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José de Alvalade às voltas no túmulo.

 

“Isto que se passa no Sporting, passa-se há quase 112 anos. Grupinhos e manipulação constante, quase desde que nascemos. Por debaixo de uma pequena pedrinha estão lá dezenas de lacraus, sempre foi assim.”

 

Por imperativo de um sentimento que nos unifica ao Clube idealizado pela dissidência de Holtreman Roquette e irmãos Gavazzo, todo o Sportinguista será umbilicalmente epígono, herdeiro e legatário de uma promissória nota de grandeza da qual, em momento algum, se poderá dissociar. Porventura nascido para além de um conflito de interesses entre a coexistência como agremiação cerimonial de alta sociedade ou instituição desportiva intencionalmente eclética, o Sporting não é nem nunca poderá ser tido como um Clube adiado e solitário, desalinhado com a sua própria razão de ser.

 

Quando se assume, ou se aceita, que o Sporting é embrionalmente desunido e fomentado em intrigas, pressupõe-se o Sporting como uma instituição ingovernável, assombrada, entregue a uma espécie de sociedade secreta obscura, exclusivamente intencionada em proveitos superficiais como pessoais. Aceitar, promover ou vincular tal tese, é assumir o Sporting como um Clube fragmentado, fútil, desprovido de lógica existencial – e por invariável consequência, condenado ao abismo. Infelizmente, vincular esta espécie de teoria do caos na cabeça dos nossos Adeptos, tem sido ao longo da nossa história um mal necessário, mas conveniente a diversas Direcções. O Mestrado (e não legado) de Jorge Gonçalves no Sporting serviu de exemplo.

 

A presidência de Jorge Gonçalves gerou em alguns adeptos do Sporting (essencialmente aqueles nascidos em redor da Geração da Revolução dos Cravos em diante), uma espécie de crença no contra-poder como fórmula de combate a fantasmas criados pelo próprio Gonçalves. Impôs um ingénuo raciocínio popular à manobragem e orientação de uma instituição apavorada em não vencer Títulos – são mesmo os Títulos no Futebol que invariavelmente trazem a união e a concórdia – permitindo que tal eco intriguista perdurasse para sempre. O mesmo eco intriguista do qual o actual Presidente Bruno de Carvalho se alimenta.

 

A vingança de Filipe Lá Féria? 

 

“Ninguém tem noção do que é não conseguir sair de casa para ir ao café ou passear com a filha ao jardim. Vivo sequestrado há cinco anos. Já fui a peças de teatro em que mudaram os textos para me chamarem atrasado mental (…) Eu não tenho liberdade! A cada passo que dou sou censurado.”

 

Este natural e compreensível lamento de Bruno de Carvalho, fundamenta-se tão apenas no errado patamar pessoal com que o próprio geriu ingenuamente a sua imagem, não como Presidente do Sporting, mas como Personalidade Pública. Não se trata apenas de uma consequência em função da agitação que provocou no Status Quo do Futebol em Portugal. Bruno de Carvalho paga o preço de expor fotos de família em redes sociais. Paga o preço de um casamento à vista de todos na Capela dos Jerónimos. Paga o preço da sua recente amizade com Tallon. E paga essencialmente o preço de um homem que se julga divindade, sustentado numa estrutura emocional imatura – Bruno de Carvalho fez da sua presidência um autêntico Reality Show, e o preço a pagar é este. Como qualquer Zé-Maria, não estava realmente preparado para as coisas simples e óbvias da vida.

 

Mais cedo ou mais tarde, tantos desacertos tornar-se-iam visíveis aos olhos do Clube. O improcedente comportamento de Bruno de Carvalho, demonstrado tanto pelo abandono da Assembleia Geral como na consequente conferência de imprensa de 2ª feira, prova o quão facilmente este pessoal e exíguo mote presidencialista se incompatibiliza com as reais necessidades de uma liderança forte. Bruno de Carvalho, ao demonstrar esta sua vulnerabilidade perante uma minoria de associados – tal como ao escudar-se na inabilidade de Marta Soares –, comprova que o Sporting afinal não está, em estrutura, verdadeiramente sólido. Pedir legitimação por sufrágios superiores a 75% não é apenas ser irresponsável – é demonstrar toda a fragilidade emocional e estrutural num conjunto de palavras mal ponderadas. Cabe a um Presidente esta espécie de arrufo de Diva? Numa fase crítica do Campeonato Nacional? Ninguém poupa o Sporting disto?

 

Bruno de Carvalho não retira dividendos alguns em promolgar deliberações semelhantes à Lei Patriótica de Bush – numa clara afronta aos direitos instituidos pela livre-expressão do Cidadão –, tal como qualquer crítica proveniente de espaços públicos não poderão afectar medidas de governação presidencial dentro de um Clube. Prevendo que qualquer oposição valorize a sua existência como voz activa e defensora do Sporting – ao invés de se colidir contra o Pavilhão João Rocha com um Boeing 747  – Bruno de Carvalho poderia optar por reunir em privado com tais entidades, ouvir o que estes têm a dizer, demonstrando deste modo toda a clareza e dimensão que se pretende. Existem diversas situações que, por si só, podem impôr uma saída de Bruno de Carvalho do Sporting – talvez a constestação dos associados seja uma gota no meio de um oceano.

 

Se Bruno de Carvalho decidir abdicar...

 

Existe uma situação muito séria a decorrer no Sporting, para a qual gostaria de alertar os leitores, e sobre a qual apreciaria explicações de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira – a orientação do cash-flow gerado pela SAD está a ser aplicado inversamente ao deliberado pelo enquadramento basilar do plano de renegociação de dívida. Quem está a colocar dinheiro no Sporting, sob que formato financeiro e com que contra-partidas? Foram celebrados acordos comerciais que ultrapassam, em vencimento cronológico, qualquer mandato presidencial a quatro anos – que margem de actuação terá quem suceder a esta Direcção? Se esses acordos longitudinais permitem formalizar uma estimativa de verba a receber em Cash-Advance a curto prazo, qual o projecto desta Direcção para os próximos anos?

 

publicado às 11:00

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30 comentários

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De Fidalgo a 07.02.2018 às 11:38

Bom dia Drake Wilson, e parabéns pelo texto. Essa do "Arrufo de Diva" é genial!

Fico extremamente preocupado com o último parágrafo do seu texto. Bruno de Carvalho, em vez de estar neste preciso momento a fazer caça às bruxas no seu escritório virtual, poderia perfeitamente perder algum do seu tempo a prestar esclarecimentos sobre esta matéria.
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De Francisco Duarte a 07.02.2018 às 11:50

Caros, Bruno de Carvalho foi eleito por 4 anos e deve gerir o clube até ao fim do mandato. Tenho a impressão que até já ouvi alguém dos vossos lados dizer isto mesmo. Independentemente do raio dos pontos 6 e 7 a debater na AG. Por isso, lá vou ter que viajar do norte até Lisboa para dar o meu apoio e assegurar que grupelhos e grupetas de sportinguistas desviem o foco do trabalho da atual direção. No final do mandato, todo o universo sportinguista será chamado a votos. Até lá, deixem quem está no clube trabalhar. Pior que Godinho Lopes, Soares Francos e Bettencours não estão a fazer, por isso afastem-se de tentar minar a estabilidade do clube a todo o momento. Tudo farei para levar uma camioneta cheia de sócios a Lisboa no dia 17.
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De Mike Portugal a 07.02.2018 às 13:37

Francisco Duarte,

Mas foi BdC quem disse que se demitia e não as pessoas da oposição. Essas, têm feito barulho, mas nunca ameaçaram fazer uma AG para o tirar de lá. Ele próprio é que ameaçou.
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De Joao a 07.02.2018 às 13:58

Portanto, na sua opiniao Francisco, por forma a garantir que esta direccao, ou qualquer direccao, cumpra a totalidade do mandato, os socios devem aprovar tudo o que a direccao quizer propor, mesmo que nao concordem com as propostas.

Democracia a funcionar
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De CFB a 07.02.2018 às 14:57

"Tudo farei para levar uma camioneta cheia de sócios a Lisboa no dia 17."

Esta frase começa a dar alguma, senão bastante, razão à minha teoria. Tratou-se apenas de uma manobra de diversão de forma a mobilizar em massa os seus apoiantes.
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De Indiana Julio a 07.02.2018 às 11:58

Bom dia Drakre , eu por mim agradeço hoje o seu post ser ligeiramente mais curto e assim pude lê-lo na íntegra.

Tem razão em tudo o que bem escreveu , 100% correcto.

O Drake gosta e interessa-lhe observar e realizar estudos com análises conclusivas ao comportamento da sociedade em grupo , as suas reações , as suas vulnerabilidades quando e principalmente o coração dessas pessoas está infetado de sentimentos fortes.

Jorge Gonçalves, uma epoca da vida do Sporting vivida no epicentro do controle ilícito do norte, o desespero de nao se ganhar campeonatos anos a fio , a depressão perante a impotência do querer inverter o impossível .
Qualquer ilusiosnista tosco transformava uma possibilidade de esperança , bastava atirar uns nomes mágicos de craks e fintava-se a realidade com a ilusão mas alimentava a crença ainda que de forma momentanea que voltava a diluir-se com o tempo quando a ilusão por fim se evaporava e deixava de novo a fria realidade.

É um facto Bruno de Carvalho demonstra varias fragilidade devido algumas inexperiencias da vida e está a pagar o preço alto por isso , está a vivê-las agora , todos têm um ponto de quebra nao á ninguem que nao o tenha, expõr o intimo num universo sem fronteiras tráz consequências que depois já nao pode controlar.

Sem qualquer duvida, e tenho tentado explicar aqui com bom senso as consequencias de uma saída abrupta e impreparada de Bruno de Carvalho neste momento do clube , o suporte que tem permitido o oxigénio para a normal vida do clube pode quebrar e depois asfixiar de novo o presente imediato e tornar mais dificil depois a reanimação pelo melhor enfermeiro ou médico que apareça.
Um novo começo em perspectiva será um novo marcar passo em tempo indeterminado.

Abraço
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De Drake Wilson a 07.02.2018 às 17:32

Julius, obrigado pelo seu contributo.

Concordo que este nunca poderá ser o momento para Bruno de Carvalho sair – partindo do princípio que algum dia sairá.

Relativamente ao "corte de oxigénio" que refere, não se preocupe. Apesar de não ter dinheiro algum, o Sporting está sustentando por empréstimos que seguramente não dependem da bolsa do Presidente para serem integralmente liquidados.
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De Carlos N.T. a 07.02.2018 às 18:33

Desculpem-me, meter-me na conversa.

-"Concordo que este nunca poderá ser o momento para Bruno de Carvalho sair – "-
Eu discordo!!..
O momento até parece bastante ideal. Num hipotético caso de haver um novo Presidente, este terá 3/4 meses de avanco. Tanto para análise financeira como desportiva, com mira à seguinte época.
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De Drake Wilson a 07.02.2018 às 20:07

Boa noite Carlos.

Tendo em conta a época que ainda decorre, considero injusto operar uma cisão directiva com base nestes moldes tão pouco racionais e demasiado intimistas de Bruno de Carvalho. Não sabemos inclusivamente, perante tal cenário, como reagiria toda à estrutura directiva e técnica vinculada com o Presidente a uma demissão do mesmo – o risco (ou o bluff) de uma debandada em bloco seria sempre um trunfo para Bruno de Carvalho regressar em ombros.
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De Carlos N.T. a 07.02.2018 às 12:11

Será que enteram o texto??!.. Não, claramente.
Ahh!!.. É um artigo do contra(oposição!!). Não pode ser, não é positivo.
Pas trincheiras, camaradas!!


P. S. Drake,
O Zé Maria é meu amigo LOOOOOOOOOOLL!!!!
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De Carlos N.T. a 07.02.2018 às 12:57

Corrigindo
Será que - entenderam - o texto
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De Anónimo a 07.02.2018 às 13:07

Não sou Sportinguista.

Confesso que achei piada a todo este carnaval (obviamente porque nao diz respeito ao meu clube).
Mas nestes últimos dias deixei de achar piada porque me consigo relacionar com a oposição interna do BdC.
Também eu ja fiz muita oposição dentro do meu clube, mas nunca vi o meu nome (ou de amigos meus cuja lealdade ao clube nunca deveria ser questionada) ser exposto em praça publica como inimigo do clube.
Não sei como me sentiria hoje em relação ao meu clube e ao meu presidente se tal tivesse acontecido.
E surpreendentemente dou por mim contente por isso não se ter passado.
Mas depois penso: "porque estou contente? Tal acontecer é anormal. Deveria estar triste se isso acontecesse, mas nunca contente por não acontecer."

Quero com isto dizer que o comportamento do BdC fez com que "a critica" que eu considerava um "direito" passasse a ser entendido como um "privilegio" que eu tenho no meu clube.

E isto afecta-me de certa maneira a mim e ao meu clube também.
Porque não quero nunca ouvir um presidente do meu clube dizer q o meu "direito à critica" não é realmente um direito mas um privilegio que sócios de outros clubes não têm.

Desejo-vos boa sorte para o futuro do vosso clube.
Normalmente nunca desejaria boa sorte a um rival. Mas sinto que ja houve tanto mal feito em termos de divisão no vosso clube, que de facto vão precisar dela. Principalmente todos os que se opõem a BdC.

(tentei ser o mais respeitoso possível, se o moderador achar que isto não deva ser publicado, compreendo perfeitamente. Boa sorte!)
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De Rui Gomes a 07.02.2018 às 13:52

Meu caro,

Neste espaço. exige-se que o leitor se identifique para evitar de o comentário ser eliminado.

Se não sabe como, siga estas simples instruções:

http://camaroteleonino.blogs.sapo.pt/3531015.html

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De Rui Gomes a 07.02.2018 às 13:56

Caro Inocêncio,

Aproveitei o seu comentário para fazer um post para mais logo.

Obrigado pela referência.
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De Fidalgo a 07.02.2018 às 14:15

Após a Assembleia Geral e a Conferência de Imprensa de BdC na segunda-feira, a grande maioria dos adeptos Sportinguistas (apoiantes de BdC ou não) estão de acordo que a linguagem do Presidente tem que ser outra, e que não lhe fica nada bem andar a "mandar bocas" a sócios, só porque estes não têm uma opinião idêntica à do Presidente. Uma coisa é o Presidente, outra coisa é a massa adepta. E BdC deveria saber a diferença, porque há efectivamente uma diferença (e bem grande). BdC diz que não dorme, que trabalha 24x24, e certamente teve a oportunidade de ler muitas dessas opiniões/sugestões. Hoje, quarta-feira, e pelo que leio no seu Escritório Virtual, parece que não aprendeu nada. Continua a ser o Bruno do teclado do costume, publicando os perfis dos visados com a esperança que o seu grupo de patetas amestrados faça alguma coisa. Este Bruno, que tanto se queixa do mal que lhe andam a fazer e à familia, esquece-se que os visados também têm familia. Este Bruno não aprende.
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De Rui Gomes a 07.02.2018 às 14:49

Não é uma simples questão de linguagem, mas sim do carácter dele. E isso não tem cura, ele é o que é. Ponto!
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De Cris Dileo a 07.02.2018 às 15:22

Como é que em 3,5M de adeptos, só aparece um louco como presidente e uns estarolas (alguns com mt mau caracter também) como frente de oposição.

De toda esta novela é o que mais me tira o sono
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De Drake Wilson a 07.02.2018 às 17:27

Cris,

Talvez porque aos olhos das pessoas sérias, o Futebol seja tarefa pouco atraente. Não confunda vozes discordantes com oposição.
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De Sofia a 07.02.2018 às 16:21

Caro Drake,

Excelente texto, que toca em vários pontos importantes para mim, e que de algum modo me compeliu a abandonar este exílio auto-imposto para bem da minha sanidade mental. Talvez o "gatilho" tenha sido a referência ao Zé Maria. Julgo que foi em 1998 ou 1999 que Portugal parou para assistir ao Big Brother, e confesso que assistia religiosamente. Em retrospectiva, voltaria a assistir. Foi um estranho ponto de transição, em que tanto os espectadores como os participantes não sabiam o que esperar, todos à beira mas desconhecendo o advento das redes sociais que tornariam a vida de todos em pequenos reality shows, mais ou menos consentidos. E é por hoje não suportar nem esses nem os outros reality shows - e que grande espectáculo foi aquele, em directo nacional antes do telejornal da noite - que me tenho abstido de comentar a vida do clube, e por arrasto o resto (e tanto há a dizer sobre a gestão do plantel e da equipa que Jorge Jesus está a fazer este ano...).

Muito tenho lido no últimos tempos, e admito a minha enorme surpresa com o desfecho da declaração de BdC na passada segunda-feira. Não esperava sinceramente, e tive de dar razão a quem acusei de teorias de conspiração sobre o inesperado desfecho da AG de sábado, quando afirmavam que se trataria de uma espécie de jogada de poder. Agora vejo que claro que é. Arrojada, descarada até, e que será indubitavelmente bem sucedida. O misturar no mesmo saco quem partilha o número de telefone da esposa (atitude nojenta, tenho de o dizer) com quem discorda de algumas das alterações propostas, anexando a sua continuidade a essa decisão, é algo que nem de BdC esperaria.

Para mim é completamente legítimo apoiar BdC e o seu trabalho no geral e discordar de um ponto como a retirada do método D'Hondt. E que confusão me faz ouvir as pessoas, a começar no próprio BdC, a falar desta questão como se o que estivesse em discussão fosse o método em si, implicando a substituição por outro como o de Sainte-Lague, que favoreceria as listas menos representadas, e não a perda de representação proporcional. D'Hondt não é mais do que um método matemático utilizado para arredondar percentagens de voto popular no cálculo de mandatos representativos. O que está verdadeiramente em questão é que passaremos a eleger listas completas em que, não se tendo verificado nas últimas eleições, é certo, uma percentagem significativa dos votantes poderá não ser representada. Pelo que sei, e corrijam-me se estiver enganada, o Sporting é/era o único clube dos grandes com representação proporcional nas suas eleições. É assim tão estranho defender a continuação desse exemplo de pluralidade nas discussões do clube? Tenho de estar contra o CD se assim o desejar? E em que é que a representação proporcional tanto afecta a capacidade de liderar o clube de BdC?

Enfim, divago. Não querendo assistir à guerra civil que se instauraria no clube com a saída de BdC neste momento e nestas condições (daí as minhas palmas contrariadas pela jogada), e não podendo em consciência votar a favor de algo com que discordo, sem prejuízo de muitas outras coisas que considero bem feitas pela direcção, o melhor é ficar em casa. Mas termino com a outra coisa que me levou a comentar (além do Zé Maria, claro): o seu último parágrafo. Tenho ouvido alguns zunzuns no mesmo sentido, mas zunzuns são algo a que não dou mais importância do que merece. No entanto, também eu tenho dado por mim a observar e a fazer algumas contas de merceeiro e a achar algumas coisas estranhas. Posso-lhe perguntar, para abandonarmos os zunzuns, em que sustenta as suas afirmações sobre o cash flow e injecções de dinheiro?

Obrigada mais uma vez pelo seu tempo, Drake.
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De Drake Wilson a 07.02.2018 às 17:19

Boa tarde Sofia.

Relativamente ao assunto que me pede para clarificar, impõe-se uma leitura dos últimos exercícios. O Sporting não gerou receitas suficientes nos dois últimos anos para o investimento verificado no plantel, redução de Passivo e consequente cumprimento do acordado no Acordo Quadro – aliás, os atropelos a este documento têm sido uma constante. Porque razão?

Como se constata, as verbas resultantes das vendas de atletas – embora descritas nos relatórios como negócio mas não como liquidez – não constam como entrada no Clube. Onde estão essas verbas? Quem as recebe, quem as gere e quanto chega ao Sporting?

Se o Sporting não tem maneio para suster 3 meses de vencimentos da principal equipa de Futebol, porque razão tem recorrido a uma linha de crédito encoberta no último exercício?

O adiantamento de receitas futuras impõe a alienação de segurança patrimonial e institucional do Sporting, tratando-se de um assunto sério que impõe natural preocupação a futuras Direcções.
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De Sofia a 07.02.2018 às 18:04

Obrigada Drake. Eu sei que se impõe a leitura, pedi o seu esclarecimento porque não só não sou capacitada para o ler de forma crítica, como principalmente não sei ler "o que não está escrito", se percebe o que quero dizer!
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De Drake Wilson a 07.02.2018 às 19:20

Obrigado por colocar a questão Sofia. Vou tentar simplificar uma explicação dentro da medida do possível.

Em 2014, o Sporting constituiu como garantias bancárias diversas hipotecas, tanto no que respeita ao Imobilizado (Direitos de Superfície, Direitos de Exploração, Direitos sobre Passes de Atletas...), Créditos (Patrocínios, Direitos Televisivos e futuros contratos até 2022) e Penhor (Saldos Bancários).

A troco dos valores adquiridos (negócios já concluidos como vendas de Atletas) e previsões de retorno (receitas previstas a curto/médio e longo prazo), foram lançadas novas linhas de crédito afim de permitir a gestão financeira corrente de todo o Grupo Sporting (os custos do dia-á-dia, digamos).

Conforme se verifica nos relatórios dos exercícios recentes, existe uma entrada de receitas mas não existe uma existência das mesmas na liquidez corrente. O que impõe a seguinte questão: se as verbas (receitas) são destinadas aos credores conforme o estipulado no Acordo Quadro, quanto sobra e quanto custa ao Sporting a necessidade de proceder a adiantamentos de verbas futuras.

Se a Sofia atribuir como garantia ao seu Banco todo o seu património como o próprio vencimento mensal que aufere – afim de se declarar apta a incorrer em novos créditos (ou como garantia de pagamento da própria habitação ou outras dívidas, por exemplo) –, a Sofia será obrigada a recorrer a outras fontes de financiamento (familiares e/ou amigos, por exemplo) para, digamos, sobreviver e pagar as suas contas.

Ao não dispor das receitas que alcança por estas estarem cativas (o que surge nos rendimentos operacionais), o Sporting tem de recorrer a outros financiamentos para sustentar o seu custo de manutenção (despesas correntes) e investimento (em Atletas ou outro património). Se declara uma dívida Bancária na ordem dos €180 Milhões e salda apenas o equivalente a €10 Mil em dois exercícios (dois anos), isto significa provavelmente que ao invés de pagar dívida, o interesse da Direcção estará direcionado para aquisição de mais-valias (ex. atletas que tragam retorno financeiro).

À exceção de Bas Dost, Mathieu e Coates (posso estar a esquecer alguém), todas as mais valias existentes no plantel são produtos internos (ex. Gelson, Patrício, etc.). Impõe reconhecer que face ao elevado número de contratações operado, poucos foram os recursos que poderão trazer retorno.

Percebemos então que face ao diminuto percentual de aproveitamento entre aquisições e retorno (quantos jogadores contratados vs realização de negócios assinaláveis pela venda dos mesmos), pode o Sporting assumir-se como investidor ou aplicado conscencioso das verbas que recebe sobre receitas futuras?

Claro que, se observarmos o peso da folha salarial de toda a estrutura profissional da SAD, identificamos um dos principais buracos desta gestão.
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De Sofia a 07.02.2018 às 20:12

Obrigada pelos esclarecimentos. Coincide com a opinião geral que formado a partir da informação disponível e da minha escassa cultura financeira. Uma última questão então sobre entradas de dinheiro: considera portanto que resultam de adiantamentos de despesas? Existem outras formas de injectar dinheiro no Grupo que possam não fazer parte dos relatórios?
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De Drake Wilson a 07.02.2018 às 20:44

Sofia, as entradas de dinheiro resultam do adiantamento de receitas, e não de despesas. Essencialmente, as entradas de dinheiro (as passadas e as futuras) no Sporting estão, conforme acordado com os Credores, retidas à cabeça pelas próprias entidades.

Assim, sem poder reverter em Cash Flow as Receitas que tem, o Sporting recorre a financiamentos diversos:

1) transformação de dívida em Capital Social ou valores convertíveis para reduzir o Passivo.

2) Aquisição de empréstimos, Factoring de receitas previstas e lançamentos de títulos de subscrição.

É difícil, como pouco útil, encobrir entradas de capital ou financiamentos nos relatórios apresentados. Mas se por exemplo, a Sofia transformar a sua dívida em acções e a colocar à venda, esta dívida considera-se automaticamente como Activo, ao mesmo tempo que injecta Capital na empresa e reduz Passivo Corrente.

No sentido inverso, é fácil encobrir custos. Por exemplo, através do reconhecimento por imparidade de activos, ou a transformação de Clientes de Conta Corrente em Contas de Cobrança Duvidosa – útil em termos fiscais.

A grosso modo, o ideal para o Sporting seria a SAD tornar-se alvo de uma Oferta Pública de Subscrição totalitária. Terminavam-se as necessidades de recorrer a empréstimos, o plano de pagamento de dívidas com os credores mantinha-se, gerando deste modo uma bolsa de oxigénio gerida por um novo Conselho de Administração independente.

Algo que já esteve para acontecer no Clube, como terei referido no meu último texto.
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De Naçao Valente a 07.02.2018 às 17:59

Caro Drake,
Muito boa abordagem, da qual destaco o último parágrafo. Não é situação de que não desconfiasse, embora como a maioria dos leigos, não possua ferramentas para a analisar. Preocupante e a merecer alertas, mais destacados.
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De Drake Wilson a 07.02.2018 às 20:48

Boa noite Nação Valente.

Obrigado pela sua intervenção.

Para mim, a situação ideal passaria sempre por um frente-a-frente entre Candidato e Presidente, com o testemunho de toda a comunidade sportinguista. Nunca numa Assembleia Geral, a bem da protecção física dos próprios intervenientes.

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