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Em 19 de Dezembro de 2014, um dia que só aparentemente estará muito distante dos adeptos leoninos, Bruno de Carvalho em conferência de imprensa comunicou que o Sporting não iria ao mercado em busca de reforços em Janeiro, esclarecendo que o plantel principal seria reforçado apenas com jogadores provenientes da equipa B.

 

Nessa altura, o presidente do Sporting era muito activo no que se refere à comunicação para o exterior da estrutura de futebol: “Temos o plantel que queríamos (...). Muitos Sportinguistas, esquecendo-se do que relembro agora, questionam diariamente quais serão os reforços de Inverno que vamos trazer. Depois do que aqui expliquei e relembrei não tenho qualquer prurido em dizer quais serão esses reforços que o nosso treinador terá à sua disposição: Podence, Gelson, Francisco Geraldes, Iuri Medeiros, Tobias Figueiredo, Chaby, Wallyson, Dramé, Slavchev, Ryan Gauld, Rabia, Sacko, André Geraldes e outros”.

 

Ultimamente, os nossos leitores Profeta e Leão 1906 recordaram essa inusitada conferência de imprensa de quinze minutos sem direito a perguntas. Pelos seus comentários, ocorreu-me que teria interesse fazer o levantamento da situação desportiva dos atletas que foram citados por Bruno de Carvalho.

 

Assim, dos citados “reforços” de Inverno, apenas Tobias Figueiredo e Gelson Martins integram  ainda a equipa A. Os restantes, quase todos, estão muito distantes de conseguir chegar algum dia ao plantel principal do Sporting:

 

Podence – equipa B

Gelson Martins – equipa A

Francisco Geraldes – equipa B

Iuri Medeiros – “emprestado” ao Moreirense

Tobias Figueiredo – equipa A

Chaby - para ser “emprestado”

Wallyson – “emprestado” ao Nice

Dramé – equipa B                        

Slavchev - “emprestado” ao Apollon Limassol, do Chipre

Ryan Gauld – equipa B

Rabia – para ser “emprestado” ou transferido

Sacko – equipa B

André Geraldes - “emprestado” ao Belenenses

 

Condições financeiras em que foram contratados os “reforços” que não são oriundos da Academia de Alcochete:

 

Slavchev contratado ao Litex Lovech, Bulgária, 2,5 milhões de euros por 85 por cento do passe;

Dramé contratado a custo zero;

Ryan Gauld contratado ao Dundee United por 2,76 milhões de euros;

Rabia contratado ao Al-Ahly, Egipto por 0,75 milhões de euros;

Sacko contratado ao Bordéus por 1 milhão de euros;

André Geraldes contratado ao Belenenses por 0,5 milhões de euros.

 

Hoje, muitos sportinguistas regozijam-se com as contratações de Brian Ruiz, Téo Gutiérrez, Naldo e Aquilani. Há alguns meses atrás foram outras as ideias prevaleceram !

 

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publicado às 15:19

 

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Num estudo publicado esta segunda-feira pelo CIES Football Observatory, o Sporting aparece em sétimo lugar - empatado com o Real Madrid e o Estrela Vermelha - na lista de 100 clubes que formaram mais jogadores (47) que estão actualmente a jogar nas primeiras divisões de 31 Ligas europeias de topo. O significado de "formação" implica que tenham estado, pelo menos, três épocas no clube, entre os 15 e 21 anos.

 

O Ajax lidera a lista com 77 jogadores, seguido pelo Partizan de Belgrade (74), Barcelona (57), Dínamo de Zagreb (50), Shakhtar Donetsk (50) e o Hadjuk Split, da Croácia, com 49. 

 

Não duvido da exactidão deste estudo, pela reputação da organização, mas não consigo imaginar como é que o FC Porto aparece em 14.º lugar, com 41 jogadores formados, e o Benfica em 21.º, com 36.

 

França é o país mais representado com jogadores em 15 clubes do top-100, mais sete do que a Espanha e Holanda. No inverso do registo, a Turkia, Chipre, Roménia e Noruega não têm jogadores em clubes no top-100.

 

Nota: O "Centro Internacional de Estudos de Desporto" (CIES) tem sede na Suíça.

 

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publicado às 03:38

 

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O Sporting anunciou esta terça-feira, via comunicado, que Paulo Leitão é o novo Coordenador Técnico do Futebol de Formação, função previamente desempenhada por Bento Valente.

 

Paulo Leitão é um homem com excelentes credenciais, experiente e com muitos anos de envolvimento no Sporting, onde terá começado por volta de 1989 ou 1990 a desempenhar vários cargos na Academia, tanto como treinador como na área de recrutamento. A última vez que ouvi falar dele - salvo erro em 2012 - encontrava-se na Arábia Saudita a liderar um projecto como director técnico de formação do clube Al-Ahli de Jeddah, onde trabalhou com João Couto, que recentemente assumiu a liderança técnica dos juvenis do Sporting.

 

Dá para perceber que a actual liderança está a regressar ao passado e a recuperar alguns dos valores da formação leonina.

 

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publicado às 05:10

Reunião na FPF junta os "grandes"

Rui Gomes, em 06.01.15

 

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Por iniciativa de Fernando Gomes - presidente da FPF - foi realizada esta terça-feira uma reunião entre os clubes com as equipas B, para sublinhar a importância da protecção ao jogador português, do trabalho de formação dos clubes para o desenvolvimento e o futuro das selecções nacionais.

 

Presentes estiveram Bruno de Carvalho, Luís Filipe Vieira, Júlio Mendes (V. Guimarães), Carlos Pereira (Marítimo) e, em representação do FC Porto e do SC Braga, Antero Henrique (director-geral) e Pedro Pereira (director-geral), respectivamente.

 

Também participaram Fernando Santos (seleccionador nacional), os vice-presidentes da FPF, Humberto Coelho e Carlos Coutada, e João Martins, pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

 

Se há uma reunião em que se dispensava a presença do Sporting era esta, obviamente porque é praticamente o único clube que privilegia de forma acentuada a formação e se preocupa com a protecção do jogador português.

 

De há uns tempos a esta parte, a formação leonina tem vindo a sofrer algum desgaste em termos competitivos, mas, curiosamente, a maior competitividade do Benfica, a exemplo - ainda hoje a equipa júnior derrotou o Sporting e lidera a competição - não se traduz no desenvolvimento e na promoção dos jovem futebolistas para a equipa principal e a sua presença na Selecção A é praticamente nula, como bem sabemos.

 

Não faço ideia das medidas que estarão a ser consideradas no sentido de melhorar a formação, mas não há dúvida alguma que os clubes que mais e melhor a promovem, como é o caso do Sporting, deviam ser devidamente reconhecidos e premiados.

 

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publicado às 18:35

Tobias Figueiredo et al...

Rui Gomes, em 09.11.14

 

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Na conferência de imprensa pré-jogo deste sábado, Marco Silva foi questionado sobre a sua não utilização de Tobias Figueiredo assim como outros jovens da Academia, nomeadamente os que militam no equipa B. Embora compreenda em certa medida a posição do treinador, achei a sua resposta algo ambígua, até contraditória, face ao que se tem passado esta época com a equipa principal, neste contexto:

 

«Tobias ? Posso responder com uma pergunta: por que é que tenho de fazer referências ao Tobias Figueiredo ? Porquê ? E digo já: é um atleta em quem acredito muito, tem condições para vir a ser o central do Sporting mas não entendo porque tenho de falar dele. Se falasse dele tinha de falar no Daniel Podence e em muitos outros jogadores da equipa B, nos quais acredito muito. No futuro vão ter espaço.

 

Quando jogamos com muita juventude todos criticam a juventude, depois estamos a falar do Tobias... Não está a qualidade. Tem excelente qualidade mas não podemos criticar uma coisa e depois ir buscar mais juventude. O Podence vai ter um futuro brilhante no Sporting, até o próprio Wallyson. Mas isso faz parte do nosso processo de desenvolvimento. Não podemos chegar à equipa B e puxar todos para cima.»

 

Bem... acho que a pergunta mexeu com as sensibilidades de Marco Silva, daí, porventura, a sua resposta excessivamente defensiva. É perfeitamente lógico, natural até, perguntar por alguns dos mais talentosos jovens da formação, e considerando os problemas com o eixo defensivo da equipa principal, a não utilização de Tobias Figueiredo torna-se, inevitavelmente, em uma questão fulcral.

 

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Partimos do princípio que estas decisões são da exclusividade de Marco Silva e até ficamos gratos por saber que existe um "processo de desenvolvimento", disposição que tem estado muito em discussão de há uns tempos a esta parte. Além do mais, creio que o técnico compreende que quem assume a liderança da equipa principal do Sporting assume, em simultâneo, a obrigratoriedade de recorrer aos talentos da formação o mais possível. Dito isto, é por de mais evidente que não se espera, e muito menos se exige, que se vá "puxar todos para cima", nem que a equipa A seja constituída quase exclusivamente por jovens.

 

Temos vindo a verificar algum crescimento por parte de Naby Sarr, o jovem francês de 21 anos que chegou ao Sporting este Verão, praticamente sem experiência alguma em competição a nível superior. Tem cometido erros, alguns até bastante graves, mas a exemplo do que aconteceu no recém-embate com o Schalke 04, também evidencia melhoramento. A pergunta que se torna inevitável, indiferente do discurso de Marco Silva, é simplesmente: porque não dar a mesma oportunidade de crescimento a Tobias Figueiredo, um reconhecido talento que é apenas meia dúzia de meses mais jovem que Sarr, mas que se encontra no Sporting desde os 11 anos e já regista cerca de 50 internacionalizações nas camadas jovens de Portugal ?

 

Marco Silva não deve levar a mal esta pergunta, nem outras em casos pontuais como os que referiu. Não terá sido por mero acaso que mencionou Daniel Podence e Wallyson.

 

Vamos esperar que o supracitado processo de desenvolvimento esteja enquadrado em uma estratégia e visão que permitam com que os melhores talentos da Academia sejam gradualmente promovidos à equipa principal, ainda mais do que já se verifica nesta altura, porque neles reside o futuro do Sporting Clube de Portugal.

 

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publicado às 05:16

Mais futebol do Sporting

Rui Gomes, em 05.10.14

 

 

* Os miúdos do Sporting revalidaram o título do Torneio José Torres, conquistando a 4.ª edição da prova, vencendo o rival Benfica na final, por 3-1, em jogo realizado em Monte Galega, em Almada. O Belenenses ficou em terceiro lugar.

 

* A equipa de iniciados recebeu e venceu o Real Sport Clube, por 2-0, em jogo realizado na Academia de Alcochete, a contar para a 6.ª jornada da 1.ª fase do Campeonato Nacional. Os golos leoninos foram apontados por Paulo Rodrigues (41') e Diogo Brás (67'). Esta é a sexta vitória dos jovens "leões" em tantos jogos.

 

* A equipa B venceu o Trofense, por 2-1, em jogo a contar para a 10.ª jornada da II Liga. O Sporting alinhou de início com o seguinte onze:

 

Luís Ribeiro - Ricardo Esgaio - Samba - Domingos Duarte - Mica PInto - Fokobo - Ryan Gauld - Wallyson Mallman - Podence - Cissé e Sacko.

 

O primeiro golo foi autogolo, e o segundo foi apontado por Wallyson Mallman. Ricardo Esgaio foi expulso num lance que resultou em uma grande penalidade ser assinalada e no único golo da equipa da Trofa.

 

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publicado às 13:35

 

Antes de mais, note-se que muito embora o post tenho sido publicado por mim, o texto é da autoria de City Lion.

 

Ainda triste com a saída de Eric Dier e com mais um inenarrável comunicado infantil da Direcção ("a culpa não é minha é do outro") e agora vai chegar, por 2,9 milhões de euros, a 29.ª !!?? contratação desta Direcção, não resisti a voltar a escrever no Camarote Leonino, depois de longo jejum, para ajudar a abrir os olhos a alguns sportinguistas mais distraídos.

 

Citando do programa de Bruno de Carvalho para as eleições de Março de 2013: "Contratar cinco ou seis jogadores, numa escolha cirúrgica, experientes e capazes de acrescentar valor ao plantel existente, serão suficientes para a construção de uma equipa que possa lutar pelos objectivos de curto, médio e longo prazo do Clube". Sempre se pode alegar que cada ano entrariam mais 5 ou 6, mas 29 em ano e meio ??!!

 

Outra inverdade do programa: "O recurso a jovens criados na formação deverá ser uma realidade." Ok, à sua maneira "xico esperta", o Bruno de Carvalho aqui sempre pode dizer que recurso queria dizer arranjar dinheiro das respectivas vendas para ajudar a pagar as tais 29 contratações mais respectivos salários.

 

A verdade é que não tendo tido a capacidade de manter em Alvalade os jogadores da casa que tinham tudo para ser hoje as nossas actuais referências, como Bruma, Ilori e Dier, e tapando ou não apostando em lançar já elementos portugueses da formação bem identificados com o que é ser do Sporting, como Chaby, Esgaio, Mica Pinto, Rúben Semedo, Tobias Figueiredo e Iuri Medeiros, entre outros, (já para não falar da época passada na aposta em Magrão em detrimento de João Mário), esta Direcção está a fazer um péssimo serviço ao Sporting , nexte contexto, que não consegue disfarçar pelo descontrolado número de renovações de contratos de jovens com cláusulas de rescisão milionárias, cuja falta de sentido tão bem o Dier explicou. Nem quero entrar no caos em que está a ser transformada a Academia, cada vez mais entregue a quem não percebe nada de formação.

 

Para quem ainda tenha dúvidas quanto ao que digo, deixo aqui a lista das 29 contratações da era Bruno de Carvalho (que não deve ficar por aqui) sendo que, pelo que se viu, apenas 3 (quase 1 em 10 !!) ou 4 (caso actuemos em 4x4x2) são escolhas de Marco Silva para começar a época como titulares da equipa principal:

 

André Geraldes (suplente) - Everton Gonçalves (equipa B) - Gerson Magrão (saiu depois de escassa utilização) - Heldon (suplente) - Hugo Sousa (equipa B) - Jefferson (titular) - Jonathan Silva - suplente (?) - Jorge Santos (equipa B) - Lewis Enoh (equipa B) - Matias Pérez  (saiu sem jogar uma única vez na equipa principal) - Maurício (titular) - Montero (titular) - Dramé (equipa B) - Paulo Oliveira (suplente) - Piris (saiu depois de escassa utilização) - Saar (equipa B ?) - Salim Cissé - (equipa B ?) - Sambinha (equipa B) - Seedjou King (equipa B) - Samba (equipa B) - Shikabala (Suplente ?) - Slavchev (suplente) - Ramy Rabia (suplente/equipa B ?) - Oriol Rosell (suplente) - Ryan Gauld (suplente/equipa B ?) - Slimani (titular/suplente - único dos contratados da era Bruno de Carvalho que pode gerar mais-valias este defeso) - Tanaka (suplente) - Vítor Silva (equipa B) e Welder (saiu depois de escassa utilização).

 

Temos esta época uma grande oportunidade de aproveitar a fraqueza do Benfica e a revolução no Porto que parte bem de baixo. O treinador parece ser bom, mas infelizmente o plantel volta a parecer limitado qualitativamente para as exigências e expectativas da época (mais ainda se se confirmarem as saídas de Rojo, Slimani e William) mas Deus queira que me engane.

 

City Lion

 

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publicado às 03:21

Frase da Semana

Rui Gomes, em 09.08.14
 

 

«(...) Queriam meter cláusulas impensáveis. Uma cláusula de 45 milhões implica um ordenado ao mesmo nível. Além do mais, ficamos presos ao clube. Sou um central e queriam pôr uma cláusula de 45 milhões com um salário que não justifica esse valor ? Nem pensar... Para mim não faz sentido.»

 

-    Eric Dier    -

 

Observação: Era minha intenção escrever um longo texto sobre a entrevista do Eric e as suas circunstâncias no Sporting, mas acabei por decidir que já tanto foi dito, que não vale a pena "massacrar" a temática. Todavia, não deixo de adiantar dois ou três reparos sobre o caso.

 

Por muito que se pretenda dissecar a entrevista e as circunstâncias laterais inerentes à situação contratual do jogador, é a minha opinião que a questão fulcral resume-se a três factores principais, que não excluem a vertente monetária:

 

1. A cláusula de 5 milhões de euros que quase todos nós desconhecíamos e que o jogador tinha consciência de que era o seu trunfo mais importante, a ser usado quando ele se sentisse - certo ou errado - encostado à parede. Poderemos discutir os (de) méritos de este seu estado de espírito, mas nenhuma discussão possível servirá para negar este tão crucial factor;

 

2. Insisti inúmeras vezes aqui no Camarote Leonino que ele estava convicto de que a época passada era a da sua afirmação na equipa principal. Insisti, porque tinha conhecimento de causa, e porque era plausível pela evolução do jogador, que aliás ele acabou por referir na entrevista. Também não interessa agora discutir os "quês" e os "porquês" de ele não ter conseguido concretizar esse seu objectivo. Não aconteceu, é facto incontornável. No entanto, creio que se isso tivesse acontecido ele estaria disposto a assinar um contrato por pelo menos mais três anos, com uma cláusula mais realista - inferior a 45 milhões mas superior aos 20 milhões - e com um salário mais compatível com o seu valor, sem causar "stress" ao orçamento da SAD;

 

3. O último factor, que, pelas circunstâncias, acabou por ser decisivo. A inflexibilidade da SAD em recusar negociar um contrato mais nos moldes que refiro acima e insistir nos 5 anos de prorrogação com a cláusula de 45 milhões e um salário completamente desproporcional. Quer se concorde ou não é irrelevante. Foi a disposição final que serviu de trampolim para o uso do supracitado "trunfo" via o Tottenham.

 

Uma breve e final palavra sobre a essência da formação. Muitos adeptos raciocinam, de algum modo ingenuamente, que o Sporting está a fazer um favor - quase uma obra de caridade - em formar estes jovens no contexto futebolístico e que eles devem reflectir a respectiva gratidão. Quanto muito, o Sporting está a proporcionar uma oportunidade - e em certos aspectos uma educação - mas com o intuito único de assegurar um retorno desportivo e financeiro. Por outras palavras, é um negócio, em que os jovens também apostam uns anos da sua vida na perseguição do sonho. Ao longo do tempo o Sporting já recrutou milhares de miúdos, mas nós só ouvimos falar de uma mão cheia. Porquê ?... Porque a vasta maioria fica pelo caminho, tendo o Clube decidido que as prospectivas de retorno não justificam um maior investimento. Por muito que nós sportinguistas queiramos o melhor para o nosso Clube, não podemos perder de vista que há mais do que um lado na equação e desde que seja perseguido dentro de um enquadramento ético e legal, não devemos levar a mal os jovens defenderem os seus interesses. O Sporting defende os seus quando perde o interesse neles.

 

Muito mais pode e deve ser dito sobre este assunto, mas ficamos assim por hoje.

  

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publicado às 05:40

Presidente fala muito e explica pouco

Rui Gomes, em 06.07.14

 

 

A última coisa que eu pretendia nesta altura era comentar mais um discurso de Bruno de Carvalho, desejo de impossível realização face à apetência do presidente do Sporting pela oratória pública. Mais um discurso com as usuais platitudes, e outras, visando aplacar a plateia, como é seu hábito.

 

Não me vou dar ao trabalho de transcrever tudo o que foi dito - para o efeito pode ser lido aqui - e também não me vou alargar em comentário, salvo sobre esta sua frase:

 

«Muito se fala no Ryan Gauld. Os disparates que foram escritos... têm quase ar de criminoso. Uma coisa é enganar-me, outra coisa é mentir e sem sustento algum. E mentiu-se descaradamente nos valores relacionados com o Ryan Gauld. Mentiu-se nos valores, fingiu-se que havia um problema um problema na formação... Isso para mim não conta. Os sportinguistas vão estar atentos àquela que é uma campanha absolutamente inacreditável de mentira e quase pressão.»

 

Antes de mais, devo admitir que estou um tanto ou quanto no escuro, porque não sei bem ao que o presidente se refere, concretamente. Salvo uma ou outra interrogação - perfeitamente natural até - sobre o mérito de contratar o jovem escocês, ainda não li nenhuma crítica severa nesse sentido. Sem deixar de ponderar os prós e contras desta contratação, até sinto algum entusiasmo e expectativa por ver o denominado "mini-Messi" dentro das quatro linhas, e espero que tenha muito sucesso.

 

Sobre os valores da contratação, se há uma mentira descarada esta originou com a Imprensa britânica, porque tudo o que eu verifiquei nesse sentido surgiu dessas partes. O facto do Sporting não divulgar os valores - e até está no seu direito - leva a conjecturas, ocorrência inevitável. Não deixo de achar curioso, no entanto, que Bruno de Carvalho, mesmo perante tanta indignação pelas alegadas "mentiras", continua a não esclarecer a contenda. Se pelas novas regras o negócio não tem de ser comunicado à CMVM, em detalhe, terá de ser reportado no próximo Relatório e Contas da SAD, ou será que também aí os factos vão ser ocultados ?... A sua referência a escritos com "quase ar de criminoso" é inconsequente, neste contexto. É uma frase que ele gosta muito de utilizar, sem ponderar o seu real significado.

 

Quanto à sua referência a um falso "problema na formação", também não é nada de grande consequência, neste momento. Se há um "problema" real, só o passar do tempo esclarecerá, porque analisado de fora para dentro a especificidade das coisas é complexa e pouco transparente. No que aos adeptos diz respeito, estes têm o pleno direito de comentar a actividade que lhes está ao alcance e nem o presidente do Sporting pode impedir essa liberdade de expressão.

 

Também estou no escuro quanto à alegada "campanha de mentira e quase pressão". Por tudo quanto é possível perceber, esta Direcção tem trabalhado sem qualquer oposição. Se ele se refere à comunicação social cá do burgo, tão "encarnada" que ela é, também não é nada de novo e compete-lhe aprender a contrariar as falsidades que são publicadas. Um dos problemas, na minha opinião, é que Bruno de Carvalho fala muito e nem sempre se explica, já para não evocar o que por vezes afirma, de forma impensada. Neste caso concreto de Ryan Gauld e da formação leonina, ficámos a saber exactamente o mesmo que já sabíamos antes do discurso.

 

Por fim, não posso deixar de questionar quem o presidente pretende motivar com o seu apelo aos sportinguistas, deixando a sensação que só se sente bem em "estado de guerra", com ele próprio no centro do mediatismo. Quanto maior o "barulho", maior o "herói" ele se torna no conceito de alguns.

 

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publicado às 05:09

 

Abel Ferreira participou na conferência "Falar Futebol" que decorreu esta segunda-feira, em Lisboa, que contou com a presença de Paulo Bento, Luiz Felipe Scolari, Carlos Queiroz e Fernando Santos, entre outros. Um dos painéis da conferência foi precisamente o papel da formação na competitividade do futebol e, nesse sentido, além do treinador da equipa B leonina, também esteve presente Carlos Bruno, coordenador do Treino Físico da Academia do Sporting.
 
Antes de comentar a participação de Abel Ferreira neste evento, devo esclarecer aquilo que já tive ocasião de dizer em diversos escritos aqui no blogue, nomeadamente que concordei com a nomeação do antigo jogador para o quadro de treinadores da formação, mas que achei a sua promoção à equipa B prematura, muito pela sua experiência, limitada a treinar a equipa de juniores durante uma única época.
 
Disse Abel Ferreira: «O trabalho nas equipas secundárias vai muito além do que são os resultados. Fiquei muito impressionado com a definição estabelecida pelos responsáveis do clube. O clube tem de acreditar naquilo que faz. A maior motivação é saber que o treinador da equipa principal segue o nosso trabalho e nos apoia. Ver o Carlos Mané chegar à equipa principal é mais importante que ganhar jogos ou provas.»
 
Até aqui tudo bem, raciocínio elementar de como deve funcionar as equipas de formação, embora seja discutível a "definição estabelecida" a que ele refere, considerando os vários jogadores que vieram do exterior directamente para a equipa B e a constante rodagem de outros que não registam muito tempo de jogo na equipa principal ou são até já considerados excedentários à espera da saída no Verão.
 
Continuou Abel Ferreira: «Por vezes, a melhor opção para o clube não é a mais fácil para o jogador. O João Mário, por exemplo, já não tinha um desafio na equipa B, estava acomodado. Foi emprestado ao V. Setúbal onde está a ser um dos melhores da equipa, o que só prova que foi essa a melhor opção para a sua evolução individual e para o próprio clube.»

Admite-se que existam casos e circunstâncias que ditam que o melhor curso a seguir com qualquer jogador é mesmo o empréstimo para o exterior, especialmente quando esse empréstimo visa proporcionar a integração em uma equipa e em um campeonato significativamente competitivos, que, por natural consequência, contribuirão para o seu desenvolvimento. Esta alternativa, no entanto, apresenta-se, no que aparenta ser lógico e sensato, como uma excepção à regra, a partir do momento que a equipa B foi criada. Recorro a um exemplo que ainda não é verdadeiramente compreendido pelos adeptos: a cedência de Zezinho ao Veria FC da Grécia, uma equipa pouco competitiva - situa-se em 17.º e penúltimo lugar neste momento e está em grave risco de ser despromovida - em um campeonato de competitividade igualmente suspeita. Depois do que ele demonstrou na época passada a jogar pela equipa principal, não é injusto questionar as razões que levaram a não lhe conceder uma oportunidade esta época, especialmente considerando as necessidades do nosso meio campo.
 
Quanto a João Mário, o cenário é bem diferente e muito embora não pretenda duvidar da integridade de Abel Ferreira, é justo questionar se as aparentes dificuldades com este jogador se ficam a dever ao próprio ou à sua condução dele. Não se compreende como é que o jovem se sentia "acomodado" na equipa B quando tinha como objectivo principal chegar à primeira equipa onde, por mera coincidência, já se encontrava o seu irmão. Ainda de maior preponderância, é a ausência de um médio criativo no Sporting, precisamente a sua posição. Mesmo admitindo alguns aspectos do seu jogo mais "crus", era de esperar uma integração gradual. João Mário foi transferido para o V. Setúbal nos primeiros dias de Janeiro e estreou-se pela equipa sadina no dia 19 desse mesmo mês, contra o FC Porto. Até este ponto da época, a equipa B do Sporting já tinha realizado 22 jogos na II liga, enquanto que João Mário regista participação apenas em 13; 9 como titular e 4 como suplente utilizado, acumulando 868 minutos de jogo, equivalente a 9,6 jogos. Felizmente, foi parar às mãos de um treinador já muito experiente a lidar com jovens - José Couceiro - que, pela evidência à vista, tem sabido tirar o máximo de aproveitamento dele. Tanto é assim, que até já constam alguns rumores sobre o interesse de Paulo Bento, embora eu não acredite que João Mário venha a ser chamado.
 
Visto de fora para dentro, é missão difícil para qualquer adepto avaliar, em pormenor, o trabalho que tem sido levado a cabo esta época com a segunda equipa. Segundo algumas observações que nos têm chegado, raramente se verificou futebol ao nível esperado e desejado, assim como um bem definido planeamento, face a algumas das disposições já citadas acima. A ingrata realidade é que os reais resultados apenas se verificarão daqui a três ou quatro anos, pelo menos.
 
Afirmou Pedro Mil-Homens - antigo responsável pela Academia - que também participou na conferência: «Trata-se de um espaço (a Academia) cuja prioridade não será apenas ganhar jogos, mas ganhar jogadores para o futuro. O enquadramento competitivo disponibilizado pela II Liga é o ideal para as equipas B. Nas principais ligas europeias há um modelo de transição. O português é um deles que está a resultar. O mais importante é que os jovens gostem, depois gostem de aprender e depois ainda que consolidem processos de trabalho.»
 

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publicado às 03:55

 

 

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publicado às 12:18

A excelência da Academia Sporting

Rui Gomes, em 23.01.14
 

 

Dados ainda provenientes do estudo conduzido e publicado pelo "CIES, Observatório do Futebol", indicam que o Sporting Clube de Portugal é o quarto clube que fornece mais jogadores da sua formação às equipas de vários campeonatos europeus.

 

Verifica-se que nos 31 principais ligas europeias há neste momento 52 jogadores que passaram pelo menos três anos de formação (entre os 15 e os 21) ns escola do Sporting. O clube europeu que tem mais é o Ajax, com 69 futebolistas, seguindo-se o Partizan de Belgrado, com 66, e o Barcelona com 61.

 

Não deixa de surpreender, pasmar até, que depois de Estrela Vermelha, Sparta de Praga, Real Madrid, Feyenoord, Dínamo de Kiev, MTK, Shakhtar, Dínamo de Minsk, Osiejek e Slávia de Praga, encontra-se o FC Porto, com 37 jogadores. Para uma formação que poucos conhecem que existe, reflectindo-se no número de estrangeiros no plantel da equipa principal, este número é deveras surpreendente.

 

Mais expectável é o Benfica surgir na 28.ª posição, embora também com um número surpreendente de jogadores: 32. Em termos de clubes portugueses, segue o Marítimo em 176.º, o Guimarães em 192.º e o Belenenses e o SC Braga em 212.º, ambos com 12 jogadores de formação.

 

Com tudo isto, outro item vê Portugal numa das piores posições da Europa: o de percentagem de jogadores formados em Portugal a actuar na liga nacional: apenas 12 por cento, a quarta pior da Europa, superada negativamente somente pela Rússia (11 por cento), Turquia (9) e Itália (8).

 

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publicado às 04:29

 

 

Creio, até, que a comparação é uma ofensa à espécie asinina, mas foi o melhor adjectivo que me veio à ideia no momento. A lista de burrices verbalizadas pelo actual treinador do clube de Carnide é longa e variada, e quando se pensa que já se ouviu tudo, ele tem a (in) capacidade para nos surpreender. Passou a semana a menosprezar, pelos piores meios, a formação do Benfica, e agora sai-se com esta:

 

«A verdade é que não existe só formação, existe também a prospecção e, na minha opinião, é o Benfica quem melhor trabalha essas duas componentes em Portugal, por isso é que os jogadores que saem não vão para o Standard Liège mas sim para o Manchester City, para o Real Madrid ou para o Chelsea.»

 

Em termos da prospecção e subsequentes grandes vendas, deve estar a referir-se àqueles jogadores que são comprados a peso do ouro, para depois serem vendidos por verbas igulmente exorbitantes mas que deixam suspeitas sobre a real margem de lucro. Isso, ou vendas tipo Roberto ! Em termos da formação - que absurdidade ! - é por de mais evidente nos dez ou onze estrangeiros que usualmente entram em campo ou àquele caso solitário que é convocado para a Selecção Nacional só para não se dizer que o Benfica não tem lá ninguém.

 

Repito: a burrice de Jorge Jesus não tem limites !!!

   

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publicado às 22:25

Revisitar Aurélio Pereira

Rui Gomes, em 17.10.13

 

Há cerca de dezoito meses Aurélio Pereira concedeu uma extensa entrevista através da qual abordou muitas das questões mais pertinentes ao recrutamento e à formação do Sporting. Dado que a sua leitura do funcionamento da Academia continua a ser tão válida hoje como era então, vale a pena revisitar algumas das suas considerações mais relevantes:

 

* A estratégia de recrutar em idades mais baixas continua a resultar, mas com uma distinta diferença; enquanto que no passado recrutávamos a partir dos 10 anos, actualmente, por força do mercado, passámos a recrutar aos 6.

 

* O número de jogos observados por fim-de-semana não tem qualquer paralelo com o que se fazia há anos. Só para dar um exemplo: nos distritos de Lisboa e de Setúbal, observamos cerca de 90 jogos por fim-de-semana. Para além dos elementos da estrutura principal que lideram o processo, existem, sensivelmente, mais 150 homens que, no restante País, prestam a sua colaboração nesta área de observação. Não é fácil arranjar observadores com total disponibilidade e quase de forma graciosa.

 

* O Sporting, como grande formador que é, promove e transmite os valores e princípios da sua própria mística aos seus discípulos. Aqui e ali pode haver desvios, deste ou daquele atleta, o que é normal nestas idades.

 

* Não transformamos um tijolo num violino. No Sporting, só entram dois tipos de jogadores: os talentos e os bons jogadores. Os verdadeiros talentos são aqueles que, na prática, o conseguem provar, tendo que ter, para isso, três qualidades fundamentais: paixão pelo treino, paixão pelo jogo e paixão pela profissão. Esses, encontram-se em patamares superiores, e todos nós sabemos quem são. Quanto a todos os restantes, que são bons jogadores, podem transformar-se em grandes jogadores, com mentalidade apropriada e, simultaneamente, poderemos considerá-los, também, atletas de alto rendimento. Todos aqueles cuja mentalidade não possua estes requisitos, serão sempre atletas de segunda escolha.

 

* Nesta indústria do futebol, o factor económico é decisivo - e a capacidade financeira dos clubes portugueses não é comparável à dos grandes clubes europeus. Bom seria que nós, Sporting, pudéssemos segurar os jogadores que produzimos e, aí, seriamos uma força mundial no futebol. Como isso não é possível, não há outra solução.

 

* Não é possível segurar um atleta que ganha dez mil euros e que tem uma proposta de cem mil. A única solução é gerir esses casos, defendendo os interesses do Clube o mais possível, e retirando o máximo proveito desse tipo de operações.

 

* Ficamos orgulhosos por ver o número de jogadores formados no Sporting seleccionados para representar Portugal. É, ainda, altamente reconfortante que o Sporting seja o único clube no mundo que se pode orgulhar de, na mesma década, ter formado dois «botas de ouro.»

 

* A equipa B é um espaço competitivo muito importante, porque entre a última fase da formação e o primeiro ano de integração no futebol profissional, há um «cabelo». Um jogador que sai dos juniores está no 12.º ano e, quando chega a sénior, vai para o primeiro ano da faculdade. Não pode pensar que já é doutor. Há muita coisa a aprender. E isso só é possível resolver jogando todos os domingos com regularidade.

 

* Há um dado importante: a equipa B não pode ter a obrigação de ganhar. O objectivo principal é criar espaço competitivo exigente para os atletas poderem evoluir, onde vários serão apenas seniores do 1.º ano. A II Liga irá ser muito forte e os resultados desportivos podem ser afectados. A nossa massa associativa pode e deve colaborar neste processo de crescimento, apoiando-os.

 

* Hoje já nenhum clube pode afirmar que chega primeiro aos jogadores, pois não há nenhum torneio em Portugal, no cantinho mais remoto, onde também não estejam presentes observadores dos nossos concorrentes.

 

* Mais de 90% das nossas grandes equipas de juniores passou primeiro pela avaliação do coordenador técnico do Estádio Universitário de Lisboa, antes de começar a trabalhar na Academia. Isto acontece com a vasta maioria dos infantis de 2.º ano, que posteriormente transitam para a Academia como iniciados do 1.º ano. O Pólo do Universitário é onde trabalhamos os miúdos dos 6 aos 12 anos.

 

* Quanto à discussão planetária sobre quem é o melhor jogador do Mundo, tendo acompanhado Cristiano Ronaldo nas camadas jovens do Sporting, entendo que ele e Messi são jogadores diferentes. Para mim, o Ronaldo é um jogador mais completo, mas são, de facto, os dois melhores do Mundo. 

 

* Reconheço o valor fantástico dos elementos que temos tido ao longo dos anos. Com mais de 40 anos de Clube, creio que temos sempre de nos colocar na posição de nos sentirmos úteis. Se assim não for, não vale a pena. Foi no Sporting que me formei como atleta, como homem, como dirigente. Aqui conheci pessoas extraordinárias e tenho tentado passar o meu testemunho àqueles que me têm acompanhado. A paixão das pessoas pela formação do Sporting continua a existir, pois enriquecem-se e valorizam-se igualmente em termos pessoais e, como é óbvio, no processo, enriquecem também o Clube. Por isso quero prestar uma grande homenagem a todos aqueles que trabalharam e trabalham no Departamento de Detecção e Recrutamento do Sporting Clube de Portugal.

 

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publicado às 04:12

A aposta na formação !?

Rui Gomes, em 03.09.13

 

Regressado de férias ao Camarote Leonino venho bem contente com a nossa equipa de futebol. Exibições agradáveis e excelente atitude (com excepção de uma branca de 20 minutos com o Benfica) dão enorme esperança para o resto da época. Podemos até beneficiar em relação ao Porto e ao Benfica do facto de não estarmos nas competições europeias para eventualmente nos intrometermos nos lugares de topo e ganharmos as taças nacionais, mas isto já sou eu a sonhar.

 

Foi mesmo uma pena não termos conseguido renovar e garantir Bruma e o Ilori esta época (no final da qual provavelmente estariam até mais valorizados depois do Mundial no Brasil, embora reconheça que os valores de venda foram bem interessantes tendo em conta as condicionantes) e aí sim acredito que estaríamos em boas condições para surpreender. Para compensar, foi com alegria que vi manter-se Rui Patrício, jogador fundamental e que é nesta altura o expoente da nossa formação.

 

Tenh lido na imprensa que esta Direcção tem feito uma aposta na formação o que é confirmado pelos próprios  e é citado o número das 17 renovações e dos 6 que jogaram na equipa titular (mais o Eric Dier na segunda-parte) no passado Sábado. Correndo o risco de ser contra-corrente (faz parte do ser sportinguista senão seria lampião) não posso deixar de discordar, pelo menos em parte:

 

1. A formação do Sporting é hoje liderada por pessoas com pouca ou nenhuma experiência nesta área e como expoente do que digo surge o Virgílio, o responsável máximo da Academia;

 

2. Ao contrário do prometido na campanha eleitoral e à semelhança do que foi feito pelo Godinho Lopes, fizeram-se muitas contratações; se não estou em erro, 9 para a equipa principal e 2 para a equipa B, o que é um exagero olhando para o potencial dos nossos jovens da Academia. Assim obviamente tapamos as oportunidades destes aparecerem num ano em que tinham tudo para dar nas vistas, até pelas baixas expectativas e grande tolerância dos adeptos este ano. A grande maioria vai passar o ano a jogar na equipa B sob a tutela de u treinador que não tem nada a ver com o Leonardo Jardim. O que tem valido à nossa "cantera" é que algumas daquelas contratações ainda não deram mostras de ser uma mais-valia para o Sporting e apenas 3 foram titulares com o Benfica: Maurício (dá tudo em campo mas tem que ser mais inteligente na abordagem a alguns lances), Jefferson (muita dinâmica e boa exibição contra o Benfica) e Montero (a grande revelação até agora, que só espero mantenha a humildade e evite repetir jogadas com a que tirou o 2-0 ao Wilson).

 

3. Jogadores promissores e prontos a jogar ao mais alto nivel como Iuri, Rúben Semedo, Tobias Figueiredo, Mica, João Mário, Chaby, Esgaio e Betinho, entre outros estão tapados pelas novas contratações. Por outro lado,olhando para a nova concorrência que entrou ontem, duvido que produtos da Academia como o Cédric e o André Martins se mantenham muito mais tempo como titulares.

 

A minha conclusão é que apesar do discurso oficial ser diferente, esta época optou-se por uma política de resultados mais imediatos, o que pode ser defensável, uma vez que o investimento feito tem sido equilibrado até pelas limitações impostas pela banca e porque o tal dinheiro prometido nunca chegou a entrar. Agora não nos atirem areia para os olhos com a questão da aposta na formação e a conversa de dar 3 anos para o crescimento da equipa. A verdade dos factos é que a aposta, tal como no tempo do Godinho Lopes é o imediato e, em minha opinião, as grandes diferenças agora em relação ao anterior Presidente estão nos menores custos das novas contratações e na maior capacidade do treinador (apesar do erro da 1.ª substituição de Sábado que no papel até parecia lógica, mas que nos tirou a vitória).

 

Texto da autoria de City Lion

 

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publicado às 16:13

 

 
Face à discussão do momento aqui no Camarote Leonino e os próprios movimentos da Sporting SAD em relação aos talentos jovens da Academia, será interessante reler este meu post de 29 de Junho de 2012 - enquanto colaborava em um outro espaço - onde transcrevo algumas das suas considerações mais relevantes que fizeram parte de uma extensa entrevista concedida nessa data ao jornal "Sporting". 
 
O artigo "Aurélio Pereira e a formação do Sporting" - muito bem recebido na altura como é evidenciado pelo Facebook - pode ser lido aqui.
 

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publicado às 16:10

O que dizem eles

Rui Gomes, em 17.07.13
 

 

«É benéfico ficarem pelo menos dois ou três anos na equipa principal antes de se transferirem para o estrangeiro. Acredito que um dia voltarei a jogar no Sportingm porque é o meu clube e adorei representá-lo.»

-    Nani    -

Observação: O jogador formado de leão ao peito que se transferiu para o Manchester United na maior transferência da história do Clube - 25,5 milhões de euros - deixa um bom conselho aos jovens da Academia, muito embora, nos dia de hoje, o deslumbre pela vasta quantia de euros a curto prazo seja o suficiente para muitos se precipitarem na perseguição dos seus sonhos. Sentimentalmente poderá ser de difícil aceitação para os adeptos sportinguistas mas, pragmaticamente, tendo em conta o precário estado financeiro do Clube e a sua notória incapacidade para oferecer vencimentos substanciais aos seus atletas da Academia pela promoção à equipa principal, é inevitável que continuem a surgir saídas prematuras pelos milhões que são disponibilizados do exterior. É uma ingrata mas inevitável realidade que deverá forçar o Sporting a repensar a sua aposta na formação, pelo menos na sua disposição actual.

O desejo de Nani de um dia regressar ao Sporting - provavelmente no final de carreira - é louvável, mas temos de ter consciência de que poderá não ser realizável, a exemplo do que acontecerá também com Cristiano Ronaldo.

 

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publicado às 18:56

Ponte de ligação aos leitores

Rui Gomes, em 09.07.13

 

A questão é pertinente. Quanto a mim concordo com a ideia que Pizzi não é um fora-de-série mas um jogador que viria oferecer um acréscimo de qualidade ao plantel. Vi alguns jogos dele na época passada no Corunha e nota-se uma evolução ao que lhe conhecia de Paços de Ferreira e Braga. Qualidade no remate, bons movimentos para o interior a partir das linhas, com mais acerto e ponderação.

 

Agora como vamos dizer ao Bruma, ao Ilori e ao Dier que não temos dinheiro se, com tantos jogadores ainda no plantel, andamos a assumir compromissos com outros ? Este tem sido quanto a mim o pior sinal deste início de época e que, de algum modo, é um pouco a imagem de um clube que os seus adeptos se orgulham de referir como bom formador. Relações muito difíceis com os seus, onde tudo é objecto de contestação - veja-se o caso do odioso que recai sobre o Adrien - e sempre som muita tolerância para os que chegam. O mais comum que se ouve relativamente aos novos jogadores - Cissé, Hugo Sousa, Maurício, Jefferson - é "vamos ver", como se o futebol fosse jogado em catacumbas e não em estádios de futebol.

 

* Leitor: Leão de Alvalade

 

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publicado às 08:34

 

As regras da FIFA não vão suficientemente longe na defesa dos interesses dos clubes formadores, como é o caso do Sporting. Um recém-estudo mandatado pela Comissão Europeia - já aqui publicado - indica que a compensação pela formação e os mecanismos de solidariedade representam apenas 1.84 por cento da soma das verbas de transferências na Europa.

Mais cedo ou mais tarde, o Sporting vai ter de tomar uma posição firme e dura na defesa destes seus interesses, já que o dilema que está agora a enfrentar com Bruma e Ilori não é inédito, em contrário, é recorrente. Num passado muito recente é possível citar casos semelhantes como os de Pedro Mendes, Edgar Ié e Agostinho Cá, só para referir três. Pelas regras da FIFA, o primeiro contrato de formação só pode ser firmado em relação a um jovem da formação quando ele atinge os 15 anos de idade e, mesmo assim, com a concordância e assinatura dos pais ou tutores, e não por mais de três anos, ou seja, até esse jovem chegar aos 18 anos. Durante este período transferências também não são permitidas, salvo em casos excepcionais previstos por essas mesmas regras. Atingidos os 18 anos, o clube fica totalmente à mercê do jogador, invariavelmente aconselhado - bem ou mal - por empresários que procuram as suas comissões de eventuais transferências. A exemplo de Edgar Ié - que recusou renovar - o Sporting nada pôde fazer e os seus anos de investimento na formação do jovem corresponderam apenas à tabela de compensação estipulada pela FIFA. O caso de Agostinho Cá foi ligeiramente diferente em que ainda tinha um ano de contrato e como os jovens eram pretendidos em pacote, o Sporting aproveitou os cerca de dois milhões de euros oferecidos pela Barcelona que os pretendia afastar do Inter Milão. Um ano mais tarde, Cá estaria em posição clara para se transferir a custo zero. 

 

Este escrito vem a propósito do caso de Bruma e as recém algo condescentes declarações do seu advogado, Bebiano Gomes: «Em todo este trajecto o Bruma está sempre em primeiro lugar. Sexta-feira tenho uma reunião com responsáveis do Sporting para abordar o futuro dele. Temos que "queimar" etapa por etapa. Por uma questão de respeito para com o Sporting entendo que não lhe devemos fechar a porta só pelo facto de surgirem propostas de outros clubes. O Sporting merece todo o respeito. Não confirmo nem desminto. É fácil as pessoas dizerem que existem propostas de clubes. Eu vou continuar a manter a minha postura o mais discreta possível.»

 

"O Sporting merece esse respeito" e... ainda tem contrato com ele até 30 de Junho de 2014, indiferente das propostas que possam surgir entretanto, por conseguinte, nem tudo depende do querer de Bruma e seus representantes. É por de mais evidente que se a renovação não for acordada agora, o assunto fica fechado e o jogador é causa perdida, podendo assinar por quem desejar em Janeiro e sair no final da época a custo zero. É precisamente aqui - dando-se este cenário - que o Sporting tem de tomar uma posição que sirva de exemplo para outros jovens. Se não renovar, o Sporting não deve continuar a promover o seu desenvolvimento, colocando-o tanto na equipa principal ou na B. Fica até Junho sem jogar e a treinar à parte. Com isto, o Sporting poderá ter de abdicar de qualquer oferta, tipo saldo, que provenha do Chelsea, do Galatasaray ou de qualquer outro clube, seja ela 3, 4 ou 5 milhões de euros. Não pode, de modo algum, dar-se ao rebaixo de fazer o que fez com Pedro Mendes: despromoveu-o para a equipa B onde continuou a jogar e até a envergar a braçadeira de capitão. Uma autêntica vergonha !!!

 

Com tudo isto, também temos de ser justos em reconhecer que os atletas têm direito de defesa dos seus interesses e do seu futuro e que nem sempre os clubes são donos da razão. A exemplo de alguns casos que ocorreram recentemente no Sporting, quando o clube entende que o potencial do jovem não justifica continuado investimento, rescinde e dispensa-o. É a realidade da indústria mas, quem sempre investe é o Clube e o jovem simplesmente tem de decidir se pretende uma formação futebolística e escolher onde esta lhe melhor poderá ser providenciada. 

 

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publicado às 17:11

Um comentário muito perspicaz e certeiro por José Manuel Ribeiro no jornal "O Jogo":

 

«Na recém-entrevista colectiva, Bruno de Carvalho sintetizou muito bem a falácia da formação. O antecessor Godinho Lopes permitiu que vários ex-juniores fossem lançados na equipa principal - até com louvores pela façanha e grande coragem - sem os amarrar previamente a contratos maiores. Num mês são putos que ainda pediam licença para usar o cacifo, no seguinte faziam capas de jornais, possuíam lugares de estacionamento privativos e eram namorados por clubes da PlayStation. Não são exactamente as circunstâncias mais favoráveis para negociar com jogadores que ainda mal justificaram os lugares no onze.

 

Mas com ou sem Godinho Lopes, vai ser sempre assim, esse é o genuíno mundo da formação, limpo de demagogia e ingenuidade tradicionais. Sendo verdade que Bruma, por exemplo, se tornou muito mais convincente e apetecível depois de os olheiros terem registado as comichões que provocou a Luisão e Garay no Benfica-Sporting, também é verdade que os tubarões o seguem há muitos anos, de atalaia, à espera de um passo em falso. O central Pedro Mendes deixou de jogar na equipa principal quando alguém percebeu que ele já tinha assinado por um clube italiano.

 

Por muita razão que Bruno de Carvalho possa ter quando culpa os empresários e fala do descuido (ou luta pela sobrevivência ?) de Godinho Lopes, viver da formação é viver na inquietação e em stresse perpétuo, tal como acontece com os clubes que vivem do mercado internacional. A diferença é que, para serem os melhores, estes têm de ver antes dos outros lá fora, e o Sporting precisará de ver antes dos outros dentro da sua próoria casa.»

 

Como sempre, é fácil falar pós-facto da bancada, a origem conveniente da maioria das apreciações, mas como já tive ocasião de sublinhar em diversos escritos, a um determinado ponto da evolução de um jovem da formação uma decisão tem de ser assumida por alguém, fazendo uma apreciação sobre o futuro potencial desse jovem, consciente que se errar poderá comprometer o Sporting com um contrato de muitos anos que não produzirá retorno - desportivo e financeiro - ou, no inverso da moeda, que poderá deixar fugir um talento de qualidade. A trabalhar com tantos jovens e pelo leque de incertezas inerentes à evolução natural, humana e desportiva, destes, é inevitável que algumas decisões menos certeiras aconteçam, é a lei das probabilidades.

 

Ainda recente exasperei-me ao ler um malicioso e, ao mesmo tempo, ingénuo comentário por um fanático apoiante do actual presidente do Sporting, em que o autor atribui culpas a Godinho Lopes pelo presente estado contratual de Bruma e Ilori, esquecendo, ingnorando ou não compreendendo, que o último ainda tem contrato até Junho de 2015, amplo tempo para tomar decisões, e que o primeiro, pelas repetidas afirmações do seu empresário, já tinha chegado a um acordo de renovação quando surgiram as prematuras eleições, ocorrência que os levou a congelar o processo e aguardar o desdobrar de acontecimentos. No lugar deles teria feito o mesmo !... Além de tudo mais, será útil não perder de vista que o Sporting não tem os recursos financeiros de um Barcelona, por exemplo, para comprometer todos da formação a longo prazo, e decidir mais tarde o seu real valor. Tem de fazer o possível para, o mais cedo possível, separar o joio do trigo, missão extremamente complexa e inevitavelmente com algum grau de fabilidade.

 

 

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publicado às 04:52

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