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A problemática dos fundos

Rui Gomes, em 15.08.14
 

 

Os fundos de investimento em jogadores de futebol representam um dilema, ou melhor, uma multidimensional problemática para o futebol, desporto e indústria. A partilha dos passes de jogadores não é nova e tem gerado polémica por toda a Europa, e por todo o mundo, com os seus defensores - clubes que argumentam que é uma forma de aumentar a competitividade no futebol - e os opositores - clubes do Reino Unido e da França que obrigam que os seus clubes detenham 100 por cento dos passes dos jogadores - reclamando, com alguma razão de ser, que não é justo em termos de concorrência, que eles tenham de pagar a totalidade dos passes quando as equipas de outras nações só têm de pagar percentagens, em alguns casos mínimas.

 

No "olho do furação" situa-se o comité executivo da UEFA, presidido por Michel Platini, que tem vindo a preparar-se para exercer pressão na FIFA assente na premissa que só os clubes podem ser detentores dos passes dos jogadores e que a partilha deve ser proibida, por uma questão de princípio, parte fulcral do qual, contende o organismo, é a luta que está a travar contra a viciação de resultados e a corrupção no futebol, em geral, a fraude desportiva. Na eventualidade da FIFA não aprovar e implementar regulamentos mundiais nesse sentido, a UEFA está preparada a implementar um enquadramento regulamentar que permita banir esquemas de propriedade de terceiros nas suas competições, com prazos de três a quatro anos, para eliminar esta propriedade de terceiros.

 

Os direitos federativos só podem estar na posse dos clubes de futebol e são estes que permitem a inscrição dos atletas nas competições. Depois, há os direitos económicos, em que os clubes vendem parte desses direitos a outras entidades, como fundos de investimento, que pagam directamente aos clubes a verba acordada pela percentagem adquirida. O objectivo do clube é obter liquidez integrando ou mantendo o activo na sua equipa. O fundo é de vir a lucrar com uma futura transferência. A essência do problema - ou boa parte do problema - deve-se a que está sempre implícita a expectativa de uma transferência para que o fundo possa beneficiar economicamente com ela. O todo da transacção levanta questões pouco transparentes, mas nem por isso menos reais, sobre a influência que os fundos podem exercer sobre clubes e jogadores, porque, a verdade seja dita, sem transferências dos jogadores, os fundos não têm meios para recuperar o seu investimento. Também no centro da equação existem clubes de todos os países com menor poderio financeiro que argumentam, com alguma justificação, que só cedendo partes dos passes dos jogadores é que conseguem enfrentar as suas dificuldades económicas. No contexto desportivo, dizem estes, só partilhando o investimento feito em jogadores lhes permite contratar o tipo de atleta que elevará a sua competitividade, especialmente perante os clubes ricos. O inverso da moeda, contudo, apresenta uma outra vertente válida: com ou sem fundos, os emblemas ricos terão sempre uma vantagem sobre os não ricos; a existência deste tipo de crédito, faz com que determinados clubes operem além das suas possibilidades financeiras e, algo que passa algo despercebido: os fundos inflacionam o mercado significativamente, porque mesmo jogadores medianos ou pouco acima da média reclamam compensações superiores, conscientes de que os clubes poderão não ter o dinheiro mas que terão acesso a ele através dos fundos.

 

O maior e mais poderoso fundo de investimento em jogadores é a "Doyen Sports Investments Limited", considerado por alguns "misterioso" por ser sediado em Malta mas, na realidade, não é apenas isto, já que faz parte do Grupo Doyen, uma holding de firmas e fundos de investimento sediado em Londres, no Reino Unido, e em Istambul, na Turquia. O Grupo tem interesses em minerais, petróleo e gas, energia eléctrica, imobiliária e hotéis (em grande escala), desporto e entretenimento. A ideia do "braço" desportivo surgiu por intermédio do português Nélio Lucas, em colaboração com dois ex-jogadores do Atlético de Madrid, Juanma Lopez e Mariano Aguilar, com ainda alguma alegada associação a Jorge Mendes. O fundo tem investimentos nesse mesmo clube da capital espanhola, Sporting, Benfica e FC Porto, entre outros, e ainda patrocina o Gétafe, Sporting Gijon e o Sevilha. Em Abril de 2013, o Grupo Doyen lançou ainda um outro "braço" denominado "Doyen Global", que faz a gestão de comunicações e imagem de jogadores de futebol - a exemplo de David Beckham e Neymar - e os interesses comerciais de outros, a exemplo de Cristiano Ronaldo e José Mourinho. O seu próximo grande projecto centra-se em Neymar, que assinou contrato com a "Doyen Global" em Maio.

 

O fundo "Doyen Sports" providenciou o investimento em Radamel Falcão pela sua transferência do FC Porto para o Atlético de Madrid, detém 33,3 por cento dos direitos económicos de Mangala e Steven Défour do FC Porto - 5 milhões de euros em Dezembro de 2011 -, 80 por cento dos direitos de Ola John - custou 9 milhões de euros - muito embora o Benfica insista que são apenas 50 por cento, 900 mil euros na compra de Labyad a troco de 35 por cento, e 3 milhões na compra de Marcos Rojo a troco de 75 por cento do seu passe. Na Espanha, Alberto Botia e Geoffrey Kondogbia foram para o Sevilha a troco de um investimento de 4 milhões de euros. Estes, apenas alguns exemplos.

 

Em última análise, será que a UEFA irá conseguir fazer frente a tão poderosos interesses do mercado internacional e, por outro lado, será que os clubes de menor capacidade financeira - os portugueses um exemplo claro - irão conseguir manter o nível de competitividade desejado, especialmente na Europa, sem a comparticipação dos fundos na compra de activos ?

 

Nota: Este post foi originalmente escrito e publicado aqui no Camarote Leonino no dia 21 de Julho de 2013. Como é possível verificar, na altura não mereceu muita atenção por parte dos leitores - em relação a comentários - mas creio que a maior parte da informação ainda hoje é válida.

 

publicado às 12:58

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34 comentários

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De HY a 21.07.2013 às 23:18

Parabens pelo post que analisa uma questão muito importante para a evolução do futebol.

Não sou suficientemente conhecedor do problema para opinar sobre soluções convenientes.

Gostaria de ver outros leitores com conhecimentos na matéria trazerem achegas para a discussão.

Por mim, limito-me a reflectir sobre mecanismos para garantir mais igualdade entre os clubes e aumentar a competitividade. Gostaria de ver passos mais firmes no sentido de reservar uma quota mais importante dos planteis para os home grown players. Penso que a limitação do número de jogadores profissionais nos planteis ajudaria também a impedir que alguns clubes comum dezenas de jogadores, por vezes apenas para os impedir de serem contratados por outros clubes. Finalmente, tudo o que possa significar uma distribuição mais equitativa das verbas arrecadadas pela UEFA será de aplaudir (talvez a ideia de Platini de fundir a liga dos campeões e a liga Europa desempoeirava nessa óptica)
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De Rui Gomes a 22.07.2013 às 00:00

Reside ainda a dúvida sobre o extremo que a UEFA está disposta a ir para garantir a implementação do seu objectivo. Para já, aparentam dar a indicação de que poderão vir a proibir a participação de jogadores nas suas provas, cujos passes pertençam a fundos, parcialmente que seja, se a FIFA não aprovar a medida. Claro, a implementação será faseada para dar oportunidade aos clube de fazerem ajustes.

Na minha opinião, a solução distancia-se dos extremos, ou seja, permitir a existência de fundos mas impor um teto nas percentagens e no número de jogadores nessa situação por equipa. Complexo mas viável.
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De MaxMartins a 15.08.2014 às 14:38

Não estou muito certo de que a UEFA consiga realmente "travar" o avanço destes grupos que no fundo, no fundo...devem ser "centrais de lavagem de dinheiro"...
Eles não olham a meios para conseguir os fins e não tardará (se é que o não estão já a fazer...), que "dominem" o mundo das apostas e para conseguirem os seus fins, não vão hesitar, inclusive, se necessário ..a "ter na sua agenda de pagamentos", a arbitragem, que será talvez mais fácil de engendrar os "arranjinhos" nos jopgos...
Sempre "dará menos nas vistas o trabalhinho" do árbitro...do que uma mão descarada ou um pontapé para a baliza...de um qualquer jogador "comprado" por estes corruptos...

SL
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 15:25

A contenda é muito complexa e há que não perder de vista que os Fundos só existem porque os clubes os procuram e aceitam as parcerias.

A solução, por outro lado, acaba por ser muito simples: os clubes, portugueses neste caso, que deixem de utilizar Fundos para contratar jogadores e/ou que sejam passadas leis, a exemplo da Inglaterra, em que os jogadores têm de ser 100% da pertença dos clubes onde jogam.

O problema, é que os clubes não desejam estas medidas, porque a partir desse ponto a possibilidade de adquirir jogadores acima da media desaparecerá completamente.
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De Julius Coelho a 15.08.2014 às 15:47

Rui á a questão da valorização dos atletas inflacionada quizá sem estes "fundos" os jogadres tenham valores mais dentro da realidade , eles "Fundos" provovam propositadamente os altos e baixos constantes, pode haver uma estabilização.
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 16:11

Creio que existem muitos factores que influenciam o valor dos jogadores, não apenas Fundos. Claro, o Fundo oferece um produto que o clube procura e é inevitável que haja um acréscimo de valorização no Mercado. Isto também tem muito a ver com o futebol indústria da actualidade, em que muito clubes, menos em Portugal, asseguram contratos milionários da TV, direitos de imagem, equipamentos, merchandising, etc..
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De Julius Coelho a 15.08.2014 às 15:17

Espero sinceramente que a UEFA consiga correr com estes FUNDOS "misteriosos" nunca vamos saber quem são os verdadeiros acionistas destes fundos, pode ser por exemplo um presidente de um clube rival.
As actividades destes fundos no futebol são tudo menos transparentes e só visam um objectivo "sacar" dinheiro, objectivo camuflado nas "boas intençõe" de ajudar/apoiar os clubes necessitados.
lavam dinheiro quando provocam a inflação do real valor dos jogadores que negociam para depois nesse negócio gerirem outros sub-negócios fraudulentos.
Mas na minha opinião a maiores ilegalidade é a sua "vida na obscuridade" nas manobras de leilão que fazem com os "seus" jogadores para mais uma compra/venda sempre que abra uma janela de tranferencia.
Fazem o papel (ilegal)dos agentes de forma mais organizada e utilizam todos os meios que o seu "Poder" coloca á sua disposição, usando jogadores fazendo-lhes a cabeça com a história do passarito e clubes apresentando o cardápio disponível.
Vão enchendo os bolsos aos eventuais entraves que aperecem e assim está montado o esquema mafioso que parece perfeito.
Os contratos dos jogadores nao são para serem cumpridos durante muito tempo á que rodar, sempre a rodar, cada vez que rodam são milhões que entram e que dão vida a mais parasitas ao futebol.
É possivel que quando estes fundos apareceram pela primeira vez fosse numa base de boas intenções mas depressa perceberam o "furo" do que podiam ganhar explorando o facto da FIFA não ter uma legislação bem defenida.
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 15:35

Agradeço que leia a minha resposta acima ao Max Martins, porque é aplicável também ao seu comentário.

Na realidade, quem é o principal protagonista nestas situações ? Os Fundos não existirão se os clubes deixarem de os utilizar, tão simples como isso.

E, atenção, nem todos os Fundos trabalham de forma obscura. Em muitos aspectos são como a Banca, embora com maior risco, investem e querem retorno, como é natural.

Também é injusto culpar todos os agentes. Eles desempenham um papel importante em defesa dos interesses dos jogadores, porque a maioria destes não têm capacidade para o fazer. Há agentes bons, e outros nem por isso. Devemos recuar nos tempos e lembrar que um jogador ficava "preso" para a vida, assim que assinasse por clube em jovem. Depois veio a lei Bosman , que agora vou levada a extreme, possivelmente, mas, fundamentalmente, foi uma medida lógica e necessária, para impedir os clubes mais poderosos de "armazenar" jogadores só para os impedir de irem para os adversaries.

Em geral, um assunto muito complexo, que não será resolvido com "gritos" na praça pública.
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De Julius Coelho a 15.08.2014 às 15:42

Concordo plenamente faço uma "adenda" ao meu comentário que nao se dirige obviamente aos Fundos e agentes que trabalham de forma transparente de de boa fé que os há felismente.
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De Sardinha a 15.08.2014 às 16:31

É certo que o mercado destes fundos é um dos negócios com "maior risco".
O problema é quando todo o risco, como é por demais evidente no caso Rojo, recai sobre o Clube.

Se a experiência do jogador no Clube for um sucesso e se transferir num grande negócio, o Fundo ganha muito e o Clube umas migalhas (tendo pago os ordenados e apostando nele ao invés de um activo 100% do Clube).

Se a experiência for um fracasso, o Clube perde tudo e ainda é obrigado a indemnizar o fundo garantindo-lhe uma renda choruda.

Genial.

E se entrarmos na possibilidade (!) de alguns destes Fundos terem ligações, influências ou mesmo participações de dirigentes desportivos, treinadores e jogadores (self-evident...) está criado o caldo perfeito para criminalidade vária.
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 16:44

Mas como já disse e repito, se os clubes deixarem de recorrer a Fundos, eles não terão clientes.

Concordo, na íntegra, com as regras da "English Premier League", o problema é que nem todas as Ligas têm o seu poder fianceiro, que é, fundamentalmente, o que lhes permite tomar medidas tão rigorosas.
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De m1950 a 15.08.2014 às 15:32

Meu caro Rui Gomes , tenho questões para lhe fazer que certamente , mesmo que não saiba terá mais noção que eu acerca dos assuntos.


Sporting está a enfrentar um problema básico , a equipa subiu de nível , os objetivos idem aspas , mas o orçamento mantém-se , resumindo pede-se mais rendimento pelo mesmo pagamento.

O Sporting não tem capacidade para obter/manter jogadores de calibre porque não tem capacidade salarial para isso.

Ora eu quero entender se o teto salarial é imposição dos credores ou é proposta da direção?

Depois algo que voce me respondeu , acerca do Rojo , e de 1M recebidos pelo SCP da Doyen Sports. Não compreendo muito bem este caso Rojo , se me puder ajudar agradecia.

O que se passa com Cédric ?
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De Julius Coelho a 15.08.2014 às 15:55

Cédric? É outro problema em vésperas de estoirar a qualquer momento.
A sua questão é correcta e inteligente, a equipa subiu de nível, com objectivos agora mais elevados o que vai obrigar certamente á revisão do orçamento e da folha salarial dos jogadores é provável que assim terá que suceder mais tarde ou mais cedo.
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 15:55

Caro m1950,

Vamos então por partes:

1. A sua primeira questão aparece sublinhada no artigo que publiquei ontem de José Manuel Ribeiro, que, por acentuar a realidade, foi muito mal recebido por alguns sportinguistas.

2. Na realidade, não há uma solução simples, dado que o Sporting tem andado a recrutar no Mercado secundário, por ser mais barato, e por disponibilizar jogadores que procuram clubes de uma outra dimensão. Aceitam as condições que lhe são então propostas mas se depois evoluírem e começarem a ter alguma presença no Mercado exigem condições superiores , não obstante os contratos válidos. Não há uma solução ideal. Acho que o Sporting deve lidar com cada caso individualmente, no foro interno, e não vir para a praça pública divulgar diferendos que são seus para resolver da melhor forma possível. O que a decorrer neste momento, por desagradável que seja, não é inédito.

3. O teto salarial deriva das condições da reestruturação financeira acordada com a Banca, uma exigência inevitável, mas não é rígida, dado que a SAD tem sempre a última palavra. Mais uma vez, acho que cada caso deve ser tratado individualmente, porque os valores dos atletas não são todos do mesmo nível. Ou seja, será ainda mais difícil manter jogadores quando aqueles que já jogam a um nível superior são contratualmente remunerados pelos mesmos meios daqueles de nível inferior.

Agradeço que me permita não debater neste momento, novamente, o caso do Rojo.
Adianto, no entanto, que o Sporting recebeu em Outubro/Novembro 2013 o pagamento de 1 milhão da Doyen Sports , mediante o acordo de Julho de 2012, em que a Doyen aceitou receber 75% do passé por 3 milhões e pagou 2 na altura. Há muito mais, mas ficamos assim por agora.

O contrato do Cédric termina em 2016. Têm estado a negociar a renovação mas ele ainda não aceitou as condições para um novo contrato de longo prazo que lhe estão a ser propostas pela SAD :
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De Sergio Palhas a 15.08.2014 às 18:50

Deixem me apenas acrescentar que ja no programa eleitoral de BdC constava :

http://www.sportingnocoracao.com/imgs/programa_02.pdf

Ponto 56 - Limitação dos gastos operacionais a 60% - 90% dos rendimentos estimados

Esta regra visa a sustentabilidade financeira do SCP, mas como sabemos ainda estamos um pouco longe de atingir essa percentagem já que as nossas receitas "operacionais" ainda são muito modestas, sendo que não serão consideradas as mais valias resultantes da venda de jogadores.

SL,
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 16:16

Peço desculpa mas eu estava a correr para uma reunião e escrevi apressadamente. Se ainda tiver questões que me seja possível esclarecer, não hesite.

Cumprimentos
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De m1950 a 15.08.2014 às 17:49

Estou bastante esclarecido , obrigado.
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De Pedro Miguel a 15.08.2014 às 16:47

Boa tarde,

Bem, para quem andava a ter uma pré-época tranquila, a ouvir falar unicamente nos carnides e olival, de repente, o nosso clube, como sempre, acho que desde Sousa Cintra que assim é, decidiu contribuir com a sua novela anual.

Em conversas com amigos, tenho mantido a opinião, que o Sporting contra o mundo do futebol, é uma guerra que nos vai sair muito cara. Espero estar bem enganado, mas, acredito que, nem o Sporting, nem o futebol Português, tem força nem visibilidade para poder enfrentar os fundos desportivos. Bem sei que assim não devia ser, mas de demagogias está o mundo cheio, com os resultados que conhecemos, a nível sócio-económico, político e desportivo. Apoio esta luta na sua forma ética, mas com bastantes reservas sobre o custo que irá acarretar para a nossa paixão Sporting.

Também em conversas com amigos, todos eles defensores como eu de Bruno de Carvalho, somos unânimes, em que, as cláusulas exorbitantes, que são colocadas nos novos contratos, são um, senão o principal factor na dificuldade de renovar com elementos com muitos anos de casa. O caso Dier já mais do que falado, mas com muito por se saber, Cedric com 16 anos de Sporting, Matheus Pereira com 10 anos de SCP, André Martins so on, so on.

Não me tendo ainda pronunciado, sobre o caso Rojo e Slimani. Independente das motivações que lhes assistem, que podem ser compreendidas no sentido profissional, a forma, não foi a mais correcta. Não só, com 3 anos ainda de contracto eles não podem ser abordados por outros clubes, sem o consentimento da entidade patronal, não haveria outra medida a ser tomada senão a que foi tomada, caso contrário, poderíamos correr o risco -que ainda podemos correr- de vários outros elementos tomarem a mesma atitude. Apesar do que muitos dizem, penso que esta situação é mais prejudicial para o balneário, do que propriamente para o desempenho do colectivo.

Como já aqui disse anteriormente, Rojo, é um jogador muito sobrevalorizado pelo Mundial, tendo jogado numa posição, para a qual dificilmente é opção no SPC, e, Slimani, é mais complicado, caso necessitemos de recorrer a um plano B, mas não acreditando que ele fosse titular indiscutível.

Acima de tudo, está o Sporting, pelo que dificilmente, tanto Rojo como Slimani, voltem a vestir a nossa camisola. Gostava de ter em breve noticias, que o Sporting conseguiu renovar os jogadores supra citados. Insisto no Matheus, porque penso ser um extremo como há muito, não formávamos.

SL
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 18:41

Boa tarde Pedro Miguel,

Excelentes considerações, com as quais concordo, genericamente, por fazerem sentido.

Já constam uns rumores, apenas rumores, que o Matheus já estará encaminhado. Espero que não seja verdade.
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De Miguel a 15.08.2014 às 16:50

Deixo 2 questões:
1. Em relação a Rojo, que terá motivado a repetição deste post, pode sair no final da época invocando a lei Webster?
2. Confessando desde já a minha ignorância pois até há um mês nunca tinha ouvido falar do personagem, quem é Nélio Lucas (ou quem está na realidade por trás dele a mexer os cordelinhos) e porque razão alguém confia mais de 300M € para investir em jogadores a um sujeito aparentemente desconhecido e sem experiência no mundo do futebol?
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 18:29

Caro Miguel,

Respondo de memória e com uma certa cautela porque não tenho disponibilidade neste momento para revisitar a lei Webster , que é algo complexa. É possível que sim, e sublinho possível ou talvez, porque o jogador já terá 3 anos de contrato cumpridos e terá de indemnizar o clube pelo balanço , neste caso mais 2 anos, salvo erro. Gostaria de voltar mais tarde a confirmar isto, depois de ler novamente a lei.

Apenas conheço o Nélio Lucas como CEO da Doyen . Havendo lógica, uma corporação tão enorme nunca entregaria a liderança de um dos seus "braços" a uma pessoa que não é competente. Mais não sei e nunca procurei saber. Um dos meus colegas talvez saiba mais. Mais tarde, talvez possa elaborar um pouco neste sentido.
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De George a 15.08.2014 às 17:26

Excelente post Rui, gostei.
Gostava apenas de dar um dado interessante, e que possivelmente já muitos devem saber. Um dos membros (participantes activos) da Doyen chama-se Luciano D'Onofrio, banido pelas instâncias do futebol de exercer como Agente devido a corrupção, aproveitou este meio para continuar a fazer dinheiro.
(numa reportagem de um canal francês, exploraram a questão de 10% ter sido cedido a uma entidade cujo dono é Luciano D'Onofrio, e foi fixe vê-lo a correr quando foi apanhado a sair de casa pelos jornalistas da reportagem - corre que nem uma gazela)
SL
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De Julius Coelho a 15.08.2014 às 17:36

Muito me contas, boa :)
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 18:32

Obrigado George.

Para ser sincero , sei que sempre constaram algumas ligações privilegiadas entre a Doyen e o clube do Norte, mas nunca procurei saber detalhes.

Interessante o que contas e, ao fim e ao cabo, não surpreendente, considerando o personagem.
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De Sardinha a 15.08.2014 às 19:02

A reportagem da France 2 sobre a Doyen e o Mangala:

https://www.youtube.com/watch?v=Hw9TimAChIc

O Luciano D'Onofrio a tentar bater o recorde mundial dos 3000m está lá para o fim.
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De Pedro Miguel a 15.08.2014 às 20:46

Boas,

Não tinha conhecimento desta reportagem. Depois de a ver, só "um" pensamento me ocorre. Espero que de facto, o nosso departamento jurídico seja muito bom mesmo. Não estamos a falar de um "simples" agente desportivo, ou empresa de representação, mas sim, ao que parece, de uma empresa com fortes ramificações a nível global, o que por norma, significa enormes recursos financeiros e jurídicos. Sporting vs Doyen, lembra-se, ressalve-se as diferenças, a noticia de uma micro empresa Portuguesa, processar a Google por apropriação de uma app (salvo erro é do que se trata).

A resposta ás 04h00, da parte do Sporting à Doyen, foi tão rápida, que só me ocorre, que este processo já estaria a ser estudado à muito tempo pelo SCP, pelo que só espero, que tenham bem a certeza do que estão a fazer. Caso contrário

a)- Se perdermos, perdemos em várias latitudes. Credibilidade, financeiramente, divisões serão criadas no seio no Clube, aumento do mal-estar no plantel, que se poderá estender a todos os departamentos do SCP

b)- Se ganharmos, este caso, poderá figurar como uma mudança de paradigma no futebol actual, com todas as vantagens dai decorrentes. Seremos mais credíveis, sairemos mais fortes para futuras negociações, sinal claro para dentro do clube que existe quem saiba o que está a fazer e muito importante, um sinal muito claro para fora, que o SCP " não se esconde".

SL
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 20:56

Desconhecemos o mais importante: justa causa !... E não creio que esta exista meramente por aquilo que veio a público, terá de haver muitíssimo mais.

Sinceramente, não acredito que chegue a esse ponto e desde que o Manchester United não retire a sua proposta, a transferência será concretizada até ao fecho do Mercado, com o Sporting e a Doyen a chegarem a um acordo que permita a ambos parecer vitoriosos, nem que seja para inglês ver".

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De Julius Coelho a 16.08.2014 às 01:06

Mas esta entidade Doyen Sports infringiu neste processo em muitos aspectos as leis da FIFA, um departamento jurídico com advogados capazes "expert" nesta área e bem documentados têm muitas possibilidades de encostar sériamente a Doyen Sports á parede e também sou de opinião que o Sporting tem andado a preparar-se já á algum tempo e a recolher elementos de prova para poder enfrentar a rotura com este "FUNDO"
Terá a alguns pontos importantes a seu favor, a clara "incomodidade" da FIFA e UEFA neste assunto , a opinião pública em geral a favor e alguns aliados que vão aparecer concerteza de Inglaterra e França onde este tipo de negócios com FUNDOS está estritamente proíbido.
Este assunto do jogador Marcus Rojo é mais uma nódoa bem negra na falada transparência de actuaçao reclamada pela Doyen Sports que nao irá cair bem nos organismos que superintendem o futebol mundial.
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De Rui Gomes a 16.08.2014 às 01:41

Caro Julius,

Vamos ser realistas. Não estou aqui para defender a Doyen , longe disso, até porque me é indiferente, mas não podemos fazer acusações sem conhecimento de causa. Aquilo que Bruno de Carvalho afirmou na TV pouco ou nada serve, quando se pretende resolver um diferendo no fórum jurídico. Rumores, suspeitas, insinuações, etc. são nulos em Direito.

Note bem estas minhas palavras: este caso nunca chegará a um Tribunal, porque não é conveniente a nenhuma das partes. Vai haver um acordo nos bastidores com o Man U provavelmente a facilitar com mais $$$ e depois na praça pública o Bruno vai surgir como o herói da hora porque "forçou" a Doyen a ajoelhar-se e esta vai arrecadar mais uns bons milhões e fica igualmente satisfeita.

Tudo o resto é para inglês ver" !!!

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De Sardinha a 16.08.2014 às 09:28

O SCP no seu comunicado afirma que o CEO da DOYEN, o Nélio Lucas, apareceu em Alvalade identificando-se como agente/emissário do ManUtd para reunir com um elemento da direcção. Além do SMS com o seguinte conteúdo " “O MARCOS ROJO VAI PARA O [CLUBE ESTRANGEIRO]” e que “SE NÃO O DEIXAREM ELE VAI COMEÇAR A PROVOCAR PROBLEMAS NA ACADEMIA”.

Basta haver testemunhos, gravações e registos dos factos e não me parece difícil provarem-se crimes como fraude e coacção e declarar nulos os contratos.
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De Julius Coelho a 15.08.2014 às 17:57

Rui á uma questão que me enche de dúvidas, o Sporting disse ontem que é sua intençao romper o contrato de colaboraçao com a Doyen Sports a Doyen já respondeu que vai para os tribunais e já sabemos e imaginamos o que tudo isto pode demorar, arrastando-se no tempo, as minhas perguntas sâo: Dada razâo ao Sporting como fica o caso Rojo? O Sporting fica com os 75% da Doyen? E partindo desse princípio que o problema vai mesmo arrastar-se no tempo que vai passar nesse entretanto com Rojo? Porque nao vai poder ser vendido durante este processo de rotura. Que cenários poderemos esperar?
Obrigado.
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 18:37

Boa pergunta meu caro, para a qual não tenho resposta neste momento. Para ser sincero , não vislumbro haver justa causa para esse processamento, mas não sabemos o mais importante. Creio que mesmo nesse cenário, o investimento da Doyen teria sempre de ser pago, mas tudo o resto dependerá de uma eventual decisão do Tribunal. Não acredito que chegue a esse ponto.

Entretanto, o jogador fica em "limbo". Nem joga, se estiver sob alçada disciplinar, nem é transferido.
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De Julius Coelho a 15.08.2014 às 18:44

Assim o Sporting teria que liquidar os 75% que a Doyen "emprestou" os tais 3 milhões de Euros e ficarei com total(100%) direitos sobre o Jogador ficando só a cláusula do Spartak dos 20% na venda acima dos 5M. O jogador vai ficar então na tal hibernação com tempo indefenido, lindo serviço sim senhor.
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De Rui Gomes a 15.08.2014 às 19:08

Cautela caro Julius , o referido 7% acima dos 5 milhões de dólares foi para o Estudiantes , mais a percentagem pela formação, em 2012. O alegado 20% do Spartak , para ser sincero, ainda não é claro, e existindo mesmo, terá de ser esclarecido se é de uma futura mais-valia ou do montante ilíquido do negócio.

Havendo transferência, o Estudiantes receberá novamente pelos direitos de formação, mediante a computação que as Regras da FIFA estipula.

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