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Líderes tribais

Rui Gomes, em 28.03.18

 

Entre Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho há, sobretudo, uma diferença de estilo.

 

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Entre o registo sobejamente passivo-agressivo de Luís Filipe Vieira e a notória acidez desbragada de Bruno de Carvalho não há assim tantas diferenças como isso. De um lado, há um presidente que garante respeitar os rivais sem se rir apenas para os atacar logo a seguir com uma série de indiretas apontadas à jugular. Do outro, um presidente que usa as redes sociais para comparar o homólogo a um conhecido gangster com uma série de piscadelas de olho tão óbvias que correm o risco de serem confundidas com um tique nervoso.

 

A separá-los, apenas uma questão de estilo. A uni-los, a mesma opção pelo arremesso de achas para a fogueira. Nada de novo no futebol em geral e no português em particular. Os dirigentes, uns mais sonsos, outros mais dados à comédia, sempre se comportaram como líderes tribais. Há de ser também por aí que se explica que, nas franjas, haja tantos adeptos que se comportam como selvagens.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:04

 

Os melhores cruzamentos do mundo para o melhor cabeceador do mundo vão jogar o primeiro Mundial. Aos 34 anos.

 

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A verdadeira dificuldade de escolher o melhor jogador de futebol do mundo está na quantidade de alíneas abaixo dessa. O jogo parte-se em muitas tarefas e possibilidades. Não sei se Ronaldo será melhor que Messi no campo todo; só sei que nem Messi é bom no campo todo e também que, a responder a cruzamentos dentro da área, todos aceitam que Ronaldo é superior. E também que é complicado encontrar um avançado equiparável nessa habilidade específica. Acredito que nunca tenha havido.

 

Por outro lado, há muitos anos que vou registando a perfeição das elipses saídas do pé direito (sobretudo, mas não só) de Quaresma e procurando compará-las com outros talentos do género. Se ele não for o melhor do mundo a pôr a bola na cabeça dos avançados, pelo menos é garantido que se bate com qualquer um. Ou seja, Portugal possui há mais de uma década os melhores cruzamentos disponíveis no futebol actual e, talvez, o jogador que, em cento e tantos anos de jogo, mais aperfeiçoou a arte de lhes dar uso.

 

Desde que Fernando Santos recuperou Ricardo Quaresma, essa evidência confirmou-se e reconfirmou-se tantas vezes que, se o futebol precisasse de carta de condução, Scolari e Paulo Bento ficariam apeados até repetirem o exame de código e apresentarem outro atestado médico. Quando estão disponíveis dois recursos tão extremos como estes, no mínimo somos obrigados a tentar usá-los. Nenhum deles o fez realmente. No primeiro caso, culparia a ignorância e a clubite (era a doença de Scolari, por adopção); no segundo, talvez o pecado da intransigência. Se tudo correr bem, Quaresma vai fazer o primeiro Mundial. Aos 34 anos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:01

O tio da América

Rui Gomes, em 24.03.18

 

Congresso do Sporting: são incríveis as coisas que levamos a sério. Mas como o VAR em directo nos estádios há poucas.

 

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1 - O congresso "The Future of Football" trouxe a Portugal duas mãos-cheias dos maiores especialistas internacionais para fruírem dos conhecimentos e experiência do presidente do Sporting, que lhes deu (que nos deu) lições sobre todos os aspectos da modalidade. Fomos informados de que é essencial pôr os estádios a ver as imagens do VAR ao mesmo tempo que o árbitro, porque na América já se faz assim e na América já há frigoríficos, ioiós e tevês a cores.

 

Se as repetições infinitas e comentadas de lances de arbitragem funcionam tão bem nas televisões à segunda-feira à noite, porque não replicar o formato durante o próprio jogo? Porque não transformar os nossos loucos furiosos das bancadas em loucos homicidas, para ajudar o árbitro a pensar com clareza? Ou, melhor ainda, passar as imagens no ecrã gigante e deixar que sejam os espectadores a votar electronicamente? Verde é penálti (nem era preciso dizer), vermelho não, nunca. O primeiro adepto a pressionar o botão ganha o direito a vergastar o próximo sócio expulso e dois jornalistas à escolha. Cheira-me que até arranjei um candidato.

 

2 - Alguns dos internacionais mais relevantes no Euro"2016 e no pós-Europeu foram maltratados pela sorte e pelo futebol nos últimos meses. João Mário, Adrien, André Gomes, Nani e André Silva tombaram, pelo menos, um patamar desde Agosto ou talvez mais, se pensarmos na aura de campeões da Europa com que voltaram de Paris. Outros, como Rafael Guerreiro, foram desviados pelas lesões e pela táctica. Os casos são todos diferentes. Talvez alguns tenham enrijecido com a experiência, outros terão economizado energia e outros nem uma coisa, nem outra. Mas, à entrada para a última etapa antes do Mundial, há um facto incontornável: o Euro"2016 foi ganho por jogadores que fizeram muitos minutos nessa época.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:38

Silêncio que vale por mil emails

Rui Gomes, em 23.03.18

 

Tirando a polícia, ainda ninguém desmentiu o poder do Benfica.

 

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Já há meses que não é possível negar a existência de um plano, estratégia, projecto, difusão de marca (o que quiserem chamar-lhe) do Benfica para estender a sua rede de influências. Podemos ver essa ideia pelos olhos de um benfiquista, que só destrinçará o maior clube português a tirar rendimento legítimo do seu tamanho e da variedade das simpatias que colhe em todos os círculos. Ou podemos vê-la pela perspectiva dos adversários, que imaginam em cada adepto do Benfica uma potencial vantagem desonesta, seja nos tribunais, nos governos, nas grandes empresas, na Imprensa, nos escritórios de advogados ou nos conselhos de disciplina e arbitragem.

 

Em qualquer dos casos, falamos de poder e o problema de todos estes meses, já quase um ano, não está tanto no que os órgãos oficiais da área fizeram para confirmar que o Benfica tem, de facto, poder sobre eles, apesar do comportamento reiterado e até chocante do Instituto Português do Desporto e da referência despropositada do primeiro-ministro ao "clube que nos é querido". O problema está no que não se fez para deixar claro o contrário.

 

Apesar de múltiplos ataques ao Sporting e ao FC Porto, em críticas directas ou sugestões descaradas, por várias figuras com responsabilidade institucional e até em locais como a Assembleia da República, nem uma vez qualquer delas tocou o nome do Benfica ou reagiu a uma qualquer acção do Benfica. Os timings escolhidos foram sempre de maneira a que parecessem respostas a acções de FC Porto ou Sporting.

 

Podem negar, mas são factos comprováveis: houve vários episódios de ousadia, e até rebeldia, para com FC Porto e Sporting e apenas respeitáveis generalizações quando as culpas apontaram para a Luz (na Liga, por exemplo, o Benfica ganhou influência neste período, enquanto FC Porto e Sporting a perderam).

 

Dez meses de tanto silêncio revelam bem mais do que mil emails.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:44

Leão por um fio

Rui Gomes, em 22.03.18

 

As baixas leoninas no contingente à disposição de Fernando Santos dizem qualquer coisa sobre o esforço a que o Sporting tem sido sujeito.

 

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1. Jesus tem-se queixado com alguma frequência da sobrecarga de jogos a que a equipa leonina tem sido sujeita nas últimas semanas. Tratando-se de Jesus, as queixas têm sido relativizadas pela maior parte da crítica, mas os reflexos dessa sobrecarga estão agora à vista de todos.

 

Coentrão e William abandonaram o estágio da Selecção por estarem lesionados, Gelson não iniciou o treino de ontem e apenas Bruno Fernandes e Rui Patrício estão a trabalhar com Fernando Santos sem limitações. Jesus tem esticado o Sporting até ao limite e dá que pensar até onde poderia ir se não fosse esta pausa para as selecções. Da última vez, esticou Bas Dost até partir...

 

2. A propósito de Jesus, há uns dias o treinador do Sporting disse que era conhecido no mundo por ter disputado duas finais da Liga Europa. Ontem, ficou ainda mais conhecido no Brasil por ter sido o treinador que disse, a propósito de Wendel, que uma coisa é jogar no Fluminense e outra é jogar no Sporting.

 

Os brasileiros, que pelos vistos não ligam muito à Liga Europa, ainda não conheciam a tendência de Jesus para os exageros de retórica e ficaram ofendidos. Passaram o dia de ontem a ligar para cá, tentando descodificar a mensagem e nós passámos o dia a dizer que não, não era nenhuma falta de respeito, que o próprio treinador tratou de o garantir na declaração que produziu, que no máximo seria falta de diplomacia e que, na verdade, Jorge Jesus estava apenas a sublinhar a necessidade de adaptar Wendel, não apenas à intensidade do futebol português, mas também à especificidade das ideias do próprio treinador.

 

Um simples "fait-divers" que, ainda assim, levanta uma questão: será mais estranho que os brasileiros fiquem incomodados com tão pouco ou que nós conheçamos Jesus tão bem que já não fiquemos incomodados com nada?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:40

De volta à terra dos chibos

Rui Gomes, em 21.03.18

 

Arrasta-se na lama o nome de um cidadão sem o mínimo pudor. Cuidado!

 

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O ritmo alucinante e a forma deveras despudorada a que têm sido feitas denúncias anónimas relativamente ao futebol acabará por dar com os magistrados do Ministério Público em doidos, ou então dentro de algum tempo corremos o risco de nos depararmos com mais uma história de "Pedro e o Lobo". Será tanto o tempo perdido com as falácias de gente burra, de motivação própria ou induzida, que um dia poderá ser enviado para o lixo um caso sério e verdadeiro.

 

Parece-me óbvio serem as recentes denúncias sobre jogadores aliciados por terceiros parte de uma estratégia de barulho tendente a lançar a confusão e a esconder a verdadeira podridão. Tem sido pelo menos um caso por semana e a tendência será para aumentar se os visados passarem ao contra-ataque usando as mesmas armas.

 

E chegamos ao ponto dramático da questão: ou há fundo de verdade nestas histórias e tem de ir toda a gente para a choça, e a seguir fechar o futebol para refundação, ou tomar medidas para acabar com a pouca-vergonha. Pior ainda do que as queixas sem rosto dirigidas às entidades judiciais é a permanente execução pública nas redes sociais. Jogador que cometa um erro frente a um grande é posto sob suspeita, humilhado, maltratado. E tudo piora se reagir aos enxovalhos.

 

Acusar "porque sim" não pode ser uma moda. Este já foi um país de chibos cobardes, de gente sem escrúpulos nem vergonha, de vermes sem rosto. Não se pode voltar ao mesmo. Atrás do futebol podem vir coisas piores alicerçadas em mentiras, invejas ou vinganças pessoais. Quem é capaz de arrastar pela lama o nome de pessoas que nem sequer conhece é capaz de tudo.

 

Carlos Machado, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:26

Braga de Abel é topo de gama

Rui Gomes, em 20.03.18

 

Nenhuma equipa fez quinze golos em três jogos consecutivos fora de casa nas duas últimas épocas. Pelo menos.

 

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Nem o FC Porto, nem o Benfica, nem o Sporting facturaram esta época 15 golos em três jogos seguidos fora de casa. E na anterior também não. Poupei-me ao trabalho de procurar nas outras, porque o essencial estava confirmado: seria muito ingénuo, até ofensivo, ignorar o Braga nas últimas sete jornadas do campeonato, sobretudo para os lados de Alvalade, ali na berma do pódio.

 

O Sporting marcou menos nove golos até agora e nem se pode desculpar com estes 15 mais recentes, porque mesmo em casa fez menos quatro. São números muito, mas muito invulgares - tanto que nunca se tinham verificado na história do Braga - e obrigam-nos a pensar no que poderia ter sido esta Liga sem a complicação irremediável das pré-eliminatórias europeias.

 

Abel e a equipa dele arrancaram a 27 de Julho, três semanas antes do primeiro jogo oficial do Sporting, ainda estremunhados e cosidos à pressa, como tem de ser quando se costura futebol a desoras. O treinador era seminovo, porque chegara apenas uns meses antes, e metade dos jogadores eram contratações frescas. Não terá sido começar do zero, mas foi começar do zero vírgula cinco e ir tecendo uma época que não admite sugestões de casualidades quando se marca 15 vezes seguidas fora de casa.

 

O Braga ficou apenas três vezes a zero no campeonato (e quatro no total) e só em três das 20 vitórias se conformou com um golo. Ou seja, não houve ponta de tédio para os adeptos em mais de 17 jogos, sem falar numa Liga Europa que esteve muito longe de envergonhar o currículo bracarense. Tenhamos a inteligência de contar com eles para a corrida ao pódio.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:26

 

Medo e a insegurança que o médico do Bayern sentiu no treinador espanhol são a base do jogo.

 

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As entrevistas de André Gomes e as revelações (à alemão) do médico do Bayern sobre Guardiola mostram um futebol que, normalmente, não chega ao cidadão comum. Nas primeiras peças, a vergonha de sair à rua que o jogador admite e a conclusão, atingida por ele, de que pensa demasiado, soam alienígenas ao adepto, mas são bem familiares a quem anda mais perto do desporto.

 

Em Portugal, a Imprensa desportiva é meiga com os jogadores, por razões estruturais relacionadas com o acantonamento de cada jornal junto de um clube, sem abandonarem por completo a esperança de convencer os leitores dos rivais. À Imprensa espanhola não se impõem esses limites. É adepta para o bem e para o mal, sempre com um travozinho de xenofobia que piora tudo.

 

Um jornalista espanhol, que ouvimos há dias sobre as desventuras de Fábio Coentrão no Real Madrid, chamou-lhe a crítica mais exigente do mundo. Foi nas mãos desse torturador que caiu o melancólico a diesel André Gomes, um jogador demasiado específico para ser compreendido pela superficialidade do jornalista "hincha".

 

Personalidades mais poderosas também sofreram ou ficaram marcadas. Mourinho talvez seja o melhor caso de estudo. Já a descrição que Muller-Wohlfart faz de Guardiola lembra-me o treinador português a quem os adversários gostavam de revelar, na véspera, o onze que iam utilizar, por saberem que essa informação lhe rebentaria um fusível.

 

O medo e a insegurança são génese do futebol vivido; da paranoia do treinador consciente do pouco que controla ao trauma do jogador assobiado. Bem-vindos ao verdadeiro mundo da bola. Tragam o frasco dos comprimidos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:30

Jesus com a faca na Liga... Europa

Rui Gomes, em 16.03.18

 

O treinador do Sporting parece cada vez mais interessado em fazer da frente europeia uma prioridade.

 

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Jesus exagera. Acontece-lhe muitas vezes, especialmente quando o tema é ele próprio.Ontem exagerou na importância da Liga Europa. Já tinha exagerado há cerca de um mês, quando garantiu que a presença numa final da segunda competição da UEFA vale mais prestígio para um treinador que a conquista de três ou quatro campeonatos em Portugal.

 

Para não ir mais longe, não é difícil imaginar que Domingos Paciência, finalista vencido em 2011, quando orientava o Braga - que até eliminou o Benfica de Jesus nas meias-finais -, terá uma opinião ligeiramente diferente, mas lá está, as opiniões são como as cabeças: cada um tem uma e penteia-a como entende. Ainda assim, parece evidente que a de Jesus não coincide com a do Sporting, que obviamente não o contratou com a esperança de o ver repetir em Alvalade as derrotas nas finais europeias que disputou, mas sim as vitórias que lhe valeram os títulos de campeão que conquistou pelo caminho.

 

Claro que depois de dois anos sem chegar ao título e numa altura em que, mais uma vez, os leões não dependem de si próprios para o conseguir, é provável que o espaço de manobra de Jesus em Alvalade seja cada vez mais reduzido. Nessas circunstâncias, e considerando o esgotamento do mercado interno para treinadores que ganham quatro milhões de euros por ano, talvez seja mesmo do interesse do clube a exposição tão prolongada quanto possível de Jesus na montra europeia.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:40

Antifutebol

Rui Gomes, em 14.03.18

 

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No antijogo, só há culpados. É ali que descobrimos a careca a todos os treinadores, dos resultadistas aos moralistas, passando pelos melosos do futebol espetáculo, e pelos anjos dos jogadores. O ex-árbitro Duarte Gomes entende que os apitos estão de mãos atadas. Por mim, acho evidente que podiam esforçar-se bastante mais, mas não insisto. Só digo que não é um mero problema menor, nem irresolúvel. E que escusamos de olhar para a FIFA, porque lá fora o antijogo é uma constipação. Aqui é uma pneumonia terminal.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:26

Deontologia ?

Rui Gomes, em 11.03.18

 

Os últimos acontecimentos, envolvendo responsáveis do SL Benfica lembram Isaac Newton: "O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano".

 

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A época em curso tem sido pródiga em exacerbadas declarações, expressões e denúncias várias de comportamentos nada edificantes, confirmando como o futebol é, pode dizer-se, espaço manifestamente dominado por ambiente de emotividade e conflitualidade, algo que deveria constituir estímulo ao exercício quotidiano da tolerância e da disponibilidade para aceitar limiares particularmente qualificados de risco permitido e de sacrifício socialmente adequados ao bem mais precioso que todos podemos almejar, mas, invariavelmente, onde mais somos atingidos, sobretudo os que prezam a ética e a conduta dentro de parâmetros exigíveis e que a respeitem: a honra.

 

Para justificar diatribes eivadas de manifesto desrespeito pelo próximo, há quem invoque e se esconda atrás da liberdade de expressão, buscando justificação para expressões mais ou menos enérgicas, veementes, vibrantes, consoante a natureza do assunto e o temperamento emocional de quem as subscreve, porém, se e quando confrontados com o exercício de um sentido ético e deontológico afecto à preservação de actividade de implantação universal, constata-se quão desrespeitadores são daqueles princípios aqueles que mais prosaicamente os evocam. Uma investigação etimológica demonstra-nos que a palavra deontologia deriva do grego deontos (dever) e logos (tratado, ciência ou estudo). Assim, podemos identificar a deontologia, "tout court", como a ciência dos deveres.

 

Com efeito, um apropriado comportamento deontológico é de fundamental relevância para oferecer princípios e noções capazes de informar e enformar conduta moral e eticamente aceitável, digna de todos quantos, no mundo do futebol, pugnam pela sua afirmação. Apesar de melhor ou pior competência, os árbitros serão sempre os menos desrespeitadores. Os últimos acontecimentos, envolvendo responsáveis do SL Benfica, são disso exemplo e lembram Isaac Newton: "O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano" .

 

Jorge Coroado, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:51

Voz da maioria

Rui Gomes, em 09.03.18

 

A máquina de comunicação do Benfica está há dois dias a exibir os músculos.

 

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Não sei se há jornalismo desportivo. A expressão faz-me sempre pensar num porreiraço de mangas arregaçadas e fraldas de fora. Mas sei que no futebol há, pelo menos, dois jornalismos: o das maiorias e o das minorias. Um escrutina o outro. Isso significa que o jornalismo das maiorias é sujeito a um pequeno escrutínio e o das minorias a um grande escrutínio. Qualquer jornalista devia pensar bem nisto. O jornalismo do Benfica é, não sei se já ouviram, o das maiorias.

 

Aqui estou a ser simpático, porque muitos dos comentadores encartados das televisões não são jornalistas, mas antes uma espécie de humor autodepreciativo da classe. Vamos ali buscar um seccionista ao Benfica (que é um clube com falta de voz e representação) e damos-lhe o fundamental, isto é, um blazer com cotoveleiras. Mas estou a derrapar. O jornalismo do Benfica é o das maiorias.

 

Um jornalismo de maiorias consegue criar visões deturpadas do mundo - imagino que concordam - com mais facilidade do que o jornalismo das minorias. Se o fizer com a intenção e o planeamento de uma máquina de comunicação como a que o Benfica conseguiu repartir pelas televisões, é invencível, a menos que os jornalistas façam a si próprios a pergunta: com tanta gente a dizer o mesmo, não seria mais "jornalístico" experimentar outro ponto de vista?

 

Escrevo isto porque, nos dois últimos dias, o segredo de justiça é uma ficção sem valor, Paulo Gonçalves um anónimo free-lancer, a administração do Benfica uma pobre vítima formada por clones do general Ramalho Eanes e os emails que estão para trás, perdão, quais emails que estão para trás? Havia uma investigação e o suspeito, seguríssimo da inocência, procurou inocentemente saber o que tinham para ali inventado, sem pensar, na sua candura, que podia magoar os nobres benfeitores que o tiraram do relento da Circunvalação e lhe deram um tecto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:36

Abalo sísmico

Rui Gomes, em 08.03.18

 

As suspeitas em torno de Paulo Gonçalves levantadas pela operação "e-toupeira" são mais preocupantes do que qualquer email.

 

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As violações do segredo de justiça são todas iguais, mas há algumas que são mais iguais do que as outras. Aquilo que, de acordo com o comunicado emitido pela Polícia Judiciária, está em causa no caso "e-toupeira" é a corrupção de funcionários judiciais para garantir acesso a informação privilegiada sobre investigações em curso, com o objectivo de as monitorizar, antecipar e, eventualmente, condicionar.

 

Portanto, este não é mais um caso de violação do segredo de justiça através de fugas de informação mais ou menos pontuais para jornalistas. Aquilo que temos aqui é um bicho diferente e muito mais perigoso, porque a aliciação de oficiais de justiça diretamente por uma das partes interessada num determinado processo para aceder a informação sobre investigações em curso coloca em causa a própria realização da justiça.

 

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De resto, a gravidade dos crimes elencados pela PJ e a firmeza das suspeitas em que se baseou o processo refletem-se nas medidas aplicadas aos arguidos e em concreto a Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, detido para interrogatório. Se essas suspeitas se vão confirmar é algo que apenas poderemos saber mais adiante, sublinhando que também a este caso se aplica a presunção de inocência.

 

Agora mesmo, aquilo que deve ficar bem claro é que estar em posição de sabotar uma investigação do Ministério Público é mais grave do que manipular a classificação de árbitros ou a nomeação de observadores, colocando em causa não só a verdade desportiva, mas, muito acima disso, a própria aplicação da justiça. O suficiente para nos deixar, a todos e independentemente da cor clubística, verdadeiramente preocupados.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo.

 

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publicado às 12:30

FIFA: o futebol do treinador rico

Rui Gomes, em 06.03.18

 

A quarta substituição passa a ser mais um passo na direcção do jogo de tabuleiro e do açambarcamento de talentos pelos tubarões.

 

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Todos os Verões, os treinadores vão a Genebra tirar uma fotografia e conversar com a UEFA, não sei se por esta ordem ou ao contrário. Como aconteceria com um massagista ou um fiscal de linha que fossem à UEFA, os treinadores debatem, acima de tudo, coisas que lhes interessem pessoalmente. Paragens de tempo para dar instruções, substituições extra, mais suplentes.

 

Ao longo dos tempos, muitas das opiniões deles foram vencendo, migalha a migalha, sempre no mesmo sentido: o do controlo psicológico do jogo por quem o orienta a partir do banco, aproximando-o cada vez mais (perdão pelo lugar comum) da proverbial Playstation. O último episódio foi a entrada da quarta substituição nas leis do futebol, anteontem, de mãos dadas com o vídeo-árbitro.

 

Para quem se preocupa mais com o espectáculo, cada substituição ou espaço que se abre à maior intervenção do treinador no jogo devia ser um problema, porque são ataques à espontaneidade e à surpresa. Permitem a quem marca um golo tomar medidas imediatas para o defender, por exemplo. Mas também formata a acção dos treinadores e o próprio conceito do jogo. Não precisam de montar equipas ofensivas, nem defensivas, nem capazes de se gerirem autonomamente. É sempre possível dar-lhes uma volta completa a qualquer instante.

 

O pior desta quarta substituição, só permitida nos prolongamentos, nem será tanto o facto de ser mais um contributo para transformar o futebol em xadrez. O pior, num contexto em que se discute o distanciamento dos clubes ricos, é tomar uma medida que favorece, outra vez, quem tem dinheiro para comprar mais e melhores jogadores. E dar-lhes uma boa razão para continuarem a açambarcar talentos. Onde pára o Jorge Valdano?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:57

Entre o vírus e a bactéria

Rui Gomes, em 28.02.18

 

O Conselho de Arbitragem livrou-se de boa e Jesus, se calhar, também. Mas com tanta trapalhada tinha de haver vítimas.

 

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Se me mostrassem um vídeo furtivo do Conselho de Arbitragem a festejar o golo de Gelson, eu compreenderia e estenderia a minha solidariedade a Fontelas Gomes. Na semana de um FC Porto-Sporting, uma expulsão tão estapafúrdia como a de Petrovic ligada à perda de pontos da equipa do excelentíssimo senhor presidente Bruno de Carvalho seria um desafio à própria subsistência do cosmos. Mas esse erro grosseiro de arbitragem, que apesar de ser erro e de ser grosseiro não entra na jurisdição do VAR (só vermelhos directos), foi só um detalhe numa torrente de outros.

 

O jogo Sporting-Moreirense começa por um azar bíblico: calhou de aparecer um vírus em Alcochete e de escolher por vítimas logo o trio William Carvalho, Piccini e Fábio Coentrão. Sem essa informação (também sem pôr em dúvida a palavra de Jesus), aquele onze tinha o ar de ser um daqueles pontuais rasgos de economia de que o treinador do Sporting sofre, com frequência a despropósito. Não foi.

 

William quis jogar com 39 graus de febre, contou um Jesus comovido, e lá para o fim do jogo é possível que Gelson Martins estivesse perto dos 44. O cartão vermelho que o tira romanticamente do Dragão, na sexta-feira (despiu a camisola para mandar um recado ao amigo Rúben Semedo), acaba por ser a "punch line" necessária para uma noite estranha em que, pela segunda vez seguida (e quinta ou sexta esta época), o Sporting escapa de perder pontos por um cabelo. Anteontem, eram pontos que talvez descosessem de vez o campeonato.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:16

A desgovernação da Liga

Rui Gomes, em 24.02.18

 

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O movimento G15, que faria pleno sentido em qualquer outra altura dos últimos vinte anos, talvez deva reflectir na séria possibilidade de servir apenas como outro foco de desestabilização num cenário saturado deles. Já saíram de lá algumas ideias amadoras, que depois caíram por simples imposição do bom senso, mas nenhuma como a desta semana.

 

A não ser que a dita proposta esteja mal explicada (e isso também seria um problema), o projecto de impor um conselho de presidentes que seja "a base da governação" da Liga, ao género "mandamos todos", está para lá do erro. É uma espécie de desmentido da história da humanidade e das organizações. Não acredito que tantos gestores reunidos numa sala (e alguns bons) engendrem uma coisa destas por boa-fé.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:25

Grandes descontos

Rui Gomes, em 21.02.18

 

Não é a primeira vez que fica a sensação de que os grandes têm direito a descontos maiores do que os outros.

 

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José Sá, adjunto de Pepa no Tondela, disse com alguma graça na flash interview após o jogo de ontem que só estava ali porque o Sporting já tinha marcado, caso contrário ainda estariam a jogar. Um exagero, claro, que traduz acima de tudo a frustração por uma derrota sofrida aos 90+8' de um jogo para o qual João Capela tinha previsto quatro minutos de descontos.

 

Um desfecho cruel para uma equipa que, durante uma parte significativa do jogo, cumpriu a promessa feita por Pepa na véspera de enfrentar o Sporting de "uma forma titânica", mas que em boa verdade começou a jogar com o cronómetro demasiado cedo, desaparecendo do meio-campo ofensivo mais ou menos quando ficou em vantagem numérica por expulsão de Mathieu. E depois, a verdade é que esta não foi a primeira vez que um grande foi buscar pontos para lá do tempo de descontos inicialmente previsto, pelo que o Tondela já deveria estar avisado para a necessidade de não desmobilizar antes do último apito, especialmente frente a um Sporting que tem resolvido muitos jogos assim, no limite.

 

Para o conseguir, com menos um homem em campo, Jesus arriscou tudo, como a presença constante de Coates na área do Tondela nos últimos instantes da partida torna evidente. Claro que é mais fácil ser corajoso quando o adversário se encolhe e há Bas Dost na área. O avançado holandês, que já tinha marcado o golo do empate, foi essencial para garantir a superioridade aérea no lance decisivo e para manter os leões vivos na corrida ao título.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:01

A limpeza das matas

Rui Gomes, em 14.02.18

 

O Conselho de Arbitragem faz sempre bem quando esclarece, mas tem de lhe juntar a prevenção de incêndios.

 

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O Conselho de Arbitragem fez uma referência pública ao golo anulado ao Sporting, anteontem, por entender que foi um erro de interpretação do protocolo do VAR. O protocolo estipula que os lances podem ser analisados até ao início da jogada, e a falta de Bruno Fernandes que foi detectada pelo vídeo-árbitro aconteceu, claramente, antes disso. A explicação que me foi dada para não ter havido o mesmo esclarecimento noutros exemplos, incluindo o fora de jogo que cancelou um golo ao FC Porto no clássico com o Benfica, é que esses foram erros de análise. A instrução para que o árbitro retarde o apito, de maneira a permitir o recurso ao VAR, não consta do protocolo.

 

Percebo a distinção e também percebo que ela tenha de existir, para que o CA não passe a vida a explicar-se em público a dezoito clubes que, em princípio, partilham os mesmos direitos. Mas também há um detalhe chamado impacto e outro chamado povo. O erro do FC Porto-Benfica pesou no resultado e criou bastante mais discussão e desconfiança do que outro qualquer. Marcou o arranque do VAR. Entre a massa de portistas, adiantará pouco esta minha explicação para a conduta do Conselho de Arbitragem. Na prática, sentem o ato de efectiva transparência do CA como a prova de um duplo critério. Essa gestão do que o transeunte pensa, ou poderá pensar, também tem de ser feita, mesmo que não se pratique o exercício importante de distinguir o mau relacionamento com dirigentes do mau relacionamento com adeptos. O adepto que ganhou rancor à arbitragem vai pressionar o presidente. A isso os sapadores florestais chamam matéria combustível.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 15:53

Herói do teclado

Rui Gomes, em 06.02.18

 

O Sporting não perdeu por causa da assembleia geral, mas Bruno de Carvalho tornou a derrota maior do que devia ser. Como sempre.

 

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O Sporting perdeu porque Bruno de Carvalho teve um dos seus acessos na assembleia geral de sábado? Claro que não. Se calhar, nem sequer perdeu por Jorge Jesus ter dito na véspera, como se nada fosse, que Bas Dost e Gelson são cinquenta por cento da equipa (era, com certeza, psicologia invertida para reforçar a auto-estima dos outros cinquenta por cento). O jogador de futebol é uma criatura à margem das notícias e demasiado focado nele próprio.

 

O Sporting perdeu porque é a mesma equipa que jogou pouco no Estádio da Luz, que jogou pouco na final-four da Taça da Liga e que, na semana passada, esteve a minutos de empatar com o V. Guimarães em Alvalade. Corrijo: a mesma equipa que fez esses jogos, agora sem Gelson nem Bas Dost, e jogando com um Estoril inteligente e melhorado.

 

As neuroses de Bruno de Carvalho que contribuíram mais para esta percepção do Sporting foram as anteriores; as que confundiram uma Taça da Liga e uma vantagem folicular no campeonato com um prémio Nobel do futebol, não para a equipa, mas para ele próprio. Logo depois de Braga, partiu para uma maratona de recolha de louros, expressão que no seu caso significa sempre humilhar e rebaixar uma mão-cheia de pessoas e entidades por razões revanchistas e, em geral, fúteis. O que o Sporting constrói com esforço (e mérito) por um lado, Bruno destrói pelo outro, sem esforço algum. Será até por isso que quer cada vez mais modalidades: porque os seus impulsos destrutivos pedem cada vez mais combustível. Não é difícil olhar para o cenário da assembleia geral e perceber como era fácil ter a maioria daqueles "sportingados" do lado do presidente. Bastava um pouco de boa educação. E índole.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:05

Cultura de exigência

Rui Gomes, em 30.01.18

 

Os sportinguistas estão mais exigentes. Bruno de Carvalho devia ficar orgulhoso em vez de irritado.

 

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Será certamente uma questão de ponto de vista, mas talvez Bruno de Carvalho pudesse considerar a hipótese de que está enganado. Bem sei que não é fácil, mas talvez pudesse admitir que o facto de haver adeptos do Sporting que não ficam saciados com a conquista da Taça da Liga ou que exigem que a equipa jogue melhor é, ao contrário do que supõe o presidente leonino, uma forma de puxar a equipa para cima, em vez de a atirar abaixo como afirmou ontem. Um bom sinal, no fundo. De resto, um bom sinal pelo qual merece ser responsabilizado.

 

Os adeptos do Sporting estão mais exigentes, não se satisfazem com migalhas e, em vez de os criticar, talvez o presidente dos leões fizesse melhor em incentivar essa cultura de exigência. A contratação de um treinador como Jorge Jesus, o investimento ímpar no futebol português que essa aposta significou, bem como o suporte que lhe foi dado com as sucessivas investidas no mercado de transferências para o reforço do plantel, aliados ao próprio discurso presidencial, criaram expectativas nos adeptos que a Taça da Liga obviamente não satisfaz. O que não significa que exista um único sportinguista aborrecido por ganhar.

 

Como me disse uma vez um treinador do FC Porto que haveria de levar o clube à conquista de vários títulos, a Taça de Liga é como o número zero: sozinha não vale grande coisa, mas ao lado de um campeonato ou de um título europeu, multiplica-lhe o valor de forma exponencial. É isso que adeptos mais exigentes do Sporting querem. Bruno de Carvalho também. No fundo, como quase tudo nos dias que correm, é só um problema de comunicação.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:47

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