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O irresistível protagonismo

Rui Gomes, em 18.03.13

 

Abrantes Mendes tem pouca ou nenhuma influência no universo sportinguista, mas isso não o impede de atribuir essa ilusória importância à sua pessoa. Em declarações à TSF, não resistiu ao tão procurado protagonismo e pronunciou-se sobre o acto eleitoral: «Pensava manter-me em silêncio até ao fim das eleições e não pretendo influenciar ninguém, apenas exprimir a minha opinião. Tenho amigos nos três lados mas ponderando tudo entendo que é preciso dotar o Sporting com outra mentalidade, perspectiva e organização. É preciso uma revolução em toda a máquina que o Sporting assenta e a pessoa mais bem posicionada para levar a cabo esse trabalho é o Bruno de Carvalho.»

 

O mesmo vazio de ideias e soluções que demonstrou pela nulidade da sua campanha eleitoral em 2011. Diz o antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, com uma casualidade espantosa, que se deve levar a cabo uma «revolução», quase como quem vai beber um café com os amigos. E depois ?... Joga-se à moeda para ver quem paga a conta ?... Todos os actos têm consequências e uma pessoa inteligente que se deu ao trabalho e ao protagonismo de ir perante os microfones da TSF falar em «revolução», deveria ter-se revelado pela sensatez e pela profundidade de raciocínio, explanando os termos exactos dessa orquestração. Ou é mais um daqueles planos de demolir a casa e depois logo se vê se a conseguimos reerguer ?

 

Abrantes Mendes é uma pessoa de respeito, mas no contexto Sporting a sua real substância é bem discutìvel. Como ponderou não falar até ao fim das eleições, deveria considerar essa mesma opção mesmo despois do acto, já que não faltam «papagaios» na praça verde-e-branca.

 

Surgiu, há instantes, um comentário de um leitor apoiante de Bruno de Carvalho, a ironizar comparações entre Abrantes Mende e Carlos Barbosa e Rui Oliveira e Costa, ao qual respondi que no mundo em que eu vivo, dois negativos não fazem um positivo. Além do mais, os candidatos não podem impedir as pessoas de expressarem as suas preferências, mesmo quando não são solicitadas. Já o timing de Abrantes Mendes levanta poeira.

   

publicado às 18:42

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1 comentário

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De Lionheart a 18.03.2013 às 20:05

O Abrantes Mendes é uma pessoa muito simpática, mas completamente "bronco". É daquelas pessoas em quem se vota quando se quer lavar as mãos, porque se sabe que não ganha. A gente não gosta da realidade, então vota no Abrantes que não faz mal a ninguém, nem nunca há-de fazer asneira, precisamente porque nunca será chamado a fazer nada.

Relativamente à questão que tinha lançado no outro tópico, há uma realidade que está a passar ao lado da generalidade dos sócios, pois continuam a achar que esta é apenas mais uma eleição. A SAD do Sporting apenas lhe pertence em nome, desde que foram emitidas as VMOC. Se os sócios não elegerem um presidente e uma direcção que tenham capacidade e apoios, a banca sentir-se-á completamente livre para defender os seus interesses. Ainda não o fez porque o Sporting é uma grande insituição e por isso é um assunto sensìvel. Mas se o próximo presidente for o Bruno de Carvalho, que não tem qualquer capacidade para isto nem é levado a sério a não ser por quem vota nele, perspectivando-se a continuação da turbulência no clube (porque quem ele pôs para fora do Sporting vai estar pendurado ao pescoço dele para se vingar, e enquanto não correrem com ele não descansam) os bancos não estão para esperar que o Sporting clube desemburre. Será tido como um clube falhado e descartado do futuro e da gestão da SAD. Não existe mais margem para falhar.

Por um lado, teremos a garantia que o futebol será gerido como um negócio e estará muito mais imune a pressões de bancada. Um cenário de vampirização por parte de agentes ligados aos rivais jamais passaria, porque o futebol do Sporting é demasiado valioso e existem sportinguistas com dinheiro e influência para evitar esse cenário. Mas as consequências para o clube seriam graves, porque a sensibilidade para os interesses do mesmo, nomeadamente quanto à necessidade de garantir receitas para preservar o ecletismo, seria muito reduzida. Portanto, ou elegemos um presidente consciente destas matérias e com capacidade negocial, ou depois que ninguém se queixe.

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