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Bruno recuou hipocritamente

Rui Gomes, em 04.01.15

 

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Para ser sincero, nem sei bem por onde começar este escrito. Entre a hipocrisia patente de Bruno de Carvalho na mensagem que se fez ouvir na Sporting TV durante o dia de sábado, e a autêntica palhaçada do seu lacaio José Eduardo, na SIC Notícias, no final do jogo com o Estoril, é causa mais do que suficiente para qualquer observador ficar irritado e indignado.

 

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 Bruno de Carvalho recuou estratégica e hipocritamente no seu propósito de despedir Marco Silva, apenas e tão só porque foi confrontado com a oposição da esmagadora maioria de sportinguistas, situação inesperada por ele e que lhe causou grande angústia face à sua ambição de permanecer no trono do Sporting eternamente.

 

Afirmou que "todos nós, no Universo Sportinguista, deveremos orientar os nossos esforços, harmonizando interesses para que o grande vencedor seja sempre o Sporting Clube de Portugal". Aqui, a velha táctica de "não faças como eu faço, faz como eu digo", precisamente porque ele colocou o seu capricho pessoal à frente dos interesses superiores do Sporting, que, neste momento pelo menos, passam por apoiar o treinador da equipa principal de futebol.

 

Toda esta polémica começou com a sua "chicotada" no Facebook após a derrota em Guimarães, situação entretanto agravada significativamente com o surgimento do seu mandatado lacaio José Eduardo, cuja missão era denegrir a imagem e a reputação de Marco Silva, para viabilizar o seu despedimento de forma "agradável", ou seja, de forma a não comprometer a posição e o populismo do presidente.

 

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Quem teve ocasião de assistir ao acima referido programa, testemunhou uma performance repleta de falsidade por José Eduardo. O mesmo que insiste que foi autorizado, mas não mandatado, (???) por Bruno de Carvalho, para criar "uma ponte de ligação ao treinador para recuperar a situação e para tentar explicar o que era o projecto do Sporting". Se não fosse tão grave, até era caso para rir à gargalhada !!!

 

José Eduardo passou a maior parte do programa a dar o dito por não dito: "eu queria que Marco Silva continuasse no clube. A informação foi manipulada e puseram-me na boca palavras que eu não disse". Isto, referente a entrevistas concedidas por ele e crónicas da sua autoria publicadas no jornal "A Bola".

 

Enquanto o presidente lia a sua mensagem na televisão, a última "obra literária" de José Eduardo estava disponível nas bancas de jornais. Entre outras coisas, escreveu:

 

«(...) Termino revelando uma parte de um telefonema que recebi de uma grande figura do futebol português: "Zé, é só para te dizer que tudo o que dizes sobre o Marco é pouco. Sei-o por experiência. E ainda ontem encontrei (outra figura) que também trabalhou com ele e que me disse exactamente o mesmo. Ele é frio e calculista, não dá ponto sem nó». Respondo-lhe: «então porque não tornas pública  tua opinião ?» Como esperava, o meu ilustre amigo, recua imediatamente: «vou aguardar... »

 

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Como dedicou uma boa parte do seu escrito a esta temática, torna-se óbvio que não esperava que o seu amigo, o presidente do Sporting, viesse a público com uma mensagem de reconciliação. Confrontada com esta, declara o caro: "Isto é uma grande vitória para mim." Até tentou manipular a afirmação de Adrien Silva, no final do jogo: "A equipa está com o Sporting", como prova de que a equipa não está com o treinador.

 

Sérgio Abrantes Mendes, outro participante no programa, falou bem: "Temos por hábito dizer que tudo está bem, que acaba bem, mas neste caso não é bem assim. Demasiado silêncio durante demasiado tempo. Bruno de Carvalho falou hoje com humildade, mas fez apenas aquilo que devia ter feito há muito mais tempo."

 

Na sua mensagem, o presidente do Sporting afirmou que "os sócios têm o direito de exprimir as suas opiniões na forma, com a oportunidade e nos locais que entenderem, sendo essas da sua inteira responsabilidade. Por parte do Sporting Clube de Portugal, não há qualquer tipo de equívoco, só estão mandatados para exprimir as suas posições, os membros dos Órgãos Sociais do Clube, nos termos do mandato que lhes foi conferido."

 

Clara alusão a José Eduardo, embora ainda hoje se espere por um comunicado em defesa do treinador e das graves acusações de que foi alvo. Por outro lado, não faz sentido e não é minimamente conveniente confrontar quem se mandatou (autorizou) para essa exacta missão. É equivalente a dar ordens a um defesa para marcar golo na sua própria baliza.

 

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Por sua vez, Marco Silva falou à imprensa na conferência pós-jogo: "A primeira vez que ouvi pensei que se estivesse a falar de máfia, de algum filme do Padrinho. É tão ridículo que não vale a pena comentar. Todos estamos sujeitos à crítica e ao elogio, que é o que me faz trabalhar cada vez mais. O que tentou pôr em causa como cidadão, como homem, como pai, há que ser provado nos locais próprios, se não fugirem até lá."

 

Haverá quem possa achar curiosa esta nossa defesa de Marco Silva, mas na realidade poderia ser qualquer outro treinador. Marco Silva está hoje no Sporting, amanhã poderá não estar. A nossa posição é devida e inadvertidamente explicada por Augusto Inácio, quando afirmou - palavras para o efeito - que "isto é tudo poeira no ar". Tem razão, é tudo "poeira no ar", mas desconhecíamos nós, então, que esta "poeira" iria parar à cara de todos os sportinguistas.

 

publicado às 05:30

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50 comentários

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De JRamos a 05.01.2015 às 00:04

Estou em desacordo com a sua perspectiva sobra a aliança de governo. Todos os governos estão constrangidos por circunstâncias exteriores e ainda que eu reconheça que os constrangimentos actuais são especialmente fortes eu não vou na conversa que tenta ter cada medida do governo e a governação em conjunto como pura imposição exterior. Houve muita iniciativa do governo, muitas escolhas do governo - desde logo a de ir além da troika. Quantos prejuizos não estaremos a pagar deste zelo troikista do governo, quanto não é de correcção do castigo da economia que a troika não tinha pedido ? Mas não entremos na política pura e dura. Eu só quer argumentar que Passos e Portas têm escolha e escolhem estar juntos mesmo que não confiem um no outro porque tem um projecto que podem partilhar mesmo com esta falta de confiança mútua uma vez que percebem maior conveniência e vantagem política própria na partilha do projecto do que na separação.

Mas deixemos isso.

Você diz:

"O racionalismo pragmático e a pulsão metódica de Marco Silva têm dificuldade em conviver com o temperamento primário e a pulsão instintiva de Bruno de Carvalho."

O que é temperamento primário senão uma ofensa gratuita. Será BdC uma espécie de animal? Estará a sua família, a sua esposa e filhas em perigo por ter tal temperamento primário em casa? Com este exagero acho um pouco difícil abordar o tema da presidência do Sporting. BdC é pouco polido, sim, em comparação com um cavalheiro. No entanto, já muitos cavalheiros vieram a ser descobertos autênticos facínoras.
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De Zargo a 05.01.2015 às 09:41

JRamos
Não se zangue que não pretendi ofender o seu "santinho" de estimação! A conversa estava no domínio da psicanálise e não deve sair desse "espaço". E não invente argumentos ao nível da história da carochinha!
Aquele abraço...
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De JRamos a 05.01.2015 às 15:28

Ainda bem que fala de psicanálise. Não é possível nem legítimo qualquer diagnóstico de tipo psicanalítico sem que tenha existido previamente uma relação analítica. Faz parte da ética da psicanálise. Por vezes a psicanálise serve-se da literatura, da arte, para ilustrar alguns de seus conceitos mas isso é de todo diferente de "amandar" diagnósticos contra alguém sem nunca ter tido esse alguém em um cenário analítico.

Não sei se Zargo é psicanalista. Se for (eu não sou, sou apenas um estudioso) vai-me dar razão e corrigir a sua posição.

Já agora, uma vez que apresentou algures o argumento do governo de que o que eles fazem, o fazem sem alternativa, quero só responder a isso com o conceito de Sartre de "Má Fé". O que é a má fé para Sartre? É a renúncia voluntária da liberdade, a proposição de que o que fazemos, o fazemos sem alternativa, sem poder escolher. Para Sartre há sempre alternativa. Não temos que ser Sartreanos mas também não temos que aturar a conversa do Coelho e do Portas. Enfim, vou escorregando para a política. É melhor ficar por aqui.
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De Zargo a 05.01.2015 às 22:14

JRamos

Não tenho formação científica na área da psicanálise. A minha formação académica é em Antropologia, História e História da Arte. No entanto, uma noite destas, ao jantar, um amigo psiquiatra traçou o que entendeu ser o “perfil” de BdC. Foi uma conversa informal com quatro pessoas. E, foi ele, que num segundo momento comparou BdC com o que entende ser o perfil psicológico de MS. Foi o tema de conversa no jantar e vale o que vale. Não foi um diagnóstico na acepção da palavra, mas um diálogo sobre BdC e MS conduzido por um psiquiatra. É tudo.

Folgo com as suas palavras sobre Sartre e o existencialismo sartreano. Na minha juventude fui um profundo admirador de Sartre e do seu pensamento e, nessa altura, era um autor que tinha sempre por perto. Entretanto muito água correu, mas Sartre faz parte do meu património vivencial e contribuiu decisivamente para a minha formação. Ainda hoje, estou convicto que não há determinismo relativamente à realidade humana, portanto, apenas a liberdade é determinante. O homem, numa escolha livre, faz-se a si mesmo e é o único responsável pelos seus actos.
Só pela invocação de Sartre, que conduz inevitavelmente a Platão e a Sócrates, valeu a pena ter metido conversa com o JRamos.

Um abraço leonino… pois claro!
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De JRamos a 05.01.2015 às 22:47

Okay. Eu não tenho formação específica em psicanálise mas sou um leitor, essencialmente de Jacques Lacan que prefiro a Freud, embora Freud seja fundamental nomeadamente no que em seus erros serviu para, pela crítica, fazer avançar os estudos.

Mas a minha opinião é a mesma. O seu amigo psiquiatra estaria a avacalhar um pouco, passo a expressão. Só no cenário analítico quando os semblantes (quer dizer, os papeis que desempenhamos, os teatros, os fingimentos) começam a cair é possível chegar a produzir algum conhecimento que não seja ele também semblante, casca,sombra. Em última análise o psicanalista não conhece o seu paciente e pode até ser que nunca o conheça e até que a função dele, do analista, nem seja propriamente conhecer o seu paciente.

Será possível conhecer alguém...?

Enfim, siga a marcha.

Saudações leoninas.
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De Zargo a 06.01.2015 às 12:34

O JRamos pergunta se é possível conhecer alguém. Não, de facto, não é possível conhecer alguém se se entender por “conhecer” no verdadeiro sentido da palavra. E de nós, seres humanos em geral, também pouco conhecemos, para além de que somos animais da classe dos mamíferos, da família dos hominídeos, do género homo, da espécie sapiens e admitimos, desde Darwin, que somos filhos de primatas, embora não nos consideremos primatas.

Claro que no dia a dia, até por conveniência, garantimos que conhecemos alguém e, até, garantimos que o topamos à distância. A referida conversa ao jantar decorreu na informalidade característica dessas ocasiões, o que não invalida a adequação da caracterização estabelecida. Essa caracterização informal também é frequente, e indispensável, no quotidiano nosso social, apesar de todos riscos que envolve.

Agora, amigo JRamos, ser quem não é... isso não se consegue. O excelente Sérgio Godinho canta de maneira a esclarecer dúvidas.
https://www.google.pt/webhp?source=search_app#q=s%C3%A9rgio+godinho+pode+algu%C3%A9m+ser+quem+n%C3%A3o+%C3%A9

Como a conversa está interessante, depois do Sporting-Famalicão, marcamos encontro para A Tasca do Cherba e à volta de uma sopa de beldroegas e de um Antão Vaz da Vidigueira fazemos o balanço das peripécias do jogo… e continuamos com o Lacan e o Edgar Morin noite fora. Pode ser que o Converge e o Gregor apareçam.
O abraço leonino de sempre

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