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A Inaudita Guerra da Segunda Circular

Naçao Valente, em 08.04.17

 

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O escritor Mário Carvalho escreveu uma história intitulada a "A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho", onde um grupo de berberes do século XII, montados nos seus cavalos, invadiam a dita avenida, depois da musa da história enlear dois fios de tempos distintos. Quando o exército português chega ao local, desvanece-se o passado, e este fica sem saber o que faz ali. Com a habitual qualidade literária é , em certo sentido, uma narrativa do absurdo. Esta narrativa veio-me à memória a propósito do clima de guerrilha quase diária que se estabeleceu entre os dois clubes da Segunda Circular. São muitas as semelhanças, começando pela sua absurdidade e terminando na sua inutilidade.


É certo que a rivalidade entre os dois clubes já vem de longe, do tempo em que a Segunda Circular ainda nem era uma miragem. É certo que sempre houve episódios de guerrilha, muitas vezes por motivo de contratações, mas sempre pontuais e transitórios. A natural rivalidade concentrava-se, sobretudo, como deve ser, dentro das quatro linhas. Esta guerra arcaica do século XXI, com palco na comunicação social, transformou-se na principal razão de existir da vida dos dois clubes. São queixas, queixinhas, insinuações, insultos, golpes baixos. Vale tudo. Mobilizam-se os adeptos para uma espécie de cruzada contra os infiéis, inimigos figadais que é preciso destruir. É a repescagem do que de pior têm as religiões. O ódio, a intolerância, o fundamentalismo.

 

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A explicação para esta guerra contínua, inútil e degradante, encontramo-la na qualidade das lideranças. Quer de um lado, quer de outro, do rio de alcatrão que os divide ,estão dirigentes de baixa qualidade. De facto, o dirigismo desportivo nunca esteve tão no fundo como actualmente. Os generais que ocupam a presidência dos dois centenários clubes, não passam de sargentos de má qualidade, arvorados em oficiais de estrelas de latão. Sem a devida formação cívica, formados à pressa na escola das claques ou na tarimba  de pequenos clubes, são presidentes sem classe, sem preparação e algumas vezes sem carácter. Fazem da guerra um modo de vida, um objectivo permanente, procurando, por essa via, manter as 'tropas' unidas. É uma perigosa união assente na irracionalidade das massas, apelando aos seus instintos mais primários. A violência gratuita ,já visível a olho nu, é o caminho desta deriva guerreira.


Os presidentes/caudilhos nascem ,vivem e alimentam-se da guerra. Precisam dela para subsistir, como de pão para a boca. Têm os 'soldados' presos ao seu magnetismo. E mesmo quando o ataque atinge as raias do ridículo, como aquando das últimas queixinhas do general do lado Norte ,todos o seguem cegamente. Em abono da verdade, situações idênticas também acontecem do lado Sul. Destas guerras inauditas ninguém tirará qualquer proveito palpável. Nem o desporto, nem o futebol. Perdem todos. Perdem principalmente as duas grandes instituições arrastadas para este lamaçal por aventureiros oportunistas.

 

publicado às 05:31

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22 comentários

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De Naçao Valente a 08.04.2017 às 13:17

Mike Portugal,
Que não nos podemos pôr à margem da guerra é matéria de opinião. A minha não é essa. Não acrescenta nada de positivo entramos nesta guerra suja. A nossa guerra tem de ser outra. No que diz respeito ao futebol fazer uma gestão profissional e criteriosa. Ter orçamentos realistas. Fazer mais com menos. Está provado que mandar dinheiro, que não se tem, para cima dos problemas, nem sempre resolve. Não foi com gritaria que ganhamos os últimos (poucos) campeonatos, incluindo os de João Rocha.
Quanto ao papel da comunicação social não me espanta. Fazem pela vida. Não o podem fazer é sem o "combustível" que os clubes lhes fornecem.
PS: E já agora, por onde anda o FCP nesta guerra? A assistir de camarote?
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De Mike Portugal a 08.04.2017 às 15:18

Não. O Camarote é aqui. loool
PdC sabe-se mexer sem aparecer na comunicação social, ao contrário de BdC que ainda não aprendeu a fazer isso.

E concordo absolutamente que não se resolve problemas de dinheiro, com dinheiro.

Agora não "admito" que se retire responsabilidades à CS como fizeste. O que é isso do "não me espanta, fazem pela vida"? Estás a dar-lhes razão? Achas bem que façam isso? Não os critícas?
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De Naçao Valente a 08.04.2017 às 16:29

Claro que critico, e não lhes retiro responsabilidade, mas não vivemos num mundo ideal. A CS pauta-se por interesses comerciais e numa área muito competitiva tem sim que fazer pela vida. Dá aos consumidores aquilo que eles querem. Quando estes não se interessarem pela chicana deixa de a dar. É por acaso que o CM tem a liderança na venda de jornais? Certamente que não é com a minha participação.

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