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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Apetece recordar uma frase batida. No futebol passa-se muito depressa de bestial a besta. Depois do empate com o Braga, esta afirmação aplica-se plenamente aos comentários que fui lendo, quase sempre fruto de abordagens sem fundamentos analíticos e pautados pela emoção.
Vou lembrar o seguinte: quando Rui Borges chegou ao Sporting CP, o Clube estava atrás dos “benfas”, e já não era a equipa deixada por Amorim. Tinha perdido dinâmicas, pela mudança da equipa técnica e pela perda de jogadores fundamentais, pela baixa confiança, a que acresce cansaço e uma onda progressiva de lesões de menor ou maior duração.

Apesar de ter de gerir uma situação complicada, o treinador Rui Borges, ainda recuperou pontos, graças a resultados positivos da equipa e resultados negativos dos principais adversários. É verdade que foi perdendo pontos, perante equipas inferiores, devido a erros individuais e infantis, cometidos desnecessariamente. Lembro, como exemplo, o jogo com o Arouca onde se ofereceu um golo no início e outro num penálti, e ainda uma expulsão de bradar aos céus.
Sendo o futebol um jogo colectivo, mas que vive de actuações individuais, que culpa tem o treinador, de desconcentrações defensivas dignas de amadores, de falhas de golos construídos, de más decisões no último passe. Que pode fazer o treinador, este ou outro qualquer, quando olha para o banco, e só vê jovens inexperientes. Apesar disso, manteve até agora a equipa na frente, e continua na luta pelo primeiro lugar. Com as mesmas condições quem faria melhor? Como exemplo veja-se Guardiola ou Amorim na Inglaterra.
Criou-se muita esperança no “bi” e com razão, em função do arranque do campeonato, mas sempre disse que o campeonato é uma maratona que só se ganha no fim. Apesar do último revés, continuo a pensar da mesma maneira, porque até ao lavar dos cestos é vindima. Seja qual for o resultado final, não tenho dados concretos que apontem a responsabilidade apenas ao treinador, antes pelo contrário. Mesmo tendo de jogar com meia equipa de jovens e suplentes, tem continuado no topo.
Fico muito contente se conseguirmos ganhar este campeonato, e acredito que é possível, mas não é um caso de vida ou de morte, porque não é assim que analiso o futebol. Sabem o que me preocupa? É ganhar um campeonato de vinte em vinte anos. Se ganharmos dois seguidos, maravilha, mas se mantivermos, um ano sim e outro não, assino por baixo. Significa que estamos a criar uma equipa competitiva, de forma regular e não apenas em fogachos. Isso exige estabilidade. Se Amorim tivesse sido despedido no primeiro ano no Sporting depois do quarto lugar, ou se tivesse sido dispensado, no ano em que voltou a ficar em quarto, teríamos ganho os dois campeonatos?

Eu, porque ainda tenho alguma memória, não gostaria nada de voltar a ver o meu Clube, relegado para uma situação secundária durante vinte anos, por erros de gestão financeira e desportiva, alguns proporcionados pela irracionalidade dos adeptos. Seja qual for o resultado, o actual treinador, merece uma oportunidade, como aconteceu com Amorim. Na minha perspectiva, tendo em conta as circunstâncias, tem feito um trabalho positivo, não isento de erros, porque é humano. Se o futebol vier a ser comandado e jogado por robôs, talvez desapareçam os erros, mas creio que perderá o seu encanto.
P:S: Tem-se discutido muito a entrada de Harder mais cedo. É uma questão pertinente, mas lembro-me de o ver como titular na ausência de Viktor Gyökeres, e não me lembro de grandes exibições, mas ainda é muito jovem e tem margem de progressão. Uma questão discutível é porque se retrai a equipa ao fim de quarenta minutos. Nunca me apercebi que foi o treinador que os mandou parar. Para além de eventual quebra física, Debast não é Pote, nem Morita. É um central adaptado a médio. Realismo!
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