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A "curva"

Desert Lion, em 04.10.13

Há uma semana atrás, uma região para onde viajo com frequência, quase parou. Não há ali grandes equipas de futebol, mas o futebol é o desporto-rei nas preferências de todos e, os melhores jogos, das melhores ligas, colocam a população inteira à frente da televisão. Há uma semana atrás defrontaram-se Chelsea e Tottenham. Dada a qualidade dos intérpretes e a posição na tabela classificativa, o jogo por si só já seria interessante, mas o duelo Mourinho vs Villas-Boas – ex amigos e colegas de equipa técnica que acabaram em guerra aberta - espicaçado pela imprensa inglesa, tornou tudo ainda mais saboroso.

 

Mourinho e Villas Boas são, unanimemente, considerados dois dos melhores técnicos de futebol do mundo, treinando, actualmente, duas grandes equipas, daquela que será a liga mais competitiva e interessante do planeta. Mourinho e Villas-Boas têm ainda outra coisa em comum: ambos tiveram pré-acordos para virem treinar o Sporting e nenhum deles alguma vez o pode fazer. Um porque, diziam alguns dos nossos, era muito jovem, inexperiente e “benfiquista”. O outro porque, diziam os mesmos dos nossos, era muito jovem, inexperiente e “portista”.  Depois, foi o que se viu – sucesso internacional sem paralelo entre treinadores portugueses. São situações como estas que me fazem pensar que sendo a “curva”, geralmente, fantástica, não deixa de haver ocasiões em que eu gostaria que tivesse havido a coragem de mandar a “curva” dar uma curva... Tendo sido eleita nas difíceis circunstâncias em que foi, e gozando de inegável prestígio junto da massa associativa - como desde o tempo de JEB não se via no Sporting - muito gostaria que esta fosse a Direcção capaz de o fazer quando a pressão se começar a fazer sentir.

 

publicado às 19:23

 

...que o nosso presidente venha mesmo a receber o tal salário de 5.000 euros por mês, como remuneração pelo desempenho de funções no Sporting. Leio o seu percurso profissional e é pela sua pena que fico a saber que, apesar de ainda bastante jovem, já conquistou a sua “independência financeira”. Isso mesmo é o que nos é dito no seu site de candidatura, Sporting no Coração: - “Em síntese, a actividade empresarial desenvolvida sobretudo no ramo da construção (1994 a 2008) proporcionou-lhe um período de trabalho intenso possibilitando-lhe atingir da sua independência financeira."

 

Nesse mesmo site diz-se que, desde 2009, e já conquistada a tal “independência financeira”, o presidente não se dedica a nada mais do que à Fundação Aragão Pinto, vocacionada para o apoio a crianças carenciadas. Ora, estou certo que o presidente não será pago para desempenhar esse trabalho: afinal, qual de nós aceitaria receber dinheiro de uma Fundação que se dedica a apoiar crianças de meios desfavorecidos - recebendo para tal fundos e apoios públicos – se fossemos, como BdC, os fundadores de tal Instituição e tivéssemos a nossa independência financeira assegurada? Pelo que, estou certo, que o presidente terá vindo a desempenhar tais funções de modo gratuito, até porque, atingida a sua “independência financeira”, não quereria a retirar dinheiro de tão louvável iniciativa, para se fazer pagar um mero ordenado - de que não precisava para nada...

 

Claro que todos somos diferentes e cada um terá a sua maneira de avaliar estas situações. Como eu sinto o meu Clube, tivesse eu a minha independência financeira assegurada, e nunca aceitaria receber um tostão que fosse pelo desempenho de qualquer função no Sporting. Aliás, não sou só eu que penso assim: – ao longo do seu rico historial, o Sporting apenas teve 1 presidente remunerado (ainda houve outro que também recebeu salário, mas quem lhe pagou foi o Dr. Roquette...) e apenas o foi porque afirmou que dependia do seu trabalho para viver. Custa-me, assim, a acreditar que tenhamos, agora, o primeiro presidente da história do Sporting que, já sendo rico - “financeiramente independente” - ainda vá para Alvalade para receber mais algum...

 

publicado às 19:19

A entrevista de Luís Duque

Desert Lion, em 15.09.13

 

Ouvi com atenção a entrevista de Luís Duque à Bola TV. Não com agrado, diga-se. Duque é extremamente infeliz nesta entrevista e ao querer afastar a água do capote, afirma-se como uma autêntica nulidade, que se ia deixando ultrapassar em todas as matérias, incluindo as que directamente lhe diziam respeito. O administrador da SAD que não sabe qual a situação financeira e que nunca reuniu com um empresário de um único jogador (é ele que o diz...) é tão surreal que custa a imaginar que o homem realmente lá estivesse.

 

E depois há o que é dito de Godinho Lopes. Godinho Lopes é apresentado bem... como um gestor acossado e sem capacidade de reacção.

 

É óbvio que Godinho ouvia toda a gente porque tinha medo de desagradar a alguém. Tendo entrado com a legitimidade ferida depois da "cena" da noite das eleições, pensou que o melhor seria agradar a toda a gente, em vez de gerir o Clube com mão firme. Prova evidente deste temor foi a carta de desculpas enviada aos sócios depois da derrota no jogo de apresentação. Só um homem acossado e em perda de confiança tomaria tal atitude. E ele fê-lo logo no início do mandato, o que seria um prelúdio do que estava para vir.

 

Depois foi sempre por aí abaixo, desde não mexer na estrutura e empregar novas pessoas, criando redundâncias sem sentido ; a despedir o Domingos por indicação de umas pessoas que eu cá sei (mas que não digo...) ; a dar o lugar ao Sá Pinto para satisfazer certos sectores do Clube ; a ter contratado o Elias por causa de um acordo de cavalheiros?!? ; até nunca ter confrontado, com clareza, o Dr. Barroso, que para além de se movimentar junto dos jogadores do Sporting, certamente com aquela peculiar subtileza que lhe é reconhecida, parece que ainda meteu água ao operar o Luís Aguiar à perna errada (e este é mesmo o tipo de coisa que só acontece no Sporting: o médico opera o jogador à perna errada mas o jogador é que é despachado para o estrangeiro, porque só pensava em acertar contas com o médico que lhe colocou a carreira em risco...).

 

A propósito desta entrevista posso agora contar uma pequena história que se passou comigo. Estava um dirigente do Sporting a jantar na minha casa, pouco depois de terem vencido as eleições, quando recebe um telefonema do Duque a dizer que queria sair da SAD. De imediato este dirigente liga a Godinho Lopes e fica em telefonemas para um e para outro, durante mais de uma hora. A história acaba com os três a irem para casa do Godinho Lopes e por lá resolverem as suas divergências.

 

Lá pelo meio diz-se que Godinho colocou o seu património ao serviço do Clube. É apenas uma frase. Mas diz muito do que foi este presidente do Sporting. É preciso mais do que boas intenções para se conseguir o sucesso. E se lhe faltaram as condições externas, com alguns dos nossos de maior notoriedade em guerra notória, pública e permanente contra aquela que era a Direcção eleita, também esta não soube gerir e dar-se ao respeito internamente. Foi uma pena e uma oportunidade que todos perdemos. 

 

publicado às 21:37

Empréstimos graciosos

Desert Lion, em 15.09.13

Procurei nas páginas do Jornal do Sporting dedicadas à reestruturação do plantel, a referência aos valores conseguidos pelos empréstimos de Miguel Lopes e Viola. Nada consta. Pode então concluir-se que, ao invés dos rumores que foram postos a circular, o Sporting não recebe 1 milhão pelo empréstimo do Miguel Lopes ao Lyon, nem 400.000 euros pela cedência do Valentin Viola ao Racing. Ou seja, ambos saíram de borla...

 

publicado às 21:26

Desert Lion - Personal Disclaimer

Desert Lion, em 14.09.13

 

Nos últimos posts que publiquei, muitos comentadores têm vindo a acusar-me de divisionista, bota-abaixista e outros adjectivos ainda menos simpáticos. Em resposta as estas considerações, que não só não considero justas, como ofendem o meu Sportinguismo de mais de 40 anos, gostaria de deixar este “personal disclaimer”. Acabou por resultar um pouco longo e, por tal, peço, desde já, a compreensão dos nossos leitores.

 

Fui mais um dos muitos Sportinguistas, que durante muito tempo nem se incomodou em ir votar nas AG’s. Pura e simplesmente deixei andar, como muitos de nós fizemos. No entanto, nas eleições de há cinco anos atrás, algumas pessoas em que confio alertaram-me para o mal que andaria a corroer o Sporting e que nos levava a ter déficites financeiros permanentes e resultados desportivos pouco relevantes. Esse mal era, diziam-me, a Banca. A Banca estaria a sugar o sangue ao Sporting, com a conivência de alguns dos Directores do Clube, que partilhariam uma fatia desse bolo.

 

Voluntariei-me pois, para participar numa campanha eleitoral que tinha como grandes objectivos mudar as pessoas que lá estavam (a “linhagem” ou os “lambuças”, como agora lhes chamam) e realizar uma aprofundada auditoria de gestão ao Clube/SAD. Nas urnas, a generalidade dos Sportinguistas pronunciou-se contra nós (por exemplo, o actual presidente, apoiou e votou com a “continuidade”). Mas ter apoiado essa campanha fez-me estudar a situação do Clube/SAD. O que identifiquei foi uma muito má gestão desportiva, que provocava os tais déficites financeiros permanentes. Descobri ainda, para minha total surpresa, que os Bancos eram os melhores aliados do Sporting. Estiveram sempre no apoio a todas as necessidades que fomos tendo, cobrando taxas de juro muito abaixo do que era o verdadeiro risco das operações de financiamento (se algum leitor quiser aprofundar esta matéria, veja por favor a pag. 123 do último R&C, onde constam as condições de financiamento da SAD antes da reestruturação).

 

Nas eleições seguintes, estávamos perante duas escolhas potencialmente vencedoras: Godinho Lopes ou Bruno de Carvalho. Ambas eram escolhas de risco. Ambas se propunham aumentar muito os gastos de investimento e salariais do plantel, tendo em vista a criação de um ciclo virtuoso: ganhos desportivos -> maiores receitas (Champions League, bilheteira, TV, etc...) –> valorização e venda de activos (jogadores) - > compra de jogadores mais valiosos -> mais sucesso desportivo, etc, etc. No caso de Godinho Lopes tal far-se-ia com adicional recurso à Banca; no caso de Bruno de Carvalho através de um fundo que iria disponibilizar 50 milhões de euros, ficando pois titular da grande maioria do passes, mas obviamente com comparticipações do Sporting aos níveis da aquisição de alguma percentagem nesses mesmos passes e do pagamento dos salários e outras despesas dessas novas estrelas.

 

Sendo os objectivos de ambos os contendores a criação de uma gestão desportiva que nos levasse ao sucesso, acabei por me decidir pelo apoio ao Godinho Lopes. Ele trazia um homem para a gestão do futebol – Luís Duque - que, numa época anterior de investimento forte, nos permitiu vencer o Campeonato Nacional. Confiei que a gestão desportiva seria melhorada e o tal ciclo virtuoso, que ambos os candidatos prometiam, seria mais facilmente alcançado como quem já o tinha feito antes. Infelizmente enganei-me e as consequências estão à vista. É evidente que essa gestão falhou clamorosamente. O investimento foi feito sem critério, não houve coragem nas decisões a tomar e tudo isto se traduziu num descalabro que saiu muito caro ao Sporting, comprometendo-lhe, ainda mais, um futuro que já era bastante negro, depois das gestões de FSF e de JEB.

 

Chegamos então ao último acto eleitoral. Das duas alternativas em campo, a minha preferência pessoal ia para José Couceiro. Prometia uma equipa de gente que conhecia a Academia, o que adicionado ao seu conhecimento do futebol a nível internacional, poderia fazer a diferença no que toca à gestão desportiva do Sporting. Do outro lado estava Bruno de Carvalho. Este último tinha entusiasmado as gerações mais jovens do Sporting, aquelas que estávamos a perder devido as gestões desastrosas dos últimos anos. Na minha análise final entendi que haveria um risco claro de ruptura no Clube, caso BdC não ganhasse. O desinteresse dos mais jovens poderia ser a lapide na campa do Sporting. Se perdêssemos o que de mais valioso temos – a aderência de milhões de sócios e simpatizantes – perderíamos tudo, até porque todo o resto já estava altamente comprometido. Optei, assim, por votar na lista de BdC para a Direcção. Pareceu-me a opção que melhor defenderia o Clube de uma potencial “guerra civil”, que achei que poderia vir a acontecer caso ele não vencesse desta vez.

 

Mas não foi por ter votado em BdC que o passei a considerar algum santo de obra imaculada. Sei que existem falhas passadas. Prometi a mim próprio manter-me atento e vigilante, na limitada medida das minhas capacidades, quanto ao que esta gestão iria fazer no Sporting, pois já não há margem para mais erros. O Rui Gomes deu-me a oportunidade de o fazer publicamente através do blogue dele. Muito lhe agradeço a atenção e gabo a paciência. Aliás, muito louvo o Rui pelo elevado nível de entendimento democrático que mantém no Camarote Leonino. Ele soube que eu votei no BdC – porque eu lho referi claramente -, mas acolheu-me neste seu blogue sem quaisquer problemas ou restrições. Ao contrário de outros lugares, aqui não se fala pela voz do dono. Aqui, cada um tem direito à sua opinião.

 

Em conclusão, quero que fique claro que uma análise crítica dos actos de gestão não quer dizer que queira deitar abaixo uma Direcção - que, como já referi, até ajudei a eleger. E muito menos quer dizer que defenda a anterior. Quer dizer apenas que me preocupo com o Clube e o quero ver bem gerido. Não acredito em apoios acefalos e seguidismos fanáticos. Assim, pela parte que me toca, penso que só posso contribuir deixando um compromisso de isenção e lisura na análise, seja na crítica ou no apoio, ao que se vai fazendo no nosso glorioso Sporting Clube de Portugal.

 

publicado às 18:56

O Ilori

Desert Lion, em 13.09.13

O passe do Ilori foi vendido por 6 milhões de euros. O Sporting poderá ainda receber mais 1,5 milhões de euros, em funcão do rendimento desportivo do jogador. Zahavi 1 - Sporting 0.

 

publicado às 09:05

Um louvor e uma dúvida

Desert Lion, em 13.09.13

De louvar:

 

É notável a colocação no Jornal do Clube das movimentações acontecidas no defeso, ao nível dos planteis da equipas A e B. Parece-me um procedimento muito inovador e altamente informativo, que pela sua própria existência acaba por forçar a manutenção de altos níveis de transparência nas transacções de passes de jogadores. É uma excelente ideia e muito bom seria que fosse para manter.

 

A dúvida:

 

A aquisição de 60% do passe do Jefferson ao Estoril Praia terá custado, de acordo com o quadro que referi acima, 500.000 euros. Já no R&C de 2013, recentemente conhecido, o Estoril Praia consta como credor do Sporting, por venda de passe de jogador, no valor de  615.000 euros. Esta seria a posição devedora global do Sporting a 30 de Junho de 2013: não sei, exactamente, a que transacções se refere, nem sei se o valor global dessas transacções terá sido esse, ou se foi superior. Poderão, talvez, os nossos leitores mais próximos da Direcção esclarecer este ponto?... (Petinga, Bruno Gimenez, Sérgio Palhas, Lion73, FCS... e todos os outros de que não me recordo neste momento, acreditem que não estou a ser cínico quando quando peço a vossa contribuição - penso que seria muito útil este esclarecimento).

 

Adenda: Já me foi explicado que o Sporting não terá pago nada inicialmente, vindo a pagar no futuro, e que a valorização mencionada se refere a quantia integral da transacção em dívida, acrescida do IVA de transacções intra-terrotoriais. Assim sendo, considere-se a dúvida estar esclarecida, ficando apenas válido o meu louvor pela transparência nesta reestruturação do plantel.

 

publicado às 06:36

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