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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

O Sporting ainda chegou a sonhar com a conquista de pontos em Munique, esteve mesmo na frente do marcador durante onze minutos, na segunda parte, na sequência de um autogolo de Kimmich, aos 54’, mas acabou por sucumbir à força dos números e foi batido por 3-1 pelo Bayern, em jogo da sexta jornada da Liga dos Campeões. Nada do que se passou foi novidade. O Bayern esteve a perder, como já tinha estado em quatro dos seus seis últimos jogos. E virou, marcando três golos, como fizera (às vezes até marcou mais) em sete dos últimos dez desafios.
Privado de vários titulares – Trincão e Pedro Gonçalves estavam lesionados, como Quenda, primeira alternativa a Pote, e Gonçalo Inácio ficou de fora por estar em situação limite –, o Sporting organizou-se num bloco muito baixo, para impedir que os alemães entrassem nas suas linhas. Matheus Reis fez de Inácio, Quaresma de Fresneda, Fresneda de Catamo e Catamo de Trincão – e por aí a coisa nem correu mal. Até o facto de Allison, que foi chamado a fazer de Pedro Gonçalves, ser um jogador completamente diferente do titular – estica a equipa em vez de a ligar – podia ser bem integrado no plano de jogo, que passava pelo tal bloco baixo, organização defensiva em 5x4x1, com duas linhas juntas na entrada da área.
É verdade que o Sporting poucas vezes saiu para ataque – Allison perdeu 13 vezes a bola na primeira parte, mais seis do que o segundo mais perdulário, que foi Catamo – e que o Bayern foi para intervalo com 13 remates e um índice de Golos Esperados (xG) de 1,08, que já justificava um golo, mas o 0-0 persistia. E as correções feitas por Rui Borges melhoraram a equipa. Reis acertou os posicionamentos atrás de Maxi – que na primeira parte sofreu horrores com Olise – e Allison acalmou, a ponto de ter sido dele o passe que lançou Simões em contra-ataque de três para dois que originou o golo leonino. O médio galgou metros, cruzou rasteiro e, em antecipação a Fresneda, que chegava para encostar, Kimmich cortou para as próprias redes.
Só que aí, lá está, acabou por impor-se a força dos números. Gnabry empatou aos 65’, num canto em que Kane levou Maxi Araújo para a frente da baliza, libertando-lhe o segundo poste para uma finalização fácil. E Karl virou aos 69’, depois de receber de Laimer, em lance no qual Rui Silva, que até aí vinha com 1,09 Golos Evitados (xGoT), deixou passar a bola entre as mãos. Antes do final, aos 77’, Tah ainda fez o 3-1, mais uma vez numa bola parada em que o Sporting não cobriu bem o segundo poste: Kimmich bateu largo, Gnabry devolveu e o central encostou.
O Bayern acabou com 23 remates contra quatro, mas não deixa de ser interessante que, mesmo jogando tão atrás, o Sporting tenha conseguido 14 ações na área, mais cinco do que no empate com o Benfica, na Luz, na última sexta-feira. “Demonstrámos uma maturidade muito grande. A equipa foi coesa, bem organizada, comprometida... Era difícil, porque somos uma equipa que gosta de ter bola e hoje não íamos tê-la. Não podia estar mais orgulhoso”, disse no final Rui Borges, o treinador do Sporting, frustrado apenas com o facto de ter sofrido dois golos de bola parada. A derrota deixa o Sporting com os mesmos dez pontos que já trazia e que se crê possam chegar para o play-off, ainda que o facto de ontem não ter havido empates possa ajudar a elevar a fasquia.
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