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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
A propósito dos três golos de Fredy Montero frente ao Arouca, um amigo meu, também sportinguista, fez-me uma pergunta interessante, não sendo inédita, por nos confrontar há muitos anos, tanto no decorrer das competições portuguesas como nas que envolvem a selecção nacional: «Porque é que num país que produz jogadores de futebol em grande número e de elevada qualidade praticamente para todas as posições, há tão enorme dificuldade em produzir goleadores ?».
Não é que eu tenha uma resposta profunda e concreta para este intrigante dilema, mas a única explicação que me vem à ideia, hoje e já há muito tempo, é que se relaciona com a mentalidade futebolística portuguesa, muito mais detalhada, à raiz, para jogar um futebol muito calculado e defensivo, em contraste, por exemplo, com o futebol mais aberto e ofensivo da Holanda que tantos goleadores tem produzido. Temos as excepções à regra, claro, a exemplo de em tempos de outrora o Peyroteo, Matateu, Eusébio, Luís Figo ou até o Pauleta e, agora, o Cristiano Ronaldo, só para nomear alguns, mas são de facto casos excepcionais, e até nem sei se Figo poderá ser considerado um goleador nato embora tenha marcado 165 golos durante a sua carreira.
Parte da explicação também se centrará na gestão desportiva dos clubes portugueses, dando prioridade aos jogadores estrangeiros, tanto em termos de investimento como de espaço de participação nas suas provas nacionais. Para comprovar este último ponto, dei-me ao trabalho de investigar a origem dos marcadores da 1.ª jornada da Liga portuguesa realizada este fim de semana:
Foram marcados 26 golos - dos quais 20 por 18 jogadores estrangeiros e apenas 6 por jogadores portugueses. Dos estrangeiros - a vasta maioria oriunda dos continentes africano e sul-americano - destaque para os brasileiros, como era de esperar, seguidos por colombianos, com Montero, Jackson Martinez, Quintero e Pardo a contribuírem 6 golos, tantos quanto o total apontado por jogadores portugueses.
A mentalidade do futebol português não é de fácil mudança salvo sob um projecto de longo prazo e, no imediato, a única solução plausível é a redução do número de atletas estrangeiros em Portugal, disposição política e financeiramente complexa.
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