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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
«O jogo foi contra o Dínamo de Tirana, da Albânia, para as competições europeias, marcou-me muito. Foi a primeira vez que uma equipa europeia, neste caso o Sporting, teve autorização para entrar e jogar naquele país.
Lá empatámos 0-0. Na segunda mão, em Alvalade, os jogadores do Dínamo apareceram equipados de fato de treino e sapatos. Eles não tinham dinheiro, coitados. Nem sequer podiam comprar material desportivo. O guarda-redes não tinha luvas para jogar. Foi o Damas, nosso guarda-redes, que lhe emprestou umas. O jogo esteve 0-0 até muito perto fim. Só me recordo do Damas, aos gritos, a dizer, «fui eu emprestar as luvas àquele gajo».
O guarda-redes deles defendeu tudo o que havia para defender. Como se costuma dizer, até defendeu o vento! Acabámos por ganhar por 1-0, quase no final, com um golo de Venâncio. Mas foi um grande sofrimento. Os obstáculos maiores naquele jogo foram o guarda-redes e as luvas do Damas.»
* Do livro «Estórias d'Alvalade» por Luís Miguel Pereira
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