distância. Querem os despojos. Os homens do” tráffico” aguardam a sua oportunidade. O timoneiro agarra-se ao poder como uma lapa. Mesmo que a nau soçobre, teima em navegar.


Que cada qual tire desta espécie de parábola os ensinamentos que entender, sejam quais forem, e que tenham um bom Natal, como símbolo de renascimento.

 

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publicado às 11:37

 

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Grupo de fundadores em 1906.Na fila de cima, 4º a contar da direita, em camisa está José Alvalade.

À sua direita está António Stromp. Sentado no chão, 1º à direita, está Francisco Stromp.

 

 

A história do futebol em Portugal mostra que esta modalidade era no início praticada, sobretudo por classes endinheiradas que gostavam de ocupar os tempos livres com a nascente arte do pontapé na bola. Entre as primeiras equipas que se formaram em Lisboa estava o Sporting Clube de Portugal, que nasceu de uma cisão no Campo Grande Futebol Clube, em 1906. Os seus fundadores foram José Holtreman Roquete (José Alvalade) os irmãos Gravazo, e os irmãos Stromp, entre outros. O visconde de Alvalade contribuiu financeiramente para as despesas relacionadas com a constituição da colectividade. Os fundadores do Sporting eram gente da aristocracia e da burguesia lisboeta.


O Sporting sediado em Lisboa, mas que cresceu e alargou os seus horizontes a todo o país, dando jus ao seu nome, transformou-se num clube de Portugal, seguido e acarinhado, transversalmente, por todos os grupos sociais. No entanto, a gestão ao longo da sua história, foi em grande medida, assegurada por pessoas dos extractos sociais mais elevados. Daí que acabasse por ser muitas vezes confundido como um clube de elites. Independentemente das suas direcções, o facto é que o Sporting foi desde muito cedo uma colectividade de base popular, e é isso que justifica o seu crescimento, a sua longevidade e a sua matriz de grande clube nacional.


A realidade é dinâmica e adapta-se aos tempos e aos contextos em que se desenvolve. O dirigismo elitista que construiu o Sporting e foi responsável pela época áurea, também evoluiu e acompanhou, a evolução da realidade. Na segunda metade do século XX, e ainda antes das mudanças políticas em Portugal, a Presidência começou a ser exercida por pessoas, que sem pôr em causa a continuidade, se desligaram do elitismo tradicional. Se João Rocha é o exemplo de presidente popular, Sousa Cintra assume uma espécie de populismo mitigado, cuja expressão genuína tinha sido concretizada por Jorge Gonçalves. E se há o regresso de um certo elitismo dirigente com Roquete, este não menospreza o peso da massa adepta na realidade leonina.


Os populismos, nas suas múltiplas vertentes, nascem e alimentam-se do desespero das massas populares. No seu aspecto mais radical, estão associados a atitudes xenófobas. Também na vida das colectividades desportivas, a emergência do populismo pode aparecer ligado ao ódio ao outro, ao que é diferente, ao que não faz parte da nossa tribo, gerando situações de violência nada consentâneas com a essência do desporto.


A actual Presidência do Sporting demonstra, na minha observação, características do populismo. Aproveitando a situação conjuntural geradora de descrença, apresenta-se a eleições com um programa de ruptura com o sistema. Os males do clube são atribuídos a um grupo de dirigentes epitetados de croquetes, expressão com significado pejorativo, mas de conteúdo completamente vazio. Mudar o sistema, para o populismo, implica pôr em causa o passado mais recente, atribuindo-lhe as culpas quer pela situação financeira, quer pela situação desportiva. O Presidente populista dirige o foco da contestação a nível interno para os seus antecessores, para que ele se possa assumir a sua promoção de salvador. Campeão da moralidade não tolera a contestação e fomenta a irracionalidade e a emoção dos adeptos Apresenta a sua superioridade moral como argumento para desrespeitar contratos assinados, e instaurar uma espécie de realidade paralela.


O presidente do Sporting, este ou qualquer outro, deve ser avaliado pelo seu desempenho, pelo que fez ou pelo que não fez, pela postura de “estadista” ou pela falta dela, pela capacidade diplomática de estabelecer pontes ou ao invés de construir muros, pela transparência ou pela opacidade, pelo seu projecto e pelo que ele contribui para a sustentabilidade a longo prazo, pela cimentação de alicerces que sustentem o futuro ou por erigir castelos de fantasia que gerem encantamentos imediatos.


O caminho do Sporting iniciado no início do século XX , não pode ser ,um século  depois, dirigido pelo populismo. O Sporting século XXI , liberto do elitismo, tem que encontrar uma via de equilíbrio e de realismo . A Presidência deve ser exercida com competência, mas também com moderação, com bom senso, com diplomacia e sobretudo com inteligência, incluindo a inteligência emocional. Venha de onde vier a personalidade que for escolhida. Elitismo ou populismo, não devem ser a base de uma alternativa sólida e agregadora de todos os sportinguistas.


P.S.:  Quando li o excelente texto de João Benedito, já este post estava redigido. Por isso, congratulo-me com a convergência de alguns pontos de vista. Não sei é se Benedito estará disponível para concorrer ao cargo de Presidente, nem se estará preparado para essa função. Vejo-o antes, se desejar, como elemento de uma equipa directiva, para ir fazendo o seu tirocínio.

 

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publicado às 11:30

Este Jesus não é Deus

Naçao Valente, em 01.11.16

 

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Jorge Jesus entra no Sporting na ressaca do processo Marco Silva. Com despedimento anunciado ainda com a época a decorrer, o técnico vencedor da Taça de Portugal, primeiro e único título relevante do consulado de Bruno de Carvalho, viu-se envolvido num processo disciplinar de uma hipocrisia triste e lamentável. O embaraço que este caso causou no mundo sportinguista foi “abafado” com a contratação de Jesus, dispensado pelo Benfica, e permitiu a Bruno de Carvalho ultrapassar a situação airosamente, e ao técnico, continuar a treinar em Portugal como era seu desejo. Conjugaram-se dois desejos, mas com pesados custos para o Sporting.

 

Jorge Jesus, um bom técnico, ninguém o contesta, mas principescamente pago para a nossa realidade, foi apresentado como um salvador. Ele assim se considerou com a célebre frase “antes havia dois candidatos ao título e agora há três”. E desta afirmação depreende-se que bastava a sua presença para isso começar a acontecer. Mas este Jesus não é Deus, embora pelas suas atitudes de omnipotência e omnisciência assim se considere. Este Jesus é um homem, com virtudes e defeitos, e sujeito às contingências de todos os humanos. A asserção que contratar Jorge Jesus representava a conquista de títulos, invertendo, instantaneamente, como por magia, um ciclo de alguma subalternidade, foi um erro crasso . A base de uma equipa ganhadora e consistente começa pela construção de uma estrutura sólida onde o treinador é mais uma peça e não a peça. Exige um projecto coerente que precisa de caminhar com passos firmes e seguros. E precisa de tempo e de paciência.

 

Deixando de fora questões técnicas já aqui bastante debatidas, como jogadores lesionados, jogadores desadaptados ou em má forma, tácticas erradas, o principal problema da má prestação da equipa, na minha opinião, é de ordem mental. A derrota de Madrid nos minutos finais de um jogo que parecia ganho, deixou marcas nos jogadores. Um acontecimento similar em Guimarães, onde se passa de uma vitória folgada para um empate em poucos minutos, é a prova da instabilidade psicológica. A falta de confiança entorpece o funcionamento do físico. Neste momento a equipa leonina parece um corpo sem cabeça. A recuperação de uma situação destas é muito mais difícil para qualquer treinador, do que a falta temporária de um ou outro atleta. E quando o treinador se considera acima de outros mortais, e não tem nos seus atributos a humildade para sair do seu Olimpo, mais complicado é reverter a situação.

 

A prática da arrogância, mais tarde ou mais cedo, vira-se contra quem a pratica. Veja-se o que aconteceu quando na época anterior e com oito pontos de avanço, o Presidente afirmou que “era tempo de termos adversários à altura”. Espicaçou e uniu o adversário directo, que fez da fraqueza força. De igual modo, a desvalorização da competência do treinador Rui Vitória por Jesus, acabou por lhe cair em cima da cabeça.

 

Os adeptos passam rapidamente da euforia para a depressão, porque têm dificuldade em controlar as emoções e manter os pés assentes na terra. A procissão ainda vai no adro, e o primeiro lugar não está atribuído. É possível recuperar os pontos perdidos, desde que se perceba que não há vitórias antecipadas, nem homens providenciais. Esforço, dedicação, humildade e descrição, eis o caminho para a glória.

 

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publicado às 12:46

Jogos de poder

Naçao Valente, em 12.10.16

 

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Mesmo indo contra a actual opinião das correntes clubísticas, considero que  a polémica que se instalou nas redes sociais entre o Sporting e o Benfica, dá uma imagem degradante do que deve ser o desporto. Sporting e Benfica são grandes clubes portugueses que nasceram, cresceram e se impuseram pela rivalidade entre si. Têm origens e histórias diferentes mas percursos paralelos. E volto a acentuar, sem essa rivalidade não seriam o que são.

 

Alimentar a rivalidade é por isso saudável. Pernicioso é transformar a rivalidade sã em clima de guerra permanente, e para além da normal actividade desportiva. Quando se considera um adversário como inimigo e se promove o ódio contra ele, desce-se ao grau mais baixo do que deve ser a normal e necessária convivência entre instituições. Não é essa a natureza do desporto. Antes pelo contrário.


O comentador e vice-presidente do Benfica Rui Gomes da Silva é, com todo o respeito, uma figura patética e como tal não se pode levar a sério. Pelo que é visível, representa para o Benfica o papel de “entretainer” numa estação de televisão. Responder-lhe à letra é pura perda de tempo e significa  descer ao seu nível. Baixo muito baixo.


O Sporting Clube de Portugal é uma instituição centenária, com um passado relevante ao serviço do desporto em Portugal. Ao colocar nas redes sociais textos como os que tem publicado ultimamente, só se desprestigia. O discurso rasca e de uma agressividade semântica inqualificável, é uma espécie de 'boomerang' que acaba por se voltar contra quem o arremessa.


Mas o SCP como colectividade é constituído por pessoas que a representam e que a servem. E aqui é que bate o ponto. Quando quem serve o clube tem como estratégia o lema “os fins justificam os meios” vale tudo. A guerra contínua contra tudo o que mexe, obedece a uma estratégia clara da actual direcção para se auto-promover. A frase de Bruno de Carvalho... “quem quiser fazer mal ao Sporting tem de me matar primeiro a mim", não é ingénua e cai bem em muitos adeptos. Mas na prática não significa nada. Defender o Sporting é desiderato de todos os sportinguistas. A conclusão comprovada pela prática é que Bruno de Carvalho à sua maneira, seguindo as pegadas de outros dinossauros, se quer eternizar como presidente do Sporting. É um projecto pessoal, que pode coincidir ou não com os interesses do clube.


Luís Filipe Vieira conseguiu o objectivo da eternização. Daí que com o tri-campeonato no bolso e o seu lugar solidamente garantido, se possa dar ao luxo de dar uma imagem de individuo consensual e distante, portanto acima das disputas vãs dos pobres terrestres. Mas na verdade utiliza, porque pode, todo a hipocrisia do mundo, enquanto vai colocando, estrategicamente, os seus agentes que se disponibilizaram para fazer o trabalho sujo.


Bruno de Carvalho está no início do processo de entronização como homem insubstituível. Tem um caminho pedregoso para percorrer. Assim, vai atirando pedras em várias direcções com o intuito de mostrar serviço às hostes. Copiando um pouco o estilo dos adversários/mestres abandonou, em parte, o estilo caceteiro directo, e começou a resguardar-se atrás de outras figuras, para quem deixou as tarefas mais desgastantes. E quando, por exemplo, um resultado desportivo é negativo sai chumbo grosso para distrair o pagode do que é essencial. 


Nesta luta comunicacional não há inocentes. Cada uma das partes pretende com esta estratégia manter as suas “tropas” unidas, e fazer passar a mensagem de defensor inquestionável . Acicatar os ânimos contra o adversário, procurando desvalorizá-lo e desmolarizá-lo, provoca a reacção adversa, de onde sobressai o pior primarismo da natureza humana. Quem ganha com estas guerras abertas de 'clubite' irracional não são as colectividades, mas eventualmente quem, transitoriamente, as dirige.Tudo não passa de jogos de poder, sempre pessoal, e ao fim e o cabo o que sobra de concreto para a valorização do desporto é nada. Espuma, apenas espuma.

 

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publicado às 10:30

O homem duplicado ?

Naçao Valente, em 04.10.16

 

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O presidente Bruno de Carvalho parece estar a dar uma volta de trezentos e sessenta graus no seu comportamento público, enquanto presidente do Sporting. Estão nessa linha as suas últimas declarações depois do empate em Guimarães: “a culpa é minha”. Esta assunção de culpa é, não muito usual e algo estranha. A ser sincera, mostra que, finalmente, Bruno de Carvalho parece ter percebido que a função de presidente, implica assumir responsabilidade do que de bom ou de mau acontece na instituição a que preside. E por esse reconhecimento merece ser elogiado.

 

No entanto, nem sempre foi essa a sua atitude. No seu currículo de dirigente leonino existe um longo histórico de sacudir a água do capote. Um dos casos mais gritantes está relacionado com a sua reacção após o jogo, com a mesma equipa, no campeonato de 2014/2015, depois de uma derrota gorda. Ao invés de assumir a sua quota de responsabilidade e dar o apoio à equipa, aproveitou a situação para acusar os jogadores de falta de profissionalismo, através das redes sociais. Também aproveitou esse resultado negativo, para iniciar o processo de despedimento do treinador Marco Silva, numa saga que ficou conhecida como a "operação Zé dos tachos”.


Dois pesos e duas medidas revelam  impreparação para as funções que desempenha? Ou uma mudança de estratégia provocada pela proximidade de eleições? Ou a hipótese de ter uma dupla personalidade? Ou todas as hipóteses? Se acrescentarmos declarações recentes, pronunciadas num encontro de sportinguistas e publicadas na imprensa, talvez se encontre algum sentido nesta aparente mudança. Com efeito, o presidente Bruno de Carvalho terá mostrado uma imagem de tolerância inusitada. Tanto mais, que sobre o processo eleitoral, terá referido que isso é assunto que não o preocupa neste momento, o que significa assumir a expressão muito conhecida “que se lixem as eleições”. Contudo, disse ainda que já existia Sporting antes e que continuará a existir depois de Bruno de Carvalho. Grande verdade. Mas ironicamente acrescenta que o Sporting ainda existe devido à sua intervenção.

 

Em conclusão, embora me agrade este propalada mudança para o bom senso, não consigo perceber se corresponde à sua verdadeira natureza, ou se não passa de uma incoerência forçada pelo espírito de sobrevivência.

 

... Ou possivelmente uma  proclamação antecipada do espírito natalício.

 

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publicado às 15:00

Não podemos ignorar...

Naçao Valente, em 20.09.16

 

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"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar."

Sophia de Mello Breyner Andresen

 


Nunca fui apoiante de Bruno de Carvalho, mas reconheço que no início do seu mandato me surpreendeu. Fez a reestruturação financeira, que ao que consta já estava delineada, e teria que ser feita por quem ocupasse o cargo de Presidente. Adequou as despesas às receitas, diminuindo custos com pessoal e colocou um tecto nos vencimentos dos atletas do futebol profissional. Contratou treinadores jovens, mas ambiciosos e com grande margem de progressão. Com plantéis constituídos com muitos jogadores da formação , em duas épocas, o Sporting teve um segundo lugar e um terceiro no campeonato e ganhou uma Taça de Portugal. No plano financeiro, as contas começaram a estar equilibradas. E descontado alguma incontinência verbal, guerras desnecessárias, ajuste de contas com o passado, e contratações falhadas, parecia estar no bom caminho. Estaríamos perante um "fogo fátuo" um jogo de aparências?


O certo é que  foi Sol de pouca dura. No terceiro ano de mandato fez uma inversão no caminho seguido. Abriu os cordões à bolsa que não tem, com a contratação do treinador mais caro a trabalhar em Portugal. Sob a sua égide reforçou o plantel com jogadores estrangeiros de renome, do que resultou o crescimento exponencial da despesa com a equipa profissional de futebol. Passado um ano, os resultados estão à vista. Na área financeira, o exercício do último ano apresenta um défice significativo. No plano desportivo, com excepção de uma Taça Cândido Oliveira, o resultado é igual a títulos zero.


A mudança de uma via de crescimento sustentado e seguro para ganhar já e a qualquer preço, mostra a inconsistência do projecto e conduziu à situação descrita. Em certo sentido seguiu a estratégia do presidente anterior, tantas vezes criticado e bem. E não fosse a venda de activos que se foram, naturalmente, valorizando, a situação poderia ser crítica. Para os acríticos e incondicionais "brunistas" que apenas vêem um lado da moeda, o que mais lhes convém, talvez seja altura de verem, olharem e lerem e deixarem de ignorar. Pelo Sporting.


P.S.: Não consigo entender o que se passa com a equipa B. Quando Bruno de Carvalho chegou à Presidência do Sporting, os “Bês” davam cartas na Segunda Liga e foi dali que veio, em parte, o auxílio para a reconstrução da equipa principal. Agora a equipa anda pelas ruas da amargura. O que está a acontecer à formação? Preocupante.

 

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publicado às 15:00

Jogo de monopólio

Naçao Valente, em 05.09.16

 

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A Adoração do Bezerro de Ouro, óleo sobre tela, século XVII, Andrea di Lione

 

 

Para a mentira ser segura

e atingir profundidade

deve trazer à mistura

qualquer coisa de verdade...

(António Aleixo)

 

 

É comum dizer-se que o presidente Bruno Azevedo de Carvalho mantém altos níveis de popularidade junto de muitos adeptos. Popularidade conquistada pela imagem de único e possível salvador do Sporting, vindo de uma situação de descalabro financeiro e desportivo. E apesar da atitude desnecessariamente quixotesca do Presidente, atacando tudo o que mexia, a boa prestação da equipa de futebol, apenas com a prata da casa, manteve-o à tona. A inexistência de uma oposição forte e organizada permitiu-lhe gerir a seu bel-prazer a imagem de salvador. Os opositores mais mediáticos, por tacticismo, por indiferença, por expectativa, por falta de coragem, ou por aliciamento estão meio amordaçados.


Nestas circunstâncias é muito difícil ser oposição ao Presidente. E embora a minha influência dentro do universo sportinguista seja igual a zero, não posso deixar passar em branco análises de indefectíveis brunianos, com coluna na comunicação social. Refiro-me a Daniel de Oliveira, colunista semanal do Record. Escreve ele num artigo intitulado “Matraquilhos e Monopólio” e a propósito da venda de activos, que Bruno é um genial jogador de monopólio, em comparação com presidentes anteriores, simples praticantes de matraquilhos, que estavam a afundar o Sporting.


Identifico-me politicamente com algumas ideias de Oliveira, que julgo ser um homem probo, mas entendo que nesta análise, onde incensa, mais uma vez, o seu ídolo, usa uma meia verdade para apoiar os seus argumentos, que no aspecto global, correspondem a uma não-verdade. De facto, o presidente fez uma boa capitalização de activos com as vendas dos atletas João Mário e Slimani. E se usando a s terminologia de Oliveira foi uma grande jogada de monopólio, é preciso acrescentar que o fez graças aos trunfos de que dispõe. E outros ainda poderia usar, como Adrien, William, Rui Patrício. Ao todo e num grande lote, cinco grandes trunfos, que com excepção de Slimani, lhe foram deixados pelos "jogadores de matraquilhos".


A propósito, fiz uma breve pesquisa comparativa e cheguei aos seguintes resultados: entre 1995 e 2016 o Sporting teve sete presidentes, num espaço de 20 anos. É só fazer as contas. Durante esse período consegui encontrar cinco ou seis jogadores do mesmo nível dos que agora existem, e que foram transferidos para grandes clubes europeus. São eles, Figo, Simão Sabrosa, Quaresma, Ronaldo, (ainda júnior) Nani, talvez Veloso. Acentuo, seis activos do mesmo nível dos agora disputados pelo mercado. E independentemente de serem ou não bem negociados, facilmente se conclui que os seis presidentes anteriores tiveram menos trunfos para jogar monopólio em vinte anos, que este presidente teve num único ano.


Pode o jornalista Daniel Oliveira tecer as loas que entender ao seu” santo milagreiro”. Pode, mas não deve em nome da análise séria, fazer comparações de realidades que não são incomparáveis. Pode e deve idolatrar quem quiser, mas sem desvalorizar de uma forma grosseira, seis presidentes e revisionar a história do Sporting. Para mais, a alta propagada popularidade do Presidente dispensa esses favores. Pelo menos enquanto ganhar no jogo do monopólio.

 

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publicado às 14:00

Campeão do quase

Naçao Valente, em 20.08.16

 

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Os Jogos Olímpicos estão ao rubro. E eu estou uma pilha de nervos. Todos os dias os "media" nos fazem crer que vamos ganhar uma medalha. Depois lá vem a cruel realidade. Por causa de desconcentração, de umas folhas que estão no sítio errado, de um azar mesmo azarado, somos ultrapassados mesmo quase no limite. E lá vem o 4.º, o 5.º ou o 6.º, os primeiros dos últimos, nas melhores hipóteses. Pronto, não foi medalha mas foi quase. É a nossa sina.

 

As coisas acontecem como têm que acontecer. Os outros ganham porque são melhores. Ponto. Somos um pequeno país, onde o desporto amador, ou dito amador, é um parente pobre do tio rico que é o futebol. Não se conhece um plano de desporto nacional integrado. As escolas vão fazendo um arremedo de desporto escolar, com a carolice de alguns professores. Esse trabalho, insuficiente, normalmente não tem seguimento. Os clubes locais não têm condições nem meios para fazer um trabalho de base. Os grandes clubes investem tudo no futebol. Os adeptos, tirando as excepções, borrifam-se para  o que não seja pontapé no esférico. E depois querem medalhas? Tomem !

 

Os nossos atletas fazem o melhor que podem e sabem. E com os apoios de que dispõem fazem muito. Para fazer um atleta de grande gabarito é preciso aumentar a captação, e muito trabalho duro e orientado por formadores competentes. É necessário mentalizar os nossos jovens, desviando-lhes o foco exclusivo do futebol, para outras modalidades. Fazer-lhes  ver que muitos podem ter apetências, que nunca terão para o desporto rei. A Secretaria do Desporto em coordenação com escolas e colectividades, devia elaborar um plano de formação desportiva e dar-lhes apoio efectivo.

 

Enquanto o nosso desporto extra-futebol continuar a viver de fogachos, de voluntarismos pessoais, nunca passará da cepa torta. E se hoje já podemos usar o "quase" em relação a algumas modalidades, é porque nessas áreas, se está fazer algum trabalho de fundo, com muitos sacrifícios. Uma coisa é certa: não somos inferiores aos outros. Provam-no os resultados no futebol, onde se investe e se trabalha a sério. E isso serve-me de consolação, mas não chega. Não quero ser campeão do quase. Nem a feijões.

 

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publicado às 10:37

Voltou a caça às bruxas ?

Naçao Valente, em 17.08.16

 

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 O verão tem estado quente. A imagem do inferno replica-se por todo o país. O inferno de muitos é o paraíso de alguns,os incendiários. A monomania incendiária é um desvio ao comportamento normal do ser humano. Tem várias manifestações e não se concretiza apenas no atear de fogos reais.


Uma espécie de monomania parece ter-se instalado, de há uns tempos a esta parte, dentro do Sporting Clube de Portugal. Expressou-se na forma de caça às bruxas, na perseguição a ex-dirigentes sportinguistas, e a sócios que ousaram discordar da doutrina oficial. Através de de uma auditoria em que os visados não foram ouvidos e se levantaram processos de lesa- clube àqueles que, bem ou mal, serviram o SCP, sem apuramento de qualquer dolo. Esses processos com contornos inquisitoriais, estão a decorrer nos tribunais e farão o seu percurso normal. Entretanto, e sem direito a defesa, já alguns foram excluídos de associados. Quando se esperava paz e união chegou conflito e divisão.


Entretanto muita água correu sobre as pontes e a sanha persecutória estava quase esquecida ou pelo menos adormecida, quando das aparentes águas calmas e talvez por influência do calor, os “incendiários” fazem uma espécie de mea culpa e transmutam-se em soldados da paz.


“O actual dirigente máximo do emblema de Alvalade pretendia que José Roquette, Dias da Cunhas, Soares Franco, Bettencourt e Godinho Lopes fossem ouvidos em comissão interna do clube”, lê-se no jornal Record que acrescenta que ex-presidentes já recusaram o alegado “convite” de Bruno de Carvalho.

 

Não se vislumbra, com clareza, o que pretende o presidente, com esta fixação, aparentemente conciliatória, nos antigos dirigentes. Mas tendo em consideração o registo conhecido do processo decorrente da auditoria, é pertinente colocar algumas interrogações. A primeira é qual a razão para ouvir agora os ex-presidentes aludidos, quando não o foram na decorrência da auditoria? A segunda é qual a relevância das suas declarações depois de terem sido divulgados os resultados? A terceira é que comissão é esta que nem sequer está constituída? Vindo de quem vem é preciso ficar de pé atrás, porque aqui pode estar gato escondido com o rabo de fora.


Seja como for, a inquirição que julgo nem sequer estar prevista nos Estatutos, não ter qualquer enquadramento legal, e pecar por estar deslocada no tempo, pode ser ainda “completamente disparatada” como afirma Dias da Cunha. Mas como não estou a ver Bruno de Carvalho dar ponto sem nó, há uma palavra que me ocupa a mente: eleições. Estaremos perante uma outra fixação? Ou será a mesma?


Parafraseando o escritor e filósofo Umberto Eco... "O passo entre a visão elevada e o frenesi pecaminoso é bem curto.”

 

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publicado às 10:45

O que hoje é verdade amanhã é mentira

Naçao Valente, em 15.08.16

 

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A chamada Silly Season é fértil em "compra e venda" de jogadores. Na comunicação social, todos os dias se anunciam as mais desvairadas transferências. Algumas concretizam-se, a maioria não. Sem fazer uma análise muito rigorosa, mais de noventa por cento não passa de especulação. O facto é que essas notícias, alimentam jornais e programas de desporto televisivo durante horas e horas. É o "lumpen" marginal que vive da indústria do futebol.

 

A anunciada venda de João Mário é mais um capítulo da novela das transferências garantidas por uns, e desmentida por outros. Já foi, vendido e revendido muitas vezes. Consta nesses “mentideros” que está negociado com o Inter de Milão. A ser verdade a sua venda, ou ao que agora se diz o seu empréstimo, será o primeiro grande negócio de um clube que tem dito que não está vendedor. Nada a que não estejamos habituados no mundo do futebol. Parafraseando Pimenta Machado “o que hoje é verdade amanhã é mentira”.


Mas a saída de João Mário do Sporting, que tem estado na ordem do dia, e que já originou aceso debate aqui no Camarote, leva-me a fazer, para além da especulação inerente, algumas considerações, sobre as razões da sua eventual mudança, assim como do mérito da mais valia que daí resultará para o clube. Num país como Portugal e num clube como o Sporting, a formação e a rentabilização de activos é uma forma normal de conseguir receitas. Ponto. A oferta de valores acima de trinta milhões, é um valor muito alto para a realidade dos nossos clubes para poder ser recusada, mau grado as cláusulas  de rescisão estratosféricas. Portanto, a conversa do Sporting não ser vendedor é música para adormecer papalvos. Além disso, não se pode deixar de considerar a vontade do jogador, assim como a evolução da sua carreira.


Outra questão que divide os adeptos é a discussão sobre a quem se devem entregar os louros do provável negócio. Esses louros, como tenho visto escrito pelos indefectíveis da infalível Presidência BdC, não se devem, especificamente, a esta como a qualquer outra Direcção. Devem-se a todas, desde a que captou o jogador, até à actual que fez a previsível venda, passando por aquelas que fizeram a sua formação. E aqui se incluem “olheiros”,dirigentes técnicos. Muita gente, incluindo, croquetes ou pastéis de bacalhau. Foi graças a este longo processo, que o atleta, desenvolvendo capacidades intrínsecas, se tornou naquilo que hoje é. Em suma não é "produto espontâneo" de quem chegou agora ao clube. Para bom entendedor.


Do mesmo modo, o seu valor não se deve aos bonitos olhos deste ou daquele dirigente. O seu preço é-lhe atribuído pelo mercado, em função das suas prestações. E se vale cinquenta milhões é porque há quem ache que faz bom investimento ao comprá-lo por esse dinheiro. Não há nenhum dirigente por mais iluminado que seja a quem se possa dar a exclusividade deste possível bom negócio. É um negócio do Sporting Clube de Portugal e quem o fizer em sua representação, não faz mais que a sua obrigação. É para isso que são pagos.

 

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publicado às 04:17

A lição dos bravos

Naçao Valente, em 08.08.16

 

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Dei tudo para honrar o meu país” , afirmou Joana Ramos, judoca do Sporting, muito emocionada, após ter sido eliminada dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro. Esta demonstração sentida da derrota, honra o espírito olímpico e coloca o interesse colectivo acima dos interesses particulares.


Os bravos da selecção olímpica de futebol, fazendo das fraquezas forças, estão apurados para a fase seguinte da competição. É conhecida a dificuldade que Rui Jorge teve para formar esta equipa. De mais de cinquenta pré-seleccionados, conseguiu reunir, com muita dificuldade, os dezoito “patinhos feios”. Mas o seleccionador está, com os recursos que lhe disponibilizaram, a fazer, até agora, uma excelente campanha, e a dar uma chapada com luva branca a todos os que lhe negaram os seus jogadores.


Deixar ao critério dos clubes a dispensa dos seus atletas, demonstrou que o interesse do cifrão se sobrepõe ao interesse nacional. E embora haja quem considere que isso é uma situação normal e portanto aceitável, indo um pouco contra a corrente, não concordo. O interesse nacional, no desporto, como noutras áreas, devia estar sempre acima de qualquer interesse particular, independentemente de ser ou não obrigatório.


Apesar da minha oposição à actual direcção do Sporting, especialmente ao seu presidente, não posso deixar de elogiar o seu comportamento neste processo. Mesmo não tendo libertado todos os prováveis seleccionáveis, disponibilizou alguns. O mesmo não se pode dizer de outros clubes, nomeadamente do nosso vizinho da Segunda Circular. E se esta equipa, pela competência do seu treinador, pela vontade e empenho dos atletas, alguns desconhecidos e outros considerados segundos planos, chegarem onde não se previa, prova-se que no desporto como na vida, há valores que não têm preço.

 

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publicado às 16:42

Selecção "Made in Sporting"

Naçao Valente, em 29.06.16

 

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A Selecção Portuguesa de Futebol tem uma marca indesmentível “Made in Sporting” . No último jogo estiveram em campo nove jogadores oriundos da formação leonina: Rui Patrício, Cédric, José Fonte, William, Adrien, João Mário, Nani, Ronaldo e Quaresma. Esta evidência merece oportuna reflexão.


Pela idade dos atletas conclui-se que a sua formação se iniciou de forma geral há mais de dez anos. Isto significa que o trabalho formativo feito com rigor competência, é indissociável de uma aposta séria e sustentada num projecto de médio e longo prazo, elaborado com inteligência. Ligado à sua execução estão pessoas competentes e infra-estruturas construídas para o efeito.


Na base deste trabalho está a Academia Sporting de Alcochete, inaugurada em 21 de Junho de 2002. E é considerada uma das melhores academias de futebol a nível mundial. A sua qualidade foi reconhecida em 2010, sendo a primeira na Europa a receber o certificado de qualidade ISO9001:2008, atribuído pela EIC (Empresa Internacional de Certificação e Reconhecimento do Modelo de Excelência, da European Foundation for Quality Management), um feito histórico assinalado numa cerimónia a 19 de Janeiro desse ano. (1)

 

No origem desta estrutura desportiva encontra-se o Presidente José Holtreman Roquete , cujo mandato decorreu entre 1996 e 2000. A obra concretizou-se durante o mandato de António Dias da Cunha, que presidiu ao Sporting entre 2000 e 2005. Ao seu mandato está ainda associado a construção do novo estádio. É certo que a Academia e Estádio contribuíram para a actual divida do clube, mas que por outro lado constituem um valioso património, com reflexos nas actividades desportivas.


Talvez venha a talhe de foice lembrar que a Academia deu um contributo fundamental na progresso da formação de jovens de diversas idades. E para aqueles que seguindo cegamente a campanha desta Direcção na diabolização e recriação da história do passado, recente, foi graças a estes “croquetes” que hoje podemos dizer com orgulho, que a nossa Selecção é "Made in Sporting”. E para os que vêem sem qualquer sentido crítico apenas virtude no actual Presidente, uma espécie de super-homem que até vai inaugurar um pavilhão, em tempo eleitoral, que muitos outros deixaram obra, não para si mas para o futuro como está comprovado.


O que me causa perplexidade é que esse longo trabalho de formação, preparado numa perspectiva de futuro, me parece estar a ser desbaratado pelo desmantelamento da equipa existente e (dos croquetes) e pela incompetência dos actuais responsáveis . E receio que daqui a mais dez anos não possamos dizer com orgulho Selecção "Made in Sporting”.

 

(1) Ler mais aqui

 

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publicado às 10:50

Presidente milhões

Naçao Valente, em 23.06.16

 

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Inflação pós 1ª Grande Guerra

 

 

“Tu és Milhais mas vales milhões”. Foi assim que o comandante Ferreira do Amaral designou o soldado Aníbal Milhais depois da batalha de La Lis, e devido aos actos de heroísmo praticados como herói solitário, e que contribuíram para salvar muitas vivas. Condecorado com a Torre de Espada ficou para a história como o soldado Milhões.

 

Esta introdução serve de mote para ao assunto que vou abordar, salvaguardadas todas as diferenças temporais e de substância. Na minha perspectiva, o presidente do nosso Sporting merece o epíteto de Presidente milhões. Não porque apesar da sua atitude de guerreiro solitário, tenha cometido algum acto de heroísmo, mas porque lida com os “milhões” com um à vontade que até parece que para ele não passam de "peanuts". É desta forma que diz ter recusado uma oferta de oitenta milhões, repito oitenta milhões, por um jogador do clube, na abertura do mercado em Janeiro. Mais disse que o fez em benefício dos resultados desportivos. Ora os resultados foram o que foram e os oitenta milhões caíram ao cais.


Se fosse verdade estávamos perante um acto de gestão danosa. Mas é claro que não é verdade, primeiro porque nenhum activo desportivo do Sporting tem esse valor no mercado, segundo porque se houvesse algum interessado em determinado atleta, apenas teria que pagar a respectiva cláusula de rescisão, que está muito longe do valor anunciado. Então que significado atribuir a esta afirmação, que como estrela cadente tão depressa veio como foi. Tenho visto as mais variadas explicações mas não vi nenhuma que saísse do campo especulativo por falta de factos concretos.


Na teoria que pretendo desenvolver, também na área da interpretação, defendo que só é possível perceber a informação presidencial, enquadrada num contexto mais vasto. De há uns tempos a esta parte, o Presidente tem vindo a passar a ideia que o Sporting “respira saúde financeira” e por conseguinte não precisa de recorrer a "vendas” para equilibrar a sua gestão financeira. Porém, é sabido que nenhum clube de futebol da 1ª Liga, incluindo os chamados grandes” vivem numa situação de desafogo. Sem querer entrar em análise específica sobre o tema, que remeto para os oportunos e fundamentados textos de Drake Wilson, todos sabemos que o Sporting tem um enorme passivo, e que com excepção dos dois primeiros anos de mandato desta Direcção, tem tido défices permanentes. E mais sabemos que o alívio recente de problemas de tesouraria se deveram, em parte, à utilização de verbas da venda de Rojo que não pertencem ao Sporting.


A história dos oitenta milhões conjugada com a dita saúde financeira, penso que tem a intenção de fazer passar a imagem de que a gestão de Bruno de Carvalho é um oásis, no deserto das dificuldades em que vive o mundo do futebol nacional. Um pouco à imagem do milagre dos peixes Bruno de Carvalho faz o milagre dos milhões, numa faceta de salvador insubstituível. Ora esta marca de salvador deve garantir-lhe a reeleição que está à porta. Pois vêm eleições e aí é que bate o ponto. Neste sentido tal prosápia encaixa-se na estratégia presidencial, fazendo crer que sem ele o Sporting sucumbe. Na minha modesta opinião ele precisa mais do Sporting do que o Sporting precisa dele. Até porque está mais que provado que não há insubstituíveis, mesmo quando dormem num colchão forrado de milhões. A complexidade da gestão de um grande clube desportivo, requer um projecto consistente a vários níveis, e onde a engenharia financeira é uma componente importante que vai para além de "sound bites", para inglês ver.

 

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publicado às 20:35

Jogo falado...

Naçao Valente, em 21.06.16

 

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Há um ditado que diz “os ciganos não gostam de ver bons começos aos filhos” e que se pode complementar com outro “entradas de leão, saídas de sendeiro”. Noutra vertente mas na mesma linha descobri mais um aforismo inglês que em tradução livre se lê “falas, falas mas será que fazes”?.


Aplicando os dois primeiros à situação actual da nossa Selecção principal, até pode significar que começando mal, e tão mal começou, estamos no bom caminho e vamos acabar, possivelmente, em alta. Por isso faço figas para que os aforismos populares dêem certo.


Já o terceiro é motivo de preocupação porque, associado ao treinador, assenta-lhe que nem uma luva, feita por encomenda. Temos visto e ouvido o nosso técnico falar com uma tal convicção na conquista do título europeu, que quase nos deixamos convencer que são favas contadas. Mesmo depois da situação a que chegámos depois de defrontarmos duas equipas aguerridas mas modestas, disse com todas as letras, “só volto dia 11”.


Ora se considerarmos que essa data corresponde ao final da prova a afirmação só pode significar que no mínimo estaremos na final. E como as finais são para ganhar, seremos campeões. O que me deixa perplexo é que até agora o engenheiro ainda só ganhou no jogo falado. No jogo jogado zero . E das duas uma, ou a "bota começa a bater com a perdigota", ou arriscamos-nos a ganhar apenas o almejado título das palavras ditas.


Os ditados populares valem o que valem, (embora provenham de experiências de vida), e assim sendo tenho sérias esperanças que estas azedas palavras caiam totalmente em saco roto e que não passem de um devaneio de crítica sem sentido. Mais uma crítica como há muitas a bater no “ceguinho" e que verdade “verdadinha” às vezes bem o parece. No entanto, espero que não o seja, e que o jogo passe finalmente de falado a jogado.

 

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publicado às 10:44

A minha equipa é Portugal

Naçao Valente, em 18.06.16

 

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Terminadas as competições futebolísticas de clubes, a rivalidade transfere-se para a guerra das contratações. É preciso alimentar a indústria comunicacional que gira à volta do futebol, mas este ano, em consequência da realização da fase final do “Europeu”, as atenções estão concentradas nas prestações das Selecções Nacionais. Daí as doses maciças de "informação" desportiva nos canais televisivos. Um verdadeiro show "enche chouriços". A participação de Portugal, hoje e sempre, agrega o todo nacional, despertando paixões, puxando pelo patriotismo e contribuindo, de forma simbólica, para a unidade nacional, mas não exageremos.


A formação da equipa de todos nós levanta naturais discussões entre os milhões de treinadores de bancada. Cabe, no entanto, à sua equipa técnica, constituir o onze, que na sua análise directa, melhor pode corresponder a cada jogo que tiver que disputar. E como não existe a equipa perfeita, o jogo jogado, corre umas vezes melhor, e outras pior, em função de muitos factores, incluindo a imponderabilidade do futebol.


Enquanto adepto também me interrogo, de quando em vez, sobre a constituição da equipa, especialmente quando o resultado não é o esperado. Contudo, faço um esforço por separar as águas, isto é, a condição de adepto clubístico da condição de apoiante da nossa selecção. Dito de outro modo, dispo completamente a camisola do meu clube e visto a cem por cento a da equipa das quinas. O meu clube é apenas um: Portugal.


Assim, é com alguma tristeza que vejo transportadas para as polémicas sobre a Selecção, a “clubite” aguda, ao ponto do cerne da discussão se focar na inclusão deste ou daquele jogador, em função do clube a que pertencemos. Dou um exemplo: considero que a formação do meio campo da equipa devia ser entregue aos três médios do Sporting para aproveitar as sinergias que as suas rotinas e a sua dinâmica representam. Para utilizar um chavão do futebol “jogam de olhos fechados”. No entanto, muitos adeptos de clubes rivais discordam publicamente desta solução, não com base numa análise técnica, mas em função da sua “clubite” e da camisola que mantêm colada à pele. Se os jogadores que referi, no exemplo, fossem de um clube rival manteria a mesma posição.


Transportar para o âmbito da equipa nacional a normal rivalidade entre clubes é, na minha opinião, possivelmente sinónimo de deficiência de formação cívica, de pequenos “ódios” tantas vezes fomentados pelas classes dirigentes, com constantes guerras de alecrim e manjerona. Nos campeonatos entre nações há apenas uma equipa. No que a nós, portugueses, diz respeito, chama-se, Portugal. Sem nacionalismos bacocos.

 

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publicado às 18:44




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