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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Diz o ditado popular que «cão que ladra muito não morde». A analogia é somente em referência ao discurso inaugural de Bruno de Carvalho - se é que ele alguma vez cessou de discursar nos últimos dois anos - repleto de frases fortes destinadas àqueles que deixarão de reflectir para se deixárem levar pelas emoções do populismo e, ainda, com a questão da banca sempre presente. Por ingrato que a dependência da banca seja para uma qualquer instituição ou até para o cidadão comum, será que cabe na cabeça de alguém, minimamente sensato, que o Sporting irá conseguir sobreviver sem o apoio bancário?... Isto é uma realidade da sociedade global que ocuparia o seu lugar na actualidade do Sporting, com ou sem o chamado projecto Roquette e afins. O Sporting é um clube desportivo e o seu principal estandarte - pese o seu honroso eclectismo - é o futebol, nomeadamente a equipa profissional. A respectiva indústria não dá proveitos líquidos a clube algum do Mundo e aqueles que não subsistem em constante ligação financeira e empresarial com a banca, dependem na injecção de capital por magnatas, cujo propósito é tudo menos transparente. Citamos os casos mais sensacionalistas que são o Chelsea, Manchester United e City, AC Milan, Inter de Milão, Bayern Munique, etc.. A lista é longa e substancial.
Como sportinguista e à parte dos meus sentimentos pessoais pelo homem, eu quero ouvir tudo de um qualquer candidato menos um discurso nos moldes de uma qualquer campanha política, repleto de promessas e dose menor de realismo. O Sporting atravessa uma fase crítica da sua história - aliás já anda nesse curso há alguns anos - e o que eu pretendo ouvir, e espero que outros sportinguistas pensem do mesmo modo - não são promessas com potencial irrealizável, mas sim uma análise honesta e concreta da situação e algumas ideias visando um melhoramento gradual do estado das coisas. A inegável realidade é que nenhum candidato honesto, realista e competente pode prometer, concretamente, seja o que for num contexto financeiro, sem primeiro assumir o poder e confrontar a contenda com os meios então ao seu dispor.
A exemplo do discurso de Bruno de Carvalho, admitindo que ele vai ser um presidente remunerado, quantos dos 84 elementos da sua lista vão ser igualmente recompensados?... Qual a origem e a qualidade do capital a que ele terá de recorrer para concretizar os citados objectivos, especialmente considerando que não pretende abdicar da maioria do capital da SAD que está nas mãos do Sporting?... Salvo com intenções obscuras, existe porventura alguém no Mundo que vá injectar milhões às dúzias no Sporting sem assumir a gestão do investimento e sem garantias?... Quantos milhões serão necessários para construir o muito desejado pavilhão?... Apenas algumas «simples» questões que requerem muito esclarecimento e não na ilusória forma de promessas populistas.
Continuo a não encontrar nada sobre o futebol e desconheço os nomes e os planos dos homens que estão destinados a entrar na SAD, o futuro de Jesualdo Ferreira - algo que considero muito importante - e qualquer ideia sobre a pretensa filosofia de gestão nesta esfera de actividade.
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