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A injustiça da justiça

Naçao Valente, em 20.06.19

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A justiça é representada de olhos vendados. Simbolicamente pretende manifestar a sua isenção. Mas a verdade é que a justiça tem os olhos bem abertos. O facto é que esta é feita por homens com virtudes e defeitos, como todos nós.

E na aplicação da justiça não existe um padrão constante. Varia de acordo com o perfil de cada pessoa que a aplica, isto é, mediante as suas vivências, as sua convicções políticas e religiosas, com as suas origens sociais. E exceptuando os corruptos e os corruptíveis, quem pretende praticar a isenção, nem sempre o faz mesmo que seja inconscientemente.

A ser verdade esta breve apreciação do sistema judicial, não podemos esperar que a justiça seja sempre justa. Uma coisa é certa; a maioria dos processos passa-se no recôndito dos tribunais. Só chegam ao conhecimento público os mais mediáticos, que têm sempre dois julgamentos: os da opinião pública, rápidos e assertivos, e o dos tribunais, lentos e tantas vezes contrários aos da opinião pública.

Por outro lado, os que dispõem de meios económicos superiores, têm à partida melhores hipóteses de defesa. E isto leva-nos à questão que está na ordem do dia, a legitimidade da prova.

As novas tecnologias são uma arma de dois gumes: tanto são utilizadas como meio prova, como razão para que esta seja invalidada. A prova nem sempre é fácil, e os investigadores passam a sentir cada vez mais dificuldades em apresentar provas consistentes, em função dos subterfúgios existentes.

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Isso é evidente tanto nos casos políticos, como nos do âmbito desportivo, desde o 'face oculta' até ao 'e-toupeira'. O que agora está a tornar moda é condenar o mensageiro e não a mensagem. Será que um pirata informático que viola correspondência é um criminoso? De acordo com a lei sim. Mas será que a denúncia que lhe está subjacente sobre actos ilícitos, deixa por isso de ser crime? Qual será mais criminoso? O que descobre o crime por meios ilícitos, ou o que os cometeu procurando escondê-los?

Vejamos um caso concreto, o dos emails. Para justificar eventuais actos ilícitos usa-se e "desusa-se" como argumento a forma como foram descobertos. Depois como subterfúgio mais manhoso, usam-se testas de ferro, que deixam de fora os verdadeiros mandantes.

É o caso do FC Porto que lava as mãos da alteração de conteúdo dos emails, como se o seu "homem" actuasse por sua alta recreação. É o caso do funcionário do SLB "agarrado pela justiça", como se actuasse por vontade própria, pagando do seu bolso, aludidas prebendas.

Os verdadeiros mandantes, encontraram maneira de praticar malfeitorias, lavando sempre as suas mãos impolutas. Depois contam com o apoio de seguidores que, pela fidelidade clubística, aceitam a verdade que lhes é contada pelos seus canais oficiais. E neste caldo de cultura é difícil que não vingue a injustiça da justiça no mundo dos poderosos.

P.S.: Na França foi preso Michel Platini por actos de corrupção desportiva. E já houve outros. Quando chega a Portugal a justiça da justiça?

publicado às 12:00

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54 comentários

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De Rui Gomes a 21.06.2019 às 21:00

E vocês a insistirem nessa tecla falsa. O caso Cardinal NÂO é de corrupção desportiva.

Se depois de tanto tempo ainda não sabe isto, é preferível não comentar o caso.
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De Hugo Gomes a 21.06.2019 às 23:05

Rui Gomes como pode dizer que um vice presidente de um clube depositar dinheiro na conta de um arbitro (para lhe montar uma armadulha ou não) não e corrupção desportiva? Se isso não é o que é? (A pergunta e sincera por favor explique-me)
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De Rui Gomes a 21.06.2019 às 23:13

Meu caro,

Paulo Pereira Cristóvão foi condenado por dois crimes de peculato, um de acesso ilegítimo e por denúncia caluniosa agravada do árbitro José Cardinal.

Não vou debater mais este assunto.

P.S.: Deve consultar um dicionário de Direito para se esclarecer sobre a diferença entre "corrupção" e a condenação acima citada.
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De Hugo Gomes a 21.06.2019 às 23:33

Houve influencia no jogo?o arbitro trabalhou nesse jogo? Se sim houve pelo menos algo desportivo onque lhe chama se envolveu dinheiro, por favor explique-me. Se reparar não estou a falar de condenacoes tou a falr de factos. Ou para si o fcp nao corrompeu porque não foram condenados?

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