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Deloitte - os valores do futebol

Rui Gomes, em 28.06.13

 

Deparei com um estudo muito interessante da consultoria "Deloitte" relativamente à indústria futebol na época de 2011/12. As conclusões apuradas quanto aos valores da indústria na Europa, em geral, e em Portugal, em particular - com significado colateral quanto ao Sporting - servem para desmistificar a irrelevância de conceitos do futebol de outrora no enquadramento moderno.

 

Começando pelo panorama nacional, o estudo aponta Portugal como o nono da Europa no que às receitas diz respeito, com os clubes da Liga a facturarem 298 milhões de euros, uma média de 16 milhões por cada um dos 16 clubes. Uma estatística muito ilusória, porque deste valor verifica-se que 204,2 milhões são da pertença dos três grandes: o Benfica lidera com 91,2 milhões, seguido pelo FC Porto com 72,2 milhões e, como era de esperar, o Sporting no terceiro lugar do pódio com somente 40,8 milhões, menos de metade do Benfica e 30 milhões abaixo do clube do Norte. Surge uma outra estatística muito relevante e reveladora, especialmente ao que ao Sporting concerne: somente 58 por cento das receitas dos clubes nacionais são gastas a pagar salários, uma das médias mais baixas da Europa. A maior fatia das receitas - 38 por cento/112 milhões - relacionam-se com proveitos comerciais - 25 por cento/75 milhões - com transmissões televisivas - 21 por cento/62 milhões - com patrocínios e publicidade e - 16 por cento/49 milhões - com receitas de bilheteira.

 

Especialmente quando comparado com outras ligas, o estudo aparenta confirmar os argumentos de muitos: primeiro, que os salários não são a causa principal do saldo negativo das SAD, e que o "segredo" do sucesso centra-se em investimento na equipa principal, não desinvestimento nem poupança. Isto não anula a imperativa necessidade de uma boa gestão que, por inerência, implica o redução de desperdícios em todos os sectores de uma SAD. Consequentemente, a insistência de que poupança, só por si, é insuficiente, e que para aumentar as receitas tem de se forçosamente aumentar o investimento. Neste contexto, nenhum dos dois exemplos que se verificam no Sporting representam a solução desejada: o actual desinvestimento e poupança e o superior investimento sustentado por uma péssima gestão dos últimos dois anos. Perante isto, é por de mais evidente que o sucesso reside no equilíbrio entre os extremos, mas será impossível ao Sporting aproximar-se dos valores dos dois rivais, sem apostar na maior competitividade do seu futebol profissional, que não será atingível sem investimento significativo. Mesmo que resultados moderados sejam concretizados com uma equipa de baixo investimento, os factores que movem a indústria e o mercado requerem muitíssimo mais.

 

Sem surpresa alguma, a liga de topo da Europa - e do Mundo - é a "English Premier League" com 2,9 mil milhões de euros de receitas, seguida pela "Bundesliga" com 1,8 mil milhões, "La Liga" com 1,7 mil milhões, "Série A" com 1,5 mil milhões e a encerrar o top 5, "Ligue 1" com 1,1 mil milhões. Tanto a Rússia, Turquia e a Holanda superam Portugal. A Ucrânia ocupa o 10.º lugar com 283 milhões de euros.  

   

publicado às 08:16

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6 comentários

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De Tywin Lannister a 28.06.2013 às 10:56

O problema é que no caso do nosso Sporting, falando apenas da temporada de 2011/2012, os números "directos" e "indirectos", quando somados, mostram claramente que comparativamente às receitas realizadas, a SAD gastou o dobro, ou perto disso, em despesas com jogadores (excluindo transferências): salários, seguros, prémios, comissões, direitos de imagem, prémios de assinatura...

O falhanço rotundo da ausência de política desportiva ajudou à "festa", uma vez que nada foi feito para neutralizar o sistema, não houve liderança para segurar o treinador e o "acordar para a vida" quando começou a soçobrar perante a pressão, e o resto é o que todos sabemos.

Todo o investimento realizado foi por água abaixo, pois era preciso qualificação para a Liga dos Campeões, para na temporada seguinte haver nova qualificação para a Liga dos Campeões, chegada aos quartos-de-final da C1, por forma a valorizar os passes dos atletas, para realizar receitas suficientes para suportar ainda que por defeito, tamanhas despesas, que poderiam ser atenuadas com a venda deste ou daquele atleta, ou pela alienação parcial de passes de jogadores, mesmo que à socapa, como acabou por verificar-se com a Holdimo, mas por valores um pouco mais elevados.

A reestruturação teria acontecido talvez mais cedo, noutros moldes, porventura mais favoráveis. Houve recursos em abundância, mas os mesmos foram desperdiçados por quem não tem conhecimento do que é a indústria do futebol no seu global. Se o Godinho Lopes em vez de Luís Duque tem contratado Rui Gomes para seu braço direito, a história agora seria bem diferente.
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De Rui Gomes a 28.06.2013 às 12:11

Meu caro,

O último parágrafo será ou não assente em sinceridade, mas deixe-me desde já esclarecer: hoje talvez não porque não sei se toleraria o stress da posição, mas não há muitos atrás não tenha dúvidas algumas que faria melhor do que muitos que têm passado pelo Sporting.

Nunca fui adepto do Godinho Lopes mas face ao muito que aconteceu, penso que ele aprendeu bastante e nos últimos tempos já estava a dar sinais disso nos seus actos de gestão.

Podemos jogar com os números pós-facto, mas a realidade é que sem investimento assente em uma gestão competente, não se vai lá. A intenção de GL era boa, o conceito de arriscar para a frente é obviamente perigoso, mas o que o traiu, como já disse diversas vezes, foi a má gestão desportiva, inclusive de algumas decisões no foro técnico ainda por compreender. E, claro, entre tudo, não podemos esquecer a influência do "sistema" que começou a dar sinais nos primeiros jogos de Domingos Paciência.

Não tenho dúvidas algumas que a reestruturação seria feita e em termos mais favoráveis. A Banca não lida com todos da mesma forma, depende da credibilidade de cada um.

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