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A magia de Gelson

Rui Gomes, em 14.12.17

 

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Há várias conclusões que se podem tirar deste Sporting-Vilaverdense, jogo dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, que os leões, como favoritos que eram, venceram por 4-0 numa exibição q.b tendo em conta que o adversário milita no Campeonato de Portugal e Jorge Jesus jogou com uma equipa de segundas linhas - verdade seja dita, três dos golos surgiram quando o treinador do Sporting já tinha lançado alguns dos habituais titulares.

 

A primeira, e comecemos pelas más, é que Alan Ruiz desperdiçou a enésima oportunidade dada por Jorge Jesus esta temporada. Lento, displicente, errático, o argentino foi uma espécie de espelho de uma 1.ª parte em que o jogo foi um bocado tudo isso, até ao golo que abriu o marcador, mesmo às portas do intervalo, por Doumbia.

 

A jogada em que aos 37 minutos falha um golo feito é paradigmática daquilo que é ser Alan Ruiz: Iuri Medeiros viu o avançado a caminho da área e colocou-lhe a bola em jeito, Ruiz, na passada, recebeu com o joelho, coisa só ao alcance de tipos talentosos, para depois rematar todo torto, apesar de estar em frente à baliza. Aos 60 minutos saiu, assobiado, de cabeça baixa.

 

A segunda é que Doumbia, que marcou três golos, já está bom e pronto para fazer concorrência a Bas Dost. Dir-me-ão que foram três golos em que só foi preciso encostar. Só teve de encostar ainda na primeira parte, quando Pedro Freitas defendeu um remate de Bryan Ruiz e Doumbia foi lá fazer a recarga. Só teve de encostar quando Gelson fez-lhe a papinha toda (já lá vamos). E só teve de encostar quando Ristovski foi à linha, cruzou e o encontrou em frente à baliza.

 

É verdade, sim senhor, só teve de encostar. Mas bem, Bryan Ruiz, em certo jogo da sua carreira, e vocês sabem do que é que eu estou a falar, também só tinha de encostar. E além dos três golos, Doumbia também fez a assistência para o 4.º golo do Sporting, porque é rapaz para se mexer bem em qualquer zona do ataque, como mostrou nesta fria e chuvosa tarde/noite em Alvalade.

 

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E terceira, talvez a mais importante, é que Gelson, quando está para aí virado, faz o que quer com a bola e é capaz de jogadas que conseguem, ao mesmo tempo, levantar um estádio e ajudar a equipa. Como a jogada do segundo golo do Sporting, em que o internacional português, aos 64 minutos, recém-entrado no jogo, fez tudo com dois toques: com o primeiro fez Néné dar uma volta sobre si próprio e com o segundo deixou Rafael Vieira fora dela e Doumbia sem marcação em frente à baliza. Só era preciso encostar, lá está, algo que costa-marfinense fez sem problemas de maior.

 

Ou o lance do golo, o 4.º golo que fechou as contas, em que o extremo, rodeado de adversários e ainda longe da baliza, foi lançado por Doumbia e novamente com um par de toques recebeu e mudou de velocidade, deixando toda a gente lá atrás antes de perguntar a Pedro Freitas para que lado é que ele queria a bola (foi para o direito).

 

Pois bem, as coisas são mesmo assim. Com a equipa de suplentes que iniciou o jogo, o Sporting não fez a diferença para uma equipa do terceiro escalão que, diga-se, começou bem, até teve a primeira oportunidade de golo, quando Ahmed, aos 18 minutos, isolou André Soares e vinha com uma estratégia clara de não dar espaços e tentar surpreender no contra-ataque.

 

Mas quando Gelson entrou, o jogo mudou. Com o seu toque de bola, velocidade, capacidade de desequilibrar e tornar mais fácil a vida aos colegas. Porque há magia que acontece quando Gelson quer.

 

 

Fotos de ANTÓNIO COTRIM/LUSA

 

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publicado às 03:23

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