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Artigo de Alberto Teixeira - ECCO economia.online

 

Se imaginarmos que investir em bolsa é como uma partida de futebol, então os investidores estão a levar uma goleada com a aposta em acções de Sporting, Benfica, e Porto. Amor ao clube pesa na carteira.

 

Para lá dos altos e baixos das emoções que Sporting, Benfica e FC Porto proporcionam aos adeptos dentro das quatro linhas, o desempenho dos três grandes na bolsa sempre se pautou por um tom negativamente monótono desde que as acções das respectivas SAD se estrearam no mercado. Na verdade, nenhuma SAD portuguesa pagou sequer dividendos aos accionistas. Mas isso pouco parece importar para o investidor que compra títulos apenas por amor ao seu clube.

É um facto. Desde a estreia em bolsa que os três principais clubes nunca deram grandes alegrias aos investidores, independentemente das conquistas dentro de campo. Em 2001, o Benfica vendeu acções ao público em geral a 5,24 euros e aos sócios por 4,98 euros. Apesar de só terem sido admitidas à negociação em 2007, quem comprou os títulos dos actuais campeões nacionais no início do milénio contabiliza perdas de 80% com esse investimento.

 

Eduardo Silva, gestor de activos da XTB Portugal, sublinha que “o racional risco/retorno pode ser discutível, mas não significa que é capital que não possa valorizar. Os resultados desportivos são o factor com maior peso. Basta vermos que a época de sonho da Juventus resultou na maior valorização de um título de clube de futebol na Europa, com uma subida de 264% desde o início da temporada. Os jogadores valorizam e as acções acompanham”, explica.

 

No caso português, essa ligação não é tão evidente e é amor à camisola que faz o investidor esquecer, por exemplo, os prejuízos de 90% e 85% que FC Porto e Sporting também registam desde que as SAD se iniciaram no mercado de acções em 1998 e 1999, respectivamente, em desempenhos patrocinados por reduzidos volumes de transacções a que nenhum clube escapa.

"O racional risco/retorno pode ser discutível,mas não significa que é capital que não possa valorizar. Os resultados desportivos são o factor com maior peso. Basta vermos que a época de sonho da Juventus resultou na maior valorização de um título de clube de futebol na Europa com uma subida de 264% desde o início da temporada. Os jogadores valorizam e as acções acompanham.”

 

Eduardo Silva

Gestor de activos da XTB Portugal

 

Além das acções, o mercado de capitais tem-se revelado uma boa fonte de financiamento das SAD nos últimos anos, como forma de fintar a contracção do mercado de financiamento dos bancos nos anos de crise.

 

Através do recurso a empréstimos obrigacionistas, tanto o Benfica como o FC Porto já conseguiram levantar 95 milhões de euros só este ano, com juros de 4% e 4,25%, respectivamente, taxas bastante mais elevadas face à generalidade dos produtos de poupança disponíveis, reflectindo o grau de risco que estes títulos comportam.

 

E quem comprou estas obrigações fê-lo mais numa lógica racional, assegura Eduardo Silva, embora o lado emocional também tenha pesado em função do elevado risco de incumprimento que representam estes títulos de dívida.

 

“Mas nas acções é diferente… o retorno não é evidente e o clubismo tem um peso maior“, frisa.

"As obrigações são um investimento. Com os juros, face à percepção de risco ultrapassam o factor amor, é normal que adeptos de um clube comprem obrigações de outro clube considerando a percepção de risco/retorno. Nas acções é diferente, o retorno não é evidente e o clubismo tem um peso maior.”

 

Eduardo Silva

Gestor de activos da XTB Portugal

 

publicado às 09:19

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