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Reflexão: o presente e o futuro

Rui Gomes, em 09.03.13

É facto de registo que a crise financeira do Sporting se deve a um generalizado leque de decisões e acções no todo da gestão do clube ao longo de muitos anos e que o seu sucessivo agravamento, à raiz, centra-se quase exclusivamente na deficitária estrutura do futebol, desde a formação ao profissional. Assente nesta premissa, faz perfeito sentido que qualquer processo de recuperação comece precisamente por esse sector. Para o efeito, a lógica e o bom senso aparentam exigir a cooptação de pessoas completamente identificadas com a modalidade, desporto e indústria, que não passa apenas por uma plataforma teórica, para admitir a realização da missão com moderada probabilidade de sucesso.

O Conselho Directivo de Godinho Lopes herdou uma situação já bastante precária da prévia administração e foi confrontado com duas opções: seguir um curso conservador, mais visado à economia de tesouraria, redução de dívida e obrigações, e por inerência, assumir a garantia de menor competitividade desportiva, ou seguir o curso mais arriscado de investimento/endividamento adicional, visando dividendos superiores a médio prazo. A essência do sucesso com esta segunda alternativa estava inteiramente centrada na realização desportiva, designadamente o futebol profissional e afins, e, como bem sabemos, o resultado foi devastador.

Perante este degradado estado das coisas, a futura administração - clube e SAD - verificará um único curso pela frente: a recuperação económico-financeira através da reestruturação desportiva. Para o efeito, a exigência de uma equipa principal altamente competitiva terá de desaparecer do horizonte sportinguista para os próximos dois ou três anos, no mínimo. Isto não significa que não possa surgir sucesso inesperado, mas o objectivo de títulos é totalmente irrealista. A folha salarial terá de ser ainda mais reduzida, igualmente o teto operacional e, com estes, determinados activos do plantel profissional.

Muito por tudo isto, nenhum candidato deve ou, mais importantre ainda, pode oferecer quaisquer garantias de sucesso com os seus chamados projectos. Uma boa parte da planificação só poderá ser elaborada após a tomada das funções e uma compreensão muito mais profunda quanto aos específicos da situação. O incontornável dilema que confronta os sócios neste momento, e até ao dia 23, é precisamente determinar qual dos três candidatos oferece mais confiança e reune melhores condições - carácter, competência e disponibilidade - para desenvolver esta preeminente missão que, muito provavelmente, determinará a longevidade do Clube.

 

Longe de mim pôr em causa a capacidade intelectual de qualquer um, mas não deixo de questionar quantos verdadeiramente compreendem a monumental decisão que está nas suas mãos, que vai muito além de um mero acto eleitoral.

  

publicado às 01:00

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18 comentários

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De MM a 09.03.2013 às 11:07

Caro Rui Gomes, a eleição de Bruno de Carvalho significará (para mim) o mesmo tipo de receio que em 2011 fez-me justamente votar nele. Foi um voto por exclusão de partes. Este ano, não muito: José Couceiro com todas as suas qualidades e defeitos pode ser a pessoa que finalmente fará o Sporting incorrer no modelo certo tendo a qualidade para que ele seja BEM EXECUTADO. É o que o seu texto diz, "qualquer processo de recuperação tem de começar precisamente por esse sector" - estrutura de futebol capacitada, poucas pessoas mas pessoas que saibam o que estão a fazer e subsequente realização desportiva. Sem isto o "resultado foi devastador" tanto desportivo como financeiro pode acontecer quer com recurso à chamada "prata da casa" como com políticas desportivas expansionistas. Está tudo na execução. Mas se o modelo for à partida o correcto - preconizado por José Couceiro, formar, formar, formar, ter os melhores jogadores e ter bons técnicos a orientá-los na equipa principal, os resultados só poderão ser bons.

É em suma aquilo que me fará votar na sua pessoa, mais do que lista. É uma oportunidade única para de uma vez por todas encarreirarmos.

Discordo apenas um bocadinho no parágrafo final no "tom" (que eu imagino) empregue à expressão "decisão monumental". Claro que o é mas precisamente por já estarmos numa fase tão má, severa, mais do que negra porque essa já lá vai há muito, a margem de manobra é tão inexistente para qualquer dos candidatos potencialmente eleitos, que quase por obrigação mesmo que não o quisessem, teriam / terão de adoptar a política conservadora de que fala. Mesmo Bruno de Carvalho.

Ainda sobre isto, gostaria que José Couceiro adoptasse um discurso não de necessidade mas ambição. «A política que preconizamos não é uma necessidade mas a melhor forma de alcançarmos os resultados desportivos». E gostaria que o fizesse não para ser populista mas por ser a verdade. O Sporting já tem quase sempre os melhores jogadores dentro de casa. Não tem é os dirigentes e (frequentemente) os treinadores. E claro, com a pequena-importante-enorme "nuance" que Lionheart fala: quantas das nossas idas ao mercado não resultarão de "pressões" e influências negativas que alvam os nossos dirigentes. Isto é quase como passar-lhes um atestado de menoridade mas consigo imaginá-lo. Existirem demasiados parasitas a mal-aconselhar quem nos representa.
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De Rui Gomes a 09.03.2013 às 13:27

Caro MM,

Eu aprecio o realismo de José Couceiro e o facto de ter prometido falar a verdade. Claro, isto pode custar-lhe votos porque as pessoas preferem as ilusões. O «tom» daquela parte do meu texto deve-se, porventura, às nossas diferentes percepções sobre o estado das coisas, muito pelas conversas que eu mantenho com determinadas pessoas em Alvalade. A situação ainda é pior do que aparenta e este voto pode muito bem ser crucial quanto à sobrevivência do Sporting. A coisa está muito negra mesmo. Os funcionários com salários em atraso é uma incrível realidade, além do mais.

Para ser sincero, e eu sei do que falo, ainda não compreendi a razão de ser de tão enorme falhanço no futebol. Algo se passou com o Domingos que ainda não está explicado. Mas Duque e Freitas erraram gravemente na planificação e, aí, reside a essência da queda.

No final das contas, e já digo isto há anos e já o disse às pessoas «lá» dentro, o Sporting perdeu (admitindo que já teve) a sua cultura futebolística. Aquilo que eu chamo a cultura dos srs. doutores tem sido catostrófica, sobretudo por falta de identificação com o futebol.

Um abraço
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De Lionheart a 09.03.2013 às 15:01

Perdeu muito da cultura futebolística, quer na bancada quer na tribuna e isso é terrível, porque depois padece da ignorância de dirigentes e adeptos. É essa a raiz da nossa crise.

A percepção que tenho em relação ao Domingos é que as coisas não correram como ele estava à espera e ele desistiu emocionalmente do Sporting. Mas aconteceu com ele e com a grande maioria dos internacionais estrangeiros. Vieram para lutar por títulos. Quando as coisas começaram a correr mal e perderam a hipótese de até ir à Champions começaram a pensar para onde iam a seguir e desligaram-se do Sporting. A partir daí a queda foi abrupta, porque eles não se esforçavam nada. Vê lá com quantos "internacionais" é que o actual treinador conta actualmente? Nem vale a pena perder tempo com que não fica cá.

O mau planeamento é o cerne da questão e resumidamente, quanto a mim, resume-se às condições de financiamento não terem sido as esperada, ao mau ambiente vivido no clube, com uma oposição que nunca deixou de fazer marcação cerrada, e também porque a estrutura do futebol não era a melhor, para não dizer mais. Muito importante também, as arbitragens começaram logo de início a mandar abaixo o Sporting e o clube não se soube defender e desfeitear os ataques que lhe faziam. Muito porque interessa sempre a alguns que as coisas corram mal.
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De Rui Gomes a 09.03.2013 às 16:20

Caro Lionheart,

Quanto ao Domingos, a minha leitura na ocasião, pela minha experiência de muitos anos no meio, foi que ele desnorteou-se pela pressão e acabou por, de certo modo, perder o balneário. Entretanto, através dos meus contactos, comecei a sentir que algo mais grave e não divulgado ocorreu. Por uma questão de respeito, nunca abordei directamente a contenda com quem de direito, mas depois do acto eleitoral ainda tenciono abordar a temática, mais que não seja, para a minha própria satisfação.

Sim, sem dúvida alguma, existiram uma série de contratempos, incluindo a arbitragem e a insólita oposição de Bruno de Carvalho e afins, dentro e na periferia do clube. Mas, para o agravamento das coisas, a orientação superior do futebol foi horrível, acentuada pela promoção de Sá Pinto, algo que eu contestei, até nos meus escritos no jornal do Sporting, desde o primeiro dia.

Em análise final, só resultados desporting podem permitir alguma trabalho num clima de paz e tranquilidade mas, sem estas, o alcance desses resultados são missão improvável.

Não sou pessimista por natureza, mas enquanto permanencer este tipo de mentalidade no Sporting não se vai a lado algum.

SL
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De Anónimo a 09.03.2013 às 19:27

Os jogadores perderam o respeito por ele (tal como depois perderam o respeito pelo Sá Pinto, devido aos desaires no final da época passada, especialmente pela derrota contra a Académica). Este ano na Corunha passou-se algo de parecido. Durou seis jogos... A ter havido algo de mais grave, só se for verdade os rumores de que ele estava a negociar a ida para o Porto nas costas do Sporting.

A subida do Sá Pinto tem a ver com a factura eleitoral, não é? Mas pior ainda foi toda aquela gente que ele impôs no futebol de formação e que o Diogo Matos criticou esta semana. Absurdo.
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De Rui Gomes a 09.03.2013 às 19:54

Caro desconhecido,

Concordo com o factor confiança relativamente a Domingos e, até, algo mais relacionado com o FC Porto. Sempre senti, pelos meus contactos directos com quem de direito, que havia matéria oculta. Sobe Sá Pinto, envolverá também a confiança mas a contenda é ainda mais profunda; a partir do momento que ele foi confrontado com a estruturação da equipa além dos moldes defensivos que ele gostava e após ter esgotado os ânimos inerentes à sua postura de «leão», a situação agravou-se imenso, como verificámos.

Já a questão do pessoal da Academia, só agora é que se está a começar a compreender, pelo Diogo Matos e outros.

Cumprimentos
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De Lionheart a 09.03.2013 às 20:12

Desculpe Rui Gomes, esqueci-me de pôr o "nickname". O post acima também é meu.
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De Rui Gomes a 09.03.2013 às 22:44

Não tem importância meu caro, eu também cometo erros ortográficos com as pressas.

SL
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De Lionheart a 09.03.2013 às 14:51

"...gostaria que José Couceiro adoptasse um discurso não de necessidade mas ambição."

Completamente de acordo. É um erro a colagem a Soares Franco, porque essa fase, apesar das vitórias nas Taças, caracterizou-se igualmente pela desvalorização da formação e pela estagnação do futebol do Sporting, com o consequente alargamento do desnível competitivo para os rivais.

O Sporting não soube valorizar o Moutinho, o Veloso, o Pereirinha ou o Djaló. O único que resistiu foi o Patrício. O discurso derrotista e conformista fez com que muitos sócios passassem a encarar a aposta na formação como uma desistência de ser competitivo, o que por sua vez originou as precipitações cometidas por Bettencourt e Duque/Godinho, por vontade popular.

Não é uma fatalidade repetir o que de errado se fez naquela fase, até porque o Jesualdo é superior ao Paulo Bento e é muito mais provável que os jovens evoluam na mão dele, o que o Bento não conseguiu fazer, com excepção do Patrício. Não sabemos o que podia ter sido o Moutinho e o Veloso não mão de um treinador mais competente, mas certamente que não teriam saído da maneira que saíram.
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De Rui Gomes a 09.03.2013 às 19:59

Deixo uma pergunta no ar: será que Jesualdo estará receptivo a continuar seja com quem for que for eleito ?

Com José Couceiro, não duvido, mas como BdC e Inácio já não tenho a mesma convicção, embora, na agora «H», ele quererá continuar a treinar.

SL
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De Lionheart a 09.03.2013 às 20:15

Acho que só fica com o José Couceiro e as outras candidaturas sabem disso.
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De Rui Gomes a 09.03.2013 às 22:43

Também reconheço essa hipótese e com Bruno de Carvalho até é de admitir o Inácio, embora esteja indigitado como dirigente.

P.S. Escrevi o post sobre Vírgilio Lopes porque salvo a sua carreira como futebolista, nada mais consta dele. Onde existe uma qualquer outra ligação ao futebol que justifique a sua inclusão na equipa de BdC ?

Cumprimentos

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