Por muito doloroso que seja, devemos admitir que o resultado do clássico é justo. O FC Porto, mesmo sem deslumbar, foi quase sempre a melhor equipa em campo ao longo dos 90+3 minutos de jogo. Como eu temia, a grande diferença entre as equipas evidenciou-se no meio campo, e o do Sporting simplesmente não esteve à altura de o do FC Porto, apesar de ter melhorado modestamente na segunda parte.
Embora se reconheça que o golo de grande penalidade (indiscutível) aos 11 minutos influenciou a contenda, a realidade é que ofensivamente o Sporting praticamente não existiu nos primeiros 45 minutos: 54% posse de bola a favor dos dragões, 19 ataques contra 14 e 9 remates contra 4, estes, todos à distância e sem perigo. No mesmo periodo, o Sporting não teve um único canto a favor.
Em geral, o Sporting até não esteve mal defensivamente, mas erros a este nível pagam-se caros e errou o suficiente para sofrer os três golos. O meio campo portista minimizou espaços e conseguiu ser construtor, permitindo profundidade ofensiva à equipa, algo que apenas surgiu por parte do Sporting na segunda parte e com pouca consistência. Salvo erro, Fredy Montero foi servido uma única vez por cruzamento de Cédric Soares e Helton evitou o golo por cabeceamento do avançado leonino com uma boa defesa.
Não foi um clássico brilhante, nomeadamente porque o Sporting esteve longe de dar a réplica ofensiva desejada. Foi um jogo intenso, de muita luta pela bola, mas sem aqueles rasgos espectaculares que dão a beleza especial ao jogo. Artur Soares Dias cometeu alguns erros mas não teve influência no resultado. O mais evidente terá sido a falta não assinalada sobre André Carrillo aos 26 minutos, mas foi fora da área.
Muito além de ter marcado o golo, William Carvalho foi, para mim, de longe o melhor leão em campo. Tudo indica que vamos ter um fora de série e é de esperar - ou pelo menos desejar - que Paulo Bento tenha os olhos bem abertos e a sua teimosia em grau inferior.