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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
«Depois de muitos anos ao serviço do Benfica, na época em que acabava o contrato, o Dr. Sousa Marques, chefe do departamento de futebol do Sporting, convidou-me para ir para Alvalade. foi estranho, mas as condições que me apresentaram eram muito boas. Falei com Romão Martins, chefe do departamento de futebol do Benfica e não conseguimos chegar a um acordo. As semanas passavam e do Benfica nada. O Sporting insistia...
A história arrastou-se durante muito tempo, até qu se soube na comunicação social e eu fui retirado da equipa principal. Fui sempre titular, ao longo da época, e de um momento para o outro fiquei a ver os jogos do banco, sem razão aparente, a não ser o facto de estar a negociar com o Sporting. Não havia razões para aquela atitude porque fui sempre correcto com o Benfica. Sofri uma grande pressão para assinar pelo Sporting, mas não o fiz, sempre com a esperança de chegar a um acordo com o Benfica.
Durante este processo, o Benfica deslocou-se a Alvalade. Ironia do destino, o defesa que me estava a substituir lesionou-se na semana do jogo. O treinador do Benfica, John Mortimore, perguntou-me se eu me sentia em condições de jogar em Alvalade."Mister, já joguei muitas vezes naquele estádio e se há dia em que gostava de jogar contra o Sporting, era mesmo amanhã!", respondi-lhe. Naquela altura senti que o principal culpado de eu ter sido afastado da equipa, não era ele, por isso insisti, "quero jogar mais do que nunca, em primeiro lugar para vocês verem o erro que têm estado a cometer em não me meter a jogar e em segundo lugar para mostrar aos dirigentes do meu futuro clube que fizeram uma grande contratação!".
Fiz um grande jogo. O Benfica ganhou 1-0 com um golo de Chalana. No final saí do relvado abraçado ao Fidalgo que também saiu comigo, nesse ano, do Benfica para o Sporting. Foi uma sensação estranha, mas agradável, sabia que ninguém me ia levar a mal, nem de um lado, nem do outro.»
Do livro Estórias d'Alvalade por Luís Miguel Pereira.
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