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E tudo Jovane mudou

Rui Gomes, em 02.09.18

 

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Às vezes, é tudo uma questão de paciência. A paciência que Matheus não teve é a mesma que Jovane Cabral, o miúdo nascido há 20 anos na ilha cabo-verdiana de Santiago, está a aproveitar. Quando ele sai do banco, o Sporting muda. Foi assim frente ao Moreirense, quando sofreu a grande penalidade que permitiu aos leões engatarem uma vitória difícil. Foi assim na jornada seguinte, frente ao V. Setúbal, quando menos de 10 minutos depois de entrar deu a assistência para Nani fazer um segundo golo que valeu três pontos.

 

E foi também assim este sábado. Ele entrou e o Sporting mudou. O golo que marcou a três minutos do fim e que desfez um zero-zero que em alguns momentos do jogo pareceu mais que anunciado, foi só a cereja, o lacinho, a pièce de résistance.

 

Lídia Paralta Gomes, jornal Expresso

 

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publicado às 04:54

Os menosprezados guarda-redes

Rui Gomes, em 28.08.18

 

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(Ante) Ontem foi dia mundial do cão. Cave Canem rezam os avisos à entrada de certas propriedades, maneira erudita de dizer “cuidado com o cão”. Tais avisos, mesmo que em língua vulgar, deveriam estar nas traves das balizas, alertando para a presença de Cérberos de uma só cabeça, guardiães do terreno que, para uns, é inferno e, para outros, há de ser a terra prometida.

 

Não por acaso, os espanhóis chamam aos guarda-redes cancerberos, em homenagem ao porteiro tricéfalo do Hades, que impedia que os mortos dali saíssem e os vivos ali entrassem, e aos outros, os que para lá iam, recebia com suspeita amabilidade em tão horrenda criatura. Como comemoração antecipada da feliz data, no sábado futebolístico os guarda-redes brilharam mais que os avançados.

 

O falecido árbitro de futebol Vítor Correia, da Associação de Futebol de Lisboa (ainda hoje acho que a apresentação de um árbitro só fica completa com a referência à respetiva associação regional – um Veiga Trigo de Braga e não de Beja, não seria um Veiga Trigo, como um Carlos Xistra pede nitidamente uma Associação de Futebol de Castelo Branco), costumava dizer, como prova de experiência e da sua magra capacidade de espanto, que, desde que vira um porco andar de bicicleta, já nada o surpreendia.

 

Não menos extraordinário do que um suíno ciclista será um lobo voador, mas foi isso que, anteontem, o mundo inteiro pôde testemunhar no estádio Molineux, em Wolverhampton: um “lobo” a voar para defender uma bola que ia de tal forma colocada que o guarda-redes lupino ainda precisou do auxílio da trave para completar a defesa.

 

Ao ver aquela defesa aeronáutica, alguns sportinguistas terão sentido súbitas saudades de Rui Patrício e das muitas defesas que lhe valeram a canonização profana como São Patrício de Alvalade. Porém, à noite, após o fim do jogo no estádio da Luz, poucos terão sido os saudosos do guarda-redes oriundo de Marrazes.

 

Afinal, Romain Salin, que começou a época como suplente de um italiano com bigode de proxeneta, tinha-se sagrado homem do jogo e, com uma mão-cheia de defesas ditas de “elevado grau de dificuldade”, embora nenhuma tão pênsil quanto a de Patrício, impedira a derrota do Sporting.

 

Mas a desgraça do guarda-redes, sobretudo o de um clube grande, é que a celebração efusiva dos seus feitos equivale a um reconhecimento público de fraqueza. Se o guarda-redes é o homem do jogo é porque a equipa não o soube resguardar, não foi capaz de travar as investidas do adversário, esteve à mercê de uma estocada fatal.

 

José Peseiro, que já vai tendo anos e bagagem de raposa velha (já que falamos de cães e seus parentes), veio dizer aquilo que os treinadores, sobretudo os de um clube grande, são obrigados, por estatuto e amor-próprio, a dizer nestas ocasiões: o guarda-redes limitou-se a fazer o trabalho dele. Espera-se que, no balneário, Peseiro se tenha mostrado mais agradecido ao seu guarda-redes e salvador.

 

Que ninguém vá para guarda-redes à espera da gratidão alheia, eis uma lição que, a par das saídas a cruzamentos e jogo com os pés, todos os aspirantes a guarda-redes deveriam aprender. Há exceções, sim, mas normalmente envolvem defender penáltis sem luvas ou segurar resultados improváveis.

 

Este último foi o caso de Rui Patrício, que ajudou o Wolverhampton a travar o rolo compressor do Manchester City. E foi também este o caso de Douglas, guarda-redes do Vitória Sport Clube (ontem ouvi um indignadíssimo adepto do clube vimaranense a exigir que a comunicação social tratasse o clube com o respeito merecido e o chamasse de Vitória Sport Clube e não, como teimam em fazer alguns provocadores a soldo de forças inimigas, Vitória de Guimarães), que contribuiu para um triunfo histórico no Dragão. Uma derrota do Futebol Clube do Porto em casa é um acontecimento raro.

 

Depois de estar a ganhar por 2-0, então, é mais do que um cisne negro, é quase um unicórnio. Por essa razão, as milagrosas defesas de Douglas já nos descontos foram festejadas como deveriam ser sempre festejadas defesas daquelas: como se fossem golos. (O Cérbero vimaranense estragou a noite ao pai, por assim dizer, pois o pai do cão do Hades era o gigante Tifão, de cujos ombros, segundo o relato fidedigno de Hesíodo, saíam cem cabeças de dragão.)

 

Rui Patrício e Douglas receberam o justo louvor. Já o desvalido Salin, talvez por jogar num clube com outras ambições, teve direito a elogios mais comedidos. Porém, lá no fundo, ele sabe (e sabemos nós) que, na noite de sábado, o herói calçava luvas. Contido e discreto, Salin mostrou aquele género particular de heroísmo que se espera de um guarda-redes e que se confunde com a sensação honrosa do dever cumprido. Salve Salin! Cave Salin!

 

Bruno Vieira Amaral, jornal Expresso

 

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publicado às 03:23

A esfregar Salin na ferida

Rui Gomes, em 26.08.18

 

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"A equipa de Vitória empatou quando tinha tudo - e teve quase tudo - para somar três pontos e deixar um dos rivais à mesma distância. Não correu como esperado, ou melhor, como se esperava. E assim há um mito urbano que se mata e outro que se engorda: afinal, José Peseiro não é um pé-frio e é verdade que quem está melhor nem sempre vence. E houve um guarda-redes que se destacou acima de toda a gente".

 

Era ao mesmo tempo bom e mau demais para ser verdade, e era preciso recuar uns anos até encontrar um dérbi tão desigual como este antes de ser jogado. Sabem como é: uma equipa pouco mudada contra outra em que praticamente só faltava mudar os centrais - o que aconteceu, por lesão inesperada de Mathieu - só pode dar num jogo de resultado daqueles.

 

A adivinhada superioridade do Benfica estava legitimada por uma série de informações que foram ditas durante a semana. No Sporting era quase tudo novo: o presidente, o treinador, os laterais, o guarda-redes, o capitão, os avançados, o trinco, o modelo, a estratégia, a táctica, as ideias. E o Benfica apenas tinha de se avir com a falta do dolorido Jonas e as pernas eventualmente pesadas dos três jogos europeus que levava a mais; de resto, tudo na mesma.

 

E agora que o encontro acabou, a verdade é que o Benfica foi realmente superior ao Sporting, porque criou várias oportunidades que o espectacular Salin foi adiando antes do penálti de Nani, e também depois do empate do puto João Félix. O francês terá evitado dois ou três golos e os adeptos clássicos de café dirão que é “para isso que ele lá está”, e ele de facto lá esteve pelo menos em cinco momentos: nos dois cabeceamentos de Rúben Dias na primeira-parte, e nos remates de Pizzi, Zivkovic e Grimaldo na segunda.

 

Só que isto, por si, não justifica o final empatado de um dérbi enérgico, mas mal jogado, carregado de queixinhas, empurrões, rodinhas ao árbitro, e alguns lances duros e outros mal interpretados pela arbitragem - o do penálti disparatado de Rúben Dias não é um deles.

 

O artigo completo de Pedro CandeiasTribuna Expresso, disponível aqui.

 

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publicado às 17:02

João Benedito em entrevista

Rui Gomes, em 28.07.18

 

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 “Vou ficar a vida toda no Sporting.

Daqui a dois meses, espero que como presidente. Daqui a 20 anos, não sei”.

 

João Benedito, em entrevista ao jornal Expresso.

 

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publicado às 15:47

 

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Segundo o Tribuna Expresso, José Silva, funcionário judicial dos tribunais de Guimarães e Fafe que está detido no âmbito do caso E-Toupeira, terá acedido de forma ilegal a 10 inquéritos relacionados com investigações ao Benfica.

 

Ao todo, o dito funcionário terá entrado 385 vezes nos referidos processos, usando quatro palavras-passe distintas. A mesma fonte escreve que o funcionário vai continuar em prisão preventiva por decisão dos juízes desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa.

As autoridades investigam possíveis crimes de corrupção, violação do segredo de Justiça, favorecimento pessoal, peculato e acesso ilegítimo.

 

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publicado às 05:31

 

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Eu tive um sonho. Sonhei que o Bruno de Carvalho (BdC) ainda ia ganhar isto. Sonhei que, num tempo não muito longínquo, ele ia ser campeão. Nesse que era o dia mais feliz da sua vida, BdC estava sozinho no centro do relvado. Como em todas as 33 jornadas anteriores, nenhuma equipa comparecera para defrontar o Sporting Clube Bruno de Carvalho, que assim vencia a tão desejada Liga Bruno de Carvalho. A liga que ele próprio criara, com as suas regras. E ali estava ele, campeão. Ahhhh, o doce sabor da vitória? Por fim.

 

No palanque montado no centro do relvado, BdC, presidente da Liga BdC, entregou a BdC, presidente eleito do Sporting Clube BdC, a tão desejada Taça BdC para o vencedor do campeonato. Antes de se soltarem os confetes e a música dos Queen, BdC, presidente da Liga, ainda entregou a BdC, o futebolista, o prémio de melhor jogador e melhor marcador do campeonato, sem ter marcado um só golo ou disputado um só jogo. Que dia aquele! Onde estavam agora os críticos? Iriam curvar-se perante a sua glória?

 

Desceu do palco montado no centro do relvado quando se começaram a ouvir as primeiras notas de “We Are The Champions”. Estava na hora da tão sonhada volta olímpica ao estádio, um gesto que tinha ensaiado vezes sem conta no tempo em que ainda nada ganhava no futebol sénior masculino. Desta vez, não havia ninguém para o assobiar nas bancadas. Ninguém apareceu para o consagrar, nem mesmo os amigos da Juve Leo que sempre estiveram com ele nas horas mais difíceis. Ninguém. Era ele e só ele, como tantas vezes sonhei.

 

BdC correu para a sala de imprensa para contar a sua vitória ao mundo, mas não havia ninguém à sua espera. Nem uma câmara, nem um microfone. Bandidos! Não precisava deles. Pegou no telemóvel e abriu a sua página no Facebook. Ali, pelo menos, não havia quem lhe fizesse perguntas incómodas. Tinha eliminado um a um todos aqueles que o questionavam, até que acabou só ele, na sua página, a falar sozinho.

 

Um tonto tinha dito que o presidente do futuro era o presidente-adepto. O presidente do futuro era ele, era o presidente-adepto-treinador-jogador e tudo mais. Ali estava ele, no futuro, a celebrar o dia mais feliz da sua vida e não havia ninguém a estragar-lhe a festa. Nem Jesus, nem Rui Patrício, nem Marta Soares, nem jornalistas. Ninguém. Era ele e só ele. Só. Como merece.

 

Nelson Marques, jornal Expresso

 

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publicado às 17:34

 

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Um estudo de opinião efetuado pela ‘Eurosondagem’ para o jornal ‘Expresso’, entre os dias 18 e 21 de Junho de 2018, é totalmente arrasador para Bruno de Carvalho.

 

Num universo de 1011 pessoas – sendo que 333 são adeptos leoninos – apenas 10 por cento entendem que BdC deve "manter-se como presidente", 76,2 por cento percebem que o atual presidente "deve ser demitido e realizarem-se as eleições antecipadas" e 13,8 por cento "tem dúvidas", "não sabe" ou "não quer responder".


Balizando estes números ao universo de adeptos leoninos, 74,5 por cento querem a saída imediata de Bruno de Carvalho, 9,9 por cento preferiram não responder e 15,6 por cento defendem a sua continuidade.

 

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publicado às 04:18

 

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Passo a descrever as 12 lições que Bruno de Carvalho aprendeu com a experiência de Donald Trump. Umas resultam de personalidades narcisistas e megalómanas semelhantes. Outras serão fruto de coincidência. Outras correspondem ao “ar do tempo”. Outras terão sido mesmo decalcadas pelo próprio ou por conselho de agências de comunicação. Mas todas correspondem a uma forma de fazer política, seja num país ou num clube:

 

1– Para manter uma maioria fanatizada não pode haver matizes. O mundo divide-se em dois: o povo, representado por mim, e a elite, representada por aqueles que me enfrentam

 

O povo, no caso do Sporting, é o sócio comum. A elite é uma amálgama. Podem ser pessoas reconhecidas pelos sócios (os “notáveis”), mesmo que tenham apoiado ou feito parte das direcções do líder; os accionistas, mesmo que tenham sido grandes amigos no passado; e grupos sociais específicos (os “croquetes”). O povo é toda a gente que não se destaque publicamente, liderado pela única pessoa que merece ser destacada, o próprio Bruno de Carvalho. O único “notável” legítimo. O resto ou é elite ou está ao serviço dela para retirar o poder ao povo.

 

2– Não pode haver nenhuma plataforma de diálogo e compreensão entre os que estão do meu lado e aqueles que se opõem a mim

 

Para que a radicalização de posições e a fanatização acrítica funcione é fundamental que não haja qualquer plataforma de diálogo entre os que estão pelo líder e os que estão contra o líder. Os primeiros alvos devem ser, por isso, os moderados. A fractura absoluta entre os dois lados permite quebrar todos os laços de pertença que não dependam da liderança.

 

Quem não seja por Bruno de Carvalho é “sportingado” e não tem nada em comum com os que o apoiam. Nem sequer o clube, a que não deviam pertencer. A incomunicabilidade torna impossível a razoabilidade. Passam a ser dois mundos que não se falam e não se compreendem. Isso protege os apoiantes do líder de qualquer influência.

 

3– Uma enorme aliança de interesses conspira contra mim (ou contra nós)

 

Nenhum ataque ao líder resulta de uma opinião livre e desinteressada. Todos estão ligados por uma enorme rede conspirativa que pode juntar pessoas e grupos com pouco ou nada em comum. A visão conspirativa do mundo é o que traça o laço inquestionável entre o povo e o líder, fazendo de cada novo inimigo não uma derrota mas a confirmação da justeza da luta.

 

No caso do Sporting, isso incluiu aqueles que os adeptos se habituaram a ter como heróis: os jogadores. Anular a “idolatria” pelos atletas (ainda muito antes das rescisões) é uma excelente forma de concentrar apenas no presidente o foco da admiração. De um lado temos Bruno de Carvalho e todos os verdadeiros sportinguistas e do outro os accionistas, os agentes, os jogadores, a comunicação social, os outros clubes e todos aqueles que internamente trabalham para estes interesses.

 

4– A instituição existe na medida que eu existo, eu sou quem agrega todos os que a defendem

 

A instituição, os seus símbolos e a sua história, que geralmente precedem os dirigentes e a eles devem sobreviver, são lentamente substituídos pela figura do líder. Porque tudo o que transcende o líder exibe a transitoriedade da sua liderança, relativizando assim o seu próprio poder. Os momentos da vida familiar do presidente misturam-se com a vida do clube. E o presidente está no centro de todos os momentos relevantes do clube. Está sentado no banco como se fosse um treinador ou a festejar no relvado como se fosse um jogador. Não aprecia a tribuna presidencial onde outros presidentes estiveram, o que o equipararia a eles. Só assim se constrói a ideia de que a instituição nasceu, morrerá e se esgota com o seu líder. Afastá-lo é matar a própria instituição.

 

5– Todas as figuras que me acompanham no poder são secundárias, descartáveis e apenas aceitáveis se me seguirem cegamente

 

Nenhuma figura, para além do líder, se deve destacar. Dar relevância à equipa dirigentes é dar força aos futuros traidores. O líder decide, os outros aplicam. O único obstáculo a isto, no caso de Bruno de Carvalho, foi Jorge Jesus. Que se revelou, coisa que nunca imaginei, um “político” notável. Apenas para a sua própria sobrevivência, mas notável.

 

6– A lei é um mero formalismo e os contrapesos ao meu poder são traição

 

Numa nação seria muitíssimo difícil, mas num clube é bastante fácil nomear órgãos inexistentes, promover a leitura criativa dos estatutos e da lei ou adulterar o conteúdo de decisões judiciais. Ficou evidente como é possível fazer desabar um edifício regulamentar e criar uma espécie de legalidade paralela. E com isso infectar toda a estrutura, impondo a todos a dúvida sobre a legitimidade de qualquer contrapoder.

 

Bruno de Carvalho não é Donald Trump porque o Sporting não é um país. Mas é impressionante o que eu, com tantos anos de experiência política, aprendi ao observar poucos meses de confronto num clube. E estou assustado com o que nos espera na política.

 

7– Se eu vencer o povo votou em mim, se eu perder houve fraude

 

Nas eleições federais, Donald Trump deixou sempre na dúvida se aceitaria os resultados caso fosse derrotado. Deixar no ar a possibilidade de haver uma fraude era o que lhe permitiria não respeitar a vontade dos eleitores se fosse contra ele. Para a Assembleia Geral de sábado – e, se for o caso, nas eleições –, muitos seguidores de Bruno de Carvalho têm feito o mesmo, deixando várias pistas sobre a probabilidade de uma “golpada”. Seja porque venceu, seja porque houve fraude, Bruno de Carvalho tem sempre a vitória garantida junto dos seus. E assim os poderá manter fanatizados.

 

8– Banalizar o insulto até já não ser ouvido como insulto retira quem não insulta do confronto

 

A maioria dos intervenientes políticos e cívicos está limitada por algumas regras sociais de civilidade. Desfazer essas regras pode ser uma grande vantagem. Como se costuma dizer, não vale a pena atirares-te para a lama com um porco, ficas sujo e ele gosta. Banalizar o insulto permite retirar da contenda quem quer proteger a sua credibilidade. Quando repetido muitas vezes o insulto deixa de chocar. E quando deixa de chocar, a ausência dos oponentes nesse nível de debate passa a ser percepcionada como sinal de fraqueza. No fim, resistem os mais agressivos, que conseguem acompanhar a violência do debate, o que leva o espectador desatento a equiparar os dois lados. Nisto, Bruno de Carvalho é uma cópia quase decalcada de Donald Trump. Apenas um pouco mais grosseiro.

 

9– Toda a comunicação social está contra mim porque faz parte do sistema, só devem acreditar em mim e nos que falam em meu nome

 

A comunicação social portuguesa não gosta de Bruno de Carvalho com o mesmo empenho que a norte-americana detesta Donald Trump. Um e outro fizeram tudo para ser odiados pelos jornalistas. E os jornalistas caíram na armadilha. Um e outro não perderam nada com este ódio que rapidamente se transforma em parcialidade. Todos os ataques funcionam como confirmação de que a comunicação social trabalha para o inimigo. E quanto mais forem provocados mais partidários serão os jornalistas e mais razão darão à sua “vítima”.

 

A partir daqui, passa a ser possível dizer que, estando militantemente contra o líder, toda a comunicação social mente. E exigir aos seguidores que a ignorem, ignorando assim qualquer tipo de escrutínio externo. No caso de Trump, pede para verem a Fox News. No caso de Bruno de Carvalho, só pode pedir para verem a Sporting TV, que usa, tal como o site do clube, como órgão oficial de facção.

 

10– Mesmo que a comunicação social não goste de mim vai-me dar todo o tempo de antena porque eu lhes ofereço o grotesco, que dá audiências

 

Se a comunicação social não demonstra qualquer simpatia por Bruno de Carvalho, assim como não mostrou qualquer simpatia por Donald Trump, porque lhe dá tempo de antena ilimitado? Porque, à sua escala, um e outro dão audiências. Todas as novelas que alimentam são deprimentes, tristes, rocambolescas, por vezes o acidente para que todos olham, mas um excelente reality-show.

 

E assim Bruno de Carvalho vai usando a dependência das televisões por audiências para ter palco e ganhar força. E usa, como Trump, as redes sociais para criar factos de polémica diários.

 

11– Um exército de fanáticos (ou de perfis falsos) nas redes sociais faz milagres para anular o inimigo

 

Quem tem acompanhado as polémicas do Sporting nas redes sociais fica varado com o cerco feito a qualquer pessoa que ouse fazer a mais pequena crítica a Bruno de Carvalho. Os ataques não passam apenas pela repetição dos argumentos dados pelo presidente, por mais estapafúrdios que sejam. Quase sempre recorrem ao insulto e à perseguição em matilha ou à ameaça explícita. A violência é tal que até os mais corajosos e persistentes desistem de participar no debate, deixando as tropas de choque sozinhas na arena.

 

Dirão que tudo isto é o habitual das redes sociais. A diferença é que, neste caso, é coordenado. Muitos dos perfis são falsos ou anónimos e há fortes suspeitas de que a empresa de comunicação contratada pelo Sporting estreou em Portugal a estratégia experimentada por Trump e políticos de extrema-direita europeus.

 

12– Se mentir sempre, ou não serei desmentido ou obrigarei o inimigo a estar sempre a responder-me

 

Qualquer fact-checking às intervenções de Bruno de Carvalho exigiria muito mais espaço do muito que ele usa. Tal como sucedia com Donald Trump. Em muitos casos a mentira é fácil de desmontar, de tal forma é descarada. Só que as mentiras são como as dívidas: uma é um problema para o mentiroso, muitas é um problema para quem queira repor a verdade. Perante uma sucessão de mentiras, que permitem construir uma realidade paralela (o fanático é condicionado a não acreditar na imprensa e em mais ninguém que não seja o líder), o adversário tem duas hipóteses: repor a verdade e ficar preso à agenda imposta pelo líder ou deixar que a mentira se instale como verdade.

 

Bruno de Carvalho não é Donald Trump porque o Sporting não é um país. Quem não ligue ao que se passa no futebol considerará, por isso, este paralelo absurdo. Mas é por estarem em patamares muito diferentes que este exercício é tão útil. Porque se Bruno de Carvalho conseguiu – e penso que em muitos casos o fez conscientemente – adaptar para um clube a lógica de um combate político do outro lado do Atlântico, quer dizer que a receita é ainda mais eficaz do que se pensava.

 

Quem conseguir readaptar a táctica de Bruno de Carvalho à política nacional poderá ir longe e ter efeitos destrutivos a uma escala muito maior. Claro que, por ser o meu clube e por ser um presidente que apoiei, dou a isto tudo uma importância talvez desmedida. Num clube não existem os mesmos conflitos que existem no resto da sociedade, as pessoas não valorizam as mesmas coisas, as condições materiais de vida têm pouca relevância para as escolhas que fazem. Mas é impressionante o que eu, com tantos anos de experiência política, aprendi ao observar poucos meses de confronto num clube. E estou assustado com o que nos espera na política.

 

Daniel Oliveira, jornal Expresso

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publicado às 04:04

 

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Uma interessante reportagem de Hugo FrancoPedro CandeiasRui Gustavo, do jornal Expresso, que além de relatar eventos até agora desconhecidos na praça pública, deixa a ideia que ainda há muito por trás da invasão da Academia Sporting por apurar.

 

A reportagem dos jornalistas começa assim:

 

"Pelo menos dois elementos da equipa técnica do Sporting foram alvo de ameaças por parte de desconhecidos, numa altura em que já tinham sido realizadas as detenções dos 23 adeptos que invadiram a Academia de Alcochete, há uma semana.

 

De acordo com o depoimento de José Laranjeira, scout do clube, nos autos da GNR, uma carrinha de mercadorias branca entrou no parque de estacionamento de uma grande superfície comercial, ponto de encontro de jogadores e técnicos antes de irem prestar declarações no posto da GNR do Montijo, na noite de terça-feira. O condutor estava “junto ao vidro do veículo” a filmar a zona com um telemóvel. E desapareceu. Tinha a inscrição “entregas ao domicílio” e a matrícula foi transmitida à GNR".

 

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publicado às 03:30

 

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Ao minuto 43 cabeceou por cima, num lance em que a bola acertou em cheio no penso que tinha na testa e o soltou, mostrando os ferimentos (só para contextualizar a festa do futebol) provocados por um adepto do Sporting que o agrediu com um cinto e depois o pontapeou no chão, meras semanas depois de Dost ter dito numa entrevista que viver em Portugal lhe dava "paz interior". Bas Dost não merece uma medalha por se ter apresentado a jogo hoje; merecia era uma máquina do tempo.

 

Quanto ao falhanço à boca da baliza na segunda parte, convém esclarecer que a culpa não foi sua, nem sequer dos eventos ocorridos durante a semana. Foi, aliás, a única ocorrência durante a partida suficientemente Sporting para acreditarmos que seria provável mesmo num contexto totalmente diferente. Tal como o falhanço de Ruiz em 2016, a haver um "autor moral" foi o Visconde de Alvalade.

 

Rogério Casanova, jornal Expresso

 

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publicado às 11:36

 

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A derrota na Madeira, o bate-boca entre jogadores e adeptos no aeroporto do Funchal, depois em Lisboa, a suposta suspensão de Jorge Jesus, as agressões na Academia de Alcochete, as declarações de Bruno de Carvalho, adeptos no tribunal, uma equipa que não treina.

 

É este o filme horrível da semana mais horrível do Sporting. Uma semana que podia ter acabado um bocadinho menos horrível, mas não, ficou ainda mais horrível depois dos leões perderem a final da Taça de Portugal, dando ao Desportivo das Aves o seu primeiro troféu na prova rainha.

 

E aos adeptos dos leões um enorme amargo de boca, eles que procuravam numa vitória na Taça uma qualquer panaceia, um penso rápido numa ferida aberta que agora vai demorar ainda mais a passar.

 

Lídia Paralta Gomes, jornal Expressoaqui.

 

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publicado às 04:32

 

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Esta minha opinião não é de agora, nem sequer recente, já vem de há muitos anos e nada do que se tem verificado na actualidade do futebol português me faz mudar de opinião: respeito a Instituição Benfica, detesto a cultura desportiva benfiquista e considero-a uma das piores do Mundo, se não até a pior.

 

Reconheço que se trata de uma generalização, e que por ser assim será algo injusta, dado que nem todos os benfiquistas pensam e agem da mesma maneira. Dito isto, creio que é adequada a uma vasta maioria.

 

Isto vem a propósito das decisões de arbitragem do dérbi, em que Carlos Xistra e Hugo Miguel (VAR) cometeram uma série de erros grosseiros, nomeadamente em prejuízo do Sporting. Mas apesar das imagens à disposição, a tal cultura desportiva benfiquista impede mesmo mentes mais sensatas de reconhecer a realidade dos lances mais em disputa.

 

Não vou alterar o meu parecer sobre o jogo, nem sequer pretendo convencer seja quem for daquilo que recusam ver, mas aqui temos mais umas opinões de indivíduos experientes na arbitagem, sobre os referidos lances, assente numa reportagem do jornal Expresso:

 

Esteve mal, mesmo muito mal em alguns lances e foi também mal auxiliado pelo vídeoárbitro. Esta é a análise global dos especialistas à arbitragem conduzida por Carlos Xistra no sábado em Alvalade, num jogo muito intenso e disputado que terminou com o marcador a zero.

 

A marcar esta arbitragem "infeliz", nas palavras de Duarte Gomes, estão essencialmente quatro lances. Dois que dariam lugar à marcação de penálti e dois que deviam ter resultado em expulsão.

 

RÚBEN DIAS EM DOIS LANCES PARA PENÁLTI

 

Os penáltis a que o ex-árbitro internacional se refere envolvem Rúben Dias por contactos de “intensidade excessiva” com jogadores do Sporting no coração da grande área.

 

O primeiro envolveu Mathieu, aos 15 minutos. O central do Benfica usou a mão sobre o ombro do central do Sporting e ainda levantou o pé à altura da cara do jogador.

 

O segundo lance, refere-se a uma carga de Rúben Dias sobre as costas de Bas Dost impedindo o avançado de saltar.

 

Não são grandes penalidades “de preto no branco, mas suficientes para poderem desequilibrar e derrubar os adversários”, escreve Duarte Gomes. Assinalá-los faria ainda mais sentido seguindo o critério do próprio árbitro em lances em que marcou falta atacante por contactos de intensidade menor.

 

DOIS LANCES VIOLENTOS QUE DEVIAM TER DADO VERMELHO

 

Rúben Dias volta a estar envolvido num lance que para Duarte Gomes seria de expulsão clara, quando já ao cair do pano (84’) deixou Gelson Martins no chão depois de o atingir com o cotovelo de forma ostensiva no rosto. Neste caso, garante Duarte Gomes, o video-árbitro "era obrigatório", mas não interveio.

 

A segunda expulsão teria lugar pouco depois. Bruno Fernandes deu um verdadeiro pontapé na perna de Cervi, “de forma despropositada e violenta. Lance passível de vermelho directo" e que também justificava a entrada em acção do VAR, na opinião do especialista.

 

Em resumo, “noite infeliz de um bom árbitro, em partida em que ninguém quis ajudar”.

 

ANALISTAS DO "RECORD" TAMBÉM DÃO NOTA NEGATIVA

 

Como Duarte Gomes, Jorge Faustino e Marco Ferreira estão de acordo com a decisão do árbitro de não punir um lance a envolver Rui Patrício e Rafa logo aos oito minutos. O choque era inevitável, mas não foi faltoso.

 

Defendem que devia ter sido exibido o vermelho a Rúben Dias e a Bruno Fernandes aos 90 minutos, lembrando Marco Ferreira que o jogador não tinha qualquer hipótese de jogar a bola.

 

Quanto às grandes penalidades que terão ficado por assinalar em dois lances que envolveram Rúben Dias, Jorge Faustino concorda com Duarte Gomes e considera que ambos deviam ter dado lugar à marcação de penálti, apesar de, sobretudo o primeiro, ser de difícil análise in loco.

 

Marco Ferreira aceita a decisão do árbitro nos dois casos.

 

Critério largo, frágil no capítulo disciplinar e muito mal auxiliado pelo VAR, resumem os analistas.

 

"TRIBUNAL" COM MÃO PESADA

 

O “Tribunal d’Jogo” é o mais cáustico na análise: “arbitragem catastrófica”, escreveu José Leirós; Jorge Coroado apontou falta de coragem ao juiz da partida e Fortunato Azevedo também considerou o trabalho de Xistra globalmente “sem classe e sem coragem”.

 

Os três concordam que deviam ter sido assinaladas grandes penalidades por falta de Rúben Dias aos minutos 15’ e 56’; e que o vermelho devia ter sido mostrado a Rúben Dias no lance em que atingiu Gelson Martins na cara com o cotovelo.

 

No caso da falta de Bruno Fernandes sobre Cervi, Coroado é o único a achar que o que há a apontar ao médio leonino é ter sido “objectivo no derrube”, aceitando a advertência com cartão amarelo.

 

ÚLTIMA HORA: O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ordenou hoje a abertura de um auto de flagrante delito, pela Comissão de Instrutores (CI) da Liga, com vista à instauração de um processo sumário a Rúben Dias, na sequência do lance com Gelson Martins, no dérbi do passado sábado.

 

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publicado às 17:48

Futebol com humor à mistura (30)

Rui Gomes, em 06.05.18

 

Rogério Casanova, jornal Expresso, com a sua análise humorística à performance dos jogadores do Sporting, neste caso concreto de Rui Patrício, Sebastián Coates, Cristiano Piccini, Fábio Coentrão, Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Gelson Martins, no dérbi deste sábado.

 

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Rui Patrício

 

Ao minuto 8, frente a frente com Rafa, evitou o golo com o auxílio do poste esquerdo. Ao minuto 38, após novo remate de Rafa, desviou para canto com o auxílio do poste direito. Ainda viu um remate de Samaris sair ao lado, com o auxílio da relva e do oxigénio. É possível que tenha sido o último dérbi de Patrício; já os postes, a relva e o oxigénio devem continuar (têm potencial, mas ainda podem crescer). Vamos ver como se safam no futuro, uns sem os outros.

 

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Sebastián Coates

 

Tirando uma falha posicional perto da meia-hora (que deixou Jiménez em jogo) e as suas habituais tentativas para contornar as dificuldades colectivas na saída de bola com imitações de quarterback, até esteve bem. Destaque para o mergulho desesperado aos pés de Douglas ao minuto 36, que possivelmente evitou um golo. Quer dizer, até se podia perder o jogo - mas, quando se trata de decidir quem marca o golo que nos derrota, há princípios e valores dos quais não podemos abdicar.

 

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Cristiano Piccini

 

Muito inteligente na maneira como deixou fugir Rafa nas suas costas ao oitavo minuto, partindo do pressuposto correcto que o extremo português é menos preocupante quanto mais perto estiver de uma baliza. Depois de meia-hora inicial complicada, estabilizou e fez uma segunda parte segura. Não sei porque é que parece sempre o jogador mais calmo da equipa quando tem a bola nos pés perto da sua área, pressionado por adversários; só sei que é o que me deixa menos nervoso.

 

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Fábio Coentrão

 

Bom lance individual ao minuto 39, quando desviou a bola de vários adversarios, soltou para o flanco direito e apareceu a responder de cabeça ao cruzamento de Piccini com o único remate vagamente perigoso da equipa em toda a primeira parte. Depois caiu ao chão. Que estranho esgar foi aquele que se vislumbrou no seu rosto nesse momento? Terá sido aquilo decerto a que nós humanos, com os nossos costumes pitorescos, chamamos “desconforto”? Terá sido uma manifestação daquilo que designamos por “dor”, quando nos referimos a pessoas ainda vivas? É um mistério que fica, a juntar ao mistério maior: o de como é que alguém que é essencialmente um cadáver embalsamado cuja circulação sanguínea e função circulatória já só funcionam à custa de pura vontade conseguiu ser o melhor lateral-esquerdo do Sporting na última década.

 

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Rodrigo Battaglia

 

Não lhe correu muito bem o jogo, o que até seria de esperar numa noite em que a Lua se encontrava em quarto minguante, reduzindo logo à partida aquela fracção da qualidade de Battaglia que advém do facto de ele ser secretamente um lobisomem. Depois de uma primeira parte onde nunca compreendeu bem onde é que estava e porque é que aconteciam as coisas que via acontecer, teve ao minuto 52 a primeira ocasião com espaço livre à sua frente: reagiu galgando uns metros e fazendo aquilo que apenas posso descrever como uma finta. Ou pelo menos algo que um dia poderá ser uma finta, se entretanto crescer, amadurecer, cortar o cabelo, arranjar um emprego, etc.

 

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Bryan Ruiz

 

Mal foram anunciados os onzes iniciais, todo o mundo do futebol reagiu com trepidação perante o empolgante duelo que se adivinhava. De um lado Bryan Ruiz, um jogador normalmente incapaz de acertar na baliza quando está isolado; do outro Douglas, um jogador normalmente incapaz de impedir que o jogador que está a marcar se isole frente à baliza. A ocasião prometia. Estariam os servidores do YouTube à altura de aguentar o tráfego adicional? Na verdade não foi preciso, pois Douglas e Ruiz tiveram o cuidado de se ultrapassar um ao outro um (inúmeras vezes), mas sempre em câmara lenta, como se as jogadas já fossem as suas próprias repetições. E nada nos garante que não o sejam. Se calhar já todos vimos estas jogadas milhões de vezes, no simulacro de Inferno que habitamos sem saber, e em que somos obrigados a ver os mesmos duelos entre Bryan Ruiz e Douglas todos os dias, para sempre.

 

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Gelson Martins

 

A manobra atacante da equipa mostrou-se hoje tão oleada que este desgraçado concluiu em duas ocasiões diferentes que a melhor opção era solicitar uma desmarcação de Bas Dost em velocidade. Contra uma equipa que, só na primeira meia-hora, conseguiu criar 4 ou 5 situações para deixar Rafa no 1x1 com o lateral perto da área, Gelson passou grande parte do tempo sozinho ou tapado por três muros, pacientemente à espera que o jogo partisse o suficiente para fazer aquilo que é sempre obrigado a fazer: começar a ultrapassar adversários em velocidade ainda antes da linha de meio-campo, galgar metros, sacar faltas, tentar milagres. Ao minuto 81, perdeu um lance contra uma das grandes figuras do campeonato: o cotovelo direito de Rúben Dias.

 

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publicado às 12:00

Futebol com humor à mistura (29)

Rui Gomes, em 29.04.18

 

Rogério Casanova, jornal Expresso, com a sua análise humorística à performance dos jogadores do Sporting, neste caso concreto de Sebastián Coates, Fábio Coentrão, Josip Misic, Marcus Acuña e Gelson Martins, no jogo de sábado frente ao Portimonense.

 

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Sebastián Coates

 

Numa noite em que foi o melhor elemento do quarteto defensivo, percebeu a dada altura que se calhar também ainda tinha de ser mais qualquer coisa. Nos últimos minutos, com a equipa à procura da muito desejada vitória e sem grandes ideias para o fazer, começou a ensaiar arrancadas lá para a frente com a bola no pé. Como acabaria a noite caso tivesse sido Coates, em risco de suspensão, a encarnar mais uma vez o papel de herói dos golos tardios, celebrando o seu remate deveras certeiro nos descontos despindo a camisola e brandindo-a triunfantemente num punho erguido? Graças à fenomenal lucidez de Bruno Fernandes (que visualizou todo este cenário catastrófico na sua cabeça ao minuto 89) nunca saberemos.

 

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Fábio Coentrão

 

Foi mais ou menos entre Fevereiro e Março que o subterfúgio (heroicamente mantido durante a primeira metade da época) entrou em colapso e quase toda a gente começou a perceber a realidade: Fábio Coentrão já não é um mero organismo humano composto por células, mas sim um amontoado de peças sobressalentes atadas com fio de nylon e operadas pela motherboard de um ZX Spectrum de 1988. No jogo de ontem saiu a meio da segunda parte, e só não se auto-destruiu ao festejar no banco o golo da vitória graças à intervenção pronta do Presidente, que lhe segurou carinhosamente o rosto entre as mãos ambas, impedindo que o mesmo se desintegrasse.

 

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Josip Misic

 

Pareceu tão perplexo como a maioria dos adeptos ao ser colocado no corredor direito. Tão perplexo, aliás, que ao minuto 76 arrancou por ali fora, passou por Rafa Soares, ganhou um ressalto e fez o remate mais perigoso da segunda parte até aí. Reagiu de sobrolho franzido e quase foi possível escutar o seu monólogo interior: "não sei... não sei bem... creio que esta é uma das coisas... que se pode fazer aqui... neste sítio..."

 

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Gelson Martins

 

Desviado mais cedo do que é costume (e com mais frequência do que é costume) para zonas centrais, presumo que na na tentativa de o poupar às piscinas intermináveis que função de lateral-direito honorário normalmente o obriga. Criou inúmeras situações de caos, anarquia e devastação nas costas da linha defensiva do Portimonense, que quase nunca foram bem aproveitadas, por ele ou por outros. O desgaste acumulado (bem visível a meio da segunda parte) é uma excelente indicação de que pode chegar ao Mundial totalmente rebentado e sem oportunidade para impressionar o livro de cheques de qualquer oligarca: óptimas notícias, portanto.

 

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Marcus Acuña

 

Não é o exercício mais dignificante, mas tentemos adivinhar o modo como o plantel do Sporting assaltaria um banco. É fácil imaginar Gelson todo encapuçado e vestido de negro a saltitar acrobaticamente pelos telhados e a entrar por uma clarabóia minúscula. Fábio Coentrão com uma pistola enorme na mão, a berrar muito alto com os caixas. Bryan Ruiz de fato e gravata, a tentar persuadir calmamente o gerente do balcão que entregar-lhe todo o dinheiro seria a posição mais vantajosa para todos. E Acuña a correr desenfreadamente pelas escadas abaixo até à cave, onde tentaria durante meia-hora destruir o cofre-forte à cabeçada, com a roupa já ensopada no próprio sangue, antes de se lembrar que tinha a combinação no bolso.

 

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publicado às 12:00

Os pézinhos de Bruno Fernandes

Rui Gomes, em 29.04.18

 

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Às tantas, a meio da segunda parte, um dos comentadores da transmissão televisiva do Portimonense-Sporting dizia, meio que surpreendido, que Bruno Fernandes “tinha caído muito”.

 

Não foi só Bruno Fernandes. O Sporting caiu muito na 2.ª parte, num jogo em que, diga-se, nunca foi brilhante, em que nunca pareceu conseguir lidar com a) um Portimonense que sabe sair para o ataque e b) a pressão que é saber que em caso de vitória, o 2.º lugar estava ali à mão.

 

E é nestas alturas que é um luxo ter um jogador como Bruno Fernandes. Que tem mais de 50 jogos nas pernas e mesmo nos jogos em que já não parece tão fresco, tão afinado, ainda tem a clarividência e o talento para resolver o que até então parecia empancado.

 

Há quase 50 anos que nenhum médio português do Sporting marcava tantos golos numa só temporada. Bruno leva já 16, mas nem só de golos vive esta temporada do miúdo que os leõe foram buscar à Serie A. Em Bruno Fernandes também está o inconformismo de quem só deixa de tentar quando o jogo acaba, de quem tem sempre aquele pedacinho de fantasia misturado com eficácia e vontade, por demais necessário quando, claramente, tudo o resto falha.

 

Esta noite, enquanto colectivo, o Sporting não foi o Sporting de outros jogos. Bas Dost nunca foi bem servido, a defesa, sem Mathieu e com um não rotinado Petrovic, falhou mais do que o costume. Mas estava lá Bruno Fernandes e é graças aos pézinhos de Bruno Fernandes que, em Alvalade, se pode, de facto, começar a ouvir o hino da Champions. E sem olhar para trás.

 

Lídia Paralta Gomes, jornal Expresso

 

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publicado às 05:38

 

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A Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) estão a investigar todos os 163 jogos realizados pelo Benfica no campeonato nas últimas cinco temporadas – leia-se, desde 2013/14, primeiro ano do tetra, até à 31.ª jornada da edição actual. A informação é avançada pelo semanário ‘Expresso’, hoje nas bancas. Segundo a mesma fonte, as autoridades estão a recolher todos os indícios possíveis e, em breve, serão constituídos arguidos.
 

O semanário garante que em investigação estão resultados alegadamente combinados em benefício dos encarnados, com abordagens, por parte de intermediários, a jogadores adversários para facilitarem. O 'Expresso' revela ainda que existem SMS e mensagens trocadas entre investigados que estão neste momento a ser analisadas pelo MP e PJ, assim como vários atletas monitorizados.

As autoridades desconfiam que as denúncias anónimas que esta semana chegaram à Procuradoria-Geral da República terão sido da autoria do próprio Benfica. O gabinete de crise das águias também é investigado e fonte judicial adiantou ao 'Expresso' que existem razões para desconfiar da legitimidade do modo de actuar deste gabinete.
 

Leia o artigo na íntegra na edição do Expresso deste sábado AQUI.

 

Nota da direcção do Expresso sobre as investigações ao Benfica

 

Esta terça feira, o canal de televisão do Benfica noticiou uma denúncia anónima entregue na véspera sobre um alegado plano contra o clube orquestrado por clubes rivais, com a conivência do sistema judicial e a participação de jornalistas.

 

A Justiça suspeita que a referida denúncia anónima está ligada ao próprio Benfica. Na peça da BTV, o Benfica revela o que ninguém escrevera, identificando nomes de jornalistas supostamente envolvidos no plano. Entre eles, estão jornalistas do Expresso.

 

A informação da denúncia anónima é caluniosa, mas o que o Benfica fez é ainda pior, é um ataque pessoal que visa intimidar jornalistas identificados, condicionar o seu trabalho e acicatar os adeptos contra eles.

 

A direcção do Expresso repudia actos cobardes ad hominem e defende todos e cada um dos seus jornalistas, e o seu trabalho, no caso da investigação ao Benfica como noutras, como as que já revelaram negócios do Sporting com a Doyen, comissões obscuras em compras de jogadores do FC Porto ou suspeitas de fuga aos impostos de ídolos como Cristiano Ronaldo.

 

Em todas estas investigações fomos sempre acusados de estar a favor de alguém ou contra outrem. Estamos só a fazer jornalismo. Todas estas investigações não são de A nem de B, são do Expresso. E todas vão prosseguir.

 

A direção do Expresso

 

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publicado às 11:45

Futebol com humor à mistura (28)

Rui Gomes, em 23.04.18

 

Rogério Casanova, jornal Expresso, com a sua análise humorística à performance dos jogadores do Sporting, neste caso concreto de Gelson Martins, Marcus Acuña e Stefan Ristovski, no jogo de domingo frente ao Boavista.

 

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Gelson Martins

 

O que fazer perante um jovem jogador que, mais uma vez, se fartou de improvisar desequilíbrios individuais, transformar bolas perdidas em lances de perigo com um ou dois toques, rematar à baliza, assistir colegas, e auxiliar incansavelmente o lateral no seu corredor? Perante um jogador que vai mostrando uma disponibilidade física e mental quase sobrenaturais? Que se revela o único com frescura suficiente nos últimos minutos de uma vantagem mínima para decidir, sempre com acerto, quando temporizar e recuar, ou quando acelerar e esticar o jogo? E tudo isto na fase final de uma época em que já leva mais de 4000 minutos nas pernas (além de treze golos e dez assistências)? Creio que a reacção mais apropriada e mais sportinguista é colocar de imediato três questões: “Porque é que não és melhor?” “Porque é que não fazes TUDO bem, em vez de fazeres apenas a maioria das coisas bem?” “Porque é que de vez em quando nos irritas?”.

 

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Marcus Acuña

 

Quando algo é feito com tanta insistência, e reiterado de forma tão constante, é legítimo supor que se trate de algo deliberado: fruto de uma crença enraizada e não de uma mera resposta pragmática às circunstâncias. Acuña repete tantas vezes os mesmos dois movimentos – (1) receber a bola e virar as costas ao marcador directo; e (2) cruzar às cegas na direcção geral da área – não porque julga serem essas as melhores alternativas em determinados momentos do jogo, mas porque acredita nas ideias enquanto ideias: na ideia de receber a bola e virar as costas ao marcador directo; na ideia de cruzar às cegas na direcção geral da área. Acuña é um ideólogo e vai lutar por isto da mesma maneira que algumas pessoas lutam por um Estado Mínimo, e outras por um Rendimento Básico Incondicional: até ao limite das suas forças, ou até integrar um elenco governativo.

 

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Stefan Ristovski

 

Ao minuto 11 deixou-se fintar perto da linha do meio-campo e ficou estatelado no meio do chão enquanto Mateus arrancou com a bola por ali fora. A medida mais rigorosa da exibição de Ristovski esta noite é que foi ele próprio a ir fazer a dobra, aparecendo alguns segundos depois a desarmar Mateus já dentro da área. Sempre agressivo, muito bem na antecipação, e despachado no ataque, está a criar as condições para o que o Sporting se veja eticamente obrigado a entregar setecentos e cinquenta mil euros adicionais ao Rijeka.

 

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publicado às 15:35

 

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Durante a semana, o Sporting assegurou de forma ligeiramente dramática um lugar na final da Taça de Portugal, num jogo intenso, frente ao FC Porto, em que os leões tiveram de fazer horas extraordinárias e ainda guardar mais um bocadinho para as grandes penalidades.

 

Foi uma vitória saborosa para o Sporting. Não só porque é um troféu que fica ali à mão de semear, mas também porque os jogadores de Jorge Jesus não quebraram fisicamente, como temia o treinador leonino, após mais de meia centena de jogos - Jesus chamou-lhe alma e talvez seja, nos grandes momentos uma pessoa dá o que tem e o que não tem e isso talvez se chame mesmo alma.

 

Mas não quebrou o Sporting no clássico, quebrou esta noite em Alvalade, em jogo para o campeonato frente ao Boavista. Uma ressaca que apareceu nos últimos 20 minutos, altura em que os leões foram obrigados a defender com aquela tal força que às vezes não se sabe que se tem o 1-0 que conseguiram no seu melhor período, na 2.ª metade dos primeiros 45 minutos (...).

 

Lídia Paralta Gomes, jornal Expressoaqui.

 

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publicado às 05:08

Um soneto para Battaglia

Rui Gomes, em 19.04.18

 

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Rogério Casanova, jornal Expresso, com o seu usual humor, dedicou um poema a Battaglia, o médio argentino que, segundo o autor, corre à doida e nem sempre está na melhor posição, mas sempre que é preciso, manda um "gajo ao chão":

 

O meu Battaglia nos olhos sol não tem
Seus beiços são menos rubros que o coral 
se a relva é verde, a chuteira suja-a bem, 
e sob a pele há um esqueleto de metal. 
Já vi trincos brancos, rubros, cor-de-rosa;
a cor deste é verde, curto bué contemplá-la, 
não existe fragrância mais deleitosa
do que o bafo que o meu Rodrigo exala.
Gosto de o ver correr à doida, contudo sei 
que nem sempre está na melhor posição, 
de vez em quando um gajo passa, eu reparei
mas o Battaglia a seguir manda-o ao
 chão.
Creio no entanto o meu amor tão raro
quão falsas ilusões a que o comparo. 

 

Shakespeare, Soneto 130 (Tradução de Vasco Graça Moura)

 

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publicado às 19:00

 

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"O Atlético de Madrid fez apenas um remate na baliza e foi domado durante mais de 70 minutos por um Sporting melhor, mais intenso, mais pressionante e com alma bem maior que, por isso, ganhou.

 

O problema é que marcou apenas um (1-0) dos três golos que precisava e, por isso, a vitória real dos números é (bem) menor do que a vitória moral das sensações".

 

Crónica de Diogo Pombo, jornal Expresso, disponível aqui.

 

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publicado às 03:39

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