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Um recém-estudo mandatado pela Comissão Europeia recomendou que que o sistema de transferências seja reestruturado de modo a corrigir o que considera múltiplos excessos e abusos. As recomendações incluem baixar os acentuados altos níveis das transacções - considerados excessivamente inflacionados - e a imposição de uma taxa suplementar naquelas que excederem um determinado patamar, a fim de garantir que o futebol continue competitivo e visando deter o actual astronómico custo em adquirir jogadores.

As conclusões apuradas apontam para a avaliação de jogadores considerados "super estrelas", como um dos principais factores que estão a conduzir o futebol europeu para um enquadramento fechado e elitista, com evidente acréscimo de disparidade competitiva, tanto nas competições domésticas como nas internacionais, com menos de 2 por cento das verbas que transitam a beneficiarem os clubes de menor dimensão e o futebol amador. Tão ou mais oneroso nesta equação, a apreensão que subsiste no mercado relativamente a actividades ilegítimas nos processos.

As partes mais interessadas neste modelo de consulta incluem a FIFA, UEFA e a Associação de Futebol Europeu. Embora não se verifique grande determinação por parte destas entidades em quererem alterar o sistema vigente, foram identificados vários níveis de reconhecimento no sentido de irem ao encontro da reestruturação, com cautelas pontuais, pelo receio de que certas alterações possam vir a agravar os problemas existentes.

A empresa que efectuou o estudo - sita em Bruxelas - declarou: "Dezassete anos após a implementação da "lei Bosman" e 11 após o acordo informal entre a FIFA, UEFA e a Comissão Europeia sobre a transferência de jogadores, verifica-se que as regras desportivas têm vindo a contribuir para um maior movimento de jogadores profissionais sem, contudo, gerirem e controlarem devidamente os custos das transferências. Recomendamos que medidas sejam tomadas para estimular transferências baseadas em uma premissa mais equitativa e que promova paridade competitiva. Enquanto que a redistribuição de verbas que advêm de transferências pelos clubes formadores constituem uma das mais importantes justificações para o actual sistema, o impacto no todo do mercado continua limitado. Em facto, compensação pela formação e os mecanismos de solidariedade representam somente 1.84 por cento da soma das verbas de transferências na Europa."

O estudo recomenda inúmeras alterações ao actual sistema - extensas de mais para este limitado espaço - e sublinha a falta de transparência nas transacções que contribui para o agravamento competitivo. Considera, igualmente, que as regras de "fair-play" financeiro impostas pela UEFA constituem um factor determinante no desenvolvimento de um estado mais equilibrado e que obrigarão, com o passar do tempo, uma redução muito significativa nos abusos verificados no mercado actual.

É reconhecido o direito fundamental das entidades que superintendem o futebol europeu e mundial de especificarem as regras que governam transferências e muito embora não haja a necessidade de desmantelar o sistema por completo, vários níveis de reestruturação tornam-se imperativos se a indústria futebol pretende reduzir o "campo inclinado" em que o jogo é agora assente e um maior reconhecimento de todos os clubes - não apenas aqueles considerados ricos - e dos jogadores jovens.

Veremos o que o futuro providenciará neste sentido, mas torna-se evidente que as conclusões fulcrais do estudo impactam significativamente a existência e o funcionamento de clubes como o Sporting.

 

* Artigo publicado hoje no jornal "Sporting".

  

publicado às 12:27

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11 comentários

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De Rui Gomes a 13.06.2013 às 19:42

Esperamos, pelo Sporting, que essa medida esteja a ser bem ponderada. Dito isto, enquanto não existir maior transparência nos processos, os clubes formadores continuarão a ser privados do que é justo.

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