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Passaram esta quinta-feira 18 anos de um dos maiores escândalos da justiça e mais uns quantos da perpetuação de uma das maiores mentiras que alimenta o mundo do futebol.

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Há dezoito anos, incomodado com as escutas do Apito Dourado, o Governo de Durão Barroso despachou os dois coordenadores da investigação, Teófilo Santiago e Massano de Carvalho. As escutas a Valentim Loureiro revelavam a velha central de favores no futebol mas também na política. Isso incomodou o governo. De telemóvel na mão, o major metia cunhas para a sua vida de autarca, pedia ajuda para o seu amigo Sousa Cintra construir na paisagem protegida da Costa Vicentina, exigia favores a vários ministros e secretários de Estado, insultava funcionários do Estado mais apegados a cumprir a lei.

A PJ do Porto respeitou escrupulosamente a investigação, resistiu a pressões e respeitou a separação de poderes, nada dizendo ao Governo sobre o que estava no processo. Os coordenadores do caso foram afastados, o director da PJ do Porto exonerado e quase ia sendo preso.

Esses dias negros para a Justiça ficam por conta do Governo de Barroso e é, também por isso, que estas escutas são importantes. Para memória futura. É nesse momento, aliás, que começa a grande mentira sobre a propalada ilegalidade das escutas. Esse primeiro ataque ao processo abriu a porta para quem tinha interesse em destruí-lo, sobretudo na parte mais quente, no que mostrava sobre o poder de Pinto da Costa.

As escutas do processo Apito Dourado foram totalmente legais, autorizadas e validadas judicialmente. Serviram, aliás, para condenar todos os arguidos no processo que envolvia o Gondomar. O que aconteceu foi que não eram, como não são, admissíveis para processos disciplinares na justiça desportiva, essa grande aberração, não apenas portuguesa, onde os estados abdicam de parte da sua própria soberania, entregando a justiça ao mundo do futebol e retirando-a dos tribunais.

O ónus da sua utilização está, portanto, em quem quis fazê-lo na dita justiça desportiva e não no processo judicial, nem nos investigadores. Elas não só foram completamente legais como, sim, é pura verdade, mostraram a corrupção activa e passiva reinante no futebol. Mostraram o ‘sistema’ de poder que fabricava resultados, a fruta que o alimentava e as cumplicidades que dispunha na construção e destruição de carreiras de árbitros, dentro da própria Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e nas associações. Mostraram, finalmente, dirigentes desportivos que, pese embora os sucessos desportivos ao longo de 40 anos, são tudo menos exemplares. De resto, ao contrário do que disse há dias um membro do actual governo e, de outro modo, confirmando tudo o que pensa e disse o presidente de um dos três grandes sobre a dita corrupção activa.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 06:04

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9 comentários

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De Profeta a 06.06.2022 às 13:58

Nem todos os jornalistas são acomodados. Rui Santos, Octávio Lopes ou este são exemplos disso. Valha-nos isso!
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De Naçao Valente a 06.06.2022 às 16:02

Dezoito anos depois, do maior escândalo do futebol português, o designado apito dourado voltou à luz do dia. Varandas teve o mérito de o recordar depois das provocações de Pinto da Costa, que se meteu com a pessoa errada. Deu-se mal.

Por outro lado, o inefável Secretário de Estado do Desporto tem como primeiro acto público o elogio ao corruptor-mor, considerando-o pessoa exemplar, confundindo postura institucional com apoio clubístico. Se tivesse vergonha na cara já se tinha demitido.

Eduardo Dâmaso pôs mais sal na ferida. Será mais um incendiário? Não. É dos poucos jornalistas que não quer tapar o sol com a peneira. E que isto sirva para que fique claro, que houve crime e que o dito dirigente exemplar, só o é no âmbito da vigarice.
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De Helder Mestre a 06.06.2022 às 17:47

A vergonha nas décadas de oitenta e noventa ainda foi pior. Pena não existir escutas ou outras provas materiais dessas duas décadas onde valeu tudo. No futuro, pós-Padrinho, com certeza, que o azeite virá ao de cima.
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De Rui Gomes a 06.06.2022 às 18:21

Talvez aconteça, mas mesmo assim ainda haverão muitos interesses em jogo.
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De Anónimo a 06.06.2022 às 18:59

Comentário apagado.
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De João F. a 06.06.2022 às 19:58

Onde é que está a surpresa?
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De Yazalde a 06.06.2022 às 20:45

Isto para mim vai continuar, quando o pinto da costa sair da cena, o polvo tem muitos tentáculos, a justiça é o que nós sabemos, forte para os anti regime, e fracos para os da corrupção,
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De Pacheco a 06.06.2022 às 21:17

A PJ do Porto respeitou escrupulosamente a investigação? Então não havia alguém da PJ que informava o Pintinho sobre a investigação?

E não foi só na justiça desportiva que as escutas não foram tidas em conta.

Exemplo: "O Colectivo de Juízes, presidido por Clarisse Gonçalves, entendeu que as escutas telefónicas são meios probatórios e não documentos sobre factos reais, pelo que, embora tenham sido validadas, não funcionaram como meio de prova para o processo em questão."

https://www.dn.pt/desporto/futebol-nacional/apito-dourado-tribunal-absolve-todos-os-arguidos-1583957.html

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