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A insustentável leveza do adepto (I)

Naçao Valente, em 09.01.19

 

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O adepto de futebol vive num mundo de fantasia. Sem peso nem consistência, flutua num limbo de onde foi expulsa a realidade. Num dia, está no paraíso vivendo felicidade eterna, no outro, cai no mais trágico inferno que se possa imaginar.

 

Esta dualidade de comportamento aplica-se a todos os adeptos em geral, mas ao português em particular, também em função da sua especificidade enquanto cidadão.

 

O adepto do Sporting, por mais que se diga, não é diferente. Tanto milita na euforia sem limites, como cai na depressão sem fim. Ainda há pouco tempo cantava louvores às novas lideranças, e colocava a equipa técnica e as suas tácticas nos píncaros da lua.

 

Vejam lá, tinha conseguido pôr um grupo de executantes, de entre eles, muitos com pés de chumbo, a jogar bom futebol a que alguns tiveram a ousadia de chamar o "tiki-taka". De um dia para o outro os bestiais já são apelidados de bestas. Têm grilhetas nos pés, não correm, não fintam...e o treinador, meu Deus, que "asno".

 

O futebol não se joga no mundo da fantasia, joga-se no mundo real. No mundo real são onze contra onze, e ganha  quem marcar mais golos. O adepto, na sua insustentável leveza, considera que a sua equipa, por ser um "grande" pela sua história, pelos meios de que dispõe, tem de ganhar todos os jogos.

 

Pura ilusão, porque os outros, filhos de um deus menor,  também sabem jogar, e utilizam as valências que possuem, para contrariar a fantasia dos craques. Não há vitórias por decreto ou por estatuto. Há vitórias por trabalho, por rigor e às vezes com o ápio da sorte.

 

É comum dizer-se que uma equipa joga o que a outra deixa jogar. O jogo a dois toques funciona se houver condições e espaço para o realizar. E esse espaço é ou não concedido pelo adversário. Quando este, por mérito seu,  não o concede, só a genialidade de uma equipa de "galácticos" o pode conseguir, sem que isso, no entanto, seja garantido.

 

Não acredito que qualquer jogador até para bem da sua curta carreira, não queira fazer o seu melhor. E quando joga mal é porque as circunstâncias, sejam quais elas forem,  não o permitem.

 

A frase que considero mais  ridícula, usada pelas multidões nos estádios, é "joguem à bola", quando uma equipa, por razões até muitas vezes desconhecidas pelos adeptos, não consegue jogar bem.

 

Os jogadores de futebol são homens que erram como todos nós. E quando são sujeitos a pressões negativas, reagem inconscientemente pela negativa. Se o adepto percebesse isto nunca utilizaria tal expressão.

 

O adepto, na sua leveza, julga-se jogador e treinador, quiçá presidente. Não conhece da missa a metade, nem sabe fazer, mas fala como um perito. Basta ler os comentários e as análises, que são tantas e tão diversas, quanto o número de pessoas que as emitem.

 

Se o futebol real se regesse por estas opiniões caía na maior bagunça. Felizmente, opiniões fazem apenas o seu caminho como catarse de emoções, e nisso o futebol desempenha o seu papel como escape para outras frustrações do dia a dia.

 

Em conclusão, como diria La Palice, nem tudo estava bem antes, nem tudo está mal agora. Tudo é relativo. O adepto em vez de ajudar, complica. Tantas vezes.

 

Que o adepto manifeste a sua opinião, mas sem pôr sistematicamente em causa o trabalho de uma direcção e de uma estrutura, quando uma equipa não corresponde totalmente aos seus justos anseios. Para isso já chegam os profetas, conscientes da desgraça, que desejam e esperam que tudo corra mal. 

 

publicado às 03:49

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56 comentários

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De R. Ribeiro a 09.01.2019 às 11:01

Só para dizer que, o que se tem visto neste espaço de DEBATE,são opiniões críticas ao que Keizer e a equipa tem feito em campo. O Nação Valente, caríssimo, na minha opinião, borra a pintura toda, porque, até mesmo nas vitórias, se tem apontado erros e fases menos boas de todo o processo Keizer. Vir, com este texto de opinião, aos seus (e desculpe assim considerar-nos a todos os que aqui deambulam todos os dias) colegas dizer que vemos as coisas e sentimos as coisas com leveza, talvez tenha estado demasiado tempo afastado deste espaço público. É mesmo não ter a noção do que se tem afirmado neste espaço pelos que aqui deixam o seu tento opinativo.

Até lhe digo mais. De muito mais leveza são adeptos de outros clubes que, ao fim de vencerem campeonatos, ao primeiro desaire da temporada e já mostram lenços brancos, despediram treinadores, atacaram treinadores, atacaram jogadores, destruíram viaturas e outras coisas mais, os adeptos do Sporting aguentam a incompetência constante que reina no seu clube à 18 ANOS! De leveza não há nada.

Se existe leveza de estado, talvez seja porque o clube, das duas uma, ou não merece efectivamente os adeptos que tem ou precisa de se esvaziar de importância histórica e começar a contratar e a competir dentro daquilo que se lhe querem, ou seja, sem exigência e com jogadores de meio da tabela. Não é comportável é ter os adeptos que tem, que os seguem para todo o lado, já louvado por essa Europa fora, contratar jogadores aos milhões de euros e depois resignarmo-nos por uma derrota no Tondela, Portimonense e afins, com toda a naturalidade, e com 18 anos de seca de títulos. Se os jogadores do Sporting se transaccionam aos milhões, então têm que valer milhões em campo e não meros tostões (que é o que se viu nestes jogos menos conseguidos), porque a ser assim, não precisamos de gastar tanto e vamos ali ao clube desportivo da aldeia buscar três Zé Manéis a custo de uma imperial e uma bifana que devem fazer o mesmo em campo que os que são pagos aos milhões! Não se trata de termos perdido, mas sim de termos perdido sem mostrar a garra e o sacrifício que se pedem. Ainda lhe digo mais, não há desculpas possíveis para não deixarem tudo, todos os dias em campo. Queriam uma direcção nova por se sentiram amedrontados com a anterior. Os sócios deram. Queriam novo treinador com novas rotinas? O Presidente deu. Ganham milhões! O que querem mais? Um gato para lhes aquecer os pés à noite? Não há estado de espírito que os desculpe por se andarem a arrastar em campo nos jogos mais difíceis!

Como é óbvio, neste texto, estou a generalizar as atuações de todo o plantel nos vários jogos. De resto, já muito foi comentado de cada jogo específico.

Não considero ser um texto muito inteligente, por parte de alguém que aprecio ler com regularidade, para defender o indefensável! Mais ainda, não é um texto inteligente para quem comenta tanto os jogos como qualquer um dos restantes, sabendo toda a dinâmica envolvida na equipa e no desporto em geral. E, não me sentindo pessoalmente ofendido, gostaria de deixar o meu sentido de reprovação ao mesmo.
De resto, bem haja e vamos lá receber este Porto com garra e espírito de sacrifício, para vencermos esta batalha!
SL
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De Rui Gomes a 09.01.2019 às 11:45

Meu caro R. Ribeiro,

O post não é meu e vou deixar a devida resposta ao meu colega Nação Valente.

Quero, no entanto, sublinhar o ERRO que escreve logo nas suas primeiras palavras. Eu sou o único que escrevo sobre os jogos e até ao momento não fiz praticamente nenhuma crítica ao trabalho de Marcel Keizer. É natural que hajam alguns aspectos táticos e técnicos que por razões várias não mereçam elogios, mas não há AQUI uma fonte crítica concertada.

P.S.: Gostaria de aproveitar o ensejo para apontar que os autênticos "livros" que o caro e o leitor Pepeu escrevem, como comentários, dificultam imenso qualquer resposta, seja nossa ou de outros leitores. São livres de o fazer, claro, e são bem vindos, mas desmotiva debate.
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De R. Ribeiro a 09.01.2019 às 12:39

Não entendo de que forma desmotiva o debate, mas aceito a sua crítica...
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De Rui Gomes a 09.01.2019 às 12:45

Porque poucos são aqueles que têm a disponibilidade e paciência para se dirigirem a todos os pontos que avança na sua narrativa.

A opção evidente é não responder por completo, ou então seleccionar um ou dois pontos de maior relevo para então comentar.

No entanto, não quero com isto condicionar a sua liberdade de opinião. Se entende que necessita de escrever extensivamente para comunicar o seu parecer, pode continuar.
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De Indiana Julio a 09.01.2019 às 11:54

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De Naçao Valente a 09.01.2019 às 17:53

Caro R.Ribeiro,

Respondo ao seu comentário como respondo a todos os que têm a gentileza de os fazer. E aceito o seu direito a discordar do que escrevo. No entanto, pela sua densidade não sei se vou conseguir abordar todas as questões.
Na verdade e por portas e travessas enviesadas acaba por concordar comigo, quando atribui a adeptos de outros clubes essa "leveza". Pois é precisamente o que digo quando me refiro a adeptos de futebol e não exclusivamente a adeptos leoninos.
Por outro lado refiro-me a estados de espírito, motivados por uma turbulência de emoções descontroladas, que passam rapidamente da bestialidade à bestalidade. E não está em causa o estatuto do adepto, nem o seu direito à crítica ponderada.
Aliás essa crítica está expressa em grande parte do seu comentário, que (embora discorde em parte) respeito.

SL
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De mike1906 a 09.01.2019 às 11:33

A resposta ao seu post é simples. A equipa joga bem, os adeptos elogiam, a equipa joga mal, os adeptos criticam. Simples não é ? Acho que não é preciso grande ciência para perceber isso.

Relativamente ao pôr em causa o trabalho de quem seja, obviamente que quem erra mais do que acerta está sempre em causa. Mas isso acontece em todo o lado, inclusivamente no trabalho diário, antigamente é que pouco era escurtinado e os empregos eram para a vida.

Obviamente que no futebol, face à enorme exposição mediática a que está sujeito, esse escurtinio sobe exponencialmente
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De Indiana Julio a 09.01.2019 às 12:04

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De Naçao Valente a 09.01.2019 às 17:15

A minha intenção ao escrever este texto é um pouco diferente do que afirma. Falei ou tentei falar de estados de espírito, extremados e contraditórios, que se reflectem em atitudes.

No futebol como na vida as coisas não são a preto e branco. Há outras cambiantes. De resto a crítica e o elogio fazem parte da natureza humana.
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De Indiana Julio a 09.01.2019 às 11:40

Bom dia Nação Valente,

Como se lê aqui os adeptos encarnados adoram (deliram) com este tipo de posts que criticam a postura dos Sportinguistas por serem (e ainda bem que os há) exigentes .
Considero de todo exagerada , despropositada e injusta toda essa critica aos adeptos do Sporting que são dos mais tolerantes numa comparação direta com os adeptos dos clubes rivais.
Mesmo ao lado despediram um treinador bicampeão por perderem em Portimão depois de muitos jogos a abanarem-lhe lenços brancos nos estádios.

Se esteve com atenção viu que ninguém ainda disse que o treinador do Sporting é incompetente e que deve ser substituído , não viu qualquer lenço branco de nenhum adepto em Tondela mesmo depois de uma prestação miserável da equipa num jogo que sentenciou as nossas aspirações ao título .

Nação Valente , devemos então ficar caladinhos? O futebol nao é exatamente isto? Nao devemos aplaudir quando os jogadores deixam a pele em campo e nao devemos criticar quando andam perdidos durante os 90 mts contra um adversário modestíssimo que so tinha ganho por 4 vezes sendo das equipas que mais golos sofrem e estava a 3 pontos da linha da descida e para cumulo tinham menos um elemento durante quase toda uma 2 parte??

Não são as competições principais em que a nossa equipa entra o epicentro das nossas emoções em que todos gostaríamos que os nossos sejam pelo menos dos melhores??
O nosso treinador cometeu erros , logo na própria convocatória e depois nos jogadores escolhidos para irem a jogo como titulares , viu depois impávido sem grande reação á confusão do nosso futebol praticado a ser facilmente aniquilado por esse modesto adversário e voltou a cometer erros nos timings e nas escolhas quando mexeu na equipa.
Contra um adversário que ja se sabia que cairíamos mais vezes em cima com cruzamentos, mas, tínhamos lá o nosso jogador mais baixo do plantel e dos mais baixos de todos os que disputam a liga portuguesa, isto? vindo de um holandês do pais das girafas.

Da mesma forma que apostámos na expectactiva dos seus primeiros jogos mesmo que alguns ganhos com pouco futebol apesar dos muitos golos , mas quisemos dar-lhe apoio e acreditar , mas desiludiu muito em Tondela e ficámos de novo muito preocupados.
A desculpa que que o Luis Phellype vem da 2 divisão é de bradar aos céus é de quem está a leste do futebol português e nao há por lá ninguem que o ajude , Phellype era precisamente dos jogadores mais aptos para jogar em Tondela , é nesses campos de pequena dimensão e contra os Tondelas que ele tem jogado e marcado muitos golos na 2 divisão faria certamente melhor figura que o minúsculo ponta de lança que ele elegeu para o jogo na falta do Bas Dost.

Eu analiso todos os nossos jogos em pormenor , a nossa classificação e a dos outros rivais , analiso as nossas possibilidades e sei o que se deve fazer quanto tem que se fazer , fico depois muito dececionado ver a minha equipa ficar prematuramente arredada do titulo por erros inadmissíveis em momentos que tínhamos que dar tudo e ser mais espertos (inteligentes)
Tenho receio de herdarmos um treinador pouco esperto , pouco perspicaz para o futebol que se joga em Portugal e como se tem que jogar.

Volto a insistir que tão pertinho de Alvalade mora , é minha convicção, o treinador que poderia fazer historia no Sporting , está ali no Restelo, e nao precisavam de ir tão longe , esse sabe armar bem as equipas mesmo com jogadores medianos fá-los competentes e sabe tudo do jogo de como se deve jogar em Portugal.

No dia que eu e muitos outros deixarem de criticar os erros inadmissíveis o Sporting estará perdido , estará a competir no meio da tabela ao gosto de quem apoia os brandos costumes.
Sei que infelizmente tenho razão em tudo o que acabo de escrever
Um bom dia para todos.
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De E-mocho a 09.01.2019 às 12:16

Engraçado. Vê alguma “crítica” a que os adeptos sejam críticos?
Vê alguma “crítica” apenas a adeptos do Sporting?

O que se vê é uma observação à montanha russa emocional do adepto, em completa harmonia com o sinal dos resultados! É que é impossível ser bestial e besta entre dois momentos temporais tão próximos.

Ora leia lá o texto novamente, com mais cuidado e menos emoção à flor da pele, e veja do que realmente fala a missiva. A não ser que se considere tão pessoalmente “atingido” por esta, espécie de, diagnóstico!

Tenha também um bom resto de dia, que pelos vistos, não o foi de início.
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De Naçao Valente a 09.01.2019 às 17:28

Caro IJ,
Depois de colocar tantos dedos para cima a apoiar comentários pensava que já não tinha mãos para escrever. Mas ainda bem que teve, porque eu prezo as suas opiniões, embora possa discordar.
O seu longo texto aborda várias questões, mas concentra-se na crítica ao treinador e à equipa. Sobre isso, respeito a sua opinião, e nada mais tenho a acrescentar, porque não é o tema do post.
Falei ou pretendi falar de estados de espírito do adepto de futebol em geral, e que se reflectem em atitudes, muitas vezes prejudiciais. Sobre este tema o leitor E. Mocho já lhe respondeu com toda a propriedade.
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De Indiana Julio a 09.01.2019 às 20:50

Exactamente para precaver-me de eventuais caimbras nos dedos , fiz o contrario escrevi o comentário primeiro e só depois os polegares
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De Júlio a 09.01.2019 às 12:36

Essa do extraordinário treinador que mora alí no Restelo só se aguentava até à primeira ou segunda derrota com um adversário tipo Tondela. Depois era apontar qualquer outro extraotrdinário treinador e assim sucessivamente.
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De Indiana Julio a 09.01.2019 às 13:06

Nao concordo , e nao se trata de extraordinário , foi o caro que o intitulou nao eu.
Mas sim de competente e muito conhecedor como montar uma equipa muito competitiva , nao é facil acertar num treinador que "sinta e respire o futebol" como deve ser , por vezes são anos até encontrá-lo , e todos são diferentes uns dos outros .Na minha opinião tem perfil mais completo que os demais que ultimamente têm treinado o Sporting e o meu feeling baseado no que vejo tem sido algumas das vezes certeiro , foi assim com Mourinho estava ele ainda no Benfica quando ainda ninguem dava nada por ele a nao ser chamarem-no arrogante e foi assim tambem com Sergio Conceição andava ele ainda pelo Olhanense escondido da maior parte dos mirones.
Outros (a maior parte surpreenderam-me pela negativa) outros, poucos, pela positiva.
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De Indiana Julio a 09.01.2019 às 13:16

E mais se tem acompanhado o CL sabe então que a minha analise positiva ao Silas ja vem da epoca passada .
Os resultados que tem obtido esta epoca so vêm dar razão ao que penso da sua capacidade nao me surpreendem, nao esqueçamos que o Belenenses os jogos em casa casa são no Jamor e tem perdido inumeros (milhares) adeptos fieis ao Belem nos ultimos 30 anos.
Não é um clube que represente uma cidade ou uma localidade e via-se nas ruas da amargura a lutar para nao descer até chegar Silas que com os mesmos jogadores tem feito um trabalho fantástico ,mudando o chip por completo á equipa .
Ele conhece tudo do "jogo" no futebol portugues.
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De R. Ribeiro a 09.01.2019 às 13:40

Também gosto muito do Silas e, até ver, gostava muito de o ver à frente do Sporting. Acho que tem muito mais para dar ao futebol e ao futebol do Sporting! Se ele pega de estaca ou se esbarra contra a parede... hei, pior do que o Jesus não deve conseguir fazer, tendo em conta que foram 24M€ por 3 anos de insucessos com um dos plantéis mais competitivos que o Sporting teve nos últimos anos. Por mim, também seria de arriscar, caso a aventura Keizer não funcione. Mas prefiro que Keizer tenha um tremendo sucesso no Sporting e por muitos anos
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De Ghost a 09.01.2019 às 14:46

Apesar de conseguir compreender os pontos que o Nação Valente tão bem explanou tenho de dizer que, pessoalmente, discordo completamente com a ideia geral do tópico.
Os adeptos têm de ser exigentes com a equipa, os adeptos esperam e exigem resultados positivos. Futebol profissional já há muito que não é um desporto, é uma competição, e como qualquer competição o único objectivo é vencer.
Quando se gastam milhões em contratações e salários de jogadores e equipas técnicas não se pode admitir obter como retorno outra coisa que não o sucesso.

Falando no caso particular dos jogadores, numa equipa como o SCP que todos os anos quer lutar por títulos, os jogadores não são contratados para "jogar à bola", são contratados para ganhar jogos, para dar tudo por tudo para vencer, entrar em campo com garra e espirito de sacrificio em todos os jogos.
Se no final da partida a equipa não conseguir vencer, mas tiver deixado sangue suor e lágrimas dentro de campo, o adepto sportinguista é o primeiro a levantar-se e aclamar os seus jogadores no final, com o mesmo fervor de que se tivessem ganho.

Portanto, na minha opinião, é compreensivel que os adeptos exijam mais e melhor de quem sabem ser capaz de fazer mais e melhor.

SL
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De R. Ribeiro a 09.01.2019 às 15:39

Muito bem, é mesmo isso que também sinto! Tanto apoio e elogio na vitória como na derrota, desde que tenham mostrado sacrifício e qualidade no jogo jogado. E, aqui, neste espaço, isso nota-se imenso. Tanto elogiamos o que foi feito de bom nos jogos menos conseguidos, como temos sido críticos com o que foi feito de mal nos jogos melhores. Até mesmo nas goleadas se tem evidenciado mais o que a defesa tem feito de pior, do que a goleada em si.
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De Naçao Valente a 09.01.2019 às 18:00

Caro Ghost,

Não está em causa a exigência. Essa é necessária e fundamental. O que está em causa é o descontrole emocional do adepto que passa da euforia à depressão num reduzido espaço de tempo.
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De Ghost a 10.01.2019 às 12:41

Mas é essa paixão que faz o futebol. Se fossemos todos cépticos, se não sofressemos pelo clube, o adepto de futebol, na sua génese, não existia. Eramos todos uns gajos que viviamos a nossa vidinha na boa e ao fim de semana se houvesse tempo viamos o jogo, se não houvesse tudo bem à mesma, vitórias, derrotas, era na boa.
E depois? O que acontecia com o mercado que gira à volta do futebol? Programas de TV, transmissões televisivas, bilhetes no estádio, merchandising, etc... ia tudo abaixo. Os passes dos jogadores tb iam cair... e por aí fora.

Esta "bipolaridade" de sentimentos deve-se ao facto de o adepto ser apaixonado por futebol e pela sua equipa e, como tal, sente-se feliz quando a equipa joga bem e ganha e sente-se triste quando a equipa joga mal e perde na semana seguinte. Perfeitamente normal, no meu entender.
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De Naçao Valente a 10.01.2019 às 16:53

Caro Ghost,
Agradeço o seu contributo e respeito a sua opinião. O futebol é de facto um catalisador de emoções e delas se alimenta. No entanto está na mão de cada um controlar qb essas emoções, e pôr os pés na terra. Gostar de um clube não significa necessariamente viver em paixão assolapada.

O que pretendi desenvolver no meu texto foi apresentar uma realidade que existe e suscitar o debate. Se isso é ou não normal é discutível. Até porque existe muita vida para além do futebol.
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De Cris Dileo a 09.01.2019 às 15:18

Eu que muitas vezes discordo dos textos do "Nação Valente", estou neste mais inclinado a concordar.

Peseiro não sendo a escolha de FV tinha os dias contados - era sempre uma questão de tempo, por isso vi com bons olhos a sua substiuição.

Esta equipa tecnica que se está a construir (não so o treinador) precisa de tempo para mostrar resultados - e quanto a mim, deve e tem que haver pressão, mas este ano especifico eu pelo menos não vou imputar a FV a responsabilidade de quaisquer tipo de maus resultados - ha que dar tempo ao tempo.

Para a proxima epoca terá de ser forçosamente diferente.

PS: No entanto com o Benfica no estado que está - temos de assumidamente atacar o 2º lugar que significa entrada significativa de dinheiro.
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De Naçao Valente a 09.01.2019 às 18:10

Cris Dileo,
Respondendo concretamente à sua questão, costuma dizer-se que a verdade está no meio. Nem Peseiro era tão mau como o pintavam, nem Keiser é tão bom com parecia. E se a cada desaire se pede a cabeça do treinador, nunca vamos ter estabilidade para ganhar títulos.
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De Leão Zargo a 09.01.2019 às 16:48

Nós, os adeptos, ora ajudamos, ora complicamos. É isso, caro Nação Valente.
Na verdade, há uma lógica poderosa que rege e rodeia o mundo dos clubes de futebol. As nossas faculdades críticas ficam diminuídas perante o futebol, quando a nossa equipa vence o mundo agrada-nos tal como é, mas quando perde chovem raios e coriscos.
Sartre escreveu que "num jogo de futebol tudo se complica com a presença da equipa adversária". Quase que apetece dizer que num clube de futebol somos nós, os adeptos, que complicamos a vida do nosso próprio clube. É o poder do envolvimento emocional que determina isso mesmo.
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De Naçao Valente a 09.01.2019 às 19:31

"Sartre escreveu que "num jogo de futebol tudo se complica com a presença da equipa adversária".
Sábia afirmação, caro Leão Zargo, mas por de mais evidente. Um jogo de futebol e não só, é disputado por duas equipas a querer vencer. E nós só admitimos a vitória da nossa equipa. E quando não conseguimos ganhar reagimos pela emoção, e procuramos bodes expiatórios, em vez de tentar perceber as razões e ajudar a encontrar a solução. Se conseguíssemos ter essa percepção talvez as atitudes fossem mais ponderadas.
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De Indiana Julio a 09.01.2019 às 22:42

Ja antes lhe contei uma história real, numa outra dimensão é um facto , mas com muito em comum quando se trata de , atitude , perspicácia , compromisso e eficente gestão de uma quipa de futebol , ;

Cheguei de para -quedas a um clube no centro do Pais do Peru , que nunca tinha campeonado, o melhor que tinha conseguido na sua historia foi um 2º lugar uns 20 anos antes no campeonato e tinha ficado no 6º lugar no ano anterior á minha entrada , pois praticamente com os mesmo jogadores, entraram somente 2 que fui eu proprio buscar, Aroldo e Panduru , e nao perdemos jogo nenhum , fomos campeoes de Distrito e de Departamento pela primeira vez na sua historia, somente com 2 empates , Triplicamos as assietncias nos jogos em casa e passamos a encher os campos por onde passavamos , e nao foram fases , foi desde o inicio até ao ultimo jogo sem oscilações , tinha eu sempre um milhao de motivos para motivar a minha equipa para o jogo seguinte e jogavam todos os jogos no limite apesar da distãncia que fomos ganhando e ampliando para os demais que nos perseguiam na classificação .

Chama-se atitude , compromisso e responsabilidade , transformei jovens jogadores que viviam toda a sua vida de jogadores no anonimato para a ribalta das vedetas na região.

Todas as manhas sem excepçao do dia do jogo , jogavamos sempre ao Domingo todos os jogadores vinham a minha casa tomar o pequeno almoço que eu proprio preparava e sentavam-se no piso da sala a ver os directos dos jogos da liga inglesa , menos 5/6 horas no Peru.

Nunca o disse aqui mas no final todos os presidentes sem excepção, de todos os clubes de Atalaia que participavam na 1ª liga Distrital e departamental vieram a minha casa tentarem seduzir-me a treinar as suas equipas , todos!!!

Estranho , estranho muito. tudo isso.
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De Naçao Valente a 10.01.2019 às 00:50

Caro IJ,
Com muito gosto felicito-o por esse seu êxito, onde põe a tónica no trabalho e na atitude, num mundo do futebol que se bem percebi é amador.
O que descreve é importante para motivar uma equipa, mas não explica o todo. Se assim fosse porque raio na Alemanha ganha o campeonato, quase sempre a mesma equipa? Porque raio na Grécia qualquer treinador é campeão no Olimpiakos? Será que os outros clubes não trabalham, não se esforçam, não dão o litro?
Sem menosprezar o que descreve, o mundo do futebol é muito mais complexo. E há quem por mais que corra, por mais que se aplique não consegue vencer. Podia dar-lhe exemplos no atletismo ou no ciclismo por exemplo. Como dizia o saudoso Oto Glória, sem ovos ninguém faz omeletes.

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