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A arte de legitimar um contínuo rouVAR!

Leão do Norte, em 07.12.20

A chegada da tecnologia do vídeo-árbitro ao futebol foi inicialmente entendida, por quem de boa fé o analisava, como uma forma de melhorar as decisões arbitrais, evitando os chamados erros grosseiros, tornando assim a competição teoricamente mais transparente e justa. Em abono da verdade convém lembrar que o Sporting Clube de Portugal esteve na primeira linha dos proponentes e reclamando a sua necessidade.

O exemplo vindo anteriormente de outras modalidades pressupunha que, no futebol, estes objectivos seriam fácil e prontamente atingidos e que a tecnologia do VAR tornar-se-ia na verdadeira revolução positiva. Mas o futebol é um mundo muito sui generis, onde não impera a lógica vigente em outras modalidades ou mesmo em outras realidades. 

Numa primeira fase, a reacção adoptada pelos poderes então instalados no futebol foi a de recusa, invocando um vasto número de razões que impediam a sua aplicação. Mas, com o decorrer do tempo, a pressão para a sua utilização foi aumentando e os argumentos em contra já não se mostravam, por si só, suficientes. Assim, não restou outra alternativa que não fosse a de aceitar esta tecnologia.

Mas como os ditos poderes do futebol não dormem, logo começaram a pensar em formas diversas de adulterar a ideia original da sua utilização, transformando-a numa ferramenta que poderia servir para manter os seus vastos privilégios, desde que fosse cuidadosamente utilizada. E se bem o pensaram, mais depressa o fizeram.

E é nesta fase em que actualmente estamos. O VAR está instrumentalizado, não a favor de uma justiça nas decisões, mas sim em favor de decisões que, em determinadas ocasiões, são as que melhor servem os interesses dos poderes instalados. 

Desengane-se quem, ingenuamente, pensa que a resolução futura desta desolada situação passa pela melhoria dos protocolos ou das condições tecnológicas. Duvido mesmo que a publicação dos "audios" das comunicações entre o árbitro e o VAR venha a resolver algo, pois, pela sua implementação, os intervenientes vão sempre encontrar formas "especiais" de comunicação, que não os comprometam.

Os "donos disto tudo" (onde é que eu já ouvi isto?) vão continuar, sem qualquer pudor ou temor, a explorar a face "oculta" desta tecnologia e com as mais variadas formas, de modo a perverterem o seu verdadeiro sentido de justiça. Seja parando as imagens 5 cm mais à frente ou 5 cm mais atrás do real, o suficiente para colocar a linha do fora de jogo no local que mais lhes convém, seja apresentando uma imagem de um possível contacto sem que se perceba quem é o verdadeiro responsável pelo contacto, seja por uma "falha" ao nível das comunicações - isto, sempre em jogadas determinantes - seja até porque o VAR teve a necessidade ultra-imperiosa de ir ao WC ou se distraiu a ver um qualquer canal memória durante o jogo e não viu uma qualquer jogada. Enfim... passe o exagero e o ridículo de algumas destas situações, quase tudo pode servir para justificar as acções do VAR em favor de decisões que mantêm o domínio dos mesmos.

E escusam de vir a terreiro os habituais "cartilheiros", "fruteiros", "justiceiros" ou simples "comentadeiros", clamar que só falamos quando somos prejudicados e que o Sporting até tem sido muito beneficiado. O VAR deve funcionar correcta e uniformemente em TODAS as situações, quer se fale ou não. E em relação a qualquer eventual benefício por parte do Sporting, isso traduziu-se em quê? Para além de possíveis e pontuais vitórias, os títulos de campeão e os lugares de acesso aos milhões da Liga dos Campeões vão quase sempre para outros. Se o resultado do benefício para o Sporting é este, eu quero é ser prejudicado como os outros!

Como súmula, podemos afirmar que a funcionalidade do VAR, actualmente, serve para legitimar e "credibilizar", até com algum rigor, a continuação dos roubos que há décadas se assistem no futebol.

publicado às 03:34

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