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Fotografia com história dentro (199)

Uma Delegação do Sporting na Mina de S. Domingos

Leão Zargo, em 24.05.20

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A Mina de S. Domingos, no concelho de Mértola, é um sítio singular. Localizada na Serra de S. Domingos, numa zona de fronteira com a Espanha e o Algarve, teve destaque na Antiguidade em virtude da extracção de minérios. A sua história moderna iniciou-se em 1854 quando a empresa britânica Mason&Barry adquiriu ao consórcio espanhol La Sabina a concessão da exploração de cobre, chumbo, zinco e enxofre, que se manteve até 1966.

A Mason&Barry levou para a Mina um “mundo” até então ali desconhecido. Habitação social, escola, hospital, cineteatro, central eléctrica e caminho de ferro para o escoamento dos minérios para o porto fluvial do Pomarão. Com a empresa mineira chegou também o futebol. Os clubes mais importantes foram o Guadiana Foot-ball Club e o S. Domingos Foot-ball Club. Os jogos realizavam-se num terreno onde está o Campo Cross Brown.

O Guadiana foi fundado em 1918 por adeptos do Sporting, equipava de verde e branco e tornou-se Delegação leonina. Participou nas competições da Associação de Beja, sendo o campeão da 2ª Divisão Distrital em 1940-41. A maioria dos jogadores eram mineiros que subiam desde o fundo da mina para jogar futebol ao ar livre. O seu espírito colectivo e o trabalho perigoso revelavam-se no comportamento aguerrido dos jogadores em campo.

Em Outubro de 1942, o presidente José Barão Martins referiu numa entrevista ao Diário do Alentejo a difícil situação financeira do clube. Não havia treinador e os dirigentes é que orientavam a equipa. A diminuição do preço internacional dos minérios tinha provocado uma grave crise nas minas, houve desemprego, os mineiros chegaram a trabalhar apenas quatro dias na semana e a maior parte dos sócios deixou de pagar as quotas. As últimas notícias sobre o Guadiana datam de 1954.

Na fotografia, uma equipa do Guadiana Foot-ball Club em 12.5.1940 (foto pertencente ao Centro de Estudos da Mina de S. Domingos).

publicado às 12:15

Gil Vicente 1 - Sporting 1 1999-00 CN 5ª jornada 25.9.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 22.05.20

Gil Vicente SCP 1999-00 1-1 CN 5ª jornada 25.9.19

O terceiro empate em cinco jogos. Outra vez a primeira parte oferecida ao adversário. Um jogo para nunca esquecer e o penálti que o árbitro fez que não viu. Mas, viu bons motivos para expulsar Beto e Marcos, logo os dois centrais. A uma provocação, Beto achou normal responder à cabeçada. Marcos não dá para mais. Schmeichel pareceu mal batido.  

O futebol do Sporting é uma garrafa de vinho meia vazia. Valeu o Acosta, o Rui Jorge e o Delfim, talvez o Barbosa, o Aiew e o Toñito.  A angústia daquele jogo parecia não ter fim. A propósito de outras coisas, Mário Cesariny alertou: “Limito-me a dizer objectivamente o que penso. Chegámos ao extremo-limite do perigo”. Se houver vontade, é possível mudar.

O Sporting jogou com Schmeichel, Quim Berto, Marcos, Beto, Rui Jorge, Delfim, Duscher (Edmilson, 79’), Pedro Barbosa-capitão, Aiew, Acosta (Vidigal, 89’) e Viveros (Toñito, 45’). Golos de Fangueiro (12’) e Delfim (79’).

publicado às 13:15

Thomas George Webster, Rapazes no Downe Field.jpg

Thomas George Webster, Um Jogo de Futebol, 1839 (?)

Óleo sobre tela, 15X32 cms, Museu Nacional de Futebol, Manchester

Thomas George Webster foi um pintor inglês do século XIX conhecido pelas suas obras de pintura de género, frequentemente tendo as crianças como tema, representando cenas do quotidiano de uma maneira genial, sensível e bem-humorada. O seu trabalho teve enorme sucesso popular permitindo-lhe alcançar um lugar na Royal Academy.

Um Jogo de Futebol representa um grupo de crianças, num ambiente rural, jogando à bola junto a uma azinhaga. À direita um grupo numeroso de jogadores e à esquerda, isolado e combativo, o guarda-redes pronto para executar uma defesa. O grupo assume uma atitude dinâmica pelo movimento numa diagonal ascendente dos corpos na expectativa da jogada. O guarda-redes, retraindo-se, os braços colocados em suspenso, concentra o olhar na trajectória possível da bola, qual David enfrentando Golias. O pintor trata as crianças de forma realista usando uma paleta cromática de tons suaves e harmoniosos.

publicado às 12:30

Sporting 1 - Estrela da Amadora 1 1999-00 CN 4ª jornada 20.9.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 19.05.20

SCP EA 1999-00 1-1 CN 4ª j 20.9.1999 2.jpg

J.P. Sartre escreveu que num jogo de futebol tudo se complica com a presença da equipa adversária”. Nem mais. A primeira parte a ver jogar, isto já parece sina. O segundo penálti falhado. A bola é redonda e são onze de cada lado, mas há ali muita conversa embalada. Depois foi o sufoco da segunda parte, lá à frente, mas a temer o contra-ataque.

Acosta jogou o jogo todo, nunca se escondeu, não fez gazeta nem um minuto. Marcou um golo, viu outro anulado. Extraordinário espírito colectivo e de luta, para dar e vender. Puxa pela equipa e pelos adeptos. Empatámos o jogo, apesar do trabalho dele. Precisamos de alguém assim, tem de jogar sempre. A seguir vamos a Barcelos.

O Sporting alinhou com Peter Schmeichel, Saber, Marcos, Beto, Rui Jorge (Vinicius, 66’), Delfim, Duscher, Pedro Barbosa-capitão (Edmilson, 45’), Aiew (Vidigal, 86’), Acosta e Viveros (Toñito, 71’). Golos por Gaúcho (9’) e Acosta (54’).

publicado às 14:00

Tavares da Silva e Artur Agostinho

Leão Zargo, em 18.05.20

Tavares da Silva e Artur Agostinho.jpgTavares da Silva (1903-1958) e Artur Agostinho (1920-2011) foram duas das personalidades mais fascinantes do futebol português do seu tempo. Apesar de gerações diferentes, mantiveram sempre uma relação profissional e pessoal muito próxima até à morte prematura de Tavares da Silva.

Tavares da Silva foi jornalista desportivo, um dos fundadores de A Bola em 1932 e escreveu na revista Stadium, Diário de Lisboa e O Norte Desportivo. Treinou vários clubes, nomeadamente Belenenses, Sporting, Académica de Coimbra, Lusitano de Évora e Sporting da Covilhã e foi seleccionador nacional nos anos 40 e 50. Publicou em 1940 com Ricardo Ornelas e António Ribeiro dos Reis a “História dos Desportos em Portugal”, para além de ter sido árbitro de futebol e membro da comissão federativa que elaborou um projecto de Estatuto do Jogador em 1955.

Artur Agostinho foi o mais completo jornalista radiofónico da sua geração, juntamente com Fernando Pessa e Pedro Moutinho. Começou como locutor em 1938 na Rádio Luso, mas através da reportagem desportiva alcançou níveis invulgares de popularidade. A riqueza do seu vocabulário e a emoção da voz permitiam que os ouvintes visualizassem as peripécias de um jogo de futebol. Treinava com muito cuidado os improvisos que, depois, surgiam como espontâneos. Ribeiro Cristóvão afirmou que Artur Agostinho “era a rádio”.

Na fotografia, Artur Agostinho entrevista Tavares da Silva.

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (198)

Os golos leoninos de Cristiano Ronaldo (2002-03)

Leão Zargo, em 17.05.20

Cristiano Ronaldo SCP 2002-03.jpg

Em 2002-03, Cristiano Ronaldo tinha 17 anos de idade quando foi integrado no plantel principal pelo treinador Lazlo Boloni. Ainda fez dois jogos pela equipa B, mas estava de pedra e cal entre os melhores. Alinhou logo no primeiro jogo-treino da pré-época com o Samouquense, à porta fechada em Alcochete em 6 de Julho, e marcou o seu primeiro golo como sénior.

Esteve presente nos principais jogos da pré-época como titular ou suplente utilizado, nomeadamente com o Olympique Lyonnais, Wolverhampton, PSG, Pontevedra (Troféu “Ciudad de Pontevedra”), Benfica (Troféu “Superbola”) e Celta de Vigo. Estreou-se num jogo oficial em 14 de Agosto frente ao Inter de Milão, na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, entrando aos 58 minutos para o lugar de Toñito. No Campeonato Nacional estreou-se com o SC Braga, em 29 de Setembro, substituindo Nicolae aos 69 minutos.

Cristiano Ronaldo conseguiu 5 golos em jogos oficiais em 2002-03. Marcou no Sporting 3 - Moreirense 0, em que bisou aos 34 e 92 minutos, e no Boavista 1 - Sporting 2, quando entrou aos 82 minutos a substituir Ricardo Quaresma e seis minutos depois garantiu a vitória leonina com um golo à ponta de lança. Deixou ainda o seu registo de goleador com o Estarreja e o Oliveira do Hospital para a Taça de Portugal. Nessa época, Cristiano esteve em 31 jogos oficiais, depois Sir Alex Ferguson levou-o para o Manchester United a troco de 15 milhões de euros no Verão de 2003.

publicado às 14:00

Taça das Taças - 15 de Maio de 1964

Leão Zargo, em 15.05.20

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Naquela tarde de 15 de Maio de 1964, em Antuérpia, João Morais desenhou numa folha de papel A4 um pontapé de canto quase impossível e colocou a bola directamente na baliza. Foi o cantinho do Morais que abriu caminho à conquista da gloriosa Taça das Taças.

Sobre essa conquista, Pedro Gomes escreveu o seguinte: “Demos tudo o que tínhamos ao deixarmos em campo a pele, a alma e o suor. Mas fomos e somos compensados ao entrarmos na história do Nosso Clube e ao sermos considerados pelos Sportinguistas de Boa Memória.”

Na foto, a apresentação da Taça das Taças aos portugueses no intervalo de um Portugal - Inglaterra, no Estádio Nacional, em 16 de Maio de 1964.

publicado às 16:00

SC Farense 0 - Sporting 3 1999-00 CN 3ª jornada 12.9.1999

Diário de um título (1999-00)

Leão Zargo, em 15.05.20

SCF SCP 1999-00 0-3 CN 3ª jornada 12.9.1999.jpg

Domingo cheio de sol em Faro, com o S. Luís completamente cheio. Foi ali que comecei a gostar do futebol. O Farense jogou com sua camisola Stromp, bipartida preta e branca. O Sporting não deu hipóteses, entrou logo com fome de bola. Há dias assim. Aiew aos dois minutos e Rui Jorge aos nove simplificaram o que seria complicado.

Aiew marcou um golo semelhante ao que fez ao Setúbal. O ganês entrou por ali a dentro como um leopardo na savana. Rui Jorge e Delfim marcaram de livre directo. Cada livre deles escaldou as luvas do Candeias. Delfim marcou e levantou a camisola. Por baixo dizia “Um golo por Timor”. O futebol tem muitas coisas bonitas de se ver.

Os leões em campo: Schmeichel, Saber, Marcos, Beto, Rui Jorge (Vinicius, 66’), Delfim, Duscher, Pedro Barbosa-capitão, Aiew (Acosta, 89’), Edmilson e Viveros (Vidigal, 83’).

publicado às 14:00

Henri Rousseau, The Football Players

Leão Zargo, em 14.05.20

Henri Rousseau The Football Players 1908 óleo sob

Henri Rousseau, The Football Players, 1908,

Óleo sobre tela, 100X80,3 cm, Solomon R Guggenheim Museum, NY

Durante a sua vida, Henri Rousseau tornou-se uma sensação no contexto da relativamente pequena cena artística parisiense. As suas obras de pintura naïf (primitivismo) foram referenciadas por Guillaume Apollinaire e Pablo Picasso, entre outros, e Rousseau passou a ser considerado uma força importante por artistas como Vasily Kandinsky, Fernand Léger e Max Beckmann apenas alguns anos após a sua morte.

Na sua obra The Football Players (Os jogadores de futebol), Rousseau apresenta uma paisagem com cores entre o verde e o amarelo dourado na copa das árvores e um luminoso azul celeste no plano de fundo. Na composição há um grupo de quatro jogadores de futebol correndo e jogando à bola numa acrobacia dandi, ao gosto da burguesia elegante de Paris, num caminho ladeado por uma densa vegetação aparada e confinada por postes de madeira. Todos usam bigode e vestem um equipamento às riscas. Dois dos jogadores estão de equipamento rosa e azul, enquanto que os outros dois estão de equipamento laranja e amarelo. Dois dos homens estão de óculos e todos exprimem sorrisos no rosto. O espaço em que eles estão a jogar é cercado por árvores de ambos os lados e postes de madeira que criam o caminho numa tentativa de construir uma cena em perspectiva. A bola assemelha-se a um astro, elemento comum nas pinturas de Rousseau.

publicado às 12:45

Sporting 2 - Vitória de Setúbal 1 1999-00 CN 2ª jornada 30.8.1999

Diário de um título (1999-00)

Leão Zargo, em 12.05.20

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Segunda feira à noite a reviver o passado em Alvalade. A primeira parte foi de arrepiar. No relvado, todos deram o litro, mas havia sempre um passe a mais ou a menos. Bola para um lado, jogador para outro. Um livre directo, o Chiquinho do Setúbal a fazer que faz, mas não fez, e o Schmeichel a ver o baile. Só nos sonhos é que o guarda-redes agarra sempre a bola.

Valeu a segunda parte que foi de grande luta, de muito esforço, com dois golos do Aiew e do Beto. Rapidez felina de um, impulsão espectacular do outro. Os adeptos puxaram pela equipa, também fazem parte do jogo. O futebol por vezes recompensa quem se entrega à luta. Não é uma ciência exacta, mas ainda existem coisas exactas no futebol.

Jogámos com Schmeichel, Saber, Marcos, Beto, Vinicius (Rui Jorge, 45’), Delfim, Duscher, Pedro Barbosa-capitão (Acosta, 86’), Toñito (Hanuch 62′), Aiew e Edmilson. Os golos do Sporting foram marcados por Aiew (53′) e Beto (79′). O Pedro Henriques marcou o livre directo que deixou o Schmeichel aos papéis (34’).

publicado às 13:30

A revista Stadium (1932-1951)

Leão Zargo, em 11.05.20

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A imprensa desportiva teve um papel determinante na divulgação do desporto no nosso país, e em particular do futebol. Essa importância decorreu do seu carácter informativo sobre o futebol, a história, as regras do jogo, os clubes e os jogadores e porque era habitual a sua participação na organização de competições e atribuição de troféus ou prémios.

A imprensa assumiu a partir da segunda década do século passado uma nova narrativa cultural e desportiva. Abandonou progressivamente o olhar elitista sobre os estilos de vida das classes sociais aristocrática e burguesa e do “sport de cavalheiros”, passando a realçar a beleza estética do jogo, a força e a dinâmica dos jogadores e o carácter interclassista do futebol. Tratou-se de uma narrativa original que partiu do interior dos jornais para um público cada vez mais alargado que se interessava pela leitura, promovendo assim outra perspectiva do futebol enquanto grande fenómeno cultural e desportivo de massas.

Stadium N282 28Abr1948 capa.jpg

A revista Stadium, cujo primeiro número surgiu em 1932 e que se publicou até 1951, participou nesse vasto movimento que contribuiu para um novo tipo de jornalismo e para a alteração da paisagem desportiva portuguesa. Obteve um rápido sucesso junto dos leitores pelas suas reportagens escritas sobre os jogos de futebol, mas também pelo seu formato inovador assente na fotografia e no grafismo, com uma impressão de extrema qualidade. No início utilizou como subtítulo “Revista de sport e de teatro”, mas nos anos 40 passou a apresentar-se como “A revista gráfica de desportos de maior tiragem e expansão”.

Apesar das alterações gráficas e mudanças de directores, a revista foi sempre fiel a um estilo informativo rigoroso e conhecedor do desporto, acompanhado por um grafismo inovador e de fotografias de grande qualidade estética. Informação e imagem caminharam sempre lado a lado. A Stadium deixou de se publicar em Dezembro de 1951, numa altura em que os jornais A Bola e Record tinham passado a dominar o florescente mercado da imprensa desportiva em Portugal.

Nas imagens, a capa e páginas interiores da Stadium, nº 282 de 28 de Abril de 1948, sobre o Benfica-Sporting que determinou o vencedor do chamado “Campeonato do Pirolito”.

publicado às 14:00

Fotografia com história dentro (197)

O Sporting e Eusébio

Leão Zargo, em 10.05.20

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“Eu nem do Sporting de lá gosto, quanto mais do de cá. Tudo o que hoje sou é graças a mim, aos meus colegas e ao Benfica”, garantiu Eusébio numa entrevista à revista Única do jornal Expresso, em 12 de Novembro de 2011. Na entrevista, afirmou também que em Moçambique, na época colonial, o Sporting “era o clube da elite, da policia e dos racistas”.

A fotografia é da equipa júnior do Sporting de Lourenço Marques na época de 1959-60 onde tinham lugar os jovens brancos, negros, mestiços, indianos e chineses da capital moçambicana desde que tivessem qualidade para isso. Eusébio foi primeiro ao Desportivo de Lourenço Marques para prestar provas e não o deixaram treinar. A seguir, compareceu no Sporting e o treinador Nuno Martins integrou-o no plantel júnior leonino.

Nessa entrevista, Eusébio foi muito injusto para com o clube que o recebeu. Na verdade, durante três anos ele jogou nos juniores e nos seniores dos leões laurentinos, tornando-se uma estrela do futebol moçambicano por mérito próprio, mas também por mérito do clube que lhe deu formação e o lançou como futebolista. Foi igualmente injusto para com Nuno Martins que o aconselhou, ensinou, preparou e encaminhou em diversas circunstâncias.

No essencial, a ida de Eusébio para o Benfica é bem conhecida. O presidente do Benfica Maurício Vieira de Brito agiu com prontidão audaciosa e entregou 250 contos à mãe e ao irmão mais velho do jogador, enquanto que o presidente do Sporting Brás Medeiros estava convicto de uma hipotética prioridade pelo facto dele jogar numa filial leonina, como se tinha verificado até essa data com os jogadores ultramarinos.

No diferendo entre os clubes, o Sporting teve o apoio da Direcção-Geral dos Desportos e o Benfica da Federação Portuguesa de Futebol. Houve histórias de espionagem pelo meio, Eusébio ainda esteve quase a ir para o Sporting através de Hilário, mas foi escondido no Algarve para não ser aliciado. Durante alguns meses, de Dezembro a Abril de 1961, ele ainda era jogador do Sporting de Lourenço Marques. Finalmente, em Maio, verificou-se uma decisão federativa favorável ao clube encarnado.

O antigo dirigente leonino Carlos Vieira propôs que deveria haver um espaço para Eusébio no Museu do Sporting. Não tem razão, pois o jogador nunca revelou reconhecimento ou carinho pelo nosso Clube e os sportinguistas vivem bem com o seu património histórico. Eusébio é do Benfica e terá o devido destaque no Museu encarnado.

Na fotografia, uma equipa de juniores do Sporting de Lourenço Marques em 1959-60:

Em cima - Braga Borges, Leitão, Bessa, Sal, James (capitão), Coelho e Delfim;

Em baixo - Madala, Roberto Mata, Eduardo, Eusébio, Morais Alves e Isidro.

publicado às 12:00

Santa Clara 2 - Sporting 2 1999-00 CN 1ª jornada 20.8.1999

Diário de um título (1999-00)

Leão Zargo, em 08.05.20

SCP 1999-00 jogo Santa Clara 2 Sporting 2 CN 1ª j

O jejum vai longo, ninguém esquece o “luto” na época passada, ser sportinguista é sinal de sofrimento. O Santa Clara chegou ao 2-0, o Gamboa andou à boa vida na grande área sem que o pusessem em sentido. Dois golos, toma lá um, toma lá outro a seguir. E ainda podia ter entrado o terceiro. Aquilo não foi uma defesa, foi um passador. Um alívio quando chegou o intervalo.

O Beto Acosta sacou um penálti para o Edmilson falhar, fez-lhe uma assistência que foi só encostar a cabeça e ainda empatou o jogo. O “Grand Danois” fartou-se de gritar com os defesas, ficaram todos com as orelhas a arder. Curioso, nos pontapés de canto o primeiro poste é dele, nunca tinha visto assim. O empate nos Açores soube a pouco, não é grande começo. Aguenta coração.

Na jornada de abertura, jogámos com Peter Schmeichel, Quim Berto (Hanuch 61′), Beto, Quiroga, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa-capitão, Toñito (Saber 45′), Acosta e Edmilson (Krpan 80′). Os golos do Sporting foram marcados por Edmilson (53′) e Acosta (64′). Pelo Santa Clara bisou o Gamboa (23’ e 44’).

publicado às 03:04

Presidente Frederido Varandas e Dr. Domingos Gomes

Em 7 de Maio de 1995 o FC Porto deslocou-se ao Estádio de Alvalade para disputar a 31ª jornada do Campeonato. O Sporting estava a quatro pontos de distância na classificação e uma vitória constituía a derradeira oportunidade para se aproximar da liderança.

Quando a comitiva portista chegou ao Estádio cerca de hora e meia antes do jogo, dezenas de adeptos que já estavam dentro do recinto foram a correr para o varandim sobranceiro à rua onde tinha estacionado o autocarro. Queriam pressionar os jogadores adversários. No entanto, a estrutura não suportou a força dos adeptos, cedeu e na queda duas pessoas, José Gonçalves e Paulo Ferreira, perderam a vida de leão ao peito. Cerca de vinte feridos foram transportados para os hospitais mais próximos.

Domingos Gomes era médico do FC Porto e acorreu de imediato ao local para prestar auxílio e salvar vidas. Não desistiu apesar de pedras atiradas do varandim que caíram perto. Provavelmente, não houve mais mortes devido à sua intervenção corajosa. A seguir chegou o plantel leonino com a finalidade de entrar pela porta 10-A. Houve lágrimas nos jogadores ao aperceberem-se do que se tinha passado e depois no balneário uma vertigem de emoções muito difícil de controlar.

O Sporting designou o dia 7 de Maio como o “Dia do Leão”, data em que homenageia todos os adeptos que já faleceram, nomeadamente José Gonçalves, Paulo Ferreira e Rui Mendes, a vítima mortal de um very-light na final da Taça de Portugal em 1996. Tornou-se um dia de solidariedade entre toda a comunidade sportinguista.

Em 7 de Maio de 2019 o presidente Frederico Varandas homenageou o doutor Domingos Gomes.

publicado às 18:10

Mario Zanini, Futebol

Leão Zargo, em 07.05.20

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Mario Zanini, Futebol, óleo sobre tela, 51,5X73 cms, Colecção Particular

O brasileiro Mario Zanini foi pintor, desenhista, gravador, ceramista e professor de artes plásticas. Filho de emigrantes italianos, Zanini desenvolveu a sua trajetória artística em São Paulo, onde residia no bairro operário do Cambuci. Em 1927, tornou-se amigo de Alfredo Volpi, vindo a integrar, juntamente com este artista, o Grupo Santa Helena. 

Na pintura Futebol, à maneira dos fauvistas, Zanini recorre a pinceladas largas para a definição das formas e à explosão libertária da cor através das cores primárias - amarelo, azul e vermelho, num diálogo com o branco e o preto dos equipamentos. As formas (a humana e a natureza) são sugeridas, não existindo preocupação com o desenho formal e realista.  Os tons de castanho (claro e escuro) permitem o tratamento da forma humana num diálogo com a paleta dos equipamentos. O uso livre da cor cria tensão entre uma pintura emocional e a formalização da estratégia do jogo: a expectativa da concretização da jogada e o voo livre na diagonal do guarda-redes que procura a defesa. Afinal, o diálogo entre forças antagónicas - o dinamismo e o bloqueio da jogada pelos futebolistas.

publicado às 14:00

O jogo de apresentação com o Belenenses (7.8.1999)

Diário de um título (1999-00)

Leão Zargo, em 05.05.20

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A bola já salta e parti à pressa para Alvalade. No relvado estavam todos no aquecimento. Fixei-me no Peter Schmeichel. No Hanuch roubado ao Benfica. De Franceschi  com nome de Ivone e Aiew correm muito, vão dar que fazer aos defesas. E os outros todos, se calhar até vamos ter equipa. O Toñito não equipou. Giuseppe Materazzi não convence, mas estão lá Manolo Vidal e José M. Torcato. A ver vamos. Muitas bandeiras, o entusiasmo, o clamor de sempre, começou o jogo e passou a existir apenas o que interessa.

O jogo não entusiasmou, o Belém não facilitou, mas ganhámos com um golinho do Aiew. Já está a render. O “Grand Danois” é um espectáculo dentro do espectáculo, o Barbosa passou o Verão sem comer “croissants”, o Duscher é um pêndulo e o Rui Jorge um relógio suíço, o Iorda está para as curvas, ainda mais o Beto, o Delfim, o Acosta, o Edmilson, o Vidigal… Estes jogos servem para aquecer os motores. À minha volta na bancada nova (sector 27 fila 21 cadeira 42) o pessoal do costume. Cumprimentos e polegares para cima.

Jogámos com Peter Schmeichel (Nelson, 80’), Saber (Quim Berto, 45’) Beto (Acosta, 81’), Marcos (Quiroga, 45’), Vinicius (Robaina, 6’ e Kmet, 57’), Delfim (Vidigal, 57’), Duscher (Viveros, 80’), Pedro Barbosa (Krpan, 45’), Rui Jorge, Iordanov-capitão (Hanuch, 45’) e Ayew (Edmilson, 45’).

publicado às 03:05

Fotografia com história dentro (196)

O presidente Manuel Teixeira Gomes e o Sporting

Leão Zargo, em 03.05.20

Manuel Teixeira Gomes Museu Sporting.jpg

O presidente da República Manuel Teixeira Gomes foi um praticante apaixonado de tiro, atletismo, esgrima e ginástica e frequentador assíduo de jogos de futebol. Foi o primeiro Chefe de Estado a assistir ao dérbi lisboeta, um Benfica - Sporting em 13 de Abril de 1924. Também esteve presente na final do Campeonato de Portugal entre o Olhanense e o FC Porto, em 8 de Junho de 1924. Ribeiro dos Reis comentou no jornal “Os Sports” tratar-se de “usança já praticada no estrangeiro, mormente em Inglaterra, onde o rei comparece nos desafios da famosa Taça”.

Em 1925, o presidente Manuel Teixeira Gomes visitou as instalações do Sporting, a sede e o campo Estância de Madeira que tinha beneficiado de obras de remodelação. A visita foi orientada por Salazar Carreira, que então exercia a presidência do Clube, tendo o Chefe de Estado ficado muito impressionado com o ecletismo desportivo sportinguista. No final da visita, escreveu no livro de honra que o Sporting “é, realmente, uma instituição animada pelo espírito mais puro de dedicação e entusiasmo, que só procura o bem e que para isso trabalha sem descanso”.

Na fotografia, o presidente da República Manuel Teixeira Gomes cumprimenta os filhos de Salazar Carreira.

(A foto foi retirada da página do Museu Sporting no Facebook.)

publicado às 13:30

Alexander Deyneka, “Goalkeeper”

Leão Zargo, em 01.05.20

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Alexander Deyneka, “Goalkeeper”, 1934, óleo sobre tela, 119 х 352 cms, New Tretyakov Museum, Moscovo

Figura singular na arte russa do século XX, Alexander Deyneka experimentou a corrente modernista na sua juventude, antes de se tornar uma das pedras angulares do realismo socialista. Artista plástico de extraordinário talento trabalhou uma diversidade de temas, nomeadamente o culto da saúde e o amor ao desporto e ao trabalho. O desporto tem um lugar de destaque na obra de Deyneka, que transpunha para a tela a própria experiência desportiva, captando a beleza do movimento e das formas com profunda entrega vivencial e emocional.

Em “Goalkeeper” sobrepõem-se três planos em perspectiva: a natureza em plano de fundo dando a noção realista da dimensão e da perspectiva do campo; num segundo plano, a meio campo, dois atletas suspendem os movimentos na expectativa do resultado da jogada; e em primeiro plano a dinâmica exponencial do guarda redes que impulsiona o corpo longilíneo, leve, flutuando em direcção à bola numa diagonal que corta o espaço e confere um grande dinamismo à cena. Destaca-se a paleta cromática de ocres terrosos, amarelos e castanhos com vislumbres de branco na definição da forma e do espaço.

publicado às 14:00

502x.jpg"Eterno Domingo - o Futebol em Oito Jornadas”, Editora Lápis de Memórias, de Ricardo Namora, faz recordar o celebérrimo slogan publicitário pela caneta distinta e muito criativa de Fernando Pessoa: "primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

É que a paixão experimentada pelo antigo futebolista e a linguagem poética do actual professor de Literatura levam-nos a uma leitura contínua, quase sempre com um afável sorriso nos lábios e a emoção no olhar. Trata-se de um livro de leitura verdadeiramente agradável e até realmente surpreendente sobre o futebol, um tema ainda pouco usual na literatura portuguesa.

Memória e sentimento. Como quando o autor recorda quase no final do livro “a criança que fui, enterrada no sofá a ouvir os relatos de futebol nessas tardes maravilhosas, desejando baixinho, e entre dentes, que o domingo fosse mesmo eterno e nunca mais acabasse”. A magia das ondas hertzianas possibilitava a ligação para aquilo que realmente importava. Então, tudo se aquietava à volta da telefonia.

Imagina-se que Ricardo Namora começou a construir a sedução das palavras no sonho de um pontapé de fora da grande área ou no malabarismo de um toque de calcanhar. Ou na imaginação do treino da sua equipa. Afinal, é o praticante do futebol como jogador e como treinador que escreve sobre o desporto-rei e as suas estruturas competitivas na Europa e na América Latina, as “pequenas histórias” que vivenciou, o grande espectáculo de massas e a atracção que ele exerce sobre os seus adeptos.

A literatura portuguesa é ainda pobre na sua relação com o futebol, ao contrário do Brasil onde muitos os escritores utilizam-no como tema. Carlos Drummond de Andrade e Nelson Rodrigues foram os primeiros, e depois muitos se seguiram. “Eterno Domingo”, como outras obras que foram publicadas nos últimos anos, constitui uma pedrada no charco e abre caminhos. É que há imensa poesia, emoção, drama e epopeia no futebol que o tornam um assunto relevante e atraente no contexto da nossa literatura.

publicado às 11:00

O Sporting 2019-20 segundo a GoalPoint

Leão Zargo, em 29.04.20

GoalPoint Sporting 2019-20.jpg

A GoalPoint Partners foi criada em 2014 com a finalidade de fornecer informação e análise estatística sobre o futebol e os seus protagonistas, tendo como destinatários profissionais do futebol, clubes, adeptos e mídia. Conta com a colaboração de especialistas em análise de dados para obter uma avaliação rigorosa e fundamentada do desempenho individual e colectivo dos jogadores durante um jogo ou um determinado período de tempo.

A GoalPoint procedeu à avaliação do desempenho da equipa leonina nos jogos disputados na Liga NOS em 2019-20. Para os jogadores de campo considerou, nomeadamente, as assistências, golos, remates enquadrados com a baliza, passes certos, cruzamentos, dribles eficazes, faltas sofridas, desarmes e duelos aéreos. Para os guarda-redes contabilizou, por exemplo, remates enquadrados defendidos, defesas a soco, saídas pelo ar eficazes e saídas pelo solo eficazes.

Na observação dos dados mais relevantes sobre os jogadores, a GoalPoint constata que Bruno Fernandes actualmente ainda contabiliza a influência directa ou indirecta em 41% dos golos do Sporting. Dos jogadores do plantel destaca os seguintes:

- Luciano Vietto assumiu-se como o elemento mais produtivo com 4 golos e outras tantas assistências, depois da saída de Bruno Fernandes. Esteve em 20 jogos. Rating 6,46.

- Marcos Acuña é o “patrão” do flanco esquerdo, na defesa ou na ala, conta com 2 golos marcados e 3 acções para golo, e a participação em 18 jogos. Rating 6,29.

- Sebastián Coates, após um início de época desastroso, estabilizou a produção defensiva e é um dos melhores marcadores com 3 golos. Alinhou em 20 jogos. Rating 6,01.

- Wendel destaca-se pela relevância no meio campo, pelas assistências e por 110 passes certos, o máximo na Liga desde 2014. Marcou 2 golos e esteve em 19 jogos. Rating 5,96.

É discutível a avaliação de Jérémy Mathieu, que surpreenderá muitos adeptos leoninos. Luís Maximiniano e Luís Neto conseguem um posicionamento muito interessante. Renan Ribeiro possui o rating 6,07, um dos mais elevados do plantel.

publicado às 13:30

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