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A montanha pariu um rato

Naçao Valente, em 30.05.20

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Este assunto, o desfecho do caso "Alcochete", já aqui foi debatido ontem, especificamente sobre o ponto de vista jurídico. Não é propriamente nesse aspecto que o vou abordar. Nem vou pronunciar-me, em relação ao caso concreto, sobre as decisões específicas tomadas pelo tribunal. Sabemos que a justiça é aplicada por pessoas com formação adequadas, que agem de acordo com as provas que forem reunidas e com as normas jurídicas. Deste modo, num processo colectivo, e algo complexo, é normal que tenham sido condenados os que foram apanhados a cometer os actos conhecidos, ou seja os  que designamos como arraia miúda, ou soldados rasos.

Mas em qualquer batalha existe sempre uma cadeia de comando, que começa nos generais e acaba nos cabos. Neste processo, da linha de comando apenas um cabo foi condenado, porque se sabe que dirigiu as tropas na acção directa. Toda a restante cadeia de comando ficou oculta na penumbra. Nem sargentos, nem capitães, nem generais deram a cara. Mas meus amigos, se quisermos ser sérios, temos que admitir que uma operação com estas características, não se podia fazer, de improviso, e sem conhecimento e consentimento de altos comandos. O histórico de este tipo de acções também nos mostra que elas, sem a mesma gravidade, aconteceram após autorização de cúpulas dirigentes.

O certo é que tais comandos não assumiram a operação, especialmente depois de ter tido repercussões que não seriam esperadas. Mas tenho a convicção, que sem saberem que a acção resultaria em actos violentos, tiveram amplo conhecimento que se realizaria. Há vários indícios que apontam nesse sentido e que são bem conhecidos, nomeadamente a facilidade com que os operacionais entraram e agiram em instalações privadas. E mesmo que assim não tivesse sido, deviam ser responsabilizados por negligência na segurança de bens e pessoas.

Ao longo dos anos da história judiciária houve sempre erros que incriminaram inocentes ou desculpabilizaram culpados. As provas nem sempre são fáceis de reunir. A propósito, vem-me à mente um caso que teve lugar na cidade de Lisboa na década de setenta, que ficou conhecido como "o estripador de Lisboa", sobre um indivíduo que assassinou cinco prostitutas. Embora a polícia tivesse referenciado vários suspeitos, nunca acusou nenhum por não ter encontrado quaisquer provas no local do crime. Mas o facto é que estes crimes aconteceram.Inteligência do criminoso ou incompetência da polícia?

No evento de Alcochete, a polícia também não conseguiu reunir provas claras e palpáveis. Apenas um ou outro indício, insuficiente para fazer acusação. Está claro que a autorização para que o ataque se realizasse só poderá ter passado de boca em boca, sem qualquer outro registo. Depois bastou protegerem-se uns aos outros, sem ninguém a dar com a língua nos dentes. E até me presto a admitir que os intervenientes directos, que receberam o plano da baixa patente, desconhecessem quem deliberou, ao mais alto nível, que aquilo acontecesse.

Dois anos depois, o veredicto final condenou os executantes, mas não conseguiu condenar, por acção ou inacção, os mandantes. E em termos de aplicação de justiça a montanha pariu um rato.

Isto foi bom para o Sporting... como já vi defender? Não me parece. Bruno de Carvalho, do alto da sua "inocência", já começou a apresentar a factura. Que foi uma mera vítima... que fez muito pelo Clube, que quer uma AG para ser readmitido como sócio, e eventualmente voltar a candidatar-se à presidência. Não me parece que essa pretensão tenha viabilidade, mas acredito que continuará a assombrar o Sporting CP com o grupo, ainda numeroso, de fanáticos que o seguem, e que cada vez fala mais alto. 

A actual Direcção não pode fazer nada uma vez que não  foi ela que o incriminou... nem lhe competia. Quer que o caso se encerre de vez para conseguir alguma paz e estabilidade. Mas na minha perspectiva, que desejava errada, não vai ter da parte do "brunismo" qualquer trégua. Para mal do Sporting.

P.S.: Para os que consideram que a destituição de Bruno de Carvalho foi injusta, quero aqui lembrar que ela não decorreu directamente do ataque à Academia. Resultou de actos ilegítimos, como não respeitar a marcação de uma AG, e consequentemente ter criado órgãos ilícitos paralelos, à revelia dos Estatutos.

publicado às 04:04

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100 comentários

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De MAV a 30.05.2020 às 10:10

Ainda ontem aqui escrevi que a justiça pelos vistos não está na decisão mas sim na cabeça de cada um.
O autor do post diz que não vai fazer uma análise da decisão mas na segunda parte do post faz esse exercício como ainda faz comparações com homicídios.
BC se fosse condenado era mau para a instituição Sporting ou qualquer outra.
No caso Novo Banco não será o mesmo??
O perfil de BC e seus apoiantes só vai sossegar quando forem a sufrágio e virem que já não têm lugar no Sporting.
Desejo que não seja um Varandas a ir a esse sufrágio porque não é a escolha certa para este grande clube.
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De Naçao Valente a 30.05.2020 às 15:24

MAV,
O autor do post não se deve ter expressado bem. Neste texto não teve a intenção de abordar aspectos jurídicos processuais específicos, relacionados com este caso, mas abordar debilidades genéricas da justiça, que podem favorecer ou prejudicar os acusados.E o caso em discussão como o caso citado, apenas servem de exemplo dessas eventuais falhas, que se prendem com investigação e reunião de provas. A decisão final do caso Alcochete insere-se nesse contexto e foi largamente discutido no post de ontem.

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