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Não era minha intenção voltar a abordar o despedimento colectivo no jornal "Sporting", mas depois de reflectir conscienciosamente determinadas informações que me chegaram, há dois ou três dias, decidi que valeria a pena um comentário adicional, que se não tiver outra utilidade, servirá para acentuar que este assunto foi mal e impiedosamente gerido pelo Conselho Directivo e, sobretudo, em contraste com a transparência que é constantemente apregoada, nem tudo é o que aparenta, caso existissem dúvidas.

 

As suspeitas sobre diversos aspectos desta decisão dos responsáveis do Sporting surgiram logo no primeiro minuto, pela informação que foi divulgada pela comunicação social , em nada atenuadas pelo tardio comunicado do Clube, que eu então denominei o proverbial "atirar areia para os olhos". Soube-se, então, que foram despedidos oito funcionários do jornal, homens e mulheres, alguns com décadas de serviço no Clube. Um dos rumores que então surgiram foi-me possível agora confirmar: que apenas ficaram dois fotógrafos, possivelmente porque o "YoungNetwork" Grupo não tem profissionais da especialidade no seu quadro.

 

Entretanto, através de fonte directa e fidedigna - nomeadamente um dos funcionários despedidos - foi possível apurar um pouco mais sobre o processo e a forma como este foi gerido por quem de direito. Este funcionário, que por uma questão de respeito e sem a exigência da pessoa, vou manter anónimo, depois de décadas na função, apresentou-se ao serviço na terça-feira, dia 22 de Abril, e quando tentou dar início ao seu trabalho verificou que o acesso ao seu computador estava bloqueado. Dirigiu-se então a um colega que o informou do despedimento colectivo e que também ele descobriu a situação do mesmo modo. Para não entrar em mais detalhes, será suficiente indicar que o referido funcionário dirigiu-se a um dirigente e perguntou-lhe se a Direcção não sentia o dever e se não dispunha de cinco minutos para informar as pessoas directa e pessoalmente. Não recebeu resposta !

 

Ainda através de uma outra fonte, também esta fidedigna, um vogal da Direcção foi questionado sobre a situação. Como resposta, limitou-se a dizer que o processo "já estava a ser planeado há algum tempo, porque estavam a ser cometidos muitos erros" (com a publicação do jornal).

 

Caso à parte, quero deixar aqui o meu apreço por Rúben Coelho - director-adjunto do jornal - o real "motor" da publicação com cerca de 25 anos de casa e, salvo erro, distinguido com o Prémio Stromp, em mais do que uma ocasião. Pessoa com quem eu tive o prazer de lidar durante os meus anos de colaboração com o jornal. Não tive ocasião de falar com ele, mas creio que visita o blogue. Desejo-lhe as maiores felicidades.

 

publicado às 07:57

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9 comentários

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De Marco Silva a 30.04.2014 às 10:32

Com todo o respeito, isto parece mais uma história de alcoviteiros do que qualquer outra coisa.
Sem conhecer os contornos do caso em questão mas por analogia com muitos outros casos similares em que predomina a apologia do queixinhas versus coitadinho, estou deveras inclinado a dar razão a quem tomou a decisão de dar um novo rumo ao Jornal do Sporting ao qual, nos meus mais de 60 anos de idade e 40 de sócio, nunca lhe reconheci grande mérito ou utilidade.
Já agora (e mérito lhe seja reconhecido) não conheci nenhum presidente do Sporting que tenha publicitado mais o Jornal do Sporting do que o Dr. Bruno de Carvalho. Só quem estiver de má fé, tenha uma agenda de bota-abaixo ou quem se esconde atrás dos arbustos, é que não lhe reconhece isso.
Tanta treta em redor do Jornal do Sporting mas ninguém se questiona por que é o site do Sporting é, desde a primeira hora, gerido pela Sportinveste . Nesta questão não entra também o sportinguismo e os seus valores?
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De Petinga a 30.04.2014 às 11:25

"Já agora (e mérito lhe seja reconhecido) não conheci nenhum presidente do Sporting que tenha publicitado mais o Jornal do Sporting do que (...) Bruno de Carvalho."

Nesta frase temos que admitir que Marco Silva levanta uma questao fulcral.
Penso que ouvimos falar do Jornal Sporting durante esta temporada mais vezes do que na década que passou, sobretudo pela boca do presidente. Mais de uma vez o ouvi dizer "nao comprem os jornais desportivos mainstream, comprem o Jornal Sporting porque é lá que vamos publicar as informacoes fidedignas sobre o clube".

Os meios utilizados para o despedimento que a sua fonte relata, a corresponderem a TODA a verdade (e todos sabemos que nestas histórias há sempre pelo menos duas versoes da verdade...), nao sao nada de bom e rocam o amoral.
Mas pressagiar "o fim do jornal Sporting" às maos de quem se fartou de lhe fazer propaganda e o utilizou como nenhuma Direccao anterior para comunicar com os sócios e adeptos faz muito pouco sentido.
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De Rui Gomes a 30.04.2014 às 12:24

O Marco Silva "levanta uma questão fulcral" !!!

Primeiro, a sua afirmação é muito subjectiva, já que teríamos de rever os quse 100 anos do jornal para analisar o seu uso por presidentes.

Segundo, o que ele (e o Petinga) considera publicitar. Creio que o que melhor descreve a situação é que nunca na história do Sporting houve um presidente tão mediático, com entrevistas em fio, que inclui, muito naturalmente, o jornal.

Terceiro, o que escrevi são factos e não uma versão da história. No contexto que referi não há versões, e se tem dúvidas aconselho que pergunte ao seu presidente. E não disse tudo o que sei, para não "lavar muita roupa suja".

O presságio do fim do jornal não é meu, embora admita essa forte possibilidade.

Por fim, o discurso neste tipo de situações é sempre mais ou menos o mesmo: tal como o Clube, parece que o jornal só existe há um ano.

Nota à parte, aconselho-o a rever outros posts onde comenta e a responder a perguntas que lhe são dirigidas. Ou será que é inconveniente ?
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De Petinga a 30.04.2014 às 14:14

"Primeiro, a sua afirmação é muito subjectiva, já que teríamos de rever os quse 100 anos do jornal para analisar o seu uso por presidentes"

De acordo; mas boa sorte para conseguir encontrar um presidente de um clube desportivo, em Portugal, que publique contas detalhadas do clube no Jornal afecto ao mesmo.

"Terceiro, o que escrevi são factos e não uma versão da história."

Caro Rui, o que escreveu sao os factos que lhe foram relatados. Sem querer colocar em causa a fonte, em casos de despedimento dificilmente convencerá quem quer que seja que toda a verdade possa ser encontrada com o depoimento de apenas uma das partes. O leitor abaixo escreve o mesmo e é uma questao de bom senso.

Repito: no primeiro relato que fez pareceu-me manter a objectividade e concordei com tudo quanto tinha escrito. Neste post penso que talvez o seu apreco pessoal pela sua fonte combinado com o desprezo que nutre pela direccao do Sporting o leva a uma perca de objectividade. Nada disto invalida que o Sporting (e qualquer outra instituicao de bem) deve aos seus funcionários respeito sobretudo na hora da cessacao de contratos. E que, neste caso, há razoes para presumir que tal nao existiu.

Sobre o profetizado fim do jornal, acho que é uma piada de (muito) mau gosto. E deixo uma reflexao, ainda que nao directamente relacionada com o post, mas na sequencia: os mesmos sócios que votaram de cruz, sob pressao de anteriores direccoes, a extincao de modalidades históricas num clube que se gaba de ser ecléctico e de ser o 2o. mais titulado do Mundo, estariam à altura de evitar a extincao do jornal do clube? Dá que pensar.
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De Rui Gomes a 30.04.2014 às 15:44

Vamos por partes meu caro:

Não sei se lê o jornal e há quanto tempo, mas se for para trás deverá verificar que a publicação das contas não é inédito.

Segundo, eu já indiquei que optei por não relatar tudo o que sei sobre este assunto. Eu citei um único funcionário, mas sei por outras fontes que o lhe aconteceu foi o mesmo que aconteceu com todos, salvo um, pela sua posição de maior autoridade.

Acho estranho, no entanto, ou talvez não, que o benefício da dúvida não seja concedido a estas pessoas, só porque não é à conveniência dos dirigentes. Para si, que está distante, o cenário é diferente, mas para quem está perto e para quem tem acesso ao foro interno, isto não é segredo algum.

Este processo deve-se a muita coisa menos redução de custos, não só sei isso como até é aparente pelo comunicado da Direcção. Por conseguinte, veremos qual vai ser o futuro do jornal. Uma disposição é indiscutível: foi entregue a uma empresa não relacionada com jornalismo e sem experiência alguma na publicação de jornais.

Por fim, não tenho relação íntima alguma com as duas fontes que refiro no post . Conheço-os e eles a mim, mas é meramente casual. Aliás, a informação também surgiu de forma casual por ligação a outras questões. Há de facto pessoas, como o citado Rúben Coelho, que não contactei, com quem eu mantenho uma relação mais próxima, e quem diz ele mais dois ou três.

A hipotética extinção do jornal nunca antes veio a debate.

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De Petinga a 30.04.2014 às 16:32

"Não sei se lê o jornal e há quanto tempo, mas se for para trás deverá verificar que a publicação das contas não é inédito."

Com o mesmo detalhe que surgiu agora? Se for o caso, mea culpa.

"Acho estranho, no entanto, ou talvez não, que o benefício da dúvida não seja concedido a estas pessoas, só porque não é à conveniência dos dirigentes."

Eu concedo o benefício da dúvida a ambas as partes. Isto é, aceito que o tratamento dado pelo Sporting aos funcionários do Jornal nao foi apropriado; tenho opiniao mais reservada em relacao a "quao inapropriado" terá sido porque nao tenho acesso aos dois lados da história.
Que fique claro: mesmo na versao mais "soft", o que o Sporting fez a estes funcionários nao é algo que eu ache correcto e roca o amoral. Nao é assim que se trata quem trabalha durante anos numa instituicao, seja no jornal Sporting ou na tasca da esquina.

"Uma disposição é indiscutível: foi entregue a uma empresa não relacionada com jornalismo e sem experiência alguma na publicação de jornais."

100% de acordo. E o que me faz confusao é que ainda nao consegui perceber "porque^".
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De Rui Gomes a 30.04.2014 às 16:46

É precisamente esse "porquê" que suscita suspeitas. Penso que o passar de mais algum tempo esclarecerá melhor a contenda.

Apenas a título informativo, sei que um dos revisores despedidos já tinha 40 + anos de casa.
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De Petinga a 30.04.2014 às 17:11

Por cada razao "obscura" que se possa aventar existe uma que faz sentido. Portanto nao nos resta muito mais do que esperar.
Já escrevi anteriormente: veria como muito mais "manipulador" da opiniao dos adeptos se a direccao obtivesse o controlo editorial do Correio da Manha do que do Jornal Sporting.

E como mencionei antes: o colaborador que menciona merece respeito pela antiguidade. Mas em toda a verdade nao é por se ter 40+ anos de casa que era o melhor profissional possível no seu lugar. Tal como nao é por se ser sportinguista que se vai ser necessariamente o melhor funcionário no jornal Sporting. As premissas nao sao (de todo) mutuamente exclusivas, mas uma também nao implica necessariamente a outra. Percebe o meu ponto de vista? Uma coisa é, em termos humanos, ser difícil de aceitar demitir alguém com tanto tempo de casa de forma totalmente desrespeitosa (como a versao dos factos que relata sugere); outra coisa é gritar "aqui d'El Rei" porque se demitiu alguém com 40+ anos de casa para o substituir por um jovem inexperiente. Salvo o "jovem inexperiente" nao ter qualquer competencia para o cargo ou ser familiar do chefe, a medida em si pode ser perfeitamente justificada do ponto de vista técnico. Eu diria que a virtude de gestao deve estar algures no meio.
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De Rui Gomes a 30.04.2014 às 17:48

P.S. É a primeira vez que refiro isto, mas este processo, com contornos e implicações diferentes, foi tratado da mesma forma como a "desmotivação" dos diversos colaboradores que contribuiram durante muitos anos, desinteressadamente, para o jornal e que acabou por os afastar. Alguns, com mais de 20 anos de envolvimento.

Até hoje, nem uma palavra nos dirigiram, nem uma. Não guardo rancor por isso porque não sou esse tipo de pessoa, mas não seria humano se não reparasse.

Nunca beneficiei seja o que for deste meu envolvimento. O convívio social que sempre tive em Alvalade já vem de longa data - décadas de 70 e 80 - e nada relacionado com o jornal. Na realidade, preza-me dizer que fui sempre muito bem recebido e até não me lembro da última vez que paguei ingresso para assistir a um jogo. Claro, acabei sempre por despender muitíssimo mais por outras vias. Curiosamente, o mesmo ocorrerá se me deslocar à Luz ou ao Dragão - entre outros locais do futebol português - e aí decerto que não tenho interesses.

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