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Abel Ferreira participou na conferência "Falar Futebol" que decorreu esta segunda-feira, em Lisboa, que contou com a presença de Paulo Bento, Luiz Felipe Scolari, Carlos Queiroz e Fernando Santos, entre outros. Um dos painéis da conferência foi precisamente o papel da formação na competitividade do futebol e, nesse sentido, além do treinador da equipa B leonina, também esteve presente Carlos Bruno, coordenador do Treino Físico da Academia do Sporting.
 
Antes de comentar a participação de Abel Ferreira neste evento, devo esclarecer aquilo que já tive ocasião de dizer em diversos escritos aqui no blogue, nomeadamente que concordei com a nomeação do antigo jogador para o quadro de treinadores da formação, mas que achei a sua promoção à equipa B prematura, muito pela sua experiência, limitada a treinar a equipa de juniores durante uma única época.
 
Disse Abel Ferreira: «O trabalho nas equipas secundárias vai muito além do que são os resultados. Fiquei muito impressionado com a definição estabelecida pelos responsáveis do clube. O clube tem de acreditar naquilo que faz. A maior motivação é saber que o treinador da equipa principal segue o nosso trabalho e nos apoia. Ver o Carlos Mané chegar à equipa principal é mais importante que ganhar jogos ou provas.»
 
Até aqui tudo bem, raciocínio elementar de como deve funcionar as equipas de formação, embora seja discutível a "definição estabelecida" a que ele refere, considerando os vários jogadores que vieram do exterior directamente para a equipa B e a constante rodagem de outros que não registam muito tempo de jogo na equipa principal ou são até já considerados excedentários à espera da saída no Verão.
 
Continuou Abel Ferreira: «Por vezes, a melhor opção para o clube não é a mais fácil para o jogador. O João Mário, por exemplo, já não tinha um desafio na equipa B, estava acomodado. Foi emprestado ao V. Setúbal onde está a ser um dos melhores da equipa, o que só prova que foi essa a melhor opção para a sua evolução individual e para o próprio clube.»

Admite-se que existam casos e circunstâncias que ditam que o melhor curso a seguir com qualquer jogador é mesmo o empréstimo para o exterior, especialmente quando esse empréstimo visa proporcionar a integração em uma equipa e em um campeonato significativamente competitivos, que, por natural consequência, contribuirão para o seu desenvolvimento. Esta alternativa, no entanto, apresenta-se, no que aparenta ser lógico e sensato, como uma excepção à regra, a partir do momento que a equipa B foi criada. Recorro a um exemplo que ainda não é verdadeiramente compreendido pelos adeptos: a cedência de Zezinho ao Veria FC da Grécia, uma equipa pouco competitiva - situa-se em 17.º e penúltimo lugar neste momento e está em grave risco de ser despromovida - em um campeonato de competitividade igualmente suspeita. Depois do que ele demonstrou na época passada a jogar pela equipa principal, não é injusto questionar as razões que levaram a não lhe conceder uma oportunidade esta época, especialmente considerando as necessidades do nosso meio campo.
 
Quanto a João Mário, o cenário é bem diferente e muito embora não pretenda duvidar da integridade de Abel Ferreira, é justo questionar se as aparentes dificuldades com este jogador se ficam a dever ao próprio ou à sua condução dele. Não se compreende como é que o jovem se sentia "acomodado" na equipa B quando tinha como objectivo principal chegar à primeira equipa onde, por mera coincidência, já se encontrava o seu irmão. Ainda de maior preponderância, é a ausência de um médio criativo no Sporting, precisamente a sua posição. Mesmo admitindo alguns aspectos do seu jogo mais "crus", era de esperar uma integração gradual. João Mário foi transferido para o V. Setúbal nos primeiros dias de Janeiro e estreou-se pela equipa sadina no dia 19 desse mesmo mês, contra o FC Porto. Até este ponto da época, a equipa B do Sporting já tinha realizado 22 jogos na II liga, enquanto que João Mário regista participação apenas em 13; 9 como titular e 4 como suplente utilizado, acumulando 868 minutos de jogo, equivalente a 9,6 jogos. Felizmente, foi parar às mãos de um treinador já muito experiente a lidar com jovens - José Couceiro - que, pela evidência à vista, tem sabido tirar o máximo de aproveitamento dele. Tanto é assim, que até já constam alguns rumores sobre o interesse de Paulo Bento, embora eu não acredite que João Mário venha a ser chamado.
 
Visto de fora para dentro, é missão difícil para qualquer adepto avaliar, em pormenor, o trabalho que tem sido levado a cabo esta época com a segunda equipa. Segundo algumas observações que nos têm chegado, raramente se verificou futebol ao nível esperado e desejado, assim como um bem definido planeamento, face a algumas das disposições já citadas acima. A ingrata realidade é que os reais resultados apenas se verificarão daqui a três ou quatro anos, pelo menos.
 
Afirmou Pedro Mil-Homens - antigo responsável pela Academia - que também participou na conferência: «Trata-se de um espaço (a Academia) cuja prioridade não será apenas ganhar jogos, mas ganhar jogadores para o futuro. O enquadramento competitivo disponibilizado pela II Liga é o ideal para as equipas B. Nas principais ligas europeias há um modelo de transição. O português é um deles que está a resultar. O mais importante é que os jovens gostem, depois gostem de aprender e depois ainda que consolidem processos de trabalho.»
 

publicado às 03:55

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17 comentários

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De L a 08.04.2014 às 22:43


Concordo com tudo Rui, a formação tem de voltar a ser encarada por quem sabe. Curiosamente, como julgo que deve saber, Alcochete até chegou a ser "oferecida" a Bolloni, aquando do seu abandono.

Se no mandato anterior e com mais dinheiro chegaram quase duas dezenas de jogadores para a equipa principal e depois nem a função da equipa técnica se conseguiu gerir a maior parte do tempo, agora sem dinheiro chegaram quase os mesmos e quase todos para a formação, que passou a ser encarada como um laboratório porreiro para fazer experiências baseadas num concurso de perdidos e achados. Pode ser que ainda se acerte alguma vez mas claro que aqui os verdadeiros resultados, como a falta de aferição por gente devidamente avalizada demora sempre mais tempo a vir à tona. Como mérito, ao menos aprendeu-se alguma coisa com fazer experiências com treinadores ao nível do plantel principal e a prova é que a maior parte dos jogadores até transitou de época e valha-nos ao menos isso. Para além claro do grande efeito que foi também poder passar a contar com alguém como o “Bruno”.
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De Rui Gomes a 08.04.2014 às 22:50

Era o desejo de muitos de nós que ele aceitasse, mas além de ter ficado muito magoado por ter sido demitido, a sua principal ambição era continuar a ser treinador de topo.

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