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As Notas de Julius 2023/24 (09)

Julius Coelho, em 06.10.23

Nesta rubrica, o leitor tem a oportunidade de apreciar - e se entender, criticar as notas (0-6) que eu atribuí aos jogadores do Sporting CP e a outros intervenientes do jogo com o Atalanta da 2ª jornada da Liga Europa (fase de grupos), que resultou numa derrota por 2-1. Golo de Viktor Gyokeres 76' (Pénalti)

OS LEÕES OFERECERAM A PRIMEIRA PARTE E 2 GOLOS, TIVERAM REACÇÃO E... QUASE QUE EMPATAM

Jogar toda uma primeira parte numa frequência de competitividade errada, contra uma equipa muito atlética e com elevada intensidade, teve consequências bem decisivas no resultado. Os italianos entraram fortes e abafaram por completo o meio campo leonino, empurrando-o para trás, sem surpresa marcaram por duas vezes e não permitiram que o ataque do Sporting chegasse sequer perto da sua área. Os leões mantiveram-se sempre muito recuados e sem espaço para impor o seu jogo, sem conseguirem adaptar-se às marcações cerradas dos jogadores italianos.

Ao intervalo Rúben Amorim rectificou o equívoco da estratégia inicial, fez entrar três elementos, entre eles Coates, para a 2ª parte, e viu-se um outro Sporting, totalmente transfigurado. Sob a batuta do capitão, a equipa ganhou confiança, passou finalmente a ganhar os duelos aos italianos e a provocar espaços na sua defesa, invertendo os papeis, passou a ser a equipa de Bergamo a ter que recuar, para defender de qualquer forma a vantagem do resultado. Marcou o golo que já se adivinhava, reduzindo a diferença no marcador e que voltou a empolgar o público de Alvalade e ainda teve ocasiões claras para empatar, com uma bola no poste com o guarda redes italiano batido, o que daria melhores perspectivas na luta pelo 1º lugar do grupo. 

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DESTAQUE - VIKTOR GYOKERES - 3.5 - Não fez um bom jogo, sempre com marcação em cima por 2/3 adversários e sem apoios perto em toda a primeira parte. Com a melhoria da equipa no segundo tempo, conseguiu fugir por várias vezes à marcação e aparecer em lances com perigo na área italiana. Foi agarrado pelo Toloi que devia ter sido expulso com segundo amarelo. Marcou bem o penálti, fazendo o golo que voltou a dar esperança à equipa.

ANTONIO ADÁN (Cap) - 3 -Sofreu 2 golos sem possibilidades de defesa, no primeiro foi fuzilado, no segundo ainda faz defesa  incompleta, mas a bola sobrou de novo para o avançado italiano que de baliza aberta colou-a nas suas redes. Impôs-se sempre nas alturas, nas bolas cruzadas para a sua área.

IVÁN FRESNEDA - 1 - Muito inadaptado nos movimentos quando na posse da bola. Excedeu-se várias vezes nos espaços largos que deu nas suas costas e que foram sempre explorados e aproveitados pelo veloz Ademola Lookman. Inexplicavelmente desistiu de acompanhar o seu opositor que entrou na área isolado e fez o 2º golo italiano. Teve dificuldades em ler o jogo, perceber que teria que ser mais posicional a fechar o espaço entre ele e o colega costamarfiense.

OUSMANE DIOMANDE - 2.5 - A inadaptação do Fresneda que abriu sempre demasiado espaço no corredor, pô-lo em toda a primeira parte à beira de um ataque de nervos, perdeu confiança e andou à deriva sempre atrás do avançado nigeriano do Atalanta que fez o que quis. Recompôs-se na segunda parte com as rectificações feitas pelo seu treinador e acabou em bom plano, fazendo o remate defendido com o braço e que resultou na grande penalidade.

GONÇALO INÁCIO - 3.5 - Não sabe ser comandante, ninguém ainda lhe passa cartão, quando assume o centro da defesa terá que assumir a autoridade e aprender a orientar os colegas nos movimentos, tudo isso lhe faltou em toda a primeira parte. Na outra missão, cortou tudo pelo chão e pelo ar, levou sempre a melhor numa luta dura e sem tréguas com os avançados italianos. Quase que faz golo em 2 golpes de cabeça, o primeiro em excelente posição, a um metro da baliza cabeceou ao lado.

MATHEUS REIS - 2.5 - Voltou a dar muita disponibilidade física, mas faltou-lhe mais futebol, mais tino nas decisões, sempre muito precipitadas e esforçadas. Onde andava no primeiro golo da Atalanta? Lance que foi construído e desenhado na sua zona. 

NUNO SANTOS - 2 - Exibição aquém do esperado na estreia do seu novo look do cabelo, nunca se adaptou ás marcações apertadas dos italianos, foi sempre presa fácil e foi engolido em toda a primeira parte. Sem surpresa já não voltou na 2ª parte.

MORTEN HJULMAND - 1 - No espaço de 4 dias completou 2 noites desesperantes, mostrando uma insegurança inédita numa posição no terreno que é decisiva na estratégia do seu treinador. Nunca entrou no jogo e foi atropelado pelo meio campo do Atalanta, nem a sua melhor arma, a exuberância física fez qualquer diferença, perdendo sempre nos duelos, foi elemento a menos na equipa e por tudo isso também ficou no balneário após intervalo.

HIDEMASA MORITA - 3 - O melhor elemento do meio campo durante o pesadelo da primeira parte, uma ilha pequenina no centro do vendaval italiano e que pouco ou nada se notou, mas nunca se afundou. Vingou-se na segunda parte, ajudando a carregar a equipa para a frente a que obrigou os italianos a provarem do seu próprio veneno. 

PEDRO GONÇALVES - 2.5 - Uma primeira parte em que fez o que pôde mas não o que sabe. Sentiu o orgulho ferido, não é normal vê-lo durante tanto tempo a cheirar a bola. No segundo tempo e já com as posições de toda a equipa rectificadas no terreno fez jus aos galões assumindo a guerra, ganhou a maioria dos duelos e ajudou a empurrar os colegas para a tomada do castelo de Bergamo.

PAULINHO - 1 - Foi desactivado na estratégia apresentada pelo treinador do Atalanta, muito isolado nas suas acções em toda a primeira parte, perdeu a maioria dos duelos sempre por antecipação, deixou-se empurrar para caminhos que não conhece, como ter que fechar perto da sua área. Não voltou para a segunda parte.

SEBASTIÁN COATES - 3.5 - Que diferença! Foi "El Comandante" que a equipa necessitava quando o barco parecia que estava irremediavelmente perdido, prestes a afundar-se. A importância que tem na orientação da defesa e nas saídas de bola, supera a sua já excelente qualidade técnica e física em que faz a diferença. Estancou de vez a hemorragia dos lances perigosos do adversário.

GENY CATAMO - 3 - Mexeu claramente com o jogo, foi a chave que ajudou a abrir as portas de ferro do castelo italiano, teve o empate nos pés, o guarda redes italiano já batido e com a bola a decidir bater no poste e voltar para trás, seria explosivo nas bancadas de Alvalade. Foi duramente alvejado com faltas bem duras pelos italianos que nunca encontraram a fórmula de o parar.

MARCUS EDWARDS - 3 - A par do colega moçambicano entrou bem no jogo, confundiu o adversário provocando-lhe inesperados desequilíbrios e que geraram surpresa no treinador italiano, que se viu obrigado a reagir, fazendo várias substituições, metendo mais médios e defesas para conseguir parar a dupla endiabrada.

RICARDO ESGAIO - 2.5 - Trouxe melhor equilíbrio nas acções defensivas pelo seu corredor, aliviando o colega Diamonde que pôde respirar finalmente do sufoco que o Fresneda lhe provocou na primeira parte. Obrigou o avançado nigeriano a emigrar para outras zonas mais recuadas do terreno. Leu bem o jogo e sabe de cor os movimentos básicos da equipa, soubesse ele também decidir melhor os lances e seria jogador para outro patamar.

DANIEL BRAGANÇA - 1 - Uma substituição que ninguém entendeu, aos 90'? Ía mudar o quê? Entrou, deu uma sarrafada num italiano (pisão), levou amarelo e consequente livre perto da sua área.

RÚBEN AMORIM - 2 - A versão estratégica da primeira parte foi um autêntico fiasco, com uma frequência competitiva muito errada comparada com a dos italianos, que foram sempre mais rápidos e intensos a ocupar os espaços em todas as zonas do terreno. Viu a sua equipa engolida e sem nunca conseguir adaptar-se ao jogo do adversário, que fez 2 golos sem surpresa perante a supremacia que apresentou. Com o Suicido à vista e em modos acelerado esperou impacientemente o intervalo para refazer tudo de novo, Leu o que falhou e rectificou posições no terreno, fez revolução com a entrada de 3 elementos e finalmente se viu a equipa que é líder do campeonato nacional a jogar futebol, a desenvolver o seu jogo e a obrigar os italianos a recuarem e a provarem do seu próprio veneno, pena que já não foi a tempo e o poste da baliza do Juan Musso também não deixou.

GIAN PIERO GASPERINI - 4 - Viu a sua equipa fazer uma primeira parte irrepreensível, surpreendendo o leão no seu covil. O Gasperini é um treinador ardiloso, montou bem a estratégia numa base muito atlética e exigente na velocidade e intensidade dos seus jogadores, com o bloco muito subido e marcando bem em cima as saídas de bola do Sporting, asfixiando-o. Os 2 golos apareceram com naturalidade numa primeira parte bem conseguida e tornaram-se decisivos no resultado final. Viu-se surpreendido na forte reacção do Sporting na segunda parte e que quase chega ao empate, assustou-se e viu-se  obrigado a reagir, a meter mais defesas e médios defensivos para salvar a vantagem e a vitória.

ALEJANDRO HERNÁNDEZ (Árbitro) - 3 - Uma arbitragem muito autoritária, com pulso forte e determinado nas decisões, manchada por um erro grave, quando não teve a coragem de expulsar o Toloi, num lance que agarrou ostensivamente o Gyokeres, depois deste ganhar-lhe a frente para sair no contra ataque, seria o 2º amarelo e expulsão aos 83'.

GUILLERMO QUADRA (VAR) - 5 - A coragem que faltou ao árbitro, teve-a o VAR, quando não teve dúvidas em assinalar a grande penalidade por mão clara na bola do Scalvini dentro da sua área a remate do Diomande.

publicado às 02:35

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54 comentários

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De Zé Manel a 06.10.2023 às 14:30

Julius, já ontem comentei no post pós jogo: o Sporting entrou a jogar à velocidade da liga portuguesa, só que não estava a jogar contra uma equipa portuguesa mas sim contra uma equipa que joga num campeonato bem mais competitivo. Como se costuma dizer, se calhar também faltou essa mudança de chip, contra uma equipa como a Atalanta tem que se jogar a outra velocidade, o que já aconteceu na 2a parte. SL
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De Julius Coelho a 06.10.2023 às 14:41

Mas foi clarinho como a água cristalina a falta do chip correto na cabeça dos jogadores durante a primeira parte, experiências e facilitismos com adversários destes não cola de forma alguma, só pode dar em desastre.

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