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As máscaras da indignação

Rui Gomes, em 04.04.20

A semana passada, nestas colunas, perguntava se "alguém quer ser ‘campeão do vírus’?"

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"Estamos todos com muito pouca vontade de falar de futebol, da época que foi suspensa e dos cenários que se colocam, resultantes desta paragem. Apesar do vincado isolamento social a que estamos confinados, contrariado por alguns líderes políticos que acham necessário sacrificar mais de um milhão de vítimas para ‘salvar’ as economias, o Mundo não pára e não podemos ignorar as decisões políticas, o leque de orientações das autoridades e dos técnicos de saúde e também as consequências económicas, mesmo as que estão relacionadas com a indústria do futebol.

Curiosamente, não há competição, não há jogo, o mais importante no futebol, mas há muita coisa para falar, analisar e debater, à margem das lógicas comunicacionais de sempre, se foi penálti ou não, se a dialéctica do Benfica é melhor do que a do FC Porto e vice-versa, se o Sporting é ou não para soterrar debaixo da obstinação dos guerrilheiros profissionais, e este é o tempo para a corporação do futebol começar a mudar aquilo que era importante já ter sido mudado, muito tempo antes da eclosão desta pandemia que a todos ameaça".

É assim que Rui Santos inicia a sua crónica semanal em Record. Mas indo além do muito mais que ele tem para dizer, vejamos, em resumo, a sua posição sobre o tema:

"1. Sou a favor de não atribuição do título correspondente à actual época de 2019-20.

2. A actual classificação da Liga serviria para designar as equipas a jogar na próxima época na UEFA (FC Porto e Benfica na Champions e SC Braga e Sporting, na Liga Europa).

3. Não haveria final de Taça nem portanto designação de vencedor.

4. Não haveria subidas nem descidas.

5. As equipas que estão neste momento em posição de subida (Nacional e Feirense) seriam compensadas na próxima época com + pontos à partida e/ou com prémio financeiro.

6. A indicação de um vencedor do campeonato (à semelhança do que fez a Liga belga) não me parece ser a melhor solução, mas seria preferível a criar-se a expectativa de jogos em Julho (à porta fechada), com consequências/riscos ao nível do sector da saúde.

7. As soluções devem ser achadas no sentido de não potenciar mais vítimas e proteger os técnicos e o próprio sistema de saúde.

8. Sem este stress adicional, em cima da incerteza, tornar-se-ia mais fácil arranjar soluções para mitigar os efeitos decorrentes desta paragem forçada e preparar a próxima época. Estas soluções visam também a protecção dos atletas, e espanta que a FIFPro não tenha sobre esta matéria uma posição bem clara e de força. A FIFA e as suas confederações — a UEFA, no caso europeu — deveriam chegar-se à frente para compensar os prejuízos entre Abril e Junho.

9. É bom não esquecer que em Itália a propagação do vírus pode muito bem ter começado com as aglomerações em estádios de futebol.

10. Todas e quaisquer soluções devem passar pelo princípio de que as nossas vidas não são negociáveis, e é precisamente essa importante mensagem que o Futebol não está a passar, embora saibamos que a este nível as recomendações da Organização Mundial de Saúde e os respectivos ministérios, em cada País, serão determinantes".

Rui Santos, em Record

publicado às 03:32

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22 comentários

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De Orlando Santos a 04.04.2020 às 09:52

A UEFA (pelo menos por agora) não aceita decisões de secretaria, ou seja, os países que não terminarem os campeonatos, não vão ter representantes nas competições europeias. Os patrocinadores e as operadoras não vão pagar por jogos que não se realizam. Juntando só estes fatores, é muito dinheiro que duvido os clubes estejam dispostos a largar mão. É muito melhor terminar esta época por completo, nem que seja daqui a 6 meses, e fazer a próxima época com os campeonatos a uma única volta, ou outro método de jogos reduzidos.
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 11:49

No que diz respeito ao enquadramento desportivo, o que está realmente em jogo são os muitos milhões dos direitos televisivos.

Sem esta receita, muitos clubes não conseguirão sobreviver esta crise.
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De Sel a 04.04.2020 às 16:55

"sem essa receita, muitos clubes não conseguirão sobreviver esta crise". O problema é que "essa receita" ninguém é capaz de quantificar agora. Só se continuássemos com rendimentos normais se podiam cumprir essas quantias estipuladas. Não havendo receitas, não há dinheiro suficiente. As quantias estipuladas vão ter que sofrer um corte muito grande. O que é certo são as despesas dos clubes em pagamentos de empréstimos financeiros. Todo o resto vai baixar: ordenados de jogadores, valores de transferências de jogadores, patrocínios, participações em competições, como a Liga dos Campeões, etc. Clubes no top 10 do ranking da UEFA estão com dificuldades tremendas. Reduções de 70% nos ordenados dos jogadores são reduções tremendas. As dificuldades são bem visíveis. Há o risco de falência de alguns desses clubes. O desaparecimento de certos clubes tornaria as competições menos atractivas e isso provocaria uma redução suplementar no valor da indústria. Os atuais investidores ficam mais cautelosos, face ao clima de incerteza.
Em resumo: tudo aponta para uma redução significativa do valor da indústria do futebol. Clubes com grandes desequilíbrios de contas, como o FCP estão em muito maus lençóis. A atribuição de um título não alterará essa situação. A ida à Liga dos Campeões significará um encaixe financeiro de no máximo 70% do que esteve estipulado antes desta crise.
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 17:04

Sem dúvida, um cenário muito pouco atractivo e com inúmeras incertezas.

Mesmo pós pandemia, as consequências vão perdurar durante muito tempo.
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De FF a 04.04.2020 às 10:35

Bom-dia,
Certamente que o sr. Rui Santos percebe das questões futebolísticas muito mais do que eu (que deixei de gostar de futebol desde que este deixou de ser desporto para se transformar em negócio, negócio esse que envolvendo muitos milhões potencia a corrupção como se tem visto).
Terá o jornalista razões, que a razão desconhece, para o que referiu, nomeadamente o ponto 1 do resumo apontado.
Tive oportunidade de assistir ao programa "Sociedade civil" da RTP2 em que um dos intervenientes sugeriu que o campeão da presente época fosse encontrado após uma competição entre os 8 primeiros classificados, à semelhança do que acontece no futsal.Creio que esta solução poderia ser aplicada às restantes modalidades.
FF
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 11:53

Nomeadamente no futebol, não creio que esse modelo vá satisfazer as operadoras, que pagam muitos milhões por cada jogo realizado.

E também me parece que a UEFA só aceitará os campeonatos serem concluídos, tardio que seja. Decerto que o organismo não aceitará a sugestão de Rui Santos no ponto #1.
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De FF a 04.04.2020 às 10:45

O programa em questão era subordinado ao tema "Economia no futebol"
FF
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 11:57

Desconheço esse programa, mas os intervenientes deviam recohecer que hoje em dia a vertente "indústria" do futebol supera a vertente desportiva.

E não esquecer que os milhões em questão em Portugal são muito inferiores aos de outros países. Na Premier, por exemplo, o último classificado recebe em direitos televisivos o dobro ou até o triplo do campeão português.
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De FF a 04.04.2020 às 14:52

Boa-tarde, sr. Rui Gomes,
O programa em questão é moderado pelo jornalista Luís Castro e creio que a sugestão que referi foi feita por Luís Vilar.
É evidente que no futebol como em tudo o mais, é o vil metal que impera.
Ao ter secundado a sugestão quis-me parecer que seria uma solução para o problema levantado por aquilo que denominei de 5º cavaleiro do Apocalipse.
A propósito, há algum(a) atleta do SCP ou seu familiar que esteja infectado pelo vírus?
Saudações Leoninas.
FF
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 16:07

Familiares meus, as minhas filhas e outros mais distantes, felizmente não. Nem sequer amigos mais próximos.

Nada consta sobre jogadores do Sporting e parece-me que eles estão sob cuidados diários.
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 16:08

P.S.: Reflectindo, se se referia a familares de jogadores, nada consta.
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De FF a 04.04.2020 às 16:18

Obrigado.
FF
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De João F a 04.04.2020 às 12:18

Logo que o governo levantasse o Estado de Emergência, talvez para o fim de Maio, devia-se iniciar 2 semanas de pré-época para preparação das equipas e em seguida, até ao final de Julho, disputavam-se os 10 jogos que faltam para acabar a época 2019/20 em 6 semanas, nem que para isso se tivesse que jogar todos os 3 dias, com a transmissão dos jogos pela TV e sem assistência.
Os jogadores de cada equipa, seriam controlados pelos seus clubes de forma restritiva, viveriam isolados em concentração durante esse período, sem contactos presenciais de familiares e amigos.Os outros profissionais que trabalham no futebol, tais como as equipas técnicas, árbitros, etc. seriam-lhes dados os meios de protecção, iguais aos que são dados aos médicos e enfermeiros.
No final de Julho próximo acabava-se a época e iniciava-se a de 2020/21, com uma jornada por semana e suspendiam-se as miniférias habituais do Natal, para que houvesse espaço para as provas europeias, Taça de Portugal e Taça da Liga. Estou certo, que desta forma, a época de 2020/21, não iria para além do mês de Maio de 2021.
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 13:33

A dúvida óbvia é como estará a pandemia nessa altura. Sem haver progresso nesse sentido, vai ser muito difícil recomeçar a época, seja qual for o formato.
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 16:26

P.S.: É por de mais evidente que dar continuidade às transmissões televisivas é prioridade, no contexto desportivo.

Além de questões de saúde, é essa a maior preocupação da UEFA e das federações.
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De Rumo Certo - Ventos Favoráveis a 04.04.2020 às 13:24

Sendo os tempos de exceção e observando-se a inconclusividade dos campeonatos, admite-se e aceita-se como razoável e mesmo equilibrada, que se atenda
à homologação das classificações actuais, para efeitos de apuramento das futuras competições.
Assim sendo, porque não criar mecanismo extraordinário de solidariedade e mitigação dos prejuízos na indústria futebol, entregando a UEFA as verbas da Liga dos Campeões, não exclusivamente aos clubes representativos de cada País, mas sim às respectivas Federações.
Em séquito, seriam estas, as responsáveis por a titulo justificado e excecional, distribuir as verbas de forma e com critério pré defenido, por todos os clubes que integram os respectivos campeonatos.
Julgo que esta medida solidária e justa, contribuiria para ajudar a amortecer o impacto da presente a grave vicissitude porque passa o Mundo e em particular os clubes.
É uma mera reflexão.
SL
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 13:31

A UEFA já deixou bem claro que só aceita resultados apurados em campo. Aliás, já avisou a Bélgica duas vezes que não aceitará campeões de secretaria.

As receitas das provas europeias são para os clubes participantes e mais ninguém e não vejo a UEFA envolver as federações nesse processo.

Se esse organismo e a FIFA vão ajudar os clubes financeiramente por outros meios, é uma questão separada.
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De Rumo Certo - Ventos Favoráveis a 04.04.2020 às 14:16

Obrigado meu caro, pelo esclarecimento que desconhecia.
SL
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De John billy a 04.04.2020 às 16:57

Vamos imaginar que o campeonato regressa em Maio ou Junho.
Provavelmente isso implicaria jogar 2x por semana até final de Julho.
Isso não põe em causa o arranque da próxima época?
Além disso vamos imaginar que durante o final desta época surge um caso de covid num atleta.
O que vão fazer? Parar outra vez o campeonato? Suspender a equipa afetada?
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De Rui Gomes a 04.04.2020 às 17:09

Não há resposta para as incertezas que apresenta, contudo, começar a próxima época mais tarde do que é habitual não me parece ser um problema, até porque a UEFA ajustará as provas europeias mediante as circunstâncias na altura.

Aliás, o organismo já estipulou que a data limite para entregar a lista de clubes a participar é 3 de Agosto. Por norma, nessa data, já se disputariam algumas pré-eliminatórias.

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