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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Não é que no passado mais distante não tenham existido casos de corrupção no futebol - há registo de vários - mas tudo leva a crer que eram ocorrências raras e excepcionais, que talvez não tenham provocado causa para alarme como muito do que consta hoje em dia, num enquadramento desportivo em que os interesses do futebol indústria superam o jogo em si, e que, cada vez mais, provocam a suspeita que a traição à verdade desportiva marca presença com uma frequência alarmante.
Isto, a propósito de uma reportagem noticiosa que me chegou a atenção, sobre um caso corrente na Confederação CONCACAF, pela disputa do apuramento para o Mundial 2018, que envolveu El Salvador directamente, o Canadá e as Honduras indirectamente.
O Canadá venceu El Salvador por 3-1, em jogo realizado em Vancouver no dia 6 de Setembro. Para os canadianos, acabou por ser um caso de muito pouco, muito tarde, para lhes assegurar o apuramento. No entanto, a ocasião foi marcada por denúncias de "incentivos financeiros", através dos próprios jogadores de El Salvador. Em causa estaria um aliciamento com o objectivo de premiar três resultados diferentes desta selecção (uma vitória, um empate ou uma derrota pela margem mínima), sabendo-se que uma derrota pesada frente ao Canadá, conjugada com um triunfo do México contra as Honduras, afastaria esta da próxima fase de qualificação.
A Federação de Futebol de El Salvador acabou por identificar o autor da reportada proposta, sendo ele o empresário - e antigo presidente do Alianza FC - Ricardo Padilla, também ele salvadorenho. O próprio, em declarações ao jornal La Prensa, já veio a confirmar esta versão da ocorrência:
"Ofereci-lhes dinheiro para ganharem ao Canadá. Porquê ?... Porque me dá pena que os adeptos da nossa selecção sofram tanto com ela. Um jogador até me disse que poderiam estar a favorecer as Honduras e eu respondi-lhe que até podia ter razão, e que fizessem o que entendessem".
O caso reacendeu em El Salvador o incidente de 2013, em que 14 internacionais foram afastados do futebol por envolvimento num esquema de viciação de resultados.
A FIFA, que entretanto revelou estar a analisar a ocorrência, recusou fazer qualquer comentário nesta altura.
Como já foi referido, em campo o jogo terminou com 3-1 a favor do Canadá, que fechou o Grupo A da CONCACAF no terceiro lugar, com sete pontos, um atrás das Honduras, que, surpreendentemente, assegurou um empate com o México, também no último embate desta fase. Só os dois primeiros, sendo México o líder, se qualificam para a próxima fase.
Com isto - e muito mais - até nem será necessário um cínico para questionar a verdade desportiva no futebol Mundial.
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