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A renovação das jovens promessas

Rui Gomes, em 02.08.13

O título do post é o mesmo do artigo da autoria de Carlos Machado do diário desportivo "O Jogo", em que o autor aborda a questão da formação do Sporting e, em especial, a renovação de contratos dos jovens mais promissores.

 

O artigo completo pode ser lido aqui, mas transcrevo somente o último parágrafo por me parece ser mais pertinente ao debate que tem surgido aqui no Camarote Leonino:

 

«Rendibilizar a formação é mais do que uma boa ideia, terá de ser uma das vias para o desenvolvimento futuro, a par de um "scouting" atento e perspicaz, mantendo viva a arte de vender produto caro mas de qualidade garantida. Mas se tudo é assim tão fácil, porque razão o sucesso não está previamente garantido ? Porque aparece um Eusébio, um Baía, um Figo ou um Cristiano Ronaldo de longe a longe e pelo meio vão sendo assinados atrás uns dos outros esperançosos contratos com os craques do futuro, na maior parte deles feitos antes de se saber se no momento do clique a promessa dará mesmo craque ou será mais uma perna de pau para ter de se colocar a custo no início de cada época enquanto durar o malfadado contrato. Nessas alturas, quando já se apostou muito e ganhou pouco ou quase nada, baixa-se um pouco a guarda, percebe-se que é mais seguro deixá-los p provar primeiro se valem para renovar depois. E alguns fogem. A propaganda é bem mais fácil do que a gestão efectiva.»

 

Precisamente o nosso eterno argumento, por outras palavras. Não significa que a renovação dos jovens da Academia seja um mau acto de gestão, em contrário, mas é um acto que vem inevitavelmente associado a risco. No Barcelona, por exemplo, com a sua enorme riqueza, não será problema algum, mas no Sporting é e sempre será significativo. Evidentemente que visto da bancada pelos adeptos e a lidar com dinheiro que não sai do nosso bolso, tudo é de fácil realização. 

 

publicado às 23:41

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14 comentários

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De HY a 03.08.2013 às 01:14

RG já disse ontem que compreendo os seus argumentos e admito que se possam vir a verificar correctos, embora me pareça que de momento, em vista da situação que atravessamos e escaldado por casos que todos conhecemos, me pareça a melhor opção. Mas, para evitar vê-los partir assim que começam a mostrar valor sem compensar devidamente o clube e não cair nos perigos que tem apontado qual seria a boa política para com os jovens? Fazer contratos mais curtos? Será suficiente? Ou será que tudo depende do nível das remunerações acordadas?

Por outro lado, embora saiba que Futres, Figos e Ronaldos, só muito de quando em quando, parece-me que não devemos pensar que a formação só vale a pena se criarmos foras de série extraordinários todos os anos. A base de uma equipa competitiva faz-se com bons jogadores, competentes, capazes de integrar um colectivo e servir de sustentação aos dois ou três com toque de génio que fazem a diferença. Eu penso que a academia devia poder fornecer com alguma regularidade esses jogadores, embora nao se possa pensar que todos os anos entrem dois outros da formação como titulares da equipa principal. E estou também convencido que o actual tipo de jogadores que estamos a criar poderá sempre ter saída no mercado intermédio se não conseguirem triunfar no Sporting. Poderemos não conseguir grandes lucros, mas não me parece que haja o perigo de ficarmos pendurados.

Finalmente uma pergunta sobre outro assunto: Estas meias pretas que tem sido a regra nos jogos até agora correspondem ao equipamento oficial deste ano? Pensava que os estatutos definiam as meias como verdes e brancas... Pessoalmente, acho que estendera ser sempre o equipamento principal do Sporting. Senão perde-se o efeito "association".
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De Rui Gomes a 03.08.2013 às 01:51

Já venho a escrever sobre esta temática há uns anos, inclusive no jornal Sporting, e a realidade nua e crua é que não há uma solução ideal. Há que assumir risco de modo a que se o jogador não se realizar o negativo seja mínimo. Mas será sempre substancial, considerando que temos um jovem na Academia 8, 9 ou mais anos, para depois ser dispensado ou cedido por valores baixos. Face à situação financeira do Sporting, hoje e sempre, ã situação será sempre esta e é impossível evitar que um outro fuja para outros lados.

Fiquei um pouco incomodado ao saber que Eric Dier recusou renovar, e compreendo porquê. Ele próprio já admitiu que ganha muito pouco e que merecia ser aumentado. Tem contrato até 2016 e o Sporting apresentou-lhe a proposta de aumento salarial mas se ele renovar até 2018. Daí a sua recusa, e bem espero que não se torne em mais um caso delicado.

Para ser franco, nem reparei nas meias. Decerto que com as considerações comerciais, nem se preocuparam em seguir à letra os Estatutos, assumindo que de facto estipulam isso.
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De Fredy a 03.08.2013 às 03:07

O caso do Eric Dier é um caso que deveria ser tratado exemplarmente pois o rapaz é um profissional exemplar e respira Sporting por todos os poros.
O facto de ele ter recusado renovar, demonstra que há um sentimento de falta de consideração por parte da Direcção em relação ao empenho que ele tem demonstrado para com o Sporting.
Não nos vamos esquecer que este miúdo recusou uma proposta bem mais vantajosa financeiramente e na altura desportivamente para jogar num clube da liga inglesa, com o objectivo de cumprir o sonho de chegar à equipa principal do Sporting.
Vamos esperar para ver mas isto deixa-me bem mais preocupado que o caso Bruma.
O Dier está naquele lote de jogadores que não sendo um jogador fora de série, a entrega e concentração que emprega no jogo torna o grupo formidável. Considero-o um jogador muito mais indispensável a uma equipa do que por exemplo um Bruma. É este tipo de jogadores que fazem os outros brilharem.
Pode ser uma analogia um pouco exagerada mas para mim tem a importancia de um Busquets no Barcelona e na selecção espanhola.
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De Rui Gomes a 03.08.2013 às 03:31

Subscrevo na íntegra Fredy e, como já disse, fiquei incomodado quando soube da situação. A insistirem neste curso com este rapaz diz tudo sobre esta Direcção.

Ele até confessou que ganha pouco e que merecia ser aumentado, mas que não iria criar problemas por causa disso. Não o trocava ao Bruma de forma alguma.
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De haja luz a 03.08.2013 às 05:13

Em relação a isto, concordo genericamente com o que o Rui diz nos vários comentários que tem feito.
Estou em desacordo com esta renovação em massa.
Explicando melhor, o critério tem que ser a qualidade, não me parece que o clube esteja a ser defendido.
Parece-me mais propaganda e marketing.
Aqueles que já vimos que têm mais potencial, não renovaram com eles.

\" . A insistirem neste curso com este rapaz diz tudo sobre esta Direcção.\"

Parece que ainda não está convencido
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De Rui Gomes a 03.08.2013 às 15:38

Caro Haja Luz, penso que são medidas que visão defender os inteesses do Sporting, com o inevitável aproveitamento mediático por Bruno de Carvalho, que aparece em fotos cada vez que um acordo de renovação é assinado. Algo inédito, nos meios futebolísticos, especialmente com jovens da formação, mas já usual com este presidente que tanto se preocupa a cultivar a sua imagem populista.
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De Fredy a 03.08.2013 às 16:20

Diga-me caro Haja Luz, com qual das renovações não concorda?
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De jose carlos guinote a 03.08.2013 às 16:32

O caso de Eric Drier é revelador das limitações colocadas por um tipo de atitude de base radical. Estou a pensar no paradigma que tem caracterizado o discurso e a práctica desta Direcção que se pode resumir na frase “não renovas, não jogas”. Admitindo que havia necessidade de optar por um comportamento com esta aparente inflexibilidade - para minimizar comportamentos que ameaçavam fazer escola na Academia e constituir eles próprios uma regra lesiva dos interesses do clube - julgo que a sensatez obriga a que se saiba distinguir os momentos em que a rigidez tem que ser substituída pela flexibilidade. O caso de Drier é um desses momentos. A sua maturidade, a sua relação com o clube, a sua sensatez, o seu exemplo, obrigam a Direcção a ser flexível. Claro que neste caso a solução encontrada foi uma variante ao não renovas, não jogas, que se traduz num não renovas não ganhas mais. Essa flexibilidade que este caso exige passa, a meu ver, pela revisão das condições salariais, numa primeira fase de forma unilateral poe iniciativa da Direcção. Passar para um salário que duplicasse o actual sem que, julgo eu, daí viesse mal ao mundo, isto é ao equilíbrio financeiro do clube. Depois com calma ir-se-iam ao longo desta temporada negociando um melhor salário e um prolongamento do tempo de contrato com uma mais elevada cláusula de rescisão. Drier não deixaria de mostrar a sua gratidão pela iniciativa e este rapaz já nos mostrou que entre as suas qualidades humanas está a da gratidão e do reconhecimento. Não nos interessa nada arranjar um conflito com este jovem.
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De Rui Gomes a 03.08.2013 às 17:30

Não me esqueço das suas palavras há umas semanas, sensivelmente que "estou a ganhar e sei que merecia ganhar mais, mas não vou criar problemas ao Sporting por causa disso.

Se não se lida com total receptividade e reconhecimento com este rapaz, então com quem se vai lidar ?

A diferença que aparenta passar despercebida com os jovens que têm aceite as renovações, é que nenhum tem neste momento o mercado do Eric Dier. A exemplo, o Ilori tem, e bem se sabe em que estado estão as negociações quanto à sua renovação.

O Eric, justamente entende que justifica um aumento ao nível da sua maior prestação e que para assegurar esse aumento não devia ser necessário renovar até 2018, quando ainda tem 3 anos de contrato pela frente. No lugar dele faria o mesmo.
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De Fredy a 03.08.2013 às 17:32

Excelente comentário Sr.jose carlos guinote.
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De sergiom a 03.08.2013 às 17:40

"Porque aparece um Eusébio, um Baía, um Figo ou um Cristiano Ronaldo de longe a longe" Lá isso é bem verdade, mas como as equipas não são feitas de 11 craques, parece-me razoável arranjar outros elementos e de preferência nesta altura, em contratos de longo prazo quando os valores do contratos ainda não têm os números pretendidos por este jogadores quando possam atingir outros patamares e que só podem ser pagos por outras equipas.

"é um acto que vem inevitavelmente associado a risco" Qualquer negócio no futebol é um risco, uma contratação de um jogador é um risco, uma lesão, uma má adaptação, os feitos dos jogadores...., são inúmeras as variáveis que gravitam à volta de uma simples contratação para que não de certo. Eu continuo a achar que os valores envolvidos não são de risco, e se forem mais vale corre-lo.
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De Rui Gomes a 03.08.2013 às 17:52

Em primeiro lugar caro Sergiom , não sabe, nem eu sei, os valores envolvidos nestas renovações. Deduz isto e aquilo pelo que vai lendo, mas ao certo não se sabe.

O ponto do escrito, tal como os meus, nesse contexto, não é o que cita em relação a craques, mas sim que a formação do Sporting apresenta um eterno dilema pela sua débil situação financeira. Chega aquele momento em que quem é mais responsável tem de determinar em quem apostar no longo prazo, sabendo que a aposta vem com grandes riscos. E se não o fizer, logo surge um qualquer "tubarão" a levar a "pesca".

Fico grato por reconhecer que qualquer negócio/contratação no futebol envolve risco, já que o discurso em voga não aparenta reconhecer essa dimensão da indústria, com o intuito único de sublinhar a alegada "incompetência" de quem assumiu esse risco. A ideia, hoje e sempre, é do risco ser o mais calculado possível para minimizar danos, mas risco há sempre.
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De Fernando Albuquerque a 04.08.2013 às 08:02

Prezado Amigo Rui Gomes

Sobre este assunto de renovações parece-me que a actual Direcção do SCP , está no caminho certo. Não sabemos em que condições elas foram efectuadas. Sabemos é que não renovar pode ser perigoso. Tudo isto é muito complexo, pois só o JJ prevê o futuro e por isso o seu clube tem investido milhões de euros em grandes barretes, mas isso é assunto que não me diz respeito.

Discordo de quem diz que algumas das renovações, mesmo sem saber os moldes em que foram efectuadas, podem não dar resultados, ou seja podem resultar em decepções de alguns dos contemplados. Como tudo na vida quem não arrisca não petisca e julgo que há muito gente com futuro risonho.
Falar de FIGO E RONALDO, eu que tenho 73 anos, só vi estes dois fenómenos e como sabem saíram prematuramente do nosso SCP , um a custo zero e o outro por uma pequena quantia, comparada com a sua venda para o RM .

Dos jogadores que faltam assinar, lamento que o Iori não tenha a sua renovação resolvida. O Eric de quem sou grande fã, merece um vencimento compatível com a sua grande qualidade que já demonstra. Por favor tratem este menino com muito carinho e sabedoria, pois não temos grandes exemplos como ele tem procedido em relação ao SCP .

Vamos aguardar o próximo torneio, pois ainda não sabemos qual vai ser a futura equipa do SCP , que sinceramente estou com curiosidade em saber como o nosso treinador vai apostar na sua formação.

Um abraço Fernando Albuquerque
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De Rui Gomes a 04.08.2013 às 12:44

Caro Amigo,

Já leu escritos meus onde eu indico que é necessário investimento para haver retorno, e isso inclui a formação. Não deixa de oferecer risco e, lamentavelmente, a margem do Sporting é mínima. Este é o factor que mais complica esta disposição.

Penso que não é justo comparar o nível do Cristiano Ronaldo quando saiu do Sporting e o que representava pelos anos no Manchester. Ele poderia ter ficado mais um ano ou dois no Sporting, e teria valido mais uns milhões, mas nunca a verba que o Real eventualmente deu por ele.

O que se sabe sobre o caso do Eric Dier é preocupante. Espero que abrem os olhos, antes de ser tarde.

Como o passar de cada jogo fica-se a conhecer um pouco mais do trabalho de LJ, mas não sei se ele já tem um onze em mente, até porque até ao fim de Agosto muito pode ainda acontecer.

Um abraço

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