Apenas tive oportunidade de assistir a uma pequena parte do programa "Dia Seguinte" da SIC Notícias, desta segunda-feira, que contou com a participação do presidente do Sporting. Por mera coincidência e nada mais, assisti à parte em que o moderador questionou Bruno de Carvalho sobre a "política" do Sporting em relação à gestão dos cartões amarelos, temática que eu tenho abordado com alguma frequência aqui no Camarote Leonino.
O presidente acabou por não responder directamente à pergunta, salvo manifestar o seu apreço e a sua confiança no trabalho de Leonardo Jardim e uma vez que o treinador acha que a gestão não deve ser feita "porque todos os jogos são importantes", ele aceita essa decisão.
Compreendo perfeitamente que ficaria muito mal ao presidente contrariar o seu treinador publicamente e perante até uma grande audiência, assim como também não é este o fórum adequado para discutir matéria que é exclusivamente do foro interno do Sporting.
Até aqui tudo bem, e a verdade se diga, até se acabou por não saber a opinião pessoal do presidente sobre este assunto. Tendo tudo isto em conta, a consideração - que originou com Leonardo Jardim - que "todos os jogos são importantes", não corresponde à realidade, em contexto. No âmbito interno de um clube de futebol, onde tantas e variadas decisões têm de ser tomadas diariamente, pode-se e deve-se saber avaliar, não obstante a importância do jogo com a Académica - assente na premissa que todos os jogos são importantes - que a necessidade de um jogador como William Carvalho, neste caso concreto, nesse jogo, contra uma equipa que, em princípio, tem valores desportivos inferiores aos do Sporting, vai jogar em linhas baixas dando prioridade máxima ao sector defensivo e que não possui "armas" ofensivas de destaque, é significativamente distinto do que é de esperar do Sport Lisboa e Benfica, uma equipa com atletas comprados ao peso do ouro e com um vasto leque de talentos, quer defensivos quer ofensivos, que irá forçosamente, a jogar em casa perante os seus adeptos, querer fazer uso da soma desse poderio, que em termos individuais é superior ao do Sporting, tornando a contribuíção de um jogador como William Carvalho nada menos do que imprescendível.
Ainda vou mais longe; além de William Carvalho, o mesmo deveria ter sido feito com Fredy Montero, que também enfrentou os "estudantes" com 4 cartões amarelos e igualmente em perigo de não poder jogar contra o Benfica. Como a situação se afigura neste momento, como já aqui escrevemos, temos Marco Rojo que irá falhar a visita a Vila do Conde pelos amarelos - na minha opinião o quinto amarelo foi encomendado, se por iniciativa do jogador or por instrução não sei, mas acabou por ser um mal menor - e Maurício, Adrien, Heldon e Montero na eminência de castigo. Por conseguinte, a gestão dos amarelos não é um mero capricho, em que um treinador não se pode dar ao luxo de não fazer apenas porque não gosta, é uma necessidade absoluta, e se o técnico não a reconhecer há quem seja seu superior que tem a obrigação e a responsabilidade de o fazer compreender.
Sobre mais alguma coisa a que assisti do programa, não dá ensejo a grande comentário, uma vez que o presidente já se tinha manifestado nesse sentido, pelas mesmas ou semelhantes palavras, em diversas outras ocasiões. Quero crer que nada de novo surgiu quanto à esperada decisão do Conselho de Disciplina da FPF. O Sporting terá insistido na sua razão, exigindo que o FC Porto deve ser penalizado com o afastamento da competição. Imagino eu que Guilherme Aguiar, sendo portista e ainda por cima advogado, deverá ter argumentado que não é suficiente clamar que há dolo pelo mero atraso do FC Porto em entrar em campo, mas que esse dolo tem de ser comprovado. Se eu estiver errado com estas minhas conjecturas quanto ao que se passou, decerto que os leitores me corrigirão prontamente.
A minha opinião, dado o estado das coisas, é que a decisão será favorável ao clube do Norte e a haver qualquer penalização, não passará de uma mera multa. Note-se que embora só venha a publicar este post um pouco mais tarde, escrevo o texto à meia noite, hora de Portugal, não tenho, portanto, conhecimento sobre qualquer comunicação da FPF.
Nota final: Reitero, pela enésima vez, que considerando o estado das coisas no futebol português, ao intervalo do jogo da Taça da Liga em Penafiel, o Sporting, informado do atraso do FC Porto-Marítimo, devia ter insistido com os delegados da Liga presentes no recinto para que a segunda-parte dos dois jogos fosse sincronizada. Pela inacção destes, devia ter dado então instruções à equipa para entrar em campo três minutos mais tarde. Respeito mas não aceito qualquer argumento em contrário, especialmente "nós somos diferentes" e "acabaríamos por fazer a mesma chico-espertice" que eles. Como também já tive ocasião de dizer, não se pode combater "tanques" com fisgas", salvo pelo desejo de cometer suicídio. A linha de defesa do presidente, "o Sporting não quebra as regras só porque os outros as quebram", serve somente para tentar desculpabilizar quem na altura não soube REAGIR - e aqui reside a essência da questão; REAGIR - devidamente na defesa dos interesses do Sporting. Nesse contexto, os dirigentes foram mesmo "anjinhos" e a decisão adversa do Conselho de Disciplina da FPF só sublinhará essa disposição. E, mesmo que a decisão seja surpreendente, o Sporting será sempre acusado de ter ganho na secretaria o que não conseguiu ganhar em campo.