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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Sem surpresa alguma a convocatória de Leonardo Jardim para o embate de domingo frente à Académica. Destaque para recuperação de Islam Slimani, que passa a ser novamente opção para o técnico do Sporting. Este lote de 19 jogadores vai sofrer um aumento para a semana, com a chegada de Heldon e Shikabala, partindo do princípio que ambos estarão fisicamente aptos para jogar, tornando a escolha do treinador muito mais interessante.
Ricardo Esgaio e Rúben Semedo, que treinaram durante a semana com a equipa principal, foram devolvidos à B, Welder permanece no lote dos "desaparecidos", dado que não joga nem numa equipa nem na outra e fica então a já conhecida rotatividade entre Vítor Silva e Gerson Magrão a assistir ao jogo da bancada, com o jogador brasileiro a ser o meu candidato para esse fim nesta jornada.
É de prever que a equipa principal seja constituída pelos seguintes: Rui Patrício; Cédric Soares, Maurício, Marcos Rojo e Jefferson; William Carvalho, Adrien Silva e André Martins; André Carrillo, Wilson Eduardo e Fredy Montero.
Suplentes: Marcelo Boeck, Eric Dier, Iván Piris, Vítor Silva, Diego Capel, Carlos Mané e Slimani.
A escolha de extremos é sempre uma lotaria, embora acredite que Carrillo tenha lugar permanente e que Wilson Eduardo entrará no onze pela sua boa prestação a "saltar" do banco no jogo do Penafiel. É a minha opinião, no entanto, que Diego Capel rende sempre mais quando é incluído na equipa incial e que o inverso acontece com Wilson Eduardo.
Como Leonardo Jardim não acredita em "limpar" amarelos, William Carvalho e Fredy Montero, ambos com quatro, não serão poupados para minimizar o potencial para danos, com o importante "derby" logo a seguir. Esperamos que não hajam ocorrências desagradáveis neste sentido.
Um outro cenário que as recém-aquisições poderão apresentar, relaciona-se com a titularidade de André Martins. Este poderá ser um dos seus últimos jogos no onze incial, partindo do princípio que o Sporting não contratou Shikabala para ocupar lugar no banco. Heldon irá competir para ser o quarto extremo da equipa e, neste sentido, não me atrevo, por enquanto, a tentar antecipar as preferências de Leonardo Jardim.
O Sporting já não perdia em Coimbra há 36 anos e o registo mantém-se intacto após mais uma exibição de grande qualidade e uma vitória que não deixa margem para dúvidas. Uma equipa muito bem organizada que aprendeu a marcar golos, com prestações sólidas de praticamente todos os elementos. O jovem William Carvalho sempre muito sereno e bem posicionado, Adrien Silva cada vez mais "patrão" do meio campo e uma excelente primeira parte de Carrillo, um golo oportuno e um perigo sempre que tocava na bola. Fredy Monteiro novamente muito bem; é um jogador inteligente e de elevado nível técnico que sabe "aparecer" no jogo e que através de uma grande penalidade marcou o seu quarto golo em dois jogos.
A estreia oficial de Slimani na Liga portuguesa, a entrar nos últimos 20 minutos, mas não deu para ver muito salvo que simula muito mal, numa tentativa em vão de "arrancar" uma grande penalidade. Viu-se finalmente Eric Dier também por poucos minutos. Como já se esperava, Diego Capel começou o jogo no banco de suplentes e entrou para o lugar de Wilson Eduardo aos 65 minutos. Teve duas ou três oportunidades de marcar.
Se há alguma área que preocupa neste Sporting é o jogo defensivo aéreo, algo que Leonardo Jardim terá de rectificar. Temos uma equipa muito confiante que tem agora uma semana para se preparar para o "derby" e há razões para optimismo que poderemos superar o nosso eterno rival.
Rui Patrício foi distinguido com uma placa evocativa dos seus 250 jogos pelo Sporting, mas a pergunta que fica no ar é se o jogo com o Olhanense serviu como palco para a sua despedida de Alvalade. É noticiado que o Arsenal - que supostamente chegou a oferecer 10 milhões de euros pelo guarda-redes que veio do Marrazes - esteve ontem a observá-lo, mais uma vez, assim como o jovem Bruma.
A existirem quaisquer dúvidas do clube inglês deverá ser em relação à verba, em si, não quanto à elevada qualidade de Rui Patrício. Apesar do pouco trabalho que o Olhanense lhe deu, quando foi chamado a intervir demonstrou mais uma vez a sua excelência entre os postes. Não gostaria de o ver sair, mas ficaria satisfeito se um clube do nível do Arsenal fosse o seu destino. Já Bruma é um caso à parte, porque é por de mais evidente que apesar do seu potencial ainda é um trabalho em progresso. A sua venda num futuro próximo não será benéfica para o Sporting nem, porventura, para o próprio jogador, porque pode ir parar a uma equipa onde não tenha o espaço nem a condução para evoluir.
Entre outros apontamentos, reparei que também foi noticiado que a Académica marcou presença em Alvalade para "espiar". Salvo andar muito distraído, não posso se não perguntar quem é que este emblema esteve a "espiar" e em que sentido.
A idade média dos onze que pisaram ontem o relvado em Coimbra é 22 anos e dos catorze utilizados no jogo é 21.7 anos. Não se pretende desculpabilizar e não explica tudo, mas ajuda a compreender uma das causas das oscilações de natureza individual e colectiva que se verifica na equipa do Sporting do momento. Os mais veteranos foram Rui Patrício, Rinaudo e Capel, todos com 25 anos, e os mais jovens Bruma (18), Eric Dier (19), Fokobo (19), Labyad (19) e Tiago Ilori (20).
Isto, a propósito da troca de impressões entre adeptos sportinguistas e leitores do blogue, na tentativa de fazer uma leitura mais abrangente sobre a exibição frente à Académica e, em especial, a vincada diferença entre a primeira e a segunda parte do desafio.
Como já aqui indiquei em comentários, será possível conjecturar sobre questões de ordem colateral mas, sobretudo, na minha opinião, evidenciam-se os danos psicológicos pela não evolução competitiva ao longo da época, a sempre presente pressão associada ao momento e ao «peso» da camisola e o todo da constante turbulência dentro e na periferia do Clube. Nos meus anos no futebol sempre constou que um jogador que joga sem alegria nunca poderá dar o rendimento à medida do seu talento. Neste caso concreto da equipa leonina, verifica-se uma falta de alegria colectiva que, entre outras consequências, leva os jogadores a não jogarem desinibidos, ao ponto de quase não celebrarem um golo marcado.
Por fim, serve como esclarecimento para os teóricos que pensam que o Sporting pode ser competitivo ao nível desejado e esperado com tantos jovens em campo ao mesmo tempo. Os talentos à vista necessitam de ser complementados por uma presença mais experiente para os incentivar e liderar nos 90 minutos de jogo e, em especial, nos momentos mais cruciais. Com um trabalho à raiz, a começar logo na pré-época, o nivel exibicional melhorá, sem dúvida, mas nunca será suficiente.
Uma primeira parte exasperante pelo Sporting, onde quase tudo aquilo de positivo que se verificou frente ao FC Porto, não esteve em evidência em Coimbra. Inúmeros passes falhados, perdas de bola, falta de pressão sobre o adversário, escassa ligação entre sectores e insuficiente dinâmica colectiva. Mais uma vez valeu Rui Patrício com duas ou três defesas de elevado nível que permitiu ao Sporting manter-se no jogo.
As coisas melhoraram nos segundos 45 minutos com as entradas de Labyad e Carillo e, aos poucos, a Académica foi desistindo de jogadas ofensivas. Com o golo de Ricky a confiança leonina aumentou e Labyad ainda atirou um potente remate ao poste mas, em geral, muito pouco para quem ainda aspira garantir um lugar de acesso às provas europeias.
Mais uma confirmação para quem necessita de esclarecimento, que é missão muito caricata lançar uma equipa competitiva só com jovens em campo. Quase se fica com a ideia que apesar da importância da derradeira fase do campeonato, os jogos estão a servir de preparação para a próxima época. Por norma, não gosto de questionar as opções de treinadores, mas a composição do meio campo do Sporting na primeira parte, perante este adversário, é muito discutível, nomeadamente pela ausência de um construtor de jogo. Em análise final, um empate com alguma felicidade à mistura, a justificar o melhor empenho da segunda parte.
Adenda: É difícil não concordar com a análise de Jesualdo Ferreira: «Para ganhar jogos, para se jogar num clube grande, há que dar 100 por cento durante os 90 minutos. Na primeira parte estivemos a perder bem... Não podemos perder assim 45 minutos. Houve oscilações de natureza individual e colectiva. É impensável uma equipa como o Sporting ter um «goal-average» negativo... O objectivo Europa não depende só de nós mas uma coisa é verdade, para lá chegarmos temos de ganhar os nossos jogos.»
A equipa principal do Sporting segue invicta no campeonato, com 15 vitórias em tantos jogos, 86 golos marcados e 12 sofridos, 45 pontos, mais 9 do que o 2.º classificado Benfica. Nesta jornada recebeu e derrotou a Académica, por 3-1. O momento do jogo surgiu aos 33 minutos quantdo o guarda-redes Cristiano marcou um soberbo golo de baliza a baliza em estilo de «chapéu». Os outros golos foram da autoria de Paulinho e Alex.
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