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A "ala dos namorados"

Naçao Valente, em 03.07.20

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A batalha de Aljubarrota, onde um muito pequeno exército português, sem a sua cavalaria tradicional que se passou para o inimigo, venceu o gigante castelhano, tem sido objecto de estudo. Em linhas gerais, a vitória de Aljubarrota é resultado de uma táctica de guerra inovadora, conhecida como o “quadrado” e por alguma displicência do inimigo, que convencido da sua superioridade, julgava que “eram favas contadas”. Mas explica-se também pela determinação de um exército, bem mentalizado e dirigido, pelo jovem Nuno Álvares Pereira. À sua fiel imagem havia muitos jovens naquele exército, muitos deles agregados numa ala que ficou conhecida pela “ala dos namorados”, tendo em conta a sua juventude.

Mas não é dessa batalha que garantiu a independência nacional que pretendemos falar neste contexto. Queremos falar de futebol e do nosso “novo Sporting”. A introdução do texto vem a propósito de se encontrar alguma similitude, com as devidas distâncias, com a actual equipa principal do Clube.

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Nesse sentido, pode-se considerar que temos também uma equipa guerreira, motivada e determinada, que vai ganhando batalhas, conseguindo vitórias, nas quais muitos não acreditavam e que outros “castelhanos” não desejavam. Dessas vitórias fazem parte um comandante jovem, ambicioso e sem medo algum de arriscar. Dessas vitórias fazem muitos jovens imberbes que podemos classificar como uma “ala dos namoradas”. Dessas vitórias fazem parte as tácticas adequadas a cada situação.

A questão que se coloca é: vão-se ganhando batalhas, mas pode-se ganhar a guerra com a “ala dos namorados”? Pode-se desde que a equipa seja composta também por veteranos com experiência. O que acontece, na minha perspectiva, é que não existem em qualidade e quantidade. Em campo temos Coates, Ristovski, Battaglia. Fora dele (lesionados) Vietto, Acûna e alguns jovens com mais experiência, como Jovane e Francisco Geraldes, para além de alguns emprestados.

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Na preparação da próxima época deve seguir-se esta estratégia, mantendo em campo a “ala dos namorados”, mas enquadrada com atletas de boa qualidade e mais experiência, necessários para ganhar uma guerra. Neste momento, creio que não existem, e portanto é preciso ir ao mercado providenciar esses meios. E estou convicto que o timoneiro, com a sua competência, estará atento à situação.

Na simbiose entre juventude aguerrida e experiência competente estará a solução. E para poder dar passos neste caminho a formação é vital. Pena foi ter sido descurada, sobretudo na fase de aproveitamento dos novos talentos., aos quais não foram concedidas todas as oportunidades. Por outro lado. para que esta tarefa tenha total êxito, precisamos de um Sporting unido e ao lado da equipa, nos bons e nos maus momentos. Aljubarrota também é consequência da vontade de toda a nação.

publicado às 04:19

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12 comentários

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De FF a 03.07.2020 às 10:38

Bom-dia, Nação Valente
Excelente texto.
FF
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De Naçao Valente a 03.07.2020 às 12:01

Obrigado FF,
Saudações Leoninas
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De LG a 03.07.2020 às 12:11

Curiosa analogia. Mas Aljubarrota não foi consequência da vontade de TODA a nação.

Completando a mesma com outros factos históricos da época, também na altura havia problemas com a sucessão, uma vez que o rei morto, D. Fernando, não tinha deixado descendentes.

Na altura, nas famosas cortes de Coimbra de 1385, em regra a alta nobreza e o alto clero apoiaram, por duas vias, as pretensões do Rei de Castela, o que poria em causa a independência de Portugal, enquanto que o povo, preocupado apenas com o interesse nacional, apoiou o futuro rei D. João I, um reles filho bastardo.


As cortes acabaram por determinar e ratificar a revolta popular iniciada um ano antes, que tinha eleito o mestre de Avis (a quem os nobres chamavam, imagine-se, o Messias de Lisboa - é José Hermano Saraiva quem o diz)
Tempos de desunião, que determinaram a invasão de Portugal e que terminaram na referida batalha de Aljubarrota.


Hoje, no Sporting, haverá alguém, mesmo bastardo, para assumir o papel que D. João assumiu? Haverá alguma padeira que afaste os novos invasores (também podem vir de Espanha, mas com sotaque oriental)?. O povo será ouvido, ou será enredado nos interesses dos nobres e "notáveis" sportinguistas? Felizmente há 7 não havia uma imprensa pronta a martelar os ouvidos do povo, senão estávamos hoje a falar castelhano.

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De LG a 03.07.2020 às 12:13

"Felizmente há 7" séculos...
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De Naçao Valente a 03.07.2020 às 12:46

LG,

A analogia tem sobretudo a ver com o papel desempenhado pela juventude, na qual se inclui o Condestável do reino.
Quanto ao "rei" a analogia não me parece que se aplique. Estamos em tempo de República.
Em democracia o povo é quem mais ordena. Cabe-lhe decidir quem quer que dirija o Clube. Às vezes pode não fazer as melhores escolhas, mas tem oportunidade de corrigir.
A imprensa faz o seu papel, que é informar e infelizmente também desinformar. Cada a cada qual, separar o trigo do joio. Se nem sempre consegue é um risco que temos de correr.
O futuro começa no presente. A aposta na juventude, na ousadia e nas ideias novas, é a mensagem que pretendo passar. Se consegui ou não é outra história.
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De Rui Gomes a 03.07.2020 às 15:31

Excelente texto caro Nação Valente. Louvo a sua iniciativa em recapitular a história da "ala dos namorados".

Tem razão em muito do que diz, especialmente no que refere à falta de qualidade experiente com tanta juventude integrada no plantel. Para alimentar as nossas aspirações para a próxima época, esta questão tem forçosamente de ser abraçada adequadamente. Está para ver se temos os recursos financeiros para esse fim.

Gosto muito de Rúben Amorim e já disse em várias ocasiões que mesmo sem deslubrar, vê-se que este Sporting é bem treinado e liderado.

Uma palavra também para a estrutura, nomeadamente Varandas e Hugo Viana. Têm sido impiedosamente criticados por alguns dos erros de registo nos primeiros dois anos, mas parece-me, até ver melhor, pelo menos, que aprenderam com esses erros.

Por fim, e recorde-se que por natureza até não sou uma pessoa pessimista, não devemos esquecer que Keizer também começou o seu consulado de forma deslumbrante, e até Silas. Sabemos o eventual destino dos dois.

Esperamos que a história de Rúben Amorim no Sporting seja muito diferente, pela positiva, a curto e médio prazo.
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De Naçao Valente a 03.07.2020 às 17:54

É verdade caro Rui, falta saber que recursos financeiros existem para investir em jogadores que sejam mais valias. Não me parece que abundem. De qualquer modo não se deve dar o passo maior que a perna.
Compreendo as suas reservas sobre o êxito dos treinadores. Mas parece-me que Rúben Amorim é um caso diferente. Apesar de estar em início de carreira estou a ver valências que não vi nos anteriores.
Além disso, também é verdade que não tem sofrido a pressão negativa das bancadas, sobretudo dos que querem que as coisas corram mal. Mas estou esperançado.
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De José Silva a 03.07.2020 às 18:47

Excelente "fornada" de jogadores de qualidade que Amorim está a lançar na alta roda do futebol nacional, com todos eles a quererem mostrar serviço ao novo "timoneiro" de alvalade e que está a surpreender muita boa gente. Vi o jogo contra o Gil e verifiquei que alguns deles possuem uma maturidade acima da média parecendo jogar há muito tempo.! No entanto , quando as coisas correrem menos bem, terão que ser sempre apoiados pela nossa massa associativa. Também acho que o Sporting se tiver a sagacidade e alguma capacidade financeira para ir buscar 3 ou 4 jogadores de qualidade para entrarem de "caras" na nossa equipa, não tenho a menor dúvida de que lutaremos até ao fim pelo 1º lugar contra tudo e contra todos. Viva o SPORTING..!
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De Naçao Valente a 03.07.2020 às 19:30

De facto, José Silva, vê-se que estes jogadores querem mostrar serviço, e que estão muito motivados. Também vejo, em alguns, muita qualidade. Esperemos que estejamos no bom caminho.
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De Leão Zargo a 03.07.2020 às 21:48

Caro Nação Valente

Como já foi referido anteriormente, esta evocação da "ala dos namorados" associada à jovem equipa leonina trata-se de uma interessante analogia. Uma equipa jovem com um treinador também jovem, uma espécie de Condestável com a preocupação de organizar uma defesa sólida e que nos movimentos ofensivos os jogadores sejam capazes de procurar os espaços e os apoios adequados.
Muito bem!

Um abraço sportinguista
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De Naçao Valente a 03.07.2020 às 23:44

Obrigado caro Leão Zargo. O ataque começa numa boa defesa. Congratulo-me por os "nossos castelhanos" terem perdido o pio.

Grande abraço

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