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casabruno.jpg

 

Um texto da autoria de Drake Wilson, como comentário ao post intitulado As rescisões e a mentira da Propaganda Brunista, de Rampante, que transcrevo aqui na íntegra:

 

Endereço-lhe as boas-vindas ao Camarote Leonino, desejando que a sua contribuição seja tida como uma mais-valia pelos leitores, como que particularmente a mesma lhe atribua satisfação e prazer doravante.

Relativamente a este tema actual, pelo pouco que tenho acompanhado, lamenta-se a falta de conhecimento prático assim como excesso demagógico que rodeia a opinião pública, de A a Z. O Sporting vai pagar caro este erro crasso de gestão, do qual Bruno de Carvalho, Guilherme Pinheiro e Carlos Vieira serão réus. Passo a explicar, se me permite.

Em primeiro lugar, abordamos alguns aspectos debatidos em redor das recentes rescisões, aparentemente interpretados à luz da jurisprudência laboral-desportiva, revelam-se exíguos à subjectividade que nos permite avaliar, de facto e de jure, o real valor de um Atleta Desportivo numa resolução arbitrária – ao abrigo de um Tribunal. Como ponto de partida, a minha interpretação levar-me-á a abordar este litígio não como profissional jurídico, mas pelo conforto que a minha actividade profissional me concede.

Existe um "real" valor económico conotado a cada Atleta adquirido (não-formado pelo Clube), metricamente atribuído por interpretação do Conselho de Contabilidade e disponibilizado (erroneamente no meu entender) nos R&C’s, cujos fundamentos serão sempre indissociáveis de quatro factores:

1) o custo do Activo à data de aquisição;


2) o valor económico do Activo como potencial e directo indutor de receitas extraordinárias;


3) o cálculo do valor de mercado do mesmo em conformidade com o seu valor intelectual (performativo, no caso de um Atleta, também sob influência do seu potencial de desenvolvimento), e;


4) o custo de substituição do mesmo, determinado pela comutação/aquisição de um novo Activo/Atleta.

Só a flutuação económica do sector – como parte potencialmente adquirente do Activo no futuro –, permite estabelecer o valor final de mercado, naturalmente de acordo com:

1) o valor que o próprio Mercado oferece naquele preciso momento por activos semelhantes;


2) a curva inflacionária desenhada pelo desempenho do Atleta no período corrente, que represente a sua valorização ou deterioração, conforme boletim clínico e idade;


3) o valor que o Clube considere como adequado aos seus interesses, sob sua natural presunção especulativa como proprietário do Activo.

O valor atribuído a uma cláusula de rescisão, circunscreve-se fundamentalmente como um inibidor anti-concorrencial – imaginemos que se o Sporting estivesse sujeito a uma Oferta Pública de Aquisição, a mesma seria sempre em função do seu valor no mercado bolsista, e não pelo valor do seu Activo (pois o Activo mantém uma inter-relação constante com o Passivo consumado e Passivo futuramente adquirido, como garantia económica que assegure o pagamento de dívidas).

 

Assim, podemos compreender que as cláusulas de rescisão são valores virtuais facilmente impugnáveis – serão sempre negociadas como base dos 3 pontos acima referidos, e não de um valor pré-estabelecido. Com algum humor, nem o Sol manterá constante o seu valor comercial, ao longo de 24 horas.

 

Assim, algumas considerações:

A) Se os Atletas titulares – acima de 75% de utilização – apresentassem rescisão a 24 horas de uma final Europeia, e perante a impossibilidade do Clube substituir os mesmos com recurso a Atletas de idêntico valor performativo, poderia o Clube invocar acção-lesiva por parte dos mesmos. Deste modo, se o Clube perdesse o referido jogo, e por consequência todas as receitas daí resultantes (directas, indirectas e expectáveis), caberia aos Atletas a responsabilidade de compensação financeira das mesmas por acção danosa comprovada.

B) Se a acção danosa ou lesiva ao Clube – por acção de rescisão sem fundamento legal – for comprovada, mas em período não-competitivo (em período de mercado aberto a aquisições, após final da época), o apuramento de um valor indemnizatório estará circunscrito ao referido na métrica de apuramento de Activo Intangível (pontos 1,2,3 e 4 acima referidos) nos Relatório & Contas.

 

Neste caso, os jogadores incorreram em pressupostos de justa-causa erróneos, porém não prejudicaram o Clube num ciclo competitivo a decorrer.

C) Poderá, muito provavelmente, caber ao ainda presidente Bruno de Carvalho o banco dos réus. Comprovando-se a justa-causa nas rescisões dos Atletas, o Presidente será acusado de gestão-lesiva da Sociedade Desportiva nas competições onde a mesma esteve presente (Futebol), em virtude dos argumentos apresentados como justa-causa pelo Atletas inferirem em sub-rendimento da equipa ao longo da época.

 

Calcular-se-á deste modo, todos os proveitos não-adquiridos daí resultantes, e caberá a Bruno de Carvalho a responsabilidade dos mesmos no prejuízo das contas da Sociedade Desportiva.

Andamos a brincar com coisas sérias. Bruno de Carvalho que fuja, enquanto pode.

 

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publicado às 04:03

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14 comentários

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De sangueverde a 13.06.2018 às 08:57

Foge, foge, ainda esta noite postou mais um post (diz a bola, que eu não frequento nem leio posts de arruaceiros marginais), para a "malta" ir em massa á assembleia geral de Domingo que a partir de segunda tudo volta ao normal e será tudo enfeitado com lindas cores e suaves perfumes....
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De Fidalgo a 13.06.2018 às 09:06

Bom dia,

Para não variar, mais uma excelente análise do Drake Wilson.

Bruno de Carvalho a fugir? Não é só ele e os restantes membros da direção. Há um conjunto enorme de personalidades dos últimos 5 anos que vão ter que pensar em fugir. Por exemplo, a Sporting TV, canal de propaganda do regime do Brunistão, está cheia de figuras que terão que ser igualmente responsabilizadas. Carlos Dolbeth e Pedro Batista são dois exemplos de militantes Brunistas que sempre propagaram o ódio, caluniaram, inventaram inúmeras teorias da cospiração, etc. Nós, sócios pagantes, estamos a pagar o salário dos tipos que nos caluniaram este tempo todo. Estamos a pagar o salário de tipos que nos dividiram uns contra os outros. Estamos a pagar o salário de tipos que ajudaram a destruir o Sporting Clube de Portugal. Se chega a expulsão de sócio destas personalidades? Não. É pouco.

Relativamente à análise do Drake, a gestão destes processos dos jogadores só demonstram que quem manda no clube (e é pago a peso de ouro) pouco ou nada percebe de gestão de activos em pleno século XXI.
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De Luis Pereira a 13.06.2018 às 09:40

99.9% das vezes o Drake fala acertado e esta nao me parece que fuja á regra.

Só gostava de acrescentar o seguinte.

Mais que fugir da hipotese de ter de indemnizar o clube o Bruno deve comecar a pensar seriamente em fugir para nao lhe abrirem a cabeca.

Já me pareceu mais longe
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De Red Bull 1017 a 13.06.2018 às 09:59

O HOMEM DO PÍFARO...


Vou tentar resumir uma anedota com barbas e que se adequa na perfeição ao estado do Sporting e que vem mesmo a propósito do percurso doa loucura militante do tontinho das aldrabices que gere os destinos do Sporting, aquele outrora grande clube.

O HOMEM DO PÍFARO:

Num hotel de vinte andares, situado algures na zona do Lumiar, decorria no 5º Andar um concorrido baile com lagartos, osgas, batráquios e carneirinhos. De repente, deflagra um incêndio no 3º andar. Gera-se o pânico, a carneirada grita, mas ao microfone aparece um cavalheiro, com ar anafado, barba por fazer e voz de falsete, que declara com ar solene:

— Mantenham-se serenos, “Somos a maior potência Mundial em Festas e bailes” continuem o baile. Nada vos vai acontecer. Eu já chamei os Bombeiros vamos todos para o 6º Piso. Eu sou o homem do pífaro! Calma está tudo sobre controlo!

E o baile prosseguiu no 6º Piso. No entanto, o fogo propagou-se do 3º para o 4º Piso e voltaram a repetir-se as cenas do pânico e dos gritos entre a carneirada., pois alguns já sentiam alguns calores. Porém, apareceu de novo o mesmo cavalheiro, com ar anafado, barba por fazer e voz de falsete, ao microfone a acalmar os ânimos, repetindo:

— Mantenham-se calmos e serenos e continuem o baile. Nada vos vai acontecer. Vamos todos para o 7º Piso. Eu sou o homem do pífaro! Calma está tudo sobre controlo!
“Está tudo apagado meus senhores.”
“OH DJ mete aí aquela versão lagarta do “MY Way”

E o baile prosseguiu. No entanto, à medida que o incêndio se propagava aos andares superiores, repetiam-se as cenas do pânico e dos gritos. O Incêndio foi alastrando para o 5º, 6º e Pisos seguintes e, sempre que apareciam sinais de pânico, lá vinha sempre o mesmo cavalheiro, com ar anafado, barba por fazer e voz de falsete, ao microfone a acalmar os ânimos, repetindo:

— Mantenham-se serenos e continuem o baile. Nada vos vai acontecer. Vamos todos para o 8º Piso. Eu sou o homem do pífaro! Calma está tudo sobre controlo!
“OH DJ mete aí aquela música “Só eu sei porque acredito nestas…Tretas”

E, de Piso em Piso, o incêndio propagou-se até ao penúltimo andar. Como as escadas de Bombeiros já não conseguiam chegar ao último andar, onde ainda decorria o baile com os poucos crédulos, inocentes e anjinhos batráquios, osgas e carneiros que ainda acreditavam no homem do pífaro, o incêndio alastrou a este último andar e o resultado foi que…

Todos os lagartos, osgas e carneirinhos MORRERAM QUEIMADINHOS..a cantar com um ar pateta e feliz apanágio dos idiotas de espirito..."SLB, SLB, Filhos da....SLB"

COITADINHOS dos CARNEIRINHOS!

MORAL DA HISTÓRIA: o tal cavalheiro, com ar anafado e barba por fazer e voz de falsete, NÃO ERA O HOMEM DO PÍFARO!


Vale a pena pensar nisto!
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De Paulo Salcedas a 13.06.2018 às 12:02

Excelente, mas eu cá mudaria "voz de falsete" por voz de bagaço, fica mais de acordo com a transformação que a Judas fez em taberna da MAG
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De Rampante a 13.06.2018 às 10:56

Amigo Drake Wilson,
já oportunamente lhe enderecei os meus agradecimentos aos seus votos de boas-vindas, mas uma vez mais, Obrigado.

Quanto ao tema que o amigo tão claramente expôs, tenho a seguinte questão "na cabeça" que faço já há muitos anos:
Porque insiste o Sporting em ter contabilizados a ZERO os seus activos provenientes da formação?

Na minha perspectiva essa opção vai contra os espirito das IFRS, pois o activo não se encontra demonstrado pelo seu real valor, e mesmo que se optasse por uma valorização que não a de mercado, no minimo deveria estar valorizado pelos custo de formação.
Custa-me a compreender não só esta opção da SAD, mas também como é que essa opção é aceite sem reservas por parte dos auditores externos, senão vejamos:
Podia ser numa outra situação qualquer (como o simples accionar de seguro de uma seguradora), mas na situação em apreço, haverá a necessidade de avaliar o valor do activo (jogador).
Ora, serão pedidos pareceres, estudos de mercado e dadas mil e uma justificações pelo Sporting para valorizar ao máximo o jogador.
Por seu turno, o jogador irá alegar que factualmente ele não prejudicou o Sporting (jogou todas as competições e só rescindiu em periodo de férias), que factualmente ele se encontra valorizado a ZERO pela SAD e que ao momento da sua rescisão não havia ofertas no mercado pela sua aquisição, como foi publicamente assumido pelo presidente da SAD e isto pese embora fosse publico o mau estar do jogador. Pelo que, o seu valor pode ser considerado próximo de zero.

O juizo arbitral, terá de colocar estes dois pesos na balança e definir um valor, que a meu ver dificilmente será favorável ao Sporting, pelo já justificado acima.

Ora, não seria mais fácil argumentar para o Sporting, para esta ou outras situações se o activo (jogador) estivesse correctamente valorizado nas suas demonstrações financeiras. Que existisse um histórico de valorização e contabilização desse mesmo activo?

Grande Abraço
Rampante

PS: acredito que este exercicio a que se propomos acabe por ser "indiferente" uma vez que me parece claro que os jogadores irão colher decisões que lhes serão favoráveis.

PSS: BdC disse uma vez que quando saisse do Sporting teria de emigrar. Foi das poucas coisas que disse, que ainda se mantêm acertadas, com a diferença de, mesmo emigrando, não sei se conseguirá escapar à fúria dos adeptos e/ou da justiça.
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De Drake Wilson a 13.06.2018 às 15:19

Boa tarde Rampante.

Lamento não ter tido oportunidade de lhe responder mais cedo às questão que colocou.

Os Clubes de Futebol são tidos como agentes inter-comunitários, à luz de uma interpretação cientifico-económica, cuja existência se fundamenta exclusivamente à disputa de certames organizados por um regulador.

Não poderão os Clubes de Futebol, nem mesmo as SAD's, à vista jurídica ser interpretados como agentes económicos directos, pois não dispõem vitalmente de uma relação de índole mercantilista directo com o segundo Agente, o Comprador. Clubes existem para competir, dispondo de Atletas profissionais ou não, como bens essenciais ao seu desempenho competitivo. Será como compararmos o Mineiro e a Mina.

Porém, pela relação comercial que envolve outras Indústrias devidamente reguladas como contribuintes legais, nomeadamente os Media, Sponsors e marcas de vestuário/equipamento desportivo, e por esta relação não existir pro bono, estarão os Clubes obrigados igualmente a introduzirem-se no sistema económico, organizando-se contabilisticamente, afim de não servirem de interposto paralelo a actividades legais e não-legais. Pelo volume de negócio gerado entre todos estes actores, representa-se aqui igualmente uma peça tributária fundamental aos Governos.

Contabilisticamente, os Atletas enquadram-se como Activos Incorpóreos juntamente com outros bens não-mesuráveis (ex. Instalações), pois à interpretação jurídica estes correspondem a trabalhadores cuja função reside no sucesso da empresa – levar o Clube a vencer competições – e não como bens de um mercado de compra e venda de trabalhadores. Os jogadores, como factor humano em si, não dispõem de valor comercial definido, porém de um "passe", esse sim mensurável economicamente e contabilisticamente, de acordo com as alíneas que referi no comentário, pontos 1,2,3 e 4. Esse "passe" ou habilitação económica mesuravelmente válida, terá obrigatoriamente de ser introduzido no sistema económico uma primeira vez, dando início assim à sua valorização A, e por aí em diante, valorização B, C, D....

Por outras palavras, para que o Estudante seja economicamente tido como um bem, terá de ser introduzido no mercado de trabalho. Até lá, será tido como um proto-Bem.

Imagine que tem 2 filhos. No primeiro, você investe €10 Mil em formação Académica, e atribui-lhe uma cláusula de €100 Milhões. O segundo filho, é colocado por si a trabalhar como sustento familiar. Perante uma fatalidade, e partindo do pressuposto que ambos estão colectados a uma seguradora, o segundo terá um valor mesuravelmente económico – logo, será interpretado como um Activo. O primeiro, não obstante do investimento, terá apenas potencial, mas nunca valor mensurável. Daí, os jogadores de formação nunca poderem ser interpretados como Activos, pois não contribuem para a actividade económica nem geram retorno directo. Representam uma espécie de investimento a fundo perdido, cuja validação se impõem no dia em que prestem juros ao investidor.
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De Rampante a 13.06.2018 às 18:25

Caro Drake, claríssimo,

no entanto a minha questão é em relação aos jogadores que provêm da formação e não os que ainda estão sob alçada da formação, ou seja, ao "saírem" do Clube (contratos de formação) e serem incorporados na SAD (contratos profissionais) não deveriam os mesmos ser alvos de valorização do direito desportivo e consequente reflexão no activo?

Aliás, existe um artigo (Valorização do direito desportivo resultante da formação) publicado pela Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade, feito por académicos portugueses, que de forma inequívoca defendem esta configuração. No referido artigo, faz-se até alusão ao "polemico" caso do Benfica que em 2008 utilizou esse faculdade para aumentar os seus activos. Mais, no Brasil, que se sujeita aos mesmos normativos contabilísticos (salvo raras adaptações), esta é a forma adoptada pelos clubes principais.

Pessoalmente, sou da opinião que actualmente as demonstrações financeiras das SAD em Portugal, nomeadamente no Sporting, NÃO reflectem a realidade, logo não se encontram em conformidade com as IFRS.

Transpondo para um exemplo hipotético e "extremo" para uma SAD acabadinha de ser formada (sem histórico).
Pressupondo:
- O único activo é uma conta bancária com 250K€, uma vez que o seu plantel é proveniente da formação.
- Capital Social de 50K€ detidos pelo clube.
- Passivo reflecte um empréstimo de 200K€
A SAD durante o ano não gera receitas uma vez que joga em estádio emprestado e todas as receitas são para o proprietário do estádio.
A SAD apenas possui como custos os vencimentos da equipa, que são de 25K€/mês.
A equipa faz uma época estrondosa e ganha a Liga, bem como a Liga dos Campeões e os seus jogadores são altamente desejados por todos os clubes.

Problema:
Olhando apenas para os reportes financeiros, pese embora o sucesso da equipa, tecnicamente, no final do ano a SAD encontra-se "falida" e não consegue qualquer crédito junto da banca levando-a à insolvência.
Ora, esta situação não reflecte a realidade, pois bastaria à SAD vender um dos seus jogadores (activo) para imediatamente se tornar solvente.
Esta questão não se levantaria, se o valor dos direitos desportivos do plantel, estivessem reflectidos no activo

Saudações
Rampante
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De Drake Wilson a 13.06.2018 às 21:57

Rampante,

Entendo a sua questão relativamente à não valorização dos jogadores formados no Clube.

Justa ou injustamente, a grande questão em redor deste tema é a impossibilidade de amortização de um Activo que nunca foi introduzido no circuito económico – condição fundamental para que este se considere válido do ponto de vista financeiro. O inverso subverteria os princípios da Economia de um modo violento, tornando-se esta um paradoxo à sua condição de ciência exacta.

Desconheço que Clubes brasileiros estejam cotados em bolsa, mas fazê-lo implicaria actualmente um crime económico num mercado regulado. Os R&C's tornar-se-iam ferramentas de avaliação especulativa – Rui Patrício seria apresentado na demonstração anual como um activo de €60 Milhões (da cláusula, supondo), o Mercado poderia pagar somente €20 Milhões, mas a EDP ou o Acionista não aceitariam o atleta como moeda de troca. A verdade é que um Activo só terá um valor determinado quando for introduzido no circuito económico como um Bem negociável – perante uma oferta de compra.

Como sabe, isto explica a razão da gravidade de Activos como Bruno Fernandes ou Bas Dost rescindirem. Patrício, William, Gelson e Podence, embora virtualmente representem valores consideráveis, em contabilidade pesam muito pouco.

Para colocar em prática uma valorização de Activos fora do circuito, teríamos de avaliar o Activo somente pelo retorno económico do mesmo numa média anual, calculando os contratos de exploração de imagem associados ao Atleta. Rui Patrício teria, por exemplo, um valor comercial na ordem dos €2 Milhões/ano (Nike e Pepsi, por exemplo) X a validade do contrato com o Clube. Imaginando que o contrato contemplava apenas mais 2 anos de serviço, o seu valor obrigatório de venda teria de rondar os €4 Milhões, não podendo o Sporting exigir mais. É uma situação complexa.

(Se olharmos para o Sporting actual, o que acima foi descrito seria terrível, pois este período de 5 anos pouco ou nada acrescentou na vertente comercial, se excluirmos... a Malo Clinic, Fruta Conquerers, parceria com Clubes do "qualquer-coisa-stão", Traffic...)

O estudo que me refere parece-me de fundamento neo-liberal, que não poderá substanciar-se mais do que mera discussão num sector regulado por Comissão de Valores. Colocar Contabilistas a debater base Económica traria resultados tão desastrosos quanto Enfermeiros como Directores Clínicos, ou de Carlos Vieira como Director Financeiro no Sporting.

A resposta ao seu exercício, estimado Rampante, poderá encontrá-la no comum co-relacionamento existente entre o sistema bancário e empresas insolventes, muito em voga no início da década de 2000, e consequente desmoronamento de ambos no espaço de décadas – financiamentos acima do risco pelo sector público e privado, Activos virtuais como garantias por parte de Empresas banhadas a dívidas.

No caso do Clube X que referiu, tudo dependeria da corrente político-económica global como estabilizador de mercado, da vitalidade da industria desportiva como comprador, e essencialmente, da capacidade dos gestores em transformar uma mera colectividade em marca global. Jogadores teriam de ser vendidos, ano após ano, e o Clube teria de continuar ganhar com frequência, até ser atingido um ponto de equilíbrio na curva de evolução. A tal "mão invisível" de Adam Smith.

Em suma, o caminho trilhado por Domingos Soares Oliveira na sua entidade empregadora, ao contrário do que sucede no Sporting. Ou Osório no Lloyds.

Por muito que nos custe, não existe modo de sobrevivência dos Clubes dependentes de dívida (repare que o seu Clube começou com dívida, como você muito bem enunciou), sem que estes assumam um posicionamento mercantilista constante. Felizmente para o Sporting, nem a Lei Bosman nem as SAD existiam em 1906.
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De Paulo Salcedas a 13.06.2018 às 12:06

Excelente post Drake, e muito esclarecedor para muitos que como eu pouco percebem do assunto.
Continuo também a pensar que os jogadores têm mais que justa causa para rescindir, parece-me óbvio dado o que se passou.
Obrigado,
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De Francisco Esquina a 13.06.2018 às 21:01

Agradeço ao Drake Wilson esta explicação.
Apesar de serem perceptíveis os “conceitos” temo que, para meu desconforto, a sua verdadeira compreensão esteja para além das minhas atuais capacidades e conhecimentos. Ou seja, tenho dificuldade em instanciar os parâmetros de cálculo apresentados para a valorização económica dos atletas (pontos 1,2,3 e 4) que, se bem percebi, corresponderão à base para cálculo do que o SCP poderá ser ressarcido, caso ganhe a causa contra a rescisão por justa causa efetuada pelos jogadores. Isto, como já disse, por minha limitação e falta de conhecimentos.

Assim, e se bem percebi, no R&C há a rubrica referente aos ativos intangíveis (que acha que nem deveria estar presente neste documento, mas que nem me atrevo a vislumbrar porquê) no valor de 59,544 milhões de euros. É aqui que está englobado o valor de todo o plantel, que incorpora os tais 4 pontos da sua explicação? Que me tenha apercebido, não encontro no documento o detalhe deste valor por cada um dos elementos do plantel (à parte dos valores de aquisição e despesas relativos aos novos atletas).

A minha dúvida é como é que um tribunal (não sei qual), caso decida dar razão ao SCP, quais poderão ser a gama de valores de indemnização para um determinado jogador, imaginemos o Bas Dost?

Ainda por cima, nos 4 pontos indicados, parece-me que só o ponto 1 é que será exato tendo os outros (parece-me) maior carga subjectiva.

Parece-me que os jogadores que decidiram pela rescisão saberão, com certeza, quais os valores que poderão estar em causa e saberão o risco que correm. Atendendo a como as coisas estão no clube, pareceria-me útil que os sócios e até adeptos pudessem ter conhecimento destes valores aproximados para estarem informados e não usarem o “que lhes apetece” ao sabor do que for mais conveniente para cada um dos “interesses” argumentativos.

Mais uma vez obrigado pelo seu texto.
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De Drake Wilson a 13.06.2018 às 22:50

Boa noite Francisco.

Lamento a condução técnica do texto, tal como a minha dificuldade em expô-lo de um modo mais compreensível. Vou tentar inverter a situação:

A sua interpretação do texto está correcta. Os 4 pontos enunciados servirão, na eventualidade, para formalizar um valor de compensação ao Sporting, em caso de provada a não-validade das rescisões.

1) Dando como exemplo Bas Dost, o cálculo teria de ter em conta o custo de aquisição do passe do Atleta (€10 Milhões, presumo), mais as royalties inerentes à exploração de imagem do Atleta (desconheço se será o Sporting a deter), subtraindo os valores de amortização do custo do Atleta e a condição clínica do mesmo (invocando factor idade, lesões, e mesmo a degradação psicológica a que este foi sujeito). Em suma, o Sporting seria sempre ressarcido em valores abaixo do valor de aquisição. €8/€7 Milhões, no campo das melhores probabilidades.

A compensação financeira determinada pela instância arbitrária – um Tribunal –, invocaria o apoio da documentação existente em posse do Sporting, nomeadamente toda a documentação respeitante à transferência do Atleta, contratos de royalties e respectivo boletim clínico.

Numa situação hipotética – jogador (formado ou não no Clube) rescinde sem justa-causa no decorrer da competição, obrigando o Clube a contratar um substituto de qualidade equiparável, numa operação que ronde os €20 Milhões. Aí, o jogador incorre numa situação de dolo directo ao Clube, podendo ser-lhe imputado o referido custo de aquisição do novo Atleta como pena compensatória ao Sporting. Se o mesmo ocorrer num período não-competitivo, voltamos ao ponto 1) que refiro acima.

As situações de William, Podence, Gelson e Rui Patrício terão naturalmente outra interpretação. Quanto muito, o Sporting pode invocar os direitos de formação, alguns valores publicitários existententes entre Clube-Atleta-Sponsors, e pouco mais. Caberá ao Clube pelo qual os Atletas assinem, o posicionamento moral da questão – pagar uma verba sensivelmente acima desse valor, afim de conformar o Sporting.

Mas em Direito tudo pode acontecer, tal como a reforma vitalícia de Fernando Brassard. Se um tribunal provar a responsabilidade de Bruno de Carvalho nos incidentes de Alcochete, Bas Dost poderá exigir do mesmo modo uma indemnização compensatória por danos infligidos, que o próprio entenda como seu direito.
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De Francisco Esquina a 14.06.2018 às 00:18

Boa noite caro Drake Wilson,

Era o que faltava, lamentar! Nem sempre há outra forma de explicar que senão a técnica de forma a não cometer algumas imprecisões, seja por erros de aproximação e/ou simplificação.

Agradeço-lhe imenso o tempo dispendido, paciência e esforço para a “tentativa” de simplificação. Garanto-lhe que foi coroada de sucesso, já que as dúvidas que me assaltaram (como leigo) foram esclarecidas.

Vou guardar este texto religiosamente!

Obrigado.
Abraço.
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De Francisco Esquina a 14.06.2018 às 00:38

E já agora, isso ainda parecer significar que o cenário é bem mais negro para BdC, independentemente do resultado das ações que possam vir a ser feitas para “combater” a justa causa alegada pelos jogadores. Mesmo aqui as perdas infligidas poderão ser exorbitantes, em comparação com a situação “normal” onde os jogadores seriam negociados.

Acho que vai (vão) ter que fugir, mesmo!

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