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A alma do Sporting

Naçao Valente, em 02.10.19

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"As claques são a alma do Sporting"

Fernando Mendes (ex-jogador e comentador)

As claques entraram no Sporting com a constituição da Juve Leo, fundada pelos filhos do Presidente João Rocha, nos anos de 1976. Mais tarde foram surgindo outras claques como a Torcida Verde, os Directivo  Ultra XXI e a Brigada Ultras Sporting. 

Alma deriva do termo latim 'anima', com significado literal do que anima. A um nível mais abrangente também significa o espírito das coisas. Por isso, quando se fala da alma do Sporting estamos a falar do que está para lá do que é mensurável, do que está entranhado na sua história secular, que não está apenas nos aspectos materiais, mas num conjunto de simbologias pautadas muitas vezes por aspectos com contornos quase religiosos.

Atribuir às claques, que entraram na vida do Clube setenta anos depois da sua fundação é de uma grande ligeireza e nem ao diabo deve lembrar. A alma do Sporting, a sua mística, é paralela ao seu nascimento e é-lhe dada pela matriz fundadora, aprofundada pelos adeptos (fiéis  clubísticos) que o vivem como uma componente importante das suas vidas. E esta adoração atingiu o seu zénite nos anos de 1930, 1940 e 1950, com os rituais abrilhantados pelo som dos violinos. 

Muito mal servido estaria o Sporting CP quanto à questão da alma, se esta residisse nas claques. Estas, não são mais do que pequenos grupos organizados, uma minoria que não representa os milhões de adeptos atribuídos ao Clube, estes sim a sua verdadeira alma. São eles, com a sua fidelidade muitas vezes até silenciosa, que mantiveram e mantêm o Sporting vivo, independentemente de melhores ou piores resultados desportivos.

Mas convém fazermos uma distinção entre estes grupos designados como claques. Alguns desempenham a sua missão de apoio com determinação e alegria, e por aí se ficam. Outros, dos quais salienta-se a actual Juve Leo, que se afastou dos princípios dos seus fundadores, e se transformou num grupo composto por indivíduos sem formação cívica, e sem quaisquer valores éticos. Não fazem parte seguramente da alma do Sporting.

A Juve Leo, com os privilégios que foram recebendo de vários dirigentes, constituíram-se como uma força poderosa, apesar de minoritária. A sua capacidade de influenciar o poder, governando de fora para dentro, teve um percurso cada vez mais decisivo. Fizeram cair treinadores e presidentes ao longo dos anos, com a sua influência a ser ainda muito mais reforçada pela Direcção cessante, que a arregimentou, pondo-a ao seu serviço, como uma tropa de choque. Tendo-lhe sido retirado privilégios pela Direcção actual, não espanta a sua oposição cada vez mais agressiva, à nova Direcção.

A questão do papel das claques tem que merecer reflexão. Não podem ter mais privilégios que os restantes associados. Se querem estar nos jogos juntos como apoiantes das equipas, com os seus rituais que estejam. Não podem é continuar a ser  uma força de bloqueio a Direcções legitimamente eleitas pelos sócios. Estas recebem mandato para exercer o poder legitimamente, e devem exercê-lo sem pressão da rua. O poder paralelo não está previsto nos Estatutos, e isso tem que ficar claro, custe o que custar.

Ao contrário do que diz o comentador Fernando Mendes, a alma do Sporting são todos os sportinguistas, os que estão no estádio e os que vivem o Clube por todo o Mundo. Quando a alma do Sporting residir nas claques, é sinal que o Sporting deu a alma ao criador. Apenas restam almas penadas.

publicado às 02:18

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30 comentários

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De Fernando Albuquerque a 03.10.2019 às 10:39

Nação Valente--------------Este assunto das claques é de difícil entendimento, pois as opiniões divergem . Penso, que a antiga situação, pelas notícias a que tivemos acesso, não devem ser aceites pelos associados do SCP. Neste post fala-se em 200 mil euros de despesa anual com as claques, Não tive acesso a essas contas, mas acho irrisório este valor. Sabemos que o SCP vendia, ou dava, bilhetes quase de borla aos adeptos da claque, que posteriormente alguém os vendia a terceiros. Ora, durante uma época é preciso contabilizar todos os bilhetes que foram entregues ás claques, e certamente outros benefícios que existiram, pois assim poderemos ver os custos que o SCP teve de suportar nesse período de tempo.
Não sou contra as claques e até as acho necessárias, embora pense que devem ter regras bem definidas. Primeiro que tudo os seus membros devem ser associados do SCP. Ponto final nesta obrigação. Depois deve a Direcção definir quais as ajudas que pode dar aos membros das claques, no que se refere ao valor dos bilhetes a pagar no nosso estádio.
Nas saídas para outros locais , fora de Lisboa, o SCP deveria estudar a possibilidade de contratar uma empresa de camionagem, que possam levar as pessoas, em autocarros com preços especiais, pois as restantes despesas não podem ser suportadas pelo nosso clube . Eu também gostaria de ter um automóvel topo de gama e tenho de viver com um carro de valor acessível ao meu bolso. O SCP não é a Santa Misericórdia de Alvalade, pois para isso basta alguns resultados de futebol em que os nossos adversários conseguem em Alvalade. Concluindo é um assunto melindroso, que deve ser estudado e apresentado às diversas claques e não esquecer as modalidades do Pavilhão João Rocha, onde as assistências são necessárias, mas também com regras, pois não pode haver um adepto pagante e outro que assiste ao mesmo espetáculo com custos diferentes. Fernando Albuquerque (SCP)
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De Naçao Valente a 03.10.2019 às 13:16

Fernando Albuquerque,

Concordo com a sua análise. As claques pelo apoio que prestam devem receber algumas vantagens dos órgãos sociais. Não sou pela sua extinção, até porque há claques e claques. Mas também não as considero imprescindíveis. Veja quantos campeonatos ganhamos a partir dos anos 1970 quando apareceram as claques, em comparação com os conquistados anteriormente. Os tempos são outros, mas as claques que são instrumentalizadas, às vezes complicam mais do que ajudam.

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