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Um tema nada consensual

Rui Gomes, em 26.11.13

 

  

Um tema bastante discutido de há uns anos a esta parte e tudo menos consensual: a utlização de jogadores naturalizados na Selecção Nacional. No actual lote dos usuais convocados existe somente Pepe, que primeiro envergou a camisola das quinas em 2007 e regista até à data participação em 57 jogos, quase todos como titular. Antes dele - em tempos mais recentes - existiram outros dois: Deco e Liedson. O primeiro, que começou a representar Portugal  em 2003 - enquanto ainda jogador do FC Porto e antes de se transferir para o Barcelona - e que regista o total de 75 jogos. O antigo avançado do Sporting teve um período de representação mais curto - 2009 e 2010 - e envergou a camisola nacional por 15 vezes.

 

Este tema nunca deixou de ser discutido ao longo dos anos e ganha agora mais força pelo apuramento de Portugal para o Mundial 2014 no Brasil e as notícias que têm surgido sobre o médio do FC Porto, Fernando, que nunca representou o seu país de origem - salvo no sub-20 - e está perto de concluir o processo de naturalização. Confrontado com este por enquanto hipotético cenário, Paulo Bento teve isto para dizer:

 

"A minha posição foi sempre clara. A partir do momento em que estiver naturalizado passa a ser mais uma opção. Se depoiso convoco... O que digo é que nunca pedirei a um jogador para se naturalizar ou à FPF para acelerar um processo por estar mais aflicto."

 

Garantindo que se isso acontecer, não implicará que William Carvalho não possa ir ao Brasil: "O Fernando é diferente deles. Tem tido um rendimento extraordinário no FC Porto. Pela velocidade, pela agressividade é defensivamente muito forte. (...) O William já estava sobre observação há algum tempo. Quando tivemos que o colocar a jogar não tivemos problemas, porque acreditamo

s nele. Se tiver que ir ao Mundial, irá pela qualidade, pelo talento e não por ser da formação."

 

Estas declarações do seleccionador nacional dão azo a muitas conjecturas e até é de admitir que ele está receptivo à integração de Fernando. A questão que se apresenta, como sempre aliás, é se um jogador que é de indubitável qualidade como Fernando, deve ser excluído apenas e tão só por ser naturalizado português. Nunca houve dúvidas quanto à genuinidade de Pepe em querer representar Portugal, já o mesmo não se pode dizer de Deco, que deixou então clara a sensação que a escolha lusa era a sua segunda preferência. Já com Liedson, a disposição também é discutível, até pela idade do jogador.

 

Quero crer que se o médio portista for eventualmente convocado que não será em detrimento do jovem William Carvalho, muito embora possa vir a ter impacto na sua eventual utilização. Este cenário tem o potencial para ferir sensibilidades, até porque não vejo que Fernando seja outra coisa se não titular, o que significará, ao que concerne a posição 6, que o próprio lugar de Miguel Veloso estará em perigo, não em termos de convocatória, mas sim quanto a titularidade.

 

Pessoalmente, prefiro ver uma selecção composta por somente portugueses, à raiz, mas também não me dou à exclusão de um qualquer talento merecedor de consideração, apenas por ser um cidadão naturalizado. Poucas, se algumas, são as selecções por esse Mundo fora que não contam com jogadores naturalizados.

 

publicado às 16:54

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9 comentários

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De Mike Portugal a 26.11.2013 às 17:47

Eu agora sou mais liberal em relação a este tema.
E só me tornei mais liberal (não era) porque todas as outras seleções de topo o fazem. Nós não podemos ser anjinhos e ficar para trás em relação aos outros.

Não me choca que Fernando seja convocado, desde que o William também seja.
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De Rui Gomes a 26.11.2013 às 18:07

Nesse exacto contexto, terei de concordar Mike.
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De MaxMartins a 26.11.2013 às 18:07

Pessoalmente...preferia-os "portuguesinhos" da costa...!!

É verdade que a maior parte das selecções os têm nacionalizados...

É "bom", mas "não é a mesma coisa..."
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De Rui Gomes a 26.11.2013 às 19:16

Penso que todos nós partilhamos esses sentimentos, mas hoje em dia há outras realidades que não podem e não devem ser ignoradas.

A exemplo, eu, como cidadão de mais do que um país, não gostaria de ser privado de qualquer actividade pelo facto de ser naturalizado, alías, nem as leis permitem isso.

Como indico no post, poucas se algumas selecções hoje não têm jogadores naturalizados. Acho importante fazer uma distinção, mediante as circunstâncias individuais, entre quem se naturaliza apenas por querer ser cidadão de um qualquer país e quem o faz - no caso de jogadores, com o intuito único de ter acesso a uma selecção cujo acesso lhe é negado por motivos vários, incluindo talento.
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De Joao a 26.11.2013 às 19:11

Subscrevo por completo as palavras do Paulo Bento.

O que se segue, nao e' dirigido a ninguem em particular, nomeadamente ao Rui Gomes. Sao apreciacoes em termos gerais.

Alias, faz me grande confusao que a generalidade das pessoas nao se importe nada que estrangeiros se possam tornar cidadaos portugueses e possam, por exemplo, VOTAR (algo realmente importante), mas ja tenham problemas que essas mesmas pessoas vistam uma camisola vermelha e deem uns pontapes numa bola (coisa secundaria, bastante secundaria).

Diz muito do sentido das prioridades de algumas pessoas e explica alguma coisa do estado em que o pais se encontra. Parece que o importante na cidadania nao e' participar na vida social do pais mas sim jogar `a bola. A menos que se esteja de acordo que haja cidadaos de primeira e cidadaos de segunda, como no tempo da outra senhora.

A minha posicao resume-se ao seguinte: Se cumpre os requisitos para ser CIDADAO do pais, e se cumpre os requisitos de eligibilidade da FIFA (porque jogamos de acordo com as regras deles), pode jogar. Alias, eu nao sei o que e' um verdadeiro portugues, nem o que isso quer dizer.
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De Rui Gomes a 26.11.2013 às 20:28

Caro João, não presumo falar por terceiros, mas penso que uma das considerações que sensibilizou mais esta situação da utilização de jogadores naturalizados foram casos como o do Deco , em que todos sabíamos que no fundo ele não queria representar Portugal e acabou por o fazer somente porque não foi convocado para a selecção brasileira. Não satisfez o sentimento nacional sermos segunda escolha.
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De Joao a 26.11.2013 às 21:14

Nao sou nada ao Deco, nem ele me pediu para o defender, mas em relacao a esse caso particular devo dizer o seguinte:

Em primeiro, tendo ele dupla nacionalidade, e podendo ele representar duas seleccoes, acho natural que ele pense antes de aceitar o convite de uma delas, pois isso implica nao poder representar a outra. Trata-se de uma decisao importante, que nao se deve tomar de forma leve. Mais, poderia ter ele uma preferencia por uma das opcoes e nao ser 50/50? Natural tambem.

Em segundo lugar, nunca vi da parte dele menor empenho em campo que tenha visto em outros portugueses "geneticamente puros". Alias, no celebre jogo com a Holanda, no mundial de 2006 ate foi ele um dos primeiros a "baixar o pau" quando os holandeses comecaram com as tacticas de imtimidacao. Ele cumpriu sempre e "suou a camisola" tanto ou mais que todos os outros, e isso e' tudo o que se pode pedir.

Mas isso nao se trata de discutir casos especificos de jogadores, trata-se de uma questao basilar de principio. Se serve para ser cidadao, serve para tudo o que um cidadao pode fazer, nao so para algumas coisas e outras nao. Ou temos todos os mesmos direitos e deveres ou entao nao temos e vamos fazer categorias diferentes de cidadaos.
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De Rui Gomes a 26.11.2013 às 21:25

Meu caro, concordo no essencial, nem era minha intenção advogar contra a posição assumida por Deco, mas sim tentar explicar o que terá precipitado o sentimento geral na altura.
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De Joao a 26.11.2013 às 21:35

O sentimento geral foi apenas e so pelo facto que o Deco era jogador do Porto; e mais, que era um jogador do Porto "roubado" ao Benfica. Fosse ele um jogador do Benfica (lembro-me bem na decada de 90 muitos benfiquistas a fizer "Isaias na Seleccao!!!") e nao tinha havido problema nenhum e teria havido inumeras capas de jornais a fazer campanha pela chamada a seleccao.

Assim a imprensa lampia comecou a fazer barulho e muita gente foi atraz sem saber muito bem porque.

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