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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
O empresário do Atila Turan, Sébastien Thiery, fez ontem uma série de declarações em relação ao que ele entende ser uma atitude intolerável do Sporting para com o jovem lateral esquerdo, seu cliente. Fizemos referência às suas palavras neste post.
Sporting reagiu ao que foi veiculado nos Órgãos da Comunicação Social através do seguinte comunicado:
1.º Atila Turam é jogador do Sporting Clube de Portugal, e é à equipa técnica que compete decidir em que equipa o jogador deve treinar.
Isto, depreende-se, em reacção à queixa de que o jogador tem apenas treinado com jovens de 18 anos na equipa B e que não lhe é permitido participar, mesmo em jogos particulares.
2.º A declaração onde é confirmado que o clube francês "Stade de Reims", tem já um acordo com o jogador para a sua transferência, sem qualquer conhecimento do Sporting, confere violação dos regulamentos da FIFA, podendo o mesmo incorrer em sanções disciplinares.
Isto, relativamente à declaração de Sébastien Thiery que o Sporting divulgou na praça de agentes que procurava transferir o jogador e que foi apresentada uma proposta ao Sporting há três semanas - pelo Stade Reims - à qual o Sporting ainda não respondeu.
3.º As afirmações atribuídas ao empresário do atleta, Sébastien Thiery, ao jornal "Le 10 Sport", configuram crime de difamação, pois são totalmente falsas.
O Departamento Jurídico do Clube e da SAD vão iniciar os devidos procedimentos perante os factos acima referidos.
Isto, decerto, em referência às queixas do empresário quanto ao clube ter participado ao jogador que o mês de Julho não lhe vai ser pago e a despesa do hotel onde ele se encontra à espera que o seu futuro seja definido terá de ser assumida pelo próprio pela recusa do clube em o fazer. Além disto, o empresário também afirmou que o Sporting pretende que o jogador assine por um clube para onde ele não quer ir, a troco de receber algum dinheiro pelo seu passe.
Não sendo novidade alguma, em cada história há três versões: a de cada uma das partes e a verdade. Onde esta reside, neste diferendo, fica ao critério de cada um. O adepto, por natureza, tende sempre dar o benefício da dúvida aos dirigentes do seu clube, e não é de esperar que sportinguistas sejam diferentes neste contexto.
Dito isto, aparentam existir algumas considerações que desafiam a lógica, onde lógica existe, e requerem clarificação: não é segredo algum que o jogador não faz parte dos planos da SAD, desde que ele chegou da Turquia, pelo empréstimo da época passada. É perfeitamente aceitável que tenha feito saber que o pretende transferir, de preferência a título definitivo. Segundo, o jogador chegou ao Sporting a custo zero e, entretanto, também não auferiu de salário pelos empréstimos ao Beira-Mar e ao Orduspor. Considerando que tem contrato até 2016, era de supor que o Sporting facilitaria a sua saída para, como o empresário diz: "economizar entre 1,5 e 2 milhões de euros até ao final do contrato". Terceiro, o objectivo do Sporting será de assegurar algum encaixe financeiro porque, entretanto, 10 por cento do seu passe foi alienado a um fundo de investimento, não sendo claro se ao Sporting Portugal Fund se à Holdimo. Quarto, nem o Sporting nem clube algum no mundo, pode obrigar um jogador a jogar onde ele não quer.
Em análise final, mesmo sem conhecimento de causa, dá para perceber que o problema reside com a posição de força que o Sporting assumiu para "persuadir" o atleta a ir para um clube do seu desejo que providencie algum encaixe financeiro. Para o efeito, terá recorrido a medidas que pela óptica do jogador não são muito agradáveis, porventura até pouco éticas. Aparenta ser a política desta nova SAD, que ainda está por esclarecer se produz resultados. Este caso é muito semelhante ao que foi noticiado com a situação de Pranjic e o Panathinaikos, em que o Sporting não se satisfaz em se livrar do contrato até 2015 do jogador e do seu elevado salário, tendo exigido uma verba pelo seu passe que o clube grego declarou não estar ao seu alcance. Até admito que esta política da SAD possa resultar, mas parece-me arriscada quando se considera os diversos casos dos chamados "excedentários" por resolver e que, salvo resolução, obrigará o Sporting a continuar a assumir uns milhões em salários sem os jogadores entrarem em campo, a exemplo de Onyewu, Evaldo, Bolahrouz e Bojinov. Além destes, aparenta existir um excesso de jogadores nas equipas A e B, face ao número que foi anunciado, e decisões adicionais terão de ser tomadas, especialmente com aqueles cujos contratos terminam em 2014.
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