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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Já há uns dias que venho a sentir grande curiosidade em saber a opinião de Leonardo Jardim sobre a polémica em que o Sporting está envolto neste momento e, quase como a satisfazer o meu desejo, aparece hoje uma entrevista do antigo treinador leonino. Eis algumas das suas principais declarações:
- "Nunca me arrependi de deixar o Sporting, pois estou a dar continuidade àquilo que sempre foi a minha perspectiva de carreira."
- "É um facto que, se calhar, face aos bons resultados, podia ter-se avançado para uma renovação (com o Sporting) mais cedo, mas foi um processo que se deixou avançar até mais perto do final da época. Foi quando surgiram várias hipóteses fora do país."
- "Quando saí do Sporting, nas conversas com Bruno de Carvalho, até foi um pedido especial dele para dar tudo aquilo que tínhamos feito o novo treinador. Procurei o Marco e fiz para lhe dar as informações em relação àquilo que era o plantel e ao trabalho que tínhamos feito."
- "Eu não tenho de concordar sempre com os presidentes, mas sim manter as coisas viáveis. Mas atenção, eu tenho uma boa relação com ele (Bruno de Carvalho). Trata-se de alguém que vive o Sporting com muita intensidade; foi necessário no processo de mudança do clube. É um facto que tem uma personalidade diferente da minha. Ele tinha as opiniões dele publicamente e em termos de futebol eu dava a estabilidade que eu entendia que o grupo necessitava. A sua forma de ser por vezes é difícil, realmente, se não estiver em consonância com aquilo que estamos a fazer, mas entre nós houve sempre respeito."
- "Ao longo da época eu e Bruno de Carvalho tivemos algumas opiniões diferentes, mas as nossas decisões foram sempre em prol do êxito Sporting."
- "As opiniões entre um treinador e um presidente nem sempre convergem, pois um presidente defende um clube e o treinador o grupo, mas há que levar sempre em consideração a estrutura."
- "A sua presença no banco ? Quando estou no jogo nem sinto a presença do presidente ou de qualquer outro factor extra-jogo. Nunca senti que o presidente tentasse interferir no que quer que seja."
- "Evito, neste momento, falar com as pessoas do Sporting. Mas acho que tudo aquilo que se está a criar à volta do clube não tem razão de ser. A equipa está na Taça de Portugal, fez um grande resultado no Dragão, fez aquilo que era normal na Champions - qualificar-se para a Liga Europa -, embora possa ter ficado algum amargo por não ter ido mais longe. Na Liga está diferente, mais forte nos duelos com o FC Porto e Benfica, mas com as equipas chamadas pequenas está com algumas dificuldades. Aliás, a diferença para a liderança tem a ver com essa irregularidade frente aos clubes mais pequenos."
- "Acho que os projectos devem ser sempre do clube e não dos treinadores. Contudo, também não acho positiva a alteração de um técnico que, como já disse, eventualmente poderia estar melhor na Liga, mas nas outras provas está a fazer um bom trajecto. Não vejo motivo ou razão para existir uma ruptura, para despedir Marco Silva, mas estou só a falar em termos desportivos."
- "Mané estava no último ano de contrato, passou dos juniores para a equipa B e o Sporting queria ficar com ele. Chamei--o e disse-lhe: «Olha que eu não estou a vender-te a banha da cobra, se assinares vais ser uma aposta minha. Terás 3 a 4 meses para te adaptares e a partir de Janeiro serás aposta. Acho que o Carlos Mané vai ser um fenómeno, tem grande potencial e vai chegar a grande nível, nacional e internacional."
- "O William Carvalho demonstrou que eu tinha razão ao apostar nele. Actualmente dizem-me que não está tão bem, mas isso deve-se a vários factores e ele melhor do que ninguém sabe aquilo que precisa fazer para voltar ao seu nível."
- " Um dia, com certeza, que vou regressar a Portugal. A ambição será sempre de treinar um clube de elite, que luta pelo título, e o FC Porto e o Benfica, tal como o Sporting, fazem-no. É difícil dizer quando o vou fazer, mas gostava. Tenho um grande respeito pelo Sporting, mas um dia poderei treinar outro dos grandes. Um treinador não pode estar ligado ao sentimento de adepto."
Leonardo Jardim foi finalmente apresentado como o novo treinador do Mónaco, tendo assinado um contrato de dois anos mais um de opção. Veremos, agora, se ele irá tentar contratar algum dos seus antigos pupilos do Sporting, se é que não já está algum comprometido. O jornal O Jogo vem esta sexta-feira a noticiar o seu suposto interesse em Adrien Silva, muito embora, na minha opinião, William Carvalho seja o principal candidato.
O presidente do Sporting falou, explicou, mas não sei se terá elucidado os sportinguistas tanto quanto se esperava e desejava, mas até novas informações, teremos de viver com o que foi divulgado. A conferência de imprensa desta terça-feira serviu fundamentalmente para dizer adeus a Leonardo Jardim, um processo que o presidente denominou, não com pouca ambiguidade, "o fim de um ciclo". Decerto obedecendo a uma estratégia delineada pelo Mónaco, o treinador optou por não confirmar o seu destino, o "segredo" mais conhecido no planeta.
Apenas breve comentário sobre dois aspectos da oratória de Bruno de Carvalho, o primeiro dos quais, inevitavelmente, os já notórios 15 milhões de euros, correspondente a uma declarada cláusula de rescisão no contrato de Leonardo Jardim. Segundo a versão agora relatada pelo presidente, esse montante era somente aplicável caso o destino fosse um clube nacional, que para o estrangeiro a compensação pagável ao Sporting era de 3 milhões. No entanto, parece que o Mónaco foi muito generoso e foi além do que estava pré-estipulado, oferecendo ainda mais 3 milhões mediante os objectivos alcançados por Leonardo Jardim. E, por fim, "existe um valor em caso de regresso a Portugal nas próximas quatro épocas, o remanescente e 15 milhões de euros". Excepto pelos detalhes, esta explicação do presidente não surpreendeu, minimamente. Uma vez que nada serve massacrar a temática, esta é a palavra final do presidente e ficamos por aqui.
O segundo aspecto da oratória, e esse até foi elucidativo, tem a ver com o poder de decisão neste período interino da época, sobre dispensas e reforços. Neste contexto, o presidente afirmou que "todos (Piris, Magrão, Welder, Paulo Oliveira e Slavchev) têm o aval do presidente (adoro quando ele se refere a si próprio na terceira pessoa), do Augusto Inácio e do Virgílio." Considero elucidativo, para mim pelo menos, porque desconhecia que o Virgílio também tem palavra no futebol profissional. Era a minha impressão que a sua esfera de actividade era limitada à formação. Isto, que foi muito debatido aqui no blogue, está agora esclarecido.
Compreensivelmente, o presidente recusou falar sobre o novo treinador. Esse, no seu próprio timing, merecerá uma conferência de imprensa exclusiva para a sua apresentação. Como já tive ocasião de mencionar em forma de comentário num outro post, veio ao meu encontro informação directamente da SAD confirmando que o novo técnico, sem ser surpresa alguma, é definitivamente Marco Silva, com um contrato de dois anos e mais um de opção.
Entrevista de Bruno de Carvalho a TVi, onde evoca a cláusula de rescisão de Leonardo Jardim de 15 milhões de euros, assim como a de William Carvalho de 45 milhões de euros. O vídeo pode ser visto aqui, a partir do minuto 32.
Agradecemos a gentileza da referência pelo leitor Leão 1906.
O "amor à camisola" é muito bonito, mas quando chega a hora da verdade, o dinheiro fala sempre mais alto. Embora ainda não confirmado oficialmente pelo Sporting, Leonardo Jardim disse hoje o seu adeus a Alvalade, assinando um contrato de dois anos com o Mónaco. Segundo consta - e sublinho consta - o Sporting será compensado no valor de 3 milhões de euros.
Esperamos esta confirmação e, decerto, também a da contratação de Marco Silva para liderar as "tropas" na próxima época.
Entre tantos projectos, creio que nem Bruno de Carvalho nem Augusto Inácio esperavam estes eventos nesta altura.
Leonardo Jardim participou num debate realizado no Centro Cultural de Moscavide e instado pelos jornalistas presentes a comentar o "caso Mónaco", o ainda treinador do Sporting optou por não responder e saiu apressadamente do local.
Não confirmou - pouco expectável mesmo sendo verdade - e não desmentiu - mais expectável não sendo verdade. O mistério adensa !
Entretanto, adianta o jornal "O Jogo" que um representante do Mónaco vai estar esta quarta-feira em Lisboa para oferecer um contrato a Leonardo Jardim por dois anos, mais um de opção.
Instado a comentar esta sexta-feira o noticiado interesse do Mónaco nos seus serviços para a próxima época, o técnico do Sporting afirmou o seguinte:
«Não tenho de fazer promessas a ninguém. Tenho contrato por mais um ano e não tenho de falar sobre esse tema. Estou a meio de um percurso, de um projecto apresentado há um ano. Estamos a meio do caminho. Essas notícias dos jogadores e treinadores não são todas verdadeiras, porque se existisse interesse tinha sido abordado. O que vejo é que no último mês o William Carvalho tinha 10 clubes atrás dele, mas ele cé só um.»
Leonardo Jardim falou bem, como aliás já nos habituou e nem seria de esperar outra coisa, dado o seu compromisso com o Sporting. Mas nem tudo deve ser interpretado à letra, a exemplo de que nenhum clube poderia legalmente falar com ele sem primeiro assegurar autorização do Sporting. Tem razão quando afirma que nem tudo o que é noticiado corresponde à realidade, embora no caso do William, sem haver algo de concreto, não existem dúvidas algumas que há interesse por parte de vários emblemas e, em princípio, esse interesse sofrerá um acréscimo, pela sua participação no Mundial do Brasil. Se ele será ou não transferido, já é uma discussão à parte e da competência exclusiva da Sporting SAD.
No que diz respeito à sua renovação contratual e sem ter qualquer informação ao meu dispor, admito essa eventualidade mas ainda não estou convencido que Leonardo Jardim aceitará comprometer-se, neste momento, por mais dois anos além de 2015. Quero crer que para chegar a esse ponto, exigirá determinadas condições, e não apenas salariais, e a Sporting SAD poderá ou não estar em posição para as satisfazer.
A renovação do vínculo contratual que neste momento liga Leonardo Jardim ao Sporting até 2015 já foi abordada pela comunicação social em diversas ocasiões, sem resposta clara, tanto por parte do treinador como do presidente do Sporting, como aliás já era de esperar. Com a classificação final do campeonato já definida e atingido o objectivo primordial do Sporting - o apuramento directo para a fase de grupos da Liga dos Campeões - é de admitir que os principais intervenientes já estejam a conversar essa importante disposição.
Tudo o que poderemos aqui adiantar neste momento não passa de mera conjectura, dado que pouco ou nada se conhece sobre as condições de emprego do técnico madeirense. O próprio chegou a afirmar que não veio para o Sporting por dinheiro, e quero crer que ninguém duvida da sua palavra. Dito isto, passado o primeiro ano e com amplas provas dadas, será somente lógico raciocinar que para um vínculo mais longo - porventura até 2017 - a vertente salarial, prémios por objectivos e outros incentivos do género estarão sobre a mesa. O jornal "O Jogo" noticia que foi proposto um salário de 35 mil euros por mês, metade do que Leonardo Jardim recebia do Olympiakos, mas desconhece-se o fundamento desta informação.
O futuro de um treinador de futebol é sempre muito incerto, porque tudo, ou quase tudo, depende dos resultados, e estes são por natureza relativos e mutáveis. Assumindo que a eventual prorrogação exigirá um maior esforço financeiro por parte do Sporting, a questão que nos confronta nesta altura é se o Clube pode ou deve assumir esse hipotético mais exigente compromisso. Por outro lado, também desconhecemos as ambições pessoais de Leonardo Jardim e não será totalmente descabido admitir que ele poderá ter voos mais altos em vista, com benefícios materiais, e outros, que simplesmente não estão ao alcance do Sporting, e preferirá não se comprometer por um período tão longo.
Acredito, por fazer sentido, que uma decisão será anunciada antes das férias do Verão e que essa constará de um acordo entre as partes. Neste momento, tendo em conta a soma das circunstâncias mais pertinentes, não vislumbro um outro cenário que seja mais promissor para o Sporting.
Leonardo Jardim realizou esta quinta-feira a usual conferência de antevisão ao próximo jogo e não deixa de ser curioso - ou talvez não - que o interesse da comunicação social recaia mais sobre assuntos laterais do que em saber a preparação do Sporting para o embate com o Paços de Ferreira.
Vejamos, então, o leque de temas com que o técnico do Sporting foi confrontado e que, pela sua sensatez, não comentou:
1. A decisão tomada pelo Conselho de Justiça da FPF que afasta o Sporting definitivamente ds meias-finais da Taça da Liga, a que Leonardo Jardim respondeu simplesmente "decide quem pode decidir".
2. A troca de "farpas" entre Bruno de Carvalho e o Benfica, que levou Jorge Jesus a afirmar que o clube da Luz é "quem melhor joga em Portugal" e que enquanto o Benfica está na Holanda a jogar, "os outros ficam em casa a ver-nos". O treinador limitou-se a responder que não tem por hábito entrar nessas "guerras" nem comentar declarações quer sejam do Sporting ou do exterior.
3. O alegado diferendo entre a Câmara Municipal de Arouca que pode levar o jogo com o Benfica para Aveiro. Respondeu o treinador: "Se a Liga permitiu quem sou eu para opinar". Outro, no lugar dele, poderia ter expresso surpresa por o jogo não ter sido transferido para o Algarve (recorde-se Estoril).
4. Foi noticiado esta semana que o Sporting pretende contratar Ricardo Horta (V. Setúbal) e Paulo Oliveira (V. Guimarães) para a próxima época, a que Leonardo Jardim replicou que não fala "sobre atletas que não fazem parte do plantel do Sporting".
Leonardo Jardim, durante o Fórum do Treinador de Futebol/Futsal, na Maia, comenta o actual estado desportivo do Sporting e o seu desempenho como técnico da equipa principal:
«O Sporting é o clube dos três grandes que mais jogadores da formação utiliza e o plantel, neste momento, está valorizado cinco vezes mais em relação ao início da época. É mais fácil comprar um produto acabado do que potenciar jovens valores. Na primeira fase da época tive de avaliar jogadores que estavam emprestados, como William Carvalho e Diogo Salomão. Depois foi necessário construir uma equipa com identidade, potenciar os jogadores e, felizmente, o plantel está a valorizar-se com o trabalho desenvolvido.
Neste momento a minha função é a de mecânico de manutenção, ou seja, devo focar-me apenas nos pormenores que possam retirar rendimento à equipa. Se o Sporting perder alguns dos seus jogadores terá de procurar substitutos dentro ou fora, formá-los e potenciá-los. Isto é como um automóvel: pode estar a andar bem mas precisa de fazer a manutenção.»
Será possível, porventura, analisar o trabalho do treinador do Sporting sob uma lupa crítica e apontar um ou outro detalhe que não satisfará totalmente. No entanto, é completamente impossível uma mente minimamente sensata não reconhecer a elevada qualidade da obra que tem vindo a desenvolver esta época, especialmente tendo em consideração o estado da equipa após o "desastre" do ano passado. Há aqueles, como é o meu caso, que gostariam de ver a equipa jogar em um sistema táctico que não apenas o 4x3x3, por razões que já aqui escrevi em diversas ocasiões. Há outros, que o acusam de ser excessivamente cauteloso e que terá sido essa sua postura que ajudará a explicar os empates sofridos com equipas perfeitamente ao alcance, especialmente a jogar em Alvalade, arbitragens à parte. E há ainda quem não aprecie inteiramente a sua preferência por determinados jogadores, considerados como menos-valias, em detrimento de outros, em princípio, superiores. Seja como for, a responsabilidade não é dos treinadores de bancada, mas sim dele, e só final da época e após a determinação das metas realizadas, é que será possível e justo levar a cabo uma apreciação sobre a soma do seu trabalho. Não hesito em adiantar-lhe alguma crítica quando entendo que há causa para criticar, mas não deixo de reconhecer que é missão impossível um treinador de futebol, ou de qualquer outra modalidade desportiva, agradar a todos, sempre.
Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo de sábado com o Marítimo, o treinador do Sporting teceu algumas considerações sobre o momento da equipa e do campeonato.
Admite vir a convocar Shikabala que, segundo ele, tem vindo a melhorar com a sua integração no futebol do Sporting, mas que ainda não é um dado certo. Pela expectativa inicial em torno da da chegada do jogador egípcio a Alvalade, a sua subsequente lesão na estreia pela equipa B e a sua aparente falta de ritmo competitivo, parece ser agora mais sensato não acelerar o processo de modo a que o jogador possa começar a jogar nas melhores condições para fazer valer a sua mais-valia como futebolista.
André Martins, por lesão muscular, está definitivamente fora das opções para este jogo. Indica que tanto Magrão como Carlos Mané são alternativas viáveis para a posição. Quero crer que não obstante algumas preocupações com o jogo defensivo de Mané, é por de mais evidente que o jovem é a solução ideal para o jogo interior do Sporting. Aliás, sempre insisti que a sua posição natural não é de extremo, embora ainda tenha algumas dúvidas se ele é o mais indicado para a posição 10, algo que não existe na equipa neste momento. De qualquer modo, existem várias opções válidas para as alas e a escolher entre Magrão e Mané, não há grande causa para hesitação.
Leonardo Jardim não esconde o seu entusiasmo pela performance em jogos recentes de Slimani, deixando clara a ideis de que o avançado argelino vai continuar a ocupar a ponta da lança ofensiva do Sporting, relegando Fredy Montero para um papel mais secundário. Pelas afirmações do técnico, também é possível depreender que a utilização mais regular de Diego Capel está directamente ligada à maior tendência para o jogo aéreo de Slimani. Diz o técnico que o extremo espanhol está num melhor momento de forma e que o seu tipo de jogo é o ideal para esse fim. Compreende-se a ideia, mas é discutível se a maior utilização de Capel só agora se evidenciou pelas razões citadas, não obstante as opções do treinador de há umas semanas a esta parte.
Por fim, não deixou passar em branco o actual "tiroteio" entre o Sporting e os seus rivais, nomeadamente o FC Porto, declarando que tanto a equipa técnica como os jogadores, mesmo não estando totalmente alheios aos acontecimentos públicos, estão totalmente concentrados no seu trabalho do dia a dia e não no que ocorre fora das quatro linhas. Esperamos que ssim seja, sendo óbvio que esta série de "ruídos" laterais não beneficia a equipa nesta tão crucial derradeira fase da época.
Pela primeira vez em 2014, e em muitos meses aliás, visitei o meu velho espaço da blogosfera, não para o ler, mas à procura de um nosso amigo que me preocupa pelo seu estado de saúde - o Senhor Fernando Albuquerque - que é há muito meu assíduo leitor nos dois espaços e que há umas semanas deixou de aparecer com os seus comentários. Infelizmente, também não o encontrei no outro espaço. Agradeço que alguém que seja nosso leitor e que porventura o conheça, nos dê algumas informações.
De qualquer modo, no processo de levar a cabo a minha "investigação", deparei com um comentário que me impressionou, pela sua exactidão nos pontos essenciais ao que concerne Leonardo Jardim, e que entendi merecer publicação no Camarote Leonino. Diz o leitor identificado como JPT:
«O Nosso Treinador superou as expectativas que todos tínhamos, e que nos era legítimo ter depois do desastre do ano passado. Superou-as (como escreveu o Mané no e-mail que nos mandou) de forma BRUTAL. Mas muita coisa mudou, para lá da entrada de um novo treinador. Uma coisa é treinar o Sporting dos Bancos e dos Betos (que, graças a Deus, estão em casa a torcer-se pelo visitante), outra é trabalhar no Nosso Sporting (nosso, dos Sportinguistas que não se calam e ocupam bancadas do Minho ao Algarve). O 7.º lugar do ano passado era uma inevitabilidade cósmica, tal era o mau Karma da C (não vou usar o termo corrente, em nome da desejada pacificação do nosso clube) que nos dirigia e não vale a pena usá-lo como bitola do nosso futuro. Por isso mesmo, o facto de o Nosso Treinador ter construído uma equipa e acrescentando enorme valor ao nosso plantel não nos deve impedir de constatar que ele não quer (ou não consegue) libertar-se de cautelas mais próprias de um treinador do Chaves (que foi, e brilhante) e de um treinador do Olympiakos (que deixou de ser , por isso mesmo). Todos (os que já vimos e vivemos e aproveitámos para aprender) sabíamos que ia jogar o Magrão (mas não devia), que não ia jogar o Capel (mas devia), que o Martins ia penar na posição 10, sem conseguir apoiar o Slimani (que ia andar, por ali, desamparado entre 8 bracarenses), e que - a certa altura - o nosso treinador ia ter de mudar tudo e íamos (se Deus quisesse) marcar e ganhar. E tudo aconteceu com previmos. Se nós, meros mortais, não remunerados para treinar, previmos isto (limitando-nos a usar a experiência dos últimos três meses de futebol leonino e o calo nos glúteos de anos na bancada) é injusto exigirmos o mesmo de um homem sério e sabedor como o Mister Leonardo Jardim ? Isso faz de nós más pessoas e maus Sportinguistas ? SL!.»
Leonardo Jardim participou na usual conferência de antevisão a um jogo da Liga, neste caso ao embate de sábado frente ao SC Braga. Adiantou algumas considerações sobre o estado da equipa, em geral, e sobre o adversário, em particular:
«Dentro da nossa estrutura temos um verdadeiro ponta de lança, que é Slimani, e dois jogadores que fazem essa posição, que são Wilson Eduardo e Carlos Mané. Os três jogadores têm características diferentes, mas neste jogo a minha aposta vai ser no Slimani, por aquilo que tem feito merece a oportunidade. Temos de fornecer um jogo mais aéreo, porque é essa a característica que o define e para mim essa é a sua maior qualidade.»
Compreende-se perfeitamente esta escolha do treinador, dado que Slimani merece mesmo a oportunidade. Dito isto, não creio que o avançado vá demonstrar o tipo de eficácia que a já nos habituou quando salta do banco, porque não lhe reconheço as características para jogar no clássico 4x3x3. Para contrariar esta tese, terão os extremos e também os laterais de executar cruzamentos de qualidade para a área e nesses termos Slimani poderá ser letal.
Também me agradou o facto de ele ter feito referência ao Wilson Eduardo como alternativa para o eixo do ataque, uma vez que há longo que insisto que ele não é extremo, mas sim um falso ponta de lança. O seu primeiro instinto é quase sempre rematar e só depois cruzar, e isto leva que frequentemente hesite mentalmente acabando por não fazer nem uma coisa nem a outra nas condições desejadas.
«O mercado fecha amanhã e até outro jogador do Sporting pode sair. Capel é um jogador importante na estrutura. Temos um grupo equilibrado e o facto de alguns jogadores jogarem mais ou menos não reflecte a importância deles na equipa. O Sporting precisa de todos e no momento certo vai precisar de empenho deles até ao fim da época.»
A referência ao mercado deve ser ao da Rússia, que eu até pensava que já tinha fechado no início da semana mas, segundo ele, só fecha amanhã. Aqui Leonardo Jardim falou um pouco para "inglês ver", já que não levo a sério que ele considere Diego Capel "um jogador importante". Se assim fosse, nos olhos do treinador, não teria apenas 855 minutos de jogo na I Liga - equivalente a 9,5 jogos, 9 como titular e 7 como suplente -, já não é titular desde o jogo com o Arouca da 16.ª jornada e nos últimos dois jogos nem do banco saiu. Há muito que é óbvio que a SAD prefere transferi-o e, pelas palavras do treinador, essa hipótese ainda está sobre a mesa. A referência a "outro" jogador também a poder sair, será, decerto, em relação a Welder ou Magrão, isto pura conjectura minha.
«Este tipo de notícias não são do carácter desportivo e o pai do Mané está fora do pais há dois anos. Não acredito que Mané fique afectado, porque ele vive na Academia, isto depois de ter ultrapassado muitos obstáculos durante o seu crescimento. Ele é um jovem sério, profissional e um exemplo para os restantes jogadores da Academia. Acho que uma notícia deste género não vai criar instabilidade junto dele.»
A notícia em questão é sobre a indecorosa manchete do pasquim dos Cofinas, o Correio da Manhã, que maliciosamente refere o jogador por o ausente pai ter problemas com a justiça. Não hajam dúvidas que isto foi feito deliberadamente para destabilizar o jogador e, por consequência, o Sporting. O treinador fez muitíssimo bem ao vir a sublinhar a conduta exemplar do jovem Mané e, de certo modo, dar-lhe apoio. Isto poderá não criar instabilidade, como diz Leonardo Jardim, mas o que "não mata dói". Em geral, o Sporting nunca pode contar com a simpatia de nenhum diário desportivo em Portugal, mas todos os sportinguistas deviam fazer boicote ao acima referido pasquim e ao seu "irmão", o Record, dirigido pelo manhoso Manha.
Pela vertente técnica, o treinador adiantou uma apreciação muito certeira sobre Carlos Mané, referindo que com ele a apoiar o avançado a equipa fica mais ofensiva, mas em termos de pressão mais fragilizada. Com ele no corredor, como é habitual, temos mais pressão e equilíbrio. Talvez que esta última opção seja a mais equilibrada, ou até um mal menor, dado que o maior rendimento ofensivo do jovem é no interior e não no corredor, onde o espaço de manobra é reduzido. Acho que em determinados jogos perante determinados adversários, o técnico deveria dar mais ênfase à vertente ofensiva e maior liberdade aos criativos da equipa. Algo semelhante acontece com André Carrillo, embora este tenha mais características de extremo.
«Conheço Jorge Paixão há alguns anos, porque ele tem percorrido algumas das divisões baixas no futebol e já nos econtrámos no campeonato. É um treinador experiente, mas não acredito que vão existir muitas mudanças, porque ele chegou há três ou quatro dias. Agora, vamos encontrar um Braga extremamente motivado para tentar rectificar o que tem feito no campeonato.»
Como bem sabemos, estas "chicotadas" com treinadores é uma "faca de dois gumes", mas concordo com Leonardo Jardim quando diz que o SC Braga vai aparecer muito motivado, com os jogadores a quererem impressionar o novo treinador.
Por fim, o treinador revelou que a tão esperada estreia de Shikabala ainda não vai ser para agora, dado que o jogador egípcio anda a treinar condicionado fora do grupo e só para a semana é que deverá integrar os trabalhos do plantel.
Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo da 19.ª jornada da I Liga, frente ao Olhanense, e ainda na "ressaca" do desaire exibicional da equipa leonina na Luz, Leonardo Jardim teceu algumas considerações relevantes para a recuperação imediata da equipa.
Começou por considerar que a mensagem do presidente no Facebook não foi uma reprimenda, mas sim uma expressão de insatisfação pelo ocorrido. Decerto que terá sido confrontado por um jornalista com esta questão, mas deveria ser desnecessário o treinador vir a explicar e/ou a justificar os actos do presidente. Com isto em mente, a sua análise da contenda é perfeitamente compreensível, visando união interna, sobretudo, quero crer.
Não hesita em sublinhar que a exibição no "derby" foi um dos piores jogos da época para os seus jogadores, que eles reconhecem isso sem a necessidade de alguém lhes dar uma qualquer reprimenda nesse sentido. Acredita, contudo, que os seus pupilos vão dar uma boa resposta já no próximo jogo frente ao Olhanense. Nada a apontar sobre estas considerações, em contrário, até porque a confiança tem que começar com ele e daí ser transmitida aos atletas.
Questionado sobre a opção por Heldon no jogo da Luz, o técnico explicou que as suas decisões são baseadas no rendimento dos jogadores e não no seu tempo de casa. Aponta, com toda a lógica, que a competitividade interna é importante para os jogadores se valorizarem e quanto maior competitividade, mais intensidade e qualidade. Relativamente à sua utilização de jogadores, como qualquer outro treinador em qualquer outra equipa, sujeita-se à opinião crítica vinda da bancada do adepto que, quer se queira quer não, não deve ser equacionada na sua tomada de decisões. É perfeitamente natural que os outros extremos tenham sentido a opção pelo recém-chegado jogador em seu detrimento, mas isto são questões com que treinadores lidam todos os dias e, consequentemente, a responsabilidade é toda de Leonardo Jardim. Dito isto, também não é segredo algum que todos os treinadores desportivos têm as suas tendências pessoais, e um qualquer jogador que não merece a confiança de A, B ou C, é um fora-de-série para outro. Exemplos desta natureza são inúmeros no futebol e ainda ontem me lembrei disto quando verifiquei quem marcou mais dois golos pelo Tottenham. Confesso, no entanto, que gostaria de ter ouvido uma explicação mais detalhada sobre o "desaparecimento" de André Carrillo, o extremo mais criativo da equipa e, potencialmente, o mais brilhante.
Pelas palavras de Leonardo Jardim, parece que Jefferson não foi tão enorme "bluff" como se entendeu originalmente. Estava apto para jogar na Luz, caso o treinador assim entendesse, e faz parte das contas para o jogo com o Olhanense. O técnico considera que o lateral esquerdino e William Carvalho são "peças" centrais na equipa, porque além de defenderem, fazem parte essencial da construção do jogo ofensivo.
Foi também explicado que o objectivo em colocar dois avançados em campo - com Montero a jogar nas costas de Slimani - é de ter mais jogo aéreo e maior presença dentro da área. Quando só joga um, o Sporting conduzirá mais o seu jogo pelos corredores, como tem feito toda a época. O que também é perfeitamente compreensível, mas... falta o tal "10" que tanto nos tem preocupado.
Não garante que entrem dois avançados logo de início no embate de sábado, mas a sua estratégia passa por exigir mais intensidade logo no início do jogo e chegar à frente com mais qualidade para viabilizar a finalização. Tudo lógico, decerto, veremos então a execução por parte dos jogadores.
Em geral, uma conferência bem conseguida pelo técnico do Sporting, como aliás têm sido praticamente todas durante a época. Não verifiquei qualquer comentário sobre a evolução de adaptação de Shikabala, jogador que pessoalmente desejo ver em campo o mais breve possível, por mais que não seja para se poder determinar se ele terá de facto os atributos necessários para fazer a diferença nesta equipa do Sporting.
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