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"Apostar na formação"

Esfinge, em 24.04.19

 

Marcelkeizer16.jpg

 

Quero agradecer a honra do convite para escrever no Camarote Leonino. Ter o nome (ou pelo menos o pseudónimo) ao lado de quem já tanto deu pela causa verde e branca, é uma responsabilidade. A devida vénia. Espero ter reflexões que possam interessar aos muitos leitores.

 

Marcel Keizer era um absoluto desconhecido para 99 por cento dos adeptos de futebol. Aquando da sua escolha, a Direcção vendeu-nos que era um treinador que sabia trabalhar sem acesso a grandes investimentos, com olho para fazer evoluir e potenciar jogadores, apostava em jovens e jogadores desconhecidos, boas metodologias de trabalho e que iria fazer um bom aproveitamento dos talentos da Academia.

 

Trazia no CV ter trabalhado com os jovens do Ajax, uma passagem fugaz pela equipa sénior e pouco mais. Não era um curriculum de sonho. Mas animou-me que, pela primeira vez em muitos anos, o Sporting tinha uma direcção que fazia o que prometia – maximizar a Academia.

 

Perdoem-me agora um muito breve périplo histórico. Na última vintena de anos, várias direcções se apresentaram com o chavão “aposta na formação”, e daqui se construiria o plantel sénior e o sucesso. Invariavelmente era algo que acabava rápido e sem seguimento.

 

Verificam-se honrosas excepções: 2001/2003 (Boloni, com Quaresma, Viana, Custódio, Ronaldo), 2005/2010 (Paulo Bento com Rui Patrício, Miguel Veloso, Pereirinha, Nani, Yannick, Adrien, Carriço), e 2012/2013 (Leonardo Jardim, com William, Dier, Ruben Semedo, Salomão, Esgaio, Mané).

 

Até passo por cima do pormenor de que, em quase todos estes casos, o investimento se dever mais a contingências orçamentais do que a uma convicção fervorosa na importância do ciclo virtuoso Academia-Plantel Sénior (a Academia fornece talentos ao plantel sénior que os potencializa desportiva e economicamente, e a evolução que o plantel sénior permite aos jogadores formados na Academia, serve de atração a mais jovens talentos para a Academia).

 

Mas terá Keizer cumprido com o que foi prometido? Terá Keizer apostado na juventude e na Academia? Vou usar como critério de aferição o número de minutos jogados. É um critério falível, porque ignora parte importante do trabalho de um jogador de futebol, que é invisível para nós: o quotidiano dos treinos, o saber estar, o nível de ética profissional, o compromisso, a responsabilidade. Ainda assim, sem minutos não se fazem jogadores.

 

Ora, desde o início desta temporada, os jogadores do Sporting já jogaram, no total, 48.308 minutos, e dou de barato que Keizer não é o treinador desde o início da temporada. Mas os números valem ainda assim por si.

 

Este ano, da Academia, poderiam evoluir no plantel sénior: Jovane, Miguel Luís, Thierry, Pedro Marques, Bruno Paz e, até, Geraldes. Até ao momento, todos estes jogadores juntos tiveram 2.069 minutos, ou seja, 4,28% do tempo disponível:

 

  • Jovane - 1.197 minutos (2,48%)
  • Miguel Luís - 765 minutos (1,58%)
  • Thierry Correia - 42 minutos (0,09%)
  • Pedro Marques - 31 minutos (0,06%)
  • Paz e Geraldes - 17 minutos (0,04% cada)

 

Só para comparar: Marcelo jogou 180 minutos, Castaignos tem 119 minutos, Misic 73 e Petrovic 911 minutos.

 

Assim, e na diagonal, os dados disponíveis aparentam mostrar que Marcel Keizer não é um grande amigo da nossa formação. No que é mais um, numa longa tradição, dos que dizem uma coisa, e fazem outra. Mas cada um tira as suas conclusões.

 

publicado às 15:50

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26 comentários

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De Esfinge a 25.04.2019 às 00:56

Obrigado!
A minha opinião é: nem embandeirar em arco nas vitórias, nem deprimir nas derrotas. E sempre ver o que se pode fazer melhor dentro de casa. Neste momento vamos ganhando. Mas tal como vencemos um Europeu apesar de Fernando Santos, também não sinto que as vitórias sejam por causa do Keizer.
E deve-se sempre ter espírito crítico: quando se ganha para se evitar perder, quando se perde, para se voltar a ganhar.

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