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As contas do Sporting

Rui Gomes, em 16.04.13

 

Muito embora os detalhes do recém-acordo com a Banca ainda não sejam conhecidos, tudo indica que o futebol do Sporting para a próxima época - salvo pela intervenção de investidores - terá de se sujeitar a um orçamento muito reduzido que implicará cortes significativos no plantel, além da realização de mais-valias no valor de 10 milhões de euros no verão, através de rescisões e acordos com jogadores e até funcionários. Admite-se, ainda, a transferência de alguns dos activos com maior procura no mercado. Sendo mera conjectura, por enquanto, está previsto que o próximo orçamento do Sporting será inferior a 20 milhões de euros, comparados aos do Benfica e do FC Porto que andam entre os 75 e 100 milhões de euros e o do SC Braga que ronda os 15 mlhões.  

 

A incómoda realidade do momento, é que as receitas do Sporting são muito inferiores às dos seus mais directos rivais: na época de 2010/11, o Sporting realizou proveitos operacionais de 40,8 milhões de euros, comparados aos 72,2 milhões do FC Porto e aos 91,2 milhões do Benfica.

Muito embora o Sporting já tenha melhorado as suas receitas desde 2010, continua em vincada inferioridade, com menos bilheteira: 8,8 milhões de euros, FC Porto: 10,6 milhões e Benfica: 16,1 milhões - patrocínios e publicidade de 7,7 milhões de euros, FC Porto: 13,2 milhões e Benfica: 17 milhões. As diferenças em relação a quotização, merchandising e prémios em competições europeias também são significativas.

 

No outro lado da moeda, o Sporting, pela aposta risco no futebol, aumentou os custos com activos entre 2009/2010 e 2010/2011 de 23,2 milhões para 42,5 milhões de euros, significando isto que a soma dos salários para atletas, técnicos e outros é superior ao total das receitas. O passivo da Sporting SAD é de 220 milhões de euros, que abrange as dívidas ao clube e 95,6 milhões de euros à banca. O saldo dos capitais próprios é negativo, 75,6 milhões de euros, comparados com os 14,2 milhões de Benfica e 12,7 milhões do FC Porto.

 

Conclusão final: o Sporting vai ter de «apertar o cinto» por todos os meios possíveis e, mais ainda, se os prometidos investidores não surgirem num futuro muito próximo. As exactas implicações relativamente à competitividade desportiva - e respectivos resultados - só o passar do tempo esclarecerá mas, confirmando-se estes números, irá ser impossível ao Sporting aspirar a um nível competitivo compatível com a  sua histórica grandiosidade e fica ainda por esclarecer qual o impacto nos escalões de formação.

 

 

publicado às 19:26

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13 comentários

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De Lionheart a 16.04.2013 às 20:43

O défice de receitas face aos rivais deve-se ao facto de os resultados desportivos serem muito insatisfatórios face à dimensão e ao potencial do clube. Com GL o Sporting fez uma aposta de alto risco, que era pedida por muitos, incluindo eu, e incluindo aqueles que depois disseram que ele foi imprudente. O modo como essa aposta foi feita foi deficiente, acho que isso é unânime. Deficiente porque o Sporting não teve estabilidade para manter o rumo e porque esse rumo não foi bem definido, devido a erros de "casting".

Agora calha àqueles que contribuíram e desejaram que as coisas corressem mal, para chegarem ao poder, ficar com um futebol descapitalizado. É bem feito que assim seja, mas para bem do clube e do futebol português, desejo que esta fase seja o mais breve possível e que o Sporting volte a ter pessoas com capacidade a liderá-lo.
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De Rui Gomes a 16.04.2013 às 21:43

Caro Lionheart,

Há sempre uma diferença entre o SLB e os outros dois. A sua marca vende mais e o seu mercado é mais alargado.

Todos gostaram da aposta no futebol, mas uma vez que os resultados não surgiram, peso da crítica era inevitável. Sempre foi assim.

Sem investidores, nem imagino o que vai ser.
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De Lionheart a 16.04.2013 às 21:58

Creio ser verdade que o Sporting está obrigado a recapitalizar a SAD pelos credores, e deve ter um prazo para isso. Não o conseguindo, abre-se nova crise. Mesmo com investidores não haveria espaço para grandes investimentos, porque a dívida do Sporting é proporcionalmente muito maior do que a dos rivais em relação aos seus activos e receitas expectáveis. Os sócios ainda não estão a ver o filme todo, não é? E o maior factor de risco é mesmo os efeitos que isto pode ter na formação, se a atractividade do Sporting diminuir. Então aí era o fim da picada...
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De Rui Gomes a 16.04.2013 às 22:12

Fica a ideia que se surgir investimento (depende do montante) a redução de custos quanto a activos não terá de ser tão drástica.

Agora, deconhecer o impacto na formação é preocupante.
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De Futebol descapitalizado a 17.04.2013 às 05:15

"Agora calha àqueles que contribuíram e desejaram que as coisas corressem mal, para chegarem ao poder, ficar com um futebol descapitalizado. É bem feito que assim seja, mas para bem do clube e do futebol português, desejo que esta fase seja o mais breve possível e que o Sporting volte a ter pessoas com capacidade a liderá-lo."

O Sebastianismo está vivo e recomenda-se. "NOT."

Quem contribuiu para um futebol descapitalizado foi Godinho Lopes, Luis Duque, Carlos Freitas, Castro Guedes, Ricciardi e Cia. Lda. Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem despediu Domingos Paciência assim que apareceu a primeira vaga de maus resultados...

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem convidou Sá Pinto para treinado principal para a simples manutenção do poder pelo poder.

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem despediu Sá Pinto quando as coisas correram de mal para pior.

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem convidou Oceano para endireitar a coisa...

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem demorou perto de um mês, deixando-se influenciar por Jorge Mendes, para contratar Vercauteren...

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem deixou Vercauteren isolado no comando técnico da equipa...

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem despediu Vercauteren e colocou no seu lugar, o treinador dos treinadores...

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem esbanjou milhões de euros em transferências, prémios de assinatura, salários e prémios de jogo, em diversos jogadores que acabaram por pouco ou nada render...

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem mostrou não saber nada de futebol. Ou saber pouco de futebol. Porque quem sabe alguma coisa de futebol, sabe muito bem que antes de se ter uma forte equipa de futebol, é preciso primeiro ter uma direcção forte e uma estrutura forte.

Não foi Bruno de Carvalho nem os seus apaniguados quem mostrou na última presidência não ser ou não ter uma direcção forte e uma estrutura forte. Porque uma direcção forte e uma estrutura forte não se deixa influenciar pelo que vem de fora...

Porque uma direcção forte e uma estrutura forte colocam os jogadores na linha quando estes começam a querer fazer a folha ao treinador...

Porque uma direcção forte e uma estrutura forte puxam as orelhas ao treinador e fazem-no ver que não pode mostrar fraqueza, senão comem-no vivo... caso do Domingos Paciência e mais tarde do Sá Pinto, sendo que este alienou as referências do plantel, algo que um Augusto Inácio jamais permitiria que acontecesse.

Mas como se pode ter uma direcção forte e uma estrutura forte quando nela está um Luis Duque, que como se sabe, borrou-se todo de medo quando despediu Augusto Inácio e não foi capaz de anunciar a contratação de José Mourinho...

Mas como se pode ter uma direcção forte e uma estrutura forte quando nela está um Carlos Freitas, responsável por perto de quase 100 milhões de prejuízo, senão mais, no que diz respeito às contratações de jogadores, e nem vamos somar prémios de assinatura, salários e prémios de jogo...

Mas como se pode ter uma direcção forte e uma estrutura forte quando nela está um Godinho Lopes, incapaz no dia em que é "empossado", de enfrentar os sócios que aguardaram toda a noite na rua pelos resultados finais da eleições, eleições estas que deixaram o nome do Sporting nada bem visto, e não foi certamente por culpa de quem teve mais sócios votantes...


Esperemos pois que Bruno de Carvalho, Augusto Inácio e Virgílio sejam capazes de aguentar o barco nesta tormenta, porque com José Couceiro e os seus compinchas do BESI e do KPMG, ou outros no seu lugar, então o nosso Sporting vai acabar mais cedo por se tornar apenas numa saudosa memória...
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De Lionheart a 17.04.2013 às 09:38

As piranhas estão de volta, com muito tempo disponível para escrever "testamentos". Quem quiser que os ature.
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De António a 17.04.2013 às 01:22

Concordo com a ideia expressa antes segundo a qual a falta de sucesso desportivo(que vem de longa data no Sporting) é em grande medida responsável por essa diferença de receitas.Veja-se por exemplo aqui

http://www.footy-boots.com/football-money-league-2013-richest-clubs-33124/

o impulso que o investimento (e o consequente salto competitivo) deu ,em termos de receitas,a um clube como o Chelsea,que tinha muito menos adeptos e dimensão que o Arsenal ou Liverpool.
Note-se também a enorme diferença entre Bayern e B. de Dortmund, ou (menor) entre Milan e Juventus,sendo que Dortmund foi bicampeão alemão e a Juventus está a caminho do bicampeonato.
O dinheiro não é tudo mas é muito importante e sobretudo,o patamar competitivo,que leva,quase automaticamente,a um upgrade das receitas.
O caso do Chelsea é notório.Mas esta tabela mereceria uma análise mais profunda.
É fundamental o Sporting não descer abaixo de um determinado patamar competitivo sob o risco de o clube ver cavar-se um fosso com os seus adeptos.
Neste caso haverá um downgrade quase automático,a todos os níveis,da receita,alguns com repercussão imediata,outros a prazo.Entraremos num ciclo vicioso em que teremos cada vez menos receitas e competitividade.
Para evitar isso é fundamental a entrada de investidores,o que poderá permitir a manutenção de uma equipa competitiva,que poderá dentro de 2-3 anos lutar pelo título e passar a um nível competitivo superior(e maiores receitas).
Quero acreditar que há soluções para o Sporting.Mas a solução do orçamento minimalista não é solução.
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De Rui Gomes a 17.04.2013 às 01:39

Caro António,

Subscrevo inteiramente a sua análise da situação. Ainda hoje debatia a temática com um amigo, também ele sportinguista, e ele, face ao desespero financeiro, não vê outra solução se não abdicar. Disse-lhe, por outras palavras, o que o amigo António cita no seu comentário: terão de se assegurar os meios, provavelmente por intermédio de investidores, modestos que sejam, para permitir um nível de competitividade moderado, precisamente, como indica, para evitar o «fosso» com os adeptos, e não só. Estas questões têm a tendência de se precipitarem em cadeia; atrás da menor competitividade, surge a perda de receitas de bilheteira, merchandising, marketing/imagem e outras. A recuperação, então, tornar-se-á num desafio monumental, para não dizer impossível.

Como já indiquei no post e em comentário, temo, obviamente, pela equipa principal, mas tanto ou mais pela formação, porque não conseguiremos preservar os jovens talentos para usufruir de retorno, desportivo e financeiro.

O orçamento minimalista é incontornável pela dívida colossal mas, penso eu, até a Banca terá incentivado a Direcção no sentido de investidores. Veremos agora, mais uma vez, quanto vale a palavra de Bruno de Carvalho. Não estou muito optimista, mas mantenho esperanças.

Saudações leoninas
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De Mercados a 17.04.2013 às 05:29

Todos esses bons exemplos têm em comum terem sucesso em mercados de grande dimensão, o que não é o caso do português.

Será mesmo assim? Será mesmo?

"Not quite."

Portugal tem um património histórico que uma Alemanha não tem, uma Itália não tem também, mas que um Reino Unido até tem um pouquinho, numa certa região do planeta que agora é a locomotiva económica e onde há mais pastel por metro quadrado para facturar/guardar.

E o nosso anfitrião Rui Gomes sabe bem do que estou a falar, pois já por lá andou e sabe quanto custou cada estadia de hotel por aqueles lados.

Os ingleses foram os pioneiros numa estratégia sustentada e continuada de exportação do seu futebol para o Sudoeste Asiático e Portugal tem a vantagem de ser conhecido por aqueles lados como uma potência histórica...

O problema é que enquanto os países de dimensão protestante ou não-católica como são os casos do Reino Unido ou da Alemanha, os seus clubes são capazes de trabalhar em conjunto, nos países ibéricos, é cada um por si.

O Sporting quanto mais cedo investir em digressões de pré-época e pós-temporada, por aqueles lados, China incluída, mantendo a aposta ao longo do tempo, mais depressa poderá ver o seu valor de mercado internacional valorizar-se e contar com um maior incremento de receitas no longo prazo.

Mas primeiro é preciso arrumar a casa e criar uma estrutura de futebol cujos elementos sejam fanático-fundamentalistas pelo Sporting, vivam Sporting, respirem Sporting, transpiram Sporting, 24/7, 365 dias por ano.

E isso, infelizmente, jamais aconteceu nos últimos 17 anos. João Rocha tinha os interesses do Sporting em primeiro lugar, Sousa Cintra fez por isso, espera-se agora que Bruno de Carvalho resuma essa atitude, senão não vamos a lado nenhum...
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De Lionheart a 17.04.2013 às 09:46

O melhor é pôr o Fernando Mendes da Juve Leo a mandar no futebol, porque de certeza que não há ninguém mais "fanático-fundamentalista pelo Sporting, viva Sporting, respire Sporting, transpira Sporting, 24/7, 365 dias por ano". De grande "alcance".
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De Rui Gomes a 17.04.2013 às 11:14

Essa é uma das partes mais engraçadas do testamento.
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De Lionheart a 17.04.2013 às 11:48

Só não sei é onde é que o Inácio - que passou mais anos no Porto do que no Sporting - e o Virgílio (sócio desde 2009 apenas) encaixam nesse "perfil"; o que significa que nem sequer em militância esta "estrutura" se destaca. É mais uma projecção.
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De Rui Gomes a 17.04.2013 às 12:12

A ligação do Inácio ao Sporting sempre foi ums espécie de um mito, muito consolidado pela xonquista do título em 2000.

O Virgílio é um autêntico «unknown» em todos os aspectos. Mas são eles com o presidente que estão a «praparar a época», nem que seja com reuniões no café.

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