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No total, entre SC Braga e Sporting CP, Rúben Amorim leva 16 jogos na Liga NOS: ainda não perdeu, empatou 3 vezes e venceu por 13 ocasiões. Mas convenceu muito raramente, apesar dos resultados notáveis Num vídeo produzido pelo SC Braga, aquando da chegada de Rúben Amorim, o então técnico dos minhotos referiu, em jeito de apresentação, que “a ideia é que se consiga entender o que o SC Braga vai fazer, mas não seja fácil de parar”.

A frase é deveras simples, mas levanta uma questão altamente relevante que está na base da construção de uma ideia de jogo com bola e que, acredito, divide os treinadores em dois grupos: ou se pretende o nosso futebol ofensivo o mais ordenado possível, rigoroso nos posicionamentos e capaz de espelhar com perfeição os automatismos que trabalhamos nos treinos ou se, por outro lado, pretendemos gerar constantes problemas diferentes ao adversário dentro da nossa organização de jogo, para desafiar os equilíbrios que nos vão procurar impor.

No fundo, ou padronizamos, ou, como referiu Vítor Pereira, procuramos que o jogo seja menos de régua e esquadro, menos dos treinadores, mas mais dos jogadores.

Não acreditando em fórmulas corretas ou incorretas, porque o futebol já se encarregou de nos mostrar que se ganha e alcança o sucesso de diversas formas, e percebendo que Rúben Amorim pretende com esta frase dizer que quer conferir organização à sua equipa e tarefas bem explícitas aos seus jogadores, julgo que existe um paradoxo nesta lógica: quanto melhor se conseguir entender o que neste caso o Sporting CP quer fazer, mais facilmente o conseguirão parar.

No clube de Alvalade, Rúben Amorim tem procurado replicar praticamente tudo o que estava a criar em Braga. Do sistema colectivo aos papéis individuais em cada posição, o que se tem visto é tudo aquilo em que Amorim acredita. Um jogo mais dele do que dos jogadores, conforme diz o próprio.

“O que quero fazer é dar-lhes uma identidade, uma organização e uma forma de estar em campo em que, sim, continuamos a depender deles, mas menos. Sermos consistentes e, depois, aqueles últimos 10% pertencem ao jogador”, explica o treinador no vídeo de apresentação do SC Braga já referido.

A verdade é que, por enquanto, na Liga NOS, o registo é quase perfeito: em 16 jogos (nove no SC Braga e sete no Sporting CP), ainda não perdeu, ganhou 13 e só empatou por três vezes. Pelo meio, conquistou uma Taça da Liga na qual bateu tanto leões como dragões. Os resultados são incríveis, mas pessoalmente creio que Rúben Amorim tem vencido mais do que convencido.

E, devo dizer, tive pena que o Sporting não tenha conseguido ganhar ontem em Moreira de Cónegos porque, assim, esta publicação pode parecer influenciada pelo último empate dos leões, mas é até precisamente o oposto: apesar dos grandes resultados que Amorim tem conseguido, o seu futebol parece-me não justificar tamanha superioridade.

Nem ontem, nem quando ganhou.

Quando assim é – quando os resultados e as exibições não se justificam entre si – cria-se um problema de sustentabilidade. Mais cedo ou mais tarde, quem joga bem e perde há de começar a ganhar e quem vence sem convencer vai ter problemas. Neste momento, o Sporting CP, já sem beneficiar tanto do efeito surpresa de que o SC Braga beneficiou, é uma equipa demasiado previsível, com pouco jogo interior, refém das amarras atribuídas aos seus médios e, sem Mathieu e com Eduardo Quaresma ainda longe do seu potencial, órfã de centrais com mais capacidade na fase de construção.

Se assim é, perguntam... como é que não perde e tem ganho tantos pontos aos rivais? “Tenho tido bons jogadores, sorte nos momentos certos e gente que acredita em mim”, respondeu o próprio treinador, antes da última partida.

De facto, as pessoas tendem a desvalorizar a componente da sorte e do azar, mas Amorim tem tido muito mais da primeira do que da segunda. Foram vários os jogos em que, ainda em Braga ou já nos leões, as partidas poderiam ter terminado com resultados diferentes.

Ainda assim, é impossível não o referir, há também vários méritos claros do técnico da moda. Tem as ideias claras, e isso será sempre uma vantagem, comunica muito bem, tanto para fora como para dentro, ou não conseguiria impor as suas ideias de forma tão rápida junto dos jogadores, e é alguém profundamente positivo, que transmite confiança – e esse é um aspecto basilar em qualquer equipa.

A possibilidade de formar um plantel à sua imagem, coisa que ainda não pôde fazer nem num clube nem no outro, com uma pré-época pelo meio, irá ajudar a entender se o que vimos até agora foi somente uma ‘fase introdutória’ da ideia de jogo de Rúben Amorim e se há evoluções no modelo dos leões.

É a proverbial prova dos nove que, em conjunto com a competência do clube no mercado de transferências para apetrechar ou não o plantel de mais qualidade, ditará o sucesso na próxima temporada dos verdes e brancos.

Texto de João Almeida Rosa, em Tribuna Expresso

Nota: Não conheço este João Almeida Rosa, não sei se escreve objectivamente e livre de influências partidárias e, fundamentalmente, os seus conhecimentos de futebol, dentro e fora das quatro linhas. É um escrito interessante, com um ponto de vista algo diferente do que se tem visto no que a Rúben Amorim diz respeito, como treinador.

Subscrevo algumas das suas considerações, mas hesito em aceitar que quem vence sem convencer está destinado a ter problemas. Hoje em dia, especialmente em Portugal, há pouco futebol convincente, por conseguinte, quando se chega ao apito final, o futebol que convence é precisamente o futebol que vence, indiferente se o percurso é mais ou menos atractivo.

Neste momento, na Liga NOS, temos apenas dois clubes a disputar o título, e um deles, muito provavelmente o FC Porto, vai, em breve, sagrar-se campeão. O seu futebol justifica os resultados?

publicado às 05:19

Considerações de Vítor Oliveira

Rui Gomes, em 30.06.20

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Recém-entrevista que Vítor Oliveira concedeu a Isabela Paulo, Tribuna Expresso, que se recomenda ao leitor, pelas considerações de um treinador muito experiente - actualmente no Gil Vicente, próximo adversário do Sporting - sem necessariamente concordar com tudo.

Limitei-me a escolher três considerações que acho interessantes:

"Jogar para ganhar é mais galvanizador do que para não perder. É um futebol mais positivo, mais alegre. Viver ao longo da semana e vésperas do jogo com a ideia de ganhar dá-nos outra motivação para o treino e até para a adversidade. Jogar para não perder é um tormento e põe as pessoas velhas. E não quero ficar velho tão depressa".

- "Louvo a coragem de Ana Gomes - e nota a falta dela entre políticos. Tem razão na defesa pública de Rui Pinto. Se calhar, cometeu um crime grave, mas confirme-se o que denunciou e investigue-se quem cometeu ilegalidades. Quem duvida da veracidade dos e-mails do Benfica ?... Precisamos de uma classe política diferente!".

- "Não acredito que o Sporting lute pelo título na próxima época com estes jogadores. É impossível e é preciso mais. Agora acredito plenamente que pode fazer com estes jovens uma parte final de campeonato excelente. Não há a pressão do título e não há público nos estádios. São duas ajudas enormes e o Sporting pode tirar alguns benefícios".

A entrevista completa disponível aqui.

publicado às 15:00

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Michel Platini, ex-presidente da UEFA, deu uma entrevista ao diário francês "Le Monde" esta terça-feira. Entre os assuntos abordados, a atribuição do Campeonato do Mundo de 2022 ao Qatar e as suspeitas de corrupção que têm corrido a propósito da decisão.

Além de negar que lhe tenham pago para votar como votou, Platini garante que não sentiu pressões políticas por parte do então presidente francês, apesar de se ter encontrado com Nikolas Sarkozy e com o atual emir do Qatar no Eliseu por alturas da votação, em 2010.

Outras questões que essa competição tem suscitado referem-se à sensatez, ou não, de a realizar num país tão quente como o Qatar, e também às condições em que trabalham e vivem os operários, largamente migrantes, envolvidos na construção das instalações.

Respondendo a uma pergunta sobre se lamenta ter votado a favor do Qatar para organizar o Campeonato do Mundo, sabendo agora que só entre 2012 e 2018 terão morrido 2700 trabalhadores migrantes nas obras, Platini responde: "Quando votas, não sabes que vai haver mortos nos estaleiros. Fazes uma escolha, segundo as tuas convicções profundas. A única coisa que eu disse, foi que, se houve corrupção, temos de retirar a competição ao Qatar".

Em relação aos efeitos da pandemia no futebol, Platini é taxativo: "Nenhumas a longo prazo! Tudo o que se vai passar nos próximos anos não dependerá da Covid-19, mas da evolução dos interesses e dos desafios do futebol profissional. O sistema será cada vez mais forte. Vai retornar e acelerar-se".

Reportagem de Luís M. Faria, Tribuna Expresso

publicado às 03:00

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As claques podem fazer falta a muita gente que anda no futebol – desde logo, aos líderes das claques, aos seus funcionários e membros, aos presidentes dos clubes que se servem deste lumpemproletariado da bola para intimidar adversários internos e pôr os jogadores na linha, uma espécie de guarda pretoriana de baixo custo, cães de guarda que os próprios presidentes seguram frouxamente pela trela, deixando no ar a ameaça implícita de que se podem soltar a qualquer momento – mas as claques não fazem falta nenhuma ao futebol.

Quando alguém ousa criticar as claques – uma crítica a sério e não as picardias clubísticas disfarçadas de surtos de ética – aparece sempre um lírico, um idiota inútil, a louvar a contribuição histórica das claques para o desenvolvimento da modalidade, as coreografias asiáticas que levam tanta gente aos estádios, o apoio inexcedível em comparação com o espírito soturno dos adeptos que desanimam desde o apito inicial. Assim à distância e com esta descrição ninguém conseguiria distinguir claques de futebol de grupos de escuteiros amantes de trabalhos manuais.

Quando se vê de perto, o caso muda de figura. Porém, há quem prefira fechar os olhos.

Essa tem sido a atitude da direção do Benfica em relação às suas claques, e em particular à sua claque principal, os No Name Boys, uma confraria de bons rapazes sem existência oficial e que o clube escolheu não ver. Agora paga o preço dessa cegueira voluntária. O relativo silêncio que se seguiu ao apedrejamento do autocarro do clube – imagine-se a gritaria se tivessem sido adeptos de outro clube a cometer o ato, as reuniões que já teriam sido pedidas, os comunicados pungentes, os apelos à intervenção da ONU – demonstra até que ponto o clube está refém destes grupos recheados de indivíduos perigosos, violentos, desocupados e que canalizam para a pertença a estas seitas para-futebolísticas todas as suas frágeis noções de identidade e de valor individual e também todas as suas frustrações e raivas acumuladas.

A legalização das claques – ou “grupos organizados de adeptos”, em juridiquês assético – tem o único mérito de reconhecer a sua existência, que é um primeiro passo para acabar com elas. No fim de contas, só se pode acabar com aquilo que existe. O grande problema da atitude da direção do Benfica em relação às claques é o da auto-manietação.

Julgavam-se muito espertos, com aqueles truques do “claques? Não faço ideia do que está a falar”, e agora, quando elementos das claques apedrejam o autocarro da equipa e vandalizam as casas dos jogadores, são obrigados a ficar calados sob pena de terem de reconhecer aquilo que estrategicamente sempre negaram.

Diga-se que este tipo de cegueira selectiva não se limita às claques.

O caso de Paulo Gonçalves, o ex-assessor jurídico da SAD amigavelmente afastado do núcleo dos negócios, mas não da sua órbita, é outro exemplo da crença desta direção no poder da palavra ou das aparências. As claques não existem, o clube não tem nada que ver com o senhor Paulo Gonçalves, mesmo que este, apenas por mera casualidade, seja agora intermediário de negócios em que o clube está envolvido. E, pronto, se fingirmos que a realidade não existe, viveremos candidamente no melhor dos mundos.

Uma certa dose de cinismo é aceitável em todas as áreas da vida. Aquilo a que chamaria de “blindagem técnica e jurídica” também faz parte da vida de muitas empresas. Mas há limites para a esperteza. Dito de outra forma, aceito que alguém, dentro do Benfica, tenha achado muitíssimo inteligente a estratégia de não reconhecer as claques, mas a partir do momento em que o erro fica exposto, a única solução é a de arrepiar caminho e não se enredar ainda mais em novelos jurídicos e auto-justificativos. Ou Luís Filipe Vieira assume de uma vez que tem um problema em mãos ou o problema rebenta-lhe nas mãos, quer ele o reconheça, quer não.

A pedrada no autocarro do Benfica foi uma pedrada no charco, no pântano em que se tem tornado o futebol português. Porém, não foi uma pedrada para agitar as águas. Pelo contrário, foi como se a pedra tivesse sido expelida pelo próprio charco. É um sintoma – um de muitos – que devia forçar os responsáveis a procurar uma cura. Já se sabe que, no Futebol Clube do Porto, apesar de um ou outro desaguisado, a relação de Pinto da Costa com os Super Dragões só é ultrapassado pela de Deus Todo-Poderoso com o seu exército de anjos.

No Sporting, por razões bem conhecidas, Frederico Varandas está numa duradoura guerra de baixa intensidade com a principal claque do clube.

No Benfica, a bola está do lado do presidente. Pode aproveitar o momento para pôr a claque na ordem ou pode, uma vez mais, fechar os olhos. Se optar pela primeira, será líder. Se jogar como até aqui, será cúmplice.

Artigo da autoria de Bruno Vieira Amaral (assumido benfiquista), em Tribuna Expresso.

publicado às 04:33

A "salada" do dia

Rui Gomes, em 05.06.20

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"A salada não tinha condimentos? Não, não tinha. Mas se os produtos forem bons, a salada é boa".

Nisto das metáforas... aprecio muito uma das últimas obras do pensador popular Sérgio Conceição. O futebol sem público, diz ele, “é como uma salada sem azeite, sal e vinagre”. Sim, claro. Acho que todos concordamos. Mas a grande verdade só vem a seguir: “mas se tivermos fome temos de comer na mesma”.

É um adágio bastante pragmático e eu sou pelo pragmatismo. De facto, um estádio sem público é um estádio um bocadinho mais insosso, mas isso quer obrigatoriamente dizer que o jogo vai ser mau?... Não, felizmente o V. Guimarães - Sporting mostrou-nos que mesmo uma salada sem condimentos é bastante apetecível se a alface for fresca e crocante e o tomate saboroso. Se os produtos forem bons, o espectáculo nunca se perderá.

Lídia Paralta Gomes, crónica de jogo em Tribuna Expresso.

publicado às 12:00

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Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a SAD do FC Porto indica que a administração “deliberou solicitar a convocação de uma assembleia geral de titulares de obrigações denominadas ‘FC PORTO SAD 2017-2020’”. Foi a confirmação oficial daquilo que tinha sido já veiculado ao longo de domingo.

Por outras palavras, a SAD do clube da Invicta não tem meios para pagar já em Junho, como compete, os produtos financeiros que vendeu em 2017, num montante global de 35 milhões de euros. O objectivo de momento passa por devolver o montante apenas no próximo ano. Contudo, note-se, em 2021, a SAD azul e branca tem outro empréstimo, igualmente de 35 milhões de euros, para saldar junto de investidores.

As obrigações agora em foco foram colocadas junto de investidores, incluindo adeptos, em Junho de 2017, e que a SAD do FC Porto deveria devolver já em Junho de 2020. Só que esta assembleia geral convocada pela administração de Pinto da Costa pretende que os obrigacionistas aceitem mudar os seus “termos e condições”, em particular para promover a “alteração da data de maturidade para 9 de Junho de 2021”.

O administrador financeiro da SAD, Fernando Gomes, explicou que o objectivo inicial era fazer uma nova emissão de obrigações para substituir aquela que foi feita em 2017, mas que as condições de mercado, incertas devido à pandemia, não o permitem.

Só que, muito além de a pandemia Covid-19 ter vindo estragar os planos às sociedades anónimas desportivas, o FC Porto já tinha contas com números muito complicados. A SAD presidida por Jorge Nuno Pinto da Costa registou prejuízos de 52 milhões de euros no primeiro semestre fiscal (entre Julho e Dezembro de 2019), devido à quebra de receitas pela não qualificação para a fase de grupos na Liga dos Campeões passada.

Quando sairam as contas em Março, todo este caminho pela frente, que passa também pela renegociação de dívidas, tinha já um obstáculo por perto: o reembolso desta emissão obrigacionista, cuja devolução fica agora nas mãos dos obrigacionistas – não há ainda data para a reunião que vai tomar esta decisão.

Empurrando para 2021 o reembolso desta emissão de obrigações de 2017, a SAD do FC Porto vai fazer encontrar - se não houver mais alterações - os prazos de reembolso de duas operações do mesmo género. A emissão de obrigações feita em 2018, com os títulos a valerem 35 milhões de euros, tem prazo de devolução exactamente para Junho de 2021.

Texto assente parcialmente numa reportagem de Diogo Cavaleiro, Tribuna Expresso.

publicado às 13:03

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Não foi sem surpresa que me vi perante um escrito na Tribuna Expresso da autoria do nosso velho conhecido Nuno Saraiva, antigo director de comunicação do Sporting, pelos vistos, a propósito da recém-decisão da Mesa da Assembleia Geral.

Por ser um artigo muito extenso, limito-me a transcrever os dois parágrafos iniciais, com a restante leitura acessível aqui:

"Quem me conhece sabe que, no último ano e meio, tenho vindo a reflectir, de forma distanciada e tão desapaixonada quanto me é possível – o que é quase ficção –, sobre a realidade do Sporting Clube de Portugal.

Se me perguntarem se me arrependo de algumas das coisas que fiz enquanto director de comunicação do meu Clube, a resposta é “obviamente que sim”. Mas isso não é novidade para ninguém.

Também não é surpresa, para quem comigo partilha este amor clubístico, a angústia em que vivo pela situação que nos encontramos e pelos actuais resultados desportivos a roçar a mediocridade com que temos que conviver, semana após semana, no que ao futebol diz respeito.

Já os restantes, todos aqueles que não me conhecem e que se dedicam exclusivamente a fazer juízo de caracteres que ignoram e a comentar a espuma ínfima dos dias, vão, muito provavelmente, ficar surpreendidos com esta minha reflexão. Ou porque preferiam que eu alinhasse com a turba que, diariamente, defenestra o Presidente do Sporting por todo o lado, ou, com a outra turba, que dirá qualquer coisa do género 'Hum! A conversa deste gajo traz água no bico, só pode'”.

publicado às 03:18

21367886_8PUwG.jpegO que se está a passar no Sporting é o resultado de anos e anos em que o Clube foi ficando gradualmente refém das claques, capazes de fazer e desfazer treinadores e jogadores, mas também de impor a sua vontade e sobretudo os seus múltiplos interesses económicos aos presidentes e às administrações do clube de Alvalade.

Frederico Varandas teve a coragem de as enfrentar. E não pode ser deixado sozinho neste combate.

Os arruaceiros, que estavam muito mal habituados a mandar no Sporting e cujas benesses e prebendas subiram em exponencial com Bruno de Carvalho, não desistem.

Nas assembleias gerais insultam, apupam, gritam – e quando chega a hora das votações perdem sistematicamente por mais de 70% dos votos.

No estádio insultam o presidente e assobiam a equipa.

No Pavilhão João Rocha fazem emboscadas, agridem dirigentes e menores.

Mas já não é só o regresso do destituído Bruno de Carvalho que querem. O que lhes dói é que Frederico Varandas tenha tido a coragem de os enfrentar, de lhes cortar os benefícios excessivos de que desfrutavam e de lhes mostrar claramente que quem manda no Sporting são os sócios e a Direcção eleita em assembleia geral e não eles.

O combate é duro, duríssimo, tanto para os dirigentes do Sporting como até para as suas famílias, porque estes energúmenos não têm valores nem princípios. Querem submeter à sua vontade todos os que lhes fazem frente. Daí que peçam insistentemente a demissão de Varandas.

E é por isso que, neste momento, todos os sportinguistas que querem um Sporting limpo destas desastrosas influências têm de se unir em torno do presidente, mesmo que tenha tomado algumas decisões erradas e mesmo que a equipa principal de futebol esteja a fazer uma época muito má.

Mas não é isso o que mais importa. Neste momento, o que é decisivo é saber se o Sporting continuará a ser um clube democrático, com princípios e valores, ou se acabará por cair nas mãos de uma ralé cujo sportinguismo assenta unicamente nos muitos milhares de euros com que vinha a ser beneficiada todos os anos.

Neste ingrato combate contra as claques, Frederico Varandas está certíssimo. E só é pena que o Governo e os outros clubes grandes de Portugal não apoiem uma medida urgente para sanear o futebol português: a proibição de claques organizadas, que são um antro de desordeiros, de droga, de marginalidade e de violência.

Em Inglaterra fizeram a limpeza e o campeonato inglês tornou-se um dos mais vibrantes do Mundo. Porque é que em Portugal a mesma medida não há-de resultar?

Texto da autoria de Nicolau Santos, Tribuna Expresso.

publicado às 04:03

"Se Deus quisesse que jogássemos futebol nas nuvens, teria posto relva lá em cima". A frase do já falecido Brian Clough parece agora ganhar novo sentido, perante o que se começa a perceber ser a ligação entre o futebol e o desenvolvimento de demência. Por isso mesmo, a Federação Escocesa está a ponderar banir os cabeceamentos no futebol juvenil, revelou esta quinta-feira a BBC.

De acordo com um estudo recentemente divulgado no "The New England Journal of Medicine", em que também esteve envolvido John MacLean, o médico da Federação Escocesa, o número de mortes relacionadas com doenças neurodegenerativas é mais alto em ex-jogadores de futebol, assim como a prevalência de demência.

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A Federação escocesa pondera, assim, proibir que os(as) futebolistas com menos de 12 anos cabeceiem bolas, em treino, por prevenção, algo que também já acontece nos EUA. Na Europa, contudo, a Escócia seria o primeiro país a impor uma proibição semelhante.

"Temos de tomar algumas decisões sensatas e pragmáticas neste momento e isso tem a ver com o tentar reduzir o número de vezes que os jovens cabeceiam a bola - e mesmo nos treinos costuma haver mais cabeceamentos do que nos jogos", explicou John MacLean à BBC, assumindo que ainda não está directamente provado que sejam os cabeceamentos a prejudicar os jogadores, mas, por uma questão de "bom senso", o médico diz que não se pode "estar a à espera de provas claras" sobre o assunto.

Artigo de Tribuna Expresso

publicado às 03:16

Enquanto não se vislumbram avanços significativos na transferência do capitão leonino para o emblema inglês, vai-se falando dos contornos do negócio e das trocas que este pode envolver. Anteontem registaram-se passos em frente nesse particular uma vez que, dos quatro nomes propostos pelos Red Devils para incluir no negócio, o acordo contempla ainda a cedência temporária de um ou dois futebolistas e há um que reúne consenso em Alvalade: o internacional brasileiro Andreas Pereira, de 24 anos.

Aquando da recém-reunião que levou Frederico Varandas e Hugo Viana a Londres, onde conversaram com responsáveis dos Red Devils, o Manchester United mostrou-se desde logo disponível para incluir jogadores no acordo, uma medida que agradou aos leões. Dessa forma, para além de dinheiro fresco, poderiam ainda contar com reforços para a equipa principal.

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No entanto, os nomes entretanto apresentados (o guarda-redes Joel Pereira, de 23 anos, o defesa Marcos Rojo, de 29, o médio ofensivo Andreas Pereira, de 24, e o avançado Angel Gomes, de 19) levaram o Sporting a pedir algum tempo para pensar. Dessas cartaz, as que mais entusiasmaram o leão foram o internacional brasileiro e o velho conhecido Marcos Rojo. O regresso do argentino, no entanto, já ficou praticamente fora de hipótese, graças ao salário elevado.

Neste momento, Andreas Pereira é a solução mais forte. O jogador brasileiro terá ainda uma palavra a dizer. A favor do Sporting está o facto de uma permanência em Old Trafford poder significar menos protagonismo, uma vez que estará provavelmente tapado por Bruno Fernandes.

O negócio deverá ficar esclarecido até ao fim de semana. Ou seja, Bruno Fernandes deverá defrontar o Benfica na sexta-feira, em Alvalade, como desejava o Sporting.

Artigo de Tribuna Expresso

publicado às 03:04

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Considerações de José Peseiro sobre a sua mais recente aventura ao leme do Sporting, em entrevista à Tribuna Expresso:

O SPORTING QUE APANHOU

"Eu apanhei o vulcão na maior erupção... A maior cratera em que o Sporting esteve, eu estava lá. Estive no pior momento da história do Sporting. Quando saímos, estávamos a dois pontos do primeiro lugar e ainda em todas as competições. Fizemos uma equipa num turbilhão, numa confusão."

AS DIFERENÇAS ENTRE FC PORTO E SPORTING

"O FC Porto é, neste momento, mais organizado do que o Sporting, porque não passou pelo trauma que o Sporting passou no último ano e meio. O FC Porto tem melhor plantel, mais qualidade, mais organização, mais equipa, fruto também da qualidade do seu treinador e daquilo que ele tem dado ao FC Porto. O Sporting tem um onze de qualidade, mas, fora do onze, não tem a mesma qualidade que o FC Porto.

O clube, fruto do que se passou, não está unido. Antes do trauma, teve dois/três anos de grande nível. O Sporting tem mudado a direção técnica e os jogadores. O FC Porto também vendeu jogadores, mas contratou com qualidade. O Sporting não tem os recursos do FC Porto. Não estando na Champions, tem menos recursos."

NAKAJIMA, QUE QUERIA CONTRATAR PARA O SPORTING

"Nakajima era um dos jogadores que queríamos contratar, mas não conseguimos por ser caro. Queria para médio ofensivo, extremo de jogo interior. É um jogador que tem de ter movimento e dinâmica para desequilibrar. Mas tem capacidade de decisão e uma relação com bola muito boa."

publicado às 02:48

Liga NOS vida selvagem

Rui Gomes, em 12.12.19

21285923_RdzlC.jpegConseguimos vê-los na fotografia, a conversar uns com os outros, um deles com a bola no pé, até meio alheados do que se passa - o que é bom, na verdade. Eles chamaram-me a atenção porque, ultimamente, temos tidodias recheados de peripécias com apanha-bolas.

Primeiro foi o caso de José Mourinho, no Tottenham, a recompensar a clarividência de um deles, no jogo, na conferência pós-jogo e até no treino seguinte, onde o rapaz foi convidado a estar; e este fim de semana foi Duncan Ferguson, o treinador que ficou, interinamente, a tomar conta do Everton depois da saída de Marco Silva, que celebrou efusivamente um dos golos da equipa frente ao Chelsea com um apanha-bolas.

Ambas as situações descritas ocorreram na Premier League e isso não é, na verdade, coincidência ou sequer surpreendente: há outro campeonato no qual o futebol e tudo o que está à sua volta seja tão valorizado? Não creio (ao contráriodo que disse recentemente Jorge Jesus, do alto da sua soberba - está um homem mudado, diziam eles... então não).

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E assim chegamos aos apanha-bolas do Belenenses SAD (será que são do Belenenses SAD ou do Belenenses? Dúvidas (im)pertinentes)-FC Porto, que foram brindados com um excelente espetáculo no relvado do Jamor, não durante os 90 minutos, mas já após o apito final. Que, diga-se, não é espetáculo exclusivo às cores em questão, mas costumeiro por muitas das cores que entram num relvado em Portugal, entre comunicados, queixumes e dramatizações, com a assistência até de quem deveria promover o jogo mediaticamente, mas que não tem "juízo" para mais.

..... É assim a nossa Liga NOS. Mais vale os nossos apanha-bolas verem o United a surpreender o City, Messi a marcar como se nada fosse, Suárez a inventar soluções de predestinados, Ronaldo a continuar a somar golos, Joaquín a fazer história aos 38 anos, etc, etc, etc. Para ver esta Liga portuguesa, só mesmo como quem vê um documentário sobre a vida animal.

Texto de Mariana Cabral, em Tribuna Expresso

publicado às 03:02

O planeta dos Grupos Organizados de Adeptos

Um ponto de viragem na história, não só do Sporting, mas, sobretudo, do desporto nacional

Rui Gomes, em 27.10.19

mw-130.jpgComportamentos, por vezes, selvagens e, tantas vezes, irracionais. Em casa, estão à solta. Fora de casa, ficam em jaulas. Não são todos, mas são alguns. São demasiados. São mesmo demasiados que prejudicam os restantes que nesse grupo são incluídos e rotulados de igual forma. Grupos Organizados de Adeptos, os “GOA” ou as Claques.

Estamos todos familiarizados com estes termos, assim como estamos conscientes do que significam para além do que consta do seu mero literal significado. Na versão teórica são... “conjuntos de pessoas, filiadas ou não numa entidade desportiva, que actuam de forma concertada, nomeadamente através da utilização de símbolos comuns ou da realização de coreografias e outras iniciativas que visam apoio a clubes, associações ou sociedades desportivas, com carácter de permanência”.

Na prática, não são apenas isso. São muito mais. Por terem aquele significado “no papel”, seriam a estes grupos que a entidade desportiva concederia facilidades de utilização ou cedência de instalações, apoio técnico, financeiro ou material.

A verdade é que estes grupos já não eram só isto no passado e, seguramente, também não o são apenas desde 2009 (Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho, estabelece o Regime Jurídico da Segurança e Combate ao Racismo, à Xenofobia e à Intolerância nos Espectáculos Desportivos). São tudo aquilo, mas também, em grande parte, grupos onde emergem associações criminosas de diversa índole, cuja expressão e dimensão permanecem arredadas do conhecimento público até as práticas criminosas atentarem contra a integridade física e moral.

A verdade é que os sucessivos casos que chegam ao nosso conhecimento, mais ou menos mediáticos, não reflectem a pacífica realidade que os conceitos acima transcritos parecem descrever.

É tempo de ponderar o que fazer com a verdadeira realidade e deixar de pactuar com uma situação em que as entidades desportivas são como escudos de um leque determinado de pessoas que vivem à margem da lei e que, em excessivo número de situações, nada mais fazem pelo desporto que não seja denegrir a sua imagem.

No passado dia 20 de Outubro de 2019 foi o dia em que o Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD informaram os sócios que haviam resolvido os protocolos celebrados com a Associação Juventude Leonina e com o Directivo Ultras XXI – Associação.

O ponto final nesta relação poderá ser também um ponto de viragem na história, não só daquela entidade desportiva, mas, sobretudo, do desporto nacional. Pode constituir o mote que permita combater um problema grave que ganha contornos de enraizamento incompreensíveis, que levaram a que as entidades desportivas ficassem reféns destes grupos, ao ponto de temer confrontá-los com aquilo que nada mais são do que deveres básicos de vida em sociedade, linhas simples de civismo ou obrigações naturais de um protocolo entre duas partes.

Resta agora aguardar para saber se outras entidades desportivas têm a coragem de fazer o mesmo.

João Pedro Maltez, Tribuna Expresso

publicado às 03:19

A lebre e a 'tortuga'

Rui Gomes, em 16.10.19

21285923_RdzlC.jpegÉ uma pergunta com uma resposta algo curiosa: até antes do jogo Portugal-Luxemburgo, quem era o jogador utilizado mais vezes por Fernando Santos na Selecção?... A lógica obrigaria o leitor mais incauto a responder Cristiano Ronaldo, mas essa não seria a escolha correcta. O capitão somava então 46 jogos por Portugal, mas ainda tinha dois colegas à frente dele. Com 51 jogos, a outra resposta mais óbvia, pela posição que ocupa: Rui Patrício, claro está. Mas, com 52 presenças nos 67 jogos do seleccionador, ainda havia um outro preferido: William Carvalho.

É provável que isto surpreenda os mais distraídos, mas o médio de 27 anos raramente está fora das escolhas de Fernando Santos, seja a '6', ou, mais recentemente, a '8', tendo até demonstrado uma espécie de veia goleadora nos jogos contra Lituânia e Sérvia, quando marcou um golo em cada um deles.

William, que foi dispensado devido a uma hérnia e já não defrontou o Luxemburgo, tem sofrido ao longo da sua carreira com um preconceito que assola alguns dos jogadores de futebol que têm muito pouca vocação para o atletismo: "é lento". Ou, como escreveu um desportivo espanhol após uma das primeiras exibições de William Carvalho pelo Bétis: é uma "tortuga" ("tartaruga", bem entendido).

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Ora, não tendo, obviamente, a velocidade clássica de deslocamento de uma lebre, William compensa com o posicionamento que adopta, com a interpretação do jogo e, claro, com a qualidade de tudo aquilo que faz com a bola - e com a rapidez com o que o faz. Como disse Fernando Santos, depois do jogo frente à Lituânia: "Tenho a certeza que William tem capacidade para fazer qualquer posição, 6,8 e 10. É um jogador de grande qualidade. Parece lento mas não é, tem uma passada muito larga, recupera facilmente".

E, nisto das lebres e das tartarugas, já sabemos todos que mais vale devagar e bem, do que rápido e mal... uma história um pouco (muito) à semelhança do apuramento (quer dizer, dos apuramentos) da selecção portuguesa com Fernando Santos. A corrida pode não começar tão bem como se quer, mas à chegada são as tartarugas que festejam.

Mariana Cabral, Tribuna Expresso

publicado às 03:32

Uma cambada de malucos

Rui Gomes, em 03.10.19

21285923_RdzlC.jpegPrimeiro, uma espécie de disclaimer: eu gosto muito de Silas. Gostei quando pegou no Belenenses (que então ainda não era só SAD) e colocou a equipa a jogar um futebol predominantemente ofensivo - porque uma coisa é jogar para ganhar, outra coisa bem diferente é jogar somente para não perder; gostei quando foi entrevistado pela minha colega Alexandra Simões de Abreu e admitiu, sem problema nenhum, algo que muitos nem admitiriam em privado: Vivi numa barraca. A primeira vez que vi um chuveiro pensei que era um telefone, encostei ao ouvido e abri a água; gostei quando sempre disse o que pensava nas conferências de imprensa, não se coibindo de criticar as exibições da equipa, mesmo ganhando, ou vice-versa - uma análise lúcida à produção em campo e não ao resultado, que falta a muito boa gente em Portugal; e, por fim, gostei de ouvi-lo quando chegou ao Sporting.

No relvado de Alvalade, na sexta-feira, ou na Academia de Alcochete, no domingo, Silas foi o que sempre costuma ser: confiante, sincero, desarmante. Ou, como o próprio disse: "Eu sou o mais maluco de todos".

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Se Bruno Lage foi uma lufada de ar fresco quando assumiu o Benfica, Silas já é o mesmo no Sporting. Mas convém ressalvar, para os mais distraídos, que exigir novidades - e resultados - apenas com uma mão cheia de treinos efectuados, isso sim, é que é coisa de malucos.

Como seriam, por exemplo, estas outras vincadas maluqueiras: insultar os árbitros todas as semanas; adeptos do mesmo clube à porrada na bancada; um presidente a apertar o pescoço de um adepto; continuar a haver jogos às 21h30 da noite; uma Liga subitamente parada por 30 dias; ou um treinador ter de esperar uma década - dez anos - para poder ter o curso de quarto grau para treinar ao mais alto nível.

Afinal quem são os malucos?

Mariana Cabral, Tribuna Expresso

publicado às 06:49

21367886_8PUwG.jpegFrederico Varandas fez o que tinha de fazer: deu um safanão na estrutura de futebol do Sporting, despediu o treinador, manteve Bruno Fernandes, resolveu vários dossiês pendentes, aliviou e muito a tesouraria do Clube e contratou três jogadores (embora por empréstimo) que visa reforçar o sector atacante da equipa. Quanto aos reforços, logo se verá. Mas no essencial o presidente retomou as rédeas do futebol do Clube, retirou argumentos aos críticos e deu passos no sentido certo para ter de novo os sócios com a equipa. Falta no entanto um ponto decisivo: a escolha do novo treinador. E aí Varandas não pode dar um novo passo em falso.

E dar um novo passo em falso é ir buscar treinadores que ninguém conhece à II Divisão espanhola ou outro estrangeiro qualquer sem curriculum que só treinou equipas do meio da tabela nos seus países e que a única coisa que lhes era pedido era que a equipa não descesse de divisão. Não é de um treinador com este perfil que o Sporting necessita.

Para já, a escolha de Leonel Pontes como técnico interino justifica-se plenamente. Pontes conhece muito bem o clube, é sportinguista, foi adjunto de Paulo Bento durante doze temporadas, já teve várias experiências no estrangeiro e está a ter um desempenho notável à frente da equipa dos sub-23 (cinco jogos, cinco vitórias, 23 golos marcados), podendo levar um ou mais destes jovens com talento para a equipa principal.

Não vejo pois, no plano interno, quem melhor possa agora assumir o cargo de treinador da equipa principal do clube. E convém lembrar (embora a história não se repita mas…) que quando o Sporting foi campeão pela mão de Inácio, este também substituiu um treinador estrangeiro no início da época.

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Dito isto, será Leonel Pontes o técnico ideal para o Sporting? Não, desde que haja melhor alternativa. E neste momento a única alternativa verdadeiramente válida que teria enorme impacto nacional e internacional seria a contratação de José Mourinho para liderar a equipa principal de futebol do Sporting. Dirão: não há dinheiro para contratar Mourinho. Tem de haver. E além de dinheiro terá de haver argumentos.

Mourinho está há quase um ano sem treinar. A sua última experiência no Manchester United deixou-o numa situação difícil. O conflito com os jogadores leva a que presidentes de clubes pensem duas vezes em contratá-lo. E por isso é que Mourinho não está a treinar em Inglaterra, Espanha e Itália, os campeonatos mais interessantes. Mas também não está a treinar em França ou Alemanha.

Por outras palavras, Mourinho está a desvalorizar-se como treinador e precisa de relançar a carreira. Que melhor desafio pode ter do que pegar no Sporting e levá-lo à conquista do título que lhe escapa há dezoito anos? Que melhor desafio pode ter do que conseguir para o clube um crescimento no seu prestígio nacional e internacional, que se tem vindo paulatinamente a perder nas últimas duas décadas? Afinal não foi isso que Mourinho fez quando chegou a Inglaterra para treinar o Chelsea, que não ganhava um título há 50 anos?

Mourinho voltaria a ser falado nacional e internacionalmente, o seu nome estaria de novo em cima da mesa dos grandes clubes europeus, o Sporting atrairia o olhar do mundo do futebol, os futebolistas teriam orgulho em ser treinados por ele e a nação leonina voltaria a acreditar que tudo é possível. É um jogo em que as duas partes ganhariam profundamente. Só é preciso que o dr. Varandas o convença com argumentos sólidos, estes ou outros. O dinheiro que o clube investir nessa contratação terá um elevadíssimo retorno. Tão certo como a Primavera suceder ao Inverno ou dois e dois serem quatro.

Nicolau Santos, Tribuna Expresso aqui.

publicado às 03:02

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