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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
O "teste do pato" é um termo, ou se desejar, um provérbio, cunhado há séculos, que serve perfeitamente para contrariar argumentos abstrusos de que algo não é o que parece ser: "Se se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato". Este, o raciocínio indutivo aplicável às ironias vazias do presidente do FC Porto pela sua fútil tentativa de desviar atenções do que "só" é uma conclusão lógica e universal sobre a negociata envolvente da transferência de João Moutinho e James Rodriguez para o AS Mónaco por 70 milhões de euros, atribuindo a menor "fatia" - 25 milhões - ao formado do Sporting.
A bem dizer, não é inesperado, já que o líder portista é bem conhecido por favorecer este modelo de negociatas, em que havendo conivência da outra parte, nunca se chega a saber o real valor de uma transferência de um jogador. A venda ao Atlético de Madrid de de Radamel Falcão e Rúbem Micael é outro exemplo do género. Não está, ou pelo menos não devia estar, em discussão os contornos da venda do jogador, pelo Sporting, em 2010. Esse processo é uma outra "novela", ou melhor, um "complot", que merece dissecação à parte. A realidade é que um componente integral desse acordo concedeu ao Sporting 25 por cento das mais-valias de uma futura transferência. É por de mais evidente que quanto mais baixa for a verba declarada dessa transferência, menor é a parte que compete ao Sporting receber. Por isto, não convém ao clube do Norte - hoje e sempre, efectuar uma venda singular em que o espaço de "manobra" é limitado e a possibilidade de dissimular as verbas envolvidas nula. Só esta disposição explica a recusa ao Tottenham, no Verão passado, por cerca de 30 milhões de euros.
Em três época no Dragão, João Moutinho foi nada menos do que o alicerce fulcral e indispensável da equipa portista, com participação em 140 jogos, 10760 minutos de jogo e ainda contribuindo com 10 golos. Com estas credenciais e ainda com 26 anos de idade, foi desvalorizado em 20 milhões de euros perante um colega de equipa apenas quatro anos mais jovem e ainda com muito por provar, não obstante o seu reconhecido potencial. É bem verdade, se se parece com pato, nada com um pato...
Pela ausência de comprovativos e mecanismos que permitam ao Sporting contestar este negócio, não ofende a ideia de fazer uma exposição do caso a quem de direito, seja a CMVM, a UEFA ou a FIFA. Por fim, e para que fique claro o parecer deste sportinguista, nada de tudo isto altera, minimamente, o comportamento, a indignidade, a desonestidade e a ingratidão do jogador para com quem lhe proporcionou a oportunidade de crescer para o futebol, indiferente se houve ou não maior ou menor capacidade negocial do então presidente do Sporting. Sendo um excelente futebolista, é e sempre será, como homem, uma "maçã podre", o legado, que um dia deixará aos seus filhos.
Publicado hoje no jornal "Sporting".
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