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Abel Ferreira e afins

Rui Gomes, em 09.07.14
 


Não tenho sentido grande motivação para abordar o caso de Abel Ferreira, talvez porque, pelas circunstâncias, teria de ser, e é, mais um escrito crítico da liderança do Sporting, nomeadamente da SAD, que, em termos práticos, significa o mesmo.

Recuando no tempo, aprovei a sua nomeação para integrar o Staff técnico da Academia Sporting. Parecia ser - será ainda ? - uma escolha ideal, tendo em conta a sua formação académica e desportiva e o seu currículo como futebolista, condições que ofereciam uma muito boa perspectiva para o seu sucesso a longo prazo. O mesmo não posso dizer da sua ascensão à equipa B, por entender que foi prematura, pela sua inexperiência como técnico. Naquela altura, a escolher entre os elementos da casa, teria optado por José Lima, pela sua vasta experiência e em escalões diversos, precisamente o que Abel Ferreira não tem. Por outro lado - para quem acompanha o Camarote Leonino há longo não será surpresa alguma - sempre insisti que Abel era o misterioso terceiro elemento da estrutura, anunciado mas não identificado durante a campanha eleitoral de Bruno de Carvalho. O facto do presidente eleito ter mais tarde optado por disfarçar a questão, apenas serviu, na minha óptica, para sublinhar a tese. Neste enquadramento, acredito que essa possível mas não comprovada ligação, tenha tido enorme influência na decisão então tomada.

Mesmo à distância, como mero adepto, sentiu-se durante a época finda que Abel Ferreira estava a sentir algumas dificuldades em lidar com alguns jovens da equipa B. Visto de fora para dentro, é praticamente impossível determinar a especificidade dessas dificuldades, mas creio que a sua existência, na generalidade, não era segredo algum. Em abono da verdade, e para ser justo para com Abel, a responsabilidade não pode ser e nunca é de um só homem, uma vez que trabalha com uma estrutura que, por natureza, tem a obrigação de apoiar o treinador e de assumir tanta ou mais responsabilidade de liderança sobre jovens talentos numa fase crucial da sua formação. Temos nesta importante função Virgílio Lopes, mandatado pelo Conselho Directivo para esse efeito, um homem que foi futebolista profissional e que esteve entretanto completamente afastado de futebol organizado durante cerca 23 anos. Se agora questionamos a competência de Abel Ferreira, não é menos justo questionar objectivamente a de Virgílio Lopes, neste exacto contexto.

Era a esperança de muitos sportinguistas que a SAD tomasse uma decisão sobre o treinador da equipa B, logo após o termo da campanha 2013/14. Tal não aconteceu e muitos de nós ficámos então convencidos que não iriam haver alterações. Surgiu, entretanto, muito recente até, a conhecida entrevista de Litos a dar conta do convite do Sporting para assumir a função, convite este que foi declinado pelo próprio, por "as condições não estarem reunidas" para esse fim, inclusive da ainda ocupação do cargo por Abel Ferreira.

A má condução deste processo, por parte da SAD, começou aqui e apenas degradou severamente ao permitir que Abel Ferreira se apresentasse ao trabalho e conduzisse o primeiro treino da pré-época, só para ser despedido no segundo. Para ser simpático, um comportamento muito reprovável dos responsáveis do Sporting e que um profissional com cerca de oito anos de casa não merecia, aliás,  que nenhum outro profissional merecia. 

Se estiver errado que me corrigem, mas não tenho conhecimento de qualquer comunicado oficial do Clube  neste sentido. Tudo o que sabe, tem sido divulgado pela comunicação social. Questionado recentemente sobre este caso, Bruno de Carvalho afirmou que daria uma explicação mais tarde.

Pelos vistos, será Francisco Barão a liderar a equipa B, pelo menos por agora. Não tenho opinião neste momento sobre esta circunstância, por sentir alguma dificuldade em distinguir o trabalho do treinador principal de o do seu adjunto.

Não pretendo abordar em detalhe, neste momento, o meu conceito sobre o que consta a equipa B e como deve ser operada, mas posso desde já garantir que não é o que se verificou na época passada. A criação desta equipa sempre foi considerada essencial para complementar a formação e servir como a última ponte de ligação à equipa principal. Não é - nunca foi - uma equipa de reservas, onde os jogadores que não conseguem ter tempo de jogo suficiente e satisfazer as exigências competitivas da equipa principal são transferidos para fazer rodagem e/ou cumprir contrato, em detrimento dos jovens que o Sporting pretende apurar para o nível superior. Salvo um ou outro talento considerado meritório, excepcional até, também não deverá ser utilizada, com regularidade, como um depósito para talentos estrangeiros à espera de uma determinação sobre as suas capacidades para integrar a equipa principal.

Uma palavra final sobre quem eu gostaria de ver a liderar a equipa B do Sporting. Conheço-o pessoalmente, embora nunca tenha abordado este tema em conversa e, para ser sincero, até desconheço a sua receptividade para o cargo. Paulo Torres, antigo atleta leonino, conhece muito bem a cultura do Clube e depois de uma carreira de muitos anos como futebolista, já treinou um bom número de equipas de escalões inferiores. Salvo erro, é o actual seleccionador da Guiné-Bissau e, em simultâneo, treinador do Sporting de Bissau. É conhecido pelo bom trabalho que tem levado a cabo com jovens, dado que as equipas por onde tem passado, por limitações financeiras, dependem quase exclusivamente na juventude para competir. É uma mera sugestão, como outras, mas que me agrada, por estar convencido que faria um bom trabalho.

 

publicado às 00:20

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9 comentários

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De Zargo a 08.07.2014 às 19:18

Ao longo do ano observei com interesse alguns aspectos decorrentes da equipa B e do trabalho desenvolvido pelo Abel. Concordo com a dimensão conceptual da equipa B que o Rui apresenta como sendo “essencial para complementar a formação e servir como a última ponte de ligação à equipa principal”.
No entanto, frequentemente alinharam pela B atletas que, de alguma forma, estavam encostados na A. Isso aconteceu sem vantagens evidentes para a equipa B e para os atletas em causa.
Obviamente, que essa opção não foi do Abel, mas do seu superior hierárquico, o Leonardo Jardim que estava mais atento à equipa A e às suas necessidades específicas. Tinha, para além disso, condições para agir dessa maneira porque percebeu que a conversa da Direcção sobre a importância da Formação tinha muito de conjuntural. E receio que esse paradigma se acentue durante esta época. Marco Silva precisa de apresentar resultados positivos num curto prazo, não tendo estatuto para conseguir aguentar-se à frente da equipa técnica com desaires sucessivos. Aliás, o fantasma da época de 2012-13 instalar-se-ia no balneário.
Por isso, penso que Marco Silva canalizará o foco do seu trabalho para a equipa principal, que absorverá todo o seu esforço e saber. A equipa B ficará por conta de outros.
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De Rui Gomes a 08.07.2014 às 19:27

Embora eu não tenha mencionado esse aspecto no texto, é correcto não afastar Leonardo Jardim da equação, como indica, face às prioridades da equipa principal. Daí que eu também não possa concordar com as circunstâncias da época passada, nesse contexto.

É possível que tenha razão quanto a Marco Silva. No entanto, também dependerá de decisões fora do seu escopo de autoridade. Ainda não o conheço o suficiente para comentar muito sobre tanto o homem como o treinador.
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De iorda9 a 08.07.2014 às 19:23

Por acaso também conheço pessoalmente o Paulo Torres e é aliás meu conterraneo

Partilho da sua opinião sobre sua qualidades como tecnico, mas e se as coisas lhe estiverem a correr muito bem e não tão bem a MS, cresce logo uma sombra sobre este, tal como aconteceu com Domingos e Sá Pinto

Por isso é que acho que o perfil do treinador da B deve ser diferente - deve ser alguem competente, mas low profile, que treine mas também forme e eduque os craques e não se deixe ofuscar com "os barulhos das luzes"

Por isso acho bem dar-se uma oportunidade ao Francisco Barão

Quanto a Abel, mais importante do que saber ao detalhe a forma como saiu - é realmente ter saido, já que o seu trabalho estava longe de ser bom

Mas mais importante ainda do que o treinador, é delinear uma estrategia segura para a equipa B, que penso que ainda não exista ou pelo menos eu que estou de fora não a entendo muito bem

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De Rui Gomes a 08.07.2014 às 19:38

O Paulo é natural de Évora, salvo erro, e por mera coincidência, a esposa dele é natural da mesma terra da minha falecida mãe. Não foi por essa ligação que eu o conheci, mas sim pelo futebol.

Quando estava a escrever o texto ponderei essa sua possível ambição de chegar à equipa principal. Não duvido que era esse o caso com o Litos , mas não tenho a mesma certeza com o Paulo, embora seja plausível.

A forma como o Abel saiu reflecte no todo da organização e é esta que continua a liderar. Veremos, no entanto, se esta época decorre de modo diferente. Concordo que se existe um plano específico para a equipa B, especialmente em relação à formação, não é aparente.
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De iorda9 a 08.07.2014 às 20:48

Sim é de Évora e é um grande Sportinguista

Não sei como Abel saiu, mas sei que não contando com ele ( e bem) deviamos fazer de tudo para o tentar colocar num clube da 1ª ou 2ª liga tal como faz o porto, e já agora procurar fazer o mesmo com outros tecnicos afectos ao Sporting como por exemplo Paulo Torres ou Litos - tanto clube em Portugal, tantas mexidas não há forma de conseguir que fiquem cá em vez de ir para Moçambique ou outras paragens ?

A excepção será Pedro Martins e agora Leonel Pontes, mas deviamos ter mais - Oceano, Dominguez, etc
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De Rui Gomes a 08.07.2014 às 22:01

Não temos know how " para fazer o que sugere. É uma realidade sportinguista.
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De Carlos a 09.07.2014 às 09:14

É de facto uma daquelas coisas que escusava de acontecer. Não se compreende as razões e mesmo que as soubéssemos, tinha obrigação de correr de outra forma.

Honestamente, não gostei muito do trabalho do Abel na equipa B. Pode não ter sido culpa dele - ou da equipa que ele liderava - mas estrutural, e sim, temos de pensar isto no âmbito do Virgílio e do Leonardo Jardim. Acho que um dos propósitos é os jogadores evoluírem e isso não aconteceu. Há uma preocupação com os miúdos portaram-se bem e tal, se não te aplicas não jogas, se não jogam bem eu digo na comunicação social coisas do tipo "há jogadores que não se aplica", blá blá e isso aconteceu muito a época passada. E isto só acontece quando o treinador perde a capacidade de comunicar dentro do balneário.

O Sporting tem de aceitar uma realidade. Forma talentos. E os talentos criam-se com egos e personalidades fortes. Se achamos que temos talentos com açaime, vai correr mal.

Quanto a mim, o Dominguez tinha feito um bom trabalho e sair por razões políticas é sempre mau e revelador de falta de alguma coisa.

Obviamente que depois de muitos anos com um projecto que se revelou desastroso a muitos níveis, os sportinguistas tem alguma ansiedade de ver a casa arrumada e a dar resultados.
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De contador de histórias a 09.07.2014 às 12:13

Disse quase tudo!
Só referir que é mais uma prova que as coisas não são geridas por profissionais competentes, como tantas quiseram vender essas estorias, além disso também se percebe que as coisas andam no limite, em várias "frentes" apesar de toda a propaganda passada para o adepto comum.
Muitas coisas têm sido a abafadas!
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De contador de histórias a 09.07.2014 às 12:15

Para que conste o que deve ser uma equipa B

" A criação desta equipa sempre foi considerada essencial para complementar a formação e servir como a última ponte de ligação à equipa principal. Não é -nunca foi - uma equipa de reservas, onde os jogadores que não conseguem ter tempo de jogo suficiente e satisfazer as exigências competitivas da equipa principal são transferidos para fazer rodagem e/ou cumprir contrato, em detrimento dos jovens que o Sporting pretende apurar para o nível superior. Salvo um ou outro talento considerado meritório, excepcional até, também não deverá ser utilizada, com regularidade, como um depósito para talentos estrangeiros à espera de uma determinação sobre as suas capacidades para integrar a equipa principal"

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