Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




15869312675e96a6431adbc_1586931267_3x2_md.jpg

Embora não haja quaisquer certezas sobre a incerteza, julga-se inevitável que, vencida a sinistra pandemia, que tem espalhado a tragédia e a morte por todo o planeta (sim, temos que vencê-la!) o nosso mundo deixará de ser o mesmo. Os seres humanos tornar-se-ão, no seu comportamento social e nas suas decisões, mais inseguros e receosos, mais hesitantes e cautelosos. Prevê-se, enfim, que tudo mudará – para o bem ou para o mal.

Mas, o que dispensa quaisquer previsões é, garantidamente, a transformação radical do mundo delirante do futebol, especificamente a sua obscura, desregrada e descontrolada indústria profissional, profundamente minada pela corrupção, a ganância, a desonestidade e a falta de transparência, assentes basicamente na actividade suspeitosamente criminosa das incógnitas máfias internacionais do dinheiro sujo, oculto e não tributado. Lucrativa prática delituosa em que se envolveram a FIFA, a UEFA, federações, associações, agentes, empresários, clubes, dirigentes, banqueiros, advogados e, até, futebolistas.

Terá chegado, finalmente, o momento em que os patrões e responsáveis da bola no mundo inteiro serão forçados a reflectir realisticamente sobre a sobrevivência e o futuro do futebol como indústria-espectáculo. Sobre o ansiado regresso do fascinante jogo às suas pureza e integridade. Sobre como eliminar ou limitar a poderosa e maléfica influência dos agentes e empresários no suculento negócio do futebol (de que são os grandes predadores). E ainda sobre como reduzir ou travar o domínio do prestigioso futebol europeu pela crescente e infecciosa infiltração de interesses e capitais russos, árabes, asiáticos ou norte-americanos.

Como exemplo da loucura extrema que se apoderou do opaco futebol do presente, realça-se alguns montantes pornográficos e insultuosos pagos pelos clubes mais poderosos por sonantes contratações de jogadores – como foi, além de outros, o recém-badalado e muito intrigante contratação, pelo Atlético de Madrid, de um menor fisicamente frágil, imaturo e ainda inexperiente por anunciados 126 milhões de euros... (que dariam para construir dois hospitais ou comprar cerca de uma centena de apartamentos.

E já posteriormente constou a notícia que o Barcelona planearia contratar um outro jovem jogador português, algo desconhecido, sobre o qual o Sporting de Braga teria fixado uma cláusula de rescisão no valor de 500 milhões de euros!... Se não existe um manicómio para os loucos e gananciosos exploradores da bola, crie-se!

Na realidade, o dinheiro está progressivamente a matar o futebol, como igualmente nos comprova a frequente realização fora da Europa de jogos oficiais entre equipas de ligas e taças de países europeus – como, por exemplo, a final da Taça de Itália no Japão, as finais das Super-Taças de Itália e de Espanha (esta até em três anos consecutivos) na Arábia Saudita, etc. – revelando chocante desprezo pelo público adepto e associado dos clubes respectivos. Tendência esta que, face à reacção popular, acabou por motivar um tribunal espanhol a rejeitar a efectivação na cidade de Miami (EUA) de uma final Villareal-Atlético de Madrid. Evidentemente que o objectivo destes jogos nada tem a ver com competição desportiva, mas unicamente com interesses financeiros.

O certo é que, uma vez ultrapassada a terrível calamidade que enfrentamos, tornar-se-ão imperiosas a reformulação, a reabilitação e a dignificação do futebol como indústria e espectáculo atractivo, honesto, isento e qualificado aos olhos do público que o ama e sustenta. Sem dúvida, uma tarefa árdua e imensa que implicará a queda do negro manto de execrável mercantilismo de que gradualmente se revestiu.

E o que acontecerá, em particular, ao reconhecidamente debilitado futebol profissional português? Eis uma grande incógnita de imprevisível resolução, considerando que a quase totalidade dos clubes integrados nas primeira e segunda ligas se encontra fatalmente endividada (grande número dos quais com jogadores que estão meses sem receber o seu salário) não dispondo da mínima capacidade de manter equipas profissionais. Daí o perigo de caírem súbita e imprudentemente nas mãos de suspeitos investidores estrangeiros, cujo oportunismo é justificado pela urgência de lavagem de dinheiro clandestino.

Para agravar a frágil e muito dramática situação em que encontra, o nosso popular futebol é ainda vítima crescentemente gravosa da corrupção, da troca de favores, do câmbio de influências e do jogo de obscuros interesses que – para além da desacreditada Justiça, tanto civil como desportiva – têm florescido em imparável ritmo no seio dos organismos estatais, governamentais e federativos, cujo dever é, pelo contrário, garantir, fomentar e proteger a integridade, a isenção, a transparência e a verdadeira honestidade competitiva. Enfim, um muito poderoso cancro que carece ser prontamente desvendado e radicalmente destruído – a fim de eventualmente possibilitar e assegurar a sobrevivência honrada, sustentável e progressiva do futebol nacional.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 04:34

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.


Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D




Cristiano Ronaldo


subscrever feeds