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Fotografia com história dentro (258)

Quando um misto Benfica-Sporting foi goleado pelo Newell’s Old Boys

Leão Zargo, em 02.08.21

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Nas conversas do dia a dia costuma-se dizer que a união faz a força. Afinal, não será bem assim, ou talvez a união não constitua força suficiente em certas circunstâncias. Aconteceu no dia 31 de Janeiro de 1950 quando os dois clubes rivais de Lisboa, o Sporting e o Benfica, organizaram uma equipa mista para defrontar os argentinos do Newell’s Old Boys, em digressão pela Europa.

Inicialmente estava previsto que os argentinos jogassem contra uma selecção portuguesa, mas por alguma razão não foi possível. A equipa mista lisboeta utilizou um equipamento branco com listas encarnada, verde e azul e um emblema com as iniciais B-S-B (Benfica-Sporting-Belenenses), que foi utilizado em jogos de um combinado que incluía também o emblema de Belém.

Num Estádio do Lumiar cheio com mais de 20 mil espectadores (a imprensa argentina exagerou e falou em 75 mil), a 1ª parte foi muito disputada com oportunidades de golo para os dois lados, mas o intervalo chegou com 1-0 para os visitantes. O pior aconteceu na 2ª parte, os argentinos foram superiores e ampliaram os números para uma expressiva goleada por 5-0. No final do desafio, o público presente no Lumiar aplaudiu longamente os jogadores do Newell’s Old Boys.

Ficha de jogo:

Benfica-Sporting 0 - Newell’s Old Boys 5

Estádio do Lumiar, 31 de Janeiro de 1950

Árbitro - Reis Santos (Portugal)

Benfica-Sporting - João Azevedo (Sporting), Jacinto (Benfica), Félix (Benfica), Joaquim Fernandes (Benfica), depois Juvenal (Sporting), Canário (Sporting), Francisco Ferreira (Benfica), Jesus Correia (Sporting), depois Rosário (Benfica), Vasques (Sporting), depois Arsénio (Benfica), Julinho (Benfica), depois Armando Coelho Barros (Sporting), Travassos (Sporting) e Albano (Sporting).

Newell"s Old Boys - Chamorro, Colman, depois Cabrera, Atilio Miotti, Lombardo, depois Peloso, Juan Bautista, depois Ubaldo Faina, Puisegur, depois Roberto Martínez, Raúl Contini, Benavídez, Montalbetti, depois Mardizza, Montaño e Ortiguela.

publicado às 14:30

Para reflexão

Leão Zargo, em 31.07.21

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“Agora tenho a confiança (dos adeptos sportinguistas). E tenho uma equipa formidável, séria, trabalhadora, generosa. Ganhei as pessoas e acredito ter competência para que o Sporting vença ou demonstre que vai continuar a crescer. (…) Mudou muita coisa, mas temos de nos manter humildes e continuar a trabalhar. Sem ilusão nenhuma de que a unidade existe quando há resultados… Aí é que ela existe sempre.”

(Frederico Varandas em entrevista à revista Expresso, 30.7.2021)

Há uma coisa que todos nós sabemos: a união dos sportinguistas não se decreta. É o sinal da constante travessia, o que se sonha real e o real que se cria. Não se impõe, constrói-se, cimenta-se com “esforço, dedicação, devoção e glória”, o lema do nosso Clube. É uma teia que se tece diariamente. As palavras do presidente leonino devem-nos fazer reflectir sobre os caminhos que o Sporting pode e deve percorrer. É que é mais fácil subir uma montanha quando se vai acompanhado. Isso também nós sabemos.

publicado às 17:34

Fotografia com história dentro (257)

O Leonel Miranda do Sporting!

Leão Zargo, em 25.07.21

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Quando é pronunciado o nome de certos atletas logo o associamos a determinado clube. É o caso de Leonel Miranda que em 1964, ainda amador, ingressou na secção de ciclismo do Sporting e passou a profissional um ano depois. Era um ciclista invulgarmente completo, muito competente em diversos tipos de terrenos e de provas.

Participou em dez edições da Volta a Portugal, sempre pelos leões, tendo como melhor classificação um 3º lugar. O facto de ser um “equipeer”, nomeadamente o fiel escudeiro de Joaquim Agostinho, explica que nunca tenha conquistado a prova rainha. Mesmo assim, ainda ganhou vinte e oito etapas da Volta e foi cinco vezes “Rei da Montanha”, seis vezes Camisola Verde, três vezes vencedor do Prémio Combinado e por quatro vezes vitorioso nas Metas Volantes.

Foi ainda Campeão Nacional de Rampa em 1966 e de Velocidade em 1971, para além de ter vencido o Lisboa-Porto de 1968 e o Porto-Lisboa de 1974, entre outras grandes vitórias. Acompanhou Joaquim Agostinho na primeira equipa de Gribaldy e correu uma Volta à Suíça e uma Volta à Espanha. Participou ainda cinco vezes no Campeonato do Mundo e duas vezes na Volta ao Estado de S. Paulo, obtendo um 3º e um 5º lugar nesta prova. Em 1967, o Sporting distingui-o com o Prémio Stromp na categoria de Atleta Profissional.

Esta fotografia é muito recente e foi feita no Museu Sporting, onde Leonel Miranda é uma presença frequente. Na verdade, um leão regressa sempre ao seu território. Há como que uma duplicação, afinal trata-se de uma fotografia dentro da fotografia, o que permite uma dupla leitura do célebre ciclista leonino que segura nas mãos o nº 822 do jornal Sporting que anuncia na primeira página a conquista do Campeonato Nacional de Rampa em 1966, com a sua foto vestindo o “jersey” de Campeão Nacional. 

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (256)

O Vidigal

Leão Zargo, em 18.07.21

SCP VSC 1999-00 1-0 CN 30ª jornada 16.4.2000.jpg

Em 1999-00 o Sporting fez quase a quadratura do círculo para finalmente conseguir conquistar o desejado título de campeão nacional. Na 7ª jornada estava em 4º lugar a 7 pontos do Benfica, na 10ª em 6º lugar a 5 pontos, mudou de treinador, fez as célebres contratações de Inverno, reorganizou-se com uma linha vertical de baliza a baliza com Schmeichel, André Cruz, Vidigal, Pedro Barbosa e Beto Acosta. Com eles em campo houve comando, estabilidade, segurança, criatividade e eficácia e os leões puderam jogar alto no terreno. O Sporting podia não ter os melhores jogadores, mas tinha a melhor equipa.

Deste grupo de jogadores imprescindíveis, o de Luís Vidigal poderá ser o menos referido pelos adeptos, apesar da sua função essencial para a coesão da equipa leonina. Conseguia empolgar mesmo o adepto mais frio, fazendo recordar Oceano Cruz, o seu ídolo. Era um “artista” na função de médio defensivo, sem virtuosismos técnicos, mas a entrega ao jogo e o bom posicionamento em campo proporcionavam estabilidade e eficácia à manobra da equipa. Jogando com intensidade, mais do que agressividade, foi sempre determinante na organização e na transição, com ele no meio campo o Sporting parecia que estava a jogar em superioridade numérica.

A fotografia refere-se ao jogo Sporting 1 - Vitória de Guimarães 0, na 30ª jornada. Acosta, o “matador” de serviço, marcou aos 11 minutos, os vimaranenses pressionaram à procura do empate, e Vidigal foi grande a ajudar a segurar a vitória e manter o FC Porto à distância de dois pontos.

publicado às 14:30

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O Camarote Leonino publicou em 26 de Junho uma lista dos títulos e vitórias importantes no conjunto das modalidades leoninas em 2020-21, que entretanto ficou ultrapassada em virtude de novos sucessos posteriores a essa data. Apresentamos hoje o que pensamos ser uma listagem actualizada desta época verdadeiramente de ouro.

Na vida nada é permanente e no desporto de competição pouco é previsível, mas agora os sportinguistas anseiam por mais vitórias e títulos, sabendo que uma cultura exigente e competitiva pode tornar-se vencedora e campeã. Em algumas modalidades já se treina para a nova época que todos desejamos que seja gloriosa e inesquecível.

Vitórias em modalidades colectivas masculinas em 2020-21:

Futebol - Campeonato Nacional e Taça da Liga

Futsal - Liga Europeia, Campeonato Nacional e Taça da Liga (o Sporting conquistou na época em curso a Taça de Portugal de 2019-20)

Hóquei em patins - Liga Europeia e Campeonato Nacional

Goalball - Campeonato Europeu, Campeonato Nacional e Taça de Portugal

Basquetebol - Campeonato Nacional e Taça de Portugal (o Sporting conquistou na época em curso a Taça de Portugal de 2019-20)

Futebol de praia - Campeonato Nacional

Ténis de Mesa - Campeonato Nacional, Supertaça e Campeonato Nacional (sub 19)

Atletismo - Campeonato Nacional de Pista Coberta (seniores e sub 23), Corta Mato e Campeonato Nacional pista (juniores masculinos)

Voleibol - Taça de Portugal

Vitórias em modalidades colectivas femininas em 2020-21:

Goalball - Campeonato Europeu

Atletismo - Campeonato Nacional de Pista Coberta (seniores e sub 23), Campeonato Nacional de Pista, Corta Mato e Copa Ibérica

Râguebi - Campeonato Nacional da Divisão de Honra (XV), Supertaça (XV), Taça Ibérica (XV) e Campeonato Nacional (Sevens)

Tiro com Arco Recurvo - Campeonato Nacional

Futebol (equipa B) - Campeonato Nacional da II Divisão Feminina

Voleibol - Taça Federação

Vitórias individuais:

Judo - Jorge Fonseca campeão mundial em -100 kg em representação de Portugal

Atletismo (Campeãs da Europa em Pista Coberta) - Patrícia Mamona (triplo salto) e Auriol Dongmo‎ (peso)

Atletismo (Campeões Nacionais) - Carlos Nascimento (60 m pista coberta), Lorene Bazolo (60m pista coberta), Cátia Azevedo (400 m pista coberta), Anabela Neto (salto em altura pista coberta), Patrícia Mamona (triplo salto pista coberta), Evelise Veiga (salto em comprimento pista coberta), Marta Onofre (salto com vara pista coberta), Auriol Dongmo‎ (peso pista coberta), Carla Salomé Rocha (10 000 m e corta mato), Tiago Pereira (triplo salto) e João Vieira (20 km e 35 km marcha)

Surf - Teresa Bonvalot campeã nacional

Ténis de mesa adaptado - João Soldado campeão nacional (classe S21)

Natação - Francisco Santos 1º nos 200 metros costas no meeting do Porto, com recorde nacional e Alexis Santos 1º nos 200 metros estilos no meeting de Coimbra

Pool - Rute Saraiva 1º Open de Pool Feminino - 1ª Divisão (Lisboa/Setúbal)

Número de vitórias colectivas: 32 (na contagem não estão incluídas as conquistas em futsal e basquetebol da Taça de Portugal 2019-20).

Número de vitórias individuais: 21

publicado às 16:00

Fotografia com história dentro (255)

“João Coração de Leão”

Leão Zargo, em 11.07.21

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João Matos, “João Coração de Leão”, constitui um caso notável, talvez único, no universo desportivo sportinguista. Jogador de futsal, ingressou nas escolas do Sporting em 2001 e chegou ao plantel principal na época de 2005/06, tornando-se então numa das maiores referências da modalidade em Portugal. Pela sua maturidade e capacidade de liderança recebeu a braçadeira de capitão de João Benedito quando este terminou a carreira.

Integra por direito próprio o núcleo central da história extraordinária, dos sinais de glória e de afirmação clubista do futsal leonino. Esteve presente nas grandes conquistas na última década e meia, e, sendo o capitão de equipa, é realçada por todos a maneira como sempre transmitiu aos seus companheiros a força, coragem, combatividade e ambição imprescindíveis para alcançar o triunfo. Ficou na memória, quando na final europeia com o Barcelona, apelou à união e à resiliência questionando os companheiros se queriam ou não ser recordados no futuro como heróis e vencedores.

João Matos, desde 2005, realizou mais de 600 jogos oficiais e conquistou 29 troféus de leão ao peito:

- Duas UEFA Futsal Champions League (2018/19 e 2020/21);

- Nove Campeonatos Nacionais (2005/06, 2009/10, 2010/11, 2012/13, 2013/14, 2015/16, 2016/17, 2017/18, 2020/21);

- Oito Taças de Portugal (2005/06, 2007/08, 2010/11, 2012/13, 2015/16, 2017/18, 2018/19, 2019/20);

- Três Taças da Liga (2015/16, 2016/17, 2020/21);

- Sete Supertaças (2008, 2010, 2013, 2014, 2017, 2018, 2019).

O Sporting reconheceu o seu contributo excepcional e João Matos foi distinguido em 2010 com o Prémio Stromp na categoria Especial Europeu e em 2016 na categoria Atleta. Em 2021, recebeu a Medalha de Mérito Municipal-Grau Ouro, atribuída por unanimidade pela Câmara Municipal de Portalegre.

Na fotografia, João Matos no Museu Sporting com os 29 troféus que ajudou a conquistar.

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (254)

O leão estava uma fera (1981-82)

Leão Zargo, em 04.07.21

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Em 1981-82, o jogo em Alvalade com o Rio Ave na penúltima jornada para o Campeonato foi de festa pelo título de campeão garantido no domingo anterior no Estoril. Quando os jogadores surgiram à boca do túnel o barulho dos gritos e das buzinas tornou-se infernal. Com o Estádio completamente cheio, ao som de aplausos intermináveis, num entusiasmo indescritível, o plantel leonino entrou em campo oferecendo ramos de flores aos adeptos. No centro do terreno, fizeram-se fotografar jogadores, equipa técnica e médica e dirigentes ligados ao departamento de futebol.

Apesar do ambiente festivo, o Sporting iniciou o jogo com o “pressing” agressivo habitual. O adversário portador da bola tinha sempre dois ou até três sportinguistas por perto. “Vive como um leão, joga como um leão”, dizia constantemente Malcolm Allison. Nem o primeiro golo de Jordão aos 8 minutos, a corresponder a uma assistência perfeita de Lito, acalmou os jogadores leoninos. O angolano estava em disputa da “Bola de Prata” com o portista Jacques e não havia motivos para abrandar o ataque à baliza vila condense. No banco, Allison gritava “go forward, go forward” (“para a frente, para a frente”).

Mesmo com Oliveira ausente por se ter lesionado com o Boavista algumas jornadas antes, o Sporting dominou o jogo com Manuel Fernandes, Jordão e Lito num triângulo ofensivo de enorme eficácia suportado por um meio campo operativo e uma defesa de betão. Os leões venceram folgadamente por 7-1 e por cada golo o Estádio quase que ia abaixo com a euforia dos adeptos, já a imaginar a loucura que seria a invasão do relvado logo depois do apito final do árbitro.

Ficha de jogo:

Campeonato Nacional (29ª jornada)

Sporting 7 - Rio Ave 1

Estádio de Alvalade, 16 de Maio de 1982

Árbitro - Agostinho dos Santos (Leiria)

Sporting - Ferenc Mészáros, Virgílio, Bastos, Eurico, Barão, Marinho, Ademar, Lito, Mário Jorge, Manuel Fernandes e Rui Jordão

Treinador - Malcolm Allison

Rio Ave - Trindade, Dias, Baltemar Brito, Sérgio, Duarte, Cabumba, José Manuel, Adérito, Quim, Paquito e Álvaro Soares

Treinador - Mourinho Félix

Marcadores - Rui Jordão (8’, 25’,39’, 75’ g.p. e 85’), Manuel Fernandes (30’ e 50’) e Álvaro Soares (65’)

publicado às 14:30

O Sporting Clube de Portugal

Leão Zargo, em 01.07.21

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O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1 de Julho de 1906 com a finalidade de ser “tão grande quanto os maiores da Europa” (José Alvalade, 8 de Maio de 1906). Essa finalidade faz parte do ADN leonino desde o seu instante original. Por essa razão, o próprio José Alvalade assumiria a presidência do Clube em 1910, orientando-o no sentido do ecletismo (futebol, ténis, críquete, atletismo, ciclismo…), da criação de delegações (a primeira foi o Viana Taurino Club, de Viana do Castelo, em 1910) e da glória desportiva.

Apesar de ter sido um dos fundadores da Liga de Football Association, o Sporting não se inscreveu no Campeonato Regional de Lisboa de 1906-07. No entanto, uma equipa leonina participou em Fevereiro e em Março de 1907 num torneio organizado pelo Internacional (CIF), realizando três desafios frente ao Cruz Negra, em Alcântara. São os primeiros jogos de futebol documentados historicamente que foram disputados pelo Clube. Em Julho de 1907 foi inaugurado o campo de futebol no Sítio das Mouras, na Alameda do Lumiar, num terreno cedido pelo Visconde Alvalade.

O Campeonato de Lisboa de 1907-08 foi a primeira competição oficial em que o Sporting participou, com mais cinco clubes: Carcavelos, Sport Lisboa, Lisbon Cricket, CIF e Cruz Negra. A prova disputou-se no usual sistema de todos contra todos a duas voltas, e os leões ficaram classificados em segundo lugar, logo atrás dos invencíveis ingleses do Carcavelos. A inaugurar este Campeonato, em 1 de Dezembro de 1907, houve um Sport Lisboa 1 - Sporting 2, na Campo da Quinta Nova, em Carcavelos.

publicado às 03:04

Fotografia com história dentro (253)

San Lorenzo e Pierino Gamba no Jamor

Leão Zargo, em 27.06.21

SCP 1949-50 Sporting - San Lorenzo e Pierino Gamba

... No final dos anos 40 e na década de 1950 era muito frequente equipas argentinas realizarem digressões na Europa, disputando jogos com os principais clubes europeus. Em Janeiro de 1950, o prestigiado San Lorenzo de Almagro viajou por Portugal, Espanha e Bélgica para defrontar Sporting, Benfica, Real e Atlético de Madrid, Barcelona e Valência, para além de equipas mistas e de selecções nacionais e regionais.

A meio da época de 1949-50, os leões ainda procuravam adaptar-se à ausência inesperada de Fernando Peyroteo, que se tinha despedido do futebol em Outubro. Com alguma alternância, o treinador Alexandre Peics experimentava Mário Wilson e Joaquim “Rola”, embora o moçambicano alinhasse com maior frequência. Em Setembro, com Peyroteo na equipa, o Sporting ainda conquistou a Taça Preparação da Associação de Futebol de Lisboa, mas no Campeonato Nacional foi evidente a falta do “Bombardeiro”. Nas últimas jornadas, Jesus Correia é que jogou a avançado-centro, uma tentativa desesperada de Peics para resolver o problema.

A fotografia foi feita no Jamor em 22 de Janeiro de 1950, antes do jogo do Sporting com o San Lorenzo. Nela apresentam-se os jogadores das duas equipas, com outros elementos das respectivas comitivas, e o trio de arbitragem. No centro, em lugar de destaque, um muito jovem maestro italiano, chamado Pierino Gamba, que estava em Portugal para reger concertos da orquestra sinfónica de Lisboa. Era um menino prodígio, um talento raro, que apenas com 13 anos atraiu grandes multidões aos espectáculos musicais que dirigiu no Coliseu dos Recreios, e que deu o pontapé de saída neste jogo de futebol.

(Fotografia no Núcleo do Sporting Clube de Portugal do Seixal - Espaço Memória Albano Narciso Pereira)

publicado às 14:30

Ser adepto do Sporting nem sempre era sinal de que se recebia boas notícias. Numa fase mais recente, na última década, ainda houve uns breves intervalos onde foi possível sonhar, mas rapidamente circunstâncias desfavoráveis voltavam a ditar o que parecia ser a lei do destino. Foi um tempo em que o Clube viveu em quase permanente instabilidade autofágica.

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No conjunto das modalidades leoninas, a época de 2020-21 é verdadeiramente de ouro em virtude do sucesso obtido e constitui de facto uma das mais extraordinárias da história do Sporting. Pela dimensão do sucesso, tornou-se enorme a responsabilidade que se abateu sobre os dirigentes do Sporting.

Na vida nada é permanente e no desporto de competição pouco é previsível, mas agora as expectativas para a próxima época são muito elevadas. Os sportinguistas anseiam por mais vitórias e novos títulos, sabendo que uma cultura exigente e competitiva pode ser gloriosa e vencedora.

Vitórias em modalidades colectivas masculinas em 2020-21

Futebol - Campeonato Nacional e Taça da Liga

Futsal - Liga Europeia, Campeonato Nacional e Taça da Liga (o Sporting conquistou na época em curso a Taça de Portugal de 2019-20)

Hóquei em patins - Liga Europeia e Campeonato Nacional

Goalball - Campeonato Europeu, Campeonato Nacional e Taça de Portugal

Basquetebol - Campeonato Nacional e Taça de Portugal (o Sporting conquistou na época em curso a Taça de Portugal de 2019-20)

Futebol de praia - Campeonato Nacional

Ténis de Mesa - Campeonato Nacional, Supertaça e Campeonato Nacional (sub 19)

Atletismo - Campeonato Nacional de pista coberta (seniores e sub 23), Corta Mato e Campeonato Nacional de pista (juniores masculinos)

Tiro com Arco Recurvo - Campeonato Nacional

Voleibol - Taça de Portugal

Vitórias em modalidades colectivas femininas em 2020-21

Goalball - Campeonato Europeu

Atletismo - Campeonato Nacional de Pista Coberta (seniores e sub 23), Campeonato Nacional de Pista, Corta Mato e Copa Ibérica

Râguebi - Campeonato Nacional da Divisão de Honra (XV), Supertaça (XV), Taça Ibérica (XV) e Campeonato Nacional (Sevens)

Futebol (equipa B) - Campeonato Nacional da II Divisão Feminina

Voleibol - Taça Federação

Vitórias individuais em 2020-21

Judo - Jorge Fonseca campeão mundial em -100 kg em representação de Portugal

Atletismo - Campeãs da Europa em Pista Coberta, Auriol Dongmo‎ (peso) e Patrícia Mamona (triplo salto) 

Atletismo - Campeões Nacionais Carlos Nascimento (60 metros pista coberta), Lorene Bazolo (60 m pista coberta), Cátia Azevedo (400 m pista coberta), Anabela Neto (salto em altura pista coberta), Patrícia Mamona (triplo salto pista coberta), Evelise Veiga (salto em comprimento pista coberta), Marta Onofre (salto com vara pista coberta), Auriol Dongmo‎ (peso pista coberta), Carla Salomé Rocha (10 000 m e corta mato), Tiago Pereira (triplo salto) e João Vieira (20 km e 35 km marcha)

Surf - Teresa Bonvalot campeã nacional

Ténis de mesa adaptado - João Soldado campeão nacional (classe S21)

Natação - Francisco Santos 1º nos 200 metros costas no meeting do Porto, com recorde nacional, e Alexis Santos 1º nos 200 metros estilos no meeting de Coimbra

Pool - Rute Saraiva 1º Open de Pool Feminino - 1ª Divisão (Lisboa/Setúbal)

Número de vitórias colectivas: 32 (não estão incluídas as conquistas em basquetebol e futsal da Taça de Portugal 2019-20, apesar de terem sido disputadas esta época).

Número de vitórias individuais: 21

NOTA: Falta ainda apurar o campeão do campeonato de hóquei em patins feminino, cuja final é disputada por Sporting CP e Benfica, à melhor de três, e só terminará no dia 4 de Julho.

publicado às 02:33

Fotografia com história dentro (252)

Oliveira Martins: 25 anos como atleta de leão peito

Leão Zargo, em 20.06.21

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Eduardo de Oliveira Martins jogou futebol no Sporting entre 1926 e 1935 e era um atleta invulgarmente eclético. Com a camisola sportinguista, foi campeão nacional ou regional em futebol, andebol de 11, basquetebol e râguebi, mas também se destacou no atletismo, voleibol, esgrima, natação, polo aquático, ténis, pugilismo, luta, motociclismo acrobático e automobilismo. Terá sido a atleta leonino mais eclético de sempre.

Na época de 1926-27, apenas com 15 anos, começou a jogar na posição de avançado-centro nos infantis do Sporting e estreou-se na equipa principal num jogo com o Casa Pia para o Campeonato Regional de Lisboa disputado na Estância de Madeira em 17 de Outubro de 1926. Como Oliveira Martins nasceu em 13 de Junho de 1911, a participação nesse desafio tornou-o o jogador mais jovem a alinhar pela equipa sénior leonina. Em 26 de Maio de 1929 viveu um outro dia inesquecível, de manhã, no basquetebol, capitaneou a selecção de Lisboa que venceu a do Porto e à tarde, no futebol, marcou os três golos da vitória por 3-2 sobre o FC Porto, em partida do Campeonato de Portugal.

Nunca foi um titular indiscutível na posição de avançado-centro, apesar de ter sido sempre de grande utilidade, principalmente em 1928-29 quando foi o melhor goleador da equipa atrás de Abrantes Mendes. Mas, a contratação de Rogério de Sousa no Verão de 1929 empurrou-o para a linha média e para as reservas. Uma lesão num joelho obrigou-o a abandonar o futebol em 1935, continuou a praticar outras modalidades, completando 25 anos como atleta de leão peito, pelo que celebrou as “Bodas de Prata” sportinguistas.

Foi considerado Sócio Benemérito do Sporting Clube de Portugal Sporting na Assembleia Geral de 3 de Fevereiro de 1950.

publicado às 14:30

Uma história de sobrevivência

Leão Zargo, em 16.06.21

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Apesar de ter apenas 22 anos, Dorian Keletela já tem uma história de sobrevivência para contar. Constitui um exemplo de resiliência. Nascido no Congo, perdeu os pais em idade juvenil, viveu com familiares que foram perseguidos por razões políticas, o que o levou a pedir ajuda ao Conselho Português para os Refugiados, que seria concedido.

Com o exílio em Portugal, o passado traumático de perseguição e violência ficou para trás e Keletela pôde finalmente encarar o futuro com confiança. No Sporting desenvolveu as suas capacidades de velocista e é um dos 29 atletas integrantes da equipa olímpica de refugiados nos Jogos Olímpicos Tóquio'2020. No âmbito do Programa Viver o Desporto - Abraçar o Futuro, vai disputar a prova de 100 metros, orientado por Francis Obikwelu.

Dorian Keletela tem revelado um percurso desportivo de constante crescimento. Este ano bateu o seu recorde pessoal dos 60 m em pista coberta (6'' 79), sendo expectável que a época ao ar livre traga um novo mínimo também nos 100 m. Agora, Keletela pretende melhorar as suas capacidades de velocista e acalenta o sonho de uma qualificação olímpica no futuro.

publicado às 16:30

Fotografia com história dentro (251)

Sporting 1965-66

Leão Zargo, em 13.06.21

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A conquista pelo Sporting do Campeonato Nacional em 1965-66 constitui um caso de estudo do que resulta de uma equipa competitiva que integra atletas sportinguistas ou que “sentem” o leão ao peito. Muitos dos jogadores estiveram no Clube durante sete ou oito anos, ou até mais. Desde então, Carvalho, Pedro Gomes, Mário Lino, Alexandre Batista, José Carlos, Hilário, João Morais, Caló, Dani, Fernando Mendes, Osvaldo Silva, Lourenço, Figueiredo e Oliveira Duarte constituem, para mim, o valor referencial daquilo que deve ser o “atleta sportinguista”.

Foi o “meu” primeiro título de campeão nacional, e talvez por isso, ou por ser ainda uma criança, ficou indelével na minha memória. Depois, o Sporting teve as melhores equipas que conheci, as de 1973-74, 1981-82, 2006-07 e 2020-21, cujo fascínio nunca esquecerei, mas houve também épocas sucessivas em que tive de engolir em seco por mais outro ano frustrante. Umas vezes por causa de “campos inclinados” que nos impediram de triunfar, outras vezes por incapacidade própria, por desorganização ou incompetência. Ou porque outras equipas foram mais fortes.

Não estando “agarrado” ao passado, recordo-o apenas por uma questão de identidade e de “lição de vida”, vivo virado para o futuro, para a frente, sempre num misto de confiança e de esperança no sucesso. No entanto, quando o Sporting alcança um grande triunfo, como aconteceu esta época, decorrido o momento da emoção e do prazer da vitória, lembro-me sempre da equipa de 1965-66. A minha equipa leonina!

publicado às 14:30

Adeus ou até logo?

Leão Zargo, em 11.06.21

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A direcção leonina entendeu prescindir dos serviços de Nuno Moreira. Nascido em 1999, estava ligado ao Clube desde os oito anos de idade e joga a médio ofensivo, mas faz com facilidade as duas alas, nomeadamente a esquerda.  Na última época jogou pela equipa B, na qual somou 25 jogos e marcou seis golos, depois de nas anteriores também ter brilhado na equipa de sub-23. A oportunidade de jogar na equipa principal nunca surgiu, embora Marcel Keizer o tenha chamado para treinar com a equipa principal.

Nuno Moreira deixou uma sentida mensagem de despedida ao Sporting nas redes sociais reveladora do seu sentimento. Numa longa publicação, o jogador assume a tristeza por sair e revela satisfação por se ter empenhado em todas as circunstâncias. Finalmente, deixou ainda um agradecimento pelos catorze anos na Academia que, no seu entender, fizeram de si o homem que é hoje.

“Chegou a hora de dizer o adeus ...

Existem sentimentos que por vezes não conseguimos explicar...tristeza pela partida, mas contente por ter dado sempre tudo por este clube.

OBRIGADO meu Sporting Clube de Portugal pelos catorze anos vividos nesta grande instituição que fez de mim o Homem que sou hoje.

Este singelo agradecimento nunca irá chegar por todos os momentos inesquecíveis que me proporcionaste.
Obrigado a todas as pessoas que contribuíram a cada passo para a minha evolução. Não posso individualizar, pois todos na sua cota parte foram importantes.

Que continues a ser  o grande Clube que és e a formar jogadores de top e acima de tudo grandes Homens.

Nunca será um adeus.

#ondevaiumvãotodos #raçadeleão”

Nuno Moreira sai triste, mas de consciência tranquila e de cabeça erguida. Tem talento, carácter e personalidade. Albert Camus escreveu que “a verdadeira grandeza consiste em tentar ser grande”. Agora, é esse o objectivo do antigo jogador leonino, assinou pelo Vizela, vai procurar ser grande e, quem sabe, um dia voltar a jogar de leão ao peito. Por vezes há histórias com um final feliz!

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (250)

Manuel Fernandes, o grande “capitão”

Leão Zargo, em 06.06.21

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Manuel Fernandes, que completou ontem 70 anos, faz parte de uma restrita plêiade de grandes capitães de equipa do Sporting CP. No campo, ele parecia que jogava a um ritmo superior ao que os seus pulmões e músculos permitiam e transmitia-nos aquilo que é intrínseco ao futebol: a ilusão. A ilusão de que com ele a vitória seria possível, de que havia alguém que determinava o jogo, que não receava ter a bola e procurar o golo redentor.

No Estádio, suspendíamos a respiração quando, com o seu olhar de coragem e de orgulho, galgava metros e metros no relvado e se esgueirava dentro da grande área por entre os adversários. Ou, quando, de súbito, a bola cruzada morria-lhe no peito e ele a parava num movimento por nós já bem conhecido e, num improviso, disparava a esfera feita fera. No campo escrevia poesia.

Perante os adeptos, num jogo de futebol, Manuel Fernandes exprimia vigorosamente o sentimento leonino mais forte. Ficou inesquecível quando no final do jogo com a União de Leiria, num gesto insólito de loucura e de paixão, correu sozinho de braços abertos direito à multidão que invadira o relvado, desaparecendo no meio do entusiasmo sem limites da festa da conquista do título de campeão nacional em 1979-80.

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (249)

Figueiredo e a “Bola de Prata” 1965-66

Leão Zargo, em 30.05.21

Figueiredo Bola de Prata 1965-66 26 golos.jpg

Ernesto Figueiredo é o 10º melhor goleador da história do Sporting. Jogou de leão ao peito entre 1960 e 1970 e marcou 152 golos em 239 jogos oficiais. Era um avançado bastante combativo, oportuno, de grande eficácia em frente à baliza graças ao seu remate forte e colocado. Nessas oito épocas, no sistema 4x2x4, as suas características completaram-se com as de Diego, Fernando, Osvaldo Silva ou Lourenço que eram jogadores tecnicistas e inteligentes na movimentação na grande área, com quem fez dupla na linha avançada.

Era um avançado que nunca se intimidava nos grandes jogos. Foi decisivo na Taça dos Vencedores da Taças, em 1963-64, e normalmente estava inspirado nos dérbis frente ao Benfica. Marcou 9 golos em 20 jogos. Ganhou a alcunha de “Altafini de Cernache” porque marcou duas vezes aos encarnados um mês depois de Altafini, do Milão, ter feito o mesmo numa final da Taça dos Campeões Europeus. Foi o melhor marcador do Sporting em 1960-61, 1963-64 e 1965-66.

A época de 1965-66 foi uma das melhores da sua carreira. Conquistou o título de Campeão Nacional e marcou 26 golos no Campeonato. Apesar da generalidade da imprensa lhe ter atribuído um golo num jogo em Alvalade com o Lusitano de Évora (5-0), o jornal A Bola considerou autogolo de Vital. Na verdade, perante a força do remate do sportinguista, o guarda-redes eborense tocou na bola, mas não conseguiu impedir que entrasse na baliza. Figueiredo e Eusébio ficaram ambos com 25 golos, e o benfiquista recebeu o troféu por ter menos jogos.

Perante a injustiça do jornal, os adeptos leoninos do Minho organizaram-se e mandaram fazer uma réplica da “Bola de Prata” que entregaram a Figueiredo quando o Sporting jogou em Braga para o Campeonato na época seguinte. A fotografia refere-se ao momento em que o avançado sportinguista recebeu o símbolo do melhor marcador de 1965-66.

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (248)

“O Tomé do Setúbal”

Leão Zargo, em 23.05.21

Lusitânia - Sporting Agosto 1970 estreia de F. To

O Sporting treinado por Fernando Vaz conquistou o título de campeão nacional em 1969-70 e, para a época seguinte, só fez duas contratações para posições específicas: Fernando Tomé, um dos melhores médios do futebol português, para o lugar de José Morais e Jaime Mosquera que tinha sido o melhor marcador da Primeira Liga Peruana.

A fotografia documenta a estreia de Fernando Tomé e o seu primeiro golo com a camisola sportinguista num jogo da pré-epoca frente ao SC Lusitânia (Delegação nº 14 do Sporting), em Agosto de 1970. Os leões de Portugal e dos Açores disputaram dois jogos que a casa-mãe venceu por 6-0 e 5-1. Tomé marcou quatro golos, dois em cada jogo, e o jornal A Bola considerou que ele teve “estreia auspiciosa” e previu que “corresponderá amplamente às esperanças dos dirigentes e adeptos leoninos”. O treinador-adjunto Mário Lino alinhou pelo seu antigo clube açoriano no primeiro jogo e Damas defendeu a baliza do Lusitânia no segundo jogo.

Fernando Tomé representou o Sporting em 139 jogos oficiais entre 1970 e 1976, tendo marcado 17 golos. Apesar de ser bem conhecido o seu sentimento vitoriano e considerado por todos uma das maiores referências do Vitória de Setúbal, o antigo jogador refere com orgulho o tempo que alinhou de leão ao peito, sendo assíduo participante nas redes sociais leoninas (por exemplo, Museu Sporting) ou de antigos companheiros de equipa.

Para além da sua componente competitiva, um clube de futebol constitui também um espaço vital de identificação social e cultural que é depositário da sua memória desportiva. Torna-se muito gratificante verificar como antigos jogadores encaram com genuíno apreço terem representado o Sporting, independentemente das suas preferências clubísticas. Esse facto também contribui para que o nosso Clube “seja tão grande como os maiores da Europa”!

publicado às 14:30

O Sporting joga amanhã…

Sporting - Marítimo, 19 de Maio de 2021, às 21h45

Leão Zargo, em 18.05.21

Sporting - Marítimo 2019-20 1ª Liga 1-0 LP.jpg

Sporting e Marítimo defrontam-se amanhã para a 34ª jornada da 1ª Liga. No jogo entre as duas equipas na época passada, em Alvalade, os adeptos leoninos desesperaram perante o falhanço sucessivo de golos “feitos” e mais outros dois que o VAR anulou. Valeu Cristián Borja aos 76 minutos que aproveitou uma assistência de Jovane Cabral. Foi o jogo em que Luiz Phellype se lesionou gravemente, em 27 de Janeiro de 2020.

Não se pode ter tudo, mas devemos trabalhar para ter tudo, foi o pensamento que me ocorreu quando percebi a opção de Rúben Amorim para o jogo na Luz. Lançou Matheus Nunes e Daniel Bragança às feras, quis testá-los em alta voltagem, mas não correu bem. O treinador terá deixado uma mensagem clara para a estrutura leonina, ficaram à vista debilidades da equipa. Há que mudar o paradigma de conquistar o título esporadicamente e quando se analisam os pontos fortes e fracos do plantel sabe-se onde se deve e não deve mexer.

No entanto, isso da mensagem para a estrutura é uma parte da história e até pode não ser a mais importante, pois Rúben Amorim é assim mesmo. Considera que o medo da derrota come a confiança dos jogadores e ele não receia escolher quem treina com seriedade. Disse sempre que, num jogo, se os seus jogadores não fizeram mais o treinador é que tinha a culpa e que os deveria ajudar a melhorar. Dessa forma, procura libertar os seus atletas da pressão externa. E ganha a confiança deles, um líder assume sempre as responsabilidades.

Amanhã vamos fechar a época com chave de ouro. Depois, porque o passado já é bastante, avançamos para o futuro.

Na fotografia, Luiz Phellype em acção no Sporting - Marítimo em 2019-20. Infelizmente, lesionar-se-ia alguns minutos depois.

publicado às 03:49

Fotografia com história dentro (247)

O presidente, o tempo e a circunstância

Leão Zargo, em 16.05.21

thumbnail_SCP 2020-21 Varandas, Viana e Amorim.jpg

Frederico Varandas obteve 42,32% dos votos e foi eleito presidente do Sporting em 9 de Setembro de 2018 nas eleições mais concorridas de sempre com a participação de 22 400 sócios. Não teve o habitual “estado de graça”. Os apoiantes de Bruno de Carvalho nunca lhe deram descanso e o facto de João Benedito ter alcançado cerca de 1 100 votantes a mais ficou na memória de muitos. O Sporting é um clube autofágico, depois de Ribeiro Ferreira (1946 a 1953) não teve um presidente consensual para os adeptos.

Frederico Varandas foi posto em causa em diversos momentos. Perante o fracasso dos treinadores que contratou não conseguia ser claro, oportuno e convincente. Nos jogos em Alvalade foram frequentes as manifestações de contestação. Num clube como o Sporting o presidente não decide tudo, constitui equipas multidisciplinares nas diferentes estruturas nas quais delega competências e que respondem perante ele. O segredo da liderança está na escolha das pessoas certas para as diversas áreas.

Foi o que aconteceu, finalmente, com o triângulo Varandas - Viana - Amorim. Apesar de ser muito activo e sempre presente nos bastidores, o presidente deu todo o protagonismo a quem devia, mantendo-se longe dos holofotes. Esta fotografia pode constituir uma síntese extraordinária do grau de sucesso que alcança um modelo de governo do Sporting com práticas efectivas de exigência, organização e partilha de responsabilidades.

publicado às 14:30

Cumprimentos do título (1982-83)

Leão Zargo, em 15.05.21

Benfica-1 Sporting-0 1982-83.jpg

Os jogadores do Sporting cumprimentaram os do Benfica pela conquista do título de campeão nacional em 1982-83. Antes do início do jogo, no centro do relvado, o capitão Manuel Fernandes homenageou a equipa benfiquista e fez o elogio do desportivismo.

Aconteceu num dérbi lisboeta disputado em 29 de Maio de 1983, na penúltima jornada do campeonato. A situação repete-se agora em 15 de Maio de 2021, alterando-se apenas o clube que conquistou o título de campeão nacional. Como é que vai ser?

publicado às 12:30

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Taça das Taças 1963-64



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