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Jogar bem, vencer melhor

Leão Zargo, em 02.09.19

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A equipa de sub-23 do Sporting CP viajou para Vila Nova de Famalicão conhecedora da vitória do Benfica frente ao Estoril-Praia e, em consequência, da igualdade pontual no cimo da tabela classificativa. Na véspera, o treinador Leonel Pontes tinha garantido que ia jogar “para ganhar e competir, possibilitar os jogadores de mostrar o seu potencial e, sobretudo, fazer um bom jogo, praticando bom futebol, atacando com qualidade, defendendo com agressividade e lutar pelos três pontos”.

Talvez por essa razão, os jogadores leoninos entraram no jogo com a finalidade de marcar rapidamente. Apesar de Pedro Mendes ter falhado um penálti aos 21 minutos, pouco tempo volvido o capitão Tomás Silva inaugurou o mercador e, mais alguns minutos, o camisola 9 não perdoou desta vez e fez o 2-0. Na segunda parte os leões marcaram mais três vezes, dando a devida expressão à boa exibição colectiva.

Com esse triunfo, o Sporting lidera isolado a tabela classificativa com cinco vitórias em cinco jogos, dezanove golos marcados e dois sofridos. Joelson Fernandes é o melhor marcador da competição com quatro golos e Tomás Silva, que renovou o contrato na semana anterior, vem a seguir com três golos. Na próxima jornada, em 14 de Setembro, o Portimonense joga em Alcochete.

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Ficha de jogo: 

Liga Revelação - 5.ª jornada (1.9.2019)

Famalicão 1 - Sporting 5

Estádio Municipal de Famalicão

Árbitro - Carlos Teixeira

Famalicão - Gabi, Clayton, Camará, Caiado (Nico Schiappacasse, 46’), Luka (André Silva, 64’), Anthony (Matheus Clemente, 46’), Konaté, Brian, Armando, Jorge Pereira (cap.) e João Neto (Chicão, 72’)

Treinador - Henrique Esteves

Sporting - Diogo Sousa, Gonçalo Inácio, Pedro Mendes, Rodrigo Fernandes, Joelson Fernandes (Diogo Brás, 68’), Nuno Mendes (Echedey Verde, 68’), Bruno Tavares, João Ricciulli, João Oliveira (Tiago Rodrigues, 83’), Matheus Nunes (Nuno Moreira, 80’) e Tomás Silva (cap.) (Dimitar Mitrovski, 80’)

Treinador - Leonel Pontes

Marcadores - 0-1 Tomás Silva (30'), 0-2 Pedro Mendes (37’), 1-2 Luka (43’), 1-3 Pedro Mendes (58’), 1-4 Tomás Silva (63’) e 1-5 Dimitar Mitrovski (90’+3)

publicado às 04:48

Fotografia com história dentro (161)

Leão Zargo, em 01.09.19

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O dia em que Azevedo foi levado em ombros

Benfica e Sporting defrontaram-se na última jornada do Campeonato de Lisboa em 17 de Novembro de 1946, na Estância de Madeira. Estavam em igualdade pontual, e em caso de empate os encarnados seriam os campeões lisboetas. Aos 40 minutos do jogo, com o resultado em 1-0 favorável aos leões, Azevedo lesionou-se gravemente numa clavícula ao efectuar uma defesa.

Por não serem permitidas substituições, Jesus Correia, antes do intervalo, e depois Veríssimo substituíram Azevedo na baliza, enquanto ele era observado no balneário. Para surpresa de todos, com o Benfica a tomar conta do jogo por estar em superioridade numérica, o “Hércules do Barreiro” reentrou em campo com as costas ligadas e o braço esquerdo caído e inerte ao longo do corpo.

O que se seguiu ficou na memória dos que estavam a assistir ao dérbie. Azevedo voltou para a baliza e, num sacrifício sem limites, chegou a voar entre os postes, nomeadamente um remate de Espírito Santo ao ângulo, que desviou para canto com o braço que não estava lesionado. Apenas Arsénio o conseguiu bater aos 62 minutos. Mas, empolgou de tal forma os seus companheiros que Albano e Peyroteo, aos 85 e 86 minutos, marcaram os golos do triunfo.

No final, Azevedo foi levado em ombros pelos jogadores leoninos e vitoriado pelos adversários e pelo público. Na crónica sobre o jogo, Tavares da Silva escreveu que “Azevedo destacou-se como a figura central da partida. Meteu o público no bolso: primeiro, com um punhado de defesas incomparáveis; segundo, pelo espírito de sacrifício. O seu regresso às redes, cheio de dores, justifica-se pelo lado clubista, como chicotada moral no conjunto. E logo se viu o influxo”. (Stadium, n.º 207, 20 de Novembro de 1946)

publicado às 14:00

Leonel Pontes

Leão Zargo, em 29.08.19

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A equipa do Sporting sub 23 teve uma entrada de leão na Liga Revelação. Lidera isolada a tabela classificativa com quatro vitórias em quatro jogos, catorze golos marcados e apenas um sofrido (de grande penalidade). Da equipa faremos uma análise do desempenho lá mais para a frente na competição, ficamos agora por uma observação de carácter genérico sobre o treinador sportinguista.

O treinador Leonel Pontes é um “velho” conhecido da formação leonina, ainda anterior à construção da Academia de Alcochete, pois começou com os sub 15 em 1999-2000. Depois treinou outros escalões da formação, foi adjunto de Luís Alegria e de Jean Paul na equipa B (2002-03) e adjunto de Paulo Bento nos juniores e na equipa principal (2004 a 2010). Participou no crescimento desportivo de jogadores como Cristiano Ronaldo, Nani, Miguel Veloso, Quaresma, João Moutinho, Rui Patrício e Daniel Carriço, entre outros.

A seguir acompanhou Paulo Bento na selecção nacional (2010 a 2013) e foi o treinador principal no Marítimo, Panetolikos (Grécia), Al-Ittihad (Egito), Debreceni (Hungria) e Jumilla (Espanha). Em Junho de 2019 substituiu Alexandre Santos na orientação dos sub 23.

Leonel Pontes jogou futebol em clubes chamados pequenos, tem formação académica em Ciências do Desporto (Faculdade de Motricidade Humana) e o curso de treinadores UEFA Pro-Nível 4 (17,5 valores). O facto de ter alcançado até esta data pouco ou nenhum êxito no futebol profissional levou a que seja considerado por muitos como um técnico mais vocacionado para o futebol de formação, onde existe uma outra lógica de liderança e de tratamento dos jogadores, outra exigência e imediatismo nos resultados.

A especificidade da Liga Revelação sub 23 permitirá avaliar com mais rigor as suas capacidades como treinador e conhecer melhor os seus processos de treino e de modelo de jogo. Também saberemos se teve sucesso naquilo que se propôs: “criar uma equipa competitiva para ir ganhando as provas em que estamos inseridos ao mesmo tempo que promovemos jogadores desta equipa de forma a providenciarmos ferramentas mais exigentes para a alta competição”.

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (160)

Leão Zargo, em 25.08.19

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Manuel Vasques, o “Malhoa”

Manuel Vasques foi um dos “Cinco Violinos” e, apesar de ser o mais novo, talvez pela sua invulgar capacidade técnica entendia-se de olhos fechados com os companheiros. “Tinha bola dos pés à cabeça (…) dentro do campo era ele quem jogava ao meu lado e fazíamos umas combinações fantásticas”, recordou Jesus Correia. A excepcionalidade do quinteto também decorria da complementaridade entre eles. É o terceiro maior goleador da história do Sporting, com 227 golos em 348 jogos, tendo jogado de 1946 até 1959 de leão ao peito.

O jornalista Tavares da Silva chamou-lhe “Malhoa”. Tal como o pintor impressionista encarava o quadro como a obra em si mesma captando as múltiplas cores da natureza, o jogador leonino revelava o seu lirismo no rectângulo de jogo e na corrida em direcção à baliza através da magia com a bola nos pés ou da insuperável trajectória da bola. Um campo de futebol era como que uma folha A4 em branco onde ele iria pintar jogadas carregadas de génio e de epopeia.

Nunca foi consensual como os outros companheiros da linha avançada, pois não mostrava o mesmo vigor bélico. Maravilhou os adeptos sportinguistas pela componente artística, como os desesperou pela inconstância. Vasques possuía a consciência mítica do seu destino. Em entrevista ao jornal Norte Desportivo, em 1963, proferiu uma reflexão lapidar: "Como futebolista, senti que cumpri um destino ao qual não podia fugir, uma espécie de fado... não triste como é hábito ser cantado ou pintado, mas ao jeito corrido, alegre. Este foi o meu fado."

No futebol tudo é paixão e drama, sorte e azar, vitória e derrota. A memória de jogadores como ele mostra como num jogo de futebol, e a propósito dos seus grandes praticantes, é possível reflectir sobre as virtudes e as imperfeições da condição humana e, de igual modo, sobre o génio e a persistência ou o efémero e o circunstancial.

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (159)

Leão Zargo, em 18.08.19

José Carlos SCP3 SLB1 Taça Emigrante 12.4.1971.j

Sporting 3 - Benfica 1 (Taça Emigrante, Paris - 1971)

Um Sporting-Benfica implica sempre um encadeamento de histórias, e de muitas histórias dentro de outras histórias, numa narrativa que vem desde o princípio do século XX. Cada um de nós, quando assiste a um dérbie, recorda outros jogos entre os eternos rivais e há peripécias que estão guardadas na memória como se tivessem acontecido no dia anterior. Por essa razão é sempre motivo de entusiasmo e é aguardado com enorme expectativa, como aconteceu na disputa da Taça Emigrante, em 12 de Abril de 1971, em Paris.

O Campeonato Nacional sofreu uma interrupção de três semanas na Páscoa de 1971 e combinou-se a realização de um dérbie no Estádio de Colombes, que se encheu com emigrantes portugueses e parisienses. Era muito grande o entusiasmo, até porque as duas equipas alinhariam com todos os seus craques, e para o efeito foi criada a Taça Emigrante. O desafio foi bastante equilibrado, mas a equipa leonina acabou por se superiorizar graças à segurança defensiva e à arte de Peres, Chico Faria e Dinis. A fotografia é do final do jogo, quando o capitão José Carlos, com a taça, comemorou a vitória junto dos portugueses no Estádio.

Ficha de jogo:

Taça Emigrante (Páscoa de 1971)

Sporting 3 - Benfica 1

Estádio de Colombes, Paris, 12 de Abril de 1971

Árbitro - M. Branca (França)

Sporting - Damas Caló, José Carlos, Laranjeira, Hilário (Celestino 75'), Tomé (Manaca 67'), Nelson, Peres, Lourenço, Chico Faria e Dinis

Treinador - Fernando Vaz

Benfica - José Henrique, Malta da Silva, Humberto, Zeca, Adolfo, Vítor Martins (Messias 87'), Diamantino (Jaime Graça 67'), Nené, Eusébio, Artur Jorge e Simões

Treinador - Jimmy Hagan

Golos - Tomé (47'), Jaime Graça (73'), Chico Faria (82') e Dinis (90')

publicado às 13:15

Vitória justa pela margem mínima

Leão Zargo, em 12.08.19

Sporting CP 1 - SC Braga 0  Liga Revelação 2019-

Começou a Liga Revelação (sub 23). O plantel do Sporting, treinado por Leonel Pontes, é constituído essencialmente por jogadores da Academia que na época anterior alinharam nos sub 23, sub 19, sub 18 e até sub 17, ou que regressaram de empréstimos. Isto revela uma alteração estratégica importante, pois baixou a média de idades. Segundo o treinador “a ideia é tentar que os jogadores revelem maturidade, capacidade e prontidão para poderem jogar num nível mais acima e que todos tenham oportunidade de jogar num campeonato mais adaptado às suas características e ao seu potencial”. Recorde-se que em 2018-19 o Sporting ficou em 2º lugar a um ponto do campeão, o Desportivo das Aves.

Em Alcochete, os leões defrontaram o SC Braga, na partida da 1ª jornada, e venceram por 1-0. Gonzalo Plata, Nuno Mendes e Eduardo Quaresma, que integram o plantel principal, alinharam a titulares. O Sporting começou bem, num 4-3-3 com Gonzalo Plata, Pedro Mendes e Joelson Fernandes à frente, com um futebol esclarecido e ofensivo. Aos 20 minutos, na sequência de um canto bem marcado por Joelson Fernandes, o bracarense Samuel fez um autogolo. A partir daí, o jogo passou a ser repartido pelas duas equipas, mas a vitória leonina não merece contestação. Na baliza, Diogo Sousa esteve muito seguro.

Com uma boa moldura de espectadores, Bruno Fernandes, Luís Neto, Thierry Correia e Luís Maximiano assistiram ao jogo. Na próxima jornada, o Sporting desloca-se à Vila das Aves para defrontar o Desportivo local.

Ficha de jogo: 

Liga Revelação - 1.ª jornada (12.8.2019)

Sporting CP 1 - SC Braga 0

CGD Stadium Aurélio Pereira, Alcochete

Árbitro: Gonçalo Carreira

Sporting: Diogo Sousa, Pedro Mendes (Diogo Brás, 88’), Joelson Fernandes (Bruno Tavares, 75’), Gonzalo Plata (Tiago Tomás, 88’), Nuno Mendes (Echedey Verde, 45’), João Silva, João Oliveira, Eduardo Quaresma, Matheus Nunes, Nuno Moreira (Bernardo Sousa, 45’) e Tomás Silva (cap.)

Treinador: Leonel Pontes

SC Braga: Rogério, Bernardo, Anthony, Baldé, Pedro Martins (Pedro Santos, 65’), Veiga, Eynel (Xico, 80’) Samuel Costa (Nuno Cunha, 80’), Vítor, Xavier (cap.) (Eduardo Ribeiro, 86’) e Sanca (Willian, 65’)

Treinador: José Carvalho Araújo

Golo: 1-0 Samuel (p.b. 20‘)

publicado às 19:15

Fotografia com história dentro (158)

Leão Zargo, em 11.08.19

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O Hino do Sporting Clube de Portugal

Ao contrário do que muitos pensam, o Hino oficial do Sporting não costuma ser ouvido no Estádio de Alvalade. A popular e vibrante marcha Viva o Sporting”, cantada por Maria José Valério, ou o extraordinário e emocionante “O Mundo Sabe Que”, com letra de Miguel Pacheco e inspirado em “Comme d’habitude”, de Claude François, e “My Way”, de Sinatra, não são os hinos do Clube. Para o conhecermos teremos de recorrer ao inevitável youtube ou estar presente em alguma cerimónia ou gala leonina.

Na verdade, o Maestro Flaviano Rodrigues (música) e Ramiro Guedes de Campos (letra) compuseram em 1956 um hino épico, com recurso à simbologia sportinguista, no qual atletas e adeptos se deveriam inspirar na devoção e no esforço pelo seu Clube. A letra é reveladora do ambiente estético e político daquela época. O Hino do Sporting foi ouvido publicamente pela primeira vez em 10 de Junho de 1956 no contexto da inauguração do Estádio José Alvalade.

Apesar do seu carácter épico e motivacional, o Hino quase que deixou de ser cantado em público a partir da década de 1970, ouvindo-se apenas em algumas comemorações festivas. No Estádio de Alvalade, em virtude da harmonização coral mais apropriada para um sarau numa sala ou num recinto fechado, viu o seu lugar ocupado pela vibrante marcha cantada por Maria José Valério, que, entretanto, tinha sido gravada num disco de 78 rotações da Columbia.

 

Hino do Sporting Clube de Portugal

 

Marchando ao Sol, entre vivas e palmas,

E verdes ondas, bandeiras - mais e mais!

O Sporting surge! E cinquenta mil almas

No Estádio bradam ovações triunfais!

 

É verde a Esperança! É assim o Emblema

Que o povo tem sobre o peito, a palpitar!

Ser leão rampante é a honra suprema

Em Portugal d’Aquém e d’Além-Mar!

 

Lutai! Lutai! Lutai como leões!

Erguei-vos como fachos a arder!

Fazei vibrar os nossos corações!

A Esperança nos diz: - «Vencer! Vencer!»

 

«Leões»! «Leões»! Fazei que em vós assome

A Glória num clarão imortal!

Lembrai que tendes no nome

Este nome - PORTUGAL!!!

 

Música: Maestro Flaviano Rodrigues

Letra: Ramiro Guedes de Campos

publicado às 12:45

O presidente e a sua circunstância

Leão Zargo, em 08.08.19

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Em breve conheceremos com maior rigor as consequências da derrota imposta pelo Benfica na final da Supertaça. O primeiro jogo da Liga, de súbito, tornou-se decisivo. Ou quase. Se correr mal, tudo pode correr mal. Até porque logo a seguir virá outra “final”. No Sporting, o futebol é o barómetro. Sinal de partida e de chegada.

O Clube apenas pode contar consigo próprio. A coesão da Direcção, a competência da equipa técnica, o profissionalismo dos jogadores e a motivação dos adeptos. Não haverá varinhas mágicas nem movimentos por baixo da mesa que resolvam a crise que se instalou. Nem vale a pena insistir a propósito da parcialidade da comunicação social.

O Sporting é um clube autofágico, mas isso já se sabe há muito. Trata-se de um caso de estudo, depois de António Ribeiro Ferreira (1946 a 1953) não voltou a ter um presidente vencedor e reconhecido pelos adeptos. Mesmo homens que perceberam a realidade do futebol do seu tempo, como Brás Medeiros e João Rocha. Ou presidentes campeões como José Roquette e Dias da Cunha.

Uma coisa é certa, verdadeiramente, Frederico Varandas está perante o seu primeiro teste de fogo. Não decide sobre tudo, mas num clube como o Sporting o presidente constitui equipas multidisciplinares nas diferentes estruturas nas quais delega o exercício de funções e que respondem perante ele. Um dos segredos da liderança está na escolha das pessoas certas para as diversas áreas.

Agora, será mais difícil controlar a ocasião e as circunstâncias. O tempo é desfavorável e não será permitido um deslize. Mas é nestas ocasiões que os líderes se afirmam. Nos próximos dias, o presidente Frederico Varandas tem de ser claro, oportuno, objectivo e convincente, e revelar conhecimento de causa e de controlo dos acontecimentos. E que não repita que não está preocupado, ao contrário da generalidade dos sportinguistas. 

publicado às 12:50

Fotografia com história dentro (157)

Leão Zargo, em 04.08.19

P. Polainas, A. Raposo, J. Calquinhas e A. Rodrigu

Américo Raposo, tricampeão nacional de velocidade

O ciclismo contribuiu imenso para que o Sporting se tornasse num clube verdadeiramente nacional. Muitos portugueses que nunca viram jogar os grandes futebolistas de leão ao peito, vibraram na beira das estradas com os ciclistas de verde e branco. Admiravam o seu carácter e a força indómita para vencer as subidas intermináveis na montanha ou a temeridade e a velocidade dos “sprinters” na proximidade da meta. Em Lisboa, na pista do Estádio de Alvalade (no Lumiar e no inaugurado em 1956), realizaram-se festivais em que participaram ciclistas estrangeiros ou a chegada de etapas da Volta a Portugal.

O ciclismo leonino deu as suas primeiras pedaladas em 1911 por acção de António Soares Júnior e chegou a ser a segunda modalidade mais importante do Clube. Alfredo de Sousa, Alfredo Trindade, José Albuquerque “Faísca”, Francisco Inácio, Américo Raposo, João Roque, Leonel Miranda, Firmino Bernardino, Joaquim Agostinho e Marco Chagas, entre outros, levaram o nome do Sporting a todo o lado. “Lembro-me de ver as professoras com os alunos junto às estradas, tudo parava para nos ver”, recordou Leonel Miranda.

O ciclista Américo Raposo é considerado um dos maiores “sprinters” e “pistards” de sempre em Portugal. O seu forte não eram as provas por etapas, como a Volta a Portugal, mas corridas de apenas de um dia onde fazia valer as suas características. Mesmo assim, venceu doze etapas da Volta. A camisola do Sporting foi a única que envergou em toda a sua carreira entre 1949 e 1960, desde os dezasseis anos de idade na Escola de Ciclismo do Clube. Necessitou de uma autorização especial para que pudesse competir oficialmente e de imediato sagrou-se Campeão Regional de Velocidade em 1950.

Promovido à categoria de Independentes, Américo Raposo foi Tricampeão Nacional de Velocidade em 1951, 1952 e 1953. Ficaram célebres as suas disputas com outros grandes especialistas, como o sportinguista Pedro Polainas e o portista Onofre Tavares. Estreou-se na Volta a Portugal em 1952 e vestiu logo a Camisola Amarela ao vencer o Circuito da Pista do Lima, no Porto. Participou no Campeonato de Mundo de Pista em 1952, em Milão, e defrontou vedetas como Anquetil, Bobet, Bahamontes, Kubler e Poblet. Conquistou vinte e oito títulos de Campeão de Velocidade e de Fundo.

Na fotografia, Américo Raposo com Pedro Polainas, José Calquinhas e o Capitão da Secção Armando Rodrigues no Circuito da Figueira da Foz (retirado da página no Facebook de Américo Raposo).

publicado às 13:25

Começou a Volta a Portugal 2019

Leão Zargo, em 31.07.19

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A Volta a Portugal de 2019 já está na estrada. Trata-se da 81ª edição que se disputa entre 31 de Julho e 11 de Agosto, com um prólogo e dez etapas ao longo de 1.518 quilómetros. Será meia-volta a Portugal (o Alentejo e o Algarve ficam de fora), mas a Volta é sempre a Volta. O Sporting-Tavira, dirigido por Vidal Fitas, apresenta-se com a ambição de alcançar melhor do que no ano passado, quando ficou em 2º lugar na classificação geral, através de Joni Brandão, e por equipas.

O esquadrão verde e branco aprenta-se com sete ciclistas: Tiago Machado, Frederico Figueiredo, Alejandro Marque, José Mendes, Alexsander Grigoriev, Alvaro Trueba e David Livramento. Tiago Machado, que correu pela Radioshack de Lance Armstrong e pela Katusha/Alpecin sob o comando de José Azevedo, é um dos grandes favoritos. Mas, José Mendes (Campeão Nacional de Fundo) e Frederico Figueiredo (5º lugar na Volta em 2018) também ambicionam um lugar no pódio.

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Hoje decorreu o prólogo em Viseu, um contra-relógio individual durante 6 quilómetros. Samuel Caldeira (W52-FC Porto) é o primeiro Camisola Amarela. Alejandro Marque, a 11 segundos, é o melhor sportinguista. Amanhã corre-se a 1ª Etapa, entre Miranda do Corvo e Leiria (174,7 quilómetros), com a subida à Serra da Lousã, onde está um Prémio de Montanha de 1ª categoria.

publicado às 18:30

Fotografia com história dentro (156)

Leão Zargo, em 28.07.19

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A bola já salta

Em Julho de 1983 o jornal Sporting (nº 1.858) exclamava com entusiasmo que “a bola já salta”. Pudera, havia razões para acreditar no sucesso da equipa com Manuel Fernandes e Jordão na linha avançada, Oliveira e Kostov como médios e Carlos Xavier e Venâncio na defesa. O defeso tinha sido “quente”, os leões foram às Antas contratar Gabriel, formado na escola azul e branca, para além de Romeu. Para a baliza veio o internacional húngaro Bela Katzirz, e como é habitual havia vários jogadores oriundos da Formação: Venâncio, Morato, Zezinho, Mário Jorge e Futre, entre outros. O técnico era o checo Josef Venglos.

A época de 1983-84 não foi feliz, mas o futebol possibilita todos os anos a renovação da esperança e em Alvalade sabe-se que a conquista do título de campeão nacional permitirá iniciar um novo ciclo vitorioso. A confiança revela que o que foi possível num determinado momento, voltará a ser possível, de outra forma, outra vez. A confiança de que o Sporting voltará a ser um Clube vencedor e que vai manter a sua identidade histórica. Acreditamos que Marcel Keizer será capaz de estar à altura das circunstâncias e das responsabilidades e que os jogadores leoninos saberão potenciar as suas forças e minimizar as fraquezas.

Sinal de confiança! 

publicado às 13:25

Fotografia com história dentro (155)

Leão Zargo, em 21.07.19

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 “O tempora, o mores”

“No tempo em que os animais falavam nem calculam a confusão que era. Os lobos imitavam a voz dos homens, os homens imitavam a voz dos lobos, os cães imitavam a voz dos donos, os gatos imitavam a voz dos cães, os ratos imitavam a voz dos gatos e a raposa, do lado de fora das redes da capoeira, imitava a voz das galinhas…” (António Torrado)

… e no futebol, nesse tempo, também se verificavam coisas verdadeiramente invulgares e de espantar: nas Antas, no último jogo do Campeonato de 1981-82, os jogadores do Porto cumprimentam desportivamente os do Sporting que tinham conquistado o título de campeão nacional na jornada anterior. Por também terem vencido a Taça de Portugal (4-0 ao SC Braga), os leões conseguiram a “dobradinha” nessa época. O treinador era Malcolm Allison.

(“O tempora, o mores”, frase latina que significa “oh tempos, oh costumes”.)

publicado às 12:48

42º Troféu Joaquim Agostinho

Leão Zargo, em 14.07.19

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Realizou-se hoje a última etapa do 42.º Troféu Joaquim Agostinho. Também designado Grande Prémio Internacional de Torres Vedras, é a prova portuguesa de ciclismo que há mais anos consecutivos está inscrita no calendário internacional e homenageia o antigo ciclista, que era natural de Torres Vedras. Este ano a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) dedicou-lhe uma moeda na coleção de “Ídolos do Desporto”.

A edição de 2019 realizou-se entre 11 de Julho e 14 de Julho, com um prólogo em Turcifal (8 kms) e três etapas (Ventosa -  Sobral de Monte Agraço, 156,8 kms, Atouguia da Baleia - Torres Vedras, 152,7 kms, e Foz do Arelho - Alto de Montejunto, 179,3 kms. Competiram vinte e três equipas e quase centena e meia de ciclistas de dezasseis nacionalidades. O Sporting-Tavira esteve presente com seis corredores e teve uma participação discreta.

Frederico Figueiredo foi o leão em maior destaque, ficando em 4º lugar na classificação geral a 1 minuto e 4 segundos do vencedor Henrique Casimiro (Efapel), em 5º na geral por pontos e em 3º na geral da montanha. Marco Chagas afirmou recentemente ao jornal O Jogo que o ciclista leonino “devia arriscar mais”. Frederico Figueiredo, um trepador que ficou em 5º lugar na Volta a Portugal em 2018, procurou estar à altura do aviso e andou sempre com os melhores.

publicado às 21:20

Fotografia com história dentro (154)

Leão Zargo, em 14.07.19

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A primeira Supertaça

No dia 10 de Junho de 1944, na inauguração do Estádio Nacional, o Sporting, por ser o vencedor do Campeonato, e o Benfica, o vencedor da Taça de Portugal, disputaram a primeira Supertaça… ainda antes dela ter sido criada. Na verdade, foi a primeira vez que os dois clubes que tinham conquistado o Campeonato e a Taça se defrontaram com esse estatuto, disputando a Taça Império instituída pela Federação Portuguesa de Futebol. Apesar de estar prevista a continuidade da competição, ela apenas seria retomada em 1979 com a designação Supertaça Cândido de Oliveira.

A equipa leonina venceu o jogo por 3-2 (1-1 no tempo regulamentar) com inteira justiça. Adaptou-se melhor à forte ventania e, com grande segurança defensiva, através do seu futebol ofensivo rectílineo manteve a defensiva benfiquista sob pressão constante. Peyroteo fez uma grande exibição e foi o autor do primeiro golo no Jamor. João da Cruz, em choque com Álvaro Cardoso, teve o azar de fracturar uma costela, mas manteve-se em campo até ao final do jogo. Nos respectivos bancos, sentaram-se dois treinadores húngaros com nome feito: Joseph Szabó e János Biri.

Ficha de jogo:

Taça Império, 10 de Junho de 1944

Sporting 3 - Benfica 2

Arbitro - Vieira da Costa (Porto)

Sporting - João Azevedo; Álvaro Cardoso e Manuel Marques “Manecas”; Canário, Octávio Barrosa e Eliseu; Mourão, João da Cruz, Peyroteo, António Marques e Albano

Treinador - Joseph Szabó

Benfica - Martins; César Ferreira e Carvalho; Jacinto, Albino e Francisco Ferreira; Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Joaquim Teixeira e Rogério “Pipi”

Treinador - János Biri

Golos - Peyroteo (60’ e 92’), Espírito Santo (77’), Eliseu (107’) e Julinho (115’)

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (154)

Leão Zargo, em 07.07.19

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Linha verde para o tricampeonato (1948-49)

O olhar do guarda-redes estorilista Sebastião revela que já nada pode fazer. A bola feita seta beijou as redes da sua baliza. Em 9 de Janeiro de 1949 o Campo da Amoreira encheu-se para assistir a um emocionante Estoril Praia - Sporting.  Os leões venceram por 4-2, mas os jogadores das duas equipas nunca tiraram o pé do acelerador até ao final do jogo. Nos respectivos bancos sentaram-se dois treinadores com nome feito: János Biri pelos da casa e Cândido de Oliveira pelos visitantes.

É bom que se diga que o Sporting liderava a classificação do Campeonato Nacional com três pontos de avanço sobre o Estoril-Praia, na altura o segundo classificado. Com este resultado passou para cinco pontos. Belenenses, Benfica e FC Porto vinham logo a seguir na tabela. Com a vitória consolidou-se a vantagem sportinguista e o jornalista Rodrigues Teles escreveu que “deve ter desaparecido a última esperança dos adversários do Sporting” (revista Stadium, nº 319, 12 de Janeiro de 1949).

Rodrigues Teles tinha razão, pois foi nesse jogo que os leões abriram uma linha verde para o título, tornando-se num inédito tricampeão nacional, o primeiro desde a criação do Campeonato português em 1938. Foi a última época em que Peyroteo vestiu a camisola verde e branca.

(Fotografia de Nunes de Almeida para a revista Stadium).

publicado às 14:27

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José Mendes, ciclista da equipa Sporting-Tavira, sagrou-se campeão nacional de fundo na categoria de elite, vencendo Ricardo Mestre e António Carvalho, ambos do W52-FC Porto, nos últimos mil metros da prova. Trata-se do primeiro título conquistado por um ciclista leonino desde o regresso do clube à modalidade.

A competição decorreu numa prova de 197 quilómetros, com partida em Castro Laboreiro e chegada a Melgaço, disputada a alta velocidade, apesar da extraordinária exigência do percurso. Na corrida sucederam-se as fugas depois dos primeiros 60 quilómetros, mas todas foram infrutíferas. Na fase de aproximação à meta, Ricardo Mestre conseguiu isolar-se, no entanto José Mendes respondeu nos últimos mil metros e foi mais forte, derrotando também António Carvalho.

O ciclista é natural de Guimarães, e saboreou o triunfo com grande emoção, para o próprio e para os muitos apoiantes que o vitoriaram. No final da prova afirmou que “é sempre uma corrida especial, nunca se sabe o que vai acontecer. Proporcionou-se estar na frente na fase final e fui buscar forças a todos aqueles que estavam a apoiar-me e a gritar por mim. As últimas pedaladas foram graças a eles. A corrida foi dura, disputada a grande velocidade. Ainda tenho de digerir este resultado”.

José Mendes foi contratado pelo Sporting-Tavira em Novembro de 2018, quando corria pela equipa de Burgos-BH. Foi campeão nacional de juniores em contrarrelógio, em 2003, e campeão nacional de fundo de elite, em 2016, título que voltou a conquistar agora. Trata-se de um ciclista bastante completo, experiente e com vivência internacional, muito forte em provas por etapas e no contrarrelógio.

publicado às 17:59

Fotografia com história dentro (153)

Leão Zargo, em 30.06.19

SCP 1944-45 Festa de Homenagem João Jurado.jpg

Imagem social dos futebolistas em Portugal nos anos 30 e 40

Em Portugal, nas décadas de 1930 e 1940, o Estado Novo ainda mantinha com o futebol uma relação de notável ambiguidade. É que o regime político não considerava o futebol como a modalidade desportiva capaz de regenerar a condição física e moldar o carácter dos portugueses. A ginástica, a vela, o remo ou o atletismo desempenhariam muito melhor esse papel. Isso reflectiu-se na imagem social e no estatuto remuneratório dos futebolistas e no semiprofissionalismo que vigorava.

Ser futebolista não era considerado uma profissão, pois essa actividade não se enquadrava no conceito de sociedade do Estado Novo, essencialmente normalizada e organizada. Cada um no seu próprio lugar, e o lugar de futebolista não estava previsto. Obrigatoriamente os jogadores declaravam outra profissão oficial, que era a que constava no Bilhete de Identidade. Depois da 2ª Guerra Mundial, a crescente popularidade do futebol e a sua importância social e económica, o crescimento urbano, a cultura de massas e a mudança das mentalidades introduziram progressivas alterações.

No Sporting na segunda metade dos anos 30 vigorava um salário mensal de 700$00, que era fixo para todos os jogadores principais. A isso podia acrescer uma determinada quantia proveniente da “caixa dos leões” (ou “cotização dos carolas”) que reforçava de forma diferente os ordenados de alguns atletas. Fernando Peyroteo refere no seu livro “Memórias de Peyroteo” (página 68) que “aos que mereciam, o senhor Francisco Franco, dava, por fora, 200$00 ou 300$00 mensais. Felizmente, nunca me faltou com o subsídio extraordinário”.

Havia, ainda, as “festas de homenagem” ou “festas de despedida” quando os futebolistas terminavam as suas carreiras, cuja receita era muito importante para eles. Tratava-se de uma significativa forma de solidariedade entre jogadores. De acordo com o estatuto pessoal e desportivo de cada um, organizavam-se jogos nas quais participavam colegas de outros clubes. No caso dos jogadores do Sporting era normal participarem do Benfica ou do Belenenses, entre outros, ou organizarem-se equipas mistas. Em casos excepcionais, como o de Peyroteo, recorria-se a equipas estrangeiras.

Na fotografia, a equipa do Sporting que defrontou um misto de Almada na “festa de homenagem” a João Jurado em 6 de Junho de 1945. Jurado foi um dos mais destacados futebolistas leoninos entre 1926 e 1940. Não prescindiu da sua “festa”, apesar de ter a vida bem organizada por ser proprietário de um táxi.

publicado às 15:20

Fotografia com história dentro (152)

Leão Zargo, em 23.06.19

SCP SLB 1986-87 7-1 CN.jpg

Uma vitória efémera!

Ralph Meade, Manuel Fernandes e Mário Jorge festejam um golo, perante o desalento de Dito, Oliveira e Silvino. Foi no célebre Sporting 7 - Benfica 1, em 14 de Dezembro de 1986, a tarde em que os “leões devoraram gulosamente as águias” (Aurélio Márcio, no jornal A Bola) e o último dia em que Silvino equipou de azul.

Este jogo, memorável para os leões e desastroso para os encarnados, encerra várias lições. A primeira é de que uma vitória pode ser apenas uma vitória. Mesmo um triunfo assim invulgarmente volumoso. No final, o Benfica foi o campeão nacional com vinte vitórias, nove empates e somente uma derrota. Essa, a do 7-1, precisamente. O Sporting ficou em 4º lugar, com menos onze pontos do que o rival de sempre.

Outra grande lição decorre da inconstância dos adeptos. Muitos benfiquistas presentes na bancada Superior Norte entenderam que aquela seria a melhor ocasião para fazer uma fogueira onde queimaram bandeiras e cachecóis do seu clube. Há quem garanta que houve cartões de sócio que foram à vida. Palpita-me é que que poucos meses depois tiveram de ir a correr à “Loja” para comprar à pressa os apetrechos para a festa do título.

Há ainda uma outra lição, mas essa bem amarga para o treinador Manuel José. Em 14 de Dezembro dirigiu os leões no celebrado 7-1, mas não aqueceu o lugar durante muito mais tempo. Naquela tarde em Alvalade houve abraços entre todos, menos de um mês depois, em 11 de Janeiro, recebeu a guia de marcha depois de um empate com o Rio Ave (0-0). Depois da euforia, a solidão. Mistérios que o futebol tece.

Ficha de jogo:

Campeonato Nacional, 14ª jornada

Sporting 7 - Benfica 1

Estádio de Alvalade, 14 de Dezembro de 1986

Árbitro: Vítor Correia (Lisboa)

Sporting - Damas, Gabriel, Venâncio, Virgílio, Fernando Mendes (Duílio, 78), Oceano, Zinho, Litos (Silvinho, 78), Mário Jorge, Manuel Fernandes e Ralph Meade

Treinador - Manuel José

Benfica - Silvino, Veloso, Dito, Oliveira, Álvaro, Shéu (Nunes, 58), Diamantino (César Brito, 72), Carlos Manuel, Vando, Chiquinho e Rui Águas

Treinador - John Mortimore

Golos: 1-0, Mário Jorge (15), 2-0, Manuel Fernandes (50), 2-1, Vando (59), 3-1, Ralph Meade (65), 4-1, Mário Jorge (68), 5-1, Manuel Fernandes (71), 6-1, Manuel Fernandes (83) e 7-1, Manuel Fernandes (86)

publicado às 12:59

Fotografia com história dentro (151)

Leão Zargo, em 16.06.19

Tirsense Sporting 1948-49 2-1 1ª elim. TP.jpg

Tirsense 2 - Sporting 1: uma eliminação que deu brado

O Tirsense eliminou o Sporting da Taça de Portugal por 2-1 em 17 de Abril de 1949. Os jesuítas jogavam na 3ª Divisão e eram treinados por “Pinga”, o célebre jogador do Porto. Os leões tinham conquistado o Campeonato Nacional que terminara uma semana antes, mas as derradeiras cinco jornadas foram penosas, com duas derrotas e um empate.  O pior foi a grave lesão de Peyroteo no final do mês de Março na Covilhã. Mas também Veríssimo, Jesus Correia e Travassos, entre outros, estavam com problemas físicos.

Cândido de Oliveira sonhava com a Taça Latina que se disputaria na segunda quinzena de Junho e na última jornada do Campeonato em Guimarães, em 10 de Abril, dos “Cinco Violinos” apenas fez alinhar Vasques. Uma semana depois, para a Taça de Portugal em Santo Tirso, o treinador voltou a poupar alguns dos habituais titulares, entre eles, Veríssimo, Jesus Correia e Travassos, para além de Peyroteo que continuava lesionado. O nº 9 leonino só voltaria a jogar num particular com o Deportivo da Coruña em 29 de Maio.

No Tirsense - Sporting correu mal tudo o que podia correr mal. Um campo sem condições para a prática do futebol, o jovem Sérgio Soares acusou a responsabilidade de substituir Peyroteo, um golo mal invalidado, bolas na trave e no poste e Azevedo, que se lesionara, cometeu aos 83 minutos um lapso que permitiu que Mendes fizesse o 2-1 que vigorou até ao final do jogo. O tricampeão nacional que tinha conquistado a Taça de Portugal nas últimas três edições ficou pelo caminho na primeira eliminatória da prova em 1948-49.

Ficha de jogo:

Taça de Portugal (1ª eliminatória)

Tirsense 2 - Sporting 1

Campo Abel Alves de Figueiredo, 17 de Abril de 1949

Árbitro - Augusto Pacheco (Aveiro) 

Tirsense - Daniel, Joaquim, Chelas, Cruz, Álvaro, Prazeres, Zeca, Falcão, Mendes, Catolino e Mota

Treinador - Artur Sousa “Pinga”

Sporting - João Azevedo, Octávio Barrosa, Juvenal, Canário, Manecas, Mateus, Armando Ferreira, Vasques, Sérgio Soares, João Martins e Albano

Treinador - Cândido de Oliveira

Golos - 0-1 Armando Ferreira (12m), 1-1 Catolino (20m) e 2-1 Mendes (83m) 

(Fotografia na revista Stadium, 2ª série nº 333 de 20 de Abril de 1949)

publicado às 13:03

Fotografia com história dentro (150)

Leão Zargo, em 09.06.19

SCP juniores 1955-56 Campeão Nacional.jpg

Os juniores leoninos em 1955-56

A maioria dos sportinguistas considera que a Formação leonina no futebol faz parte do ADN do Clube. Essa convicção está associada ao histórico de jogadores que se iniciaram nas camadas jovens e a uma tradição de décadas que permitiu que muitos desses atletas tivessem alinhado na equipa principal. O Sporting conquistou a primeira edição do Campeonato Nacional de Juniores, em 1938-39.

Todos conhecemos os nomes de Octávio Barrosa, Manecas, Morato (pai e filho), Fernando Mendes (médio), Pedro Gomes, Alexandre Baptista, Damas, Zezinho, Bastos, Aurélio e Carlos Pereira, Laranjeira, Caló, Barão, Inácio, Freire, Ademar, Virgílio, Carlos Xavier, Venâncio, Futre, Litos, Lima, Mário Jorge, Fernando Mendes (defesa), Paulo Torres, Cadete, Beto, Peixe, Figo, Cristiano Ronaldo, Rui Patrício e Adrien, entre muitos outros. Integraram os escalões jovens e o plantel sénior.

A equipa de juniores da época de 1955-56 terá sido uma das mais fortes sempre no que refere à qualidade colectiva, e começou a ser construída nos principiantes dois anos atrás. Nessa época venceu as duas competições em que participou, o Campeonato Regional e o Campeonato Nacional. Em trinta e dois jogos consentiu três empates e uma derrota, marcou cento e quarenta e três golos e sofreu nove golos. O treinador era o argentino Anselmo Pisa, que orientava também o plantel principal.

***A fotografia refere-se à final do Campeonato Nacional com a Académica de Coimbra, nas Salésias em 6 de Maio de 1956, que os leões venceram por 7-1:

De pé - Anselmo Pisa, António João Azevedo, Serra Coelho, Brito Lobato, Fernando Mendes, Emanuel Carvalho, António Morato, Nelito Fernandes e Valente;

Em baixo -  Mário Couto, Carlos Coutinho, Jorge Mendonça, José Sampaio, Elísio Bispo e Carlos Santos.

publicado às 12:38

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