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Cândido Portinari, “Futebol”, 1958

Leão Zargo, em 17.06.20

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Cândido Portinari, Futebol, 1958

Óleo sobre madeira, 35,2X26,8 cm, Casa-Museu Portinari, S. Paulo, Brasil

A pintura Futebol retrata a cena de um jogo de futebol entre meninos e tem por cenário o campo de Brodowski, terra natal de Portinari. O futebol de rua, em Brodowski, apareceu nos primeiros anos do século XX, antes mesmo de se construir o campo de jogos no antigo largo da Igreja de Santo António, onde rapazes de todas as idades jogavam com bolas de meia ou de bexiga de boi. Mais tarde, como tema da arte de Portinari, que transporta as lembranças da infância para a sua obra, a cena ficaria eternizada pelo pintor.

A Casa-Museu Portinari, em Brodowski, pratica o intercâmbio com a comunidade em que se insere, valorizando manifestações da identidade, da cultura e do património brasileiro. Também, será uma forma de revalorizar a obra através de uma leitura para os dias atuais, cultivando a presença dos “meninos” e dos cidadãos na esplanada do Museu e na Praça onde este está instalado e valorizando, assim, as manifestações culturais, a identidade e o património paulista.

O “Brodowski Futebol Clube” e o “Clube Atlético Bandeirante” fazem parte da identidade cultural desportiva da cidade de S. Paulo, tendo contribuído para a formação de campeões locais, regionais e estaduais. Também as inúmeras equipas de “várzea” (futebol amador) mobilizaram, e ainda mobilizam, atletas e adeptos fiéis e abnegados (In Enciclopédia Itaú Cultural).

publicado às 12:00

Sporting 2 - União de Leiria 0 1999-00 CN 12ª jornada 27.11.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 16.06.20

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O jogo não andava nem desandava e aos 37 minutos de uma assentada o Inácio mandou sair Vinicius e Edmilson para entrarem Ayew e Hanuch. E tudo mudou. Duscher tomou conta do jogo. Defendeu e recuperou, deu equilíbrio, verticalidade e profundidade. Grande desempenho de Rui Jorge e de Beto. Nelson esteve mal. Suspiros por Schmeichel.

Acosta fez dois belíssimos golos. O primeiro devia ser de estudo obrigatório para os jovens jogadores da formação. Recepção de costas para a baliza, meia volta e a bola feita seta lá para dentro. Espectáculo. No segundo golo, Acosta com a maior calma do mundo picou sobre o guarda-redes. No final do jogo, Beto engraxou-lhe as botas. Com toda a razão.

Leões em campo: Nelson, Saber, Vidigal, Beto-capitão, Vinicius (Ayew, 37’), Delfim, Rui Jorge, Duscher, Edmilson (Hanuch, 37’), De Franceschi (Pedro Barbosa, 76’) e Acosta.  Dois belos golos de Acosta aos 49 e 59 minutos.

publicado às 12:30

Fotografia com história dentro (202)

Francisco Velasco, um sportinguista invulgar

Leão Zargo, em 14.06.20

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Francisco Velasco, falecido em 9 de Junho passado, foi um sportinguista invulgar cuja vida pareceu desenhada a golpes de audácia sempre prontos a desafiar o destino. Nascido em Goa, cresceu na cidade de Lourenço Marques (actual Maputo), onde deu as primeiras sticadas em ringues de hóquei inventados em campos de terra batida. A colecção Ídolos do Desporto (nº 31, 1958) chamou-lhe “O ‘Goês’ que chegou a campeão do Mundo”.

Começou a jogar hóquei em patins em 1948, com treze anos, e participou nos campeonatos moçambicanos com as camisolas do SNECI, Ferroviário e Sporting de Lourenço Marques. Pela Selecção Nacional foi Campeão Latino (1956 e 1957), Campeão do Mundo (1958 e 1960) e Campeão Europeu (1959), ao lado de jogadores como Vaz Guedes, Bouçós, Adrião e Moreira. Integra o grupo restrito de hoquistas com mais de cem internacionalizações. Foi treinador da Associação Portuguesa de Johannesburg, Hockey Club Monza, Sporting de Tomar e Oeiras, para além de seleccionador de Angola e do Transvaal.

Francisco Velasco foi um observador e um estudioso atento da vida e dos seus fenómenos particulares, nos quais incluiu o desporto em lugar de destaque. Considerava que o desporto e a sua evolução histórica interagem com a transformação social, económica e cultural, tendo debatido publicamente em diversas ocasiões. O seu saber teórico e prático permitiu-lhe reflectir sobre os aspectos técnicos e tácticos individuais ou colectivos e a preparação física e mental dos atletas do hóquei em patins. Sportinguista, acompanhou sempre com grande interesse e entusiasmo o nosso Clube.

Na fotografia, a Selecção Nacional que conquistou o Campeonato do Mundo de hóquei em patins disputado em Madrid em 1960. Velasco está em cima ao centro.

publicado às 14:00

Nuno Mendes, a estreia aos 17 anos

Leão Zargo, em 13.06.20

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Nuno Mendes chegou à Academia de Alcochete na época de 2011-12 para sucessivamente cumprir todos os escalões de formação. Em 2019-20 começou nos sub-19, passou aos sub-23 para, finalmente, se estrear apenas com 17 anos na equipa principal no jogo com o Paços de Ferreira em Alvalade. Normalmente joga a defesa esquerdo.

Trata-se de um defesa lateral eficaz no desarme que gosta de avançar com rapidez no terreno, aparecendo muitas vezes no último terço do terreno em situações de cruzamento ou de remate. É agressivo na disputa da bola e na progressão. Combina com qualidade com o ala (ou o extremo) do seu lado. Fez a pré-época com a equipa principal.

Nuno Mendes passou a integrar o restrito grupo de jovens leões que se estrearam com 17 anos na equipa principal do Sporting, onde já estão, entre outros, Freire, Futre, Luís Figo e Cristiano Ronaldo.

publicado às 15:00

Belenenses 0 - Sporting 1 1999-00 CN 11ª jornada 2.11.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 11.06.20

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Jogar no Restelo nunca é fácil, o Porto que o diga que o melhor que conseguiu esta época foi um empate a zero golos. Gostei do futebol do Sporting, com boa circulação de bola, empurrando o Belém lá para trás. Falhou no aproveitamento das oportunidades. Acosta na pequena área fez o golo da vitória. Merecíamos mais do que apenas um golinho.

A equipa controlou o jogo, o adversário pouco ameaçou, e Inácio só mexeu nos últimos 20 minutos. Barbosa e Hanuch para refrescar, Ayew para queimar tempo. O Porto ganhou ao Benfica, estamos agora no 3º lugar a um ponto dos portistas e a dois do Benfica. Lá em cima, portanto. Coisas do futebol, depois da derrota em Alverca pareceu que era o fim.

Equipa no Restelo: Nelson, Saber, Quiroga, Beto, Vinicius, Vidigal, Delfim, Rui Jorge, Duscher (Pedro Barbosa, 79’), Edmilson (Hanuch, 83’) e Beto Acosta (Ayew, 79’).  Golo do bravíssimo Acosta aos 33 minutos.

publicado às 11:30

A Taça Império

Leão Zargo, em 10.06.20

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A 10 de junho de 1944, na inauguração do Estádio Nacional, o Sporting, por ser o vencedor do Campeonato, e o Benfica, o vencedor da Taça de Portugal, disputaram a Taça Império. A equipa sportinguista venceu por 3-2 (1-1 no tempo regulamentar) com inteira justiça. Adaptou-se melhor à forte ventania e, com grande segurança defensiva, através do seu futebol ofensivo rectílineo manteve a defensiva benfiquista sob pressão constante.

Fernando Peyroteo fez uma grande exibição e foi o autor do primeiro golo no Jamor. Aconteceu aos 60 minutos do jogo. O avançado leonino João da Cruz, em choque com Álvaro Cardoso, teve o azar de fracturar uma costela, mas manteve-se até ao final do dérbi. Nos respectivos bancos, sentaram-se dois treinadores húngaros com nome feito: Joseph Szabó e János Biri.

Ficha de jogo:

Taça Império, 10 de Junho de 1944

Sporting 3 - Benfica 2

Arbitro - Vieira da Costa (Porto)

Sporting - João Azevedo; Álvaro Cardoso e Manuel Marques “Manecas”; Canário, Octávio Barrosa e Eliseu; Mourão, João da Cruz, Peyroteo, António Marques e Albano

Treinador - Joseph Szabó

Benfica - Martins; César Ferreira e Carvalho; Jacinto, Albino e Francisco Ferreira; Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Joaquim Teixeira e Rogério “Pipi”

Trinador - János Biri

Golos - Peyroteo (60’ e 92’), Espírito Santo (77’), Eliseu (107’) e Julinho (115’)

publicado às 16:21

Ángel Zárraga, Futbolistas en el Llano, 1922.jpg

Ángel Zárraga, Futbolistas en el Llano, 1922

 Óleo sobre tela, 80X115 cm

Ángel Zárraga Argüelles (1886-1946) foi um pintor mexicano pouco conhecido no seu país apesar do seu talento e importância na Europa, onde passou grande parte da sua vida. Fez incursões artísticas ao cubismo e ao muralismo, embora seja mais conhecido como um pintor do realismo simbólico. Foi membro fundador da organização cultural El Ateneo de la Juventud. No início da sua carreira estudou na Escuela Nacional de Bellas Artes, onde conheceu e foi amigo de Diego Ribera, e em 1904 foi para França para frequentar a École des Beaux Arts de Paris.

Durante a sua permanência em França, Ángel Zárraga deixou-se fascinar pelo futebol como forma de estudar e explorar o corpo humano em movimento. Em Futbolistas en el llano, retrata o movimento dinâmico durante um jogo de futebol, uma cena fortemente expressiva no momento crucial do golo que apenas é sugerido pela linha azul vertical à esquerda, que indica a trave da baliza e pelo lance do guarda-redes que, de punhos no ar, tenta afastar a bola. Nesta pintura, Zárraga captura toda a sequência da jogada. A rapidez do lance defensivo do guarda-redes é transmitida pela mancha da pincelada da camisola como se tratasse de uma imagem em movimento. A alegre paleta cromática de vermelho, verde, branco, rosa e azul conferem à composição a alegria de assistir a um jogo de futebol numa tarde de domingo.

publicado às 12:30

Sporting 1 - SC Campomaiorense 0 1999-00 CN 10ª jornada 6.11.1999

Diário de um título

Leão Zargo, em 09.06.20

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Cada momento de um jogo de futebol tem a particularidade de ser visto pelos espectadores pela primeira e última vez. Cada lance ou movimento dos jogadores, um remate ou uma defesa do guarda-redes, está delimitado temporariamente: desaparece no momento em que é efectuado e nunca mais voltará a ser jogado assim. Faz parte do fascínio do futebol.

É o caso do golo do Vidigal. Rui Jorge “puxou” para uma zona frontal à baliza e o médio num remate espontâneo e imparável bateu finalmente o guarda-redes. O jogo aproximava-se do fim, o desespero tinha tomado conta de quase todos, o Sporting esteve quase a sofrer um golo, o empate já era dado como certo, e de súbito houve aquele momento redentor. 

Leões em campo: Nelson, Quim Berto, Quiroga, Beto, Rui Jorge, Vidigal, Delfim (Robaina, 82’), Pedro Barbosa - capitão (Ayew, 64’), Edmilson, Acosta e De Franceschi (Iordanov, 69’).  Golo do enorme Vidigal aos 84 minutos.

publicado às 14:00

Um leão na Tapadinha

Leão Zargo, em 08.06.20

Atlético 1970-71.jpg

Joaquim Carvalho jogou no Sporting durante treze épocas (de 1958 a 1970). Foi o titular indiscutível da baliza leonina durante muito tempo, mas em 1968 o jovem Vítor Damas conquistou-lhe o lugar. Apenas Azevedo (dezoito anos) e Damas (quinze anos) alinharam mais tempo do que ele na equipa sénior sportinguista. Em 1969-70 foi Campeão Nacional por ter jogado em Matosinhos na última jornada do Campeonato, e considerou que era a altura para abandonar o futebol de competição. Mas, chegou uma proposta do Atlético e não pôde dizer que não.

O antigo guarda-redes contou ao jornalista Pedro Jorge da Cunha (site Mais Futebol, 3 de Janeiro de 2014), como é que as coisas se passaram:

«Já estava descansado em casa, convencido a reformar-me, e ligaram-me do Sporting. Dizem-me eles: “Carvalho, tens de ir para o Atlético. Nós queremos um jogador deles [Baltasar], mas o Benfica também anda atrás dele. O presidente do Atlético diz que nos vende com uma condição: ter-te na baliza.” Mesmo já não sendo do Sporting continuei a servi-lo. E fiz bem. Tive um ano maravilhoso na Tapadinha, acabámos no décimo lugar. E ainda ganhámos ao FC Porto (1-3, nas Antas).»

Na imagem, equipa do Atlético em 1970-71, com o guarda-redes Carvalho.

publicado às 15:12

Fotografia com história dentro (201)

Bastos, o “Rapagão”

Leão Zargo, em 07.06.20

Sambrazense - Sporting juniores 1965-66 Bastos.png

Os sportinguistas consideram que a formação de futebolistas faz parte do ADN do Clube. Nos anos a seguir à fundação, quando os mais jovens jogavam nas categorias inferiores, houve jogadores da “formação” que se tornariam históricos. Foi o caso de Francisco e António Stromp, Jaime Gonçalves, Jorge Vieira, Bentes, Torres Pereira e tantos outros. Em Novembro de 1939, Alfredo Perdigão e Joseph Szabo criaram no Sporting a primeira Escola de Futebol do nosso país. A Academia de Alcochete é a sua versão contemporânea.

Vitorino Bastos pertence a esse longo escol de atletas formados no Sporting, onde entrou apenas com catorze anos. Era um defesa central de marcação, muito poderoso fisicamente, inteligente e rápido, daqueles que não complicam nem deixam os avançados adversários respirar, e foi internacional nas camadas jovens do futebol português fazendo a dupla de centrais com Humberto Coelho.

Bastos representou o Sporting durante doze temporadas, sem contar com os escalões de formação. Estreou-se na equipa principal na época de 1968-69, com dezanove anos, num jogo frente ao Atlético. Conquistou três vezes o Campeonato Nacional, três vezes a Taça de Portugal e uma Supertaça. Para além de um grande sportinguista, era um homem muito frontal, pouco dado a determinadas subtilezas, mas de trato fácil e inúmeras amizades no mundo do futebol.

A fotografia refere-se a um jogo entre o Unidos Sambrasense e o Sporting, em juvenis, na época de 1965-66. Ao centro, Bastos e um atleta algarvio disputam a bola. Trata-se de uma fotografia rara oferecida por Vítor Dias que participou neste jogo pelo Sambrasense.

publicado às 14:00

FC Porto 3 - Sporting 0 1999-00 CN 9ª jornada 30.10.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 06.06.20

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O adepto do futebol pensa que sabe tudo, que tem resposta para todas as dúvidas, afinal pouco sabe. Acontece assim uma derrota indiscutível e baralha tudo, a resposta passou a pergunta, a pergunta agora é resposta. Mas, ainda ficam duas certezas. Nem tudo são más notícias e no próximo domingo há jogo outra vez. O futebol tem uma dimensão de utopia.

Schmeichel não pôde jogar e fica uma grande lição. Lá atrás, é o general que dirige todo o seu meio campo. Com ele há uma liderança lúcida e permanente. Chega a cansar vê-lo em acção sempre a gritar ordens de comando. Como se viu nas Antas, às vezes um jogo é feito de pequenos nadas. E ganha quem controla os pequenos nadas. Espero que volte depressa.

O Sporting jogou com Nelson, Saber, Quiroga, Beto (Quim Berto, 65’), Rui Jorge, Vidigal, Duscher (Edmilson, 65’), Pedro Barbosa-capitão, Toñito (Iordanov, 35’), De Franceschi e Aiew. 

publicado às 12:31

Dinis Machado e o acaso que bateu certo

Leão Zargo, em 04.06.20

Alfredo Trindade Volta a Portugal 1933.jpg

 “Teve uma infância estranha, disse Austin. Em última análise, todas as infâncias o são, disse Mister Deluxe. (…) Zuca é aquele que queremos ser ou que julgamos que queremos ser.” (“O que diz Molero”, Dinis Machado)

Eu e muita rapaziada do Bairro Alto fomos para o Sporting. Agora já não é assim, mas antigamente o ciclismo era talvez mais popular, por causa dos relatos radiofónicos, que o próprio futebol. O Benfica tinha um ciclista que ganhava a Volta a Portugal, um ciclista cheio de força chamado José Maria Nicolau. Tinha eu para aí três anos, quatro anos, e ouvia falar: “José Maria Nicolau ganhou, com a camisola do Benfica, a Volta a Portugal em bicicleta”. No ano seguinte, um gajo do Cartaxo, que veio morar para o Bairro Alto, entrou no Lisboa Clube Rio de Janeiro (o clube do Bairro Alto). Vestiu a camisola, foi à Volta e ganhou a Volta contra o Nicolau. O Sporting foi logo buscá-lo. A miudagem do Bairro Alto passou a ter atracção pelo Sporting por causa do Alfredo Trindade. É uma das razões. O meu pai queria que eu fosse do Benfica. Mas a minha malta de rua tinha costela sportinguista.(Entrevista de Dinis Machado a Anabela Mota Ribeiro, revista Egoísta, em 2004)

“Toda essa curiosa nomenclatura, disse Mister DeLuxe, (...) tem que ver com os mitos locais? (…) Molero diz aqui, explicou Austin, que tudo se conjuga, bate certo.” (“O que diz Molero”, Dinis Machado)

Na fotografia, Alfredo Trindade vence a Volta a Portugal em 1933.

publicado às 15:47

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Yuri Pimenov, The Football Players, 1926, 36,1X42,8 cm

Galeria de Arte Estatal Boris Kustodiev, Astracã

Yuri Pimenov nasceu em Moscovo em 1903. Possuindo uma sólida formação académica, desenvolveu a carreira de pintor, artista gráfico e cenógrafo, tornando-se um dos maiores mestres da arte soviética. Pimenov foi um pintor muito reconhecido, um artista versátil e um criador imaginativo e brilhante de pintura de cavalete e de pintura decorativo-monumental. Trabalhou como gráfico ilustrador de livros e revistas e como artista de produção no cenário da cinematografia e de cartazes de filmes. Também experimentou a escultura e o design de palco em produções teatrais.

Na composição The Football Players destaca-se o extraordinário dinamismo de um lance de futebol que envolve três jogadores em campo. A atenção do grupo concentra-se no domínio individual do movimento da bola que parece saltar para fora da tela. O movimento dos corpos une-se no esforço do impulso atlético e na harmonia sincronizada da jogada. O tratamento realístico e plástico dos corpos dos atletas é sublime. As nuances cromáticas do azul e as mesclas do branco destacam-se e, simultaneamente, harmonizam-se com o azul do espaço infinito em suspenso sobre o castanho terroso do campo.

publicado às 13:30

Sporting 2 - SC Braga 0 1999-00 CN 8ª jornada 23.10.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 02.06.20

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Expectativa em Alvalade depois da derrota em Alverca. Nós, os adeptos, ora ajudamos, ora complicamos. Na verdade, há uma lógica poderosa no mundo do futebol. As nossas faculdades críticas ficam diminuídas, quando a nossa equipa vence está tudo bem, quando perde cai o Carmo e a Trindade. É o poder do envolvimento emocional que determina isso mesmo.

Choveu durante quase todo o jogo que não podíamos perder nem sequer empatar. Valeu a simplicidade de processos. A defesa de Schmeichel naquele livre na pequena área fica para memória futura. Iordanov ainda faz a diferença, seja num cruzamento, num remate inesperado ou num momento de inspiração. Hoje, abriu o livro. De Franceschi estreou-se a marcar.

Jogaram os seguintes leões: Peter Schmeichel, Saber, Quiroga, Beto, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa (Toñito, 82’), Iordanov-capitão, Beto Acosta (Aiew, 48’) e De Franceschi (Hanuch, 72’). Golos por Iordanov (51′) e De Franceschi (60’).

publicado às 12:00

Fotografia com história dentro (200)

Os “Cinco Violinos” do hóquei em patins

Leão Zargo, em 31.05.20

SCP 1976-77 Equipa Maravilha.jpg

A época de 1976-77 foi a melhor de sempre do hóquei em patins português. O Sporting venceu a Taça dos Campeões Europeus em Junho e a Selecção Nacional o Campeonato Europeu em Julho. Mas, tratou-se também da época de ouro da equipa leonina que ao triunfo nos Campeões Europeus, juntou a conquista do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal. O “cinco” titular era sempre o mesmo com a camisola das quinas ou de leão ao peito: Ramalhete, Júlio Rendeiro, Sobrinho, Chana e Livramento.

Aquela que é considerada como a mais equipa virtuosa do hóquei em patins mundial de sempre começou a ser construída quando Torcato Ferreira foi contratado em Março de 1971 e revolucionou a modalidade no Sporting. Entre 1971 e 1976, meticulosamente, o treinador teceu a teia que lhe permitiria colocar em campo a “Equipa Maravilha”, que era muito bem assessorada por jogadores suplentes de categoria, como Carmelino, Garrido, Jorge Costa e Carlos Alberto.

O momento culminante foi a vitória na Taça dos Campeões Europeus frente ao Vilanova, os campeões em título. Constitui uma página gloriosa da História do Sporting Clube de Portugal, a primeira vez que uma equipa portuguesa conquistou essa competição, até aí um feudo dos clubes espanhóis. A classe dos leões ficou bem expressa na célebre afirmação do guarda-redes Trullols: “Sofri seis golos e fiz uma das melhores exibições da minha vida.” Os sportinguistas de boa memória jamais esquecerão aqueles que fizeram juz ao lema fundador do nosso Clube.

(Este post constitui o número 200 da série intitulada “Fotografia com história dentro”, que tem a finalidade de destacar aspectos históricos do Sporting Clube de Portugal. Acontecimentos, atletas, dirigentes, jogos, títulos, modalidades e formação leonina, nomeadamente, são a matéria que pretende proporcionar conhecimento e/ou reflexão sobre o nosso Clube. A finalidade é demonstrar que a secular História leonina constitui motivo de orgulho para todos os sportinguistas. A série iniciou-se em 19 de Junho de 2016 com a fotografia da equipa que defrontou o Lusitano de VRSA na última jornada do Campeonato Nacional em 1947-48. O Sporting venceu e conquistou o título.)

publicado às 15:08

Alverca 2 - Sporting 1 1999-00 CN 7ª jornada 17.10.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 30.05.20

Alverca SCP 1999-00 2-1 CN 7ª jornada 17.10.1999.

Uma derrota muito frustrante com o Alverca. Sete jogos, três vitórias, três empates e uma derrota. O 4º lugar na classificação a sete pontos do Benfica, a três do FC Porto e a dois do Guimarães. Doze golos marcados e sete sofridos. O todo, a equipa, tem de ser mais do que a soma das suas partes. Na verdade, não existe jogo colectivo.

Saiu Materazzi, entrou Inácio, a equipa não pode desiludir repetidamente os adeptos com jogos tão medíocres. Salvou-se o jogo com o Farense e, se houver boa vontade, com o Setúbal e o Boavista. Mas, o futebol tem a qualidade extraordinária de nos fazer crer que o que foi possível no passado voltará a ser possível outra vez.

O Sporting jogou com Schmeichel, Saber, Quiroga, Vidigal, Rui Jorge, Delfim (Iordanov, 81’), Duscher, Pedro Barbosa-capitão, Hanuch (Aiew, 61’), Acosta e De Franceschi (Krpan, 45’). O golo do Sporting foi marcado por Rui Jorge (5′), os golos do Alverca por Rui Borges (62’) e Anderson Luiz (77′).

publicado às 14:45

Thomas M. M. Hemy, "A Corner Kick"

Leão Zargo, em 28.05.20

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Thomas M. M. Hemy, A Corner Kick, 1895

Óleo sobre tela, 365,7X259 cm, Stadium of Light, Sunderland

Thomas Marie Madawaska Hemy nasceu em 1852, durante uma viagem de barco com destino à Austrália, para onde a sua família emigrava. O nome Marie em referência à religião católica do seu pai e Madawaska em homenagem ao navio registado no Canadá com o nome de um rio de Ontário. Thomas Hemy viveu parte da sua vida em viagens de barco, daí a sua paixão pelo mar e as suas famosas pinturas marítimas. Regressado à Inglaterra, Thomas Hemy escolheu a foz do rio Tyne como paisagem preferida para as suas pinturas. Expôs os seus trabalhos na Royal Academy de Londres. Na fase final da sua vida refugiou-se na Ilha de Wight, onde faleceu em 1937.

O quadro A Corner Kick  representa uma das pinturas de futebol mais antigas do mundo. Foi pintado em 1895 por Thomas Hemy e mostra um pontapé de canto que acabou de ser marcado num desafio entre Sunderland e o Aston Villa. O jogo realizou-se naquele que foi o quinto campo dos Wearsiders, em Newcastle Road, no Stadium of Ligth. O Sunderland e o Aston Villa eram as duas equipas mais fortes da Liga na última década do século XIX e protagonizaram a primeira grande rivalidade do futebol inglês. O desafio terminou com um empate (4-4), que deu o título de campeão ao Sunderland.

publicado às 14:00

Sporting 2 - Boavista 0 1999-00 6ª jornada 4.10.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 26.05.20

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Noite de novidades. Quiroga e Vidigal no centro da defesa e as estreias de Hanuch, De Franceschi e Iordanov. Materazzi não aqueceu o lugar, estava escrito nas estrelas depois da eliminatória com o Viking e dos empates para o Campeonato. É melhor assim, quem espera nunca alcança. Augusto Inácio e Manolo Vidal sentaram-se no banco.

O jogo era para ganhar. Quem é resistente o acaso vai ao seu encontro. Livre directo de Delfim e golo. Foi o terceiro da contabilidade esta época. Ao cair do pano, Acosta segurou a vitória. Pelos vistos este ano não vai dar para ter um jogo tranquilo. Hanuch esforçou-se muito e De Franceschi não teve tempo para mostrar grande coisa. Para ver e rever.

Leões em campo: Schmeichel, Saber, Quiroga, Vidigal, Rui Jorge, Delfim, Duscher, Pedro Barbosa - capitão, Hanuch (De Franceschi, 75’), Acosta (Aiew, 89’) e Edmilson (Iordanov, 60’). Os golos foram marcados por Delfim (36′) e Acosta (87′).

publicado às 13:00

Fotografia com história dentro (199)

Uma Delegação do Sporting na Mina de S. Domingos

Leão Zargo, em 24.05.20

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A Mina de S. Domingos, no concelho de Mértola, é um sítio singular. Localizada na Serra de S. Domingos, numa zona de fronteira com a Espanha e o Algarve, teve destaque na Antiguidade em virtude da extracção de minérios. A sua história moderna iniciou-se em 1854 quando a empresa britânica Mason&Barry adquiriu ao consórcio espanhol La Sabina a concessão da exploração de cobre, chumbo, zinco e enxofre, que se manteve até 1966.

A Mason&Barry levou para a Mina um “mundo” até então ali desconhecido. Habitação social, escola, hospital, cineteatro, central eléctrica e caminho de ferro para o escoamento dos minérios para o porto fluvial do Pomarão. Com a empresa mineira chegou também o futebol. Os clubes mais importantes foram o Guadiana Foot-ball Club e o S. Domingos Foot-ball Club. Os jogos realizavam-se num terreno onde está o Campo Cross Brown.

O Guadiana foi fundado em 1918 por adeptos do Sporting, equipava de verde e branco e tornou-se Delegação leonina. Participou nas competições da Associação de Beja, sendo o campeão da 2ª Divisão Distrital em 1940-41. A maioria dos jogadores eram mineiros que subiam desde o fundo da mina para jogar futebol ao ar livre. O seu espírito colectivo e o trabalho perigoso revelavam-se no comportamento aguerrido dos jogadores em campo.

Em Outubro de 1942, o presidente José Barão Martins referiu numa entrevista ao Diário do Alentejo a difícil situação financeira do clube. Não havia treinador e os dirigentes é que orientavam a equipa. A diminuição do preço internacional dos minérios tinha provocado uma grave crise nas minas, houve desemprego, os mineiros chegaram a trabalhar apenas quatro dias na semana e a maior parte dos sócios deixou de pagar as quotas. As últimas notícias sobre o Guadiana datam de 1954.

Na fotografia, uma equipa do Guadiana Foot-ball Club em 12.5.1940 (foto pertencente ao Centro de Estudos da Mina de S. Domingos).

publicado às 12:15

Gil Vicente 1 - Sporting 1 1999-00 CN 5ª jornada 25.9.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 22.05.20

Gil Vicente SCP 1999-00 1-1 CN 5ª jornada 25.9.19

O terceiro empate em cinco jogos. Outra vez a primeira parte oferecida ao adversário. Um jogo para nunca esquecer e o penálti que o árbitro fez que não viu. Mas, viu bons motivos para expulsar Beto e Marcos, logo os dois centrais. A uma provocação, Beto achou normal responder à cabeçada. Marcos não dá para mais. Schmeichel pareceu mal batido.  

O futebol do Sporting é uma garrafa de vinho meia vazia. Valeu o Acosta, o Rui Jorge e o Delfim, talvez o Barbosa, o Aiew e o Toñito.  A angústia daquele jogo parecia não ter fim. A propósito de outras coisas, Mário Cesariny alertou: “Limito-me a dizer objectivamente o que penso. Chegámos ao extremo-limite do perigo”. Se houver vontade, é possível mudar.

O Sporting jogou com Schmeichel, Quim Berto, Marcos, Beto, Rui Jorge, Delfim, Duscher (Edmilson, 79’), Pedro Barbosa-capitão, Aiew, Acosta (Vidigal, 89’) e Viveros (Toñito, 45’). Golos de Fangueiro (12’) e Delfim (79’).

publicado às 13:15

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